{"id":13361,"date":"2015-01-28T11:57:55","date_gmt":"2015-01-28T14:57:55","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=13361"},"modified":"2024-06-20T16:29:31","modified_gmt":"2024-06-20T19:29:31","slug":"documentando-a-resistencia-entrevista-com-jason-ohara-diretor-de-estado-de-excecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=13361","title":{"rendered":"Documentando a Resist\u00eancia: Entrevista com Jason O&#8217;Hara, diretor de &#8220;Estado de Exce\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1tB7jjS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>O papel da m\u00eddia e observadores internacionais de trazer visibilidade \u00e0 injusti\u00e7as e abusos no Rio de Janeiro se tornou de suma import\u00e2ncia nos \u00faltimos anos, com a cidade abrigando uma s\u00e9rie de megaeventos designados para o consumo global, muitas vezes \u00e0s custas dos direitos de\u00a0moradores locais. O cineasta documentarista <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1EB1RSI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jason O&#8217;Hara<\/a> tem estado na linha de frente desses esfor\u00e7os, trabalhando colaborativamente com as comunidades do Rio para contar suas hist\u00f3rias de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1piRAgk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resist\u00eancia<\/a> e documentar abusos de direitos humanos desde 2010. Agora, com mais de 300 horas de filmagem documentando <a href=\"http:\/\/bit.ly\/X51Qvb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">remo\u00e7\u00f5es<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/12hqS0g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">protestos<\/a>\u00a0e a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1i0t9Hc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia\u00a0policial<\/a> que definem as prepara\u00e7\u00f5es do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo e os Jogos Ol\u00edmpicos,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1vN5AXg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O&#8217;Hara realizou\u00a0uma campanha de crowdfunding (plataforma de financiamento colaborativo) para realizar o document\u00e1rio <em>Estado de Exce\u00e7\u00e3o<\/em><\/a>, no qual conta hist\u00f3rias essenciais e inspiradoras sobre a resist\u00eancia de comunidades cariocas nesse momento cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Leia a entrevista exclusiva do RioOnWatch com O&#8217;Hara sobre suas experi\u00eancias\u00a0e seu filme:<\/p>\n<h3>Nos conte um pouco sobre sua experi\u00eancia como cineasta. O que o levou a esse campo de trabalho, e quais foram algumas das suas inspira\u00e7\u00f5es, e trabalhos iniciais?<\/h3>\n<p><strong>Jason O\u2019Hara:\u00a0<\/strong><em>Crescendo no Canad\u00e1, eu fui muito inspirado pela tradi\u00e7\u00e3o do meu pa\u00eds de cinema pol\u00edtico. Particularmente pelo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/13EqsES\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">programa &#8216;Desafio por Mudan\u00e7a&#8217; do Conselho Nacional de Filmes do Canad\u00e1<\/a>, dos anos 60.<\/em><\/p>\n<p><em>Historiadores d\u00e3o cr\u00e9dito ao programa por ser o precursor de todo o movimento contempor\u00e2neo global de cinema participativo. O processo cinematogr\u00e1fico era abordado como exerc\u00edcios de capacita\u00e7\u00e3o nos quais tanto as ferramentas de produ\u00e7\u00e3o quanto as de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o eram colocadas nas m\u00e3os das comunidades, para que elas pudessem contar suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><em>Minha primeira incurs\u00e3o na m\u00eddia participativa foi organizando uma s\u00e9rie de workshops de fotografia em um n\u00famero de favelas na cidade de Belo Horizonte e nos munic\u00edpios vizinhos em 2007, utilizando uma metodologia que se tornaria famosa mais tarde pelo document\u00e1rio premiado &#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ruQdTq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nascidos em Bord\u00e9is<\/a>&#8220;.<\/em><\/p>\n<p><em>O ethos primordial dos projetos de arte participativa \u00e9 o reconhecimento de que a express\u00e3o criativa deve ser um direito humano fundamental, e ent\u00e3o esses projetos buscam atenuar algumas das barreiras estruturais que pro\u00edbem as pessoas de exercitarem esse direito.