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Fórum Juventudes Apresenta Resultados do Aplicativo “Nós por Nós” que Denuncia Violência Policial

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Duas semanas após o lançamento do aplicativo de celular “Nós Por Nós”, o Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro apresentou os resultados e os desafios com que se depararam desde o lançamento do aplicativo. O evento aconteceu no escritório da Defensoria Pública do Estado em 7 de abril.

O Fórum de Juventudes desenvolveu um aplicativo projetado para moradores denunciarem rapidamente e de modo seguro a violência policial. O App recebe vídeos, fotos, textos e material de gravação de voz a partir do local, que é analisado em seguida pelo Fórum de Juventudes e encaminhado para uma organização apropriada para responder ao incidente em particular. Entre as organizações que podem estar inclusas para receberem o material estão o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública e uma série de outras organizações de direitos humanos.

O aplicativo foi desenvolvido na sequência do mapeamento, realizado pelo Fórum de Juventudes, de 15 favelas para o o relatório “Militarização das Favelas: Impacto na Vida dos Jovens Negros e Negras“, que indicou um padrão de violações de direitos humanos levadas a cabo pela polícia. Fransérgio Goulart, um dos coordenadores do projeto, afirmou que “a ferramenta não vai necessariamente resolver todos os problemas das favelas e as lutas que enfrenta a juventude negra. Mas é uma ferramenta que algumas organizações consideram um instrumento de luta”.

Em suas duas primeiras semanas, o aplicativo foi baixado por 500 pessoas e 40 incidentes de violência policial foram relatados, indicando uma demanda popular e necessidade pelo aplicativo. Os relatórios até agora incluem homicídio (duas incidências no Borel e Acari), invasão de domicílio, violência contra mulheres, tortura e abuso de poder. O Fórum de Juventudes identificou a Polícia Militar, a Guarda Municipal, e o exército como autores de tais violações. Depois de analisar as queixas, o Fórum observou que a maioria dos relatórios implicou a Polícia Militar como responsável pela violação. Fransérgio Goulart afirmou: “Há uma confusão sobre o qual é o papel da polícia“. O maior desafio para a equipe é garantir a precisão nos relatórios, incluindo a identificação da instituição exata que perpetrou, e depois  o encaminhamento para o canal correto, a fim de servir como prova legal.

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A maioria dos relatórios vieram da Zona Norte e da Zona Sul, com alguns da Zona Oeste e Baixada Fluminense. Um dos objetivos do Fórum, Fransérgio Goulart afirma, “é espalhar o aplicativo por outras regiões do Brasil… Temos sido procurados por pessoas de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Ceará”.

O aplicativo também tem se mostrado eficaz para acelerar o processo de comunicação entre o demandante e a rede de apoio. Fransérgio Goulart disse: “Recebíamos reclamações antes, mas com as respostas do aplicativo elas chegam muito mais rápido. Nós tivemos queixas que chegaram imediatamente, o que acelerou a rede de apoio e permitiu respostas rápidas para os familiares das vítimas, com competência e assistência, especialmente devido o trabalho do Escritório da Defensoria Pública”.

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Defensor público e coordenador do Núcleo de Direitos Humanos, Fábio Amada, prevê que outros parceiros irão juntar-se a causa para acabar com a impunidade dos crimes cometidos contra a juventude negra e pobre.

Fábio Amada disse: “Além da participação dos moradores que sofrem violência, é também necessário sensibilizar [o público] com respeito às novas organizações nas quais podemos confiar dos setores público e privado, para expandir a rede, ir além da denúncia e obter todos os meios possíveis para reprimir, prevenir ou reduzir as violações”.

Embora o aplicativo tenha começado favorável, o Fórum de Juventudes enfrenta vários desafios. A fim de melhorar a tecnologia do aplicativo–para a sistematização dos relatos e o encaminhamento das queixas–o Fórum busca parceiros e financiamento. O Fórum está tentando levantar fundos através de uma captação solidária online. O aplicativo está disponível apenas para usuários do Android, embora o Fórum de Juventudes está no processo de torná-lo disponível para os usuários do IOS também. Fransérgio Goulart explicou que a decisão de tornar o aplicativo imediatamente disponível para Android se deu porque este é o sistema operacional móvel mais utilizado nas favelas do Rio.

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