{"id":12362,"date":"2014-09-22T17:25:02","date_gmt":"2014-09-22T20:25:02","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=12362"},"modified":"2023-05-09T09:57:16","modified_gmt":"2023-05-09T12:57:16","slug":"o-milagre-da-resistencia-licoes-dos-sucessos-dos-quilombos-e-grupos-indigenas-urbanos-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=12362","title":{"rendered":"O Milagre da Resist\u00eancia: Li\u00e7\u00f5es dos Sucessos dos Quilombos e Grupos Ind\u00edgenas Urbanos do Rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1tXenC9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>O passado colonial do Brasil criou um panorama s\u00f3cio-pol\u00edtico no qual as quest\u00f5es de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1uqz3CW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ra\u00e7a<\/a> e etnia continuam a ser problem\u00e1ticas. Hoje, os grupos ind\u00edgenas e negros continuam a resistir \u00e0 ordem social discriminat\u00f3ria criada pelas rela\u00e7\u00f5es de contato colonial. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e instrumentos internacionais, como a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1undUe0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conven\u00e7\u00e3o 169<\/a> da Organiza\u00e7\u00e3o International de Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2002, protegem os povos ind\u00edgenas e grupos quilombolas do Brasil. Estas leis formam uma estrutura que permite que esses grupos se organizem de forma aut\u00f4noma para decidir o seu futuro. No entanto, as disposi\u00e7\u00f5es legais n\u00e3o s\u00e3o facilmente traduzidas em pol\u00edticas p\u00fablicas que melhorem a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica desses grupos, fazendo da implementa\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais uma luta cont\u00ednua. As lutas vividas por grupos \u00e9tnicos na cidade proporcionam uma janela para id\u00e9ias persistentes sobre ra\u00e7a e etnia que impedem o reconhecimento dos mesmos como grupos \u00e9tnicos.<\/p>\n<h3>Quilombos Urbanos do Rio: Cultura e Resist\u00eancia no Sacop\u00e3 e Pedra do Sal<\/h3>\n<p>O Rio de Janeiro colonial, um importante porto de escravos, foi o local de um grande n\u00famero de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ykJIW4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quilombos<\/a>, alguns dos quais ainda fazem parte da paisagem e geografia da cidade. Como explica o pesquisador e ativista brasileiro Kabengele Munanga, quilombo \u00e9 uma palavra de origem <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1sdXIhA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bantu<\/a>, uma fam\u00edlia de l\u00ednguas faladas por povos localizados entre o que \u00e9 hoje a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e a Angola. A palavra foi levada ao Brasil durante o per\u00edodo do colonialismo formal atrav\u00e9s da migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de escravos africanos. Quilombos s\u00e3o hoje n\u00e3o apenas um fato hist\u00f3rico, mas uma realidade s\u00f3cio-pol\u00edtica do pa\u00eds. Eles s\u00e3o popularmente representados como comunidades rurais de escravos fugitivos, que permaneceram em seus territ\u00f3rios desde a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, simbolizadas pelo mais famoso, o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1sNRxeq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quilombo dos Palmares<\/a>. No entanto, esta defini\u00e7\u00e3o colonial e restrita n\u00e3o consegue compreender as complexas e din\u00e2micas realidades dos atuais grupos quilombolas do Brasil. Na realidade, os quilombos surgiram onde quer que houvessem escravos africanos, em contextos urbanos e rurais, bem como em outros pa\u00edses, como a Col\u00f4mbia ou Equador.