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Complexo do Alemão Resiste: Moradores Protestam em Mídias Sociais

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Moradores do Complexo do Alemão lançaram um Twittaço para alertar a mídia sobre os tiroteios que vem acontecendo na comunidade desde o final da Copa do Mundo. O evento foi planejado pelo grupo no Facebook Complexo Alemão e promovido por vários dias depois que 3 pessoas foram mortas a tiro e 19 foram vítimas de balas perdidas durante conflitos entre a polícia e o tráfico durante um período de 15 dias.

Os administradores da página no Facebook disseram que o protesto foi planejado na web porque moradores não se sentem seguros ao andar nas ruas do Complexo.

A hashtag #SOSComplexoDoAlemao foi usado para relatar histórias de brutalidade policial e frustração com as presentes políticas de segurança no Complexo do Alemão. A área está ocupada pela polícia desde 2010 e possui quatro Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) que têm como objetivo manter a paz dentro das 15 favelas que formam o complexo.

Apesar da UPP ser considerada um sucesso em algumas favelas, especialmente nas favelas da Zona Sul do Rio, um grande número de moradores do Complexo é contra a ocupação policial. Os moradores do Complexo, situado na historicamente marginalizada Zona Norte, relatam que não tiveram uma experiência positiva com o programa. Muitos dizem que se sentiam mais seguros quatro anos atrás, antes da pacificação, e que a violência armada é muito pior nos dias de hoje.

Em uma sequência de tweets, o morador Thãnia Medeiros disse: “Eles prometeram que com a UPP viria um novo período de paz! ELES MENTIRAM! Mas eles ganharam votos! Estou cansado de ouvir relatos de abuso de autoridade e vidas tiradas. A violência aqui é antiga. A primeira vez que vi um morto, era um menino de 10 anos assassinado. Eu tinha oito. Continuo vendo a mesma quantidade de armas que via antes da UPP. Mas tenho a impressão que os tiroteios aumentaram.”

Outra moradora, uma mãe que teve seu filho morto a tiros, tuitou: “Eu quero saber como uma unidade pacificadora pode ser tão violenta. Nós queremos paz!”

Durante as quatro principais horas do evento, a polícia foi constantemente descrita como “abusiva”, “assassina” e outras variações. Moradores desabafaram sobre suas experiências com violência em sua comunidade e explicaram que o único “crime” que cometeram foi morar na favela. Outros questionaram o status quo e o fato que, muitas vezes, as favelas só são usadas para os ricos lucrarem e são esquecidas quando realmente precisam de ajuda.

Alessandro Oliveira tuitou: “Nós já fomos palco de novela, documentários e agora nós somos palco de uma guerra onde as vitimas são inocentes”.

Muitos tuitaram sobre a relação entre status social, raça e violência.

Raull Santiago argumentou: “Nessa sociedade preconceito é disfarçado de ‘miscigenação’, mas a morte do pobre é aplaudida. É triste. A primeira vez que eu vi um ser humano morto eu tinha sete anos de idade… Hoje, eu tenho 25 e ainda vejo muitos mortos! Polícia e traficantes de drogas, armados, um de frente para o outro… se matando pela #PAZ do poderoso dinheiro!”

Maycom Brum completou: “A polícia é a mais racista de todas!”

De acordo com o rastreador de hashtag Keyhole, a hashtag #SOSComplexoDoAlemao alcançou meio milhão de pessoas ao redor do mundo. Os tweets vieram principalmente do Brasil, mas pessoas dos Estados Unidos, Portugal, Suécia e Austrália também se uniram ao movimento pedindo por paz.

A narrativa permaneceu com os residentes durante todo o evento, que estão planejando mais ações sociais nas próximas semanas visando parar com a violência no Complexo.

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