{"id":24180,"date":"2017-03-24T11:36:59","date_gmt":"2017-03-24T14:36:59","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=24180"},"modified":"2023-08-01T16:43:47","modified_gmt":"2023-08-01T19:43:47","slug":"economia-solidaria-parte-3-expandindo-a-cidadania-nas-favelas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=24180","title":{"rendered":"Economia Solid\u00e1ria Parte 3: Expandindo a Cidadania nas Favelas Brasileiras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2gawcgg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 a terceira e \u00faltima\u00a0mat\u00e9ria de nossa s\u00e9rie de tr\u00eas sobre <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2h6msG4\">Economia Solid\u00e1ria no Brasil<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Os empreendimentos de economia solid\u00e1ria v\u00e3o al\u00e9m da l\u00f3gica de que \u201cqualquer trabalho \u00e9 um bom trabalho\u201d as\u00a0vezes usada em tentativas de combater a exclus\u00e3o do mercado de trabalho. Ao inv\u00e9s disso, estes <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fIFT8R\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espa\u00e7os de trabalho com suporte hol\u00edstico<\/a> podem ajudar os empreendedores da economia solid\u00e1ria a transformar a \u201ccidadania do consumidor\u201d em uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Ce678W\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cidadania<\/a> participativa mais profunda, tornando-os protagonistas.<\/p>\n<p>Mas o que significa cidadania em um contexto de pol\u00edticas institucionais n\u00e3o confi\u00e1veis e em uma realidade onde as pessoas se encontram isoladas de uma\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1acNApR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">educa\u00e7\u00e3o<\/a> de qualidade e de servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos?\u00a0Enquanto alguns estudiosos se referiram \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pessoas que vivem em \u00e1reas perif\u00e9ricas de cidades no s\u00e9culo 21 como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cJe5Oe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">subcidadania<\/a>, o soci\u00f3logo portugu\u00eas <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cwTaPb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boaventura de Souza Santos<\/a> argumenta que a cidadania n\u00e3o pode ser adquirida por meio da simples concess\u00e3o de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1iqdzi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">direitos<\/a> a essas pessoas. Ao contr\u00e1rio, a obten\u00e7\u00e3o da cidadania requer a transforma\u00e7\u00e3o de processos globais de socializa\u00e7\u00e3o e modelos de desenvolvimento. Na pr\u00e1tica,\u00a0os direitos n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 esperando para ser acessados. Mesmo com ascens\u00e3o no status socioecon\u00f4mico, essas pessoas podem vir a precisar de uma a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ildunJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">James Holston escreve<\/a> sobre o que ele considera como uma \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1j2EhOO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cidadania inclusiva desigual<\/a>&#8221; <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2e2SW2d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">caracteristicamente\u00a0brasileira<\/a>. \u00c9 a combina\u00e7\u00e3o de dois componentes conflitantes: filia\u00e7\u00e3o formal e princ\u00edpios de incorpora\u00e7\u00e3o ao estado-na\u00e7\u00e3o (estabelecido pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2e7F1Lg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/a>\u00a0quando o\u00a0pa\u00eds fez sua\u00a0transi\u00e7\u00e3o para a democracia), junto com \u201ca distribui\u00e7\u00e3o substantiva de direitos, significados, institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas que a filia\u00e7\u00e3o ocasiona para aqueles considerados cidad\u00e3os\u201d. Considerando que estes dois fatores muitas vezes est\u00e3o em desacordo, Holston investiga o que ele chama de \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2hNggou\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cidadania insurgente<\/a>\u201d, uma forma\u00a0de enfrentar\u00a0essa lacuna nos direitos formais e substantivos de um modo\u00a0insurgente\u00a0nas periferias, atrav\u00e9s da autoconstru\u00e7\u00e3o da periferia, de protestos e peti\u00e7\u00f5es e de identidades que desafiam as normas de exclus\u00e3o da sociedade e da cidadania.