{"id":22277,"date":"2016-09-19T16:06:58","date_gmt":"2016-09-19T19:06:58","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=22277"},"modified":"2024-06-20T16:25:43","modified_gmt":"2024-06-20T19:25:43","slug":"campanha-nas-midias-sociais-stopfavelastigma-destaca-resistencia-e-criatividade-das-favelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=22277","title":{"rendered":"Campanha nas M\u00eddias Sociais #StopFavelaStigma Destaca Resist\u00eancia e Criatividade das Favelas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bLoScc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Logo antes da abertura das\u00a0Olimp\u00edadas, o\u00a0<em>RioOnWatch<\/em> lan\u00e7ou uma campanha de um dia nas m\u00eddias sociais com a inten\u00e7\u00e3o de denunciar o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/P4itK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estigma<\/a> infundado associado \u00e0s favelas do Rio. Usando a hashtag <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bPdAC4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">#StopFavelaStigma<\/a>, durante o dia 3 de agosto o\u00a0<em>RioOnWatch<\/em> publicou mat\u00e9rias e compartilhou mensagens ressaltando as vozes das comunidades para combater os estere\u00f3tipos prejudiciais que refor\u00e7am o preconceito contra os moradores de favelas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cihYrO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A hashtag obteve um impulso<\/a> significante nas m\u00eddias sociais: uma simples busca <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cihYrO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no Facebook<\/a> revelou mais de 85.000 \u201cPessoas Falando Sobre Isto\u201d&#8211;um n\u00famero que inclui curtidas, coment\u00e1rios e tags nas mensagens contendo a hashtag. Aqui documentamos\u00a0os variados t\u00f3picos, debates e links discutidos e compartilhados ao longo\u00a0do dia.<\/p>\n<h3><strong>Representa\u00e7\u00f5es das favelas<\/strong><\/h3>\n<p>Dando in\u00edcio \u00e0 campanha #StopFavelaStigma com uma mat\u00e9ria intitulada \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aSU5sp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Favela, Territ\u00f3rio Popular<\/a>&#8220;,\u00a0a jornalista comunit\u00e1ria\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2a8KEX3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Daiene Mendes<\/a> do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/U0MiGm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Alem\u00e3o<\/a> escreveu:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA favela n\u00e3o deve ser tratada como uma coisa ex\u00f3tica, fora da realidade ou digna de pena. Os moradores de favela carregam uma bagagem de for\u00e7a e energia para transformar realidades. Costumo dizer que quase todo morador de favela \u00e9 um ativista, porque a resist\u00eancia\u00a0precede ao ativismo e o contexto de favela por si s\u00f3 \u00e9 marcado de luta e resist\u00eancia.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>As palavras de Daiene focam na profus\u00e3o de\u00a0moradores de favelas que se utilizam de\u00a0seus talentos e projetam suas vozes para fazer mudan\u00e7as positivas dentro e al\u00e9m das suas comunidades.<\/p>\n<p>Contudo, nos meses que antecederam as <a href=\"http:\/\/bit.ly\/PkLXlQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olimp\u00edadas<\/a> e durante os Jogos, muitas favelas do Rio passaram por extensos per\u00edodos de intensa viol\u00eancia. Opera\u00e7\u00f5es policiais frequentes e tiroteios quase di\u00e1rios no Alem\u00e3o, no per\u00edodo, levaram alguns moradores a denunciar a situa\u00e7\u00e3o atual como um \u201cestado de guerra&#8221;.\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bihK4n\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um alerta no Facebook<\/a>\u00a0postado pelo jornal comunit\u00e1rio\u00a0<em><a href=\"http:\/\/bit.ly\/18u3bEe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voz das Comunidades<\/a>,\u00a0 <\/em>logo\u00a0ap\u00f3s as 10 horas da manh\u00e3 do dia da campanha #StopFavelaStigma, ressaltou os impactos das pol\u00edticas equivocadas baseadas e justificadas pelo estigma: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">Duas pessoas foram baleadas e mortas nesta manh\u00e3 na opera\u00e7\u00e3o da PM no Complexo do Alem\u00e3o. O clima continua tenso em toda parte da comunidade&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade-.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-22281 size-medium\" title=\"Imagem do Jornal da Comunidade Voz na p\u00e1gina no Facebook\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade--620x349.jpg\" alt=\"voz-da-comunidade\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade--620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade--470x264.jpg 470w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade--768x432.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade--1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade--580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade--174x98.jpg 174w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Voz-da-Comunidade-.jpg 1366w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Assim como Daiene no Alem\u00e3o, a jornalista comunit\u00e1ria <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1RLfvW3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tha\u00eds Cavalcante<\/a> do\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BvARw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo da Mar\u00e9<\/a>\u00a0tem trabalhado ativamente para apresentar uma narrativa alternativa sobre a sua comunidade diante da cobertura da grande m\u00eddia que sensacionaliza a viol\u00eancia e retrata a Mar\u00e9 como um espa\u00e7o inerentemente criminal. Apresentada em\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ajroUw\u00a0\">um epis\u00f3dio do <em>On the Media da\u00a0WNYC<\/em><\/a>, programa da r\u00e1dio nacional americana (NPR)\u00a0em Nova York e ouvida nos Estados Unidos como um todo, Tha\u00eds descreveu o que a cobertura da m\u00eddia tipicamente\u00a0diz sobre a Mar\u00e9: \u201cQue n\u00f3s somos criminosos, que n\u00f3s somos sujos&#8230; Essa cobertura ruim \u00e9 usada para afirmar as opera\u00e7\u00f5es policiais e as mortes&#8221;. Os moradores t\u00eam tomado medidas para combater as a\u00e7\u00f5es opressivas do estado, mobilizando-se atrav\u00e9s de iniciativas como a campanha <a href=\"http:\/\/bit.ly\/29yeeop\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cSomos da Mar\u00e9. Temos Direitos!