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Dia Mundial do Meio Ambiente: Cinco Projetos Comunitários Praticando a Sustentabilidade

Favelas são incubadoras naturais de novas ideias, iniciativas sustentáveis e projetos liderados pela comunidade. Estão sendo reconhecidas, cada vez mais, como modelos de sustentabilidade a nível mundial.

O Dia Mundial do Meio Ambiente é organizado anualmente pelas Nações Unidas de modo a trazer consciência em relação a problemas e soluções ambientais no mundo inteiro. Em honra ao Dia Mundial do Meio Ambiente desse ano e ao tema “Sete Bilhões de Sonhos. Um Planeta. Consuma com cuidado”, o RioOnWatch compilou uma lista de cinco iniciativas de favelas que têm como objetivo fazer da comunidade um espaço verde e de sustentabilidade.

1. Vale Encantado

Vale Encantado, na floresta da Tijuca

Vale Encantado é uma comunidade no Alto da Boa Vista, escondido dentro da Floresta da Tijuca. Sem investimento público, os moradores desenvolveram talentos locais e buscaram e asseguraram ajuda por parte de colaboradores, tanto locais como internacionais, para planejar um sistema de esgoto, implementar painéis solares, biodigestores, uma horta comunitária e a geração de oportunidades econômicas relacionadas com o turismo ecológico.

Num artigo recente para o RioOnWatch, Asha Nimodulu escreveu sobre a história do Vale Encantando e como se tornou um modelo de sustentabilidade:

“Em constante busca por uma solução, Otávio Barros, morador da quinta geração eleito presidente da Associação de Moradores do Vale Encantado em 2005, obteve uma resposta ao ser apresentado a um amigo francês de uma vizinha do condomínio vizinho. Ao conhecer Otávio e descobrir o tesouro de sustentabilidade que é o Vale Encantado, Jerome Auriac encorajou Otávio a olhar para o ecoturismo e então, estabeleceu a ONG francesa ABAQUAR Paris para ajudar. Eles começaram a trabalhar juntos para construir o potencial do Vale no turismo ambiental. Otávio se treinou formalmente como guia e instituiu a Cooperativa Vale Encantado em 2007, para dar emprego às famílias da comunidade enquanto ajudam o meio ambiente.”

Em 2014 a comunidade virou estudo de caso para demonstrar o potencial da favela como modelo de desenvolvimento sustentável durante a conferencia internacional para a construção verde GreenBuilding Brasil, tida em São Paulo em agosto. O Vale Encantado é também uma das oito comunidades que aparecem no filme da Comunidades Catalisadoras, “Favela Como Modelos Sustentável” lançada na Rio20+. A comunidade foi dada recentemente como exemplo no blog do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano.

Participa de um tour pelo Vale Encantado.

2. Verdejar, no Complexo do Alemão

Ponto de Cultura: Memória da Misericórdia, Luiz Poeta

Verdejar é uma ONG localizada na Zona Norte do Rio, no Complexo do Alemão. Fundada em 1997 pelo Luiz Poeta, as atividades do Verdejar incluem reflorestamento, servir de laboratório para experiências de saneamento verde, agrofloresta e educação ambiental. A ONG conseguiu proteger a última área de Mata Atlântica na Zona Norte da cidade–a Serra da Misericórdia–um pedaço de terra de 40 quilômetros quadrados.

Em 2013, os esforços do Verdejar foram reconhecidos, recebendo status de Ponto de Cultura pelo governo federal. O reconhecimento resultou em um documentário produzido por jovens moradores da comunidade para conscientizar sobre a destruição da Serra da Misericórdia, que sofreu com as minas de granito e outras fontes de poluição devido a empresa elétrica Light. A empresa também foi responsável pela remoção da ONG de sua prévia base em 2012.

O fundador do Verdejar Luiz Poeta falou com o RioOnWatch em 2011 antes de falecer de câncer. Ele disse: “A agroecologia é um movimento que pretende transformar a sociedade com a qual se encontra. O amor é praticado; as pessoas se abraçam, vivem juntas, valorizam a agricultura, o direito da mulher, os quilombos. É um movimento de transformação.”

