{"id":18634,"date":"2016-03-09T11:42:14","date_gmt":"2016-03-09T14:42:14","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=18634"},"modified":"2024-05-24T12:41:03","modified_gmt":"2024-05-24T15:41:03","slug":"rede-de-maes-contra-a-violencia-do-estado-uma-entrevista-com-monica-cunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=18634","title":{"rendered":"Rede de M\u00e3es Contra a Viol\u00eancia do Estado: Uma Entrevista com M\u00f4nica Cunha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1QHoVDK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Rt79jV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Relat\u00f3rio Anual Estado dos Direitos Humanos no Mundo<\/a>\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1YeDmk9\"><span style=\"font-weight: 400;\">lan\u00e7ado pela Anistia Internacional<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> no m\u00eas passado descreve a impunidade cont\u00ednua no Brasil quanto \u00e0\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1i0t9Hc\"><span style=\"font-weight: 400;\">viol\u00eancia policial<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e o aumento no n\u00edvel de viol\u00eancia policial, de moda geral, especificamente no estado do Rio de Janeiro. Ano passado, mais de 3.000 pessoas em todo o pa\u00eds foram mortas por policiais em servi\u00e7o, representando um aumento de 37% em rela\u00e7\u00e3o a 2013, de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1YeDmk9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">acordo com a Anistia Internacional<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00f4nica Cunha perdeu seu filho, Rafael da Silva Cunha, dez anos atr\u00e1s devido a viol\u00eancia policial quando ele tinha vinte anos. Desde o momento que Rafael entrou no sistema de medidas s\u00f3cio educativas\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">DEGASE\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">quando ele tinha quinze anos, M\u00f4nica tem sido ativa na luta pela reforma deste sistema e em apoiar outras m\u00e3es com filhos nesta situa\u00e7\u00e3o.\u00a0Sentamos com M\u00f4nica na sede da <span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1On4Hwl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Viol\u00eancia<\/a>\u00a0<\/span><\/span><span class=\"s1\">para conversar sobre sua vida, seu caminho na milit\u00e2ncia, sua lideran\u00e7a, o movimento pela reforma do sistema penal e as alegrias e os desafios de ser mulher no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a entrevista, M\u00f4nica aconselhou um membro da Rede num caso de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1TKaCRA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/a>, recebeu uma liga\u00e7\u00e3o sobre o nascimento de um beb\u00ea\u2014em suas palavras \u201cmais uma mulher negra guerreira para a luta\u201d\u2014e parabenizou uma t\u00e9cnica trabalhando no internet por ser uma mulher num campo dominado por homens. Confira a entrevista exclusiva do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">RioOnWatch<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> com M\u00f4nica para o Dia Internacional da Mulher.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch:\u00a0<b>Onde voc\u00ea nasceu?<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong>Eu nasci aqui no Rio, eu nasci em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1QJnyVP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Botafogo<\/a>. Eu brinco com minhas amigas que eu sou uma menina da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mNsDyk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Zona Sul<\/a>, mas eu j\u00e1 completei 51 anos e eu fui morar l\u00e1 na\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/NjmYR6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Baixada<\/a>, na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WximDf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Zona Norte<\/a>, enfim, na Zona Sul s\u00f3 nasci e fiquei s\u00f3 at\u00e9 os 15 anos.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>O que \u00e9 a Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Viol\u00eancia?<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong>Esse espa\u00e7o ele \u00e9 constitu\u00eddo por m\u00e3es e familiares que t\u00eam seus entes queridos <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zLJ2W9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">assassinados pelo Estado<\/a>. A Rede nasceu a partir de uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1QJlokN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">chacina h\u00e1 12 anos<\/a>, no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/ZKW86Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Morro do Borel<\/a>.