\u201d<\/a> para informar aos cidad\u00e3os os seus (frequentemente negados) direitos no contexto das opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>Enquanto as tens\u00f5es aumentavam no Alem\u00e3o e na Mar\u00e9 com o in\u00edcio dos <a href=\"http:\/\/bit.ly\/PkLXlQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jogos Ol\u00edmpicos<\/a>, a cobertura seletiva da imprensa durante o per\u00edodo Ol\u00edmpico resultou em um frenesi da m\u00eddia. Frequentemente, a grande m\u00eddia internacional faz o recorte da viol\u00eancia no Rio na medida em que afeta os turistas na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mNsDyk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a> da cidade, ignorando que a viol\u00eancia \u00e9 um fen\u00f4meno profundamente arraigado, sist\u00eamico e estrutural com repercuss\u00f5es para os moradores locais muito al\u00e9m da cerim\u00f4nia de encerramento dos Jogos.<\/p>\n<p>Cerianne Robertson, Coordenadora de Pesquisa da <a href=\"http:\/\/www.comcat.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comunidades Catalisadoras<\/a>\u00a0lidou com as falsas percep\u00e7\u00f5es frequentemente reproduzidas pelos jornalistas estrangeiros na sua mat\u00e9ria \u201c<a href=\"http:\/\/politi.co\/2aT3Kz3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Como N\u00e3o Escrever Sobre o Rio<\/a>&#8221;\u00a0recentemente publicada no <em>POLITICO<\/em>: \u201cSim, a maioria das favelas n\u00e3o tem <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1TpORFB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">infraestrutura de esgoto<\/a> adequada, e algumas favelas s\u00e3o locais de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/NRIxaP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tr\u00e1fico de drogas<\/a> e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1wLR1Ef\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia<\/a>&#8211;sintomas de d\u00e9cadas de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1K8LVUg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">neglig\u00eancia do governo<\/a>\u00a0alternado com a opress\u00e3o do governo&#8211;mas ao contr\u00e1rio do que os f\u00e3s dos filmes &#8216;Cidade de Deus&#8217;\u00a0ou &#8216;Tropa de Elite&#8217; ou o jornal\u00a0<em>Daily Mail\u00a0<\/em>podem imaginar, menos de um por cento dos moradores das favelas est\u00e3o envolvidos no tr\u00e1fico. Na maioria das favelas n\u00e3o h\u00e1 a presen\u00e7a do tr\u00e1fico&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os equ\u00edvocos populares sobre as favelas do Rio est\u00e1 a ideia que as &#8220;favelas\u00a0s\u00e3o slums&#8221; (bairros prec\u00e1rios s\u00f3rdidos) como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cr1D5W\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">David Robertson<\/a>,\u00a0contribuinte da <em>RioOnWatch\u00a0<\/em>ressalta na sua\u00a0<a href=\"http:\/\/bzfd.it\/2acgQYT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mat\u00e9ria que desfaz mitos no<em>\u00a0Buzzfeed<\/em><\/a>. A campanha #StopFavelaStigma ressaltou a pergunta complexa colocada em 2015 pelo chefe do escrit\u00f3rio do <em>The New York Times<\/em> no Brasil, Simon Romero\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1UY9jf8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que tuitou<\/a>: \u201cProcurando op\u00e7\u00f5es melhores do que \u201cslums\u201d para\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1pp8zUz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">traduzir favela<\/a>.\u00a0Como explicar concisamente estes lugares complexos e vibrantes?\u201d<\/p>\n<p>Traduzir favela como \u201cslum\u201d \u00e9 problem\u00e1tico pois sugere a condi\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria ou deprava\u00e7\u00e3o. Outros termos tamb\u00e9m s\u00e3o inexatos: \u201cshantytown\u201d sugere uma condi\u00e7\u00e3o de precariedade, formado por \u201cbarracos\u201d de materiais impr\u00f3prios para constru\u00e7\u00e3o; gueto faz alus\u00e3o a segrega\u00e7\u00e3o racial ou religiosa; e \u201csquatter settlement\u201d, o que seria traduzido\u00a0em &#8220;assentamento de invasores&#8221;, sugere uma ocupa\u00e7\u00e3o ilegal. Para escrever corretamente sobre as favelas na l\u00edngua inglesa, e diminuir\u00a0a estigmatiza\u00e7\u00e3o, devemos evitar estas tradu\u00e7\u00f5es pregui\u00e7osas e julgadoras e apenas <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2brHHyf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cham\u00e1-las de favelas<\/a>.<\/p>\n<h3><strong>Valorizando as qualidades das favelas<\/strong><\/h3>\n<p>Enquanto favelas s\u00e3o tipicamente brasileiras, a estigmatiza\u00e7\u00e3o de\u00a0bairros de baixa renda (chamando-os de bairros s\u00f3rdidos, ou &#8216;slums&#8217;, por exemplo) \u00e9 um fen\u00f4meno global. Do\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1vO09ZG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ato de Elimina\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o do Ressurgimento de Slums<\/a>\u00a0da \u00c1frica do Sul,\u00a0ao &#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2brgOfA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cities without Slums<\/a>&#8221; (Cidades sem Slums) que \u00e9 o slogan que acompanha o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bgE8PN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alvo 11 da Meta 7 do Desenvolvimento do Mil\u00eanio da ONU<\/a>,\u00a0\u00e9 importante identificar as vis\u00f5es negativas associadas \u00e0 palavra \u201cslum\u201d e, al\u00e9m disto, reconhecer que <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1pxUn5q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">erradicar a informalidade n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o urbana<\/a> vi\u00e1vel ou socialmente desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>No entanto, escrever corretamente sobre as favelas implica n\u00e3o apenas evitar a tend\u00eancia de flagrantemente fetichizar a viol\u00eancia, ou no outro extremo, a tend\u00eancia de romantizar a pobreza. Entender as favelas do Rio deve come\u00e7ar por examinar o contexto hist\u00f3rico no qual as favelas surgiram e se desenvolveram por mais de 100 anos. O curta-metragem produzido pela Comunidades Catalisadoras denominado \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/QueEFavela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Que \u00e9 Favela?