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Feira Crespa: Encrespando a Consciência

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O evento que valoriza a beleza negra contou com shows de funk, mesas de discussão, oficinas e até batalha de looks.

A jovem Elaine Rosa tinha um sonho: criar um projeto que incentivasse a valorização da beleza das mulheres negras como ela e de elementos da cultura afro-brasileira dentro do território onde vivem. O desejo de Elaine ganhou mais quatro aliadas: Milena Nax, Tauanna Cristina e Luciano Araújo. Apoiado pela Agência de Redes para Juventude a Feira Crespa teve sua primeira edição no dia 23 de novembro, na Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna.

A ideia do evento foi um projeto desenvolvido através da metodologia da Agência, uma iniciativa premiada internacionalmente, idealizada pelo escritor e ativista, Marcus Vinícius Faustini. A Agência trabalha com jovens de diferentes comunidades do Rio de Janeiro, em prol de por os jovens em ação dentro dos seus territórios, através do desenvolvimento e execução de projetos em diferentes áreas de atuação, sobretudo a cultural.

A equipe observou, através de pesquisa de campo e na internet, que a Pavuna não tem uma prática ou iniciativa que incentive a valorização da beleza negra, principalmente no que se refere a cabelo afro. A missão do grupo é fazer a mulher negra se sentir valorizada como ela é, mostrá-la de que há muito charme e glamour em seus traços e cabelos, sem que seja necessário render-se a estética de beleza enfatizada pela grande mídia, que prioriza o cabelo liso.

Depois de três meses de laboratórios de criação e desenvolvimento da ideia com a equipe da Agência, os jovens apresentaram o projeto Rainha Crespa para uma banca julgadora e foram premiados com R$10.000. Durante o ciclo trimestral de planejamento estimulado pela Agência de Redes, a equipe do projeto visitou salões de beleza, se reuniu com aliados e o resultado não podia ter sido melhor: a primeira edição da Feira Crespa foi um sucesso e a segunda edição já tem data, 8 de março de 2015, no Dia Internacional da Mulher.

A inauguração do projeto foi marcada por diversas atrações, debates sobre mulheres realizadoras no funk, e sobre identidade, afirmação do cabelo crespo na mídia, oficinas de beleza, exposições, concurso Mister Raça Zumbi e batalhas de look. “Ações como a Feira Crespa são fundamentais para dar visibilidade a beleza negra, que ainda é tão discriminada”, declarou Sara Vieira, 22 anos. Para os idealizadores da Feira Crespa, o cabelo crespo, a beleza negra, são fundamentais para o imaginário da cidade.

A programação deu espaço para exposição de grifes, com roupas e acessórios para a mulher negra, além de comida, música e uma mesa de debates sobre o tema. Também teve batalha de looks–um desfile competitivo de mulheres negras–que agitou o evento e criou tendências. A intenção do grupo é repetir o evento a cada três meses, transformando a Feira Crespa numa referência na Pavuna e no Rio de Janeiro.

Elaine Rosa

Antes de começar as atividades, era possível perceber o entusiasmo dos convidados. Tatiane Noronha, 19 anos, moradora da Pavuna, aprovou o evento. “Eu gostei muito da oficina de turbantes. O preconceito vivido pela juventude feminina não é apenas pela cor, mas também pelo seu próprio território de origem. O bom desse evento é que ele vai além de uma feira. Ele se apresenta como uma forma de quebrar esse estigma, quebrar através do realce da beleza, do olhar”, contou Tatiane.

A organizadora Elaine Rosa também ficou feliz com o resultado. “A feira trouxe vários elementos de cultura negra pra mostrar que existe uma resistência aos problemas raciais”, afirmou. “E é preciso discutir isso. Ter cabelo black ou liso é opção, o importante é ter as questões negras bem afirmadas e aceitas”.

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