{"id":16516,"date":"2015-11-03T10:08:36","date_gmt":"2015-11-03T13:08:36","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=16516"},"modified":"2017-12-13T00:53:27","modified_gmt":"2017-12-13T03:53:27","slug":"a-linguagem-da-favela-parte-2-o-dialeto-e-o-estigma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=16516","title":{"rendered":"A Linguagem da Favela Parte 2: O Dialeto e o Estigma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Wvrv0E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 a segunda de uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1LiSfzK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00e9rie de tr\u00eas partes<\/a> sobre a linguagem falada nas periferias do Rio de Janeiro. N\u00e3o deixe de ler a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zakVi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parte 1<\/a>\u00a0e a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/27bj6FX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parte 3<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, as\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1OKE065\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">representa\u00e7\u00f5es dominantes na m\u00eddia<\/a> e na cultura popular representam as favelas como centros de crime, drogas e viol\u00eancia. A percep\u00e7\u00e3o dominante \u00e9 que as favelas s\u00e3o um problema para a cidade. Estas posi\u00e7\u00f5es imp\u00f5em \u00e0s comunidades e seus moradores um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/P4itK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estigma<\/a> de exclus\u00e3o e criminalidade pressuposta, encorajando os membros da elite de se distanciarem e discriminarem essas comunidades mais pobres.<\/p>\n<p>Em agosto, por exemplo, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1LXeHx5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15 jovens de favela foram detidos enquanto iam para a praia<\/a>\u00a0por conta da apar\u00eancia deles,\u00a0simplesmente. Um jovem de 17 anos do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/19t7wK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jacarezinho<\/a>, na Zona Norte, <a href=\"http:\/\/glo.bo\/1JfaIH5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disse<\/a>: \u201cTiraram &#8216;n\u00f3s&#8217; do \u00f4nibus pra sentar no ch\u00e3o sujo e entrar na Kombi. Acham que &#8216;n\u00f3s&#8217; \u00e9 ladr\u00e3o s\u00f3 porque &#8216;n\u00f3s&#8217; \u00e9 preto&#8221;.<\/p>\n<p>Esse grande abismo social \u00e9 refletido e tamb\u00e9m perpetuado pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1RkmsgM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">linguagem<\/a>. Conforme dito na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zakVi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parte 1<\/a>, o dialeto padr\u00e3o de uma regi\u00e3o \u00e9 definido pelo grupo social dominante. Diferentes dialetos pela cidade indicam imediatamente a classe social do interlocutor, significando que aqueles que falam os dialetos perif\u00e9ricos, como a linguagem da favela, acabam carregando este estigma negativo associado \u00e0 sua comunidade onde quer que abram a boca. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zakVi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os ricos que falam o linguajar padr\u00e3o<\/a>\u00a0conseguem mascarar esse preconceito utilizando um padr\u00e3o lingu\u00edstico que exclui os dialetos falados em comunidades carentes. Isso os permite excluir os moradores dessas comunidades da sociedade, preservando o status-quo social.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/pm-jovens-praia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-16542 size-content\" title=\"Jovens proibidos de ir \u00e0 praia. Foto de Marcelo Theobold \/ Extra \/ Ag. Globo\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/pm-jovens-praia-620x264.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/pm-jovens-praia-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/pm-jovens-praia-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que ter uma linguagem padr\u00e3o e regulada em uma regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o problema: as pessoas precisam disto para se comunicarem de forma efetiva, para entender os sistemas pol\u00edticos e legais, e para acessar a m\u00eddia e a cultura liter\u00e1ria que integram a identidade nacional. Entretanto, a ideia que existe apenas um meio leg\u00edtimo de se comunicar \u00e9 problem\u00e1tico e excludente. A <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1JJMlQM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Academia Brasileira de Letras<\/a>, por exemplo, foi fundada em 1896 por um grupo de 40 escritores e poetas e \u00e9 uma sociedade sem fins lucrativos encarregada de \u201ccuidar da l\u00edngua portuguesa\u201d. Sua primeira publica\u00e7\u00e3o \u00e9 o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1FXrMzX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa<\/a>, que funciona de forma similar a um dicion\u00e1rio: logo, se as palavras n\u00e3o estiverem inclu\u00eddas no Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico, s\u00e3o consideradas \u201cerradas\u201d. Uma lista de vocabul\u00e1rio desenvolvida por membros da elite liter\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma forma de opress\u00e3o. O problema vem da forma como esse conceito refinado de linguagem \u00e9 explorado para discriminar e excluir as pessoas que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os e oportunidades.