<\/a>\u201c tra\u00e7a a hist\u00f3ria das favelas no Rio, desde a descri\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/glo.bo\/1IRLxd1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">origem da palavra \u201cfavela\u201d<\/a> at\u00e9 a explora\u00e7\u00e3o da diversidade destes bairros urbanos atualmente.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sxwTqGzCUyc\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Como o arquiteto Justin McGuirk contundentemente pergunta no seu livro <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1pxUn5q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Cidades Radicais<\/em><\/a><em>:<\/em> \u201cQuando aceitaremos o fato que as favelas n\u00e3o s\u00e3o um problema de urbanidade, mas a solu\u00e7\u00e3o?\u201d Deve-se entender as favelas, e outros assentamentos informais, n\u00e3o como tempor\u00e1rios mas sim como caracter\u00edsticas integrais do panorama urbano que tem <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1gFF6TA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ativos positivos<\/a>\u00a0e requerem solu\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas a\u00a0longo prazo.<\/p>\n<p>A professora Justyna Karakiewicz da Escola de Engenharia de Melbourne <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nFUuKR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">descreve<\/a> algumas das caracter\u00edsticas que definem (e s\u00e3o desej\u00e1veis) das favelas do Rio, inclusive que &#8220;s\u00e3o flex\u00edveis e adapt\u00e1veis no seu funcionamento e uso&#8221;. Da mesma maneira, Jorge Luiz Barbosa do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1itPfQc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Observat\u00f3rio de Favelas<\/a> elabora sobre as qualidades positivas das favelas em um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1VWEgC2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo para\u00a0<em>O Dia<\/em><\/a>: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">A favela \u00e9 um territ\u00f3rio de experimenta\u00e7\u00f5es, de singelezas e de desafios. Olhando de longe n\u00e3o identificamos os equipamentos culturais monumentais&#8230; Mas quando nos aproximamos fica em relevo a pluralidade de inven\u00e7\u00f5es e de pr\u00e1ticas que d\u00e3o significado \u00e0 exist\u00eancia humana&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Enquanto \u00e0s vezes as favelas do Rio s\u00e3o retratadas como locais de pobreza abjeta, elas representam op\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o acess\u00edvel \u00e0 classe trabalhadora para cerca de um quarto da popula\u00e7\u00e3o da cidade. De fato, um estudo do Data Popular em 2015 mostrou que 65% dos moradores das favelas <a href=\"http:\/\/glo.bo\/1KoeEXA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">consideram-se como classe m\u00e9dia<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, em uma cidade onde o custo de vida disparou nos \u00faltimos cinco a dez anos, a intensa <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11tBtBo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria<\/a>\u00a0acelerou o processo de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/184FqS4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gentrifica\u00e7\u00e3o<\/a>&#8211;afetando principalmente as favelas da Zona Sul como o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/XuDNKV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vidigal<\/a>. As potenciais solu\u00e7\u00f5es para mitigar este processo incluem <a href=\"http:\/\/bit.ly\/Q3WT96\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">prote\u00e7\u00f5es legais e t\u00edtulos de posse coletivos<\/a>. Em outros casos, o desenvolvimento urbano na cidade&#8211;catalisado pela especula\u00e7\u00e3o no mercado imobili\u00e1rio e justificado sob o pretexto das Olimp\u00edadas&#8211;resultou em traum\u00e1ticas <a href=\"http:\/\/bit.ly\/X51Qvb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">remo\u00e7\u00f5es<\/a>, mais notoriamente na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/Nfddvg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila Aut\u00f3dromo<\/a>\u00a0ao lado do Parque Ol\u00edmpico na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/19BBUhf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barra da Tijuca<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11tBmFR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Oeste<\/a>.<\/p>\n<p>A remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada acarreta mais do que apenas danos f\u00edsicos devido as casas destru\u00eddas. A ex-moradora da Vila Aut\u00f3dromo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1THCRjN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jane Nascimento reflete<\/a> que \u201cc<span style=\"font-weight: 400;\">asa n\u00e3o se constr\u00f3i com dinheiro, se constr\u00f3i com amor&#8221;.<\/span>\u00a0A Vila Aut\u00f3dromo, no entanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma \u201cv\u00edtima\u201d do processo Ol\u00edmpico&#8211;mas sim, um s\u00edmbolo da resist\u00eancia que demostrou o poder da estrat\u00e9gica <a href=\"http:\/\/bit.ly\/H1kBPJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">organiza\u00e7\u00e3o da comunidade<\/a>.