{"id":23565,"date":"2016-11-28T12:01:38","date_gmt":"2016-11-28T15:01:38","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23565"},"modified":"2017-08-23T09:55:30","modified_gmt":"2017-08-23T12:55:30","slug":"economia-solidaria-parte-i-desenvolvimento-cooperativo-no-rio-e-alem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23565","title":{"rendered":"Economia Solid\u00e1ria Parte 1: Desenvolvimento Cooperativo no Rio e Al\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2dcdC9E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 a primeira\u00a0mat\u00e9ria de nossa s\u00e9rie de tr\u00eas partes sobre <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2h6msG4\">Economia Solid\u00e1ria no Brasil<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Quando se consideram as centenas de favelas do Rio de Janeiro por sua pluralidade, com uma lente de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1uRzOcM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reconhecimento de seus ativos<\/a> em vez de apenas destacar os problemas, um ponto em comum \u00e9 claro: em face da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1K8LVUg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">neglig\u00eancia p\u00fablica<\/a>, os moradores das favelas s\u00e3o peritos em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nRGA0I\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fazer as coisas por si mesmos<\/a>, muitas vezes se unindo para faz\u00ea-las coletivamente. Existe at\u00e9 uma palavra para essa for\u00e7a criativa, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nRGA0I\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gambiarra<\/a>, uma palavra brasileira de origem tupi-guarani que significa \u201csolu\u00e7\u00e3o improvisada\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 muitos exemplos disso tanto no consumo quanto no trabalho: as favelas t\u00eam <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1GvFbVv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">praticado o consumo coletivo<\/a>\u00a0desde a sua cria\u00e7\u00e3o (e bem antes de &#8220;economia compartilhada&#8221; estar na moda); as favelas se re\u00fanem em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1thwVvp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mutir\u00f5es<\/a> para melhorias de infraestrutura, tais como \u00a0a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Hawg6U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">constru\u00e7\u00e3o de sistemas de esgoto<\/a>\u00a0ou <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1QRzTGf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">limpeza de terrenos baldios<\/a>; e os moradores se re\u00fanem em coletivos de trabalho, como a cooperativa de panifica\u00e7\u00e3o e de troca de habilidades\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1UzcjjI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mangarfo<\/a>, destaque no curta-metragem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1nu5Ads\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aqui \u00e9 Meu Lugar<\/a>.<\/span><\/i><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-23575\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576-620x349.jpg\" alt=\"mvi_9926-mov-00_00_02_08-still001-1024x576\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576-469x264.jpg 469w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576-768x432.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576-580x326.jpg 580w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/MVI_9926.MOV.00_00_02_08.Still001-1024x576-174x98.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estas pr\u00e1ticas econ\u00f4micas coletivas de base s\u00e3o todas exemplos da &#8220;economia solid\u00e1ria&#8221; que existe nas favelas e em outras comunidades por todo o Brasil e no mundo. Economia solid\u00e1ria tem muitas defini\u00e7\u00f5es, mas, de forma mais ampla, \u00e9 tanto um termo abrangente quanto um movimento que procura promover estruturas econ\u00f4micas alternativas baseadas na propriedade coletiva e gest\u00e3o horizontal em vez de propriedade privada e gest\u00e3o hierarquizada. Tais estruturas incluem bancos comunit\u00e1rios, cooperativas de cr\u00e9dito, agricultura familiar, moradia cooperativa, clubes de troca, cooperativas de consumidores e cooperativas de trabalhadores ou coletivos, mais conhecidos no Brasil nas ind\u00fastrias de reciclagem e artesanato. O objetivo \u00e9 descentralizar a riqueza, enraiz\u00e1-la nas comunidades, empoderar