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“Sextas de Funk” Série Debate o Empoderamento das Mulheres no Funk [IMAGENS]

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No dia 15 de julho, um grupo de cerca de 70 membros da comunidade e artistas se reuniram na Arena Carioca Dicró na Penha, na Zona Norte do Rio, para discutir e reconhecer as contribuições das mulheres na cultura do funk. O evento, que teve um painel de debate e um show, foi a segunda das quatro partes da série “Sextas do Funk”, realizadas na Arena Carioca Dicró em parceria com a Expo Passinho Carioca para promover um foco na cultura urbana e independente do Rio.

A tarde começou com um debate sobre o papel das mulheres no funk com as artistas Taisa Machado, membro fundadora do AfroFunk Rio do Complexo do Chapadão, Caroline Felix, também conhecida como MC Carolzinha da Cidade Alta, Mayara Rodrigues do Art Black, e a dançarina, cantora e estrela de reality show Yani de Simone, popularmente conhecida como Mulher Filé da Vila da Penha. O debate foi moderado por Ana Paula Lisboa, coordenadora da Agência de Redes Para Juventude, colunista do Globo e DJ.

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Desde sua concepção nos anos 80, o funk passou por diversas fases, desde a criminalização e proibição até o reconhecimento oficial como “movimento cultural e musical” e fenômeno internacional. Por toda parte o funk se estabeleceu como uma indústria dominada principalmente pelo sexo masculino. Agora, mais e mais mulheres estão emergindo na cena do funk, utilizando esse gênero musical para afirmar sua própria individualidade artística.

Ana Paula Lisboa foi compelida a entrar na cena do funk depois dela ir a um show no Complexo da Maré e perceber que o conjunto de música era praticamente dominado por DJs masculinos.

“Eu pensei: ‘cara, tem algum coisa errada, e eu sou daquelas que não traz reclamação, eu trago solução e a minha solução foi virar DJ”.

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Para Yani de Simone essa luta para ganhar representação no mundo do funk é parte de um problema maior de desigualdade–um problema para o qual existem diversas soluções criativas. Ela argumenta que quando mulheres usam a mesma linguagem explícita do homem, elas estão pedindo igualdade.

“Os palavrãos que a gente diz sobre a sexualidade, isso ajuda a quebrar barreiras. Porque o cara pode falar palavrão, e nós não podemos?”.

Taisa Machado empodera as mulheres através do AfroFunk, mas quer ser conhecida pela qualidade do trabalho que ela faz e não pelo rótulo de “feminista”.

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“Eu já sou mulher, não tenho como fugir disso, então não é isso que a gente quer que seja a primeira coisa que se fale da gente”, disse Taisa Machado.

Caroline Felix relatou que ela já vivenciou muita discriminação quando ela começou a dançar passinho. Mulheres não eram permitidas nas rodas de passinho e homens não podiam perder para mulheres nas batalhas da dança. Ela teve que lutar para ganhar reconhecimento como dançarina, e mais tarde como MC, tudo isso enquanto também criava quatro crianças e fazia graduação em jornalismo. Agora, ela se orgulha do seu papel na comunidade do funk.

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“O funk merece aplausos eternos, porque a minha vida é funk. Eu defendo essa bandeira, automaticamente e mesmo sem querer”, disse Caroline Felix.

O funk é empoderamento em muitos níveis para Taisa Machado, que inicialmente estava hesitante em contar as pessoas sobre o seu envolvimento no funk com medo de se deparar com o estigma que existe contra as formas de arte africanas no Brasil.

“Funk é um janela, uma porta de passagem para ser preto e poderoso”, disse Taisa Machado.

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Apesar disso, como a Mayara Rodrigues explicou, tem muito a ser feito antes do funk ser considerado verdadeiramente um igualador. Muitas mulheres no painel tiveram experiências, em suas apresentações, de membros masculinos da plateia as assediaram verbalmente depois da performance.

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“Eu entendo que quando vêm a mulher dançando funk, dançando afro, dançando qualquer coisa, ela sempre é vista [como corpo]”, disse Mayara Rodrigues. “A gente tem que lutar muito para mudar essa imposição da sociedade machista”.

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Um tema recorrente da tarde foi a importância de unir as mulheres com a comunidade do funk. Yani de Simone salientou que isso é necessário para suspender o julgamento de um em relação ao outro, para engajar nos “atos diários de conscientização” em vez de rivalidade.

Yani de Simone pediu a audiência que entendessem que os artistas do funk, como os atores, têm “muitas faces” e que o que é apresentado no palco em termos de sexualidade não deve ser tomado como um indicador de quem o artista é.

“Não necessariamente, as mulheres do funk têm que usar roupa curta para poder fazer sucesso. Eu acho que você tem que se sentir bem e mostrar sua personalidade, tem gente que vende sexualidade. Eu comecei vendendo sexualidade porque eu comecei como dançarina. Então quando eu virei MC e comecei tocar certas músicas, precisei saber o que eu queria vender. Eu vendo música. Eu vendo atitude.” 

“Vamos fazer a diferença”, Yani de Simone invocou. “O microfone é uma grande arma.”

Seguindo o debate, cada artista foi ao palco e apresentou sua arte para a platéia.

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MC Carolzinha foi a última a se apresentar, fechando a tarde com uma música original que fala do otimismo com o funk que essas mulheres partilham:

“O movimento está crescendo em todo lugar
Exposição correndo o mundo para retratar
Com humildade disciplina eu vou te falar
O passinho carioca veio para demonstrar.”

O próximo evento “Sextas de Funk” acontecerá nesta sexta, 22 de julho das 19h até as 23h na Arena Carioca Dicró. Veja mais informações sobre o evento aqui.

Confira nossas fotos do evento (clique aqui para o álbum no Flickr):