{"id":24245,"date":"2017-02-04T08:00:54","date_gmt":"2017-02-04T11:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=24245"},"modified":"2024-06-20T16:24:40","modified_gmt":"2024-06-20T19:24:40","slug":"como-a-cobertura-do-o-globo-sobre-a-rocinha-mudou-desde-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=24245","title":{"rendered":"Como a Cobertura do O Globo sobre a Rocinha Mudou desde 2009?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fH92Su\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>As favelas do Rio s\u00e3o reconhecidas por estrangeiros e brasileiros devido as suas diversas qualidades \u00fanicas e muitas vezes contradit\u00f3rias: muito vis\u00edveis na paisagem urbana do Rio, elas servem como um emblem\u00e1tico lembrete da forte disparidade de riquezas da Cidade Maravilhosa. Frequentemente t\u00f3pico de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1OKE065\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">representa\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas<\/a>, as favelas s\u00e3o reconhecidas tanto por suas contribui\u00e7\u00f5es <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1NzHxSq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">culturais<\/a> \u00e0 cidade, quanto pela\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1wLR1Ef\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia<\/a>. As fac\u00e7\u00f5es\u00a0de tr\u00e1fico de drogas que operam dentro de algumas favelas entram periodicamente em conflito com a pol\u00edcia, as mil\u00edcias ou umas com as outras, muitas vezes atraindo a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Por causa da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/P4itK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estigmatiza\u00e7\u00e3o<\/a> social destas favelas como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2buISj2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espa\u00e7os de perigo e pobreza<\/a>, uma r\u00edgida <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1Y4mr4h\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">divis\u00e3o<\/a> conceitual existe entre o asfalto e a favela, a qual \u00e9 refletida e refor\u00e7ada pelas <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2i0ABHB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">representa\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas de viol\u00eancia<\/a>\u00a0dentro destas comunidades.<\/p>\n<p>Os <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fZJQHs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jogos Ol\u00edmpicos de 2016<\/a> no Rio <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2i2Oj8K\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aumentaram dramaticamente a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia internacional<\/a>\u00a0na cidade, colocando os holofotes sobre muitos aspectos da Cidade Maravilhosa, e levando ao aumento do escrut\u00ednio p\u00fablico de muitos problemas da cidade associados \u00e0 <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1owRf9p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desigualdade<\/a> e \u00e0 <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1SFheig\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pobreza<\/a>. Com este escrut\u00ednio aumentou a press\u00e3o sobre o governo brasileiro para que exiba o Rio sob uma perspectiva positiva. Em particular durante o per\u00edodo anterior ao megaevento, diversas fontes da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2gMPVYy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00eddia internacional focaram suas aten\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0em favelas, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/22UReDO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportando hist\u00f3rias de viol\u00eancia<\/a> e discutindo o papel muitas vezes negativo da pol\u00edcia nessas comunidades.<\/p>\n<p>Neste panorama de mudan\u00e7a da m\u00eddia global, procurei examinar se as representa\u00e7\u00f5es das favelas na m\u00eddia brasileira tamb\u00e9m mudaram. Meu estudo analisou o proeminente jornal\u00a0<em><a href=\"http:\/\/bit.ly\/1VtRpVb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Globo<\/a><\/em>, examinando sua cobertura sobre a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/16w2zz1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rocinha<\/a>. A Rocinha \u00e9 uma das maiores e mais densamente povoadas favelas em toda a Am\u00e9rica do Sul, com uma popula\u00e7\u00e3o estimada entre 101.000 e 300.000 habitantes. Por causa de sua localiza\u00e7\u00e3o na rica <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1mNsDyk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a> do Rio, a Rocinha recebe significativa aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, do governo e de estrangeiros, e por isso \u00e9 a escolha ideal para uma an\u00e1lise da representa\u00e7\u00e3o de favelas na m\u00eddia.