financeiramente e politicamente as partes interessadas que participam nessas estruturas rumo a uma outra economia, mais justa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Grande parte da economia solid\u00e1ria se refere aos <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fxyIjN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">sete princ\u00edpios do cooperativismo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Ades\u00e3o livre e volunt\u00e1ria<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gest\u00e3o democr\u00e1tica<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Autonomia e independ\u00eancia<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Intercoopera\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Interesse pela comunidade<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<h3><b>Empresas e Protagonistas da Economia Solid\u00e1ria <\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os Empreendimentos Econ\u00f4micos Solid\u00e1rios (EESs) est\u00e3o no centro desse movimento. Tais iniciativas caracteristicamente combinam indiv\u00edduos exclu\u00eddos do mercado de trabalho ou movidos pela ideologia das iniciativas, na busca de meios coletivos alternativos de sobreviv\u00eancia<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como disse o ex-Secret\u00e1rio Nacional de Economia Solid\u00e1ria do Brasil, <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/28YFTP8\"><span style=\"font-weight: 400;\">Paul Singer<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (amplamente considerado o pai do movimento de economia solid\u00e1ria brasileira), em uma reuni\u00e3o p\u00fablica em Porto Alegre, no ano passado: &#8220;Economia solid\u00e1ria \u00e9 predominantemente propagada por mulheres, jovens, desempregados&#8211;por todas as v\u00edtimas do capitalismo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Singer-685x342.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-23577 size-content\" title=\"Paul Singer, pai do movimento da economia solid\u00e1ria brasileira\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Singer-685x342-620x264.jpg\" alt=\"singer-685x342\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A economia solid\u00e1ria, que combina o setor p\u00fablico, o setor privado e o terceiro setor (sociedade civil e filantr\u00f3pica), \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de um modelo de desenvolvimento brasileiro onde os benefici\u00e1rios do desenvolvimento assumem um papel mais ativo. Um <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1PysvMG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">relat\u00f3rio da UNESCO de 2015<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> descreve como nas favelas do Rio h\u00e1 uma forte presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es sociais que &#8220;atuam de baixo para cima, sem interven\u00e7\u00f5es de fora, motivadas por pessoas que nasceram e continuam morando em favelas&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De fato, uma palavra comum usada para descrever os que atuam na economia solid\u00e1ria brasileira \u00e9\u00a0protagonistas, assumindo pap\u00e9is principais em suas pr\u00f3prias vidas. Notavelmente, essa linguagem n\u00e3o \u00e9 a linguagem de &#8220;autoajuda&#8221; que \u00e9 comum entre muitas iniciativas de &#8220;desenvolvimento econ\u00f4mico comunit\u00e1rio&#8221; nos EUA e em lugares como a \u00cdndia, onde iniciativas&#8211;que de certa forma se assemelham \u00e0 economia solid\u00e1ria&#8211;podem ser observadas, com uma \u00a0linguagem de enquadramento ligeiramente diferente. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alison Mathie e Gord Cunningham, especialistas em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2eGCKY6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desenvolvimento baseado em ativos<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cqR05u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">enquadram as cooperativas de produtores<\/a> como um exemplo de \u201ccapacidade de constru\u00e7\u00e3o em grupo\u201d que contrasta com \u201ccapacidade de constru\u00e7\u00e3o individual\u201d. Os projetos de desenvolvimento que focam no refor\u00e7o das capacidades individuais t\u00eam como objetivo melhorar o sucesso econ\u00f4mico dos indiv\u00edduos (por exemplo, clientes de microfinan\u00e7as), garantindo que isso conduzir\u00e1, assim, ao desenvolvimento econ\u00f4mico da comunidade. No entanto, a perspectiva de capacita\u00e7\u00e3o do grupo v\u00ea a a\u00e7\u00e3o coletiva como um fim em si mesmo e o desenvolvimento, portanto, como um processo end\u00f3geno. Particularmente, em tal estrutura, Alison Mathie e Gord Cunningham delimitam o papel das ag\u00eancias externas como um &#8220;facilitador de um processo e como um n\u00f3 em uma rede crescente de conex\u00f5es que a comunidade pode ter com outros atores&#8221;.