{"id":21945,"date":"2016-09-08T08:40:37","date_gmt":"2016-09-08T11:40:37","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=21945"},"modified":"2024-06-20T16:25:44","modified_gmt":"2024-06-20T19:25:44","slug":"legados-olimpicos-reais-vs-legados-nao-cumpridos-no-rio-o-que-eles-nos-dizem-sobre-o-futuro-das-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=21945","title":{"rendered":"Legados Ol\u00edmpicos Verdadeiros Vs. Legados N\u00e3o Cumpridos no Rio: O que Nos Dizem Sobre o Futuro das Cidades?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c3Cizb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>A Diretora Executiva da\u00a0<a href=\"http:\/\/facebook.com\/comcat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comunidades Catalisadoras<\/a>\u00a0e Editora do <a href=\"http:\/\/www.rioonwatch.org\/\">RioOnWatch<\/a>, urbanista\u00a0Theresa Williamson, foi convidada a participar\u00a0na\u00a0s\u00e9rie <a href=\"https:\/\/opendemocracy.net\/openmovements\"><i>openMovements<\/i><\/a>\u00a0do openDemocracy. Leia\u00a0a mat\u00e9ria original publicada em ingl\u00eas no dia de inaugura\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos no Rio, no site da openDemocracy\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c3Cizb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>. \u00a0<\/em><\/p>\n<h3><b>A s\u00e9rie <\/b><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cIg7CA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><i>openMovements<\/i><\/b><\/a><b>\u00a0convida importantes cientistas sociais para compartilhar os resultados de suas pesquisas e perspectivas sobre as lutas sociais contempor\u00e2neas.<\/b><\/h3>\n<div class=\"entry-content\">\n<blockquote><p>A cidade altamente corporativa, que a prefeitura do Rio tentou criar, resultou na exacerba\u00e7\u00e3o de problemas urbanos espaciais, econ\u00f4micos e das desigualdades sociais. No entanto, isso est\u00e1 criando condi\u00e7\u00f5es para o Rio se tornar uma Cidade Singular. &#8211; Theresa Williamson<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1S8Zywg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nova Iorque<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> a <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nR4Z5X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Berlim<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, de <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nUZ7c6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hong Kong<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> a <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1K9rQUT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Londres<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, cada vez mais se registra conflitos entre duas concep\u00e7\u00f5es urbanas,\u00a0nos \u00faltimos anos. Primeiro, h\u00e1 aqueles que veem a cidade como fundamentalmente comercial, baseando a sua origem como um lugar de troca poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola&#8211;um lugar de economias de escala e de aglomera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, mais dramaticamente representado no conceito de <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nkjJZY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">cidade global<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Em seu extremo, os defensores dessa vis\u00e3o insistem que cidades s\u00e3o liga\u00e7\u00f5es essenciais em um sistema econ\u00f4mico global, e que \u00e9 isso que as torna importantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em segundo, h\u00e1 aqueles que vivenciam a cidade como preenchedora de uma necessidade humana por conex\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o social. &#8220;A cidade&#8230; \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o natural do instinto social que temos. As cidades nos definem. \u00c9 onde nascemos, somos educados, crescemos, casamos, onde rezamos e nos divertimos, onde envelhecemos e onde morremos&#8221;, explica o cientista pol\u00edtico Benjamin Barber. Essa perspectiva sobre a cidade est\u00e1 mais claramente representada por aqueles que lutam pelo reconhecimento e implementa\u00e7\u00e3o do <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/171FF4g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Direito \u00e0 Cidade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, como explicado por David Harvey:<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;O direito \u00e0 cidade \u00e9 muito mais do que a liberdade individual de acessar recursos urbanos: \u00e9 um direito de mudarmos a n\u00f3s mesmos mudando a cidade. \u00c9&#8230; um direito p\u00fablico mais do que um direito individual, uma vez que essa transforma\u00e7\u00e3o inevitavelmente depende do exerc\u00edcio de um poder coletivo para remodelar o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o. A liberdade de criar e recriar nossas cidades e a n\u00f3s mesmos \u00e9&#8230; um dos mais preciosos, mas tamb\u00e9m o mais negligenciado, dos nossos direitos humanos&#8221;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqueles que s\u00e3o inflex\u00edveis a respeito dessa vis\u00e3o ir\u00e3o argumentar que n\u00e3o h\u00e1 compatibilidade com a primeira vis\u00e3o, e que a localiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2crDTzn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">caminho para o futuro<\/a>.