\u00a0<\/span><span class=\"s1\">A primeira mobiliza\u00e7\u00e3o recebeu o o nome\u00a0de \u201cPosso Me Identificar\u201d. Foi uma chacina na qual foram assassinados cinco jovens que n\u00e3o tiveram nem condi\u00e7\u00f5es de se identificar. [Os policiais] taxaram no peito destes homens que eles eram bandidos, que eles eram\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/NRIxaP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">traficantes<\/a> e os mataram. E n\u00e3o eram. Eram s\u00f3 jovens, moradores do Borel que foram assassinados por policiais. Todas essas pessoas, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">familiares e amigos <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de v\u00edtimas de chacina, se sentiram sensibilizadas e <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">revoltadas por\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">estarem morrendo, a toda hora,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">pessoas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> nas suas favelas e resolveram se juntar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A Rede tem esse espa\u00e7o, que \u00e9 um espa\u00e7o longe de comunidade, longe da favela, longe de lugares que sejam perigosos. \u00c9 um lugar neutro. Porque a gente aqui n\u00e3o tem separa\u00e7\u00e3o por fac\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe isso de que \u201cs\u00f3 vou receber a v\u00edtima de tal lugar\u201d. N\u00e3o! Aqui tem v\u00edtima de todo o Estado de Rio de Janeiro. Voc\u00ea sofreu algum<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1MsmVsX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viola\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0<\/span><span class=\"s1\">pelo Estado morando dentro do Estado de Rio de Janeiro, voc\u00ea pertence a Rede Contra a Viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">E a ideia da rede tamb\u00e9m \u00e9 de ser\u00a0parceiro de n\u00facleos que est\u00e3o nascendo dentro das favelas que est\u00e3o dando apoio dentro da favela aos\u00a0familiares dos\u00a0que s\u00e3o assassinados. A partir do momento que eles acolhem, eles entram em contato conosco e a gente entra numa parceria, tratamos de fazer esse encaminhamento juntos. Ent\u00e3o isso \u00e9 muito bacana, sair um pouco aqui da centraliza\u00e7\u00e3o. A\u00a0Rede n\u00e3o tem que ser uma centralidade. Ela \u00e9, mas tem que fazer aquela coisa ampla:\u00a0tem que ensinar a pr\u00f3pria favela como lidar com suas v\u00edtimas, e isso a Rede vem fazendo<b>.\u00a0<\/b>Ent\u00e3o isso tamb\u00e9m \u00e9 uma expectativa para 2016 e 2017, porque hoje tem alguns n\u00facleos, j\u00e1 tem em\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/ZC9b6z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Manguinhos<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">, <\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/12onlyE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cantagalo<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">, <\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/U0MiGm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alem\u00e3o,<\/a> <a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/11x89ZX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">, <\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/ZKW86Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Borel<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">, <\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/19t7wK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jacarezinho<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">, mas a gente quer dar continuidade a outros.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Monica-telefone.png\" rel=\"attachment wp-att-18663\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-18663\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Monica-telefone-620x264.png\" alt=\"Monica telefone\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>De quais outras formas a Rede presta socorro \u00e0s fam\u00edlias?<\/b><\/h3>\n<p><strong>Monica:<\/strong> <span style=\"font-weight: 400;\">As vezes, precisamos acolher algu\u00e9m de imediato que est\u00e1 sofrendo alguma viola\u00e7\u00e3o, alguma persegui\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 sendo amea\u00e7ado. Ent\u00e3o a gente acolhe aqui por um, dois dias. Para conseguir outro lugar para essa pessoa ir. Ent\u00e3o, \u00e9 uma coisa imediata\u2026 a gente pega mais as amea\u00e7as por parte da pol\u00edcia, isso \u00e9 real, porque as vezes a pessoa que foi vitimizada, quer realmente falar, quer realmente mostrar, quer apontar quem foi e acaba se prejudicando. E muitas vezes nem passou a vitimiza\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria pele, mas viu um vizinho, viu uma outra pessoa e est\u00e1 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">cansada<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> de ver aquilo, ent\u00e3o agora tem que falar. E acontece que ela est\u00e1 arriscando a pr\u00f3pria vida. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Por que o Estado que te mata vai te proteger?<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Qual seguran\u00e7a voc\u00ea tem? O Estado j\u00e1 teve um programa de prote\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que hoje em dia, \u00e9 um fracasso. A gente n\u00e3o pode confiar mesmo.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: P<b>or que voc\u00ea est\u00e1 na Rede? Por que est\u00e1 na luta?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span class=\"s1\">Eu fa\u00e7o parte do nascimento da Rede. Mas n\u00e3o porque na \u00e9poca eu tinha um ente querido assassinado. Eu sou m\u00e3e de tr\u00eas filhos homens, com muito orgulho<i>.