<\/p>\n<p>O jornal <em>O Globo<\/em> \u00e9 conhecido pelo seu <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1VzS2w1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conservadorismo politico<\/a> e seu vi\u00e9s pr\u00f3-governo, evidenciado pelo seu apoio \u00e0 Ditadura Militar dos anos 1960-1980 e seu endosso \u00e0s atividades conservadoras do atual governo. Sua cobertura sobre as favelas tradicionalmente reflete um certo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1XXLTLJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">preconceito de classe<\/a> que agrada sua base de leitores em grande parte de classe m\u00e9dia e alta. Como o principal jornal da maior rede de m\u00eddia da na\u00e7\u00e3o, <em>O Globo<\/em> \u00e9 altamente influente. Por todas estas raz\u00f5es, portanto, ele serviu como um objeto \u00fatil para examinar\u00a0as mudan\u00e7as na representa\u00e7\u00e3o das favelas em resposta aos Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>O estudo selecionou dois intervalos de tempo como amostragem para uma compara\u00e7\u00e3o cruzada das representa\u00e7\u00f5es do <em>O Globo<\/em> sobre a Rocinha. O primeiro intervalo, de janeiro de 2009 a dezembro de 2009, estabeleceu uma linha de base da cobertura do <em>O Globo<\/em> sobre a favela antes e durante o an\u00fancio de que o Rio receberia as Olimp\u00edadas de 2016. O segundo intervalo, de janeiro de 2015 a fevereiro de 2016, forneceu uma janela suficiente para compara\u00e7\u00e3o. Dentro de cada per\u00edodo de tempo uma m\u00e9dia de 18 artigos foram qualitativamente analisados por sua cobertura de t\u00f3picos como viol\u00eancia, moradores e expans\u00e3o da favela. Esses achados foram ent\u00e3o comparados para avaliar como, se aplic\u00e1vel, <em>O Globo<\/em> mudou sua ret\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 favela nos anos pr\u00e9-Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<h3><strong>Per\u00edodo 1: Janeiro 2009 \u2013 Dezembro 2009<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/March-26-2009-Globo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-24264 size-content\" title=\"Imagem do Globo no dia 26 de mar\u00e7o de 2009\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/March-26-2009-Globo-620x264.jpg\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Globo-March-26-2009.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-24266 size-content alignright\" title=\"Infogr\u00e1fico na Globo em 26 de mar\u00e7o de 2009, documentando a opera\u00e7\u00e3o policial.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Globo-March-26-2009-267x264.jpg\" width=\"267\" height=\"264\" \/><\/a>A an\u00e1lise dos artigos do <em>O Globo<\/em> no primeiro intervalo de tempo descobriu que o jornal enfatizou duas principais discuss\u00f5es: a expans\u00e3o da Rocinha e o conflito em curso entre <a href=\"http:\/\/bit.ly\/NRIxaP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">traficantes de drogas<\/a> e a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1m6E85H\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pol\u00edcia<\/a>. <em>O Globo<\/em> tendia a sub-representar os moradores da favela nas an\u00e1lises dos eventos na Rocinha, e principalmente retratava o espa\u00e7o como um foco\u00a0de problemas como viol\u00eancia e pobreza. Reportagens frequentes catalogaram surtos espor\u00e1dicos de viol\u00eancia entre a pol\u00edcia e traficantes. Por exemplo, batidas policiais na Rocinha em mar\u00e7o de 2009 geraram um conjunto de mat\u00e9rias detalhadas com as estat\u00edsticas da opera\u00e7\u00e3o policial, a qual envolveu 300 policiais, a apreens\u00e3o de 200 quilos de p\u00f3lvora e uma tonelada de maconha, a pris\u00e3o de seis \u201cbandidos\u201d e a morte de tr\u00eas \u201csuspeitos\u201d. Imagens da opera\u00e7\u00e3o como a acima acompanham estas mat\u00e9rias, no qual a identidade do corpo na foto n\u00e3o \u00e9 especificada. Outra mat\u00e9ria (\u201c<a href=\"http:\/\/glo.bo\/2dgELos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Rocinha: pol\u00edcia estoura refinarias do tr\u00e1fico<\/em><\/a>\u201d) p\u00f5e os detalhes de uma opera\u00e7\u00e3o em um infogr\u00e1fico para ajudar a explicar e destacar dados chave.