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0E pode-se argumentar que seja uma solu\u00e7\u00e3o central para muitos dos atuais dilemas do mundo, se quisermos acreditar, como <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1SovXPq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Barber insiste<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que as cidades&#8211;e n\u00e3o as na\u00e7\u00f5es&#8211;hoje s\u00e3o os lugares onde as decis\u00f5es mais importantes que afetam as vidas das pessoas s\u00e3o tomadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Rio de Janeiro, durante o per\u00edodo pr\u00e9-Ol\u00edmpico (2009-2016), a gangorra pendeu com for\u00e7a para o lado da abordagem altamente comercial. Uma enorme inje\u00e7\u00e3o de <\/span><a href=\"http:\/\/nyti.ms\/28WSNMY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> nas Olimp\u00edadas foi aplicada,\u00a0de uma s\u00f3 vez, quase que exclusivamente para investimentos que apoiam a vis\u00e3o n\u00famero 1. Como resultado, a natureza subjacente dessa abordagem e o conflito inerente entre essas vis\u00f5es se tornou palp\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<h2><b>Os supostos legados ol\u00edmpicos<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Possibilitados pelo <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1SlK5t0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">estado de exce\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> ocasionado pela realiza\u00e7\u00e3o de megaeventos no Rio, vimos investimentos em massa em constru\u00e7\u00e3o&#8211;de <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1CmjDp0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">campo de golfe<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> a moradias p\u00fablicas, de infraestrutura de transportes diversificada a empreendimentos de luxo, sem mencionar a infraestrutura Ol\u00edmpica&#8211; juntamente com a promo\u00e7\u00e3o galopante da <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Lz8h3y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria desenfreada<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1NcTCO5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">supress\u00e3o de vozes discordantes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e exclus\u00e3o de grupos de baixa renda, a constru\u00e7\u00e3o de museus como o Museu da Imagem e do Som e o <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1RTBEUi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Museu do Amanh\u00e3<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, e o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1T0EshR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uso de princ\u00edpios de marketing<\/a>\u00a0para justificar a crescente segrega\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, alimenta a desigualdade e o crime.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de alguns desses investimentos parecerem, superficialmente, apoiar a segunda vis\u00e3o apresentada (como os BRTs, moradias p\u00fablicas e cl\u00ednicas de fam\u00edlia), mediante uma observa\u00e7\u00e3o mais atenta, nota-se que cada um deles veio com custos significativos para os supostos benefici\u00e1rios, e <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ouFU1g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">a falta de consulta<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitiram uma conclus\u00e3o positiva decisiva a respeito dos impactos a serem alcan\u00e7ados. Por outro lado, tudo isso tem beneficiado fortemente <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1QrMqCw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">os interesses corporativos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> por tr\u00e1s desses investimentos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o prefeito, o Rio ganhou muito com o per\u00edodo pr\u00e9-Ol\u00edmpico. Essas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas com base em proje\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas gerais e \u00e0s vezes mal conduzidas, e expressas atrav\u00e9s de <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/pCVbUq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">declara\u00e7\u00f5es como esta, feita em 2011<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: &#8220;O impacto econ\u00f4mico bruto esperado dos Jogos de 2016 na economia brasileira \u00e9 de US$51,1 bilh\u00f5es&#8221;, em vez de olhar para a distribui\u00e7\u00e3o desses mesmos recursos (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Wv4wFO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">US$1 