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Reflexões sobre a Gentrificação no Vidigal [IMAGENS]

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Com sua comunidade historicamente acolhedora e boêmia, e vistas deslumbrantes da costa do Rio de Janeiro, a favela do Vidigal, na Zona Sul da cidade, tem recebido cada vez mais visitantes, novos moradores e investidores estrangeiros desde que foi estabelecida uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no local em 2011. Mas como estão esses novos visitantes, moradores e investidores mudando o Vidigal? Como os moradores de longa data vêem essas mudanças? Quais são as preocupações, esperanças e medos para o futuro?

Aqui mostramos algumas das mudanças ocorridas no Vidigal nos últimos tempos a partir das colocações feitas por moradores durante uma oficina realizada pela ComCat, em novembro de 2013, para discutir a gentrificação e desejos para o futuro da comunidade.

“A situação aqui vai melhorar, mas quem vai estar aqui para aproveitar?”

Os moradores esperam uma série de investimentos e melhorias nos serviços públicos, que começaram com a instalação da UPP em 2011. No entanto, com os preços aumentando e novos moradores e investidores se estabelecendo no local, residentes de longa data questionam se eles vão conseguir se manter na comunidade e assim desfrutar dessas melhorias tão necessárias e desejadas.

“Porque embargaram as obras dos moradores e as obras de hotéis continuam?“

Moradores relatam serem proibidos de fazer melhorias em suas casas. Tudo isso enquanto a construção de hotéis por investidores continua sem interrupção. O mais recente é o luxuoso Hotel Mirante do Arvrão que foi inaugurado em dezembro de 2013 e oferece quartos com vistas para o mar do alto do Vidigal por R$60 a R$300 por noite.

Toda a área no topo do Vidigal que circunda o hotel está em construção. Embora alguns moradores relatem serem proibidos de construir qualquer coisa, outros estão expandindo suas casas, adicionando mais andares para alugar para estrangeiros.


“O que será da identidade deste lugar? Todo o sangue que nós derramamos. Literalmente.”

Antes da chegada da UPP e, particularmente, na década de 1990 e início de 2000, os moradores do Vidigal viviam sob a ameaça e ‘administração’ de traficantes fortemente armados. Disputas de território e confrontos com a polícia significavam que tiroteios eram frequentes e que a possibilidade de ser atingido por balas perdidas era diária. Tendo sobrevivido não apenas aqueles momentos, mas se desenvolvido coletivamente por muitos momentos sem a intervenção ou apoio do governo, os moradores Vidigal agora se preocupam se serão capazes de permanecer e aproveitar a nova paz e oportunidades.

“A troca cultural é bem-vinda. Mas até que ponto essa troca está sendo positiva?”

Muitos estrangeiros (possivelmente até 1000) já se instalaram no Vidigal. Alguns hotéis e pousadas fazem festas baladas, cobrando entradas caras de R$30-60. Muitas vezes, essas festas são inacessíveis aos moradores locais, sendo frequentadas por turistas e moradores dos bairros ricos da Zona Sul. Moradores relatam sentirem-se excluídos dos novos eventos culturais sendo realizados em sua comunidade.

“Era quase uma vila. Tinha privacidade no local. Agora pessoas entram filmando e fotografando.”

Durante os anos de conflito entre as facções rivais da Rocinha e Vidigal, a comunidade era considerada um lugar perigoso. Hoje os turistas visitam todos os dias, e passeios na favela estão se tornando uma das atividades turísticas mais populares no Rio de Janeiro. Muitas vezes os turistas esquecem, ou guias de turismo não os lembram, que esta atração é o lar de milhares de pessoas, muitos dos quais desejam manter sua privacidade. A privacidade dos moradores é muitas vezes violada com visitantes tirando fotos deles e de suas casas sem pedir permissão.

“Minha esperança é que todo mundo vai falar inglês e espanhol. Meu medo… quem vai estar aqui falando inglês e espanhol?”

Muitos estão dando boas-vindas aos estrangeiros que vieram de outras partes da América do Sul, Europa, Austrália, Estados Unidos e África para fazer do Vidigal sua casa e apreciam as oportunidades de intercâmbio cultural. Alguns moradores estão ansiosos para interagir com os seus novos vizinhos. Mas com o novo mix cultural vêm os aumentos de preços e aluguéis que já estão levando à deslocação de moradores de longa data.

“Nunca me imaginei saindo do Vidigal. Eu amo o Vidigal.”

Muitos moradores do Vidigal vivem na comunidade desde que nasceram, ao longo de gerações ou por muitos anos, e têm grande afeto por sua comunidade. As pessoas citam laços sociais, relações com a comunidade e a cultura local como os aspectos do Vidigal que eles estão mais preocupados em preservar neste processo de mudança. O Vidigal tem uma longa história de arte e cultura. Hoje, a comunidade tem festas semanais de samba e pagode e arte de rua feita por artistas locais em toda a comunidade.