{"id":11696,"date":"2015-01-08T09:02:57","date_gmt":"2015-01-08T12:02:57","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=11696"},"modified":"2024-06-20T16:29:31","modified_gmt":"2024-06-20T19:29:31","slug":"guetos-da-copa-do-mundo-por-dentro-da-industria-de-deslocamento-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=11696","title":{"rendered":"Guetos da Copa do Mundo \u2013 Por Dentro da Ind\u00fastria de Deslocamento do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1UVxX2O\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Leia\u00a0a mat\u00e9ria original por Catherine Osborn\u00a0em ingl\u00eas na Next City,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1xDJWYo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>. <em>O RioOnWatch traduz mat\u00e9rias do ingl\u00eas para que brasileiros possam ter acesso e acompanhar\u00a0temas ou an\u00e1lises cobertos fora do pa\u00eds que nem sempre s\u00e3o cobertos no Brasil. Esta mat\u00e9ria representa <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1HUyOaR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma das melhores reportagens que vimos em 2014<\/a>, aprofundando o debate sobre as transforma\u00e7\u00f5es no Rio.<\/em><\/em><\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 bem vindo no complexo de apartamentos Oiti em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1m4QAQR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Campo Grande<\/a>, um bairro na extrema\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/11tBmFR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Oeste<\/a> do Rio de Janeiro. Ao se aproximar, o porteiro te olha suspeito&#8211;voc\u00ea s\u00f3 pode passar o port\u00e3o de ferro da entrada se voc\u00ea conhece algu\u00e9m que mora ali. Dentro, um sil\u00eancio pesado permeia os corredores. Mesmo o cheiro de feij\u00e3o ao alho, predominante em muitos condom\u00ednios resid\u00eancias no Rio, \u00e9 mais abafado aqui, e os moradores cumprimentam os estranhos de sua porta com um olhar c\u00e9tico.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia dos Santos, que se mudou para c\u00e1\u00a0em 2011, pensa todo dia em sua antiga casa na\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/14vgDEk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila Recreio II<\/a>. Na Vila Recreio II, a aproximadamente 16 quil\u00f4metros daqui, mais de 200 fam\u00edlias criaram seus filhos, constru\u00edram suas casas e trabalharam, juntos, por uma vida melhor. Os churrascos de rua que cultivavam o senso de comunidade em sua antiga favela nunca acontecem aqui em Campo Grande. Aqui, a vida p\u00fablica \u00e9 escassa e carregada com uma tens\u00e3o sutil.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/100_2978_opt.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-5176 size-full\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/100_2978_opt.jpg\" alt=\"Condom\u00ednio de Minha Casa, Minha Vida, Cosmos\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/100_2978_opt.jpg 400w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/100_2978_opt-352x264.jpg 352w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/100_2978_opt-174x131.jpg 174w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/100_2978_opt-300x225.jpg 300w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/100_2978_opt-70x53.jpg 70w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>O novo, por\u00e9m j\u00e1 corroendo, apartamento de Patr\u00edcia em Campo Grande faz parte de um complexo,\u00a0constru\u00eddo as pressas, de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11akTLK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/a>\u00a0o qual possui sinais amea\u00e7adores para o futuro do Rio. Em 2011, a Prefeitua disse a Patr\u00edcia e seu marido, Luciano, que uma rodovia seria constru\u00edda em breve, atravessando exatamente o local onde se localizava a Vila Recreio II. Assim como seus vizinhos, eles seriam removidos, e poderiam escolher entre duas op\u00e7\u00f5es. Eles poderiam vender sua casa para a prefeitura demolir ou aceitar uma unidade de moradia popular como compensa\u00e7\u00e3o. Deparados com a oferta insignificante de R$10.000 pela sua casa, os dos Santos se mudaram junto com 10 de seus vizinhos para o Oiti. Outros moradores da Vila Recreio II foram dispersados para outros complexos de apartamentos em Campo Grande. Eles est\u00e3o entre as mais de 20 mil fam\u00edlias no Rio de Janeiro que perderam sua casa em virtude da prepara\u00e7\u00e3o para a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WfaiMR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Copa do Mundo<\/a> e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/PkLXlQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olimp\u00edadas<\/a> de 2016.