bilh\u00e3o, sozinho<\/a>, vai <a href=\"http:\/\/bbc.in\/1DEagFx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para um \u00fanico homem<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) ou esperar por resultados reais (como as proje\u00e7\u00f5es atuais que <\/span><a href=\"http:\/\/ti.me\/29FBJOT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">colocam a receita em US$4,5 bilh\u00f5es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma vez que o legado p\u00fablico prim\u00e1rio que pode ser apresentado gira em torno do transporte (para onde <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/21fTqUB\"><span style=\"font-weight: 400;\">55%<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0dos investimentos p\u00fablicos nas Olimp\u00edadas do Rio foram direcionados), os n\u00fameros s\u00e3o publicados refletindo o crescimento em <\/span><a href=\"http:\/\/bbc.in\/1QQodjr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">ciclovias<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1oudO6b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">corredores de \u00f4nibus<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1SY4TqR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">expans\u00e3o do metr\u00f4<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e a\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mObPIG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">disponibilidade de um novo modal, o VLT<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. \u00a0Contudo, ainda que um aumento dos modais seja f\u00e1cil de propagandear como um legado, o foco deveria ser sobre o impacto real que, como resumido pelo <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/21fTqUB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o brilhante assim: &#8220;A distribui\u00e7\u00e3o territorial dos investimentos em mobilidade previstos e realizadas at\u00e9 agora no contexto dos megaeventos parecem reproduzir essa mesma l\u00f3gica de organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o&#8230;\u00a0n\u00e3o h\u00e1 elementos que nos permitiria aferir que os enormes investimentos em mobilidade produziriam uma melhor distribui\u00e7\u00e3o das pessoas e dos empregos no territ\u00f3rio metropolitano e, muito menos, que atenderia as necessidades da metr\u00f3pole&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas as Olimp\u00edadas recentes vieram com promessas de legados a serem deixados para as cidades anfitri\u00e3s e seus cidad\u00e3os. As promessas de legado do Rio, inicialmente, inclu\u00edam compromissos importantes como a urbaniza\u00e7\u00e3o de todas as favelas de acordo com o bem elaborado Programa Morar Carioca (em <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1PZ1HIy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">sua palestra para o TED<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o prefeito Paes afirmou que o &#8220;Rio tem o objetivo de deixar todas as suas favelas completamente urbanizadas at\u00e9 2020&#8221;); o plantio de <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1hTidqd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">24 milh\u00f5es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> de \u00e1rvores tropicais end\u00eamicas (<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/XxH7zB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">depois modificado para 34 milh\u00f5es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) para contrabalan\u00e7ar as emiss\u00f5es de carbono das Olimp\u00edadas; e a limpeza da Ba\u00eda de Guanabara e da Lagoa de Jacarepagu\u00e1.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1UeDxMo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Essa lista posteriormente mudou<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Em agosto de 2015, a administra\u00e7\u00e3o Paes <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Qrlqg5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">havia feito 27 promessas de legados<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> ao COI, sob os t\u00edtulos de Mobilidade, Infraestrutura, Legado Esportivo e Meio Ambiente. Moradia, nesta ocasi\u00e3o, passou a estar fora da lista. Isso foi a partir de uma s\u00e9rie diferente de 17 promessas, em 2009, que inclu\u00eda aquelas mencionadas no par\u00e1grafo anterior. Baseada na nova lista, publicamente, a administra\u00e7\u00e3o Paes reconhece apenas um legado n\u00e3o cumprido: a limpeza da Ba\u00eda de Guanabara.<\/span><\/p>\n<h2><b>Os verdadeiros\u00a0(e n\u00e3o planejados) legados Ol\u00edmpicos<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma vez que essas promessas oficiais de legados altamente question\u00e1veis ou n\u00e3o cumpridas s\u00e3o agora bem conhecidas, vamos olhar para o que pode ser considerada a lista &#8220;verdadeira&#8221; de legados&#8211;sim, os positivos&#8211;desses jogos para os cidad\u00e3os comuns e de baixa renda do Rio. Esses n\u00e3o s\u00e3o os legados que a prefeitura da cidade vai propagandear como tal, mas os resultados positivos reais experimentados no Rio como resultado de sediar os Jogos.