<\/em><\/p>\n<p><em>Em termos da minha pr\u00f3pria pr\u00e1tica document\u00e1ria, at\u00e9 agora eu completei dois curta-metragens de maneira independente. &#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1EB1KGK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Demur<\/a>&#8221; \u00e9 um curta de 15 minutos que eu filmei na minha cidade natal de Toronto em 2010, quando recebemos reuni\u00f5es do G8 e G20 em meio a uma situa\u00e7\u00e3o de lei marcial e liberdades civis comprometidas. Meu segundo document\u00e1rio, meu filme que virou tese de Mestrado em Artes Finas,\u00a0&#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/173aztY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ritmos da Resist\u00eancia<\/a>&#8220;, conta hist\u00f3rias de artistas que resistiram \u00e0 brutalidade policial em favelas do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/a-foto3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13363\" title=\"Do projeto fotogr\u00e1fico participat\u00f3rio em Belo Horizonte. Foto por C\u00e1ssia Silva de Almeida Santos.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/a-foto3.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/a-foto3.jpg 1772w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/a-foto3-416x264.jpg 416w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/a-foto3-620x394.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/a-foto3-1024x650.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Como voc\u00ea come\u00e7ou a fazer esse trabalho de documentar despejos e abusos de direitos humanos no Rio?<\/h3>\n<p><em>Tendo morado no Brasil duas vezes, e conhecendo o contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico do pa\u00eds&#8211;uma democracia relativamente nova, emergente de uma ditadura autorit\u00e1ria, com altos n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o tanto na\u00a0<\/em><em style=\"font-size: 13px;\">esfera privada como na p\u00fablica&#8211;eu estava profundamente preocupado com os impactos sociais negativos dos megaeventos, particularmente no Rio onde os dois mega espet\u00e1culos, a Copa do Mundo, e as Olimp\u00edadas, seriam sediados um em seguida do outro pela primeira vez na hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu comecei a pesquisar esses eventos e rapidamente descobri que\u00a0sediar as Olimp\u00edadas de 2004 precipitou sucessivas crises da d\u00edvida na Gr\u00e9cia. Eu aprendi sobre os milhares de pobres despejados e realocados em barracos inabit\u00e1veis na \u00c1frica do Sul para a Copa do Mundo de 2010, e os Jogos de 1976 no Canad\u00e1, estimado em um custo total de 120 milh\u00f5es de d\u00f3lares, mas que terminou custando 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares, deixando Montreal endividada por 30 anos. A cidade de Montreal terminou pagando a d\u00edvida das Olimp\u00edadas cobrando um imposto dos cidad\u00e3os no cigarro. Para mim, isso fornece a met\u00e1fora para o verdadeiro legado dos eventos nas cidades sede. Se a cidade \u00e9 deixada fumando cigarros ou lidando com servi\u00e7os p\u00fablicos inadequados ap\u00f3s fundos p\u00fablicos terem sido desviados para novos est\u00e1dios ou outra infraestrutura relacionada aos eventos, \u00e9 a cidade sede que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, acaba pagando pelos eventos.<\/em><\/p>\n<p><em>Enquanto eu estava preocupado com o Brasil, eu tamb\u00e9m sabia que uma cat\u00e1strofe social era dificilmente um fato consumado. Pelo contr\u00e1rio, a sociedade civil brasileira \u00e9 uma for\u00e7a a ser reconhecida como uma das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mais efetivas do planeta. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1vmkGyp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00f3rum Social Mundial<\/a> nasceu no Brasil, em Porto Alegre em 2001, sob o princ\u00edpio de que &#8220;outro mundo \u00e9 poss\u00edvel&#8221;. O Brasil tamb\u00e9m possui o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/16HcVx4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)<\/a>, um dos movimentos sociais mais bem sucedidos do mundo e amplamente estudado, e \u00e9 terra de Paulo Freire, cuja &#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/148N2GY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedagogia do Oprimido<\/a>&#8221; confirmou o poder democr\u00e1tico das classes marginalizadas do mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m disso, dada a cultura vibrante de resist\u00eancia pol\u00edtica no Brasil, o palco estava montado para o confronto de Davi e Golias, que constitui a narrativa principal do document\u00e1rio: a sociedade civil brasileira lutando contra os abusos ilegais de direitos humanos motivados pelos megaeventos.