Um retrato de Igor de Oliveira, por João Vitor dos Santos, ambos participantes do curso de Jornalismo da ComCat e novos autores do favela.info.

Multifuncional. Essa é uma das palavras que poderiam definir Igor de Oliveira Costa, o Bola, um morador de 22 anos do bairro da Penha, mais precisamente na rua Itauna. Além de eletricista, fotógrafo e DJ do coletivo de Hip-Hop “Us Negin Q Não C Kala” e rato dos cursos de audiovisual dos projetos ministrados pelos pontos de cultura espalhados pelo Rio de Janeiro, ele ministra oficinas para jovens de comunidades carentes há mais de dois anos.

Sua formação começou no Circo Voador, situado na Lapa no Rio de Janeiro, onde participou de oficinas de produção. “Foi no Circo Voador que me interessei pela fotografia e pelo vídeo”, conta ele. Duas experiências consolidaram a vocação para a fotografia: um no Viva Favela, um site de jornalismo comunitário do Viva Rio, e outro na Escola de Fotógrafos Populares, do Observatório de Favelas. Concorreu em seguida a uma bolsa integral na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, onde está terminando o curso de direção de cinema. “Costumo falar que se não for de graça eu não estudo”, diz Bola.

Descobriu o talento para a música nos encontros com os amigos no Parque Ary Barroso, próximo à sua casa, no inicio da adolescência. “Eles ouviam desde o hip-hop internacional, como Dr. Dre, 2pac e Notorious BIG, aos clássicos nacionais, como Sabotage, Realidade Cruel, Racionais Mc’s e Mc Rapadura”, lembra Bola. Daí para comandar as pickups do coletivo “Us Neguin Q Não c Kala”. formado pelos mesmos amigos das tardes de Praça, foi um pulo.
“Comecei a pedir dicas a meus amigos DJs nas festas embaladas a Rap que a gente ia”, conta ele, cuja bagagem musical traz ainda o peso do afrobeat, do repente e da bossa nova.

Como sempre focado nos objetivos de curto prazo, Bola afirma que tem como missão no momento fazer seu trabalho de conclusão de curso na Escola Darcy Ribeiro, o curta-metragem “Linhas Cruzadas”. “É um filme que fala de relações entre quatro pessoas e tem abordagem bem subjetiva, trabalhando bastante a linguagem da semiótica.” Outra meta é lançar o segundo álbum do “U.N.Q.N.C.K.” até o fim deste ano.