<\/span><\/p>\n<h3><strong><i>&#8211; Legado Verdadeiro\u00a0No. 1: Crescente quantidade e\u00a0qualidade de aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia internacional<\/i><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Felizmente, as Olimp\u00edadas trouxeram mais do que um estado de exce\u00e7\u00e3o para o Rio. Os jogos tamb\u00e9m trouxeram um grande enxame de aten\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o da m\u00eddia internacional. Tradicionalmente, a cobertura do Rio pela m\u00eddia global era superficial. Entrevistas eram realizadas por telefone de S\u00e3o Paulo, Cidade do M\u00e9xico ou Nova Iorque, j\u00e1 que a m\u00eddia internacional raramente tinha escrit\u00f3rios no Rio e n\u00e3o era familiarizada com o funcionamento interno da cidade e de seu governo. Artigos eram publicados gra\u00e7as a comunicados de imprensa ou relat\u00f3rios policiais. Raramente os rep\u00f3rteres pesquisavam a fundo, e, mais raro ainda, era ter cariocas comuns, particularmente das favelas, citados. As favelas eram vistas como zonas proibidas, estereotipadas, estigmatizadas e retratadas de forma sensacionalista, a partir de uma dist\u00e2ncia segura, por d\u00e9cadas, pelos jornalistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas tudo isso estava prestes a mudar. Pouco depois do Rio ter sido escolhido para sediar as Olimp\u00edadas, jornalistas freelancers de v\u00e1rios pa\u00edses come\u00e7aram a se instalar e a procurar entender a cidade, para que pudessem estar na melhor posi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para reportar. Outros come\u00e7aram a visitar o Rio regularmente, para desenvolverem uma boa compreens\u00e3o, a fim de que pudessem vir e ir rapidamente quando necess\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eles foram rapidamente seguidos por correspondentes de v\u00e1rios canais internacionais, que estariam daqui cobrindo a America Latina como um todo. Estes se mudaram de outros lugares das Am\u00e9ricas para o Rio, para que estivessem bem posicionados para reportar, na medida em que o interesse crescesse ao longo dos anos. E houve tamb\u00e9m publica\u00e7\u00f5es que moveram alguns de seus principais rep\u00f3rteres globais para o Rio. Finalmente, em alguns casos, escrit\u00f3rios regionais inteiros mudaram-se ou abriram filiais na cidade. Esses milhares de jornalistas n\u00e3o estavam apenas visitando o Rio por alguns dias ou semanas. Eles estavam se mudando, fazendo do Rio seu lar por mais de meia d\u00e9cada. Muitos deles vieram com as fam\u00edlias, e todos seriam impactadas pela cidade e sua viv\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme esses canais come\u00e7aram a informar com mais frequ\u00eancia, com nuances, contextos e entendimento maiores, uma sub-tens\u00e3o como a do filme <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Crash<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> podia ser sentida. Teve in\u00edcio um salto significativo em not\u00edcias globais sobre favelas, com um <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1gLsgTO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">crescimento significativo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do n\u00famero de moradores de favelas citados. A m\u00eddia local, por d\u00e9cadas, tem publicado uma narrativa sem criatividade, sensacionalista e contraproducente sobre essas comunidades, que foi sendo perpetuada pela m\u00eddia global: eram criminosas por natureza, feias, uma mancha, n\u00e3o havia nada de bom sobre elas, eram uma lembran\u00e7a persistente da falha do Brasil em se desenvolver e de sua falta de controle.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Raramente a m\u00eddia discutia sobre os direitos conquistados duramente pelos posseiros, sobre as <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/Q3WT96\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">conclus\u00f5es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0do Instituto de Arquitetos do Brasil de que urbanizar as favelas havia se tornado a melhor solu\u00e7\u00e3o para comunidades consolidadas, sobre o desenvolvimento hist\u00f3rico de suas\u00a0moradias gra\u00e7as \u00e0 mutir\u00e3o e outras tradi\u00e7\u00f5es criativas, ou mesmo sobre a import\u00e2ncia das favelas para a <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1VWEgC2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">cultura<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> carioca dominante<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. E nunca a grande m\u00eddia brasileira discutiu as heran\u00e7as sist\u00eamicas e hist\u00f3ricas, com base na sociedade escravocrata e colonial, que nos levaram aonde n\u00f3s estamos agora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De s\u00fabito, a m\u00eddia internacional estava fazendo tudo isso, come\u00e7ando com a quest\u00e3o das remo\u00e7\u00f5es na Favela do