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O Paradoxo da Poluição ‘Sustentável’

Veja a matéria original em francês por Jane Zhang no Greenetvert aqui.

Enquanto governos do mundo inteiro se reuniram para discutir o desenvolvimento sustentável na conferência Rio+20 no ano passado, uma grande poluição por metais pesados ​emitidos por uma usina siderúrgica de aço causava danos para os moradores e o ecossistema de Santa Cruz, localizado a poucos quilômetros de onde ocorria a conferência na Zona Oeste do Rio. A empresa responsável, do grupo alemão Thyssenkrup, agora se recusa a pagar as multas e irá se beneficiar de compensações por seus esforços de “desenvolvimento sustentável”.

Santa Cruz, que anteriormente prosperou com atividades agrícolas e marítimas, agora está imersa em uma camada de pó de metais pesados. Esta “chuva de dinheiro”, como os moradores locais chamam, é bastante presente e causa doenças respiratórias, infecções oculares e doenças de pele. Alguns moradores já desenvolveram alergias graves que fazem o seu rosto inchar. Além disso, os ecossistemas locais, que forneceram o sustento de milhares de famílias de pescadores, estão agora destruídos.

O grande complexo siderúrgico TKCSA, que foi inaugurado em 2010 pela empresa alemã ThyssenKrupp, abrange uma área de 9 km², anteriormente ocupada por agricultores do MST. O governo brasileiro decidiu expulsá-los porque “destruiu os mangues”. O Estado, em prol do desenvolvimento local, promoveu este mega projeto com o apoio financeiro do BNDES.

Mas qual é a situação hoje? A poluição por metais pesados continua pesada, já que eles estão presentes no ar, solo, ou mesmo na água. Apenas a 500 metros das casas, a TKCSA aumentou a emissão de partículas finas de ferro em 600%, enquanto produz cerca de 5 milhões de placas de aço por ano para exportação. Além disso, a construção da siderúrgica em 2006 destruiu o mangue, de tal modo que os peixes não podem mais se reproduzir. Mais de 8.000 pescadores e suas famílias agora estão incapacitados de trabalhar. Porque eles estão submetidos a impactos catastróficos, a população local pressionou com acusações contra ThyssenKrupp. Em uma reunião organizada pela empresa, 200 pescadores relataram que não queriam a fábrica. Eles pediram uma compensação financeira e um fim imediato à poluição. Em janeiro de 2011, as autoridades ambientais do Estado do Rio reagiram condenando a empresa a pagar R$17,5 milhões, um montante que a ThyssenKrupp ainda não pagou.

Contra todas as expectativas, a empresa deu início a uma campanha de “maquiagem verde”, publicando os seus esforços de “gestão da biodiversidade”, alegando o chamado manejo sustentável do manguezal e da população local. E para adicionar insulto à injúria, a empresa pode tirar proveito dos “créditos de carbono” para sua usina termoelétrica. De fato, suas turbinas de ciclo combinado ajudam a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, segundo as Nações Unidas. O mundo institucional em escala internacional está a falhar no desenvolvimento sustentável. Por trás de tudo escondem-se as verdadeiras vítimas–a população e um ecossistema que já não se sentem seguros em casa.

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