{"id":23070,"date":"2016-10-24T12:12:32","date_gmt":"2016-10-24T15:12:32","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23070"},"modified":"2024-06-20T16:25:29","modified_gmt":"2024-06-20T19:25:29","slug":"a-importancia-e-os-desafios-de-colocar-as-favelas-no-mapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23070","title":{"rendered":"A Import\u00e2ncia e os Desafios de Colocar as Favelas no Mapa [REFER\u00caNCIA]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2elRE5q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mapear as favelas do Rio de Janeiro pode ser uma quest\u00e3o pol\u00edtica e social controversa e o debate s\u00f3 foi ampliado nos \u00faltimos anos, devido ao fato de que o Rio sediou\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1uZ9w6o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">megaeventos<\/a> de perfil global como a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WfaiMR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Copa do Mundo de 2014<\/a> e os\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/PkLXlQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jogos Ol\u00edmpicos<\/a> deste ano.<\/p>\n<h3>Os esfor\u00e7os do Google para excluir e, em seguida, mapear favelas<\/h3>\n<p>Em 2013, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2dqpTZo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">supostamente a pedido da prefeitura e de empresas de turismo<\/a>, o Google removeu a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2brHHyf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">palavra \u201cfavela&#8221;<\/a>\u00a0e, muitas vezes, todas as denomina\u00e7\u00f5es das pr\u00f3prias comunidades de seus mapas do Rio&#8211;comunidades que representam quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o da cidade. Buscas produziam resultados errados e as \u00e1reas densamente povoadas apareciam no mapa como espa\u00e7os em branco de cor bege ou, na melhor das hip\u00f3teses, uma s\u00e9rie de linhas vazias com lacunas que vagamente sugeriam casas.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de favelas na ferramenta de mapeamento mais onipresente do mundo tem s\u00e9rias consequ\u00eancias pr\u00e1ticas&#8211;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1OQbJ0H\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">empresas locais<\/a> e nomes de ruas n\u00e3o aparecem nos resultados de buscas, tornando ainda mais dif\u00edcil para algu\u00e9m n\u00e3o familiarizado com os bairros acessar indica\u00e7\u00f5es\u00a0confi\u00e1veis&#8211;assim\u00a0como, gerando repercuss\u00f5es simb\u00f3licas menos tang\u00edveis para os moradores.<\/p>\n<p>&#8220;O fato de n\u00e3o estar no mapa, d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Swdf8U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">excludente<\/a>. De que a gente n\u00e3o faz parte da cidade&#8221;, disse Paulinho Otaviano, morador e guia local do\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/YZD9al\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Santa Marta<\/a>, em uma entrevista em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c4kB0O\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Todo Mapa Tem Um Discurso<\/em><\/a>, um document\u00e1rio que explora quest\u00f5es de mapeamento, geografia, identidade e representa\u00e7\u00e3o nas favelas do Rio.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o faz sentido para n\u00f3s sermos exclu\u00eddos desta realidade&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q6wxVsxqhSo\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>A falha no mapeamento das favelas, no entanto, \u00e9 muito anterior ao Google e aos v\u00eddeos 360 graus. Durante anos, a maioria das favelas nem sequer apareciam nos mapas oficiais criadas pelo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/pIO8HG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Pereira Passos<\/a> (IPP), que \u00e9 a ag\u00eancia de planejamento da Prefeitura do Rio&#8211;apesar do fato de que essas comunidades t\u00eam sido o foco de uma s\u00e9rie de novas iniciativas de urbanismo, como o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/yUD1ZW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morar Carioca<\/a> e o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/NnSmIP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PAC<\/a>,\u00a0na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O IPP s\u00f3 come\u00e7ou a sanar algumas defici\u00eancias em 2013 quando&#8211;em conjunto com o agora extinto <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Hwcer6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">programa UPP Social<\/a> (e mais tarde o programa <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1BFclvS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rio+Social<\/a>, tamb\u00e9m\u00a0j\u00e1 extinto)&#8211;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cCqfMN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mapeou 12 favelas<\/a>, que compreende 56 comunidades. Uma pequena porcentagem em uma cidade com cerca de mil favelas.