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Moradores do Complexo do Alemão Marcham pela Paz [SLIDESHOW]

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Por volta de 40 moradores, do Complexo do Alemão, foram as ruas no Sábado, 09 de agosto, para promover a paz na comunidade. Desde o fim da Copa do Mundo, o complexo de favelas vem presenciando diariamente tiroteios entre oficiais da PM e traficantes de droga.

O protesto foi organizado por moradores do Alemão para reivindicar a contínua brutalidade policial e alertar sobre a situação que os moradores se encontram: entre a troca de tiros da facção do Comando Vermelho e a UPP.

Três pessoas inocentes foram mortas na comunidade desde o fim da Copa e dezenas outras foram feridas por balas perdidas ou como resultado direto da violência policial.

No domingo, 29 de julho, Antônio França de 60 anos foi baleado e morto em Nova Brasília. Já no domingo, 03 de agosto, Rhuan Vianna de 20 anos foi baleado na perna durante a “patrulha rotineira” da polícia.

Vítimas de violência policial, como Zaqueu Nogueira de 14 anos, participaram do protesto. Zaqueu foi baleado em Nova Brasília no sábado, 27 de julho, por oficiais do BOPE que lhe acusaram de fazer parte do tráfico de drogas. Seu único crime foi ser morador do Alemão.

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O adolescente agora é cego de um olho depois de ser baleado no rosto por um oficial do BOPE. Ele foi baleado, também, na coxa e no ombro. Zaqueu protestou contra a criminalização de jovens na comunidade apesar da presença fortemente armada de policiais estacionados ao longo do trajeto.

“Eu estou aqui, hoje, para exigir justiça e paz para a comunidade. Muitos jovens estão sendo mortos aqui. Pessoas inocentes estão sendo baleadas. Eu tenho orgulho da minha comunidade e eu quero que as coisas melhorem para as pessoas daqui”.

Vários manifestantes já perderam algum parente para a violência policial. Denize de Moraes, mãe do moto-taxista Caio de Moraes, morto durante um protesto em maio, deseja que nenhuma outra família do Alemão tenha que enterrar o corpo de seus entes amados.

“Até onde esta violência vai chegar? Meu filho foi morto pela polícia. Ele era inocente e não tinha nenhuma relação com o tráfico. Ele só tinha 20 anos e trabalhava como moto-taxista. Eu não quero ver mais nenhuma criança morta. Eu estou aqui por justiça e por respeito. Hoje, nós estamos aqui para lutar pelos nossos direitos. Nós somos uma comunidade e nós somos muito mais fortes que qualquer UPP ou tráfico de drogas. Nós estamos passando por tempos difíceis porém o bom irá vencer o mal. Eu estou certa que nós iremos superar isso e dias melhores virão”.

Os participantes exibiram cartazes criticando a ocupação policial e pixaram as ruas e propriedades com pedidos de paz na comunidade.

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A passeata parou em uma praça pública para ler o nome das 15 vítimas desta onda de violência que está ocorrendo este ano e para pedir por paz. A lista incluía o nome de moradores locais e de policiais. Os manifestantes também pararam em pontos estratégicos para mostrar a mídia onde as balas perdidas haviam perfurado paredes e ferido moradores.

Durante o percurso eles cantaram músicas de funk, incluindo o “Rap da Felicidade” e “Era Só Mais um Silva“. Eles também rezaram com fiéis da igreja evangélica pedindo o fim da violência.

Os manifestantes foram saudados com apoio dos outros moradores do Alemão, que por sua vez juntaram-se durante o trajeto cantando e rezando pelas vítimas da violência. Este vídeo mostra um morador expressando sua preocupação com a ocupação da UPP em sua comunidade.

Os organizadores do evento estão usando a hashtag #SOSComplexoDoAlemão para promover o movimento por justiça na comunidade.

De acordo com o website de rastreamento de hashtag Keyhole, a hashtag obteve um alcance de meio milhão de pessoas ao redor do mundo. Os Tweets tinham origem principalmente no Brasil, mas usuários dos Estados Unidos, Portugal, Suíça e Austrália também se uniram, pedindo a paz.


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