<\/p>\n<h3><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Falte-de-\u00e1gua-e-energia-Foto-de-L\u00e9o-Lima-.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-22286 size-content\" title=\"Crian\u00e7as improvisam uma banda no Jacarezinho. Foto por L\u00e9o Lima\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Falte-de-\u00e1gua-e-energia-Foto-de-L\u00e9o-Lima--620x264.jpg\" alt=\"falte-de-agua-e-energia-foto-de-leo-lima\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Falte-de-\u00e1gua-e-energia-Foto-de-L\u00e9o-Lima--620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Falte-de-\u00e1gua-e-energia-Foto-de-L\u00e9o-Lima--940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>Solu\u00e7\u00f5es Criativas<\/h3>\n<p>Resist\u00eancia, ativismo, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cvzzg6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lideran\u00e7a<\/a> e criatividade s\u00e3o caracter\u00edsticas que definem as favelas. Diana Anast\u00e1cia do coletivo de produ\u00e7\u00e3o cultural <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aSPuVf\u00a0\">Fortaleceu Produ\u00e7\u00f5es<\/a> no\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/19t7wK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jacarezinho<\/a>, na\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/WximDf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a>, contribuiu com uma mat\u00e9ria para o\u00a0<em>RioOnWatch\u00a0<\/em>para o dia da campanha #StopFavelaStigma intitulada \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aI9r39\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">J<\/a><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aI9r39\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acarezinho\u00a0na Vis\u00e3o de Quem Mora<\/a>&#8221;\u00a0sobre a resist\u00eancia cultivada na favela: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">Alguns exemplos da exist\u00eancia da pot\u00eancia cultural no solo favelado, s\u00e3o moradores do Jacarezinho que incomodados com o desamparo, resolveram fazer por eles mesmos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Uma manifesta\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito de fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo que Diana descreve \u00e9 o conceito de\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1thwVvp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>mutir\u00e3o<\/em><\/a>, uma a\u00e7\u00e3o coletiva onde os moradores se mobilizam e se juntam para cuidar das necessidades da comunidade. Por exemplo, os moradores da\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1g63Krv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila Kennedy<\/a> na Zona Oeste do Rio compartilham de um \u201c<span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1AXJxQw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mutir\u00e3o de limpeza<\/a>\u2026 os mutir\u00f5es acontecem todo dia de chuva de ver\u00e3o e inverno, j\u00e1 que a chuva empurra terra e sujeira para dentro da manilha de \u00e1gua&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>No Complexo do Alem\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2a2Cjo6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Ra\u00edzes em Movimento<\/a> conduziu uma s\u00e9rie de projetos de mutir\u00e3o para reutilizar os espa\u00e7os p\u00fablicos abandonados que foram deixados para tr\u00e1s pelas constru\u00e7\u00f5es do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1VesrVx\u00a0\">PAC<\/a>\u00a0e tamb\u00e9m pela incapacidade do programa de atender \u00e0s necessidades da comunidade, com o argumento de que o que a comunidade queria \u201cn\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel tecnicamente\u2026 aqui n\u00e3o d\u00e1 pra fazer&#8221;. O coordenador Alan Brum descreve o valor destas obras p\u00fablicas constru\u00eddas pela comunidade, produzidas pelos moradores do Alem\u00e3o com o apoio de parceiros de universidades e de ONGs: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">A gente quer provar que \u00e9 poss\u00edvel ter qualidade t\u00e9cnica e ao mesmo tempo levar em considera\u00e7\u00e3o o que os moradores querem para o espa\u00e7o. O resultado vai ser tamb\u00e9m uma arma pol\u00edtica, que nos possibilita afirmar: \u2018Voc\u00eas falam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tecnicamente levar em considera\u00e7\u00e3o o que os moradores querem\u2014como eles querem\u2014e ao mesmo tempo ter qualidade t\u00e9cnica. Por\u00e9m, isto \u00e9 poss\u00edvel'&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Enquanto algumas favelas lutam com m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e ambientais devido a d\u00e9cadas de neglig\u00eancia dos governantes, outras s\u00e3o modelos exemplares de desenvolvimento urbano sustent\u00e1vel. Lan\u00e7ado na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c9F5JZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rio+20 Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/a> em 2012, o curta-metragem da Comunidades Catalisadoras \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1tDLXgq\u00a0\">Favela como Modelo Sustent\u00e1vel<\/a>&#8221;\u00a0mostra as qualidades positivas das\u00a0favelas do Rio e como as favelas podem inspirar mais e mais um paradigma de desenvolvimento sustent\u00e1vel para a cidade como um todo.