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es nos mapas do Google nesse mesmo ano, adotadas antes da Copa do Mundo&#8211;que trouxe milhares de turistas para o Rio&#8211;teriam sido o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ewTxZ7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resultado de uma campanha<\/a> travada desde 2009 pela\u00a0Secretaria Especial de Turismo do Rio de Janeiro\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bQJst2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Riotur<\/a>\u00a0para ter a palavra &#8220;favela&#8221; removida dos mapas e substitu\u00edda por morro, ou nada. Como resultado, as comunidades como a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/16w2zz1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rocinha<\/a>, a maior favela do Rio, e a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2e4O25z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Favela Morro da Chacrinha<\/a>, na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/11tBmFR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Oeste<\/a>, tiveram a palavra <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c9pSbY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">retirada de seus nomes<\/a>, enquanto outras, como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/12onlyE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cantagalo<\/a>, na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mNsDyk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a>, tornou-se &#8220;Morro do Cantagalo&#8221;.<\/p>\n<p>Algumas favelas s\u00e3o comumente conhecidas como morros ou tem a palavra em seu nome, mas muitos moradores viram a mudan\u00e7a como mais uma forma de minimizar a evid\u00eancia da sua presen\u00e7a na cidade.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1cSGbhy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comit\u00ea Popular Rio Copa e Olimp\u00edadas<\/a>, que organizava\u00a0campanhas chamando a aten\u00e7\u00e3o para as viola\u00e7\u00f5es dos direitos associados aos megaeventos no Rio, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cdhGrd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">comentou<\/a>: &#8220;A remo\u00e7\u00e3o virtual faz parte de um projeto de cidade que tenta invisibilizar a pobreza e os pobres, tanto em ambientes virtuais como na realidade, com as <a href=\"http:\/\/bit.ly\/X51Qvb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>De acordo com a equipe por tr\u00e1s do <i>Todo Mapa Tem Um Discurso<\/i>, a mudan\u00e7a para mudar o nome das favelas sugere que essas \u00e1reas n\u00e3o cont\u00eam nada de interessante ou s\u00e3o simplesmente desabitadas&#8211;at\u00e9 mesmo comunidades como Rocinha e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BvARw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo da Mar\u00e9<\/a>, e outras que s\u00e3o oficialmente registradas como bairros, estas\u00a0duas com bem mais de 100.000 habitantes cada.<\/p>\n<p>Em sua entrevista no document\u00e1rio, o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1YpIkga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jornalista comunit\u00e1rio e morador da Rocinha<\/a> Michel Silva explicou:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A Rocinha tem sido considerada um bairro desde 1993, mas quando voc\u00ea olha no Google, ela n\u00e3o tem uma \u00fanica rua registrada. Apenas a entrada. Ela\u00a0n\u00e3o tem <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1bGQPcu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laboriaux<\/a>\u00a0ou Caxopa, que s\u00e3o ruas tradicionais que todo mundo conhece. A Rocinha \u00e9 conhecida internacionalmente e n\u00e3o tem nada no Google?&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>O Google finalmente come\u00e7ou a responder a estas cr\u00edticas e deu alguns passos p\u00fablicos para sanar esse d\u00e9ficit. Em 2014, pouco depois de ter retirado a palavra &#8220;favela&#8221; dos mapas, a <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2en1pyB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gigante de tecnologia come\u00e7ou a trabalhar<\/a> com o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/RiVV2l\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AfroReggae<\/a>\u00a0para mapear muitas comunidades que tinham acabado de serem exclu\u00eddas.<\/p>\n<p>O projeto <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ckKpYz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">T\u00e1 no Mapa<\/a>\u00a0incorporou t\u00e9cnicas inovadoras para mapear as \u00e1reas que n\u00e3o s\u00e3o acess\u00edveis a ve\u00edculos, incluindo o envio de\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2av1P2a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">volunt\u00e1rios equipados com mochilas de grava\u00e7\u00e3o de alta tecnologia<\/a> conhecidos como Trekkers&#8211;ao inv\u00e9s de seus carros habituais empunhando perisc\u00f3pio&#8211;para mapear as ruas que s\u00e3o somente para pedestres. As equipes de mapeamento, muitas vezes compostas por moradores, trabalharam em conjunto com associa\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio locais e associa\u00e7\u00f5es de moradores para documentar e registrar empresas locais, ruas, marcos de refer\u00eancia e pontos de interesse.