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Poderia ser argumentado que as iniciativas de economia solidaria s\u00e3o um exemplo de \u201ccidadania insurgente\u201d e de modelos transformadores de socializa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. O soci\u00f3logo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2c6bmml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Demo resume<\/a> a capacidade de acessar os direitos de cidadania como um tipo de a\u00e7\u00e3o, descrevendo a cidadania como \u201ca capacidade humana de se tornar um indiv\u00edduo, de fazer sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria organizada coletivamente\u201d. Ele argumenta que as bases desse tipo de capacidade cr\u00edtica s\u00e3o constru\u00eddas atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, identidade cultural, informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, quais s\u00e3o os direitos que os\u00a0atores da economia solid\u00e1ria est\u00e3o se organizando para acessar, ou para estabelecer de forma significativa, para si mesmos\u00a0e para suas comunidades? <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O soci\u00f3logo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cAi8Mf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulo Henrique Martins divide<\/a> os direitos de cidadania em tr\u00eas categorias: direitos civis (liberdades individuais, igualdade, propriedade e seguran\u00e7a), direitos sociais ao bem-estar e bem social (direito ao trabalho, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e aposentadoria), e direitos pol\u00edticos (participa\u00e7\u00e3o eleitoral e liberdade de associa\u00e7\u00e3o, reuni\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical). \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>Direitos Sociais e Economia Solid\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em termos de direitos sociais, empreendimentos econ\u00f4micos solid\u00e1rios (EESs) oferecem aos membros-trabalhadores, meios de construir acesso a\u00a0condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas, tanto com\u00a0rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o\u00a0f\u00edsico de trabalho como\u00a0em termos de benef\u00edcios informais, tais como\u00a0flexibilidade de hor\u00e1rios e aus\u00eancia de amea\u00e7a de rescis\u00e3o inesperada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As EESs tamb\u00e9m proporcionam\u00a0aos trabalhadores\u00a0um canal de acesso\u00a0\u00e0 educa\u00e7\u00e3o continuada por meio de organiza\u00e7\u00f5es de apoio, como incubadoras de empreendimentos universit\u00e1rios de economias solid\u00e1ria ou, no caso do\u00a0Rio, a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2h2sWoK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Solid\u00e1rio<\/a>.\u00a0Al\u00e9m disso, um\u00a0outro direito social que a participa\u00e7\u00e3o nas EESs pode favorecer \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o a novos espa\u00e7os f\u00edsicos atrav\u00e9s de oportunidades de\u00a0comercializa\u00e7\u00e3o, como o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/28UyQ7O\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Circuito Rio EcoSol<\/a>, que tem o potencial de alterar o relacionamento do membro-trabalhador com sua cidade e consigo mesmo como protagonista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As condi\u00e7\u00f5es de trabalho v\u00e3o al\u00e9m de dignidade (trabalho n\u00e3o-abusivo), sendo\u00a0geradoras tamb\u00e9m de\u00a0ganhos positivos referentes ao bem-estar, tais como benef\u00edcios terap\u00eauticos da socializa\u00e7\u00e3o, com refer\u00eancia a\u00a0trauma, depress\u00e3o e depend\u00eancia de drogas. \u201cFuxico saindo da boca, criando fuxico com as m\u00e3os\u201d. Eu ouvi isso pela primeira vez\u00a0numa alfaiataria coletiva em Porto Alegre. Uma mulher tocou\u00a0a garganta e uma outra a l\u00edngua, enquanto me explicavam o significado da frase: \u201cFuxico\u2013fofoca\u2013sai de nossas bocas, enquanto fazemos fuxico com nossas m\u00e3os&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/fuxicos_cd.