<\/p>\n<p>Isso est\u00e1 se tornando uma hist\u00f3ria familiar. Ouvimos dois anos atr\u00e1s em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1A781XE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sochi<\/a>, quatro anos atr\u00e1s na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qOFE8c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cidade do Cabo<\/a>, seis anos atr\u00e1s em\u00a0<a href=\"http:\/\/glo.bo\/1uEgQ7Y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Beijing<\/a>&#8211;a prepara\u00e7\u00e3o da infraestrutura para os mega eventos esportivos causa mega <a href=\"http:\/\/bit.ly\/X51Qvb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">remo\u00e7\u00f5es<\/a>. O Rio certamente testemunhou um boom nesses projetos nos preparativos para as partidas de futebol. A cidade est\u00e1 repleta de consider\u00e1veis reformas e inaugura\u00e7\u00f5es dignas de foto, variando de um novo sistema de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/19EtYAY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bus rapid transit (BRT)<\/a> a um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/TpBmcG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro de Opera\u00e7\u00f5es projetado pela IBM<\/a>.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o reassentamento que vem acompanhando esses projetos, enquanto afeta menos pessoas que Beijing em 2008, \u00e9 s\u00f3 uma parte de um amplo projeto de moradia popular que est\u00e1 transformando o Brasil. H\u00e1 uma d\u00e9cada, com defensores progressistas de pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o presentes no governo federal, o Brasil estava sendo pioneiro em uma nova e vision\u00e1ria atitude para a habita\u00e7\u00e3o dos pobres. Era o tipo de pol\u00edtica urbana com a qual muitos urbanistas sonham, e de fato, uma que proporcionava a oportunidade para pessoas, como Patr\u00edcia dos Santos, lutarem por moradias melhores e por estabilidade financeira.<\/p>\n<p>Esses dias acabaram. A cidade est\u00e1 agora no meio de uma massiva reorganiza\u00e7\u00e3o de seu esquema de habita\u00e7\u00e3o impulsionado pelos dois maiores eventos esportivos do mundo. Incentivado pela ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o, que \u00e9 apoiada pela presidente que enxergou no mercado imobili\u00e1rio uma oportunidade de estimular a economia brasileira, o pa\u00eds deixou de suportar os pobres e o uso misto dos bairros, e como alternativa est\u00e1 demolindo essas vizinhan\u00e7as e colocando os moradores em moradias populares p\u00fablicas como o Oiti. Se declara\u00e7\u00f5es oficiais indicam algo, \u00e9 prov\u00e1vel que esta tend\u00eancia continue mesmo depois dos atletas terem feito suas malas e deixado a cidade, alertando alguns especialistas em desenvolvimento em pensar se os eventos esportivos espetaculares do Rio ir\u00e3o deixar como heran\u00e7a novos, e vastos, guetos de pobreza.<\/p>\n<h3>Construindo para o s\u00e9culo 20<\/h3>\n<p>Patr\u00edcia dos Santos vive dias mon\u00f3tonos em Oiti. Ela interage com poucos moradores e n\u00e3o deixa mais que suas tr\u00eas crian\u00e7as brinquem l\u00e1 fora depois que viu um adolescente armado na entrada da garagem. Em mar\u00e7o, Luciano foi at\u00e9 a nova delegacia de pol\u00edcia registrar uma amea\u00e7a de seu vizinho e acabou preso por n\u00e3o cumprir o servi\u00e7o comunit\u00e1rio requerido depois de um delito cometido em 2010. Ele nunca recebeu o comunicado avisando que ele precisaria realizar trabalho comunit\u00e1rio porque, mesmo tendo registrado seu novo endere\u00e7o, o comunicado foi enviado para a antiga favela, a qual j\u00e1 havia sido demolida. (Onde a favela existia, hoje deveria existir uma rodovia. Ao inv\u00e9s disso, grama alta sussurra no vento, imperturb\u00e1vel pela nova rodovia, que acabou sendo constru\u00edda a 90 metros dali).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mcmv-prefeitura.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11697\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mcmv-prefeitura.jpg\" alt=\"Pr\u00e9dios do programa Minha Casa Minha Vida\" width=\"620\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mcmv-prefeitura.jpg 1000w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mcmv-prefeitura-620x412.