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13364\" title=\"Grafite em protesto a remo\u00e7\u00f5es. Imagem cortesia de Jason O' Hara.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti.jpg\" alt=\"NO_EVICTIONSgraffiti\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti.jpg 1920w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti-469x264.jpg 469w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti-580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NO_EVICTIONSgraffiti-174x98.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Nessa \u00e9poca, quantas vezes voc\u00ea esteve no Rio, e quais foram alguns dos eventos que voc\u00ea filmou?<\/h3>\n<p><em>Desde 2010, eu viajei oito vezes para o Rio, filmando um total de 32 semanas de produ\u00e7\u00e3o. Durante esse tempo, eu testemunhei uma s\u00e9rie de despejos for\u00e7ados, e um n\u00famero de outros abusos de direitos humanos nas favelas do Rio. Eu estava no Rio em junho de 2013, quando a revolta civil em massa come\u00e7ou, e na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1yz3Tgo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Copa das Confedera\u00e7\u00f5es da FIFA<\/a> no mesmo m\u00eas, que foi para n\u00f3s no Rio, talvez a primeira vis\u00e3o da repress\u00e3o policial intensificada que acompanha o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1uhXW3g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estado de exce\u00e7\u00e3o<\/a>, precursor do que ver\u00edamos novamente um ano depois, durante a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WfaiMR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Copa do Mundo<\/a>.<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h3>Como voc\u00ea define &#8220;estado de exce\u00e7\u00e3o&#8221; e por que voc\u00ea escolheu esse nome para o filme?<\/h3>\n<p><em>Um &#8220;estado de exce\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 um quadro legal tempor\u00e1rio que suspende o Estado de Direito, e estrangula as liberdades civis, tais como o direito de livre circula\u00e7\u00e3o e de protesto. Milhares de fam\u00edlias foram desalocadas \u00e0 for\u00e7a no Rio e em outros lugares do Brasil, apesar das leis internacionais, federais\u00a0e locais inequ\u00edvocas que pro\u00edbem tal deslocamento. O estado de exce\u00e7\u00e3o se justifica pelo oportunismo necess\u00e1rio para se preparar para eventos sens\u00edveis ao tempo, que n\u00e3o podem arriscar os poss\u00edveis atrasos do devido processo legal.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu escolhi esse t\u00edtulo para o filme porque o &#8220;estado de exce\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 realmente a funda\u00e7\u00e3o de todos os abusos de direitos humanos que tendemos a ver com esses eventos espetaculares. Se \u00e9 a opress\u00e3o\u00a0das liberdades civis dos cidad\u00e3os, tais como liberdade de express\u00e3o e o direito de protestar durante o evento, ou os despejos ilegais que ocorrem nos anos antes dos eventos, as leis que em outro momento protegeriam os direitos dos cidad\u00e3os s\u00e3o, para todos os efeitos, suspensas.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13365\" title=\"Policial durante a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es. Imagem cortesia de Jason O'Hara.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2.jpg 1920w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2-469x264.jpg 469w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2-580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/CONFEDERATIONSfinal2-174x98.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Sobre o que \u00e9 o filme?<\/h3>\n<p><em>Enquanto os despejos for\u00e7ados na comunidade d\u00e3o o pano de fundo do filme, a hist\u00f3ria \u00e9 realmente sobre a resist\u00eancia das comunidades contra esse processo, ent\u00e3o esse document\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma\u00a0<\/em><em style=\"font-size: 13px;\">hist\u00f3ria triste. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma hist\u00f3ria inspiradora sobre as comunidades que se levantam por seus direitos e lutam.