<\/span><\/p>\n<h3><b>Economia solid\u00e1ria como pol\u00edtica p\u00fablica<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O movimento de economia solid\u00e1ria teve um alto grau de ostensivo sucesso pol\u00edtico no Brasil, em parte por causa da onda de desemprego na d\u00e9cada de 90, mas tamb\u00e9m por causa de um forte movimento de trabalhadores. O Brasil criou n\u00e3o apenas uma Secretaria Nacional de Economia Solid\u00e1ria (SENAES), mas tamb\u00e9m f\u00f3runs e conselhos nos n\u00edveis metropolitano, municipal, estadual e nacional.\u00a0O F\u00f3rum Brasileiro de Economia Solid\u00e1ria (FBES) re\u00fane estado e sociedade civil no \u00e2mbito nacional para discutir pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio \u00e0 economia solid\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Recycling-Cooperative-Photo-Credit-Ramya-Ahuja-e1429655848595.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-23579 size-content\" title=\"Cooperativa de Reciclagem. Foto por Ramya Ahuja\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Recycling-Cooperative-Photo-Credit-Ramya-Ahuja-e1429655848595-620x264.jpg\" alt=\"recycling-cooperative-photo-credit-ramya-ahuja-e1429655848595\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Recycling-Cooperative-Photo-Credit-Ramya-Ahuja-e1429655848595-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Recycling-Cooperative-Photo-Credit-Ramya-Ahuja-e1429655848595-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, apesar das vit\u00f3rias pol\u00edticas aparentes, a infraestrutura pol\u00edtica de economia solid\u00e1ria enfrenta muitos desafios no \u00e2mbito nacional. Em primeiro lugar, ainda \u00e9 logisticamente dif\u00edcil para as EESs se formalizarem no Brasil. Atualmente, as formas mais comuns s\u00e3o grupos informais, associa\u00e7\u00f5es e cooperativas. A legisla\u00e7\u00e3o cooperativa brasileira n\u00e3o foi criada com cooperativas de economia solid\u00e1ria em mente. A forma de cooperativa est\u00e1 sujeita a altas taxas de tributa\u00e7\u00e3o, enquanto a forma jur\u00eddica de associa\u00e7\u00e3o \u00e9 ampla, servindo tanto para projetos sociais n\u00e3o geradores de receita quanto para coletivos de trabalho. H\u00e1 uma campanha nacional para uma forma jur\u00eddica de economia solid\u00e1ria que seja baseada na l\u00f3gica interna das cooperativas e coletivos que concernem \u00e0 economia solid\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A economia informal e a economia solid\u00e1ria n\u00e3o s\u00e3o termos intercambi\u00e1veis, por\u00e9m o estado atual da economia solid\u00e1ria brasileira \u00e9 muito informal. De todos EESs no Brasil mapeados atrav\u00e9s do <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cTspG5\"><span style=\"font-weight: 400;\">projeto SIES de Mapeamento Nacional<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> finalizado em 2013, 31% das EESs s\u00e3o grupos informais, 60% s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es e 9% cooperativas. No Estado do Rio de Janeiro, provavelmente devido a um cen\u00e1rio relativamente mais recente de economia solid\u00e1ria, ela \u00e9 ainda mais informal: 68% dos EESs\u00a0s\u00e3o grupos informais, 25% associa\u00e7\u00f5es e 6% cooperativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, \u00e9 importante distinguir a economia solid\u00e1ria da economia informal por alguns motivos chaves. Em primeiro lugar, ser parte da economia informal n\u00e3o significa que se est\u00e1 praticando economia solid\u00e1ria baseada em princ\u00edpios de benef\u00edcio coletivo. Em segundo lugar, o movimento de economia solid\u00e1ria se esfor\u00e7a para ter reconhecimento formal, visando aproveitar os benef\u00edcios que empresas tradicionais recebem.\u00a0<\/span>O reconhecimento formal n\u00e3o significa, puramente, a adequa\u00e7\u00e3o das EESs na formalidade legal maximizadoras de lucro existentes, mas na cria\u00e7\u00e3o de novas formas que melhor se ajustem \u00e0 l\u00f3gica das EESs, buscando torn\u00e1-las rent\u00e1veis para remunerar os trabalhadores, reinvestirem nas EEEs e, sempre que poss\u00edvel, na comunidade.