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Ocupa BRT Vila Autódromo [IMAGENS]

Foto por Mateus Augusto Rubim

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Sábado, dia 9 de fevereiro, foi dia de festa e luta para a Vila Autódromo. A ocupação cultural  foi organizada com o intuito de pressionar o Prefeito Marcelo Crivella a cumprir o acordo de urbanização da comunidade firmado em 2016, e demandar que mudem o nome da estação de BRT “Centro Olímpico” para BRT “Vila Autódromo”.

O Desfile pela Estação BRT

Foto por Mateus Augusto Rubim

O lema da Vila já diz: “A Vila Autódromo existe, resiste, insiste e re-existe”. A comunidade que começou a ser construída na década de 1960, na beira da Lagoa de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, sofreu inúmeras tentativas de remoção ao longo de sua história. A urgência de permanecer em suas terras e de lutar por habitarem dignamente o espaço da cidade do Rio de Janeiro, fez da Vila Autódromo um símbolo internacional de luta pelo Direito à Moradia. Os eventos culturais organizados pelos moradores da Vila foram a forma encontrada para “insistir” e “resistir” perante o poder público.

O BRT Centro Olímpico foi o pano de fundo da primeira parte do evento por uma questão de memória. Como afirmou a moradora Sandra Maria em sua fala: “A pessoa que chega aqui e não conhece a história do local não entende o que se passou aqui. O que se passou é da a cabeça do cara [arquiteto] quando ele projetou um absurdo desse. Mas eu vou explicar porque eles fizeram isso, porque eles fizeram essa arquitetura: [foi] para justificar a remoção de um monte de gente. Essa arquitetura justificou a remoção de uma rua inteira de casas, pessoas.”

Chegando na Vila

A ocupação do BRT se transformou em um belo cortejo em direção à comunidade Vila Autódromo. Ao ritmo de carnaval, a fanfarra “Os Biquinis de Ogodô convidam as Sungas de Odara”, levou todos presentes à atravessar a passarela até chegar na comunidade.

Guerreiras da Vila

Entre os presentes estavam moradores removidos da Vila, que vieram dar depoimentos da luta e compartilhar na resistência contínua. Jane Nascimento e Jacilia dos Santos estavam entre os ex-moradores presentes.

Ícones da resistência que conseguiram permanecer, Maria da Penha Macedo mostrou seu jardim de maracujá aos aliados visitantes, enquanto Sandra Maria coordenava as atividades seguintes ao lado da igreja.

Performance

O evento contou com a participação voluntária de diversos grupos e artistas. Houve uma performance da peça “Amazona”, que conta a história da vingança da terra sobre a cidade. A apresentação terminou com cada espectador recebendo um punhado de terra e uma semente. A ideia era plantar vida de novo onde o asfalto tomou conta, vendo os buracos, as frestas, as rachaduras no concreto que poderiam abrigar o crescimento da natureza mais uma vez.

Um Plano Popular Que Resiste

O dia de atividades se encerrou com o lançamento do livro “Viva a Vila Autódromo. O Plano Popular e a luta contra a remoção”, organizado pelo ETTERN (Laboratório Estado, Trabalho, Território e Natureza). O momento final contou com o discurso de alguns professores e moradores envolvidos na elaboração do Plano Popular.

Dona Inalva, ex-moradora da Vila Autódromo e uma das idealizadoras do Plano Popular frisou que sempre defendeu que os títulos de posse de terra deviam ser no nome das mulheres. “Enquanto os homens partem, viajam, as mulheres estão sempre ali na luta. É assim que reivindicamos o direito à casa, ao lar.”

O dia terminou em clima de otimismo. A Vila Autódromo permanece viva e lutando pela consolidação de seus direitos.

Veja as fotos da Ocupação no Flickr abaixo (ou clique aqui):

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