{"id":11246,"date":"2014-04-29T23:10:15","date_gmt":"2014-04-30T02:10:15","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=11246"},"modified":"2024-06-20T16:29:53","modified_gmt":"2024-06-20T19:29:53","slug":"a-copa-do-mundo-e-as-olimpiadas-ameacam-devastar-o-rio-mas-ainda-ha-tempo-para-criar-sensacao-a-partir-de-um-desastre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=11246","title":{"rendered":"A Copa do Mundo e as Olimp\u00edadas Amea\u00e7am Devastar o Rio &#8211; Mas Ainda H\u00e1 Tempo para Criar Sensa\u00e7\u00e3o a Partir de um Desastre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/RMuLZG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Veja a mat\u00e9ria original por <a href=\"http:\/\/bit.ly\/R2IOtg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Simon Jenkins<\/a>\u00a0em ingl\u00eas no\u00a0<strong>The Guardian<\/strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/RMuLZG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<h5>O Rio de Janeiro est\u00e1, neste momento, desesperadamente atrasado para os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016. Mega-eventos esportivos n\u00e3o deveriam ser permitidos a traumatizar esta magn\u00edfica e complexa cidade.<\/h5>\n<div id=\"content\">\n<div id=\"article-wrapper\" data-component=\"Article:in body link\">\n<div id=\"article-body-blocks\">\n<div id=\"mainblock\" data-id=\"535792a0e4b07a5858f68b7d\">\n<p>O Rio de Janeiro tem mesmo a garra? A cidade est\u00e1, neste momento, desesperadamente atrasada para os seus Jogos Ol\u00edmpicos de 2016&#8211;uma testemunha envolvida com o processo de organiza\u00e7\u00e3o sugere que 10% da infraestrutura est\u00e1 pronta, quando Londres tinha 60% no mesmo est\u00e1gio de organiza\u00e7\u00e3o do evento. Mas uma visita \u00e0 cidade no in\u00edcio deste m\u00eas deixou-me com uma pergunta intrigante: poderiam os planejadores ca\u00f3ticos do Rio de Janeiro criar virtude a partir da necessidade? Poderia ser o Rio de Janeiro a primeira cidade a restaurar as Olimp\u00edadas de sua fixa\u00e7\u00e3o com o dinheiro e edif\u00edcios e traze-la de volta para o esporte? Poderia o Rio criar sensa\u00e7\u00e3o a partir de um desastre?<\/p>\n<p>O principal Parque Ol\u00edmpico, na Barra da Tijuca, estava, at\u00e9 recentemente, com seus trabalhadores em greve. O segundo deles, em Deodoro, \u00e9 uma base militar e nem sequer come\u00e7ou a ser constru\u00eddo. Neste m\u00eas, na Turquia, o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI) declarou que &#8220;a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 cr\u00edtica&#8221; e exigiu que o governo brasileiro fa\u00e7a alguma coisa. O COI criou uma comiss\u00e3o. O porta-voz do COI, Mark Adams, teve de negar rumores de um plano B, de tirar os jogos do Rio por completo, mas n\u00e3o o suficiente para <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1jdQNy9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">descartar essa possibilidade<\/a>, apenas dizendo que &#8220;neste momento isso seria muito prematuro&#8221;.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m de visita ao Rio neste momento pode imaginar o cancelamento como algo menos do que devastador. Neste mundo fantasioso de prest\u00edgio, or\u00e7amentos multimilion\u00e1rios e elefantes brancos, at\u00e9 mesmo o caos \u00e9 melhor do que o cancelamento. Mas a cidade ainda pode tomar a iniciativa. Com as elei\u00e7\u00f5es nacionais em outubro e o apoio aos Jogos despencando, os pol\u00edticos do Brasil poderiam alegar problemas de for\u00e7a maior, desmascarar o blefe do COI e sediar uma vers\u00e3o enxuta e de austeridade dos Jogos, como o fez a Gr\u00e3-Bretanha em 1948.