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mcmv-prefeitura-947x629.jpg 947w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mcmv-prefeitura-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a>Depois da pris\u00e3o de Luciano, Patr\u00edcia agora \u00e9 ridicularizada pelos estranhos que ali moram. Por isso ela s\u00f3 se sente confort\u00e1vel em socializar com as poucas outras fam\u00edlias do Oiti que tamb\u00e9m foram transferidas da Vila Recreio II. Ela fala com seu advogado no telefone. H\u00e1 tr\u00eas meses \u00e9 incapaz de visitar ou mesmo falar com seu marido gra\u00e7as \u00e0 um defasado protocolo para contato com os prisioneiros. Seu antigo deslocamento di\u00e1rio para o trabalho na\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/19BBUhf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barra da Tijuca<\/a>, que era de dois \u00f4nibus e levava uma hora, mudou para um total de quatro horas e quatro \u00f4nibus diferentes para ir e para voltar&#8211;um desses trajetos atrav\u00e9s da nova linha de BRT, constru\u00edda para melhorar o tr\u00e2nsito (e para qual Patr\u00edcia perdeu sua casa). O deslocamento rapidamente se tornou insustent\u00e1vel para a m\u00e3e de dois filhos, ent\u00e3o Patr\u00edcia, assim como muitos de seus vizinhos, n\u00e3o p\u00f4de manter seu emprego. Hoje em dia, todas essas vidas s\u00e3o marcadas, em v\u00e1rios aspectos, pela dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O problema dos dos Santos \u00e9 emblem\u00e1tico para caracterizar a cada vez mais problem\u00e1tica din\u00e2mica de habita\u00e7\u00e3o no Rio. Geograficamente, o Rio se desenvolveu em um espa\u00e7o mais homog\u00eaneo. Durante d\u00e9cadas, moradias acess\u00edveis eram abundantes&#8211;as pessoas simplesmente constru\u00edam suas simples casas de tijolos em bairros tanto ricos quanto pobres. Por\u00e9m, ao decorrer do s\u00e9culo 20, por uma variedade de justificativas oficias, moradores de favela foram reassentados para blocos de moradia p\u00fablica.<\/p>\n<p>Quando a capital se mudou do Rio para Bras\u00edlia, em 1960, o movimentado Centro do Rio foi deixado com pr\u00e9dios literalmente vazios.<\/p>\n<p>Esse problema deveria ter sido resolvido pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nMfwtd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/a>, na qual foram criados f\u00f3runs nacionais e municipais onde arquitetos, urbanistas, movimentos sociais e construtores poderiam propor e debater pol\u00edticas urbanas. Em 2005, esses f\u00f3runs criaram um fundo federal para moradias de &#8220;interesse social&#8221; que reservaria um bilh\u00e3o de reais por ano&#8211;n\u00e3o para blocos monumentais de moradia popular \u00e0 margem urbana, mas&#8211;para a urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas: empr\u00e9stimos para material de constru\u00e7\u00e3o, reutiliza\u00e7\u00e3o adaptativa e suporte t\u00e9cnico para cooperativas de baixa renda. O FHNIS foi celebrado nacionalmente e internacionalmente por ajudar brasileiros a construir suas casas no estilo e em lugares que melhor suprem suas necessidades.<\/p>\n<p>Os dos Santos s\u00e3o exatamente o tipo de fam\u00edlia que se beneficiou com este arranjo. Patr\u00edcia, 35, e Luciano, 39, se mudaram do interior da Bahia para o Rio de Janeiro rec\u00e9m-casados em busca de uma vida melhor. Eles ouviram de um amigo que havia um grupo de pessoas que estaria, coletivamente, construindo suas casas no Recreio, bairro da Zona Oeste do Rio. Durante sete anos eles moraram em sua casa de madeira na favela Vila Recreio II, ela trabalhando de empregada e ele em uma pastelaria.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lula-announcing-1-million-homes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11698\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lula-announcing-1-million-homes.jpg\" alt=\"Lula no lan\u00e7amento do programa Minha Casa Minha Vida em 2009. Foto de Ag\u00eancia Brasil\" width=\"620\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lula-announcing-1-million-homes.jpg 1000w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lula-announcing-1-million-homes-369x264.jpg 369w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lula-announcing-1-million-homes-620x443.