{"id":23628,"date":"2016-11-23T11:54:22","date_gmt":"2016-11-23T14:54:22","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23628"},"modified":"2024-05-24T12:41:00","modified_gmt":"2024-05-24T15:41:00","slug":"livro-de-angela-davis-lancado-no-mes-da-consciencia-negra-com-debate-sobre-raca-classe-e-feminismo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23628","title":{"rendered":"Livro de Angela Davis Lan\u00e7ado no M\u00eas da Consci\u00eancia Negra com Debate sobre Ra\u00e7a, Classe e Feminismo no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ftKV5J\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Como parte de um circuito de eventos celebrando o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/HQ9VTK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00eas da consci\u00eancia negra<\/a>, foi lan\u00e7ado na Livraria Blooks no dia 10 de novembro o livro <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ggtx6X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Mulheres, Ra\u00e7a e Classe<\/em><\/a>, da intelectual e feminista estadunidense <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2f7Ell4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Angela Davis<\/a>. O lan\u00e7amento do livro em portugu\u00eas, 35 anos depois de ter sido escrito, marca um momento importante de reconhecimento no Brasil do nexo entre quest\u00f5es de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1uqz3CW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ra\u00e7a<\/a> e de classe, combinado ao <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Uabnln\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feminismo<\/a>, mas tamb\u00e9m para al\u00e9m dele. O lan\u00e7amento serviu de pano de fundo para uma discuss\u00e3o sobre ser negra, ser mulher e ser moradora de favela no Brasil. A mesa do debate foi integrada pela jornalista, ativista e moradora do Complexo da Mar\u00e9 <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2gqqk83\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ana Paula Lisboa<\/a>, pela historiadora\u00a0Jaciana Melquiades e pela soci\u00f3loga Karina Vieira, ambas ativistas do coletivo\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2gnp1Wm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meninas Black Power<\/a>, e mediada pela <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2dCJFQV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vereadora eleita<\/a> e tamb\u00e9m moradora da Mar\u00e9 <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2dCJFQV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marielle Franco<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-23630 size-full\" title=\"Capa do livro\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/davic.jpg\" alt=\"Angela Davis\" width=\"171\" height=\"244\" \/><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do lan\u00e7amento desse livro hoje\u00a0\u00e9 tornar acess\u00edvel mais um instrumento de luta e fortalecimento da resist\u00eancia negra, especialmente em um ambiente branco como o acad\u00eamico. \u201cA maior contribui\u00e7\u00e3o que a Angela traz nesse momento \u00e9 tirar a gente do local de objeto de pesquisa e colocar a gente como pesquisador. Eu tive dificuldade de legitimar a minha escrita acad\u00eamica a partir de uma bibliografia 90% negra. Uma banca de mestres e doutores que n\u00e3o conseguia avaliar a minha monografia porque n\u00e3o conhecia <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2gqo0Ou\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sueli Carneiro<\/a>\u201d, colocou Karina. E ela foi al\u00e9m no reconhecimento da import\u00e2ncia da tradu\u00e7\u00e3o do livro nesse momento: \u201cN\u00e3o tinha Angela Davis na minha bibliografia porque eu n\u00e3o falo ingl\u00eas&#8221;. Ana Paula completou: \u201cQuando recebi o livro, postei uma foto no Facebook e uma amiga minha americana comentou que tinha lido esse livro aos 12 anos. Fiquei um pouco frustrada, mas fiquei feliz, porque agora meninas de 12 anos v\u00e3o poder ler Angela Davis (no Brasil)&#8221;.