<\/p>\n<p>Eles poderiam abandonar o proposto, mas ainda n\u00e3o edificado, Parque Ol\u00edmpico em Deodoro, destinado a eventos como rugby, canoagem e mountain bike. Eles poderiam cancelar alguns dos esportes de elite do COI, como o t\u00eanis, golfe, vela e hipismo, assim como o absurdo de sediar uma segunda competi\u00e7\u00e3o de futebol apenas dois anos ap\u00f3s a Copa do Mundo deste ano.Eles poderiam reduzir a capacidade de todas as arenas e est\u00e1dios para o que j\u00e1 podem oferecer e dizer para os milhares de funcion\u00e1rios dourados do COI, seus patrocinadores e VIPs que n\u00e3o haver\u00e1 apartamentos de luxo, limosines e faixas de tr\u00e1fego particulares, mas apenas acampamentos na praia de Copacabana.<\/p>\n<p>O catalisador pode ser at\u00e9 as Olimp\u00edadas-light de junho deste ano, tamb\u00e9m conhecida como Copa do Mundo. Ela est\u00e1 custando ao Brasil, apenas em est\u00e1dios, R$4 bilh\u00f5es (\u00a3$ 2.4 bilh\u00f5es) por 64 partidas de futebol&#8211;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mWBkDr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">incr\u00edveis R$62 milh\u00f5es por jogo<\/a>&#8211;al\u00e9m de cerca de R$7 bilh\u00f5es em infra-estrutura associada. Somente generais em guerra e autoridades esportivas su\u00ed\u00e7as conseguem contemplar gastos t\u00e3o obscenos. O secret\u00e1rio-geral da Fifa, Jerome Valcke, que veio inspecionar os preparativos no m\u00eas passado, se declarou chocado. Dois anos atr\u00e1s, ele tinha sugerido que o Brasil se desse &#8220;tapa no traseiro&#8221;. Seu chefe, Joseph Blatter, disse que o pa\u00eds era a sede &#8220;mais atrasada desde que estou na Fifa&#8221;. Eles trataram o Brasil como uma crian\u00e7a mal educada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/O-principal-parque-ol\u00edmpico-na-Barra-da-Tijuca-acima-foi-atingido-por-greves.-O-secund\u00e1rio-em-Deodoro-n\u00e3o-foi-iniciado.-Foto-AFP-Getty-altBarra-da-Tijuca-Rio.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11297\" title=\"O principal parque ol\u00edmpico na Barra da Tijuca (acima) foi atingido por greves. O secund\u00e1rio em Deodoro n\u00e3o foi iniciado. Foto AFP  Getty\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/O-principal-parque-ol\u00edmpico-na-Barra-da-Tijuca-acima-foi-atingido-por-greves.-O-secund\u00e1rio-em-Deodoro-n\u00e3o-foi-iniciado.-Foto-AFP-Getty-altBarra-da-Tijuca-Rio.jpeg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/O-principal-parque-ol\u00edmpico-na-Barra-da-Tijuca-acima-foi-atingido-por-greves.-O-secund\u00e1rio-em-Deodoro-n\u00e3o-foi-iniciado.-Foto-AFP-Getty-altBarra-da-Tijuca-Rio.jpeg 460w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/O-principal-parque-ol\u00edmpico-na-Barra-da-Tijuca-acima-foi-atingido-por-greves.-O-secund\u00e1rio-em-Deodoro-n\u00e3o-foi-iniciado.-Foto-AFP-Getty-altBarra-da-Tijuca-Rio-300x180.jpeg 300w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/O-principal-parque-ol\u00edmpico-na-Barra-da-Tijuca-acima-foi-atingido-por-greves.-O-secund\u00e1rio-em-Deodoro-n\u00e3o-foi-iniciado.-Foto-AFP-Getty-altBarra-da-Tijuca-Rio-150x90.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na verdade a FIFA foi tola. Ela tinha sediado a Copa do Mundo de 2010 na \u00c1frica do Sul no limite; o pa\u00eds recuperou <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1rKzbg0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apenas 10%<\/a> do seu gasto de US$3 bilh\u00f5es. Estudos sobre tais megaeventos, normalmente financiados por seus patrocinadores, invariavelmente estimam lucros astron\u00f4micos, mais tarde reportando pouco mais do que &#8220;ganho moral e de reputa\u00e7\u00e3o&#8221;. Os gastos com a Copa do Mundo do Brasil eram absurdos desde o in\u00edcio. A pol\u00edtica interna do pa\u00eds fez aumentar o requisito da FIFA de oito sedes para 12, incluindo novos e desnecess\u00e1rios est\u00e1dios em Manaus e Bras\u00edlia, que possivelmente nunca sediar\u00e3o mais do que quatro partidas de futebol.