<\/p>\n<blockquote><p><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zakVi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os ricos que falam o linguajar padr\u00e3o<\/a>\u00a0conseguem mascarar esse preconceito utilizando um padr\u00e3o lingu\u00edstico que exclui os dialetos falados em comunidades carentes. Isso os permite excluir os moradores dessas comunidades da sociedade, preservando o status-quo social.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para Alexandre Lucena, conhecido como Play, morador da favela de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/13ZsHgY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acari<\/a> na extrema <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WximDf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a>, a linguagem anda de m\u00e3os dadas com a exclus\u00e3o social: \u201cSe eles n\u00e3o nos aceitam como pessoa, como eles v\u00e3o aceitar nossa linguagem como v\u00e1lida? Ent\u00e3o come\u00e7a da\u00ed. Na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mNsDyk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a>\u00a0eles n\u00e3o me aceitam, porque eu tenho um jeito de falar, uso g\u00edria como palavra. Mas meu dialeto \u00e9 esse, n\u00e3o tem como mudar. Justo por isso, eles n\u00e3o me aceitam&#8221;.<\/p>\n<p>Play faz eco ao argumento do linguista Dennis R. Preston que escreveu que \u201cningu\u00e9m tem uma linguagem \u2018fora do padr\u00e3o\u2019 ou \u2018abaixo do padr\u00e3o\u2019, <a href=\"http:\/\/nyti.ms\/1FaDmNn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ao menos que eles sejam classificados como seres humanos \u2018fora ou abaixo do padr\u00e3o\u201d<\/a>. A distin\u00e7\u00e3o entre um modo \u2018certo\u2019 e \u2018errado\u2019 de falar portugu\u00eas pode ser uma forma simples de racionalizar a discrimina\u00e7\u00e3o e a desumaniza\u00e7\u00e3o trocando o foco para a linguagem, a qual os membros das classes mais ricas usam de forma a demonstrar superioridade e de se segregarem das popula\u00e7\u00f5es pobres. Em uma entrevista sobre o assunto, um funcion\u00e1rio p\u00fablico expressou uma vis\u00e3o bastante comum: \u201cAgora quem nasceu aqui e cresceu, se n\u00e3o sabe falar a conjuga\u00e7\u00e3o certa do portugu\u00eas \u00e9 porque \u00e9 ignorante e porque n\u00e3o teve estudo. T\u00e1 falando uma outra l\u00edngua, t\u00e1 falando portugu\u00eas errado\u201d.<\/p>\n<p>Desqualificar a linguagem da favela como \u201cerrada\u201d rotula seus interlocutores como quem n\u00e3o pertence, e nega sua participa\u00e7\u00e3o na mesma sociedade. O entrevistado continuou: \u201cO portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua muito dif\u00edcil. O portugu\u00eas tem muitas chances de voc\u00ea errar. Cada verbo tem 20 conjuga\u00e7\u00f5es diferentes\u201d. Isto d\u00e1 espa\u00e7o para o julgamento da capacidade intelectual dos interlocutores \u2018abaixo do padr\u00e3o\u2019, contribuindo para maior exclus\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ABR100913_DSC2117.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-16543 size-content\" title=\"A Academia Brasileira de Letras\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ABR100913_DSC2117-620x264.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ABR100913_DSC2117-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ABR100913_DSC2117-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O medo da ruptura da ordem social existente afasta a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zakVi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">linguagem da favela<\/a> de ser aceita e faz com que os membros da elite insistam no uso ultraconservador das regras gramaticais. Mano Zeu, um poeta da Zona Norte, disse: \u201cOs caras ainda v\u00e3o fazer muita resist\u00eancia para aceitar, e assimilar, e absorver a nossa linguagem porque para eles \u00e9 entendida como regresso. Muita gente fala isso\u201d. Ironicamente, um dos efeitos da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1FLw1nJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">exclus\u00e3o<\/a> \u00e9 a continuidade da falta de acesso \u00e0s ferramentas educacionais necess\u00e1rias para a ado\u00e7\u00e3o do dialeto padr\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>O problema vem da forma como esse conceito refinado de linguagem \u00e9 explorado para discriminar e excluir as pessoas que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os e oportunidades&#8230;Ironicamente, um dos efeitos da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1FLw1nJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">exclus\u00e3o<\/a> \u00e9 a continuidade da falta de acesso \u00e0s ferramentas educacionais necess\u00e1rias para a ado\u00e7\u00e3o do dialeto padr\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>O estigma impede que a linguagem das favelas seja vista como nada mais que uma corrup\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas dominante. As formas com que ela quebra as conven\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas s\u00e3o lidas como sinais de desordem e de caos mais do que de criatividade e inova\u00e7\u00e3o. As realidades da vida nas favelas que se refletem nas <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zakVi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">formas n\u00e3o-ortodoxas de linguagem<\/a> inspiram medo ao inv\u00e9s de compreens\u00e3o. Interjei\u00e7\u00f5es como &#8220;bum&#8221;, &#8220;pum&#8221;, &#8220;b\u00e1&#8221; e &#8220;p\u00e1&#8221; imitam sons de tiros e socos, por exemplo, o que acaba por assustar os ouvintes de fora da comunidade ao inv\u00e9s de comunicar como \u00e9 naturalizado o ambiente de viol\u00eancia no qual os moradores vivem.