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a>Apesar que n\u00e3o perderiam sua casa por mais sete anos, o destino da fam\u00edlia foi efetivamente selado em 2009, quando o Presidente Lula da Silva anunciou um programa federal defasado de moradia p\u00fablica que colocaria mais dinheiro em habita\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 foi investido desde a d\u00e9cada de 1960, por\u00e9m solenemente ignorando o quadro constitucional para reutiliza\u00e7\u00e3o adaptativa, cooperativas e urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas. O programa\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/Y4U9oJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minha Casa Minha Vida (MCMV)<\/a>, foi baseado em uma proposta do setor de constru\u00e7\u00e3o civil do Rio, e prometia 34 bilh\u00f5es de reais para construir um milh\u00e3o de unidades habitacionais para depois vender as mesmas para Brasileiros de baixa renda com hipoteca subsidiada.<\/p>\n<p>Como chefe da Casa Civil durante o Governo Lula, DIlma Rouseff anunciou o programa em uma confer\u00eancia televisionada, acompanhada de um sorridente representante dos interesses nacionais do setor de constru\u00e7\u00e3o civil. O boom de constru\u00e7\u00f5es foi promovido, em parte, como um modo de acelerar a economia brasileira e escapar da recess\u00e3o. Mas os pensadores urbano estavam c\u00e9ticos. Essa era uma mudan\u00e7a radical da pol\u00edtica desenvolvida por eles.<\/p>\n<p>Quase assim que inauguradas, as primeiras constru\u00e7\u00f5es do MCMV no Rio se tornaram um im\u00e3 de cr\u00edticas. Em 2010, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/14kaU7S\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raquel Rolnik<\/a>, na \u00e9poca relatora especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para habita\u00e7\u00e3o adequada, discursou dentro do gabinete do prefeito do Rio alertando sobre os efeitos de segrega\u00e7\u00e3o que a nova pol\u00edtica de moradia traria e a falta de controle de qualidade. O oficial da Secret\u00e1ria de Habita\u00e7\u00e3o da cidade, Ant\u00f4nio Ver\u00edssimo, falou que concentrar moradias populares em \u00e1reas com baixa infraestrutura, como a Zona Oeste, resultaria na forma\u00e7\u00e3o de &#8220;guetos de pobreza distante&#8221;. Os jornais cariocas come\u00e7aram a noticiar est\u00f3rias de <a href=\"http:\/\/glo.bo\/1jVjfSI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inunda\u00e7\u00f5es e rachaduras em apartamentos do MCMV<\/a>, e tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/bbc.in\/1iC5UUH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a dificuldade de seus moradores em achar trabalho<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00e1 longe, afastado do denso e din\u00e2mico centro da cidade, onde n\u00e3o s\u00f3 os pr\u00e9dios est\u00e3o come\u00e7ando a avariar como tamb\u00e9m a ordem social.<\/p>\n<h3>Um aviso do Chile<\/h3>\n<p>Patr\u00edcia l\u00ea os jornais para saber sobre outros projetos do MCMV. Em abril ela estava preocupada com as not\u00edcias dizendo que apartamentos em outra \u00e1rea de Campo Grande foram tomados pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1fQqGHL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mil\u00edcia<\/a>, e que nesse casso, a mil\u00edcia afastou os moradores de seus apartamentos com o objetivo de vend\u00ea-los para lucro pr\u00f3prio. Em 2011, a mil\u00edcia foi expulsa do mesmo complexo de apartamentos e tamb\u00e9m de outros 10 complexos pelo mesmo motivo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mapa-mcmv.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11703\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mapa-mcmv.jpg\" alt=\"Mapa dos empreendimentos MCMV no munic\u00edpio.\" width=\"620\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mapa-mcmv.jpg 831w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mapa-mcmv-432x264.jpg 432w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mapa-mcmv-620x379.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>As mil\u00edcias no Rio de Janeiro punem aqueles que est\u00e3o sobre sua jurisdi\u00e7\u00e3o quando falam com a imprensa e as vezes s\u00e3o pr\u00f3ximos \u00e0 policias locais. Por isso \u00e9 dif\u00edcil rastre\u00e1-los com precis\u00e3o. Por\u00e9m, um\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1pEsBL4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">extenso estudo de 2011<\/a><b>\u00a0<\/b>mostrou que eles se concentram na Zona Oeste da cidade, local de milhares novas unidades de apartamentos do Minha Casa Minha Vida. Refletindo sobre o crime organizado no MCMV, professor Adauto Cardoso da UFRJ diz, &#8220;Eu n\u00e3o vou dizer que devemos esperar que habita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas n\u00e3o incluem tudo que est\u00e1 presente em outros locais da cidade. Mas lugares fechados, isolados facilitam o controle. Imagino que seria muito mais dif\u00edcil criminosos controlarem comunidades pequenas de uso misto que s\u00e3o abertamente integradas com o resto da cidade&#8221;.