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UD9DiPHaSR8\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Segundo o Google, quando come\u00e7ou novamente a colabora\u00e7\u00e3o em 2013, <a href=\"http:\/\/on.mash.to\/2bVg82U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apenas 0,001% das favelas do Rio<\/a> apareciam nos mapas oficiais. A partir de julho de 2016, <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2eouxUA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">as equipes tinham mapeado 26 favelas<\/a> e acrescentaram mais de 10.000 neg\u00f3cios ao Google Maps, com mais alguns projetados para serem completados at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p>Pouco antes dos Jogos Ol\u00edmpicos, o projeto Arts &amp; Cultura do Google tamb\u00e9m lan\u00e7ou o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aQHdlE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Beyond the Map<\/a>\u00a0(Al\u00e9m do Mapa), um projeto de mapeamento multim\u00eddia interativo criado em colabora\u00e7\u00e3o com a <em><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cplRMG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Epic Magazine<\/a><\/em>, que oferece aos espectadores uma\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2eykUU0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">introdu\u00e7\u00e3o envolvente em algumas das comunidades do Rio<\/a>.<\/p>\n<p>O narrador na introdu\u00e7\u00e3o, em ingl\u00eas, explica que muitos espectadores podem pensar nas favelas como um &#8220;local inexplorado e misterioso no mapa&#8221;&#8211;apesar do reconhecimento internacional de algumas favelas, e o fato de que sua natureza &#8220;inexplorada&#8221; \u00e9, pelo menos em parte, o resultado direto da falha do Google para adicion\u00e1-los a esses mesmos mapas.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gN9-ZdNC6s0\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Os visitantes do Beyond the Map\u00a0come\u00e7am no ponto de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cWdZlH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">moto-t\u00e1xi<\/a> na parte inferior do morro de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/252TdqG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Carlos<\/a>, na regi\u00e3o central\u00a0do Rio. De l\u00e1, os espectadores podem escolher o seu pr\u00f3ximo passo&#8211;uma viagem de alta velocidade para o topo da colina em um dos moto-t\u00e1xis, ou seguir uma sequ\u00eancia vertiginosa filmada por um drone ao redor da cidade para o Complexo da Mar\u00e9, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/U0MiGm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Alem\u00e3o<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/XuDNKV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vidigal<\/a>, Rocinha e as praias da Zona Sul.<\/p>\n<p>Em cada um desses locais, os espectadores podem acessar vinhetas de v\u00eddeo com moradores como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ckiZ5a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paloma<\/a>, uma entusiasmada estudante de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o, da Mar\u00e9; Luis, um bailarino adolescente do Alem\u00e3o; <a href=\"http:\/\/on.fb.me\/19N840F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morenas de Sol<\/a>\u00a0um grupo de percuss\u00e3o e performances s\u00f3 de mulheres no Vidigal; <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ckmAzU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ricardo<\/a>, o fundador da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bUgFF9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rocinha Surfe Escola<\/a>; e Jos\u00e9 J\u00fanior, coordenador do AfroReggae.<\/p>\n<p>Em sua entrevista, Paloma resume os <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Swdf8U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sentimentos de exclus\u00e3o<\/a> que afetam muitos moradores de favelas. &#8220;A favela \u00e9 um ponto em branco no mapa&#8221;, disse ela. &#8220;\u00c9 como se n\u00f3s n\u00e3o exist\u00edssemos.&#8221;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 J\u00fanior esbo\u00e7ou os objetivos mais amplos do projeto, que se estendem al\u00e9m de simplesmente colocar os nomes das ruas e adicionar os neg\u00f3cios no mapa f\u00edsico. &#8220;Mesmo tendo a\u00a0<a href=\"http:\/\/glo.bo\/11vcUuw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira e, no caso o Rio de Janeiro, nesses lugares<\/a>, eram locais que pareciam invis\u00edveis&#8221;, disse ele. &#8220;Este \u00e9 um projeto de inclus\u00e3o. \u00c9 mais do que digital, \u00e9 social&#8221;.