<\/p>\n<p>O resultado das mobiliza\u00e7\u00f5es do movimento negro no contexto da redemocratiza\u00e7\u00e3o foi, entre outros, o Artigo 68 das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias, que garante a quilombolas o direito ao t\u00edtulo de suas terras. Em 2003, o Decreto 4887 nomeou o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (INCRA) como respons\u00e1vel pela demarca\u00e7\u00e3o de terras quilombolas. Desde ent\u00e3o, o laudo antropol\u00f3gico necess\u00e1rio para o processo de titula\u00e7\u00e3o desencadeou a ressemantiza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do conceito de quilombo, como consolidado na defini\u00e7\u00e3o de 1994 da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1rbMS8j\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia<\/a>:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Contemporaneamente, portanto, o termo n\u00e3o se refere a res\u00edduos ou resqu\u00edcios arqueol\u00f3gicos de ocupa\u00e7\u00e3o temporal ou de comprova\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de grupos isolados ou de uma popula\u00e7\u00e3o estritamente homog\u00eanea. Da mesma forma nem sempre foram constitu\u00eddos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados, mas, sobretudo, consistem em grupos que desenvolveram pr\u00e1ticas de resist\u00eancia na manuten\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de seus modos de vida caracter\u00edsticos num determinado lugar&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 dessa forma que deve-se entender os <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qNF1ux\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quilombos urbanos do Rio de Janeiro<\/a>, o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/VMIe5k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sacop\u00e3<\/a> e o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/VVrdp9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedra do Sal<\/a>. Eles est\u00e3o respectivamente localizados na Lagoa, bairro de classe alta (ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas na Zona Sul) e no Centro da cidade na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1cVBDvL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">regi\u00e3o portu\u00e1ria<\/a>. Ambos ainda est\u00e3o passando pelo longo e burocr\u00e1tico processo de titula\u00e7\u00e3o de suas terras, com o Sacop\u00e3 prestes a receber seu t\u00edtulo com a visita do presidente do INCRA <a href=\"http:\/\/on.fb.me\/1udxaNA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">amanh\u00e3<\/a>. Depois de anos de luta para obter legalmente a sua terra, os quilombos urbanos carregam uma mensagem importante de resist\u00eancia para <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1piRAgk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">outros grupos que resistem \u00e0 remo\u00e7\u00e3o e expuls\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Quilombo Sacop\u00e3.\" src=\"http:\/\/www.rioonwatch.org\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Quilombo-Sacop%C3%A3.jpg\" alt=\"\" width=\"628\" height=\"419\" \/><\/p>\n<p>O que esses quilombos urbanos t\u00eam em comum \u00e9 a sua import\u00e2ncia como espa\u00e7os de resist\u00eancia negra e da cultura do samba. O Sacop\u00e3 tornou-se famoso por suas festas de samba e pagode nos anos 1970 e 80. Os membros do Pedra do Sal foram protagonistas na cria\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio samba, e participando de escolas de samba como a Imp\u00e9rio da Tijuca. Al\u00e9m disso, o Pedra do Sal tem uma import\u00e2ncia tanto hist\u00f3rica quanto atual para a \u00e1rea portu\u00e1ria do Rio e para os terreiros de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/Sw2HVB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Candombl\u00e9<\/a>, tendo sido <a href=\"http:\/\/glo.bo\/1qWMspk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">recentemente reconhecido<\/a> como \u00e1rea de especial interesse cultural.