<\/p>\n<p>Em junho do ano passado, o que nunca se esperou aconteceu: protestos em todo o pa\u00eds contra at\u00e9 sediar a Copa. O apoio p\u00fablico caiu de 80%, quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa em 2007, para <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1u0mC2l\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">menos de 50%<\/a>. Na \u00faltima contagem, 55% dos brasileiros acham que a Copa ir\u00e1 prejudicar a economia do pa\u00eds, ao inv\u00e9s de benefici\u00e1-la. Enquanto tarifas de \u00f4nibus urbanos foram sendo aumentadas, milh\u00f5es de d\u00f3lares foram desaparecendo em contratos corruptos de constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios e infraestrutura. Os manifestantes gritavam &#8220;N\u00e3o vai ter Copa&#8221; ao tempo em que lutavam contra a pol\u00edcia. Os protestos continuaram esporadicamente e no m\u00eas passado o ex\u00e9rcito teve que invadir algumas das favelas da cidade para restaurar alguma apar\u00eancia de controle antes do prazo de junho.<\/p>\n<p>Mais preocupante para o Rio \u00e9 a rebarba pol\u00edtica da Copa do Mundo para os Jogos Ol\u00edmpicos. Neste momento, a conversa \u00e9 que se o Brasil ganha a ta\u00e7a (\u00e9 sexto no ranking da FIFA), o p\u00fablico pode at\u00e9 tolerar as Olimp\u00edadas, mas se n\u00e3o, &#8220;os jogos est\u00e3o mortos&#8221;. Como o Prefeito da cidade, Eduardo Paes, famoso por seu temperamento explosivo, disse recentemente \u00e0 imprensa: &#8220;Nunca em sua vida queira sediar uma Copa do Mundo e os Jogos Ol\u00edmpicos ao mesmo tempo&#8230; Eu n\u00e3o fui feito para ser masoquista&#8221;.<\/p>\n<p>Estes megaeventos traumatizam uma cidade moderna complexa. Eles perturbam os ritmos da sua pol\u00edtica e de investimento em infraestrutura. Eles removem milhares de pessoas de suas casas e praticamente fecham cidades inteiras por um m\u00eas. Plutocratas do COI chegam como pr\u00edncipes em visita, acostumados, de longa data, a viver \u00e0 custa dos outros. Em Londres, eles exigiram e tiveram pistas exclusivas para suas limosines e sem\u00e1foros mudavam para verde quando passavam. Eles bloquearam, em massa, hot\u00e9is de luxo e descartaram quartos de volta no mercado quando j\u00e1 era tarde demais para novas reservas. Seus patrocinadores exigiram a remo\u00e7\u00e3o de an\u00fancios de empresas rivais em qualquer lugar perto dos locais do evento (at\u00e9 mesmo nos banheiros). Eles requisitaram que 40.000 funcion\u00e1rios de seguran\u00e7a estivessem dispon\u00edveis, ou quatro vezes o n\u00famero de atletas, para proteger a &#8220;fam\u00edlia ol\u00edmpica&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo depois de passar por cima dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o do passado, o COI continua viciado em extravag\u00e2ncia. Os Jogos de hoje em dia flutuam em hip\u00e9rboles nacionalistas e rivalidades c\u00edvicas, festivais n\u00e3o de esporte, mas de competi\u00e7\u00f5es de mega-estruturas. O COI exige que cada sede atenda \u00e0 especifica\u00e7\u00f5es minuciosas a qualquer custo. O n\u00famero de esportes aumenta a cada nova edi\u00e7\u00e3o (atualmente 26, cobrindo cerca de 400 eventos), todos buscando seu momento sob os holofotes da televis\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/b4fd8c55-1952-4d76-ad4c-28da2fd33317-460x276.