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MpgDIq_veLE\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Mas, apesar de tudo, nem todos veem esses projetos de forma t\u00e3o positiva. Alguns moradores t\u00eam sido resistentes aos esfor\u00e7os da equipe para fotografar e mapear suas casas ou empresas, e outros sugeriram que a principal motiva\u00e7\u00e3o para iniciativas de mapeamento de favela do Google e da Microsoft <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2dSpdrT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seja o potencial de lucro, em vez de altru\u00edsmo<\/a>. O AfroReggae n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico grupo que se organizou para realizar mapeamentos de favelas; moradores da Mar\u00e9 <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2eqeeaC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criaram o seu pr\u00f3prio mapa do bairro<\/a>, moradores do Vidigal possuem o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cmF7fb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seu pr\u00f3prio mapa para os visitantes<\/a> e outros t\u00eam contribu\u00eddo para a plataforma de dados abertos <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cznISt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikimapia que mapeia favelas<\/a>.<\/p>\n<p>Com favelas come\u00e7ando a repovoar mapas do Google, no entanto, estes setores est\u00e3o ainda muito longe de outras partes da cidade em termos de representa\u00e7\u00e3o e precis\u00e3o. As imagens do Google Street View para a se\u00e7\u00e3o da Mar\u00e9 perto da Avenida Brasil, por exemplo, datam de 2011&#8211;o que os torna particularmente ultrapassados no espa\u00e7o arquitetonicamente din\u00e2mico de uma favela. As imagens para a entrada da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/UBMUVJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Provid\u00eancia<\/a> s\u00e3o de 2012, e a entrada da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/15YFPnL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Babil\u00f4nia\/Chap\u00e9u-Mangueira<\/a> foi documentada em 2014, e n\u00e3o h\u00e1 imagens do Street View do Santa Marta ou Vidigal, apesar destas serem duas das favelas mais populares entre os turistas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_23085\" aria-describedby=\"caption-attachment-23085\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vidigal-map.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-23085 size-content\" title=\"O mapa atual do Vidigal, com os nomes das ruas e das empresas. Imagem do Google Maps.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vidigal-map-620x264.png\" alt=\"vidigal-map\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vidigal-map-620x264.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vidigal-map-940x400.png 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-23085\" class=\"wp-caption-text\">O mapa atual do Vidigal, com os nomes das ruas e das empresas. Imagem do Google Maps.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mesmo quando existem imagens do Street View, elas raramente se estendem para al\u00e9m de alguns quarteir\u00f5es at\u00e9 a estrada de entrada principal da comunidade. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o not\u00e1vel a essas lacunas \u00e9 a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BzE4e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cidade de Deus<\/a>, relativamente plana, com quadras (e acess\u00edvel para carros), que teve suas imagens do Street View atualizadas em fevereiro de 2016, provavelmente como parte do novo projeto de mapeamento.<\/p>\n<p>Apesar do progresso na iniciativa de mapeamento colaborativo em algumas comunidades, muitas favelas ainda n\u00e3o t\u00eam nomes no zoom do Google Maps; no\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/11x89ZX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho<\/a>, na Zona Sul, ou Chacrinha na Zona Oeste, quem visualizar ir\u00e1 ver alguns nomes de ruas, mas nenhum nome para dizer-lhes qual a comunidade que est\u00e3o olhando, at\u00e9 chegar perto o suficiente para pegar o nome de uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/R5ueio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UPP<\/a> ou uma escola local.<\/p>\n<p>Mesmo a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2aS1sSp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mania Pokemon Go tem ignorado os moradores das favelas<\/a>; porque o jogo se baseia em dados do Google Maps para preencher seu mundo com pequenos monstros, um Pok\u00e9mon solit\u00e1rio \u00e9 uma vis\u00e3o rara na maioria das favelas.<\/p>\n<h3>Controv\u00e9rsias com o aplicativo de navega\u00e7\u00e3o Waze<\/h3>\n<p>Google n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica empresa de tecnologia que fica aqu\u00e9m quando se trata de mapeamento de favelas. O <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bVhniM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Waze<\/a>, o aplicativo de navega\u00e7\u00e3o popular para aqueles que s\u00e3o novos na cidade e tamb\u00e9m entre os motoristas da Uber, tem estado no centro de v\u00e1rias controv\u00e9rsias recentes sobre suas caracter\u00edsticas de aproxima\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2013, os atores Tadeu Aguiar e S\u00e9rgio Menezes tiveram seus telefones, equipamentos de som e carro roubado depois que o\u00a0<a href=\"http:\/\/glo.bo\/2c7ITJD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Waze os