<\/i>\u00a0E fui m\u00e3e com muito orgulho do Rafael da Silva Cunha, que aos 15 anos, se tornou um adolescente autor de ato infracional. E assim come\u00e7a minha milit\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Mas nessa \u00e9poca, eu tinha uma vida diferenciada desses familiares dos adolescentes autores de ato infracional.\u00a0Eu era considerada classe m\u00e9dia, meus filhos estudavam em col\u00e9gio particular. Eu tinha uma estrutura financeira razo\u00e1vel, ent\u00e3o achava que isso n\u00e3o ia acontecer nunca comigo, que n\u00e3o me pertencia<b>.<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">S\u00f3 que a gente tamb\u00e9m sabe que tem uma parte dessa sociedade que\u00a0tem a vulnerabilidade de se\u00a0tornar autor de ato infracional com mais facilidade, pela dificuldade da vida. Por mais que eu esteja falando dessa estrutura\u00a0que eu tinha, eu era uma m\u00e3e solteira. Eu que levava o sustento para os meus filhos, ent\u00e3o eu tinha que sair todos os dias. Esse pa\u00eds \u00e9 um pais machista e ainda sofremos preconceito com isso, ent\u00e3o comigo n\u00e3o foi diferente. Como eu tive que ser m\u00e3e solteira no sentido de sair para trabalhar para sustentar-lhes, eles ficaram sozinhos. E como eles n\u00e3o eram mais crian\u00e7as, eram adolescentes, tiveram que se moldar sozinhos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ent\u00e3o eu tive esse dissabor de ter um filho dentro do sistema\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1OYRneN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">DEGASE<\/a>\u00a0<\/span><span class=\"s1\">(Departamento Geral de A\u00e7\u00f5es Socioeducativas), que me levou a conhecer uma realidade que eu n\u00e3o conhecia. De fato eu n\u00e3o sabia que existia<b>.\u00a0<\/b>Porque \u00e9 muito f\u00e1cil quando voc\u00ea s\u00f3 v\u00ea na televis\u00e3o ou l\u00ea jornal.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ent\u00e3o comecei a entender tudo que hoje eu entendo mais um pouco: Quais eram as raz\u00f5es que levavam esses adolescentes a serem autores de atos infracionais? S\u00e3o diversas raz\u00f5es. \u00c9 o desamor, sim.\u00a0Porque a mulher que trabalha muito que tem tudo nas suas costas.\u00a0Porque a mulher tem que ter m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o essas m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o lhe d\u00e1 o direito de ficar livre 24 horas lambendo sua cria, olhando sua cria, como dever\u00edamos. Porque n\u00e3o temos essas oportunidades, temos que lutar nesse pa\u00eds capitalista a todo momento. Tudo tem um pre\u00e7o, tudo tem um valor, voc\u00ea vale quanto pesa, ent\u00e3o voc\u00ea acaba prejudicando a quem mais ama: nossa fam\u00edlia, nossos filhos, que a gente teve por amor. Isso aconteceu comigo.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>Como foi o seu processo de entrar na milit\u00e2ncia?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:<\/strong> Eu tive que entender esse processo na minha vida, tive que conhecer o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nvQxQx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estatuto da Crian\u00e7a e de Adolescente<\/a>, tive que saber que o adolescente mesmo ele sendo autor de ato infracional, ele tem direitos. E n\u00e3o era um bandido como as pessoas me falaram. Ele n\u00e3o era um monstro, ele n\u00e3o era um bicho. Eu n\u00e3o pari um bicho, eu n\u00e3o pari um monstro, eu pari um ser humano. Eu pari uma crian\u00e7a, que veio com muito amor, muito carinho. Eu dei muito amor, eu fiz tudo como qualquer outra mulher faz.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ent\u00e3o a partir da\u00ed, com esse meu interesse, com esse meu empenho, eu fui entrando na milit\u00e2ncia. N\u00e3o era minha inten\u00e7\u00e3o. A minha inten\u00e7\u00e3o era tirar meu filho da situa\u00e7\u00e3o de ser um autor de ato infracional. Era livrar meu filho daquele sistema. Essa era minha inten\u00e7\u00e3o, mas acabei que eu fui me abrindo. A gente sempre \u00e9 uma lideran\u00e7a porque quem manda em casa \u00e9 a mulher. Essa era minha lideran\u00e7a dentro de minhas quatro paredes ali na minha vidinha. N\u00e3o nasci uma mulher lideran\u00e7a de movimento, n\u00e3o nasci uma mulher que inspira outras no sentido de ir \u00e0 luta pelos seus direitos. S\u00f3 depois essa mulher nasceu, o que me deixou orgulhosa.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/M\u00f4nica-Cunha-na-sede-do-Rede-1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-18651\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-18651 size-content\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/M\u00f4nica-Cunha-na-sede-do-Rede-1-620x264.jpg\" alt=\"M\u00f4nica Cunha na sede do Rede\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>RioOnWatch: <b>Quais foram as primeiras coisas que voc\u00ea percebeu visitando a unidade DEGASE?<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><\/span><span class=\"s1\">Eu vi nas filas que existiam tr\u00eas coisas que me chamaram a aten\u00e7\u00e3o. A primeira era a cor, todas\u00a0eram\u00a0negras igual a mim.