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-24253 size-content\" title=\"Fuxico. Foto do fazfacil.com\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/fuxicos_cd-620x264.jpg\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/fuxicos_cd-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/fuxicos_cd-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu ouvi isso de novo quando Clarisse, da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/28PRwbC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Devas<\/a>, uma associa\u00e7\u00e3o que fabrica roupas de forma sustent\u00e1vel no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BvARw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo da Mar\u00e9<\/a>, na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/WximDf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a> do Rio, me contou que a pr\u00f3pria Devas nasceu de um \u201cgrupo de fuxico\u201d. Ela explicou que um projeto na Cl\u00ednica de Sa\u00fade da Mar\u00e9, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, ensinou mulheres a costurar, incluindo como fazer flores de fuxico<em>,<\/em> e juntas elas se engajaram tamb\u00e9m no outro significado da palavra fuxico, discutindo sobre \u201cdramas pessoais, crian\u00e7as que morreram, crian\u00e7as que se envolveram em crimes e o impacto do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/NRIxaP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tr\u00e1fico<\/a> na comunidade&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A assistente social que trabalha com as costureiras da cooperativa <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cqJSCz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Univens<\/a>, em\u00a0Porto Alegre, relatou que a primeira coisa que ela notou sobre o grupo \u00e9 que \u201cvai al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o\u201d. Esse al\u00e9m inclui, segundo ela, \u201ca troca de informa\u00e7\u00e3o e o fortalecimento dessas mulheres como pessoas\u201d. A conversa no grupo n\u00e3o \u00e9\u00a0apenas fofoca, \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de arejamento dos problemas pessoais, um espa\u00e7o para dar e receber conselhos, e para falar sobre as quest\u00f5es da comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fato de que mulheres se re\u00fanem para fofocar e desabafar sobre suas vidas\u00a0poderia ser menosprezado. No entanto, levando em conta o contexto de algumas dessas mulheres, fica claro porque esse espa\u00e7o \u00e9 t\u00e3o essencial. Como definido pela assistente social, \u201cesse \u00e9 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o espa\u00e7o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. Ela explicou que muitas das mulheres acabaram socialmente isoladas em raz\u00e3o de quest\u00f5es de seguran\u00e7a em suas comunidades, ou por agendas sobrecarregadas entre trabalho e cuidados, especialmente para aquelas mulheres que s\u00e3o chefes de fam\u00edlia. <\/span><\/p>\n<p>Embora esse isolamento n\u00e3o seja uma realidade universal em todas as favelas ou outras comunidades de baixa renda, que podem ser espa\u00e7os altamente\u00a0sociais, muitas das mulheres com quem eu conversei durante minha pesquisa fizeram refer\u00eancia a ele, e talvez tenham procurado o trabalho coletivo por essa raz\u00e3o.\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo em comunidades com alto grau de intera\u00e7\u00e3o social, pode haver uma diferen\u00e7a entre espa\u00e7os de trabalho de economia solid\u00e1ria e outros espa\u00e7os estritamente sociais em rela\u00e7\u00e3o\u00a0aos temas que s\u00e3o fundamentalmente discutidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das integrantes\u00a0da cooperativa de costureiras de Porto Alegre deu voz a essa quest\u00e3o: \u201cComo eu cuido do meu filho portador de defici\u00eancia, n\u00e3o tenho outros espa\u00e7os onde possa encontrar amigos\u201d. Outra participante do mesmo grupo chorou\u00a0explicando como o grupo \u00e9\u00a0uma fam\u00edlia para ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Clarice, do grupo Devas, acredita que \u201cpertencer a um grupo\u201d fora da fam\u00edlia \u00e9 essencial para todo mundo. Ela identificou parte da import\u00e2ncia do grupo como a oportunidade de lidar com viol\u00eancias relacionadas a traumas: \u201cSe houve um tiroteio hoje, a viol\u00eancia te deixa mal, mas o grupo faz voc\u00ea forte, voc\u00ea tem pessoas para falar a respeito, pessoas para sa\u00edrem com voc\u00ea&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/2015-11-07-09.27.29-e1473975865159.