<\/p>\n<p>Cardoso olha para o Chile, um dos modelos sobre o qual o MCMV baseou-se, e imagina como o projeto pode parecer daqui a 20 anos. Entre 1980 e 2000, o governo Chileno embarcou em um boom de moradias populares parecido com o que est\u00e1 ocorrendo agora no Brasil, fornecendo contratos para mais de 200,000 unidades subsidiadas para serem constru\u00eddas para moradores de baixa renda na periferia de Santiago<\/p>\n<p>Foi um desastre. Em 2005, um grupo de pesquisadores classificou muitas dessas unidades como &#8220;abandonadas pelo estado e pelos programas de assist\u00eancia social&#8221; e &#8220;funcionalmente obsoletas&#8221;. Eles notaram condi\u00e7\u00f5es assustadoras no interior, incluindo um alto n\u00edvel de conflito social, dificuldade para os moradores participarem da governan\u00e7a, r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o f\u00edsica, estigmatiza\u00e7\u00e3o e controle autorit\u00e1rio. Em 2012, o governo chileno, derrotado, come\u00e7ou a demolir mais de 57,000 unidades, arcando com os alugu\u00e9is at\u00e9 que moradores pudessem ser reassentados em um lugar melhor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"Pr\u00e9dios de Minha Casa Minha Vida com rachaduras foram demolidos\" src=\"http:\/\/www.rioonwatch.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MCMV.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel identificar sinais de que os mesmo problemas encontrados no Chile talvez estejam vindo para o Brasil. Em mar\u00e7o de 2013, pela primeira vez no Rio de Janeiro, paredes rachadas e desalinhadas for\u00e7aram o governo a\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1lkUuix\">demolir um conjunto de apartamentos do Minha Casa Minha Vida<\/a>\u00a0antes que seus donos pudessem chegar. Em meio \u00e0 onda da m\u00e1 repercuss\u00e3o na m\u00eddia, no ano passado, o Prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes emitiu um decreto proibindo novas constru\u00e7\u00f5es do MCMV na extrema Zona Oeste. A necessidade para essa reforma tem relev\u00e2ncia internacional. Em agosto de 2013, Rolnik reportou para a Assembleia Geral da ONU que ao redor do mundo existem falhas fatais nas pol\u00edticas de financiamento de moradia popular, como as do MCMV que &#8220;focam somente no acesso \u00e0 um teto enquanto falham em efetivamente e exaustivamente tratar de&#8230; acesso a infraestrutura e servi\u00e7os, habitabilidade, adequa\u00e7\u00e3o cultural e seguran\u00e7a de posse&#8221;.<\/p>\n<p>Talvez nem seja poss\u00edvel que alguns moradores do MCMV morem em suas resid\u00eancias o suficiente para v\u00ea-las deteriorarem, segundo Cardoso, por causa do alto pre\u00e7o pago pelos servi\u00e7os, taxa de condom\u00ednio e &#8220;impostos&#8221; cobrados pelo crime organizado. Um relat\u00f3rio publicado pela revista <em>Veja<\/em> descobriu que 20 por cento dos moradores de baixa renda do MCMV estavam atrasados no pagamento de suas hipotecas, quatro por cento a mais da taxa de pagamento atrasado por americanos pagando a casa pr\u00f3pria logo antes da crise financeira nos EUA.<\/p>\n<p>No Brasil, moradores de baixa renda <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1oNUTOl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o parecem ser os maiores beneficiados<\/a>\u00a0com as novas moradias do MCMV. Muitas cidades falharam em atingir o objetivo de 40 por cento das unidades para os mais pobres, o que contabiliza mais de 90 por cento do d\u00e9ficit de moradias do pais. Nos primeiros dois anos das constru\u00e7\u00f5es do MCMV no Rio, 80 por cento das resid\u00eancias para os mais pobres foram localizadas na extrema Zona Oeste, o que faz do Rio um dos casos mais dram\u00e1ticos&#8211;mas n\u00e3o o \u00fanico&#8211;de como o MCMV tem fomentado &#8220;a periferiza\u00e7\u00e3o da pobreza&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar disso o governo brasileiro continua insistindo no programa. Em 2013\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1sKyHul\">publicaram uma pesquisa<\/a>\u00a0que concluiu que nacionalmente, o n\u00edvel m\u00e9dio de satisfa\u00e7\u00e3o de novos moradores do MCMV com suas casas era 8 (de 10). O governo e o setor imobili\u00e1rio t\u00eam se esfor\u00e7ado para promover o sonho da casa pr\u00f3pria atrav\u00e9s do MCMV, e s\u00e3o r\u00e1pidos em caracterizar outras formas de moradia como prec\u00e1rias.