\u00a0Ent\u00e3o, logo eu percebi, que mulheres negras s\u00e3o as que mais sofrem e s\u00e3o os filhos dessas mulheres negras que ficavam encarcerados. A segunda \u00e9 que eram mulheres que tinham baixa escolaridade<i>,<\/i>\u00a0tinham at\u00e9 sabedoria de vida porque todas trabalhavam, mas tinham baixa<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1acNApR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escolaridade<\/a>, elas n\u00e3o sabiam ler. Eu tinha escolaridade um pouco mais alta, naquela \u00e9poca eu s\u00f3 tinha o ensino fundamental. Hoje, eu completei ensino m\u00e9dio e tenho o t\u00e9cnico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o numa pedra eu comecei ler o Estatuto para as outras m\u00e3es. Porque um agente me deu o Estatuto e disse que ali estariam as respostas para minhas perguntas.\u00a0<\/span><span class=\"s1\">A\u00ed eu comecei a ler sozinha e realmente percebi a necessidade delas tamb\u00e9m saberem. Eu perguntava: \u2018S\u00f3 eu tenho que saber? Meu filho n\u00e3o est\u00e1 ai sozinho!\u2019\u00a0As outras tamb\u00e9m t\u00eam que saber. Eu ia para essa pedra, pedia para elas chegarem cedo, todas com nossas coisas que lev\u00e1vamos para nossos filhos: refrigerante, biscoito, almo\u00e7o e tal. Coloc\u00e1vamos nossas bolsas no ch\u00e3o, e fic\u00e1vamos em p\u00e9. Eu ficava em p\u00e9 na pedra e lia o Estatuto, s\u00f3 no que diz ao respeito ao autor de ato infracional.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Enfim,\u00a0e a outra coisa que eu percebi, pai naquele momento n\u00e3o existia. Tinha uma fila de 40 a 50 m\u00e3es, tias, av\u00f3s, e tinha dois ou tr\u00eas pais. Ent\u00e3o cad\u00ea esses homens? A presen\u00e7a deles faz diferen\u00e7a. E eles n\u00e3o est\u00e3o nessa hora, eles se escondem, eles s\u00e3o covardes. N\u00e3o s\u00f3 o Estado nos viola, nos humilha, nos oprime, mas tamb\u00e9m os homens que s\u00e3o pais dos filhos, \u00e9 raro que eles estejam com a gente, \u00e9 raro que eles sejam parceiros, que de fato sejam pais, amigos, companheiros. Ent\u00e3o veio todo esse processo.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>E como \u00e9 que ler o Estatuto para as outras m\u00e3es se transformou no Movimento Moleque?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica<\/strong>:<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O Estatuto fala no artigo 227 que todo ser humano, todo adolescente, toda crian\u00e7a, tem\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/1iqdzi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">direitos<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">, a ter\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/1rKFP6K\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">moradia<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\"> digna, a ter <\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/15capNT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escolaridade<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">,\u00a0<\/span><span class=\"s1\">a ter conviv\u00eancia com a fam\u00edlia. Por mais que ele tenha cometido algum ato infracional, ele n\u00e3o pode ser tratado igual a um bandido, ele n\u00e3o cumpre pena, e as medidas socioeducativas s\u00e3o para ressocializar esse adolescente para sociedade. Ent\u00e3o a partir dali houve um divisor de \u00e1guas, n\u00e3o s\u00f3 para mim, mas para elas. A gente entendeu o que tinha nos acontecido e a partir desses artigos do Estatuto, a gente come\u00e7ou a se questionar: Por que? Por que quando um morador de favela \u00e9 esculachado pela pol\u00edcia, n\u00e3o \u00e9 uma coisa sem querer. Por que isso n\u00e3o acontece no\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/1OKB9XY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leblon<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">? Isso tem um porqu\u00ea. Ent\u00e3o \u00e9 esse porqu\u00ea que voc\u00ea tem que buscar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O Estado tira nossos filhos, o Estado tira nosso dinheiro, o Estado nos oprime, mas ele n\u00e3o tira nosso conhecimento.\u00a0Ele s\u00f3 tira quando nos mata.\u00a0E o saber que n\u00f3s temos quando se une com o saber universit\u00e1rio se torna muito mais forte, mesmo quando as m\u00e3es e os familiares n\u00e3o t\u00eam o saber universit\u00e1rio. O saber das m\u00e3es \u00e9 muito forte, porque ela carrega no seu corpo, na sua alma, na sua pele, a dor de ser violentada. Ent\u00e3o o que essa mulher tem para falar e tem para mostrar, \u00e9 muito rico, porque \u00e9 ela que faz a diferen\u00e7a. Ent\u00e3o assim nasceu o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> <a href=\"http:\/\/on.fb.me\/1LbJlEx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Movimento Moleque<\/a>, que n\u00e3o tem seu pr\u00f3prio espa\u00e7o e \u00e9 um dos movimentos que a Rede acolhe.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Monica-palestrando-1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-18662\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-18662\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Monica-palestrando-1-620x264.jpg\" alt=\"Monica palestrando\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<h3>RioOnWatch:<b>E qual \u00e9 sua perspectiva sobre DEGASE?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span class=\"s1\">O DEGASE deveria ser uma unidade ressocializadora. Acho que n\u00e3o \u00e9, que pelo contr\u00e1rio, ele prepara aquele adolescente para virar, n\u00e3o \u00e9 nem um bandido, mas um autor de ato infracional. N\u00e3o \u00e9 bandido, n\u00e3o, que bandidos est\u00e3o em Bras\u00edlia. Bandido t\u00e1 l\u00e1, de colarinho branco, gravata\u2026 aquele \u00e9 bandido. N\u00e3o, as unidades DEGASE, elas preparam o adolescente para vir a ser assassinado.