direcionou\u00a0para um desvio<\/a> pela favela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1m8dV2m\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Costa Barros<\/a> no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1X9tkmF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Chapad\u00e3o<\/a>, na Zona Norte. Em dezembro de 2015, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2eyH1tt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Regina M\u00farmura de 70 anos foi morta<\/a> quando ela e seu marido Francisco seguiram o seu GPS e entraram na favela Caramujo em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1xpT8yS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Niter\u00f3i<\/a>, onde algu\u00e9m abriu fogo sobre seu carro, atacando o ve\u00edculo com 20 balas. Em entrevista \u00e0 CNN, Francisco M\u00farmura culpou o Waze pelo erro tr\u00e1gico. &#8220;O aplicativo foi respons\u00e1vel por tudo. Foi o aplicativo Waze que nos levou l\u00e1. Eu n\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de que eles s\u00e3o respons\u00e1veis por isso&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>Rumores de preocupa\u00e7\u00e3o com seguran\u00e7a e ferramentas de GPS se <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2exTv38\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tornaram um alvoro\u00e7o ap\u00f3s 12 de agosto<\/a>, quando um policial da reserva H\u00e9lio Andrade, do distante Estado Roraima, foi <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2eLGvfp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">baleado e morto<\/a> quando ele e outro policial entraram por engano na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/29y251c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila do Jo\u00e3o<\/a>, na Mar\u00e9.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de agosto, pouco antes dos Jogos Ol\u00edmpicos come\u00e7arem, o Waze <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2baHJLB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anunciou que estava estreando um novo recurso de seguran\u00e7a<\/a>\u00a0de &#8220;alerta em\u00a0\u00e1rea com risco de crime&#8221;, com um alerta sonoro e um pop-up vermelho brilhante que aparece no aplicativo quando um motorista entra em uma das 25 \u00e1reas pr\u00e9-determinadas com\u00a0&#8220;risco de crime&#8221;. De acordo com representantes do Waze, a <a href=\"http:\/\/cbsloc.al\/2c1h1G8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">atualiza\u00e7\u00e3o veio em resposta<\/a> \u00e0 demanda dos seus usu\u00e1rios, inclusive no Brasil, um dos maiores mercados do aplicativo e o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c6O6Be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00fanico local no mundo<\/a> com este novo recurso.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de risco foi baseado em dados p\u00fablicos de\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c6O6Be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seguran\u00e7a do Disque Den\u00fancia<\/a>, e verificado por editores volunt\u00e1rios de mapas no Rio. As \u00e1reas variam em tamanho, de uma quadra de uma cidade para bairros inteiros, mas n\u00e3o incluem \u00e1reas muito movimentadas, mesmo se elas tamb\u00e9m relatam altos \u00edndices de crime.<\/p>\n<figure id=\"attachment_23086\" aria-describedby=\"caption-attachment-23086\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/waze-warning.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-23086 size-medium\" title=\"Um exemplo do alerta de risco do Waze. Imagem: Waze\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/waze-warning-620x518.jpg\" alt=\"waze-warning\" width=\"620\" height=\"518\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/waze-warning-620x518.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/waze-warning-316x264.jpg 316w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/waze-warning-768x641.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/waze-warning.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-23086\" class=\"wp-caption-text\">Um exemplo de alerta de risco do Waze. Imagem: Waze.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Waze rapidamente <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bf5osC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">enfrentou cr\u00edticas de alguns moradores<\/a>, que disseram que as advert\u00eancias s\u00f3 iriam refor\u00e7ar o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/P4itK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estigma<\/a> e a percep\u00e7\u00e3o negativa dessas \u00e1reas. Representantes rebateram dizendo que o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bTnQec\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Waze intencionalmente n\u00e3o estava liberando<\/a> os nomes dos bairros de &#8220;alto risco&#8221; ou exibindo-os em um mapa para <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2buISj2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">evitar a criminaliza\u00e7\u00e3o deles<\/a>. Motoristas s\u00f3 recebem o alerta se digitarem um endere\u00e7o em uma das \u00e1reas