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2sT8rhhbCUA\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>No <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1fyVkei\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro da Formiga<\/a>, por exemplo, uma favela situada entre o bairro da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1KFTsNJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tijuca<\/a> e a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1CGbQBS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Floresta da Tijuca<\/a> na Zona Norte, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1S1blJy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os projetos ambientais prosperam<\/a>, desde um sistema de \u00e1gua servindo as casas administrado pela comunidade, at\u00e9 um impressionante projeto de jardinagem. Outro ponto de interesse para as iniciativas sustent\u00e1veis baseadas nas favelas \u00e9 o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qm7REb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vale Encantado<\/a>, uma pequena favela na Floresta da Tijuca perto do Alto da Boa Vista, onde a cooperativa dos moradores liderou a constru\u00e7\u00e3o de um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Hawg6U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">biossistema de tratamento de esgoto<\/a> sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Biodigester3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-22290 size-content\" title=\"Biodigestor no Vale Encantado\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Biodigester3-620x264.jpg\" alt=\"biodigester3\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<p>Esta solu\u00e7\u00e3o inovadora para res\u00edduos chamou a aten\u00e7\u00e3o internacional, tornando o Vale Encantado\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1tXIMhT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o principal caso de estudo para LEED-UP (LEED para a Urbaniza\u00e7\u00e3o de Assentos Informais)<\/a>&#8211;um ramo informal do sistema de certifica\u00e7\u00e3o\u00a0de desenvolvimento verde LEED do Green Building Council (Conselho de Constru\u00e7\u00e3o Verde). Da mesma forma, apesar da reivindica\u00e7\u00e3o feita pela Vila Ol\u00edmpica\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1OSYF94\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ilha Pura<\/a>\u00a0quanto \u00e0 sustentabilidade ambiental e social do empreendimento, a favela pr\u00f3xima,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/UKOXUX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Asa Branca<\/a>,\u00a0se classifica com\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bu6FAD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">28% a mais quando medida pelos crit\u00e9rios de LEED para Desenvolvimento de\u00a0Bairros (LEED-ND)<\/a>, vencendo a certificada Vila Ol\u00edmpica e levando o \u201couro\u201d em sustentabilidade.<\/p>\n<h3><strong>Mais informalidade e criatividade, menos criminaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Assim como o estigma desvia o potencial das favelas para inspirar as pr\u00e1ticas de desenvolvimento sustent\u00e1vel, o estigma pode inibir o reconhecimento das favelas como centros de produ\u00e7\u00e3o criativa e express\u00e3o cultural.\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1YceYBp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nas palavras de Jocemir Moura dos Reis<\/a>\u00a0do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1X9tkmF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Chapad\u00e3o<\/a> na Zona Norte: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">Nossa maior dificuldade \u00e9 o fato de que a popula\u00e7\u00e3o de um modo geral n\u00e3o consegue se ver enquanto territ\u00f3rio de cultura e n\u00e3o assume este modo de viver. Assim, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que musica, artes pl\u00e1sticas, poesia, livros n\u00e3o fazem parte do horizonte do nosso povo, da nossa gente ou territ\u00f3rio<\/span>\u201d.<\/p>\n<p>Debora Pio escreve em uma\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nRGA0I\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mat\u00e9ria para o\u00a0<em>Viva Favela<\/em><\/a>: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">A cultura maker (fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo) sempre foi uma caracter\u00edstica presente nas favelas, seja pela falta de recursos que acabam potencializando a criatividade, seja pela maior necessidade dos moradores de reinventarem seu cotidiano\u2026 E por que n\u00e3o valorizar essas habilidades?<\/span>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bit.ly\/29Urk1R\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O m\u00fasico Rodrigo Souza da Mar\u00e9<\/a> tamb\u00e9m confirma esta riqueza cultural: \u201cA<span style=\"font-weight: 400;\">qui dentro da favela n\u00e3o s\u00f3 tem arma, n\u00e3o s\u00f3 tem droga, n\u00e3o s\u00f3 tem monstro, n\u00e3o s\u00f3 tem pol\u00edcia, tamb\u00e9m t\u00eam pessoas que trabalham, tamb\u00e9m t\u00eam pessoas que trabalham com arte, tamb\u00e9m t\u00eam pessoas que lutam diariamente. Na verdade, essas s\u00e3o a maioria das pessoas\u2026 mesmo voc\u00ea morando em favela, voc\u00ea pode ser artista, voc\u00ea pode consumir arte, isso n\u00e3o \u00e9 um privilegio da classe m\u00e9dia nem da burguesia, isso \u00e9 um direito de todo cidad\u00e3o<\/span>\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Valdean1-682x1024-1-620x264.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-22293 size-content\" title=\"&quot;Crian\u00e7a do Timbau, Mar\u00e9&quot;. Foto por Francisco Valdean, Imagens do Povo\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Valdean1-682x1024-1-620x264-620x264.jpg\" alt=\"valdean1-682x1024-1-620x264\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Valdean1-682x1024-1-620x264-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Valdean1-682x1024-1-620x264-768x327.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Valdean1-682x1024-1-620x264-1024x436.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Valdean1-682x1024-1-620x264-940x400.jpg 940w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Valdean1-682x1024-1-620x264.jpg 1240w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Da colet\u00e2nea de fotografias do\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/25fizSm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Imagens do Povo<\/a> aos projetos locais apresentados no festival de filmes <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2b5Vcn0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reimagine Rio<\/a> e \u00e0 s\u00e9rie de v\u00eddeos no YouTube\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/28PEyK3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Favelados\u00a0Pelo Mundo<\/a>, os moradores das favelas em toda a cidade trabalham para desafiar os estere\u00f3tipos e desconstruir as falsas percep\u00e7\u00f5es sobre as favelas e as diversas produ\u00e7\u00f5es culturais que surgem.