\u00a0E que hoje a coisa est\u00e1 t\u00e3o ruim, que os meninos nem est\u00e3o tendo que entrar na unidade DEGASE porque est\u00e3o morrendo antes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">N\u00e3o \u00e9 para tornar-se bandido, n\u00e3o tem como tornar-se bandido, [estes meninos] n\u00e3o s\u00e3o donos do tr\u00e1fico. N\u00e3o s\u00e3o eles que pegam as drogas em casa, n\u00e3o s\u00e3o eles que v\u00e3o pegar as armas de tr\u00e1fico, n\u00e3o s\u00e3o. Esses meninos, eles mal conhecem a favela em que moram. Eles nem saiem para ir no shopping perto da casa deles. Como \u00e9 que eles v\u00e3o l\u00e1 no Paraguai, na Col\u00f4mbia pegar armas, pegar drogas. N\u00e3o s\u00e3o os bandidos que a sociedade acha e pensa.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>E onde foi criado o Rafael? Como ele era? O que ele gostava de fazer?<\/b><\/h3>\n<p><strong>Monica:<\/strong>\u00a0Rafael foi criado na Zona Norte, ali no Riachuelo.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Olha, o Rafael era lindo, era um sarar\u00e1 de olho verde, lind\u00edssimo. Adorava\u00a0viver. N\u00f3s t\u00ednhamos uma coisa em comum, nos \u00e9ramos do signo de virgem. E \u00e9 uma caracter\u00edstica de virgem gostar de viver. Isso meu filho tinha, era mulherengo demais, mas na medida poss\u00edvel era respeitador. Realmente. Ele n\u00e3o acreditava que adolescentes poderiam ser ressocializados, porque quando ele passou naquele sistema ele viu o absurdo que era. Ele dizia para mim: \u201cM\u00e3e ningu\u00e9m sai dali, ningu\u00e9m consegue sair dali, para trabalhar, para uma vida normal\u201d. Enfim, era carinhoso, dia das m\u00e3es eu lembro, ele puxava o bonde para de manh\u00e3 me dizer feliz dia das m\u00e3es, chegava correndo com uma coisa que tinha feito na escola, correndo com presentinho ali na frente, queria ser o primeiro a entregar o presente. Enfim, era meu parceiro, era meu amigo sabe? Foi a primeira pessoa com quem eu fui a um baile\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/bit.ly\/1kKdVRX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">funk<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">. N\u00e3o que os outros n\u00e3o sejam, mas ele era mais.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch:\u00a0<b>Como \u00e9 que\u00a0ele morreu? Como aconteceu?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span class=\"s1\">Meu filho foi assassinado no dia 5 de dezembro de 2006. De joelho, no bairro do Riachuelo, que tem duas favelas,<\/span> <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1DE9l5a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rato Molhado<\/a>\u00a0<span class=\"s1\">e Jacar\u00e9. Ele foi assassinado ali entre uma favela e a outra. De joelho no meio da rua por policiais civis. N\u00e3o foi uma troca de tiro, porque eles at\u00e9 tentaram colocar isso no boletim como\u00a0<\/span>\u201c<em><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1PLQDx5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">auto de resist\u00eancia<\/a><\/em>\u201d,\u00a0<span class=\"s1\">mas n\u00e3o foi auto de resist\u00eancia, foi execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria mesmo, porque \u00e9 execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria quando uma pessoa est\u00e1 de joelho e tem uma pessoa por cima de outra com a arma. Ele se chamava Rafael da Silva Cunha e ele tinha na \u00e9poca 20 anos. Ele se tornou autor de ato infracional com 15 e foi assassinado com 20. Ele durou cinco anos nessa vida.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch:\u00a0<b>Quais foram os impactos\u00a0da morte do Rafael na sua vida?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span class=\"s1\">Na \u00e9poca, foi um baque muito grande para todos n\u00f3s. Mas imagine para mim que j\u00e1 estava nesse movimento, e que tinha quase certeza que meu filho serviria de li\u00e7\u00e3o para os outros. Ent\u00e3o, quando ele foi assassinado, eu fiquei perdida no tempo e n\u00e3o tomei as provid\u00eancias que hoje eu fa\u00e7o quest\u00e3o, que eu aconselho, oriento, para que todas as m\u00e3es tomem, que \u00e9 adquirir a justi\u00e7a. Eu n\u00e3o fiz isso no meu caso, n\u00e3o por fraqueza, n\u00e3o por medo, n\u00e3o por covardia, e sim por ter ficado muito abalada, muito muito muito. Me isolei, por mais que eu j\u00e1 pertencesse a um movimento, mas eu fiz quest\u00e3o de me isolar mesmo, de n\u00e3o deixar ningu\u00e9m se aproximar de mim. Entrei numa depress\u00e3o profund\u00edssima. Tinha um ca\u00e7ula, que hoje tem 22 anos, mas na \u00e9poca tinha 12. Ent\u00e3o, tentei suprir ele como um meio para esquecer e os anos foram passando.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Al\u00e9m da dor ser profunda\u2013\u2018ah n\u00e3o \u00e9 uma dor f\u00edsica\u2019, \u00e9 uma dor f\u00edsica sim, vou te dizer que \u00e9\u2013dor na minha alma, dor nos meus ossos, dor na minha cabe\u00e7a\u2013eu adquiri doen\u00e7as reais. Eu digo que o Estado colocou um kit de depress\u00e3o, s\u00edndrome de p\u00e2nico, c\u00e2ncer, enfim. Foi um kit.