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11301\" title=\"Pel\u00e9 (\u00e0 direita) o Presidente na \u00e9poca, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (\u00e0 esquerda), comemoram a decis\u00e3o de sediar os Jogos no Rio. Foto: Reuters\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/b4fd8c55-1952-4d76-ad4c-28da2fd33317-460x276.jpeg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/b4fd8c55-1952-4d76-ad4c-28da2fd33317-460x276.jpeg 460w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/b4fd8c55-1952-4d76-ad4c-28da2fd33317-460x276-440x264.jpeg 440w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cerca de 95% do or\u00e7amento de uma Olimp\u00edada moderna n\u00e3o vai para o esporte, mas para a\u00e7o, concreto, tijolos e argamassa, mesmo em cidades como Londres, com instala\u00e7\u00f5es j\u00e1 perfeitamente adequadas. Arquitetos-estrelas prop\u00f5e arenas cada vez mais ousadas que todos sabem que custar\u00e3o o dobro ou triplo de suas estimativas. Eles absorvem trabalho, energia, materiais, terra e esfor\u00e7o que n\u00e3o estar\u00e3o dispon\u00edveis para investimento urbano em outro lugar. A escala global de tais despesas fugais ao longo das d\u00e9cadas deve ser impressionante.<\/p>\n<p>Sob o comando do novo presidente do COI, Thomas Bach, alguns sinais de preocupa\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o de remorso, parecem surgir ao meio desta extravag\u00e2ncia. Bach declarou seu compromisso com o &#8220;desenvolvimento sustent\u00e1vel&#8221;, o que quer que isso signifique. Isto tem se mostrado principalmente na prefer\u00eancia por anfitri\u00f5es ricos e governos est\u00e1veis \u200b\u200bcapazes de lidar com os or\u00e7amentos crescentes sem protesto significativo de locais, como foi o caso de Pequim e Sochi (e, na verdade, de Londres tamb\u00e9m).<\/p>\n<p>Neste sentido, o Brasil foi sempre uma aposta. No in\u00edcio deste m\u00eas, um dos organizadores das Olimp\u00edadas de Londres, Lord Dyson, visitou o Rio para informar a equipe organizadora dos Jogos sobre &#8220;li\u00e7\u00f5es de Londres&#8221;. Ele trouxe duas mensagens: a necessidade de &#8220;envolvimento total&#8221; de todo o pa\u00eds nos jogos e a necessidade de um legado palp\u00e1vel. Foi um bom conselho. A vaidade do Rio \u00e9 muito ressentida em outros lugares no Brasil, e uma cidade-sede em crise precisar\u00e1 de todo o pa\u00eds dando suporte. O Rio aceitou um conselho da equipe de Londres e contratou a empreiteira americana, Aecom, para &#8220;entregar&#8221; os jogos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, legados tornaram-se uma obsess\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas Ol\u00edmpicas. Como um oficial da Rio 2016 declarou: &#8220;Sem legado, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma maneira de justificar tais gastos em duas semanas de esporte&#8221;. Mas o que \u00e9 legado? O que se sabe \u00e9 que os montantes gastos com novas constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o gigantescos. A Copa do Mundo do Brasil foi originalmente projetada a um custo de 1 bilh\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o de novos est\u00e1dios e melhorias em outros j\u00e1 constru\u00eddos. Este valor rapidamente aumentou com a inclus\u00e3o da infraestrutura associada, chegando a mais de $8 bilh\u00f5es, com apenas um vago conceito de auditoria.Quando o Rio ganhou o direito de sediar os Jogos em 2009, para o \u00eaxtase de milhares de pessoas na praia de Copacabana, o discurso era o de manter os custos baixos atrav\u00e9s da reutiliza\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es constru\u00eddas para os Jogos Pan-Americanos de 2007. A \u00faltima contagem oficial calcula o gasto a $15 bilh\u00f5es, mais do que os Jogos de Londres. Mas estimativas dos prometidos &#8220;legados dos Jogos Ol\u00edmpicos&#8221; levam essa soma a $90 bilh\u00f5es ao longo da d\u00e9cada atual. Isso, sem d\u00favida, significa uma distor\u00e7\u00e3o grave do planejamento normal de infra-estrutura do Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Ba\u00eda-de-Guanabara-local-ol\u00edmpico-para-vela-do-Rio-de-Janeiro-foi-prometido-uma-limpeza.-Foto-Sergio-Moraes-Reuters.