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que as favelas s\u00e3o estigmatizadas, a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1a1M6kK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cultura da favela<\/a> tem sido cada vez mais apropriada pela sociedade. Recentemente, uma paisagem de favela serviu de pano de fundo est\u00e9tico para a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aVDTVE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cerim\u00f4nia de abertura das Olimp\u00edadas<\/a>, onde o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kKdVRX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">funk<\/a> foi proeminentemente apresentado apesar de ser uma express\u00e3o cultural criminalizada nas favelas. Diana Anast\u00e1cia da Fortaleceu Produ\u00e7\u00f5es <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aI9r39\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">articulou<\/a>: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">Mais uma vez a n\u00edtida dicotomia entre a favela e o asfalto, pois sabemos que o Funk, principal a\u00e7\u00e3o cultural oriunda de favelas, \u00e9 impossibilitado de ser promovido pelo morador, negro, ator local, que nasceu envolvido nas a\u00e7\u00f5es do movimento Funk, em contrapartida das festas que acontecem pela cidade\u2026 lugares de privil\u00e9gio e privilegiados, que desfrutam do Batid\u00e3o, e ainda folclorizam e estereotipam a realidade dura e resistente das favelas&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o da cultura nascida nas favelas \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2buISj2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza<\/a>, um processo pelo qual os indiv\u00edduos e grupos enfrentam preconceito sist\u00eamico e maus tratos baseados nas suas circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas. Como exemplo, a cientista social Priscila Loretti da UERJ descreve os <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1UwuKW6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">efeitos de regularizar a eletricidade<\/a> ap\u00f3s a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1z9VBs9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instala\u00e7\u00e3o<\/a> da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/R5ueio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UPP<\/a>\u00a0no\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/YZD9al\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Santa Marta<\/a> na Zona Sul do Rio: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">Sem pol\u00edticas p\u00fablicas adequadas \u00e0 realidade dessas popula\u00e7\u00f5es, elas acabam sendo empurradas para as margens sociais, contribuindo mais uma vez para refor\u00e7ar o estigma da favela como o lugar do crime e da informalidade&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>A Diretora Executiva da Comunidades Catalisadoras Theresa Williamson elabora sobre as repercuss\u00f5es sociais e econ\u00f4micas da criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza em uma recente <a href=\"http:\/\/bit.ly\/29PKsYR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista para a revista\u00a0<em>Guernica<\/em><\/a>: &#8220;<span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 nada intr\u00ednseco a elas [favelas]\u00a0que gere a criminalidade. O fato \u00e9 que o Estado as tem negligenciado, deixando-as como alvos f\u00e1ceis para o crime organizado; os cidad\u00e3os de favelas s\u00e3o tratados como criminosos e, por isso, vivem in\u00fameros obst\u00e1culos para acessar emprego e alguns se voltam para o crime organizado; e t\u00ednhamos uma economia estagnada no Rio durante os \u00faltimos quarenta anos e agora nos encontramos l\u00e1 novamente&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias&#8211;como negar oportunidade de emprego devido, somente, ao local onde a pessoa mora&#8211;s\u00e3o consequ\u00eancias sociais e econ\u00f4micas reais do estigma das favelas.\u00a0A s\u00e9rie do\u00a0<em>RioOnWatch\u00a0<\/em>\u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1LiSfzK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Linguagem da Favela<\/a>\u201c explora como a linguagem \u00e9 uma outra maneira percebida da identidade social poder vir a ser usada como pretexto para discrimina\u00e7\u00e3o: \u201cDistinguir entre a maneira \u2018certa\u2019 e \u2018errada\u2019 de falar em portugu\u00eas pode ser uma maneira simples de racionalizar a discrimina\u00e7\u00e3o e a desumaniza\u00e7\u00e3o&#8221;. Estes tipos de discrimina\u00e7\u00e3o servem para criar associa\u00e7\u00f5es falsas entre morar nas favelas e caracter\u00edsticas pessoais negativas (como inconfiabilidade ou falta de educa\u00e7\u00e3o), revelando preconceitos profundos baseados na classe e na ra\u00e7a que continuam existindo.<\/p>\n<h3><strong>M\u00eddias diversas desafiando os estigmas das favelas<\/strong><\/h3>\n<p>No entanto, constantemente, os moradores e ativistas comunit\u00e1rios de favelas por toda a cidade recusam-se a deixar que estas pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias e narrativas estigmatizantes os definam. Como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nu5Ads\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adriana do Complexo da Mangueirinha<\/a> na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/NjmYR6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baixada Fluminense<\/a> do Grande Rio\u00a0 descreve, \u201cJ<span style=\"font-weight: 400;\">\u00e1 somos discriminadas por sermos pobres, por sermos negras. Mas se permitirmos que isso domine nossas vidas, n\u00e3o andaremos para frente&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>A jornalista comunit\u00e1ria\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2a0Q1at\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juliana Portella<\/a> usou #StopFavelaStigma para marcar este poema, composto por <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aUMMnX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jess\u00e9 Andarilho, conhecido como #marginow<\/a>:\u00a0\u201c<span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o quero morrer de tiro \/ Me recuso, me retiro \/ Policia me mata eu viro bandido \/ Bandido me mata eu viro X9 \/\u2026 \/ Minha cor me faz suspeito \/ Minha classe me condena \/ Eu s\u00f3 quero mais respeito&#8221;<\/span>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cleiton-Oliveira-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-22295 size-content\" title=\"Cleiton Oliveira, Imagem do Youtube \" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cleiton-Oliveira-1-620x264.png\" alt=\"cleiton-oliveira-1\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cleiton-Oliveira-1-620x264.