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O outro t\u00f3pico de frequente cobertura&#8211;a expans\u00e3o da Rocinha para dentro da floresta&#8211;foi frequentemente enquadrado ou por sua superpopula\u00e7\u00e3o, ou pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental ao redor da favela, ao inv\u00e9s de, por exemplo, falar sobre a necessidade n\u00e3o atendida de habita\u00e7\u00e3o que essa expans\u00e3o representa. Rep\u00f3rteres apresentaram detalhes concretos e descri\u00e7\u00f5es reais sobre a expans\u00e3o da favela; por exemplo, em abril de 2009, um artigo intitulado \u201c<a href=\"http:\/\/glo.bo\/2eda586\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quase 50 casas \u2018furaram\u2019 ecolimite da Rocinha<\/a>\u201d descreve a \u201cinvas\u00e3o\u201d de 48 fam\u00edlias na floresta ao redor da Rocinha, enfatizando a floresta como uma \u00e1rea ecol\u00f3gica que \u201cdeve ser preservada&#8221;. Outras vezes estat\u00edsticas d\u00e3o lugar \u00e0 subjetividade; por exemplo, cinco mat\u00e9rias diferentes <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cB0jLU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">usam a palavra \u201cdesordenada\u201d<\/a>\u00a0para descrever a expans\u00e3o da Rocinha.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"http:\/\/glo.bo\/2eyRaJr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reportagens de acompanhamento<\/a> do <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2dBbgyq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crescimento da favela<\/a> <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cB0jLU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">registram um debate<\/a> de um m\u00eas sobre uma proposta para construir um muro de concreto de tr\u00eas metros (repetidamente referido como um \u201cecolimite\u201d) em torno do per\u00edmetro da Rocinha para controlar a expans\u00e3o da comunidade, uma proposta que foi vocalmente apoiada pelos moradores do rico bairro vizinho, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1rR8uM8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Conrado<\/a>. Em maio, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores de S\u00e3o Conrado <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2deKihr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicou um artigo<\/a> na se\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o do <em>O Globo<\/em> no qual ele chamou as novas constru\u00e7\u00f5es de moradias na Rocinha de uma forma de \u201cdegrada\u00e7\u00e3o ambiental&#8221;. Quando os planos para o muro em volta da Rocinha eventualmente mudaram ap\u00f3s protestos e resist\u00eancia por parte dos moradores da Rocinha, um rep\u00f3rter do <em>O Globo<\/em> se referiu a um encontro entre l\u00edderes comunit\u00e1rios da Rocinha opostos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do muro como \u201c<a href=\"http:\/\/glo.bo\/2e6BFEY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">discurso pol\u00edtico inflamat\u00f3rio<\/a>\u201d. Em geral, reportagens sobre a Rocinha durante 2009 examinam a viol\u00eancia, conflito, e controv\u00e9rsia na comunidade durante este tempo, e marginalizam o ponto de vista dos moradores da favela e suas representa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\">Per\u00edodo 2: Janeiro 2015 \u2013 Fevereiro 2016<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">No segundo intervalo de tempo as representa\u00e7\u00f5es do <em>O Globo<\/em> sobre a Rocinha passaram por uma dram\u00e1tica higieniza\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o aos seus retratos anteriormente expl\u00edcitos da viol\u00eancia e expans\u00e3o da favela. Com uma menor cobertura das batidas policiais e do crescimento populacional, a maioria das mat\u00e9rias focaram em hist\u00f3rias de interesse humano e iniciativas de melhorias da comunidade dentro da Rocinha, trazendo a voz dos moradores da favela. Apesar da recente inclus\u00e3o nas representa\u00e7\u00f5es do jornal, os moradores da favela estavam pass\u00edveis ao \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1rOePGu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tokenismo<\/a>\u201d do <em>O Globo<\/em>. No contexto do programa do estado fortemente marcado das <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2d6d4yo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UPPs<\/a>, um programa que foi lan\u00e7ado na comunidade <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1D2x5P9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em 2012<\/a>, as hist\u00f3rias de confrontos com viol\u00eancia e aspectos negativos da vida nas favelas foram, cada vez mais, apagadas das representa\u00e7\u00f5es do jornal.