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11304\" title=\"Ba\u00eda de Guanabara - local ol\u00edmpico para vela do Rio de Janeiro - foi prometido uma limpeza. Foto Sergio Moraes  Reuters\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Ba\u00eda-de-Guanabara-local-ol\u00edmpico-para-vela-do-Rio-de-Janeiro-foi-prometido-uma-limpeza.-Foto-Sergio-Moraes-Reuters.jpeg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Ba\u00eda-de-Guanabara-local-ol\u00edmpico-para-vela-do-Rio-de-Janeiro-foi-prometido-uma-limpeza.-Foto-Sergio-Moraes-Reuters.jpeg 460w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Ba\u00eda-de-Guanabara-local-ol\u00edmpico-para-vela-do-Rio-de-Janeiro-foi-prometido-uma-limpeza.-Foto-Sergio-Moraes-Reuters-300x180.jpeg 300w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Ba\u00eda-de-Guanabara-local-ol\u00edmpico-para-vela-do-Rio-de-Janeiro-foi-prometido-uma-limpeza.-Foto-Sergio-Moraes-Reuters-150x90.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sobre os Jogos em si, 52 projetos de constru\u00e7\u00e3o seriam localizados em quatro centros. A chamada &#8220;Arquitetura N\u00f4made &#8221; seria utilizada, segundo a qual est\u00e1dios poderiam ser desmontados e reconstru\u00eddos como escolas. Al\u00e9m disso, haveria um novo corredor de tr\u00e1fego urbano chamado &#8220;Transcarioca&#8221;, com pista de tr\u00e2nsito r\u00e1pido para \u00f4nibus, duas outras faixas, 57 novos hot\u00e9is e a renova\u00e7\u00e3o da \u00e1rea portu\u00e1ria da cidade, at\u00e9 ent\u00e3o semi-abandonada. Os destro\u00e7os boiando sobre a Ba\u00eda de Guanabara seriam limpos assim como a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kbQS27\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">polui\u00e7\u00e3o<\/a> jorrando das favelas que a cercam seria controlada\u2013atividades essenciais para os eventos de vela.<\/p>\n<p>Mas a proposta mais interessante de todas foi a apresenta\u00e7\u00e3o do primeiro plano coerente de investimento na \u201curbaniza\u00e7\u00e3o\u201d das favelas da cidade, o chamado Morar Carioca. Criado em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil, destinou $4,5 bilh\u00f5es para &#8220;infra-estrutura, paisagismo, lazer e qualidade de vida&#8230; gerando conforto e dignidade para mais de 200.000 pessoas&#8221;. Esta proposta deveria acontecer paralelamente ao programa de &#8220;pacifica\u00e7\u00e3o&#8221; das favelas institu\u00eddo pelo governador do estado, S\u00e9rgio Cabral, e o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica, Jos\u00e9 Beltrame. Iniciado em 2008, o programa tinha como objetivo libertar um quinto dos habitantes da cidade, que vivem principalmente nos morros da cidade, fora do Estado de Direito, em um contexto repleto de anarquia, tr\u00e1fico de drogas, viol\u00eancia e escassos servi\u00e7os p\u00fablicos. Esse plano seria o verdadeiro legado Ol\u00edmpico, um dos mais criativos projetos de renova\u00e7\u00e3o urbana que eu j\u00e1 vi em qualquer lugar do mundo.<\/p>\n<p>Mas o legado do legado \u00e9 pura decep\u00e7\u00e3o. A auto-estrada cortando a cidade foi constru\u00edda e a \u00e1rea do porto est\u00e1 sendo renovada. Mas a Ba\u00eda continua polu\u00edda. Muitas batalhas foram travadas para impedir a remo\u00e7\u00e3o de favelas para abrir caminho para infraestrutura dos jogos, notavelmente a favela da Vila Aut\u00f3dromo, ao lado do principal Parque Ol\u00edmpico. Ativistas do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11VQuuW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comit\u00ea Popular Rio Copa do Mundo e Olimp\u00edadas<\/a>\u00a0acusam que mais de 170.000 pessoas est\u00e3o sendo expulsas de suas casas para fins relacionados aos Jogos. O Rio pode n\u00e3o igualar o recorde de Pequim na quest\u00e3o do \u201cdespejo Ol\u00edmpico\u201d, onde relat\u00f3rios apontam que 1,5 milh\u00f5es de pessoas foram removidas