<\/p>\n<h3>&#8220;50 anos depois, estamos cometendo os mesmos erros&#8221;<\/h3>\n<p>&#8220;O que faz de uma cidade uma cidade?&#8221; pergunta o professor Orlando Santos Jr. da UFRJ, que vem servindo durante anos em f\u00f3runs locais e federais de urbanismo. &#8220;\u00c9 um lugar que cont\u00e9m pessoas diferentes de voc\u00ea. \u00c9 interagir e criar algo atrav\u00e9s da diversidade&#8221;. Santos diz que al\u00e9m de negar os novos moradores direitos e recursos importantes, a natureza segregante das constru\u00e7\u00f5es de moradias p\u00fablicas no Rio est\u00e1 destruindo a pr\u00f3pria natureza da cidade.<\/p>\n<p>Depois de anos de subfinanciamento das recomenda\u00e7\u00f5es dos f\u00f3runs de pol\u00edtica urbana brasileira, a participa\u00e7\u00e3o popular moldando as pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o tomou uma forma mais agressiva no ano passado, tanto atrav\u00e9s dos tribunais como tamb\u00e9m nas ruas. Cartazes com os ditos &#8220;Minha Casa Minha D\u00edvida&#8221; ou &#8220;Minha Casa Minha Mil\u00edcia&#8221; eram vistos nos\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/12hqS0g\">protestos<\/a>\u00a0de rua no Rio. Em particular, algumas pessoas peticionaram a Caixa Econ\u00f4mica Federal para financiar um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1xV2uDB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pequeno bra\u00e7o do MCMV que apoia cooperativas (MCMV-Entidades)<\/a>,\u00a0sem burocracia, com a mesma facilidade em que os apartamentos privados foram financiados. O governo federal prometeu expandir esse programa no come\u00e7o de junho deste ano, s\u00f3 depois que o MST de S\u00e3o Paulo enviou 20.000 pessoas para as ruas amea\u00e7ando bloquear a abertura da Copa do Mundo. No Rio, v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es sociais foram despertadas e diversos processos iniciados pela\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kcl02n\">Defensoria P\u00fablica<\/a>\u00a0na tentativa de garantir que as novas unidades do MCMV fossem constru\u00eddas perto das favelas de onde as pessoas foram removidas.<\/p>\n<p>Para aqueles que j\u00e1 foram reassentados em lugares mais isolados do Rio, a intera\u00e7\u00e3o com o mundo fora dali \u00e9 pouca. Uma rara tentativa de combater esse problema veio em 2012, quando um coletivo de hip-hop organizou um show em um complexo do MCMV em Bangu, perto da\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1g63Krv\">Vila Kennedy<\/a>. Um dos organizadores, a empregada dom\u00e9stica Charlene Santos, falou que para honrar o Dia da Consci\u00eancia Negra, o grupo tinha como objetivo &#8220;trazer cultura para um lugar onde n\u00e3o tem nenhuma&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Rio \u00e9 um grande acelerador cultural, mas n\u00e3o \u00e9 permitido que a cultura flores\u00e7a em todas as partes da cidade&#8221;, diz Santos. &#8220;Porque n\u00f3s conhec\u00edamos algu\u00e9m em um apartamento espec\u00edfico, nos permitiram que planej\u00e1ssemos alguma coisa. N\u00f3s falamos com os jovens de l\u00e1 sobre o fato de que esse tipo de cultura cr\u00edtica carrega muitas informa\u00e7\u00f5es. Conta a hist\u00f3ria de como as pessoas est\u00e3o vivendo suas vidas e seus dias e pergunta, quem t\u00e1 ganhando e quem t\u00e1 perdendo com os projetos atuais de nossa sociedade?&#8221;<\/p>\n<p>O grupo de Santos est\u00e1 tentando organizar um outro workshop h\u00e1 mais de um ano, por\u00e9m n\u00e3o consegue ter acesso aos complexos do MCMV. &#8220;Esses apartamentos n\u00e3o s\u00e3o espa\u00e7os abertos onde voc\u00ea pode entrar livremente&#8221;, ela completa.<\/p>\n<p>No Rio, oficiais\u00a0est\u00e3o respondendo \u00e0 cr\u00edtica p\u00fablica concentrando nas poucas novas moradias populares que acreditem ir\u00e3o melhorar a imagem do MCMV. Verba foi direcionada para adicionar mais unidades no local que havia contido uma usina abandonada em Triagem, um pouco ao norte do Centro do Rio, onde o governo usou um quadro legal bem estabelecido para tomar controle do espa\u00e7o p\u00fablico abandonado. Chamado <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nZZFwD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bairro Carioca<\/a>, ele cont\u00eam mais de 2.200 apartamentos localizados de cinco a quinze minutos de caminhada da esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4. Dentro do Bairro Carioca existe uma escola p\u00fablica e um centro de aprendizagem de alta tecnologia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"Prefeito Eduardo Paes lan\u00e7a novos apartamentos em MCMV Bairro Carioca. Foto de J.P. Engelbrecht\/Prefeitura do Rio\" src=\"http:\/\/www.rioonwatch.org\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/eduardo-paes-triagem.