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Dia 1: Começa o Segundo ‘Julho Negro’ no Rio: ‘Estão nos matando por causa do racismo institucionalizado’

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Esta semana marca o segundo Julho Negro, evento iniciado há um ano, quando ativistas do Black Lives Matter visitaram famílias vítimas de violência policial no Rio de Janeiro. A série de eventos desta semana visa chamar a atenção para as violações de direitos humanos, especificamente a violência contra jovens negros de baixa renda das favelas do Rio de Janeiro. O encontro de lançamento na manhã de segunda-feira na Casa Pública em Botafogo marcou a unificação de vários movimentos, todos com o mesmo objetivo: acabar com o assassinato desnecessário de jovens negros inocentes do Rio.

O evento começou com um discurso de Gizele Martins, moradora da Maré e ativista do Movimento de Moradores de Favelas do Rio. “Julho Negro é uma semana de atividades para pautar raça, classe, gênero e segurança publica. A gente está vendo um aumento de assassinatos. A gente está voltando como se fosse os anos 90″, disse Gizele.

Ana Paula Oliveira, fundadora do movimento Mães de Manguinhos, acompanhava o evento. Ana Paula perdeu seu filho, Jonatha, para a violência policial em 2014. Ela foi rápida ao tocar na questão do racismo subjacente presente nas interações entre policiais e moradores de favela: “Não é qualquer pessoa que esta morrendo. Tem perfil. É importante a gente dizer que estão nos matando porque há um racismo institucional”.

Juntamente com a presença de grupos comunitários na mesa redonda de segunda-feira, também havia representantes de movimentos haitianos e palestinos. Clarens Therry, um imigrante haitiano e líder da União Social dos Imigrantes Haitianos, compartilhou algumas palavras sobre sua própria experiência: “Eu me sinto responsável como cidadão, como pessoa humana, e como estrangeiro negro aqui nesse país sobre a questão do genocídio”.

Pedro Charbel, coordenador da América Latina do Comitê Nacional BDS Palestino, uma rede global de ativistas que trabalham para chamar a atenção para as violações de direitos humanos contra o povo palestino, estabeleceu conexões entre movimentos para a justiça nas favelas e a sua experiência na luta pelos direitos palestinos: “Eu luto por ninguém, eu luto com o oprimido, e é isso que a gente faz com o povo palestino. Se a gente continuar lutando sozinho a gente não vai ganhar dessa barbárie”.

Um tema marcante ao longo da discussão foi a importância de unir movimentos em uma escala internacional. Alguns dos participantes estiveram em outras cidades para se encontrarem com famílias vítimas de violência policial e abordaram a importância da solidariedade. “É importante que essa luta seja global”, afirmou Ana Paula.

O evento terminou com um vídeo impactante de um membro do movimento norte-americano Black Lives Matter, Waltrina Middleton, que aborda aliados brasileiros na luta pela justiça racial. As atividades continuam até sexta-feira 21 de julho, e todas as informações relevantes ao tema podem ser encontradas aqui.