Para mais informação e novidades sobre as atividades do Verdejar, sigam-no no Facebook.

3. O Movimento Preserva Vila Laboriaux, na Rocinha

Criança com placa "Eu amo o Laboriaux"
Com uma longa história de negligência e ameaças de remoção, a história da Vila Laboriaux é um exemplo de resistência. Muito de seu esforço foi feito pelo grupo comunitário Movimento Preserva Laboriaux que foi finalmente reconhecido por sua resiliência e trabalho árduo esse ano após ser nomeado um dos 85 vencedores do Premio Ações Locais, que faz parte das comemorações do aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro. O grupo promove o desenvolvimento sustentável da Vila Laboriaux na Rocinha, onde vivem 600 famílias. Num recente artigo para o RioOnWatch, Sarah Jacobs listou as diferentes atividades oferecidas pelo grupo:

“Desde o seu primeiro evento–a limpeza coletiva de 1,5 toneladas de lixo abandonado–até hoje, a instituição trabalhou de forma participativa, consultando e implementando prioridades elencadas por moradores. Outras atividades organizadas pelo grupo são: arte urbana, hortas comunitárias, atividades culturais e educação e preservação ambiental.”

Para mais informação e para seguir as atividades do Movimento Preserva Laboriaux, siga no Facebook.

4. “Plantando Ideias” em Manguinhos

Moradores de Manguinhos participando de evento em março. Foto por Edilano Cavalcante

Uma iniciativa conjunta entre Teto Verde FavelaFavela Criativa, o projeto Plantando Ideias foi lançado em março de 2015 para levantar a questão do meio ambiente dentro da comunidade de Manguinhos na Zona Norte do Rio. O projeto foi criado por um jovem morador de 20 anos, Eduardo Costa, que diz que o objetivo é simples: fazer da favela um espaço verde. Ele explica que “ao envolver os membros da comunidade em projetos ecológicos e construir um discurso ambiental, os moradores podem melhorar suas atitudes em relação ao meio ambiente”.

O lançamento foi simples mas divertido. Durante a tarde do dia 4 de março, os moradores de Manguinhos fizeram uma série de eventos, desde jardinagem até grafite e um show de rap, todos direcionados a conscientização ambiental dentro da comunidade. Um documentário sobre o Teto Verde Favela foi mostrado e os moradores plantaram cactos a volta do centro esportivo da comunidade. Brooke Parkin reportou para o RioOnWatch:

“A projeção do documentário Teto Verde Favela explica as ambições da organização: encorajar os moradores a terem mais plantas e, em particular, plantas nos telhados. Antônio Soares, biólogo que trabalha com o Teto Verde Favela, explicou: “Já estamos implementando, dentro da própria comunidade, o ideal de sustentabilidade com teto verde, com cobertura verde para não apenas amenizar a temperatura da própria casa…como também para embelezar, para dar um beleza natural para a própria comunidade”.

Clique para maiores informações e para seguir Teto Verde Favela ou Favela Criativa.

5. O Favela Orgânica, na Babilônia

Regina Tchelly founded Favela Orgânica with her own money.

Quando se trata de diminuir o desperdício, o Favela Organiza é campeão. Fundado por Regina Tchelly usando um mínimo de recursos, o Favela Orgânica se tornou globalmente conhecido pelo Movimento Slow Food. Regina desenvolveu deleites criativos a partir de comida que é normalmente desperdiçada no Morro da Babilônia: casca de laranja, agrião e casca de abóbora são ingredientes comuns.

A ideia é que as pessoas tanto de baixa renda como de alta aprendam como usar toda a comida trazida para suas casas, e que produzam refeições deliciosas como a que estamos servindo hoje, disse Tchelly num perfil do Favela Orgânica para o RioOnWatch. “É de baixo custo, mais saudável e mais econômica.”

Para maiores informações sobre o Favela Orgânica e detalhes sobre futuros eventos visite favelaorganica.blogspot.com ou siga a página do Favela Orgânica no Facebook.

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