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Globo-Feb-21-2016-e1473715544469.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-24272 size-content\" title=\"Imagem do Globo em 21 de fevereiro de 2016\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Globo-Feb-21-2016-e1473715544469-620x264.jpg\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por exemplo, um artigo publicado em fevereiro de 2016 <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2dr8nAG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">descrevia um tenista campe\u00e3o<\/a> da Rocinha que ganhou um t\u00edtulo nacional e retornou \u00e0 favela com o objetivo de <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2dgJmqk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abrir uma escola desportiva<\/a>. O rep\u00f3rter inclui uma cita\u00e7\u00e3o do atleta que diz que \u201co t\u00eanis ajudou a ter disciplina, educa\u00e7\u00e3o e a ficar longe da viol\u00eancia&#8221;, e observa que a escola oferece &#8220;uma oportunidade para a Rocinha criar atletas e cidad\u00e3os&#8221;. A \u00faltima frase do artigo inclui uma breve refer\u00eancia a uma conversa entre o instrutor de t\u00eanis e os oficiais da UPP da Rocinha. Outro artigo do <em>O Globo<\/em> publicado em fevereiro de 2015 relatava sobre a popula\u00e7\u00e3o jovem da Rocinha, incluindo depoimentos de moradores da favela sobre o futuro do sistema educacional\u00a0e de sa\u00fade na comunidade. Claramente tirada de dentro da favela, a foto que acompanha a mat\u00e9ria mostra os entrevistados de frente, com os telhados da Rocinha subindo atr\u00e1s deles at\u00e9 o fundo distante. Fotos como a de acima, com os rostos e nomes dos moradores das favelas apresentados de forma transparente aos leitores do <em>O Globo<\/em>, n\u00e3o t\u00eam equival\u00eancia no per\u00edodo de 2009.<\/p>\n<p>Moradores da favela tamb\u00e9m foram citados na cobertura sobre assuntos indiretamente relacionados \u00e0 Rocinha. Como, por exemplo, em um <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2d6b7Ij\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo publicado em fevereiro de 2015<\/a> sobre a extens\u00e3o da linha de metr\u00f4, onde o rep\u00f3rter mencionou 20 moradores da Rocinha que foram convidados \u00e0 visitar o projeto acompanhados pelo Secret\u00e1rio de Transporte do Estado.<\/p>\n<p>O artigo ressaltava os benef\u00edcios que os moradores da Rocinha receberiam do projeto, pela sua proximidade ao metr\u00f4 e a nova acessibilidade \u00e0 cidade. Em outro lado, foi raro notar a presen\u00e7a de artigos durante o per\u00edodo de 2009 que inclu\u00edam moradores da Rocinha em discuss\u00f5es mais amplas al\u00e9m dos limites da sua comunidade.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a cobertura da viol\u00eancia quase desapareceu das representa\u00e7\u00f5es do<em> O Globo<\/em> da Rocinha. Apenas <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2e2R1gN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um artigo<\/a> no segundo per\u00edodo analisado mencionou um ato de viol\u00eancia acontecido na favela. Outros debatiam sobre a UPP instalada na favela em 2012, mas somente em termos gerais. A t\u00edpica descri\u00e7\u00e3o da UPP <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2dsFisq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">retratava a nova for\u00e7a policial<\/a> como \u201crespondendo \u00e0 demanda da comunidade\u201c e \u201cretomando o territ\u00f3rio\u201c que tinha sido sujeito a\u00a0&#8220;d\u00e9cadas de abandono\u201c. Em julho de 2015, <a href=\"http:\/\/glo.bo\/2eo5Dsi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um artigo do <em>O Globo<\/em> sobre as UPPs<\/a> em toda a cidade dizia que as for\u00e7as policiais foram respons\u00e1veis por salvar quase 1.000 vidas, diminuir a taxa de homic\u00eddio a 65%, reduzindo a taxa de mortos por a\u00e7\u00f5es policiais em aproximadamente 85%, e que tamb\u00e9m ganharam o apoio dos membros da comunidade que foram protegidos por eles. Nenhum depoimento de algum morador foi dado para apoiar essa causa.