<\/p>\n<h3><b>Economia solid\u00e1ria do Rio de Janeiro<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde janeiro de 2009, a Secretaria Especial de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Solid\u00e1rio (SEDES) tem sido a primeira secretaria municipal dedicada \u00e0 economia solid\u00e1ria no Brasil (em outras cidades brasileiras iniciativas de economia solid\u00e1ria s\u00e3o subordinadas aos departamentos de trabalho e renda). O objetivo da secretaria, de acordo com a sua <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1sJL2AS\"><span style=\"font-weight: 400;\">P\u00e1gina Oficial<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 &#8220;formular e executar pol\u00edticas p\u00fablicas destinadas a alargar o mercado e democratiz<wbr \/>ar o acesso \u00e0 economia da cidade. Projetos de desenvolvimento local e economia solid\u00e1ria, com base no associativismo e no coletivismo em redes produtivas autogestionadas s\u00e3o o foco da SEDES &#8220;. O site SEDES passa a explicar que &#8220;redes de pequenas empresas, cooperativas, arranjos produtivos e p\u00f3los de EESs&#8221; s\u00e3o &#8220;vetores de uma estrat\u00e9gia inteligente e eficiente para enfrentar e superar a exclus\u00e3o social, o desemprego e o trabalho prec\u00e1rio nas grandes cidades do mundo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma grande parte do trabalho da SEDES tem sido trabalhar no sentido de certificar o Rio de Janeiro como a primeira capital da Am\u00e9rica Latina a ser uma <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1UggNhg\">Cidade Com\u00e9rcio Justo<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1k4eA6c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Prefeito Eduardo Paes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> se comprometeu <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fxTXCb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">com cinco objetivos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: Criar um comit\u00ea coordenador da campanha; declarar apoio e utilizar produtos de com\u00e9rcio justo no setor p\u00fablico, como por exemplo, <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fxTXCb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">comprar merenda escolar de produtores locais<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">; apoiar a distribui\u00e7\u00e3o de produtos de economia solid\u00e1ria nos mercados locais; incentivar as empresas a apoiar e consumir estes produtos, como por exemplo, utilizar uniformes produzidos por empreendedores do com\u00e9rcio justo; e divulgar a campanha nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A SEDES tamb\u00e9m estabeleceu metas para criar dois circuitos de feiras na cidade: o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/28UyQ7O\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Circuito Carioca de Economia Solid\u00e1ria (Rio Ecosol)<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0que \u00e9 uma rede de feiras <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artesanato,<i>\u00a0<\/i>e<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0o Circuito Carioca de Feiras Org\u00e2nicas.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/2016-05-19-14.54.29.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-23581 size-content\" title=\"Trabalhos produzidos por Mulheres Guerreiras da Babil\u00f4nia\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/2016-05-19-14.54.29-620x264.jpg\" alt=\"2016-05-19-14-54-29\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/2016-05-19-14.54.29-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/2016-05-19-14.54.29-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Ana Larronda Asti, diretora de economia solid\u00e1ria e com\u00e9rcio justo na SEDES; &#8220;o circuito de feiras de artesanato de economia solid\u00e1ria tem um foco intencional nas mulheres que s\u00e3o moradoras de favelas e de comunidades de baixa renda&#8221;. O circuito \u00a0\u00e9 composto por 14 feiras em torno dos grandes p\u00f3los da cidade, de modo que os empreendedores da economia solid\u00e1ria tenham oportunidades de comercializa\u00e7\u00e3o durante todos os meses do ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Est\u00e3o inclu\u00eddos no Circuito Rio Ecosol as seguintes localidades: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BvARw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo da Mar\u00e9<\/a>, M\u00e9ier, e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/ZC9b6z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manguinhos<\/a>\u00a0na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WximDf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a>; <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1m4QAQR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Campo Grande<\/a>, Paci\u00eancia, e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1eH5Mym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Santa Cruz<\/a>\u00a0na\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/11tBmFR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Oeste<\/a>;\u00a0Freguesia em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1HgPTzq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jacarepagu\u00e1<\/a> e\u00a0Pra\u00e7a Saens Pe\u00f1a na Tijuca; <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1XBoPPw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cinel\u00e2ndia<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1QR4XGc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pra\u00e7a Mau\u00e1<\/a>\u00a0e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1StP6dO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o<\/a>\u00a0no Centro da cidade; e Largo do Machado, Ipanema e Leme na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mNsDyk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em junho de 2016, havia mais de 300 EESs\u00a0participando. Para participar, um grupo deve ter a forma jur\u00eddica de associa\u00e7\u00e3o ou cooperativa popular, ser um neg\u00f3cio de produ\u00e7\u00e3o ou comercializa\u00e7\u00e3o, e ter tr\u00eas ou mais pessoas trabalhando. Al\u00e9m disso, o grupo deve ser cadastrado no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1tucAKJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cadastro de Empreendimentos Econ\u00f4micos Solid\u00e1rios (CADSOL)<\/a>,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e deve confirmar que seus membros tenham participado de pelo menos quatro reuni\u00f5es do f\u00f3rum municipal e tamb\u00e9m tenham recebido a forma\u00e7\u00e3o em economia solid\u00e1ria da SEDES. Muitos dos EESs\u00a0s\u00e3o organizados em redes, facilitando a comercializa\u00e7\u00e3o coletiva.<\/span><\/p>\n<h3><b>Amea\u00e7as pol\u00edticas atuais e incerteza<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Infelizmente, dada a <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/230MkT1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">crise pol\u00edtica na esfera federal<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, a SEDES est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o muito vulner\u00e1vel. No final de maio, dois ter\u00e7os da equipe, de 40 pessoas, foram dispensadas e o or\u00e7amento de R$37 milh\u00f5es foi cortado. A Secretaria Especial, na \u00e9poca estava sem um gestor e &#8220;sem dire\u00e7\u00e3o, tanto em mat\u00e9ria estrat\u00e9gica quanto pr\u00e1tica&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A SEDES agora tem um novo secret\u00e1rio&#8211;Franklin Dias Coelho&#8211;mas o status da ag\u00eancia como uma Secretaria Especial foi criado por um ato do Prefeito Eduardo Paes e n\u00e3o pela C\u00e2mera dos Vereadores. Isto significa que<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0o seu status de especial pode ser dissolvido pelo prefeito t\u00e3o rapidamente assim como foi criado. A n\u00edvel nacional, a Secretaria Nacional de Economia Solid\u00e1ria tamb\u00e9m est\u00e1 passando por mudan\u00e7as que ir\u00e3o alterar drasticamente o seu car\u00e1cter, incluindo a <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/28Oag8f\"><span style=\"font-weight: 400;\">substitui\u00e7\u00e3o, em junho, do secret\u00e1rio Paul Singer<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que era uma figura chave no estabelecimento da secretaria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os empreendedores da economia solid\u00e1ria est\u00e3o agora se organizando politicamente, para transformar a SEDES em uma institui\u00e7\u00e3o que seja permanentemente parte do governo municipal. A turbul\u00eancia deste ano os deixam vulner\u00e1veis, dado que a maioria da renda dos empreendedores da economia solid\u00e1ria \u00e9 dependente das feiras e a SEDES \u00e9 respons\u00e1vel por ajudar a assegurar os espa\u00e7os p\u00fablicos onde s\u00e3o realizadas. Alguns empreendedores das feiras t\u00eam lutado por duas d\u00e9cadas por pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio, tais como a <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1UdGIRq\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lei