<\/p>\n<p>A plateia, composta majoritariamente de negras e negros, ocupando o espa\u00e7o&#8211;tanto f\u00edsico quanto acad\u00eamico&#8211;tradicionalmente branco de uma livraria na Praia de Botafogo, impressionou e foi motivo de celebra\u00e7\u00e3o. \u201cMas ao mesmo tempo \u00e9 uma critica que eu tenho a qualquer movimento de g\u00eanero que fica sempre falando para os mesmos. Porque falar para os mesmos n\u00e3o muda muita coisa. Por isso eu nunca hesitei em aceitar o convite para escrever no\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fBwYn9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O Globo<\/em><\/a>, porque eu queria falar para outras pessoas, porque quem est\u00e1 lendo n\u00e3o s\u00e3o os meus. O <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1KiFeTl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">racismo<\/a> tem que ser uma luta de todo mundo. Enquanto n\u00e3o for de todo mundo, a gente vai continuar reproduzindo o racismo\u201d, disse Ana Paula, que recentemente <a href=\"http:\/\/glo.bo\/29MYJr8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">come\u00e7ou a publicar uma coluna quinzenal \u00e0s quartas-feiras no jornal <em>O Globo<\/em><\/a>. Alessandra, que estava na plateia, elogiou o evento e refor\u00e7ou: \u201c\u00c9 sempre bom a gente fazer <em>pretice<\/em>. Mas fazer <em>pretice<\/em> na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mNsDyk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a>, em livraria, \u00e9 melhor ainda&#8221;.<\/p>\n<p>Essa intercess\u00e3o entre ra\u00e7a, classe e feminismo foi tema recorrente de debates durante a noite. Jaciana iniciou sua fala afirmando que n\u00e3o era uma mulher feminista. \u201cEu n\u00e3o me identifico dentro dessa forma de pensamento. Eu sou uma mulher negra que quer estar no mundo como uma mulher negra&#8221;.\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2gquP2x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelle Decoth\u00e9<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fodvpG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ativista da Anistia Internacional<\/a>, fez uma interven\u00e7\u00e3o a partir da plateia: \u201cA Angela faz um debate sobre a rela\u00e7\u00e3o entre classe e ra\u00e7a. O capitalismo \u00e9 um sistema feito para nos aprisionar na classe que estamos. O sistema \u00e9 feito para que a gente seja a m\u00e3o de obra barata. A gente saiu de escravo para a m\u00e3o de obra barata. A\u00ed as pessoas falam que n\u00f3s morremos\u00a0porque somos pobres, e n\u00e3o porque somos negros&#8221;.<\/p>\n<p>A autora tamb\u00e9m traz em seu livro o vi\u00e9s hist\u00f3rico do movimento de liberta\u00e7\u00e3o feminina. \u201cMas a mulher negra sempre foi historicamente exclu\u00edda. Primeiro vem o homem branco, depois a mulher branca, depois o homem negro, e s\u00f3 depois a mulher negra. Nesses dois casos, da classe e do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1J37ZQ2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">g\u00eanero<\/a>, \u00e9 preciso racializar o debate, porque o racismo est\u00e1 presente em todos os temas\u201d, disse Marcelle. Karina concordou com ela sobre a import\u00e2ncia de trazer a ra\u00e7a para todos os debates: \u201cEu prefiro descolonizar as hist\u00f3rias e racializar o debate. Para mim a ra\u00e7a chega primeiro que o g\u00eanero ou a classe&#8221;. Para elas, isso garante que a coletividade negra n\u00e3o se divida em bandeiras diferentes e assim se enfraque\u00e7a: \u201cA palavra-chave \u00e9 o autocuidado. Significa nos conhecer, nos reconhecer como povo potente, nos cercar dos nossos\u201d, disse Karina.<\/p>\n<p>\u201cPara eu chegar aqui hoje, eu sofri racismo. Para eu alugar o apartamento que eu moro, eu sofri racismo. Para eu pegar o meu filho que estuda em uma escola p\u00fablica, eu, mulher negra, com meu filho preto com camisa de escola p\u00fablica, eu sofro racismo. O motorista foi rude comigo hoje pelo simples fato de eu ser uma mulher preta. Eu n\u00e3o estou com cara de quem mora na rua. Ent\u00e3o n\u00e3o tem a ver com classe, n\u00e3o tem a ver com dinheiro, tem a ver com a cor da minha pele\u201d, ecoou Jaciana. \u201cN\u00f3s, mulheres negras, somos frequentemente acusadas de sermos agressivas nas nossas reivindica\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o somos n\u00f3s que somos agressivas, \u00e9 o racismo que \u00e9 agressivo, que nos chicoteia diariamente. Ent\u00e3o \u00e0s vezes n\u00e3o tem do\u00e7ura na fala porque eu estou de saco cheio\u201d, disse ainda Jaciana, sendo especialmente impactante vindo da dona de uma das vozes mais doces na mesa, de fala pausada.