para o evento de 2008, mas seus n\u00fameros est\u00e3o crescendo r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Mesmo nas favelas, os brasileiros supostamente desfrutam do direito de consulta antes de remo\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias e de serem realojadas perto de suas casas existentes&#8211;principal raz\u00e3o pela qual \u00e9 t\u00e3o raro [em situa\u00e7\u00f5es normais] a remo\u00e7\u00e3o de favelas. Mas um membro do Comit\u00ea Popular, Renato Consentino, afirma: &#8220;Quando sua casa est\u00e1 no meio das Olimp\u00edadas, tudo \u00e9 acelerado&#8221;. Algumas ordens de despejo levam, at\u00e9 mesmo, o logotipo Ol\u00edmpico, o que dificilmente ajuda a melhorar a popularidade dos Jogos. Depois de expectativas t\u00e3o altas, ser atingido por dois megaeventos em sucess\u00e3o, diz Consentino, &#8220;esvazia qualquer tentativa de democracia&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/84a66fea-ce9d-4afe-87a1-61e12096ff6f-460x276.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11306\" title=\"Policiais militares em patrulha, a cavalo,\u00a0durante uma opera\u00e7\u00e3o de pacifica\u00e7\u00e3o da favela do Lins de Vasconcelos. Foto: Mario Tama \/ Getty Images\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/84a66fea-ce9d-4afe-87a1-61e12096ff6f-460x276.jpeg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/84a66fea-ce9d-4afe-87a1-61e12096ff6f-460x276.jpeg 460w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/84a66fea-ce9d-4afe-87a1-61e12096ff6f-460x276-440x264.jpeg 440w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os brasileiros s\u00e3o, habitualmente, c\u00e9ticos quando se trata dos discursos de seus governantes. A defer\u00eancia instintiva ao governo expressa por russos, chineses ou at\u00e9 mesmo ingleses, n\u00e3o \u00e9 comum \u00e0 brasileiros. As promessas vindas do poder p\u00fablico significam pouco, uma vez que s\u00e3o raramente mantidas. No Rio, a mar\u00e9 da opini\u00e3o parece finalmente estar mudando. Para a Copa do Mundo da Fifa, celebridades do futebol nacional foram escolhidas como &#8220;embaixadores&#8221;: Pel\u00e9 e Ronaldo. Ambos t\u00eam sido ridicularizados por manifestantes que os chamam de &#8220;inimigos do povo&#8221;. Enquanto isso, seu ex-colega, Rom\u00e1rio, jogador de futebol que virou pol\u00edtico, est\u00e1 se candidatando ao senado enquanto vai \u00e0 p\u00fablico constantemente atacar as extravag\u00e2ncias da Fifa e ridicularizar Blatter e Valcke como &#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1iDhU6c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ladr\u00f5es e filhos da puta<\/a>&#8221; (e pior). Ele questiona como eles podem exigir que o Brasil pague &#8220;est\u00e1dios de primeiro mundo quando n\u00e3o podem pagar hospitais ou escolas de primeiro mundo&#8221;.<\/p>\n<p>O mais triste disso tudo foi o quase total abandono do Morar Carioca. Enquanto o programa de pacifica\u00e7\u00e3o tem tido algum sucesso, com cerca de metade das favelas &#8220;retomadas&#8221; dos traficantes pela pol\u00edcia, pouco ou nada se viu com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infraestrutura de esgotos, abastecimento de \u00e1gua, ruas e servi\u00e7os sociais. At\u00e9 o final do ano passado, a p\u00e1gina da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/mZZc2V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comunidades Catalisadoras<\/a>\u00a0registrou que das 219 favelas inicialmente selecionadas, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/104CmUd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">melhorias n\u00e3o come\u00e7aram a ser implementadas<\/a> em nenhuma delas.