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-24255 size-content\" title=\"Espa\u00e7o de trabalho da Univens em Porto Alegre\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/2015-11-07-09.27.29-e1473975865159-620x264.jpg\" width=\"620\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/2015-11-07-09.27.29-e1473975865159-620x264.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/2015-11-07-09.27.29-e1473975865159-940x400.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De fato, os temas de depress\u00e3o e a natureza terap\u00eautica do grupo vieram \u00e0 tona nas entrevistas realizadas com Clarice, do grupo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2dUfuET\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mulheres Guerreiras de Babil\u00f4nia<\/a>, e tamb\u00e9m com as costureiras e participantes do grupo de produ\u00e7\u00e3o coletiva de alimentos do Rio Grande do Sul. Na Devas, uma mulher que sofria de depress\u00e3o grave e ataques de p\u00e2nico assumiu um papel de lideran\u00e7a dentro da associa\u00e7\u00e3o. Clarice fala sobre a hist\u00f3ria dela: \u201cA sociedade nos diz que, enquanto mulheres, n\u00e3o somos capazes de nada, e aqui n\u00f3s trabalhamos contra isso&#8221;. As costureiras do grupo Babil\u00f4nia resumem seu trabalho de forma simples: \u201c\u00c9 terapia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na cooperativa de alimentos no Rio Grande do Sul, os membros definem o trabalho da seguinte forma: \u201c\u00e9 um tempo puro\u201d e \u201cisso aqui \u00e9 o para\u00edso, voc\u00ea esquece de tudo, e faz o que gosta. Antes eu me sentia sozinha; aqui eu falo o que sinto\u201d. Uma outra participante que sofreu de depress\u00e3o debilitante fala: \u201cEsse trabalho representa n\u00e3o ficar focada nas coisas que me incomodam. Sair de casa e me manter ativa, ent\u00e3o as coisas que me incomodavam internamente v\u00e3o embora. \u00c9 esperan\u00e7a\u201d. De fato, a lideran\u00e7a dessa cooperativa teve essa ideia em mente desde o principio: \u201cA cooperativa \u00e9 um sonho, \u00e9 camaradagem,\u00a0ele resguarda coisas que somente podem ser faladas no grupo. Com quem mais voc\u00ea diria essas coisas?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As EESs tamb\u00e9m apoiam a educa\u00e7\u00e3o continuada, atrav\u00e9s\u00a0da cria\u00e7\u00e3o intencional de habilidades. Frequentemente membros do grupo ensinam uns aos outros novas habilidades. E, atrav\u00e9s de processos de treinamento com a\u00a0sociedade civil ou atores do setor p\u00fablico, os trabalhadores membros aprendem novas habilidades t\u00e9cnicas, gerenciamento de neg\u00f3cios e como trafegar por\u00a0outros servi\u00e7os. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mara Adell, l\u00edder da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2eXQiNR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mara Adell Sustent\u00e1vel<\/a>\u00a0no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/U0MiGm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Alem\u00e3o<\/a>, me contou que o treinamento que ela fez atrav\u00e9s da SEDES foi &#8220;tudo&#8221;. Ela explicou: \u201cAntes, eu n\u00e3o estava separando a renda domiciliar da renda do neg\u00f3cio. Eu n\u00e3o tinha ideia de\u00a0quanto lucro meus produtos estavam rendendo\u201d. No caso das EESs do Rio Grande do Sul, eles estavam mais engajados com incubadoras de empreendimentos universit\u00e1rios de economia solid\u00e1ria\u00a0do que com agencias governamentais. Embora o apoio\u00a0t\u00e9cnico muitas vezes fosse\u00a0exaustivo, \u00a0em outros casos foi bem recebido, em raz\u00e3o das habilidades aprendidas e pelas oficinas sobre temas mais amplos, como o funcionamento de ag\u00eancias governamentais locais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Finalmente, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kzUmMv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sa\u00fade<\/a> \u00e9 um outro direito social cujo acesso pode ser ampliado pela participa\u00e7\u00e3o em\u00a0EES. Flexibilidade significa n\u00e3o s\u00f3 que os cuidadores s\u00e3o capazes de atender melhor os membros de suas pr\u00f3prias fam\u00edlias, mas tamb\u00e9m que, em muitos casos, s\u00e3o capazes de cuidar melhor da pr\u00f3pria sa\u00fade. Por exemplo, dois dos membros da cooperativa de alimentos do Rio Grande do Sul foram\u00a0capazes de continuar trabalhando, apesar\u00a0de