Metr\u00f4 em 2011, devido a Copa do Mundo&#8211;com coberturas realizadas pelo <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/SboaVP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Guardian<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e pelo\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Ky3bty\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Al Jazeera<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Quando o<\/span> <a href=\"http:\/\/nyti.ms\/1O15SP7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">New York Times<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> cobriu as remo\u00e7\u00f5es na Vila Aut\u00f3dromo em mar\u00e7o de 2012, seguido pelo interesse global em torno do caso do <\/span><a href=\"http:\/\/nyti.ms\/2a1u2SM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">desaparecimento do Amarildo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e da viol\u00eancia policial em resposta aos protestos de 2013, at\u00e9 os dias de hoje, em que j\u00e1 existem\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/29ZlNn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">rep\u00f3rteres comunit\u00e1rios reportando diretamente<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> atrav\u00e9s de plataformas globais&#8211;a mudan\u00e7a ficou palp\u00e1vel. O tema das remo\u00e7\u00f5es, por si s\u00f3, tem sido intensamente documentado&#8211;sendo uma das consequ\u00eancias negativas dos Jogos mais comentadas&#8211;dado que cerca de 80 mil pessoas foram removidas de suas casas <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Knx3UB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">no mais marcante\u00a0per\u00edodo\u00a0de remo\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria do Rio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p>Uma profunda ferida de s\u00e9culos foi exposta. Grupos\u00a0comunit\u00e1rios das favelas no Facebook regularmente celebram reportagens internacionais com muitas &#8220;curtidas&#8221; como na postagem do Coletivo Papo Reto do Complexo do Alem\u00e3o: &#8220;Mais um exemplo de nossa participa\u00e7\u00e3o na m\u00eddia internacional. Tudo isso enquanto nossa pr\u00f3pria m\u00eddia continua a ignorar a favela&#8221;.<\/p>\n<h3><strong><i>&#8211; Legado Verdadeiro\u00a0No. 2: Questionamento aprofundado e catarse social<\/i><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os Jogos Ol\u00edmpicos trouxeram de presente um legado inesperado ao Rio: a perspectiva externa que ofereceu a centelha essencial para a catarse social local, que \u00e9 inevit\u00e1vel e necess\u00e1ria. Exemplos incluem o grande debate sobre ra\u00e7a no Brasil que vem ganhando lugar na m\u00eddia internacional, enquanto a m\u00eddia local permanece ambivalente.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Hist\u00f3rias que v\u00e3o desde uma pesquisa de v\u00e1rios meses pelo <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1T41p1g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Globe and Mail<\/span><\/i><\/a><i><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0at\u00e9 textos menores no <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1syt64v\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">NPR<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1jPJ8up\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Global Post<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">foram traduzidas e amplamente compartilhadas no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de dar in\u00edcio a uma era de reportagens sobre favelas com nuances e de debates p\u00fablicos\u00a0sobre a\u00a0profunda divis\u00e3o hist\u00f3rica do Rio, a presen\u00e7a da m\u00eddia global no Rio fez com que um n\u00famero de promessas de legados Ol\u00edmpicos e impactos fossem publicamente questionados. A investiga\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 descoberta do n\u00edvel extremo de polui\u00e7\u00e3o na Ba\u00eda de Guanabara no Rio, onde as regatas Ol\u00edmpicas aconteceram, foi conduzida pela <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1h7Tmoi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Associated Press<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. A \u00e1gua que cariocas t\u00eam usado para recrea\u00e7\u00e3o por d\u00e9cadas e que \u00e9 de certa forma aceita do jeito que est\u00e1, de repente se tornou uma quest\u00e3o p\u00fablica no Rio, gra\u00e7as \u00e0 m\u00eddia global.