<\/p>\n<p>Ambas as comunidades s\u00e3o testemunhas da presen\u00e7a hist\u00f3rica dos negros em bairros hoje disputados pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11tBtBo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria<\/a> e ambas est\u00e3o localizadas em \u00e1reas que foram submetidas a complexos processos de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/184FqS4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gentrifica\u00e7\u00e3o<\/a> e branqueamento. Durante a agressiva pol\u00edtica de remo\u00e7\u00e3o das favelas durante a ditadura militar nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, a paisagem da Lagoa mudou radicalmente com a remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de comunidades como a Favela da Catacumba\u2013<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1AYK4Oj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hoje Parque da Catacumba<\/a>\u2013e a favela Praia do Pinto, onde hoje se encontra\u00a0o\u00a0condom\u00ednio <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1s3ABq7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Selva de Pedra<\/a> do Leblon.<\/p>\n<p>Hoje, a Lagoa \u00e9 um bairro de classe alta. A regi\u00e3o portu\u00e1ria, onde o Pedra do Sal est\u00e1 localizado, faz parte de um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/UR7rn7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o<\/a> que est\u00e1 aumentando\u00a0significativamente o valor imobili\u00e1rio da \u00e1rea. Neste contexto, os interesses econ\u00f4micos s\u00e3o express\u00f5es da discrimina\u00e7\u00e3o racial. Ambos os quilombos t\u00eam incessantemente resistido \u00e0s tentativas de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/X51Qvb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">remo\u00e7\u00e3o<\/a>, mas n\u00e3o sem perdas. Dessa forma, ao passo que a \u00e1rea em torno deles tem sido gradualmente branqueada, os quilombos permanecem como lembran\u00e7a f\u00edsica de que a resist\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Sua identidade como quilombo foi fundamental nas conquistas que tiveram at\u00e9 hoje. Devido \u00e0 <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qNF1ux\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sua determina\u00e7\u00e3o de permanecer<\/a> onde t\u00eam morado h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, \u00e0 sua identidade cultural e \u00e0s possibilidades oferecidas pelo Artigo 68 e pelo Decreto 4887, eles obtiveram o reconhecimento do direito leg\u00edtimo \u00e0s suas terras em um contexto de desloca\u00e7\u00f5es massivas. O que outros\u2013como os moradores da Favela da Catacumba\u2013n\u00e3o puderam fazer, eles alcan\u00e7aram. Como diz Luiz, o l\u00edder do Sacop\u00e3:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00f3s somos talvez uma das resist\u00eancias n\u00famero um no pa\u00eds devido \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o em que nos encontramos, devido ao valor econ\u00f4mico deste local. Portanto, o racismo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte, porque n\u00f3s lutamos contra o poder econ\u00f4mico e a capacidade dos poderosos de influenciar todas as quest\u00f5es pol\u00edticas\u2013e conseguimos vencer&#8230; Temos de ter sido ajudados pelos Orix\u00e1s. Depois de tudo que passamos, as pessoas se perguntam: &#8216;Como \u00e9 que eles ainda est\u00e3o a\u00ed?'&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Em uma cidade como o Rio de Janeiro, esta \u00e9 uma mensagem importante de for\u00e7a e de esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a dos quilombos inspira o ativismo di\u00e1rio dos grupos de resist\u00eancia.<\/p>\n<h3>A Associa\u00e7\u00e3o \u00cdnd\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3<\/h3>\n<p>Os direitos \u00e9tnicos tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Brasil, hoje composta por 305 grupos \u00e9tnicos, de acordo com o censo de 2010 do IBGE, falando em torno de 150 a 180 l\u00ednguas ind\u00edgenas. O per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil testemunhou o aumento do protagonismo dos povos ind\u00edgenas, que garantiram o fim do poder tutelar formal na Constitui\u00e7\u00e3o e o reconhecimento de uma s\u00e9rie de direitos, como o direito \u00e0 sua cultura e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o diferenciada.