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p>No\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nMC4tX\">lan\u00e7amento de 740 novos apartamentos do Bairro Carioca<\/a>\u00a0em maio de 2014, o Prefeito Eduardo Paes elogiou o comprometimento da Secretaria Municipal de Habita\u00e7\u00e3o em construir moradia em locais rico em infraestrutura. &#8220;As c\u00e2meras para a Copa do Mundo v\u00e3o vir e ir embora&#8221;, ele disse, mas o que fica \u00e9 um s\u00e9rio investimento que visa combater os problemas de moradia do Brasil. No mesmo evento, ele anunciou que 1.300 novas unidades do MCMV seriam constru\u00eddas no lugar de um pr\u00e9dio de telecomunica\u00e7\u00e3o abandonado em uma \u00e1rea adjacente ao Engenho Novo, onde pessoas\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ibmnwc\">foram removidas pela policia em abril<\/a>.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar do esfor\u00e7o descomunal, o efeito domin\u00f3 do desastre do MCMV frustrou outros, mais promissores projetos, j\u00e1 que o financiamento p\u00fablico para outros programas de moradia popular com interesse social no Rio chegou \u00e1 um ponto de parada. No Centro, 185 pr\u00e9dios hist\u00f3ricos est\u00e3o registrados, por\u00e9m ainda intocados, para serem utilizados em um programa de reaproveitamento denominado <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1oa4P5C\">Novas Alternativas<\/a>. (Em 2010, o n\u00famero de pr\u00e9dios vazios no Brasil chegou a seis milh\u00f5es, equivalente a 83% do d\u00e9ficit de moradia). Depois que 40 escrit\u00f3rios de arquitetura passaram meses projetando renova\u00e7\u00f5es para favelas atrav\u00e9s do programa\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/104CmUd\">Morar Carioca<\/a>, o programa de habita\u00e7\u00e3o que servir\u00e1 de legado para as Olimp\u00edadas do Rio, ainda n\u00e3o se sabe quando as constru\u00e7\u00f5es ir\u00e3o come\u00e7ar (e se, efetivamente, ir\u00e3o come\u00e7ar). Como aproximadamente metade das novas unidades do MCMV do Rio de Janeiro est\u00e3o abrigando moradores de favela que foram despejados a for\u00e7a de suas casas, o per\u00edodo de espera para pessoas que realmente querem fazer parte do programa se estendeu consideravelmente. Al\u00e9m disso, o reassentamento de moradores longe de suas resid\u00eancias originais vai contra a lei que estipula que pessoas despejadas devem, obrigatoriamente, ser relocadas em algum lugar pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&#8220;Na cidade do Rio de Janeiro, colocar pessoas em habita\u00e7\u00f5es do MCMV atualmente \u00e9 <em>a <\/em>resposta \u00e0 moradia popular&#8221;, explica Cardoso.<\/p>\n<p>Ver\u00edssimo, o oficial do SMH que criticou o MCMV anteriormente, atualmente est\u00e1 pesquisando programas de reajustamento de terras que capturam o aumento do valor das casas na favela ao inv\u00e9s de fazer com que seus moradores reassentados percam este valor. Ver\u00edssimo diz que tantos variados modelos de habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica j\u00e1 foram testados no Rio ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas que podemos fazer previs\u00f5es informadas sobre como ser\u00e3o os apartamentos do MCMV daqui h\u00e1 uma, ou at\u00e9 cinco, d\u00e9cadas: &#8220;Nos anos 60, quando moradores eram removidos das favelas, que s\u00e3o espa\u00e7os de uso misto (resid\u00eancias e com\u00e9rcio misturados), para moradias populares sem oportunidades de trabalho pr\u00f3ximas, muitos moradores simplesmente abriam pequenos estandes para <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1hSND2X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uso comercial no entorno dos novos pr\u00e9dios<\/a>. Existe at\u00e9 um verbo para isso&#8211;&#8220;favelizou&#8221;&#8211;que usamos para falar que uma \u00e1rea formal &#8216;virou uma favela.&#8217; Mas muitos desses espa\u00e7os n\u00e3o representam as piores possibilidades como resultado de pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o. Se olharmos para a\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BzE4e\">Cidade de Deus<\/a>, por exemplo, ela est\u00e1 borbulhando com muitos neg\u00f3cios e vida. \u00c9 uma comunidade funcional&#8221;.