<\/span><\/p>\n<h3><strong><i>&#8211; Legado Verdadeiro\u00a0No. 3: Questionamento em n\u00edvel global sobre o valor dos Jogos<\/i><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos legados principais, advindo do Rio sediar os Jogos Ol\u00edmpicos 2016, foi aquilo que a experi\u00eancia do Rio ensinou ao mundo sobre urbanismo, desigualdade, poder mau aplicado e sobre o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI) e os impactos de megaeventos em cidades. O Rio <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ZvxO5p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o foi a primeira cidade<\/a> a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bBd5er\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">experienciar esses custos\u00a0do desenvolvimento Ol\u00edmpico<\/a>, mas foi a primeira cidade a experienciar os custos t\u00e3o publicamente, que torno-os <a href=\"http:\/\/bit.ly\/29WbhjU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de conhecimento p\u00fablico global<\/a>. Como resultado da experi\u00eancia do Rio e do ac\u00famulo de experi\u00eancias passadas, <\/span><a href=\"http:\/\/read.bi\/1oRUYDV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">muito poucas cidades democr\u00e1ticas hoje est\u00e3o se candidatando\u00a0pelos Jogos futuros<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os investimentos maci\u00e7os para os Jogos e a presen\u00e7a da imprensa mundial no Rio aconteceu num contexto de grande crescimento das m\u00eddias sociais. Apesar de o crescimento dessas redes sociais no Brasil n\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o direta com os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, o fato de o ciclo de implementa\u00e7\u00e3o dos Jogos ter ocorrido simultaneamente \u00e0 expans\u00e3o dessas m\u00eddias no pa\u00eds&#8211;agora o segundo no mundo tanto no\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1PNJ3zr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Facebook<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0quanto no <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ZZ88Co\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter<\/a>&#8212;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">significa que pela primeira vez na hist\u00f3ria Ol\u00edmpica os impactos do dia a dia foram documentados por aqueles que os experienciavam <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">in loco<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foram precisos v\u00e1rios anos para a grande m\u00eddia fazer isso, mas hoje se pode dizer que not\u00edcias em tempo real das favelas podem alcan\u00e7ar o mundo em quest\u00e3o de minutos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como relatado em <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1jQvmax\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">outubro de 2015<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: &#8220;Enquanto o\u00a0<a href=\"http:\/\/glo.bo\/1PTLZwh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">assassinato do menino de 11 anos de idade<\/a> no Caju, pela Pol\u00edcia Militar, uma semana antes, foi minimamente noticiado na imprensa nacional, e o caso da\u00a0remo\u00e7\u00e3o devastadora da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/13uRoVx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Favela do Metr\u00f4<\/a>\u00a0s\u00f3 ter sido\u00a0reportada pela grande <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1VD9E5I\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00eddia internacional<\/a> cinco meses depois de seu in\u00edcio <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Li7PJQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em 2010<\/a>,\u00a0a execu\u00e7\u00e3o de Eduardo Santos recebeu aten\u00e7\u00e3o generalizada, tanto da m\u00eddia nacional quanto internacional imediatamente. A evid\u00eancia filmada por uma testemunha da comunidade rapidamente enviada para as m\u00eddias sociais provocou\u00a0<a href=\"http:\/\/glo.bo\/1MFSDWj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportagens locais em massa<\/a>\u00a0que inclu\u00edram\u00a0as perspectivas de moradores\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Q4YULT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desafiaram as rea\u00e7\u00f5es das autoridades<\/a>, como tamb\u00e9m gerou cobertura pela\u00a0<em><a href=\"http:\/\/bbc.in\/1j81Axg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BBC<\/a><\/em> e <em><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1P64csg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Telegraph<\/a><\/em>, mostrando uma mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria na capacidade da comunidade reportar situa\u00e7\u00f5es, quebrar barreiras e atingir a massa em determinados momentos.&#8221;\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Pouco depois, o papel cr\u00edtico da m\u00eddia social nesse caso foi destacado em uma reportagem do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c16xdI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>The<\/em>\u00a0<\/a><\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Guardian<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<h3><strong><i>&#8211; Legado Verdadeiro\u00a0No. 4: Crescimento mais organizado\u00a0e colaborativo\u00a0da sociedade civil<\/i><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O acesso \u00e0s redes sociais, combinados com a for\u00e7a bruta e o volume de recursos que deram forma ao Rio pr\u00e9-Ol\u00edmpico, desempenharam um papel-chave no fortalecimento e uni\u00e3o de movimentos