<\/p>\n<p>Devido \u00e0s dificuldades das \u00e1reas rurais, especialmente aquelas onde os agricultores vizinhos e o agroneg\u00f3cio amea\u00e7am as comunidades ind\u00edgenas, muitos povos ind\u00edgenas optaram por migrar para os centros urbanos em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, educa\u00e7\u00e3o e emprego. O IBGE estima que cerca de 324.000 ind\u00edgenas vivem fora das Terras Ind\u00edgenas (ou TIs), 80% deles na regi\u00e3o Sudeste do Brasil. A cidade de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ublIlF\">S\u00e3o Paulo<\/a>, por exemplo, tem uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 13.000 ind\u00edgenas na \u00e1rea urbana, e tem um movimento ind\u00edgena bem articulado desde os anos 1980. Na cidade do Rio de Janeiro, onde o IBGE contou 6.000 ind\u00edgenas urbanos, o fen\u00f4meno \u00e9 muito mais recente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.rioonwatch.org\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Aldeia-Maracana-Associacao-Indigena-AM.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-17654 size-content\" title=\"Reuni\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena da Aldeia Maracan\u00e3\" src=\"http:\/\/www.rioonwatch.org\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Aldeia-Maracana-Associacao-Indigena-AM-620x264.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 2006 o movimento <a href=\"http:\/\/bit.ly\/15BSkDc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aldeia Maracan\u00e3<\/a> <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1usDAVz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ocupou o pr\u00e9dio abandonado do Antigo Museu do \u00cdndio<\/a>, localizado ao lado do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1lgN2VO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Est\u00e1dio do Maracan\u00e3<\/a>. O objetivo era <a href=\"http:\/\/bit.ly\/17bpkqf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dar maior visibilidade<\/a> ao movimento ind\u00edgena do Rio de Janeiro. Eles permaneceram no pr\u00e9dio at\u00e9 2013, onde realizavam eventos mensais de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria. Naquele ano, o governo do Rio decidiu que o local deveria servir \u00e0s necessidades da pr\u00f3xima Copa do Mundo e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/13jpdd3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">removeu seus moradores ind\u00edgenas<\/a>, amea\u00e7ando derrub\u00e1-lo para <a href=\"http:\/\/bit.ly\/12ebgN0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">construir um estacionamento<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1usKhXw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reunindo apoio popular e a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia<\/a>, o grupo conseguiu proteger o pr\u00e9dio, que agora est\u00e1 tombado. No entanto, os moradores foram obrigados a se realocarem para o alojamento tempor\u00e1rio, onde moraram por mais de um ano. Este ano, eles finalmente se mudaran para o bloco de apartamentos reservado para eles em um condom\u00ednio do programa habitacional <a href=\"http:\/\/bit.ly\/Y4U9oJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minha Casa, Minha Vida<\/a>. O pr\u00e9dio do Antigo Museu ser\u00e1 agora renovado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e se tornar\u00e1 um Centro de Refer\u00eancia da Cultura Ind\u00edgena Viva, funcionando como um museu vivo e como uma embaixada para outros povos ind\u00edgenas quando vierem para a cidade. Os membros formaram agora oficialmente a Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3 e est\u00e3o criando o Conselho Estadual Ind\u00edgena com o objetivo de garantir pol\u00edticas p\u00fablicas, como de habita\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, para os povos ind\u00edgenas que vivem no Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de ind\u00edgenas fora das terras ind\u00edgenas formalmente designadas ainda \u00e9 uma id\u00e9ia que muitos precisam aceitar, inclusive o p\u00fablico em geral. Mas at\u00e9 mesmo as institui\u00e7\u00f5es governamentais, inclusive a\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1rd0kbV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI)<\/a>, que \u00e9 respons\u00e1vel pela pol\u00edtica indigenista do Brasil, ainda tem de adaptar o seu entendimento. Quando muitos \u00f3rg\u00e3os, inclusive federais e estaduais, n\u00e3o reconheceram os membros da Aldeia como ind\u00edgenas leg\u00edtimos, eles ficaram institucionalmente impotentes.