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>Qual foi o impacto na sua fam\u00edlia e na sua comunidade?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span class=\"s1\">Ah, muito grande. Muito grande. O impacto \u00e9 desesperador. Para todos. Eu namorava com o pai dele, mas na \u00e9poca\u2026 enfim, voc\u00ea fica querendo buscar culpados. N\u00e3o s\u00f3 o Estado, mas aquele primeiro momento voc\u00ea fica querendo buscar culpados tamb\u00e9m entre os seus e si mesma. Voc\u00ea se sente culpada porque voc\u00ea n\u00e3o estava naquela hora, voc\u00ea n\u00e3o estava ali para pegar a m\u00e3o da pol\u00edcia e tirar a arma dele. Voc\u00ea sente culpada porque n\u00e3o morava com o pai, enfim\u2026 Ele tamb\u00e9m podia fazer uma coisa se estivesse do meu lado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ent\u00e3o \u00e9 tanta culpabiliza\u00e7\u00e3o que voc\u00ea coloca em si. Por eu na \u00e9poca ter m\u00e3e, pai, tio, eu culpei todo mundo que n\u00e3o me ajudou. Porque eu fiquei muito sozinha para tentar tirar ele dos atos infracionais. Ent\u00e3o quando ele foi assassinado eu fiquei meio revoltada com o mundo. E foi onde me recusei a buscar apoio naquele momento e foi quando eu adquiri as doen\u00e7as. N\u00e3o \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o adquire doen\u00e7as quando voc\u00ea tem apoio, porque a dor \u00e9 muito profunda, mas eu adquiri de um modo mais forte ainda.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>E como \u00e9 que voc\u00ea conseguiu\u00a0continuar na luta apesar\u00a0dessa dor toda?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span class=\"s1\">Eu tive que fazer dessa luta uma luta de verdade porque voc\u00ea olha para voc\u00ea mesma e olha para um filho pequeno e v\u00ea que ele necessita de voc\u00ea. E tamb\u00e9m porque o celular j\u00e1 existia, e tinha as m\u00e3es me ligando, dizendo que precisavam de mim, precisavam da minha for\u00e7a. Ent\u00e3o, foi isso que foi me tirando do buraco. Eu fui adquirindo for\u00e7a para estar de novo na luta. E fui, meio capenga porque inteira n\u00e3o vou ser nunca. Mas eu digo que felicidade assim n\u00f3s n\u00e3o temos. Temos momentos felizes. Mas temos que sobreviver, porque depois que voc\u00ea perde um filho, voc\u00ea sobrevive, todo dia vai ser um dia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Eu sou m\u00e3e de mais dois filhos, tenho seis netos. Meu neto mais velho est\u00e1 com 15 anos, minha ca\u00e7ulinha, Valentina, tem 2 meses. T\u00eam todas essas pessoas que eu amo muito, que eu quero ver crescer, que eu quero ver casar, nas quais eu quero acreditar. E eu preciso acreditar que a minha fam\u00edlia pode seguir num fluxo normal. Que eu tenho meus filhos, para casarem, crescerem, ter sua maturidade e sair da casa da mam\u00e3e, construirem suas fam\u00edlias, enfim, o ciclo normal da vida. N\u00e3o quero acreditar que aquilo que me aconteceu, que ter um filho assassinado, que morreu antes de mim, seja normal. Isso n\u00e3o \u00e9 normal, o normal n\u00e3o \u00e9 isso.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Para ir at\u00e9 aqui hoje, eu preciso desse povo. Eu preciso estar aqui, eu preciso estar junta delas. Que hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais uma coisa s\u00f3 porque eu admiro, n\u00e3o. \u00c9 porque eu necessito. Eu n\u00e3o sei fazer outra coisa, e eu n\u00e3o sei viver sem estar junto desse movimento.\u00a0Esse movimento me acolhe, esse movimento me mant\u00e9m viva. Com esse movimento, cada vez mais eu aprendo, e cada vez mais eu posso repassar. \u00c9 o movimento que nos sustenta para nos manter de p\u00e9. Porque todos n\u00f3s temos outros filhos, todos n\u00f3s temos fam\u00edlias.\u00a0N\u00f3s somos esposas, somos amantes, somos mulheres, algumas t\u00eam forma\u00e7\u00e3o superior, somos trabalhadeira, somos av\u00f3s, somos tias. Como \u00e9 que continua a vida? S\u00f3 essa uni\u00e3o nos faz continuar.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/11205127_828966260521765_1650953806014229892_n.jpg\" rel=\"attachment wp-att-18655\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-18655 size-content\" title=\"M\u00f4nica, segunda da direita, com parentes de v\u00edtimas de viol\u00eancia policial\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/11205127_828966260521765_1650953806014229892_n-620x264.jpg\" alt=\"11205127_828966260521765_1650953806014229892_n\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/11205127_828966260521765_1650953806014229892_n-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/11205127_828966260521765_1650953806014229892_n-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>RioOnWatch: <b>O que voc\u00ea acha que \u00e9 diferente na experi\u00eancia da <\/b><b><i>mulher<\/i><\/b><b> no ativismo? Quais s\u00e3o os desafios, os benef\u00edcios?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span class=\"s1\">N\u00f3s acreditamos que a mulher, ela pode mudar sua hist\u00f3ria\u2013ela pode mudar. Como isso tem que acontecer? \u00c9 trazendo esse conhecimento, \u00e9 tirando aquela mulher de dentro da sua casa e mostrar que ela tem como se empoderar, mostrar para ela um Estatuto, mostrar a Constitui\u00e7\u00e3o, mostrar para ela todos esses org\u00e3os que existem, mostrar para ela que ela tem que cobrar, mostrar para ela que o p\u00fablico somos n\u00f3s. O p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 uma coisa abstrata, o p\u00fablico somos n\u00f3s! Que esse dinheiro p\u00fablico \u00e9 tirado de nossos bolsos. Ent\u00e3o essa mulher ela faz a diferen\u00e7a, com seu filho, com seu marido.