de Fomento \u00e0 Economia Solid\u00e1ria de 2012<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que definiu os termos para economia solid\u00e1ria e estabeleceu um Conselho Municipal, em adi\u00e7\u00e3o a SEDES, para a sociedade civil e setores p\u00fablicos dialogarem. Muitos atores desse movimento temem por seus meios de subsist\u00eancia e preocupam-se que suas suadas vit\u00f3rias possam ser desmanteladas no contexto pol\u00edtico atual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a infraestrutura pol\u00edtica da economia solid\u00e1ria em risco, tamb\u00e9m est\u00e3o em risco as oportunidades que as EESs oferecem aos trabalhadores de aumentar a qualidade de vida e espa\u00e7os de apoio para as mulheres, e tamb\u00e9m novas formas de acesso a direitos. Esses ser\u00e3o os temas dos pr\u00f3ximos dois artigos da s\u00e9rie.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\"><em><span class=\"il\">Anna<\/span> <span class=\"il\">Cash<\/span><\/em>\u00a0realizou uma pesquisa sobre a economia solid\u00e1ria como uma plataforma para aumentar a inclus\u00e3o social, em 2015, na \u00e1rea metropolitana de Porto Alegre, como parte de uma bolsa Fulbright em parceria com o Grupo de Pesquisa Ecosol da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com a orienta\u00e7\u00e3o do Professor Luiz In\u00e1cio Gaiger. Atualmente, ela \u00e9 mestranda em\u00a0Planejamento Urbano e Regional pela\u00a0Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley.<\/span><\/i><\/p>\n<hr \/>\n<h3><em>S\u00e9rie Completa: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2h6msG4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Economia Solid\u00e1ria no Brazil<\/a><\/em><\/h3>\n<p>Parte 1: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fIFT8R\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desenvolvimento Criativo no Rio e Al\u00e9m<\/a><br \/>\nParte 2: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2kkREmm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mulheres Protagonistas<\/a><br \/>\nParte 3: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2n1Gy6n\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Expandindo a Cidadania nas Favelas Brasileiras<\/a><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Esta \u00e9 a primeira\u00a0mat\u00e9ria de nossa s\u00e9rie de tr\u00eas partes sobre Economia Solid\u00e1ria no Brasil. Quando se consideram as centenas de favelas do Rio de Janeiro por sua pluralidade, com uma <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23565\" title=\"Economia Solid\u00e1ria Parte 1: Desenvolvimento Cooperativo no Rio e Al\u00e9m\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":129,"featured_media":23572,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1621,1615,1632,1626,344,1616,1612,342,1639],"tags":[1559,826,81,421,687,2196,316,731,1811,1103,448,1151,417,358,838,1134,2034,380,1347,476],"writer":[1791],"translator":[1922],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-23565","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaque","8":"category-cultura-da-favela","9":"category-pesquisa-e-analise","10":"category-por-observadores-internacionais","11":"category-politicas","12":"category-qualidades-da-favela","13":"category-sociedade-civil","14":"category-solucoes","15":"category-sustentabilidade","16":"tag-cooperacao","17":"tag-cooperativa","18":"tag-cultura","19":"tag-cultura-da-favela","20":"tag-economia","21":"tag-economia-solidaria","22":"tag-educacao","23":"tag-empreendedorismo","24":"tag-gambiarra","25":"tag-informalidade","26":"tag-lideranca","27":"tag-organizacao","28":"tag-negligencia-do-estado","29":"tag-organizacao-comunitaria","30":"tag-politica-publica","31":"tag-recomendacoes-politicas","32":"tag-serie-economia-solidaria","33":"tag-solidariedade","34":"tag-solucao","35":"tag-solucao-comunitaria","36":"writer-anna-cash","37":"translator-andrea-goodall"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Economia Solid\u00e1ria Parte 1: Desenvolvimento Cooperativo no Rio e Al\u00e9m - RioOnWatch<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23565\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Economia Solid\u00e1ria Parte 1: Desenvolvimento Cooperativo no Rio e Al\u00e9m - RioOnWatch\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Click Here for English Esta \u00e9 a primeira\u00a0mat\u00e9ria de nossa s\u00e9rie de tr\u00eas partes sobre Economia Solid\u00e1ria no Brasil. 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