<\/p>\n<p>Apesar da aus\u00eancia de apoio do Estado, no entanto, eles conseguiram reunir o apoio de outros e alcan\u00e7aram o seu objetivo de assegurar o pr\u00e9dio do Antigo Museu como lugar de resist\u00eancia ind\u00edgena. Quando grupos como a Aldeia reivindicam direitos na cidade, os povos ind\u00edgenas est\u00e3o virando a compreens\u00e3o colonial de etnicidade e indianidade de pernas para o ar. Semelhante aos quilombos, esse entendimento associa a indianidade com comunidades rurais e geograficamente distantes, como identidades pr\u00e9-modernas e radicalmente diferentes. Quando essas identidades surgem na cidade, quando os ind\u00edgenas usam jeans e dirigem carros e continuam a se auto-declarar ind\u00edgenas, os preconceitos contra eles se tornam mais aparentes. Eles lutam por afirma\u00e7\u00e3o como cidad\u00e3os leg\u00edtimos que, apesar de estarem na cidade, n\u00e3o deixam de ser ind\u00edgenas. Nas palavras do cacique Marcos Terena: &#8220;Eu posso ser o que voc\u00ea \u00e9, sem deixar de ser quem eu sou&#8221;.<\/p>\n<h3>O Milagre da Resist\u00eancia<\/h3>\n<p>Por um lado, a etnicidade \u00e9 um facilitador, pois torna poss\u00edvel\u00a0a reivindica\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de direitos baseados na alteridade cultural, como garante a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m limitadora, porque os mant\u00e9m repetidamente sob a defini\u00e7\u00e3o colonial de etnicidade. Esse preconceito limita tais grupos \u00e9tnicos a comunidades rurais, distantes, pr\u00e9-modernas e menos influentes. Portanto, grupos \u00e9tnicos no contexto urbano como a Pedra do Sal, Sacop\u00e3 e Aldeia Maracan\u00e3 lutam contra tais tentativas de mant\u00ea-los \u201cem seu lugar\u201d geogr\u00e1fico e social. Ao resistir, esses grupos mobilizam suas diferen\u00e7as culturais e \u00e9tnicas para afirmar sua igualdade como cidad\u00e3os. A nova no\u00e7\u00e3o de direitos civis que formou a base da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 criou muitas possibilidades para os grupos que se auto-identificam com categorias \u00e9tnicas, seja\u00a0como quilombolas ou ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 importante ressaltar que as conquistas desses grupos s\u00e3o, em grande maioria, resultado de sua <a href=\"http:\/\/bit.ly\/H1kBPJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pr\u00f3pria teimosa milit\u00e2ncia<\/a>, for\u00e7ando o Estado a cumprir as promessas que faz. Sem o ativismo persistente desses grupos, os direitos \u00e9tnicos permaneceriam apenas mais uma cl\u00e1usula constitucional ou lei sem vida, que \u201cn\u00e3o pegou\u201d. Entre os muitos obst\u00e1culos que estes grupos enfrentam pode-se citar a lenta e morosa burocracia do Estado, que se torna evidente no processo de titula\u00e7\u00e3o dos quilombos. A burocracia, ali\u00e1s, junto com os interesses econ\u00f4micos, funciona para ocultar a discrimina\u00e7\u00e3o racial, porque os indiv\u00edduos mais ricos s\u00e3o capazes de contornar o aparelho burocr\u00e1tico com seus recursos econ\u00f4micos e seu poder de influ\u00eancia no sistema judicial. Neste contexto, quando Luiz, do Quilombo Sacop\u00e3, falou das muitas raz\u00f5es pelas quais eles conseguiram ficar quando tantos outros foram for\u00e7ados a deixar suas casas, ele disse: &#8220;Ah, o milagre da resist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Parece que no Brasil, apesar da exist\u00eancia de um quadro legal inclusivo, s\u00f3 o milagre da resist\u00eancia pode garantir os direitos \u00e9tnicos.<\/p>\n<p><em>Nascida e criada no Rio, D\u00e9sir\u00e9e Poets est\u00e1 realizando seu doutorado na Universidade de Aberystywh, Pa\u00eds de Gales, onde tamb\u00e9m concluiu seu mestrado em Pol\u00edticas P\u00f3s-Coloniais. Seus interesses s\u00e3o mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas urbanas, atualmente com foco em ra\u00e7a e etnia nos espa\u00e7os urbanos.<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English O passado colonial do Brasil criou um panorama s\u00f3cio-pol\u00edtico no qual as quest\u00f5es de ra\u00e7a e etnia continuam a ser problem\u00e1ticas. 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