\u00a0Ela tem que buscar. A meta principal do Moleque e a Rede \u00e9 essa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u00c9 colocar essa mulher, ela mesmo, na frente da batalha. A mulher empoderada grita pelos seus direitos, pelos seus filhos, pelo seu marido. Quando\u00a0o\u00a0marido\u00a0est\u00e1\u00a0preso, quem visita \u00e9 a mulher. Quando o filho est\u00e1 preso, quem visita \u00e9 a mulher. Quando seu filho morre, a primeira a chegar no cemit\u00e9rio \u00e9 a mulher. Ent\u00e3o essa mulher briga pelos seus direitos, pelo seu ser.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">E a vontade \u00e9 poder nascer de novo para o conhecimento. Porque quando essa mulher come\u00e7a a conhecer os seus direitos, a conhecer os seus caminhos, essa mulher muda. E ela n\u00e3o s\u00f3 faz, ela re\u00fane multid\u00f5es de outras mulheres, sua filha, sua prima. Faz um caf\u00e9, faz um lanche, e j\u00e1 vai repassando o que ela aprendeu. Ent\u00e3o \u00e9 essa experi\u00eancia de troca que temos. Eu acho fabuloso, eu acho muito rico. A mulher nunca quer ficar com um conhecimento que aprende s\u00f3 para ela, a mulher ela faz quest\u00e3o de repassar pro outro. E sem conhecer, sem ter v\u00ednculo! Ela est\u00e1 no ponto do \u00f4nibus e v\u00ea voc\u00ea chorando, j\u00e1 vai!<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>E os desafios?<\/b><\/h3>\n<p><strong>Monica:<\/strong>\u00a0Olha, o desafio \u00e9 ser mulher nesse pa\u00eds de hoje. De sempre, de hoje n\u00e3o, de sempre. Hoje, t\u00e1 um pouco melhor. Est\u00e1 um pouco melhor porque temos acesso ao conhecimento. Antes, n\u00e3o t\u00ednhamos, antes \u00e9ramos totalmente boicotadas, pelo pai, pelo av\u00f4, depois pelo marido, e at\u00e9 mesmo pelo filho quando ele virava homem. E hoje n\u00e3o, hoje n\u00f3s vamos mesmo. Pode ter boicote, mas a gente vai. A gente se re\u00fane, a mulher faz panela\u00e7o, mas assim \u00e9 dif\u00edcil ser m\u00e3e, muito dif\u00edcil. E principalmente ser mulher negra, a\u00ed \u00e9 mais dif\u00edcil. Porque a mulher negra ainda traz, na cor do seu corpo, a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1KiFeTl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">discrimina\u00e7\u00e3o racial<\/a>,\u00a0<span class=\"s1\">porque ter no seu corpo a cor negra ainda \u00e9 um desafio muito maior. Voc\u00ea tem que todo dia provar que voc\u00ea \u00e9 mulher negra, mas \u00e9 trabalhadeira, t\u00eam direitos, e tem direito de viver, de parir. Tem direito de criar seus filhos, tem direito de trabalhar e ganhar tamb\u00e9m um sal\u00e1rio digno, tem direito de entrar para a pol\u00edtica. Ent\u00e3o o desafio ainda \u00e9 muito maior sendo mulher negra.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>O que voc\u00ea passaria como recado mais importante para um jovem frustrado com o estado das coisas ou interessado em se engajar com quest\u00f5es sociais?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ent\u00e3o eu acho que esse adolescente, esse jovem, ele tem que entender. Que lugar \u00e9 esse? Que cidade \u00e9 essa? Que uns podem, outro n\u00e3o?\u00a0Porque que o prefeito do Rio, ou o governador do estado do Rio de Janeiro, proibiu que jovens, crian\u00e7as e adolescentes que moram em favelas ou baixadas ou na Zona Norte do Rio de Janeiro,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ZrpHZ8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">frequentem as praias da Zona Sul<\/a>?\u00a0<\/span><span class=\"s1\">Por que ser\u00e1? Por que que o prefeito manda fazer po\u00e7as, n\u00e3o praia, po\u00e7as, l\u00e1 em Madureira, l\u00e1 em Ramos, porque ele \u00e9 bonzinho, que quer que nos divertirmos? N\u00e3o, porque eles querem fazer o apartheid.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ent\u00e3o quando esses jovens tiverem consci\u00eancia que eles s\u00e3o seres humanos, que eles t\u00eam direito, que a cidade, o Estado \u00e9 deles, a\u00ed a coisa muda. Ent\u00e3o quando os seres humanos, principalmente as mulheres, estiverem mais empoderadas, se colocarem mais, para tentar de uma vez por todas acabar com essa separa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea pode ter certeza, que tomaremos de fato o poder. Mas com consci\u00eancia, n\u00e3o para tomar o poder por tomar, e sim com consci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: <b>De que forma voc\u00ea gostaria de ver a presen\u00e7a da pol\u00edcia na comunidade, seu ideal de seguran\u00e7a p\u00fablica?<\/b><\/h3>\n<p><strong>Monica:<\/strong>\u00a0Primeiro, tirando a pol\u00edcia. Essa pol\u00edcia n\u00e3o \u00e9 de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1fRNcBs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">seguran\u00e7a p\u00fablica<\/a>, nem aqui nem na China.