graves les\u00f5es m\u00fasculo-esquel\u00e9ticas\u00a0que os impediram de continuar em seus empregos anteriores. <\/span><\/p>\n<h3><strong>Direitos Civis e Economia Solid\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em termos de direitos civis, os direitos\u00a0fundamentais de liberdade e seguran\u00e7a est\u00e3o implicados no papel que as EESs desempenham como espa\u00e7o de apoio para mulheres em situa\u00e7\u00f5es de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1TKaCRA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/a>. Essa din\u00e2mica esteve presente\u00a0em pelo menos dois casos de\u00a0associadas da cooperativa de alimentos do Rio Grande do Sul. Uma dessas mulheres disse que, para ela, parte da import\u00e2ncia da cooperativa era que \u201caqui eles levam voc\u00ea \u00e0 s\u00e9rio\u201d, enquanto ela relatava que muitas vezes n\u00e3o acreditava quando compartilhava\u00a0epis\u00f3dios de viol\u00eancia domestica com pessoas fora da cooperativa. Clarice, da Devas, parafraseou uma das cooperadas que saiu de um relacionamento abusivo com o apoio da cooperativa: \u201cAntes, se ele me maltratasse, eu n\u00e3o tinha para onde ir. Agora eu sei que poderia vir aqui para dormir&#8221;.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Direitos Pol\u00edticos e Solidariedade Econ\u00f4mica<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em termos de direitos pol\u00edticos, os la\u00e7os de solidariedade entre os membros, que nascem\u00a0da participa\u00e7\u00e3o nos EESs, podem ser plataforma para a\u00e7\u00f5es coletivas.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A extens\u00e3o com que esses membros dos EESs acessam\u00a0esse potencial \u00e9 mediada por diversos fatores, tanto pessoais como relativos ao grupo, incluindo experi\u00eancias com ativismo, obst\u00e1culos existentes \u00e0s a\u00e7\u00f5es coletivas, lideran\u00e7a interna e tipos\u00a0de assist\u00eancia externa presentes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, o tipo de a\u00e7\u00e3o coletiva varia, em alguns casos espec\u00edficos voltada para\u00a0espa\u00e7os de movimento da Economia S<\/span>olid\u00e1ria (f\u00f3runs, conselhos, etc.) e em outros casos requerendo uma a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria mais ampla. Praticar a democracia no \u00e2mbito da gest\u00e3o coletiva do EES pode funcionar como um espa\u00e7o para o desenvolvimento de lideran\u00e7a que se traduz no envolvimento\u00a0com a a\u00e7\u00e3o coletiva, embora esse seja limitado ao contexto dos EESs onde o gerenciamento coletivo \u00e9 informal e desestruturado.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fato de que os EESs est\u00e3o radicados em comunidades de membros-trabalhadores, e\u00a0oferecem um espa\u00e7o regular para se reunir e falar sobre din\u00e2micas da comunidade, pode levar a uma maior <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1rOePGu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">participa\u00e7\u00e3o<\/a> comunit\u00e1ria.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Na confec\u00e7\u00e3o coletiva do Rio Grande do Sul, o grupo discute constantemente quest\u00f5es\u00a0da comunidade, e um membro foi capaz de falar, na universidade, em uma reuni\u00e3o com a sociedade civil, sobre as din\u00e2micas de sua comunidade. Isso ocorreu atrav\u00e9s do apoio\u00a0t\u00e9cnico de uma incubadora universit\u00e1ria, e demonstra uma fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de conex\u00f5es com esses atores da sociedade civil. A cooperativa de servi\u00e7os aliment\u00edcios do Rio Grande do Sul tamb\u00e9m se envolve constantemente em discuss\u00f5es sobre a comunidade e seus desafios. No Rio, Clarice diz que os membros tornaram-se mais ativos nas <a href=\"http:\/\/bit.ly\/29mn8Bw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00f5es de Moradores\u00a0da Mar\u00e9<\/a>, enquanto Mara Adell relata que os membros passaram a usar mais servi\u00e7os da comunidade do Alem\u00e3o agora que eles t\u00eam sua base de trabalho situada na comunidade e podem trocar informa\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os EESs buscam frequentemente retribuir suas comunidades de forma direta. A cooperativa de servi\u00e7os aliment\u00edcios funcionava anteriormente num espa\u00e7o comunit\u00e1rio com oportunidades para educa\u00e7\u00e3o popular, contudo isso acabou junto com a administra\u00e7\u00e3o\u00a0de um governo