<\/em><\/p>\n<p><em>Os protagonistas no filme s\u00e3o v\u00edtimas de uma injusti\u00e7a significativa, mas eu n\u00e3o estou interessado em retrat\u00e1-los como v\u00edtimas. Sua hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 nunca de v\u00edtimas sem esperan\u00e7a. Ao inv\u00e9s disso, essas s\u00e3o hist\u00f3rias inspiradoras sobre a resili\u00eancia humana, sobre pessoas confrontando uma adversidade extraordin\u00e1ria para garantir seus direitos.<\/em><\/p>\n<h3>Quais t\u00eam sido seus maiores desafios ao realizar esse projeto?<\/h3>\n<p><em>Sem d\u00favida, o maior desafio em realizar esse projeto tem sido financiar o filme. Por que muitas emissoras (e anunciantes que as mant\u00e9m) possuem acordos com a FIFA e as Olimp\u00edadas, essa hist\u00f3ria \u00e9 uma batata quente t\u00e3o pol\u00edtica, marginalizada pelos modelos tradicionais de financiamento\u00a0<\/em><em style=\"font-size: 13px;\">e distribui\u00e7\u00e3o. Como uma emissora me disse em termos inequ\u00edvocos logo depois do in\u00edcio do projeto em 2010: &#8220;Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria realmente importante, mas n\u00e3o vamos tocar nela com uma vara de 10 metros&#8221;. Eu planejava ter terminado o filme agora. Mas, devido \u00e0 natureza do conte\u00fado&#8211;sendo cr\u00edtico dos dois maiores eventos transmitidos no planeta&#8211;eu tive uma enorme dificuldade em encontrar apoio e agora estou enfrentando mais de 300 horas de filmagem, at\u00e9 ent\u00e3o sem\u00a0qualquer financiamento para a p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, por falta de qualquer outra op\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amos recentemente uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1vN5AXg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">campanha de financiamento colaborativo<\/a>, pedindo que a sociedade civil se juntasse\u00a0\u00e0 nossa comunidade e apoiasse\u00a0o projeto, buscando levantar um or\u00e7amento m\u00ednimo para a p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o, para terminar o filme antes das <a href=\"http:\/\/bit.ly\/PkLXlQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olimp\u00edadas de 2016<\/a>. Fomos bem-sucedidos, captando os $22.000 necess\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<h3>Quais t\u00eam sido as experi\u00eancias mais marcantes durante a documenta\u00e7\u00e3o dos despejos e o &#8220;estado de exce\u00e7\u00e3o&#8221; no Rio? Existem momentos ou situa\u00e7\u00f5es que se destacam?<\/h3>\n<p><em>Na minha primeira visita ao Rio em 2010, eu acordei um dia com a mensagem de amigos da organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/on.fb.me\/18c5iij\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comunidades Catalisadoras<\/a> de que um despejo for\u00e7ado estava ocorrendo na comunidade de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1sURG6a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila Taboinha<\/a>, na Zona Oeste. Eu corri para o local para encontrar a entrada da comunidade com\u00a0<\/em><em>barricadas: homens, mulheres e crian\u00e7as se recusando a permitir a passagem dos tratores. N\u00e3o foi muito antes da pol\u00edcia do Rio ser chamada e o que aconteceu depois virou cena corriqueira: bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, balas de borracha, toda a for\u00e7a estatal brasileira em cima de homens, mulheres e crian\u00e7as que se mantiveram corajosamente em defesa da comunidade.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13366\" title=\"Moradores de Taboinha resistem remo\u00e7\u00e3o. Imagem cortesia de Jason O'Hara.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance.jpg 1920w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance-469x264.jpg 469w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance-580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/taboinha_entrance-174x98.