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-23632 size-content\" title=\"P\u00fablico no lan\u00e7amento do livro de Angela Davis\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/foto2-620x264.jpg\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/foto2-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/foto2-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o levantada algumas vezes nas perguntas da plateia foi o que fazer para combater o racismo e como superar as pontes existentes entre negros e n\u00e3o negros nessa luta. N\u00e3o h\u00e1, de fato, uma resposta certa e trata-se de uma quest\u00e3o que divide opini\u00f5es. Para Jaciana, n\u00e3o \u00e9 preciso ser negro para lutar contra o racismo: \u201cA gente consegue sim lutar pela mesma coisa, mas n\u00e3o necessariamente nas mesmas frentes de batalha. Pessoas brancas, nos seus universos brancos, podem tornar o mundo mais colorido. Porque s\u00e3o elas que contratam os funcion\u00e1rios. S\u00e3o elas que podem escolher contratar uma pessoa negra. Se voc\u00ea \u00e9 a chefe, questiona porque s\u00f3 tem pessoas brancas ocupando esse ambiente. A gente n\u00e3o precisa estar aqui falando sobre Angela Davis para falar de racismo. Podemos falar de racismo em todos os espa\u00e7os&#8221;. Karina completou: \u201c\u00c9 preciso fazer a desconstru\u00e7\u00e3o do privil\u00e9gio. Levanta. Se algu\u00e9m te der um cargo, fala que tem uma pessoa negra que faz melhor do que voc\u00ea. Outra coisa que pode ser feito \u00e9 no campo da linguagem. Termos como mulato, pardo, e moreninho n\u00e3o cabem mais&#8221;.<\/p>\n<p>Jaciana associou o uso do termo \u201cpardo\u201d com um apagamento <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1PXkANu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hist\u00f3rico<\/a>. \u201cQuando eu digo que uma pessoa \u00e9 parda, eu estou negando a ela a oportunidade de conhecer sua hist\u00f3ria de negritude, eu estou afastando ela da hist\u00f3ria negra dela. A gente conversa com pessoas brancas que conseguem dizer o nome do navio que a linhagem da fam\u00edlia veio para o Brasil. A gente consegue entender a sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica. As fam\u00edlias negras n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3ria. Eu n\u00e3o consigo dizer em que navio veio a minha fam\u00edlia. Se eu sei que eu sou uma pessoa negra, que eu vim num navio, que eu tenho uma hist\u00f3ria, um passado, sou descendente de reis e rainhas, de povos que tinham universidade&#8221;. Ela, que trabalha com crian\u00e7as, relatou a surpresa frequente delas diante dessa informa\u00e7\u00e3o: \u201c&#8217;A \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds?\u2019, elas perguntam. Toda a hist\u00f3ria negra que as crian\u00e7as conhecem \u00e9 a hist\u00f3ria da escravid\u00e3o. De que negros faziam batuques e apanhavam\u201d. Karine completou: \u201cElas precisam entender que a gente n\u00e3o fala de negritude a partir do racismo ou da escravid\u00e3o. A gente tem uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ruUDso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hist\u00f3ria anterior<\/a> a isso&#8221;.<\/p>\n<p>Para Jaciana, a emancipa\u00e7\u00e3o do corpo negro passa pela mudan\u00e7a de referencial. \u201cEu quero ser uma mulher negra e quero poder pensar a partir dos referenciais que fazem sentido para mim. Meu filho essa semana viu um arco-\u00edris e disse que <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fbCGyl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oxumar\u00ea<\/a>\u00a0tinha mandado um presente para ele. Ningu\u00e9m entendeu nada, porque o arco-\u00edris \u00e9 dos gnomos, mas o referencial dele \u00e9 um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1wBHwoF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">orix\u00e1<\/a>. \u00c9 um outro vi\u00e9s, \u00e9 o vi\u00e9s da emancipa\u00e7\u00e3o, de se ver pessoa negra com um passado, com uma hist\u00f3ria, de pessoas que se parecem com ele. Que faz com que ele crie identidades positivas\u201d, disse ela. Assim, segundo ela, ele vai reconhecer a origem do problema do racismo na pessoa que \u00e9 racista, n\u00e3o nele pr\u00f3prio por n\u00e3o se conformar a certos ideais: \u201cA partir desse referencial de emancipa\u00e7\u00e3o, o meu filho vai entender que qualquer lugar do mundo \u00e9 lugar para ele&#8221;.<\/p>\n<p>Karine\u00a0completou: \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o pre\u00e7o que faz com que um jovem preto e favelado n\u00e3o frequente um espa\u00e7o. \u00c9 porque o espa\u00e7o \u00e9 racista. E como a gente disputa esse espa\u00e7o? Pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1acNApR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>. A gente entra na universidade e precisa voltar para os nossos lugares e n\u00e3o com um olhar de soberba para os nossos. \u00c9 olhar para tr\u00e1s e falar: \u2018Caramba, ainda temos um trabalh\u00e3o para fazer. Vamos fazer&#8217;. Se eu n\u00e3o posso favelizar os espa\u00e7os, n\u00e3o tem emancipa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que surgiu, especialmente quando se fala de negritude e de mulher, foi a da est\u00e9tica negra. Jaciana disse que s\u00f3 descobriu que era negra e bonita com 28 anos. \u201cComo a gente faz que uma pessoa adulta se reconhe\u00e7a como gente? A gente s\u00f3 vai chegar a essa resposta pela