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Centro Dia para Idosos na Cidade de Deus se Expande e Oferece Curso de Cuidador de Idosos

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Desde a sua criação em 1991, a Casa de Santa Ana foi a pioneira na prestação de cuidados de saúde e fisioterapia para moradores idosos na Cidade de Deus. Localizada no coração de uma das maiores favelas da Zona Oeste do Rio e apenas a 5km do futuro Parque Olímpico na Barra da Tijuca, a Casa de Santa Ana é uma instalação de cuidados multiuso especializado em saúde do idoso e bem estar. Até recentemente, a Casa de Santa Ana era focada somente em serviços exclusivamente oferecidos aos idosos da população da Cidade de Deus. Isso mudou em 2009, com a ideia inovadora de expandir recursos e competências locais através da educação e formação. Hoje, a Casa de Santa Ana oferece o curso Cuidador de Idosos para mais de 500 jovens adultos, que também ajuda no combate a escassez crônica de médicos e enfermeiros que assola o deficientemente financiado sistema público de saúde no Brasil.

Maria de Lourdes Braz, fundadora da Casa de Santa Ana costuma tomar iniciativa para responder à necessidade da comunidade: “As pessoas, muitas vezes, ignoram os idosos e tendem a ser mais generosas com as crianças e os da ‘próxima geração'”, explica Lourdes. “Não é difícil obter financiamento e simpatia para programas infantis, escolas e creches–mas raramente as pessoas consideram apoiar a crescente população idosa do Brasil”. Lourdes fundou a Casa de Santa Ana em 1991, seguindo a linha de uma creche infantil–aplicando as mesmas premissas e comodidades para atender às necessidades da população mais velha da comunidade. A Casa de Santa Ana fornece fisioterapia, exercício e ginástica, refeições nutritivas, e engajamento através da música com aulas semanais de percussão, jardinagem orgânica, e aulas de balé quatro dias por semana para crianças e idosos. Lourdes recebe financiamento para este modelo inovador, o primeiro em todo o Brasil, e continua a oferecer esses serviços gratuitamente para os membros da comunidade. Ela revolucionou o modelo de cuidado do idoso, argumentando que “as pessoas são mais saudáveis, mais felizes, e vivem mais tempo se elas permanecem em sua comunidade e com o apoio contínuo de seus familiares e amigos”.

Hoje, a Casa de Santa Ana abre as suas portas a 15 idosos semanalmente para o Centro Dia. Ele também abriga 100 moradores idosos para atividades específicas, tais como: terapia física; cura prânica; ginástica sênior; shiatsu; balé; e aulas de percussão. E é o único centro de tratamento da região para úlceras venosa, uma ferida recorrente e dolorosa, que muitos pacientes idosos desenvolvem a partir de hipertensão venosa. A Casa de Santa Ana possui oito funcionários em tempo integral, inúmeros voluntários  e mais de 100 meninas de todas as idades que fazem aulas de balé ao lado dos idosos.

“Uma das melhores, e inicialmente não intencionais, ações da Casa de Santa Ana é o aprendizado intergeracional”, diz Lourdes. “É incrível ver as crianças adquirirem o respeito pelos idosos e interagirem com cuidado, em vez de pena. É uma forma de mostrar as crianças, a cada dia, que elas também vão envelhecer, e que ninguém merece ser tratado como qualquer coisa menos do que um ser humano”.

A organização começou a oferecer aulas de dança diariamente para seus moradores há oito anos, quando Cristina Aleixo, uma bailarina apaixonada e dedicada, se aproximou de Lourdes depois de um acidente de carro que terminou com suas aspirações profissionais como dançarina. “Cristina ainda é uma inacreditável  bailarina. Ela poderia estar dando aulas particulares na Zona Sul, mas ao invés disso, ela vem aqui todos os dias e compartilha seu talento e paixão pela dança com as meninas”, explica o filho de Lourdes, Rodrigo Braz Vieira. Hoje, as meninas e mulheres com idade entre 4-74 participam, gratuitamente, de aulas de balé para diferentes idades no estúdio no andar de cima da Casa de Santa Ana. O talento e o respeito de Cristina com as meninas ajudaram três de suas alunas de balé a receberem bolsas de estudo integrais para treinar no Teatro Municipal do Rio como parte do corpo de baile do Teatro Municipal. Ela está atualmente treinando várias outras para esta mesma prestigiosa oportunidade.

O curso para cuidador de idosos é a mais recente adição à Casa de Santa Ana. Lourdes diz que a idéia para o curso tomou forma devido ao déficit de profissionais de saúde. Os moradores de favela de todo o Rio de Janeiro esperam longas horas em uma clínica pública local ou viajam longas distâncias para ver um médico. Além disso, Rodrigo aponta que quase nenhum centro público de saúde no Rio de Janeiro oferece fisioterapia, um componente crítico para o envelhecimento saudável. Esta é a realidade para quase todos os brasileiros de baixa renda que não podem pagar os planos de saúde privados.

Atualmente financiada pela Brazil Foundation, Sextant Publishers, e várias empresas de engenharia, a Casa de Santa Ana oferece 40 horas de uma série de aulas abertas a qualquer pessoa, totalmente gratuitas. As aulas são ministradas por profissionais de saúde e cobrem a fisioterapia básica, os primeiros socorros, cuidados a idosos em geral, e oferecem orientação psicológica e emocional. Os participantes recebem um certificado de aprovação após a conclusão do curso.

Mais de 500 pessoas da Cidade de Deus e outras comunidades próximas, na Zona Oeste, participaram do curso desde sua criação em 2009. Muitos começaram a trabalhar em centros de assistência locais ou em casas particulares na Barra da Tijuca, Leblon, Ipanema, Copacabana, e outras partes da Zona Sul.

“Apenas uma semana após o primeiro curso, 15 dos 60 participantes já tinham empregos”, relata Rodrigo. “Nossa intenção é atender a demanda por cuidadores domiciliários, e ao mesmo tempo proporcionar um negócio importante e crucial para as pessoas que, muitas vezes, não podem pagar o aprendizado em cuidados médicos”.

É de se destacar que todas as atividades da organização partem de uma visão positiva de como o envelhecimento deve ser visto: “A prevenção é a chave no cuidado de pacientes idosos”, diz Lourdes. “Só porque é o fim da vida não significa que tem que ser chato, sem paixão, e negligenciada”.