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Apesar da for\u00e7a brutal, a pol\u00edcia estava em desvantagem num\u00e9rica e a comunidade desafiante, ent\u00e3o ao final do dia a pol\u00edcia foi for\u00e7ada a recuar. Foi uma pequena vit\u00f3ria. Tr\u00eas dias depois, com a maior parte das pessoas da comunidade no trabalho, a pol\u00edcia voltou, dessa vez sem a resist\u00eancia da comunidade nem <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1IY3d8F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a presen\u00e7a da m\u00eddia<\/a>. Os tratores come\u00e7aram a derrubar as casas. Trabalhando com um amigo ativista, n\u00f3s respondemos ao chamado de emerg\u00eancia e come\u00e7amos a gravar assim que chegamos no local. Fomos abordados imediatamente pelo chefe da pol\u00edcia, que gritou na minha cara: &#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 para o mundo ver&#8221;. Eu discordei. A pol\u00edcia come\u00e7ou a antagonizar e fomos rapidamente cercados pela comunidade, que veio em nossa defesa, diversos deles filmando tudo no celular, novo instrumento de registro. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1IY3d8F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A intimida\u00e7\u00e3o foi rapidamente revertida e a pol\u00edcia for\u00e7ada a se retirar<\/a>. Fomos levados por membros da comunidade que nos acompanharam de um lugar seguro para outro, esperando a pol\u00edcia ir embora.<\/em><\/p>\n<p><em>Foi nesse dia na Vila Taboinha que o projeto do document\u00e1rio nasceu. A comunidade estava confrontando o que parecia uma situa\u00e7\u00e3o sem solu\u00e7\u00e3o e viu minha c\u00e2mera como um facho de esperan\u00e7a em meio a uma situa\u00e7\u00e3o desesperadora. O incidente demonstrou claramente o poder emergente do jornalismo cidad\u00e3o, novo registro sendo criado por testemunhas infal\u00edveis, que s\u00e3o os v\u00eddeos e c\u00e2meras de celular.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13367\" title=\"Moradora de Taboinha conta sua hist\u00f3ria. Imagem cortesia de Jason O'Hara.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA.jpg 1920w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA-469x264.jpg 469w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA-580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/EDNAamidstrubble_TABOINHA-174x98.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Voc\u00ea se machucou durante um protesto no Rio em julho do\u00a0ano passado. Voc\u00ea pode falar um pouco sobre isso? Como isso aconteceu? E quais foram as consequ\u00eancias disso para o projeto e para voc\u00ea, pessoalmente?<\/h3>\n<p><em>O estado de exce\u00e7\u00e3o nunca\u00a0foi mais evidente do que naquele dia&#8211;final da Copa do Mundo&#8211;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nbaAlp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quando o Rio de Janeiro viu uma das maiores mobiliza\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito e da Pol\u00edcia Militar desde a ditadura<\/a>. N\u00e3o eram os cidad\u00e3os que a pol\u00edcia estava protegendo. Ficou claro que eles estavam protegendo a FIFA e os interesses dos mercados globais associados \u00e0 ela.<\/em><\/p>\n<p><em>A pol\u00edcia colocou ativistas e m\u00eddia em quarentena, usando a mesma t\u00e1tica que vimos a pol\u00edcia usar em Toronto durante o G20: ningu\u00e9m pode entrar na \u00e1rea p\u00fablica delimitada, ningu\u00e9m pode sair. O cart\u00e3o de mem\u00f3ria da minha c\u00e2mera estava cheio e eu me encostei em uma parede para mudar o cart\u00e3o. Uma fila de policiais militares estava correndo e um girou o cassetete na minha dire\u00e7\u00e3o, e imediatamente outros vieram e eu comecei a levar golpes de todos os lados. Um dos oficiais arrancou a c\u00e2mera GoPro presa no meu capacete, e outro foi para o golpe final: um chute no rosto. Eu fui deixado no ch\u00e3o para ser tratado por m\u00e9dicos e logo fui para o hospital levar pontos.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13369\" title=\"Jason O'Hara foi atacado por PMs. Imagem cortesia de Jason O'Hara.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2.jpg 1920w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2-469x264.jpg 469w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2-580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/videoSEQ2-174x98.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o havia nada particularmente especial sobre o meu caso. Eu havia testemunhado muitos ataques n\u00e3o provocados do tipo por policiais em protestos anteriores. No entanto, nessa ocasi\u00e3o eu era um &#8220;gringo&#8221; privilegiado sendo atacado e a hist\u00f3ria foi <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1xbSfZl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">manchete internacional<\/a>. O fato de esse incidente relativamente pequeno ter ganhado tanta aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia internacional \u00e9 emblem\u00e1tico das desigualdades contra as quais os brasileiros estavam protestando nas ruas naquele dia&#8211;a transforma\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio urbano do Rio e do Brasil para servir pessoas como eu, turistas internacionais, \u00e0s custas das pessoas que moram l\u00e1.