como o seu destino, ou ao\u00a0entrarem em\u00a0um bairro &#8220;de risco&#8221; com o aplicativo aberto no seu dispositivo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o dissemos que voc\u00ea est\u00e1 prestes a entrar numa favela; estamos chamando de uma \u00e1rea com maior n\u00fameros de crimes&#8221;, disse Julie Mossler, chefe de marca e marketing global do Waze, em um comunicado. &#8220;A \u00e1rea de\u00a0crime elevado \u00e9 orientada por dados. N\u00e3o \u00e9 meramente nomear um bairro de perigoso&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda assim, muitos moradores ainda n\u00e3o se convenceram. Em um artigo no\u00a0<em><a href=\"http:\/\/on.fb.me\/1qm6kNm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Viva Rocinha<\/a><\/em>, um morador disse: &#8220;Quando voc\u00ea mapeia uma parte da cidade e diz que uma parte \u00e9 perigosa e outra n\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 excluindo pessoas&#8221;. Um porta-voz da Waze disse ao jornalista da\u00a0<em>Quartz<\/em> que a Rocinha n\u00e3o \u00e9 uma das 25 \u00e1reas com alertas, embora um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2baHJLB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo no jornal <em>O Dia<\/em><\/a> ter citado fontes afirmando que a Rocinha estava entre as \u00e1reas de alto risco, junto com Alem\u00e3o, Mar\u00e9, Chapad\u00e3o e Cajueiro.<\/p>\n<h3>Mapeamento de previs\u00e3o de crime no Rio<\/h3>\n<p>Perto do final de agosto, o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/21FinJz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Igarap\u00e9<\/a>, um centro de estudos de pol\u00edtica de seguran\u00e7a do Rio, revelou a sua pr\u00f3pria ferramenta de mapeamento para rastrear e prevenir o crime em toda a cidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2dtxjGl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CrimeRadar<\/a>, apontada como a primeira ferramenta p\u00fablica do mundo de previs\u00e3o de crime baseada\u00a0em\u00a0dados de livre acesso, compilou seus dados a partir de 42 delegacias estaduais, entidades governamentais, e chamadas para o sistema de chamada de emerg\u00eancia Rio 190, por crimes cometidos entre janeiro de 2010 e mar\u00e7o de 2016, totalizando mais de 14 milh\u00f5es de eventos de crimes diferentes. O <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c1gnXs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">chamado aplicativo &#8220;pr\u00e9-crime&#8221;<\/a> tamb\u00e9m incorpora algoritmos de an\u00e1lise preditiva e ferramentas para tentar mapear a evolu\u00e7\u00e3o de criminalidade futura, essencialmente, prevendo onde crimes podem ser mais prov\u00e1veis de acontecer na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n<figure id=\"attachment_23087\" aria-describedby=\"caption-attachment-23087\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/crimeradar.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-23087 size-medium\" title=\"Crime Radar permite aos usu\u00e1rios visualizar incid\u00eancia e probabilidade de diferentes tipos de crimes em \u00e1reas de 250 metros quadrados em toda a cidade.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/crimeradar-620x319.png\" alt=\"crimeradar\" width=\"620\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/crimeradar-620x319.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/crimeradar-513x264.png 513w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/crimeradar-768x395.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/crimeradar.png 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-23087\" class=\"wp-caption-text\">Crime Radar permite aos usu\u00e1rios visualizar incid\u00eancia e probabilidade de diferentes tipos de crimes em \u00e1reas de 250 metros quadrados em toda a cidade.<\/figcaption><\/figure>\n<p>CrimeRadar, que funciona em desktops e smartphones, exibe seus dados preditivos com cores que esquentam com o crescimento do risco potencial em uma determinada parte da cidade, codificadas em uma escala de 1 a 10, cada n\u00famero com uma cor correspondente. Os usu\u00e1rios podem filtrar informa\u00e7\u00f5es com base na gravidade, categoria e frequ\u00eancia dos diferentes tipos de crimes, e ver tanto os registros hist\u00f3ricos ou previs\u00f5es para os pr\u00f3ximos dias, repartidos por hora do dia.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o para aumentar o acesso dos cidad\u00e3os \u00e0s informa\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica que est\u00e1 normalmente dispon\u00edvel apenas para as entidades respons\u00e1veis pela aplica\u00e7\u00e3o da lei e do governo \u00e9 admir\u00e1vel, mas h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es sobre potencialmente contribuir para a estigmatiza\u00e7\u00e3o de certas comunidades.<\/p>\n<p>Os criadores do CrimeRadar afirmaram que consideravam estas quest\u00f5es ao projetar o aplicativo. Ao inv\u00e9s de delinear bairros como na abordagem usada pelo Waze, o CrimeRadar mostra a cidade em uma s\u00e9rie uniforme de zonas de 250 metros quadrados, e n\u00e3o inclui qualquer informa\u00e7\u00e3o de perfil sobre supostos autores ou v\u00edtimas de crimes.