<\/p>\n<p>A favela de Cidade de Deus era originalmente um projeto habitacional, que, na verdade, foi constru\u00eddo em 1962 para abrigar pessoas que foram removidas de favelas da Zona Sul do Rio. \u00c9 a prova, argumenta Ver\u00edssimo, que favelas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 um lugar para drogas e crime, que em muitos casos, existe com\u00e9rcio e comunidade.<\/p>\n<p>Existem muitas outras vari\u00e1veis, al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es dos pr\u00e9dios, que determinam se uma favela vai virar um gueto ou n\u00e3o. O historiador urbano Mario Brum diz que os moradores da Cidade de Deus se adaptaram melhor que outros de diferentes complexos&#8211;embora ainda encontrem dificuldades s\u00e9rias&#8211;porque muitos neg\u00f3cios que se desenvolveram nas \u00e1reas adjacentes de Jacarepagu\u00e1 foram incorporados pela comunidade. Contraste isso com outro complexo de moradia popular na Zona Oeste, a Vila Kennedy, localizada paralelamente \u00e0 Avenida Brasil, onde \u00e9 muito mais carente de atividades econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/upp_vk_rio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11701\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/upp_vk_rio.jpg\" alt=\"A inaugura\u00e7\u00e3o da UPP da Vila Kenedy. Foto: Carlos Magno\" width=\"621\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/upp_vk_rio.jpg 1000w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/upp_vk_rio-383x264.jpg 383w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/upp_vk_rio-620x427.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Isolada das oportunidades de trabalho, muitas fam\u00edlias que foram encaminhadas para a Vila Kennedy se mudaram de l\u00e1 ao longo dos anos com suas casas se deteriorando e com a chegada do tr\u00e1fico de drogas. Hoje, o Bairro de Bangu, circundante da Vila Kennedy, tem um taxa de homic\u00eddio 1,5 vezes maior\u00a0da m\u00e9dia da cidade, e a pol\u00edcia local tem um dos maiores n\u00fameros de pessoas desaparecidas registradas no estado. Em mar\u00e7o, a Vila Kennedy se tornou uma das poucas \u00e1reas longe dos olhos dos turistas a receber uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/R5ueio\">Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP)<\/a>\u00a0em uma tentativa de frear tiroteios e a queima de \u00f4nibus causados pelos conflitos entre fac\u00e7\u00f5es criminais rivais.<\/p>\n<p>Brum diz que, hoje, poderia fazer sentido construir projetos de moradia na extrema Zona Oeste carioca caso eles fizessem parte de um plano para o desenvolvimento econ\u00f4mico integrado. S\u00f3 que nenhum plano foi anunciado para o p\u00fablico, e as novas linhas de BRT da Zona Oeste desfilam por quil\u00f4metros de territ\u00f3rio vazio pr\u00f3ximo aos novos projetos.<\/p>\n<p>&#8220;50 anos depois&#8221;, argumenta Brum, &#8220;estamos fazendo o mesmo mais uma vez&#8221;.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo eleitoral, a atual administra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nUhsp1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fez campanha para registrar programas de assist\u00eancia social como o Minha Casa Minha Vida<\/a>, que come\u00e7ou sua terceira fase em junho. Alegaram que est\u00e3o corregindo falhas&#8211;a segunda fase do MCMV incluiu permiss\u00f5es para desenvolvimentos de uso misto, e no Rio, foi criada uma &#8220;matriz de responsabilidade&#8221; para que construtoras e governo sejam penalizadas com mais vigor por entregar pr\u00e9dios de baixa qualidade.<\/p>\n<p>Infelizmente, a campanha n\u00e3o encarou muitos dos desafios encontrados pelos mais afetados pelas pol\u00edticas em debate. No Rio, a maioria dos novos moradores do MCMV n\u00e3o tem nem tempo nem liberdade para protestar por seus interesses, j\u00e1 que moram longe do Centro da cidade e que podem ser reprimidos pelo crime organizado por envolvimento pol\u00edtico. Em vez disso, continuam suas vidas de forma silenciosa. Quando o marido de Patr\u00edcia sair da pris\u00e3o, o casal ter\u00e1 que trabalhar por mais tempo do que planejavam at\u00e9 que consigam arcar financeiramente com outra moradia.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s vamos olhar para as op\u00e7\u00f5es, e se nada de qualidade estiver dispon\u00edvel n\u00f3s iremos ocupar e come\u00e7ar a construir n\u00f3s mesmos&#8221;, ela diz, como a legisla\u00e7\u00e3o habitacional do Rio tradicionalmente permitiu. &#8220;Por agora, n\u00f3s estamos aqui no fim do mundo&#8221;.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Leia\u00a0a mat\u00e9ria original por Catherine Osborn\u00a0em ingl\u00eas na Next City,\u00a0aqui. 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