<\/em><\/p>\n<h3>O que voc\u00ea sente que \u00e9 seu papel como documentarista ao cobrir essas situa\u00e7\u00f5es?<\/h3>\n<p><em>\u00c9 dito normalmente que nosso papel como documentarista \u00e9 ser testemunha, e ao fazer isso, dividir o que testemunhamos com uma audi\u00eancia maior que est\u00e1 privada dessas experi\u00eancias atrav\u00e9s de imagens e sons capturados por nossos equipamentos de grava\u00e7\u00e3o. Pessoalmente, eu acho que tal descri\u00e7\u00e3o imparcial \u00e9 um pouco evasiva. Essa no\u00e7\u00e3o do observador neutro \u00e9 um legado das conven\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas: a ideia de que todas as hist\u00f3rias devem ser &#8220;justas e equilibradas&#8221;. A abordagem participativa\u00a0de cinema da qual eu fa\u00e7o uso\u00a0v\u00ea o processo de contar hist\u00f3rias como uma colabora\u00e7\u00e3o, onde eu estou muito engajado na realidade que estou documentando. Isso n\u00e3o dispensa a import\u00e2ncia de ser justo, mas eu acho que precisamos acabar com essa no\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de &#8220;equil\u00edbrio&#8221;, como se o mundo de cinzas sutis pudesse ser reduzido a preto e branco.<\/em><\/p>\n<p><em>O cinema documental \u00e9 muito mais do que somente testemunhar, \u00e9 uma arte de contar hist\u00f3rias&#8211;construindo hist\u00f3rias engajadoras que conectem com a plat\u00e9ia. H\u00e1 algo muito humano sobre a experi\u00eancia de assistir a um document\u00e1rio. Nos conectamos com os &#8220;personagens&#8221; na narrativa, apesar de todas as nossas diferen\u00e7as culturais e sociais. Vemos nossa pr\u00f3pria humanidade refletida neles e nas suas lutas. Ent\u00e3o, eu vejo meu papel como o de trazer essas hist\u00f3rias para um p\u00fablico\u00a0<\/em><em>internacional, para que n\u00e3o percebam essas hist\u00f3rias como trag\u00e9dias que ocorrem em terras distantes, mas como injusti\u00e7as com causas bem definidas, que ocorrem com pessoas muito parecidas. As pessoas na tela compartilham de esperan\u00e7as e sonhos semelhantes \u00e0s pessoas na plat\u00e9ia, e elas est\u00e3o sendo vitimizadas pelas circunst\u00e2ncias, nas quais somos colocados como consumidores desses eventos espetaculares.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13368\" title=\"Imagem cortesia de Jason O'Hara.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001.jpg 1280w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001-469x264.jpg 469w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001-580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/559_3057_01.MP4.Still001-174x98.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Na sua opini\u00e3o, tendo documentado os cinco anos antes da Copa do Mundo e das Olimp\u00edadas, quais impactos esses megaeventos tiveram na cidade do Rio de Janeiro e nas favelas?<\/h3>\n<p><em>Eu acho que a cr\u00edtica<\/em><em>\u00a0<\/em><em><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1wvWqtU\">Helen Lenskyj<\/a><\/em><em>\u00a0resume de maneira apropriada os impactos sociais de sediar megaeventos: &#8220;Esses projetos, massivos em escopo e escala, custam tantos bilh\u00f5es de d\u00f3lares p\u00fablicos e deixam para tr\u00e1s legados amb\u00edguos. Quase todo megaevento global resultou em perdas financeiras para o pa\u00eds sede, pausa tempor\u00e1ria do processo democr\u00e1tico, produ\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os militarizados e de exclus\u00e3o, deslocamento residencial e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente<\/em><em>&#8220;.