sociais e facilitaram a mobiliza\u00e7\u00e3o, incluindo a que conduziu ao maior levante p\u00fablico no Rio desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11SkR77\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">protesto de junho de 2013<\/a>, em que pelo menos 300 mil cariocas tomaram as ruas. Dezenas de eventos podem ser identificados em <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1SaVb4p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">qualquer dia determinado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, e a interconectividade entre cariocas frustrados est\u00e1 crescendo dramaticamente a cada dia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A combina\u00e7\u00e3o de uma regenera\u00e7\u00e3o\u00a0urbana\u00a0r\u00e1pida, de cima para baixo, em um contexto altamente social e democr\u00e1tico, no momento do\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">boom<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0do acesso \u00e0s m\u00eddias sociais e seu uso por comunidades tradicionalmente marginalizadas, criaram um legado inesperado dos Jogos, oferecendo aos moradores da favela a chance de <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1KyMZl8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">alcan\u00e7ar audi\u00eancias em massa com sua pr\u00f3pria mensagem<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> de indigna\u00e7\u00e3o, por um lado, e de mostrar as qualidades, resili\u00eancia e for\u00e7a das comunidades, por outro.<\/span><\/p>\n<h3><strong><i>&#8211; Legado Verdadeiro\u00a0#5: As favelas est\u00e3o sendo vistas com cada vez mais nuances e reconhecimento por sua luta, seu valor e qualidades<\/i><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s estamos, portanto, vendo uma <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1gLsgTO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">redu\u00e7\u00e3o na estigmatiza\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> daquelas que devem ser as comunidades urbanas <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/16pj5kx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">mais estigmatizadas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do mundo, devido \u00e0 combina\u00e7\u00e3o do acesso das comunidades \u00e0s redes sociais e da aten\u00e7\u00e3o global. De fato, cada vez mais, as favelas est\u00e3o sendo reconhecidas por suas qualidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde a Eco 92, quando a comunidade come\u00e7ou sua longa jornada para reestabelecer\u00a0uma nova\u00a0voca\u00e7\u00e3o para seus moradores, o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qm7REb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vale Encantado<\/a>&#8211;localizado no meio da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1CGbQBS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Floresta da Tijuca<\/a>&#8211;desenvolveu sua pr\u00f3pria culin\u00e1ria local, abriu um restaurante cooperativo, instalou pain\u00e9is solares de produ\u00e7\u00e3o local, jardins e, mais recentemente, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Hawg6U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">biodigestores<\/a>&#8212;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">incluindo um lan\u00e7amento recente que far\u00e1 do esgoto da comunidade o mais limpo do Rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se nos basearmos na tradicional vis\u00e3o estigmatizante das favelas, o Vale Encantado soa absolutamente \u00fanico. E ele \u00e9. Mas n\u00e3o porque \u00e9 um exemplo raro de uma favela que det\u00e9m qualidades. Antes, porque \u00e9 exclusivamente aut\u00eantico. O que \u00e9 exatamente aquilo que cada favela no Rio pode reivindicar. O mesmo se aplica \u00e0 <a href=\"http:\/\/bit.ly\/Nfddvg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila Aut\u00f3dromo<\/a>, em que os moradores estavam t\u00e3o comprometidos com sua comunidade e com a mem\u00f3ria dela que deram \u00e0 prefeitura do Rio seu\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2a1wrwD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maior embate de marketing pr\u00e9-Ol\u00edmpico<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de todos<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Ou o <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/XuDNKV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Vidigal<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0na Zona Sul com sua hist\u00f3ria vital de uma favela de 80 anos, com sua deslumbrante vista para o mar, que recebeu o Papa em 1980 e se organizou com sucesso para dar fim \u00e0 sequ\u00eancia de remo\u00e7\u00f5es de favelas que marcaram o per\u00edodo da ditadura militar no Rio. Hoje o Vidigal \u00e9 conhecido por sua cultura e afabilidade que o levaram a ser o ponto focal da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/184FqS4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gentrifica\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0das