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cleiton-Oliveira-1-940x400.png 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O grupo comunit\u00e1rio <a href=\"http:\/\/on.fb.me\/1Lc8azX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mar\u00e9 Vive<\/a> compartilhou um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2brJYKD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">poema do rapper Cleiton Oliveira<\/a>. A primeira estrofe denuncia fortemente as maneiras sutis e ostensivas como o racismo tem penetrado historicamente na sociedade brasileira: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">Aquele olhar de cara torta, as piadas s\u00e3o dolorosas \/ N\u00e3o vou fingir que n\u00e3o incomoda, incomoda. \/ A 500 anos fecham as portas \/ As chibatas continuam s\u00f3 que s\u00e3o silenciosas&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m de denunciar a viol\u00eancia, os moradores das favelas t\u00eam um papel essencial para parar com o estigma nas favelas ao lan\u00e7ar luz nos atributos positivos das suas comunidades. Carla Siccos da m\u00eddia comunit\u00e1ria <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1rbme3q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CDD Acontece<\/a> na\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BzE4e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cidade de Deus<\/a>, na Zona Oeste, elabora: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">A grande m\u00eddia s\u00f3 procura o CDD Acontece quando acontecem coisas ruins aqui dentro. E n\u00f3s temos muitas coisas boas que podemos mostrar. Podem sair mat\u00e9rias lindas daqui, de pessoas que fazem acontecer. T\u00eam atletas, t\u00eam pessoas que s\u00e3o brilhantes, que mereciam um destaque. Eu n\u00e3o quero ver essas coisas apenas no CDD Acontece, sabe? Eu quero que outros conhe\u00e7am estas pessoas e seus trabalhos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Enquanto muitos grupos de m\u00eddia comunit\u00e1ria\u00a0s\u00e3o com raz\u00e3o cr\u00edticos da grande m\u00eddia, algumas\u00a0grandes m\u00eddias internacionais t\u00eam trabalhado para mudar o seu foco quanto \u00e0 representa\u00e7\u00e3o das favelas do Rio.\u00a0O<em> New York Times<\/em> produziu o v\u00eddeo recente \u201c<a href=\"http:\/\/nyti.ms\/2b3yspW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Badminton Brasileiro Balan\u00e7a com Samba<\/a>&#8221;\u00a0que ressalta uma iniciativa que incorpora a criatividade e inova\u00e7\u00e3o encontrada nas favelas do Rio. O\u00a0<em>Vox<\/em> lan\u00e7ou um excelente v\u00eddeo, \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2at7Hfd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dentro das favelas do Rio: os bairros empobrecidos e negligenciados da cidade<\/a>&#8220;.\u00a0Finalmente, o\u00a0<em>The Guardian<\/em> deu passos hist\u00f3ricos para acabar com o estigma das favelas\u00a0com a sua s\u00e9rie \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/29ZlNn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Vista da Favela<\/a>&#8220;, apresentando contribui\u00e7\u00f5es de\u00a0jovens jornalistas comunit\u00e1rios:\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/29Nj3HN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Michel Silva<\/a> da\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/16w2zz1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rocinha<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cWbmkB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Daiene Mendes<\/a>\u00a0do Alem\u00e3o e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1RLfvW3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tha\u00eds Cavalcante<\/a> da Mar\u00e9.<\/p>\n<p>O que \u00e9 especialmente potente sobre estas recentes mat\u00e9rias&#8211;entre um mar de narrativas estigmatizantes na m\u00eddia&#8211;\u00e9 que elas ofereceram uma plataforma internacional para os moradores das favelas falarem por\u00a0si mesmos.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c3BRTlHFpBU\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h3><strong>Os moradores das favelas nas m\u00eddias sociais<\/strong><\/h3>\n<p>Para a campanha #StopFavelaStigma os moradores das favelas foram convidados a refletir sobre as suas comunidades e reagirem ao estigma escrevendo no Facebook e no Twitter usando as hashtags #MinhaFavela\u00c9 e #MinhaFavelaN\u00e3o\u00c9, bem como #MinhaFavelaEra em casos de remo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Usando #MinhaFavela\u00c9, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1n71CIt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thain\u00e3 de Medeiros<\/a>\u00a0do <a href=\"http:\/\/on.fb.me\/1wgZRtu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coletivo Papo Reto<\/a> no Alem\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bvXhJE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">postou<\/a>: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">#\u200eMinhaFavela\u00c9\u202c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> pot\u00eancia! Estamos al\u00e9m dessa opera\u00e7\u00e3o que teve hoje da pol\u00edcia Civil que coloca toda uma comunidade com mais de 200 mil pessoas ref\u00e9m de uma guerra \u00e0s drogas<\/span>\u201d. Compartilhando\u00a0junto\u00a0um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aSZ5vd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo produzido por jovens moradores<\/a> sobre o que significa ser um \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1RVjsFT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maker de favela<\/a>&#8220;,\u00a0ele continuou: \u201cMinha Favela produz essa galera a\u00ed que t\u00e1 criando, inventando e trazendo solu\u00e7\u00f5es que beneficiam a todos! N\u00e3o existe cultura carioca sem favela! Tente encontrar, n\u00e3o vai encontrar nenhuma express\u00e3o carioca que n\u00e3o tenha passado por aqui! O estado e as empresas nos ignoram, nos silenciam, mas sabem usar nossas formas de express\u00e3o. Sabem lucrar com isso! Mas n\u00e3o tamo de bobeira n\u00e3o! Somos makers de favela!