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Manifestação “Jogos da Exclusão” Protesta Contra os Impactos das Olimpíadas [VÍDEO | IMAGENS]

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Na última sexta-feira, 5 de agosto, centenas de manifestantes se reuniram na Praça Saens Peña, na Tijuca, poucas horas antes do início da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, no Estádio do Maracanã. Outras centenas juntaram-se ao grupo ao longo da tarde à medida que a manifestação seguia em direção à Afonso Pena, totalizando aproximadamente mil pessoas. O protesto foi o ponto alto de uma série de eventos que ocorreram ao longo da semana, organizados pelo Comitê Popular da Copa do Mundo e Olimpíadas.

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A presença da Polícia Militar foi intensa desde o início do evento, com policiais fortemente armados, helicópteros, cavalaria e carros da polícia. Inicialmente, o clima era pacífico, o Comitê Popular e a polícia cooperavam para negociar e chegar a um acordo sobre mudanças na rota da manifestação. No entanto, em duas ocasiões antes mesmo dos manifestantes saírem da praça, dezenas de policiais cercaram alguns deles, sem que houvesse nenhuma evidência clara de provocação ou tensão. Uma das pessoas disse que no momento da reação da polícia estava apenas usando um spray de tinta para fazer os cartazes, o que já estava fazendo há cerca de 15 minutos. Outro manifestante, que estava parado em uma plataforma, entregou sua mochila para sua namorada, que então foi cercada pelos policiais.

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Os manifestantes protestavam contra uma série de impactos negativos vivenciados por moradores do Rio por conta da realização das Olimpíadas, como as remoções, a violência policial, o legado ambiental desastroso e a inversão de prioridades do poder público ao gastar bilhões quando a prefeitura não atende às necessidades básicas dos cidadãos. O protesto, denominado “Os Jogos da Exclusão”, destacou como os moradores do Rio têm sido sistematicamente excluídos e sofrido violações de seus direitos direta e indiretamente, através de cortes no orçamento público para saúde, educação e saneamento básico, enquanto bilhões têm sido gastos na construção das instalações olímpicas.

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Jurema Gomes da Silva, uma professora de 72 anos, disse que uma vez que o Rio assumiu o compromisso de receber os Jogos Pan-Americanos em 2007 e foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ela soube que a cidade realizaria os eventos apesar do descontentamento dos moradores. “Sempre soubemos que ia acontecer”, ela disse, “mas agora, eu estou aqui porque sou contra a ausência permanente de nossos serviços públicos. Nosso governo abandonou completamente os pobres, os negros, a população em geral”.

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Nina, uma estudante de 17 anos, disse que estava na manifestação porque “os Jogos Olímpicos não são para as pessoas que vivem aqui”. Ela também criticou as políticas de gastos e o desenvolvimento que precederam os Jogos: “Nenhum morador tem algum retorno com este novo sistema de transporte projetado para os turistas. Eu não estou contente em dizer isso, mas estou contente em estar aqui hoje para demonstrar o meu descontentamento”.

Durante a manifestação, alguns confrontos ocorreram entre a Polícia Militar e os membros do Black Bloc, um grupo de anarquistas trajados de preto que surgiu no Brasil durante as manifestações de 2013. O grupo é inspirado no movimento dos anos 80 que encorajava manifestantes a se defenderem contra a repressão policial na Alemanha Oriental. O movimento brasileiro do século 21 explicitamente tem como objetivo “causar dano a instituições opressivas”, e seus participantes são frequentemente acusados pela mídia brasileira de serem “guerrilheiros urbanos”, “excessivamente violentos” e de “provocarem a polícia”.

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Os organizadores do evento ficaram satisfeitos com a diversidade dos participantes, que tinham diferentes origens e idades, e especialmente com a forma pacífica como eles agiram. “Foi excelente”, disse Larissa Lacerda, membro do Comitê Popular. “Claro, houve momentos de tensão, mas isso acontece em qualquer manifestação”.

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O protesto acabou um pouco depois das 6 da tarde. Na Praça Afonso Pena, participantes estavam reunidos conversando sobre como havia sido o evento quando, sem qualquer provocação, a Polícia Militar jogou uma bomba de gás lacrimogênio nas pessoas ainda presentes no local, enquanto outros foram atingidos por spray de pimenta e tiveram que receber socorro da Cruz Vermelha. O uso de tais táticas para “dispersar manifestantes” é comum na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Neste caso, o protesto já havia sido disperso. O resultado foi o fechamento de um espaço público, pessoas amedrontadas correndo, manifestantes e aqueles que apenas passavam pelo local. Famílias de moradores da região estavam nos brinquedos da praça naquele momento. Duas horas depois, a uma distância de 15 minutos a pé, começava a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Assista ao nosso vídeo do protesto aqui:

Veja nossas fotos do protesto (clique aqui para o álbum no Flickr):