Últimas Notícias

A ‘Outra Baía’ do Rio Exige Reparos Ambientais no Momento em que Atenção Foca na Baía de Guanabara

Click Here for English

No dia 31 de julho, moradores de Sepetiba, Zona Oeste do Rio, se uniram em um “abraço” simbólico à Baía de Sepetiba para mobilizar a comunidade e a gestão ambiental da baía.

Os 40 moradores e apoiadores presentes se reuniram no histórico coreto de Sepetiba. Diversos grupos, incluindo a C.O.R.E.S. (Comissão Revitalização de Sepetiba), o Instituto Boto Cinza de proteção aos golfinhos, o Ecomuseu Sepetiba, a Rede Popular – Sepetiba, a Baía Viva e a Igreja Batista Central de Sepetiba, uniram forças em torno da preocupação em comum com a baía. Os representantes de cada grupo discursaram e o evento culminou no “abraço”, com os participantes dando as mãos, formando um círculo ao redor do coreto, e cantando o hino nacional.


screenshot-2016-08-04-at-00-03

“O abraço tem como objetivo juntar os movimentos, instituições, moradores e pescadores para que todos possam abraçar Sepetiba e cobrar das autoridades as promessas não cumpridas”, explicou Thiago Cruz, da Rede Popular de Sepetiba.

“Estamos no momento de Olimpíadas e próximo ao momento de eleição. Então assim todos os olhares do mundo estão para o Rio e a Baia da Guanabara, pois foi prometida a despoluição por causa das Olimpíadas. Se lá não foi possível fazer o que tinham prometido, imagina em uma região que ninguém sabe que existe. Então, a gente tem que dar o grito”.

img_7837

Os moradores seguravam cartazes com os dizeres “INEA, Cumpra sua Promessa: Cadê a Reposição da Faixa de Areia na Praia de Sepetiba?” e “TKCSA, Sem Licença para Funcionar, mas com Licença para Poluir!”. Eles também manifestaram o desejo de ver cumprida a promessa do Prefeito Eduardo Paes de construir 450 quilômetros de ciclovias até 2016.

Conhecida como a Copacabana da Zona Oeste do Rio durante as décadas de 70 e 80, a Praia de Sepetiba foi ocupada principalmente por pescadores e casas de veraneio. Em 1982, os moradores acompanharam a construção do Porto de Itaguaí, que transformou as praias de Sepetiba em pântanos impróprios para banho.

img-20160731-wa0008-e1470326453826

A Companhia Docas supervisionou a construção do porto. Para aprofundar um canal, eles desenterraram 20 metros cúbicos de material e o jogaram de forma irresponsável na baía. O material tem sido continuamente arrastado para as praias de Sepetiba desde então, cobrindo-as com lama. A poluição provocada pela companhia de zinco Ingá Mercantil (fechada em 1998) e pela altamente controversa indústria siderúrgica TKCSA e mais a construção do porto devastaram a pesca artesanal e as indústrias de turismo em Sepetiba.

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou que a Companhia Docas deveria pagar pelo reparação dos danos, mas os moradores de Sepetiba afirmam que a verba foi investida fora da região. “Até hoje me parece que a Docas ainda não pagou tudo, e não fez todas as medidas mitigatórias que tinham que ser feitas. É isso que a gente está reivindicando agora”, afirma o membro da C.O.R.E.S., Sergio Pinto.

Ele continua: “Já que não tem como tirar o material que foi colocado dentro da baía, que se faça a urbanização da orla, com ciclovia, com calçadão, quiosques, chuveiro para o pessoal, banheiro, como tudo que tem na Zona Sul, em Copacabana e Ipanema. A gente merece ter isso aqui também”.

img_7801-e1470326530477