municipal mais progressista que subsidiava a atividade. A Mara Adell Sustent\u00e1vel \u00e9 subsidiada pela empresa de material de constru\u00e7\u00e3o LafargeHolcim, e, em troca do espa\u00e7o gratuito, a cooperativa ministra cursos\u00a0de costura e reaproveitamento de materiais no Complexo do Alem\u00e3o. O grupo tamb\u00e9m cede seu espa\u00e7o para eventos culturais com empreendedores locais, que pagam apenas pela manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos proporcionalmente ao seu uso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fora de suas comunidades, o aumento da intera\u00e7\u00e3o com diferentes tipos de atores tamb\u00e9m representa uma maior liberdade de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1WkJojx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mobilidade<\/a> e at\u00e9 mesmo uma reivindica\u00e7\u00e3o insurgente ao &#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/GRb6lx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">direito \u00e0 cidade<\/a>&#8221; dessas mulheres. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988 estabeleceu \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1wt8EWG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o direito de ir e vir<\/a>\u201d e o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/XVcGa0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plano diretor da cidade do Rio de Janeiro, de 1992<\/a>, afirma explicitamente o objetivo de &#8220;integrar as favelas \u00e0 cidade formal&#8221; e &#8220;preservar seu car\u00e1ter local\u201d.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A busca pelo acesso real ao direito de ir e vir tem sido\u00a0uma quest\u00e3o central em\u00a0muitas lutas recentes das favelas por direitos, especialmente porque os moradores de favelas continuam sendo\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ZrpHZ8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">injustamente estigmatizados<\/a>\u00a0no <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">asfalt<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">ou cidade formal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As feiras do Circuito de Economia Solid\u00e1ria acontecem tanto na periferia como nas \u00e1reas centrais, em alguns\u00a0dos espa\u00e7os mais proeminentes da cidade. Dado isso e a domin\u00e2ncia dos moradores\u00a0de favelas no Circuito, as feiras podem ser vistas como um espa\u00e7o de intera\u00e7\u00e3o entre a favela e a cidade formal, uma forma do \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/22fZkp3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">morro descer<\/a>\u201d, enquanto essas mulheres afirmam seu direito \u00e0 cidade. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Como diz Ana Asti, \u201ca amplitude em que os produtores e consumidores interagem diretamente nas feiras do Rio \u00e9 uma caracter\u00edstica definidora\u201d. A cidadania insurgente e sua a\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorrem apenas por meio de marchas, protestos e manifesta\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de praticas mais cotidianas para reivindicar espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A participa\u00e7\u00e3o na\u00a0economia solidaria atrav\u00e9s do\u00a0trabalho coletivo realizado nos EESs pode ser uma oportunidade para todo tipo de pessoa, mas especialmente para aqueles que v\u00eam sendo sistematicamente marginalizados com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s oportunidades econ\u00f4micas e a muitos outros direitos como cidad\u00e3os. Para moradores\u00a0de favelas e outras comunidades economicamente desfavorecidas, por exemplo, os <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2buISj2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00edveis educacionais e a discrimina\u00e7\u00e3<\/a>o\u00a0podem agir como barreiras para \u201cbons empregos\u201d. ESSs podem ser\u00a0&#8220;bons empregos&#8221;, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista da gera\u00e7\u00e3o de renda e aprendizagem de habilidades, mas tamb\u00e9m em termos de um local de trabalho n\u00e3o abusivo e flex\u00edvel, em termos da cria\u00e7\u00e3o de novos espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o social (dentro e fora dos EESs), que possam\u00a0aumentar a seguran\u00e7a, combater o isolamento e promover a alegria; e ainda em termos de aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o, engajamento e lideran\u00e7a da comunidade. \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">EESs deveriam ser avaliadas em fun\u00e7\u00e3o de sua l\u00f3gica interna, que difere de empresa para empresa. Embora os\u00a0EESs entrevistados no circuito de feiras do Rio estejam conseguindo prover uma remunera\u00e7\u00e3o digna para seus membros, o mesmo n\u00e3o se mostra como verdade para muitos dos EESs ouvidos no Rio Grande do Sul. Embora nem todos os EESs se mostrem financeiramente sustent\u00e1veis, seus membros acabam permanecendo neles, seja por\u00a0falta de melhores oportunidades, seja em raz\u00e3o dos benef\u00edcios sociais compensat\u00f3rios. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A l\u00f3gica interna de alguns EESs pode incluir oferecer \u00e0s mulheres uma oportunidade de conciliar fam\u00edlia e trabalho de uma forma mais conveniente do que nos espa\u00e7os de trabalho convencionais. Isso pode ser considerado mais como uma radical reimagina\u00e7\u00e3o de como os diferentes tipos de trabalho s\u00e3o valorizados do que como uma regress\u00e3o na luta pelos direitos das mulheres. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em termos de pol\u00edtica p\u00fablica, a crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que afeta o Brasil est\u00e1 levando\u00a0a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/20H3WDe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cortes em todos os tipos de programas sociais<\/a> e institui\u00e7\u00f5es de economia solid\u00e1ria tamb\u00e9m est\u00e3o sendo v\u00edtimas desse processo. No entanto, atores desse movimento apontam que, dada \u00e0 natureza relativamente aut\u00f4noma, protagonista e p\u00f3s-desenvolvimentista das iniciativas de economia solid\u00e1ria, a necessidade de apoio governamental, embora importante, \u00e9 m\u00ednima. EESs, como estrat\u00e9gia de desenvolvimento, n\u00e3o visam tornar os\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">indiv\u00edduos completamente autossuficientes, mas sim ajud\u00e1-los a assumir pap\u00e9is mais ativos em suas vidas, incluindo lutar por acesso a direitos que lhes s\u00e3o devidos enquanto cidad\u00e3os.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Atualmente, no Rio de Janeiro, onde o Circuito da Economia Solid\u00e1ria est\u00e1 em risco, os empreendedores destacam que seus principais custos referem-se aos espa\u00e7os p\u00fablicos essenciais que a cidade concede \u00e0s feiras, bem como \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es subsidiadas. Esses custos fracion\u00e1rios t\u00eam ajudado a manter \u00e0 tona n\u00e3o s\u00f3 outro tipo de economia, mas tamb\u00e9m todo tipo de efeito cascata para a vida desses empreendedores, suas fam\u00edlias e comunidades de origem. O grito de guerra deles \u00e9: \u201cA economia solid\u00e1ria \u00e9 nossa\u201d.<\/p>\n<div class=\"entry clearfix\">\n<p><i><em><span class=\"il\">Anna<\/span> <span class=\"il\">Cash<\/span><\/em>\u00a0realizou uma pesquisa sobre a economia solid\u00e1ria como uma plataforma para aumentar a inclus\u00e3o social, em 2015, na \u00e1rea metropolitana de Porto Alegre, como parte de uma bolsa Fulbright em parceria com o Grupo de Pesquisa Ecosol da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com a orienta\u00e7\u00e3o do Professor Luiz In\u00e1cio Gaiger. Atualmente, ela \u00e9 mestranda em\u00a0Planejamento Urbano e Regional pela\u00a0Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<h3><em>S\u00e9rie Completa: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2h6msG4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Economia Solid\u00e1ria no Brazil<\/a><\/em><\/h3>\n<p>Parte 1: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fIFT8R\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desenvolvimento Criativo no Rio e Al\u00e9m<\/a><br \/>\nParte 2: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2kkREmm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mulheres Protagonistas<\/a><br \/>\nParte 3: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2n1Gy6n\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Expandindo a Cidadania nas Favelas Brasileiras<\/a><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Esta \u00e9 a terceira e \u00faltima\u00a0mat\u00e9ria de nossa s\u00e9rie de tr\u00eas sobre Economia Solid\u00e1ria no Brasil. 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