<\/p>\n<p>No Instituto de Arquitetos do Brasil, o presidente S\u00e9rgio Magalh\u00e3es mexe melancolicamente com os planos e desenhos que tinham sido propostos para a cidade e que agora est\u00e3o em suspenso. Ele v\u00ea o retrocesso como algo &#8220;adicionando, imprudentemente, a sensa\u00e7\u00e3o geral de insatisfa\u00e7\u00e3o&#8221; com os megaeventos como um todo. Os projetos de infraestrutura, como a auto-estrada Transcarioca, meramente &#8220;liga uma \u00e1rea rica a outra&#8221;. Uma entrevista com ele na revista <em>Veja<\/em> \u00e9 entitulada de forma simples: &#8220;Os arquitetos est\u00e3o furiosos&#8221;.<\/p>\n<p>Qualquer visitante ao Rio fica perplexo com a ingenuidade com que a cidade acreditou na hip\u00e9rbole do COI. N\u00e3o h\u00e1 toque de Midas para grandes eventos desportivos, apenas custo. Cerim\u00f4nias de abertura e encerramento extravagantes, algumas medalhas de ouro para os anfitri\u00f5es e boas rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas podem gerar um efeito de bem-estar fugaz, como aconteceu em Barcelona e em Londres. Mesmo quando o custo \u00e9 devastador, como foi em Atenas, os vendedores do COI declaram um &#8220;retorno em gl\u00f3ria, reputa\u00e7\u00e3o e turismo futuro&#8221;.<\/p>\n<p>Economistas s\u00e9rios se desesperam com esses eventos . O fundador dos Jogos Ol\u00edmpicos modernos, Pierre de Coubertin, viu-os como ferramenta para construir a paz entre os povos. Com os Jogos de Berlim de 1936, os Jogos se tornaram-se mais em um festival de chauvinismo, um concurso de beleza entre na\u00e7\u00f5es e ideologias, chegando a decad\u00eancia total nas Olimp\u00edadas de Inverno de Sochi. Um relat\u00f3rio da <em>Bloomberg<\/em> sugere que o ganho principal n\u00e3o est\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o de paz entre povos, mas nos pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es das empresas de constru\u00e7\u00e3o. Um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1lutXDp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a> realizado por Simon Kuper e Stefan Szymanski prev\u00ea que a Copa do Mundo deste ano levar\u00e1 a &#8220;uma transfer\u00eancia de riqueza do Brasil como um todo para v\u00e1rios grupos de interesse&#8221;, principalmente clubes de futebol e empresas privadas. O evento &#8220;n\u00e3o ser\u00e1 uma bonan\u00e7a econ\u00f4mica&#8221;.<\/p>\n<p>O suposto turismo adicional, muito propagado, \u00e9 uma quimera Ol\u00edmpica. Para Sydney, em 2000, foi-se vendido que teria um boom no n\u00famero de turistas e quando isso n\u00e3o ocorreu, a cidade lan\u00e7ou campanhas publicit\u00e1rias com slogans irritados como: &#8220;Ent\u00e3o, onde diabos voc\u00ea est\u00e1?&#8221; Atenas e Pequim estavam quase desertas para os Jogos Ol\u00edmpicos e a Copa do Mundo da \u00c1frica do Sul recebeu apenas dois ter\u00e7os dos visitantes previstos. O <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ixbdUh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">turismo brit\u00e2nico<\/a> foi bombardeado pelos Jogos Ol\u00edmpicos de 2012 e ainda est\u00e1 3% inferior ao ano de 2011.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/4fd92a07-1595-4c91-8654-bda1706400f2-460x276.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11308\" title=\"Meninos jogam futebol na favela Borel - anteriormente controlada por traficantes de drogas, mas agora ocupada por Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora da cidade. Foto: Buda Mendes \/ Getty\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/4fd92a07-1595-4c91-8654-bda1706400f2-460x276.jpeg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/4fd92a07-1595-4c91-8654-bda1706400f2-460x276.jpeg 460w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/4fd92a07-1595-4c91-8654-bda1706400f2-460x276-440x264.jpeg 440w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O paralelo mais pr\u00f3ximo que se pode fazer aos Jogos Ol\u00edmpicos de hoje em dia \u00e9, provavelmente, uma guerra, uma explos\u00e3o de fervor patri\u00f3tico, criada por uma certa falsidade nas despesas p\u00fablicas. Qualquer cr\u00edtica \u00e9 suprimida. Quadros de medalhas aparecem como honras da batalha. Atletas nacionais s\u00e3o &#8220;her\u00f3is&#8221;. Os vencedores s\u00e3o regados com bugigangas p\u00fablicas e os perdedores perdem qualquer apoio.