\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Xi8WRu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gilmar Lopes<\/a>, fundador da Casa Sociocultural Eco-sport no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1CkhQ4E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro dos Cabritos<\/a> na Zona Sul <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bgJPMx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escreveu<\/a>: #MinhaFavela\u00c9<span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0&#8220;um lugar maravilhoso cercado pela natureza e \u00e9 onde nasci, fui criado, e onde tenho minhas ra\u00edzes!<\/span>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/SN-Post.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-22297 size-content\" title=\"Postagem de Saul Nicolai no dia da campanha #StopFavelaStigma\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/SN-Post-620x264.jpg\" alt=\"sn-post\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/SN-Post-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/SN-Post-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Saulo Nicolai <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aJwbjn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">postou uma foto da sua comunidade com a legenda<\/a>:\u00a0\u201c<span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1eAan7M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro dos Prazeres<\/a>, local que me concedeu as maiores oportunidades, em todos os campos poss\u00edveis hoje se encontra em mais um momento de luta, momento de busca pela paz e de fazer valer mais uma vez seu nome. A tens\u00e3o paira sobre o local, sinto medo nas pessoas mas tamb\u00e9m esperan\u00e7a, na singela homenagem de bar, na quebra de sil\u00eancio com a chegada do fim de semana, na recep\u00e7\u00e3o calorosa e hospitaleira em cada canto, nas crian\u00e7as que ainda correm e brincam livremente. Lugar que, em abandono pelo estado (que estado?) ainda teima em sorrir. #MinhaFavela\u00c9 luta, resist\u00eancia e f\u00e9!\u201d.<\/span><\/p>\n<p>Tha\u00eds Cavalcante <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aT1Qwi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escreveu<\/a> \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">\u202a#\u200eMinhaFavela\u00c9\u202c livre<\/span>\u201d e compartilhou uma foto dos moradores passeando pela notoriamente movimentada Avenida Brasil. A foto foi tirada numa noite em que a avenida estava fechada e vazia para obras.<\/p>\n<p>O jornalista comunit\u00e1rio\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bfUWVG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Schuindt<\/a>\u00a0de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1m8dV2m\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Costa Barros<\/a> na Zona Norte postou o primeiro depoimento com a hashtag #MinhaFavelaN\u00e3o\u00c9.\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2brLZ9u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ele escreveu<\/a>: \u201c<span style=\"font-weight: 400;\">Acabei de dar uma volta aqui em Costa Barros e exatamente ao meio-dia, a favela parece uma cidade fantasma. O medo faz isso com as pessoas. E o pior \u00e9 quando o medo que sentimos \u00e9 gerado pela presen\u00e7a de quem deveria nos dar uma sensa\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. S\u00f3 espero que dessa vez n\u00e3o tenhamos que perder vidas para dar seguran\u00e7a a quem n\u00e3o sabe o que de fato acontece por aqui!!!! #\u200eMinhaFavelaN\u00e3o\u00c9\u202c um campo minado!!!<\/span>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Heloisa-Helena-Stop-Favela-Stigma-Post.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-22298 size-content\" title=\"Postagem de Heloisa Helena para campanha #StopFavelaStigma\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Heloisa-Helena-Stop-Favela-Stigma-Post-620x264.jpg\" alt=\"heloisa-helena-stop-favela-stigma-post\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Heloisa-Helena-Stop-Favela-Stigma-Post-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Heloisa-Helena-Stop-Favela-Stigma-Post-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Finalmente, usando a plataforma #MinhaFavelaEra, a ex-moradora da Vila Aut\u00f3dromo e\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1GeUJJE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Candomblecista<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1OVP108\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heloisa Helena Costa Berto<\/a>, refletiu sobre a sua experi\u00eancia ao ser removida da sua casa&#8211;que tamb\u00e9m servia como santu\u00e1rio religioso&#8211;durante o processo de prepara\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas. Heloisa escreveu: \u201c#<span style=\"font-weight: 400;\">MinhaFavelaEra pousada sagrada da guerra cotidiana. \/ Cen\u00e1rio do jogo de luzes no espelho da Lagoa ao entardecer. \/ A paz que ressuscitada meu cora\u00e7\u00e3o ferido. #minhafavelaeraassim<\/span>\u201d.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Logo antes da abertura das\u00a0Olimp\u00edadas, o\u00a0RioOnWatch lan\u00e7ou uma campanha de um dia nas m\u00eddias sociais com a inten\u00e7\u00e3o de denunciar o estigma infundado associado \u00e0s favelas do Rio. 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