<\/em><\/p>\n<p><em>As queixas no Rio t\u00eam sido m\u00faltiplas: milhares de fam\u00edlias sendo expulsas de suas casas (normalmente com viol\u00eancia, pela pol\u00edcia que atira g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e balas de borracha); gastos excessivos na constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios ou outras infraestruturas relacionadas ao evento, enquanto servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos, como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/14lMZGK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">saneamento b\u00e1sico<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kzUmMv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sa\u00fade<\/a> e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1acNApR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">educa\u00e7\u00e3o<\/a> continuam sendo mal financiados; e a militariza\u00e7\u00e3o das favelas no Rio, atrav\u00e9s do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/R5ueio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">programa de &#8220;pacifica\u00e7\u00e3o&#8221;<\/a>.<\/em><\/p>\n<h3>O que voc\u00ea sonha para o filme &#8220;Estado de Exce\u00e7\u00e3o&#8221;?<\/h3>\n<p><em>Eu quero que o filme acorde as pessoas para os abusos de direitos humanos flagrantes que s\u00e3o deixados na esteira desses eventos que tanto reverenciamos: a Copa do Mundo da FIFA e os Jogos\u00a0<\/em><em>Ol\u00edmpicos. Enquanto assistimos esses eventos do conforto de nossas casas, bares e restaurantes em\u00a0<\/em><em>cidades ao redor do mundo, n\u00e3o dever\u00edamos esquecer o custo real de criar esse espet\u00e1culo. Brasileiros v\u00e3o lidar com o legado desses eventos por anos.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 importante reconhecer que o document\u00e1rio \u00e9 apenas um elemento de um momento global muito maior que busca iluminar essas hist\u00f3rias n\u00e3o contadas, um esfor\u00e7o mais amplo no qual o RioOnWatch e outros grupos contribuem ativamente todos os dias. Juntos, buscamos levar essas hist\u00f3rias para o mundo, pois essa loucura tem que parar. N\u00f3s j\u00e1 estamos vendo abusos semelhantes na R\u00fassia e no Qatar, antes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, e podemos esperar o mesmo em outros eventos futuros. Onde houver um estado de exce\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma ampla oportunidade para abuso, pois as leis que proibem esses abusos deixam de ser aplicadas. Onde h\u00e1 oportunidades, h\u00e1 oportunistas, ent\u00e3o os abusos de direitos humanos que estamos vendo s\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica dessa din\u00e2mica.<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma quantia de dinheiro t\u00e3o extraordin\u00e1ria envolvendo esses eventos, seria t\u00e3o f\u00e1cil fazer bom uso dele. O tempo \u00e9 curto, as leis j\u00e1 est\u00e3o nos livros, n\u00e3o deveria haver exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para a FIFA, nem para o COI. Vamos manter o jogo bonito, e insistir nos padr\u00f5es mais b\u00e1sicos de dec\u00eancia humana para aqueles organizando esses eventos espetaculares.<\/em><\/p>\n<p>Para saber mais sobre o filme Estado de Exce\u00e7\u00e3o e apoiar o projeto, visite a p\u00e1gina de crowdfunding <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1vN5AXg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English O papel da m\u00eddia e observadores internacionais de trazer visibilidade \u00e0 injusti\u00e7as e abusos no Rio de Janeiro se tornou de suma import\u00e2ncia nos \u00faltimos anos, com a cidade abrigando uma <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=13361\" title=\"Documentando a Resist\u00eancia: Entrevista com Jason O&#8217;Hara, diretor de &#8220;Estado de Exce\u00e7\u00e3o&#8221;\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":137,"featured_media":13362,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1618,1614,1635,346,1388,344,342],"tags":[772,389,88,1240,78,304,774,763,14,432,442,52,184],"writer":[777],"translator":[1342],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-13361","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-olhonaparticipacao","8":"category-olhonasremocoes","9":"category-1635","10":"category-denuncias","11":"category-formas-de-apoiar","12":"category-politicas","13":"category-solucoes","14":"tag-copa-das-confederacoes","15":"tag-copa-do-mundo","16":"tag-direitos-humanos","17":"tag-megaeventos","18":"tag-olimpiadas","19":"tag-participacao","20":"tag-policia-militar","21":"tag-protesto","22":"tag-remocao","23":"tag-resistencia","24":"tag-vila-taboinha","25":"tag-violencia-policial","26":"tag-zona-oeste","27":"writer-rioonwatch","28":"translator-patricia-monteiro"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - 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