educa\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o falida que \u00e9 um projeto pol\u00edtico para que a gente continue na subalternidade. N\u00e3o essa educa\u00e7\u00e3o, mas a educa\u00e7\u00e3o que a gente faz, de guerrilha\u201d, fazendo alus\u00e3o aos projetos sociais dos quais participa. \u201cA gente n\u00e3o aceita mais. \u00c9 isso que a gente diz toda vez que pega o \u00f4nibus com dinheiro do nosso bolso para ir para uma escola l\u00e1 na Baixada. A gente vai e conta a nossa hist\u00f3ria para as crian\u00e7as para que elas consigam se olhar no espelho e entender que elas s\u00e3o gente&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cSempre classificam a gente como a menina negra bonita. Se a gente faz isso com uma pessoa branca gera um desconforto. \u2018Como assim? Eu sou uma pessoa&#8217;. Somos todos pessoas, mas existe a beleza e a beleza negra\u201d, afirmou Jaciana. Na opini\u00e3o de Karina, para al\u00e9m do reconhecimento da est\u00e9tica negra, busca-se o reconhecimento enquanto ser negro. \u201cA gente \u00e9 mais que cabelo pro alto e batom colorido. E enquanto a gente est\u00e1 aqui discutindo, foram <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2fD5yzT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">19\u00a0mortos em S\u00e3o Paulo<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2g2vPVa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">12 no Cabula<\/a>, <a href=\"http:\/\/glo.bo\/1lvM6o1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cinco em Costa Barros<\/a>&#8220;.\u00a0Essa viol\u00eancia \u00e9 refletida na hist\u00f3ria pessoal da Ana Paula, que <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1vYkeLS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">perdeu o irm\u00e3o para a viol\u00eancia e arbitrariedade policial<\/a>: \u201cEu sou uma das mulheres que ficou&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cAgora vamos ser concisos porque est\u00e1 tarde e temos todos que pegar \u00f4nibus e metr\u00f4\u201d, prop\u00f4s Marielle para fechar o debate, evidenciando o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2g3XPsK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desafio da mobilidade urbana no Rio de Janeiro<\/a>, especialmente no que diz respeito \u00e0s \u00e1reas perif\u00e9ricas. \u201cA gente sai melhor e mais forte do que a gente chega aqui. \u00c9 importante estarmos juntas. Uma negritude que n\u00e3o s\u00f3 descoloniza espa\u00e7os, mas que ocupa espa\u00e7os&#8221;. Para ela, assumir um espa\u00e7o de decis\u00e3o \u00e9 uma forma de emancipa\u00e7\u00e3o, assim como assumir um espa\u00e7o de representatividade, como faz Ana Paula no <em>O Globo<\/em>. Marielle concluiu dizendo: \u201cDo<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2dXL8AQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> lugar que eu falo<\/a>, espero que a gente possa construir juntas, a partir de ocupa\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de representa\u00e7\u00e3o de uma mulher negra que eu ocupo. Vamos enegrecer a C\u00e2mara, racializar o debate, contratar chefes de gabinetes negras e de favela. Eu n\u00e3o fiz nada na minha vida sozinha, tudo foi feito no coletivo e assim vai continuar sendo&#8221;.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Como parte de um circuito de eventos celebrando o m\u00eas da consci\u00eancia negra, foi lan\u00e7ado na Livraria Blooks no dia 10 de novembro o livro Mulheres, Ra\u00e7a e Classe, da intelectual <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=23628\" title=\"Livro de Angela Davis Lan\u00e7ado no M\u00eas da Consci\u00eancia Negra com Debate sobre Ra\u00e7a, Classe e Feminismo no Brasil\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":152,"featured_media":23633,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1618,1621,1627,1631],"tags":[3253,1754,759,332,513,1306,1790,42,128,1307,1317,2033,915,936,52,383],"writer":[1994],"translator":[],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-23628","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-olhonaparticipacao","8":"category-destaque","9":"category-relato-de-evento","10":"category-entendendo-o-rio","11":"tag-antirracismo","12":"tag-camara-dos-vereadores","13":"tag-comparacao-internacional","14":"tag-complexo-da-mare","15":"tag-cultura-afro-brasileira","16":"tag-exclusao","17":"tag-feminismo","18":"tag-genero","19":"tag-historia","20":"tag-inclusao","21":"tag-livro","22":"tag-marielle-franco","23":"tag-mes-da-consciencia-negra","24":"tag-raca","25":"tag-violencia-policial","26":"tag-zona-sul","27":"writer-luisa-fenizola"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - 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