<\/p>\n<p>Como resultado, a distin\u00e7\u00e3o entre os moradores e as <a href=\"http:\/\/bit.ly\/NRIxaP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fac\u00e7\u00f5es criminosas<\/a> que controlam algumas comunidades \u00e9 usualmente ignorada. Em julho desse ano, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1gG5JqG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um jovem foi preso<\/a> por estar cantando uma m\u00fasica de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kKdVRX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">funk<\/a>. A can\u00e7\u00e3o descrevia a tensa rela\u00e7\u00e3o entre a pol\u00edcia e as fac\u00e7\u00f5es criminosas na favela de\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BzE4e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cidade de Deus<\/a>, e cant\u00e1-la em p\u00fablico foi considerado apologia ao crime pelos policiais que realizaram a pris\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/apafunk.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-16544 size-content\" title=\"MCs de Funk\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/apafunk-620x264.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/apafunk-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/apafunk-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O funk \u00e9 uma express\u00e3o da vida na favela utilizando a linguagem da favela, descrevendo a realidade do dia a dia que inclui o tr\u00e1fico de drogas, presen\u00e7a constante em algumas comunidades. Ao inv\u00e9s de ser entendido como uma natural e inevit\u00e1vel express\u00e3o dessa realidade, o funk \u00e9 geralmente julgado como um endossamento da criminalidade. Essa estigmatiza\u00e7\u00e3o ficou expl\u00edcita com a pris\u00e3o do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Opz7jN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MC Did\u00f4<\/a> do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/U0MiGm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Alem\u00e3o<\/a>, em dezembro passado, quando um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1iIwU6e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">representante da pol\u00edcia explicou<\/a> que \u201cquando um MC vai a um baile funk e canta o nome do Comando Vermelho, ou o nome da fac\u00e7\u00e3o, ele est\u00e1 trabalhando para os traficantes&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>A distin\u00e7\u00e3o entre um modo \u2018certo\u2019 e \u2018errado\u2019 de falar portugu\u00eas pode ser uma forma simples de racionalizar a discrimina\u00e7\u00e3o e a desumaniza\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma indisposi\u00e7\u00e3o em olhar para al\u00e9m dos esteri\u00f3tipos dominantes impede que os falantes dos dialetos perif\u00e9ricos sejam integrados \u00e0 sociedade. A estigmatiza\u00e7\u00e3o da linguagem retira o direito \u00e0 uma vis\u00e3o positiva sobre si mesmo, conforme Play explica: \u201cMeu corpo aguenta um tiro de fuzil mas minha moral n\u00e3o sustenta algu\u00e9m falando &#8216;n\u00e3o, tu t\u00e1 errado&#8217;\u201d. Entretanto, conforme a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zakVi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parte 1<\/a> explicou, a linguagem da favela demonstra a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1piRAgk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resist\u00eancia<\/a> \u00e0 exclus\u00e3o e permite que os moradores reafirmem sua identidade e se posicionem como membros inteligentes e resilientes da sociedade.<\/p>\n<p>\u201cA linguagem \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o que \u00e9 fundamentada nos pilares da divis\u00e3o de classe. Ela s\u00f3 vai ser aceita, s\u00f3 vai mudar, quando a gente mudar um pouquinho esta realidade,\u201d diz Wesley Del\u00edrioBlack, um rapper de Acari. Felizmente, conforme a linguagem da favela ganha mais exposi\u00e7\u00e3o pelas artes, tais como a literatura, a m\u00fasica e a poesia, ela ganha maior reconhecimento e aceita\u00e7\u00e3o. A Parte 3 ir\u00e1 discutir o processo e o modo como essas formas de arte est\u00e3o legitimando as linguagens perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 a segunda de uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1LiSfzK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00e9rie de tr\u00eas partes<\/a> sobre a linguagem falada nas periferias do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n<p><i>Gitanjali Patel \u00e9 graduada em Espanhol e Portugu\u00eas pela Universidade de Oxford e atualmente trabalha como pesquisadora especializada em linguagem, cultura e sociedade brasileira. Ao longo dos \u00faltimos anos vem pesquisando estrat\u00e9gias anti-corrup\u00e7\u00e3o na America Latina.<\/i><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Essa \u00e9 a segunda de uma s\u00e9rie de tr\u00eas partes sobre a linguagem falada nas periferias do Rio de Janeiro. N\u00e3o deixe de ler a Parte 1\u00a0e a Parte 3. 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