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Se Essa Vila Não Fosse Minha: Novo Documentário Conta a História da Vila Autódromo [RESENHA]

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Se Essa Vila Não Fosse Minha é um novo documentário produzido por Felipe Pena, que conta a história da Vila Autódromo e sua luta contra as remoções. A favela é adjacente ao Parque Olímpico na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. O filme oferece uma perspectiva verdadeira dos moradores e é formado quase inteiramente de entrevistas com moradores e imagens do bairro.

O filme começa contrastando cenas da Zona Sul do Rio e suas praias emblemáticas e cenas de destruição na Vila Autódromo. Lares são demolidos assim que o proprietário aceita a compensação oferecida pela Prefeitura, deixando o bairro com muitos terrenos em ruínas. Moradores mostraram como a demolição das casas tem afetado todo o bairro: frequentemente, as casas são coladas umas as outras, o que resulta em rachaduras e danos às casas em torno daquelas que foram demolidas.

Os moradores falam sobre o sofrimento causado com as remoções, assim como sobre a longa história da favela. A Vila Autódromo era originalmente uma vila de pescadores em torno da Lagoa Jacarepaguá, mas as casas cresceram em número na medida em que os trabalhadores da construção do autódromo, ao lado, começaram a construir suas casas na área. No filme, os moradores repetiam que eles sempre estiveram ao lado da lei: os moradores da Vila Autódromo detém títulos expedidos na década de 1990, garantindo a eles 99 anos sobre a terra.

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As razões dadas pelas autoridades para a remoção na Vila Autódromo têm mudado com o tempo, mas os moradores concordam que a especulação imobiliária está na raiz dos esforços do Prefeitura. Como um dos moradores sugere, “É a ideia de que os pobres não podem morar perto dos ricos. Que eles só podem trabalhar na cozinha”. Outro morador, Valber, ressalta que o Rio “vendeu sua terra, vendeu seus moradores, vendeu suas vidas, vendeu sua história–por 15 dias. O que acontece depois desses 15 dias?”.

O filme também inclui filmagens e perspectivas do Parque Carioca, o conjunto habitacional para o qual muitos moradores removidos foram alocados após terem aceito os termos do governo. Ao mesmo tempo que uma moradora do Parque Carioca diz que não é um mau lugar, ela defende que as pessoas sabem o que é melhor para elas individualmente e condena a pressão psicológica aplicada pelo governo em cima daqueles que tentam permanecer na Vila Autódromo.

Aqueles que ainda estão na Vila Autódromo expressaram orgulho em ter construído suas próprias casas e explicaram o que eles perderiam se fossem realocados: um senso de comunidade e segurança, entre outras coisas. Uma moradora apontou para um abacateiro que ela cuidava e que crescia em seu jardim–algo que não seria possível em um complexo de apartamentos.

Quando entrevistado sobre o filme, o diretor Felipe Pena foi perguntado se a palavra ‘guerra’ era muito forte para descrever o que estava acontecendo na Vila Autódromo nesse momento. Ele respondeu: “Não, não é. Os moradores da Vila Autódromo têm vivido um verdadeiro clima de guerra por 40 anos. Eles vivem com medo, encurralados, ameaçados. O ex-Presidente da Associação de Moradores foi assassinado. O atual Presidente teme ser morto. A guerra foi declarada”.

O filme foi apresentado como parte do Festival DocBrazil em Pequim, em novembro, mas não há data de lançamento para o público ainda.