\u00a0<span class=\"s1\">Pelo amor de Deus. Para qu\u00ea pol\u00edcia na comunidade? Quando nasceu essa UPP, os planos que foram tra\u00e7ados no nascimento da UPP<\/span>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qvWRb2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foram muito bonitos<\/a>. Mas na pr\u00e1tica, isso virou um horror. Que essa <a href=\"http:\/\/bit.ly\/R5ueio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">UPP<\/a> nada mais \u00e9 que uma pol\u00edcia assassina. Ent\u00e3o n\u00e3o pode existir uma UPP dentro de col\u00e9gio dentro da favela para poder botar medo nos meninos e meninas estudantes.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Claro que vai ficar muito dif\u00edcil n\u00e3o existir policial dentro do Rio, dentro do Brasil. Eu acho que isso \u00e9 at\u00e9 uma utopia\u2026 mas, que n\u00e3o exista dessa forma, essa forma n\u00e3o funciona. Essa forma s\u00f3 mata, ela s\u00f3 mutila, ela s\u00f3 arrasa, ela s\u00f3 destr\u00f3i. Dessa forma n\u00e3o pode existir. E s\u00f3 tem um grupo dentro dessa sociedade que \u00e9 prejudicado\u2014<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1HShVBX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pobre, negro, e favelado<\/a>.\u00a0<span class=\"s1\">Ent\u00e3o isso \u00e9 s\u00f3 para n\u00f3s. Ent\u00e3o vamos come\u00e7ar experimentar a pol\u00edcia como ela \u00e9 para todos. Porque quando come\u00e7ar atingir eles da mesma forma como nos atinge, eu tenho certeza que eles v\u00e3o querer que seja diferente.<\/span><\/p>\n<h3>RioOnWatch: Gostaria de acrescentar m<b>ais alguma coisa?<\/b><\/h3>\n<p><strong>M\u00f4nica:\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Isso n\u00e3o \u00e9 normal.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">O Estado n\u00e3o pode matar na forma que ele est\u00e1 matando. O Estado n\u00e3o pode nos punir da forma que ele nos pune.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Porque esse recorte que o Estado faz, quando a gente v\u00ea esses assassinatos percebemos que \u00e9 muito grave e voc\u00ea tem certeza que voc\u00ea vive dentro de um Estado que \u00e9 racista, que \u00e9 <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1HShVBX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">genocida<\/a>.\u00a0<\/span><span class=\"s1\">Isso n\u00e3o quero para mim, n\u00e3o quero para meus netos, meus bisnetos. Eu quero uma mudan\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para voc\u00ea que eu quero uma utopia, que eu quero tudo rosa, tudo azul, nada disso. Mas eu quero um pa\u00eds justo, um pa\u00eds digno. [Rafael] era um ser humano igual a qualquer pessoa. No fim ele se tornou autor de ato infracional sim, mas nem por isso eu preciso ficar isolada, nem por isso eu tenho que estar perdida, nem por isso eu tenho que conviver com os meus dias como se fosse o fim do mundo, como se eu fosse uma aberra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, claro que n\u00e3o. Ent\u00e3o nisso eu acredito e nisso eu trabalho.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">E que nesse dia 08 de mar\u00e7o de 2016, que a mulherada, independente da cor e de onde mora, de fato se une. Que n\u00e3o permitam que as suas crian\u00e7as e os seus jovens sejam assassinados da forma que est\u00e1 acontecendo. Que de fato todas as mulheres tomassem para si, enquanto pertencimento, cada crian\u00e7a e cada jovem que morresse nesse Estado e sentissem como se fosse um dos seus. Um que voc\u00ea tivesse parido. Que a\u00ed sim a gente vai fazer a diferen\u00e7a, n\u00e3o olhando um menino desse na rua como um filho da outra, e sim como se fosse seu pr\u00f3prio filho. Quando a gente pega para si, a gente quer mudar. Quando a gente fala, \u2018olha ele \u00e9 do outro\u2019 a gente n\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia. \u00c9 isso.<\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English O Relat\u00f3rio Anual Estado dos Direitos Humanos no Mundo\u00a0lan\u00e7ado pela Anistia Internacional no m\u00eas passado descreve a impunidade cont\u00ednua no Brasil quanto \u00e0\u00a0viol\u00eancia policial e o aumento no n\u00edvel de viol\u00eancia <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=18634\" title=\"Rede de M\u00e3es Contra a Viol\u00eancia do Estado: Uma Entrevista com M\u00f4nica Cunha\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":129,"featured_media":18645,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1621,346,1629,1626,1620,1612],"tags":[3253,309,959,704,1696,2645,1431,876,88,1258,42,3061,31,1095,283,919,562,1364,30,920,52,218,383],"writer":[1791],"translator":[],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-18634","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaque","8":"category-denuncias","9":"category-entrevistas-e-perfis","10":"category-por-observadores-internacionais","11":"category-olhonaupp","12":"category-sociedade-civil","13":"tag-antirracismo","14":"tag-ativismo","15":"tag-baixada-fluminense","16":"tag-borel","17":"tag-botafogo","18":"tag-degase","19":"tag-dia-internacional-da-mulher","20":"tag-direitos-da-crianca","21":"tag-direitos-humanos","22":"tag-entrevista","23":"tag-genero","24":"tag-movimento-moleque","25":"tag-policia","26":"tag-rato-molhado","27":"tag-rede-contra-violencia","28":"tag-reforma-da-policia","29":"tag-trafico-de-drogas","30":"tag-violacoes","31":"tag-violencia","32":"tag-violencia-de-estado","33":"tag-violencia-policial","34":"tag-zona-norte","35":"tag-zona-sul","36":"writer-anna-cash"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - 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