<\/p>\n<p>Na verdade, Robert Muggah, especialista em seguran\u00e7a e desenvolvimento e diretor de pesquisas do Instituto Igarap\u00e9, diz que parte do objetivo do aplicativo \u00e9 mostrar aos moradores e visitantes do Rio que o crime n\u00e3o est\u00e1 necessariamente concentrado em favelas ou \u00e1reas de baixa renda, e que riscos podem ser maiores em \u00e1reas tur\u00edsticas de grande movimento.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s desenvolvemos o CrimeRadar para ajudar e conduzir o debate da seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio de Janeiro orientado por dados e baseado em evid\u00eancias&#8221;, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2blTVub\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disse \u00e0 <em>Wired<\/em><\/a>. &#8220;A ideia \u00e9 criar uma fonte confi\u00e1vel de informa\u00e7\u00e3o, em vez de confiar em not\u00edcias epis\u00f3dicas que contribuem para uma sensa\u00e7\u00e3o de histeria. Nosso objetivo \u00e9 fazer com que as estat\u00edsticas, que j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis publicamente, estejam acess\u00edveis e acion\u00e1veis para os cidad\u00e3os&#8221;.<\/p>\n<p>A fonte&#8211;e dimens\u00e3o&#8211;dos dados a ser utilizado \u00e9 uma poss\u00edvel causa de preocupa\u00e7\u00e3o. Enquanto o aplicativo do Igarap\u00e9 usa o mais completo conjunto de informa\u00e7\u00f5es oficiais dispon\u00edveis, muitos crimes no Rio n\u00e3o s\u00e3o notificados, e os policiais s\u00e3o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1jQvmax\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conhecidos por interferir em cenas de crime<\/a> ou descaracterizar crimes em seus relat\u00f3rios oficiais, muitas vezes para encobrir <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1zLJ2W9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abusos de direitos humanos<\/a>. Esta falta de fiabilidade dos dados oficiais, e a criminaliza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de certos bairros e comunidades, \u00e9 exatamente o que tem dado origem a aplicativos orientados para o cidad\u00e3o como o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/28vWKiY\">DefeZap<\/a>\u00a0e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1YMTWrh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s por N\u00f3s<\/a> que permitem que os cidad\u00e3os <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ebj4KD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">denunciem incidentes e viola\u00e7\u00f5es pela pol\u00edcia em suas comunidades<\/a>.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, muitas das maiores favelas ainda n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas no CrimeRadar, incluindo comunidades como a Mar\u00e9 e o Alem\u00e3o, que sofreram altos n\u00edveis de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1i0t9Hc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia policial<\/a> e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1MsmVsX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viola\u00e7\u00f5es de direitos<\/a>. De acordo com os criadores do aplicativo, essa omiss\u00e3o \u00e9 devida \u00e0 falta de confian\u00e7a nos dados oficiais&#8211;J\u00e1 que de certa forma as favelas s\u00e3o exclu\u00eddas da geografia &#8220;oficial&#8221; do Rio.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados recolhidos a partir destas \u00e1reas s\u00e3o muitas vezes incertos e sujeitos a altos n\u00edveis de volatilidade&#8221;, explicou Robert Muggah.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto n\u00f3s gostar\u00edamos de preencher as lacunas de tais dados&#8211;como no caso dos dados das favelas&#8211;a nossa capacidade de faz\u00ea-lo depende de melhorias na qualidade da coleta de dados e relat\u00f3rios&#8221;, declarou ao <em>Wired\u00a0o<\/em>\u00a0Colin Gounden, diretor executivo da firma de an\u00e1lise matem\u00e1tica,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ckxOV8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Via Science<\/a>\u00a0baseada em Boston, que trabalhou com o Igarap\u00e9 para desenvolver ferramentas de previs\u00e3o do aplicativo. Ele disse que n\u00e3o h\u00e1 planos atuais para incorporar relat\u00f3rios de contribui\u00e7\u00e3o colaborativa reportando sobre crimes nessas \u00e1reas por causa de preocupa\u00e7\u00f5es sobre a confiabilidade dos dados resultantes.<\/p>\n<h3>Mapeamento de v\u00eddeo game<\/h3>\n<p>Ironicamente, os mapas mais amplamente conhecidos de favelas n\u00e3o retratam\u00a0favelas reais. Durante anos, os designers de v\u00eddeo game foram influenciados a criar ambientes visualmente interessantes para os jogadores, com base nos estere\u00f3tipos das favelas como violentas, sem lei e mal constru\u00eddas. Este ano, os designers de Rainbow Six Siege lan\u00e7aram um teaser introduzindo \u00a0o novo mapa de favela do jogo, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bSFgKK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">comercializado<\/a> como o &#8220;mapa mais destrut\u00edvel at\u00e9 ent\u00e3o&#8221;. Um mapa de favela tamb\u00e9m foi <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cvg7Sh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">destaque em duas vers\u00f5es<\/a> do popular jogo Call of Duty.