<\/p>\n<p>Alguns dos cidad\u00e3os mais c\u00ednicos do Rio de Janeiro at\u00e9 d\u00e3o a esse paralelo uma esp\u00e9cie de boas-vindas. Eles esperam que os Jogos Ol\u00edmpicos possam disciplinar a burocracia let\u00e1rgica da cidade, derrotando os negativistas uma vez que prazos se esgotam e no final s\u00e3o produzidos pelo menos alguns projetos de utilidade mais duradoura. Eles est\u00e3o satisfeitos que o Rio \u00e9 agora o foco de aten\u00e7\u00e3o do mundo, o que resulta em certa auto-cr\u00edtica. As favelas est\u00e3o inundadas de acad\u00eamicos e equipes de filmagem, como nunca antes, como se estivesse esperando que elas explodam na Copa do Mundo e Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>Isto poderia sugerir um novo fen\u00f4meno: o megaevento como um motor cr\u00edtico em cidades onde a pol\u00edtica de renova\u00e7\u00e3o urbana est\u00e1 estagnada. Se tal trauma \u00e9 a melhor maneira de ordenar qualquer sociedade \u00e9 outra quest\u00e3o. Qualquer cidade que, como o Rio, pode gastar milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em uma festa de quinze dias e n\u00e3o reparar seus servi\u00e7os p\u00fablicos tem sua governan\u00e7a seriamente equivocada.<\/p>\n<p>Mesmo antes da festa ter come\u00e7ado, o Rio parece estar sofrendo de uma ressaca. O Prefeito est\u00e1 falando em masoquismo e h\u00e1 muitos outros, inclusive dentro do COI, se perguntando se \u00e9 tarde demais para parar. O professor de planejamento urbano da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Orlando dos Santos Junior, v\u00ea surgir um conflito terr\u00edvel no momento em que se confronta gastos em elefantes brancos com as necessidades reais de outros setores da cidade&#8211;produzindo o que ele chama de &#8220;uma agonia dos apoiadores decepcionados&#8221;.<\/p>\n<p>Eu acredito que o Rio ainda tem tempo para mostrar a coragem que faltou a Londres em 2005. Londres gabou-se de que sediaria os &#8220;Jogos do Povo&#8221;, um festival de divers\u00e3o urbana de baixo custo.\u00a0 Mas se rendeu a grandiosidade do COI, construindo um novo est\u00e1dio, em vez de usar o de Wembley, e elevando seu or\u00e7amento de $4 bilh\u00f5es para $13 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O Rio poderia fazer justamente o oposto. Poderia receber o mundo em qualquer dos est\u00e1dios e arenas que sobraram dos Jogos Pan-Americanos de 2007, e contar com a televis\u00e3o para atingir o p\u00fablico. Poderia adequar as Olimp\u00edadas para o Rio, em vez de o Rio para as Olimp\u00edadas. A cidade do carnaval iria oferecer um carnaval de esporte, provando que cidades pobres, bem como as ricas podem, por vezes, sediar esses megaeventos. Fa\u00e7a isso e em vez de ser insultada por atraso e incompet\u00eancia, esta magn\u00edfica cidade teria o mundo aplaudindo sua ousadia e sua coragem. V\u00e1 em frente, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><em>Simon Jenkins \u00e9 um jornalista e escritor. Ele escreve para o The Guardian, bem como para a radiodifus\u00e3o da BBC. Editou o Times e o Evening Standard de Londres e \u00e9 Presidente do The National Trust.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Veja a mat\u00e9ria original por Simon Jenkins\u00a0em ingl\u00eas no\u00a0The Guardian\u00a0aqui. O Rio de Janeiro est\u00e1, neste momento, desesperadamente atrasado para os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016. 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