favelas nos \u00faltimos anos. Ou a favela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/UKOXUX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Asa Branca<\/a>\u00a0da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11tBmFR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Oeste<\/a>, marcada por sua cultura agu\u00e7ada de auto-planejamento desde os anos 90, que manteve o tr\u00e1fico de drogas \u00e0 dist\u00e2ncia e resultou em um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bu6FAD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desenho particularmente amig\u00e1vel<\/a> para pedestre, transit\u00e1vel e <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1NHYYky\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">funcional<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> da comunidade. Ou a longa hist\u00f3ria da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BvARw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mar\u00e9<\/a>\u00a0na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WximDf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a>, que come\u00e7ou como uma \u00e1rea de moradias prec\u00e1rias sobre palafitas em \u00e1reas pantanosas, e se expandiu a ponto de poder <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1hbVyYn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">se orgulhar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0por agora ter uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1hbVyYn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">centena de organiza\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0e v\u00e1rios excelentes <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1GKcY88\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jornais comunit\u00e1rios<\/a>, incluindo um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qhz1JJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">museu<\/a>\u00a0que guarda artefatos de seu empreendedorismo passado e presente.<\/span><\/p>\n<h3><strong><i>&#8211; Legado Verdadeiro\u00a0No. 6: O florescimento da possibilidade de um modelo urbano alternativo de &#8220;cidade singular&#8221;<\/i><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ironicamente, \u00e9 precisamente o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/29KAfxF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">extrapolamento<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0da vis\u00e3o intensamente dominada pelo capital que comandou o fazer pol\u00edtico e o desenvolvimento econ\u00f4mico no Rio de Janeiro durante o per\u00edodo pr\u00e9-Ol\u00edmpico, que inflamou as vis\u00f5es alternativas do Rio, e que pode um dia abrir caminho para um novo modelo de cidade, aqui chamado a &#8220;Cidade Singular&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 uma Cidade Singular? Uma cidade que reconhece seus atributos \u00fanicos locais e que, atrav\u00e9s do cultivo cuidadoso desses atributos, por meio de canais liderados por cidad\u00e3os, desenvolve-se de modo singular distribuindo ganhos atrav\u00e9s da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De forma bastante interessante, a cidade altamente corporativa, que a prefeitura do Rio tentou criar, resultou na exacerba\u00e7\u00e3o de problemas urbanos espaciais, econ\u00f4micos e das desigualdades sociais. No entanto, isso est\u00e1 criando condi\u00e7\u00f5es para o Rio se tornar uma Cidade Singular. A<\/span>\u00a0po\u00e7\u00e3o especial que resultou da aten\u00e7\u00e3o em massa da m\u00eddia global sobre o Rio, combinada com o crescimento simult\u00e2neo das m\u00eddias sociais pelas favelas do Rio que experienciaram algumas das mais brutais consequ\u00eancias do remodelamento da cidade\u00a0associadas aos Jogos, culminou em um despertar crescente, no qual as profundas divis\u00f5es da cidade est\u00e3o aparecendo e criando a demanda para a Cidade Singular.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Uma vers\u00e3o completa deste artigo est\u00e1 dispon\u00edvel como um cap\u00edtulo do <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2afkEqE\"><span style=\"font-weight: 400;\">livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado<\/span><\/a><em> <span style=\"font-weight: 400;\">Occupy All Streets: Olympic Urbanism and Contested Futures in Rio de Janeiro<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ocupar Todas As Ruas: Urbanismo Ol\u00edmpico e Futuro Questionado no Rio de Janeiro).<\/span><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English A Diretora Executiva da\u00a0Comunidades Catalisadoras\u00a0e Editora do RioOnWatch, urbanista\u00a0Theresa Williamson, foi convidada a participar\u00a0na\u00a0s\u00e9rie openMovements\u00a0do openDemocracy. Leia\u00a0a mat\u00e9ria original publicada em ingl\u00eas no dia de inaugura\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos no Rio, <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=21945\" title=\"Legados Ol\u00edmpicos Verdadeiros Vs. 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