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q-Y6PLrOGTg\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Enquanto esses mapas n\u00e3o mostram favelas reais, e muitas vezes perpetuam <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1bO4BfB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estere\u00f3tipos estigmatizantes e negativos sobre favelas e seus moradores<\/a>, eles d\u00e3o mais aten\u00e7\u00e3o aos detalhes\u00a0que a maioria dos mapas oficiais de favelas.<\/p>\n<p>Ainda assim, os esfor\u00e7os de grupos como o AfroReggae e a iniciativa T\u00e1 no Mapa, bem como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2e5Ge3N\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os esfor\u00e7os de mapeamento a n\u00edvel local<\/a>, como o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cDrFH4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto Wikimapa<\/a> liderado por jovens e um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cmF7fb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mapa impresso do Vidigal originado na comunidade e que \u00e9 atualizado anualmente<\/a>, mostram que as comunidades est\u00e3o se organizando\u00a0e intervindo\u00a0para preencher as lacunas. Isso os ajudou a ganhar o apoio do setor privado como a Google e a Microsoft, embora novamente, subsistem preocupa\u00e7\u00f5es sobre as <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2e5HJPh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">motiva\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cio destas multinacionais<\/a>.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de como fornecer informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, \u00fateis para melhorar o acesso, navega\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a para todos \u00e9 um desafio constante em uma cidade t\u00e3o complexa e din\u00e2mica como o Rio, mas simplesmente apagar comunidades inteiras do mapa dificilmente \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel ou efetiva, e parece especialmente dirigida \u00e0s favelas estigmatizadas do Rio. Afinal de contas, n\u00f3s n\u00e3o vimos a Google excluir os locais de fuzilamentos em massa nos EUA, dos ataques terroristas na Turquia ou da repress\u00e3o policial repressiva nas Filipinas&#8211;todas \u00e1reas com viol\u00eancia significativa. Por outro lado, a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cxBtyf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">recente abordagem do Google Maps em rela\u00e7\u00e3o a visualiza\u00e7\u00e3o da Palestina no mapa<\/a> sugere que a exist\u00eancia de motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para que o gigante das buscas escolha mapear determinadas \u00e1reas, n\u00e3o seja exclusiva para o Rio.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de novos aplicativos como CrimeRadar e recursos como\u00a0Beyond the Map s\u00e3o passos importantes para aumentar o acesso do p\u00fablico aos dados necess\u00e1rios, mas o alcance limitado de tal tecnologia e o potencial perigoso para refor\u00e7ar estere\u00f3tipos negativos tamb\u00e9m mostram o quanto ainda h\u00e1 para percorrer para colocar favelas no mapa.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Mapear as favelas do Rio de Janeiro pode ser uma quest\u00e3o pol\u00edtica e social controversa e o debate s\u00f3 foi ampliado nos \u00faltimos anos, devido ao fato de que o Rio <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23070\" title=\"A Import\u00e2ncia e os Desafios de Colocar as Favelas no Mapa [REFER\u00caNCIA]\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":129,"featured_media":23084,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1857,1635,1621,1631,1626,1616,1628],"tags":[386,934,655,2021,259,1800,332,217,389,575,81,421,1306,1307,1637,1240,78,358,16,814,672,1457,354,1144,218,184,383],"writer":[1892],"translator":[1371],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-23070","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-olhonaurbanizacao","8":"category-1635","9":"category-destaque","10":"category-entendendo-o-rio","11":"category-por-observadores-internacionais","12":"category-qualidades-da-favela","13":"category-turismo-na-favela","14":"tag-estigma","15":"tag-acesso","16":"tag-associacao-de-moradores","17":"tag-cajueiro","18":"tag-centro","19":"tag-chapadao","20":"tag-complexo-da-mare","21":"tag-complexo-do-alemao","22":"tag-copa-do-mundo","23":"tag-costa-barros","24":"tag-cultura","25":"tag-cultura-da-favela","26":"tag-exclusao","27":"tag-inclusao","28":"tag-referencia","29":"tag-megaeventos","30":"tag-olimpiadas","31":"tag-organizacao-comunitaria","32":"tag-rocinha","33":"tag-segregacao","34":"tag-seguranca-publica","35":"tag-tecnologia","36":"tag-vidigal","37":"tag-violencia-urbana","38":"tag-zona-norte","39":"tag-zona-oeste","40":"tag-zona-sul","41":"writer-natalie-southwick","42":"translator-maya-furtado"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - 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