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\">Comparando 2009 e 2015\/16<\/h3>\n<p>Durante esses dois per\u00edodos de tempo, <em>O Globo<\/em> transformou-se de um jornal com intensas reportagens sobre os conflitos entre traficantes e o estado e a expans\u00e3o das favelas para um discurso bem mais leve, reduzindo a cobertura da viol\u00eancia e substituindo essas not\u00edcias por outras mais agrad\u00e1veis, de interesse da popula\u00e7\u00e3o e sobre programas de melhorias na comunidade que destacaram a Rocinha como uma comunidade segura. Essa mudan\u00e7a afetou a representatividade dos moradores da Rocinha, que antes eram exclu\u00eddos das not\u00edcias mas ganharam maior presen\u00e7a em 2015 quando suas palavras e atividades foram usadas para refor\u00e7ar as pol\u00edticas governamentais. Ao mesmo tempo, os grupos de traficantes de drogas que continuavam a operar dentro da favela e a se\u00a0<a href=\"http:\/\/glo.bo\/1JSYHHU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">confrontavam com a pol\u00edcia<\/a> receberam relativamente pouca cobertura no segundo per\u00edodo. Ao excluir essas hist\u00f3rias de sua representa\u00e7\u00e3o da Rocinha, o jornal n\u00e3o retratou holisticamente as realidades da vida de muitos moradores da favela, que continuam presos no meio de uma luta de poder entre as duas for\u00e7as conflitantes em sua comunidade.<\/p>\n<p>No lugar de suas anteriores cr\u00edticas e sensacionalismo sobre viol\u00eancia e a expans\u00e3o na Rocinha, <em>O Globo<\/em> mudou a sua abordagem para focar nos ganhos positivos obtidos pelos moradores e programas governamentais na comunidade. O que poderia ter explicado essas mudan\u00e7as no discurso? A necessidade de mostrar os atributos da cidade com a aproxima\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos? Marketing do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1NN08e8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">programa policial da UPP<\/a>? Ou talvez uma combina\u00e7\u00e3o de tudo isso?<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Independentemente da raz\u00e3o das mudan\u00e7as no discurso em torno da Rocinha, essas altera\u00e7\u00f5es refletem uma nova conceitualiza\u00e7\u00e3o das favelas tanto na m\u00eddia brasileira como em seus leitores. Se os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016 realmente condicionaram uma <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2bUJT1I\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mudan\u00e7a no discurso<\/a> em torno dessas comunidades, o que acontecer\u00e1 com a imagem p\u00fablica de favelas como a Rocinha agora que os Jogos acabaram e a aten\u00e7\u00e3o mundial j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 no Rio?<\/p>\n<p><em>Suzanne Caflisch possui bacharelado em Estudos de\u00a0Paz e Conflito pela\u00a0Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley. Ap\u00f3s sua formatura, ela recebeu uma bolsa do Centro de Direitos Humanos da Universidade da Calif\u00f3rnia e atualmente trabalha em parceria com o Instituto Promundo pesquisando normas sociais na pr\u00e1tica da explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e adolescentes no Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English As favelas do Rio s\u00e3o reconhecidas por estrangeiros e brasileiros devido as suas diversas qualidades \u00fanicas e muitas vezes contradit\u00f3rias: muito vis\u00edveis na paisagem urbana do Rio, elas servem como um <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=24245\" title=\"Como a Cobertura do O Globo sobre a Rocinha Mudou desde 2009?\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":153,"featured_media":24262,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2051,1635,1632,1626],"tags":[386,1676,732,1167,1166,1240,1760,78,588,16,92,30,383],"writer":[2052],"translator":[1785],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-24245","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-olhonolegado","8":"category-1635","9":"category-pesquisa-e-analise","10":"category-por-observadores-internacionais","11":"tag-estigma","12":"tag-analise-cobertura-de-favelas","13":"tag-globo","14":"tag-grande-midia","15":"tag-jornalismo","16":"tag-megaeventos","17":"tag-narrativa-midiatica","18":"tag-olimpiadas","19":"tag-pesquisa","20":"tag-rocinha","21":"tag-upp","22":"tag-violencia","23":"tag-zona-sul","24":"writer-suzanne-caflisch","25":"translator-maria-fernanda-godinho"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Como a Cobertura do O Globo sobre a Rocinha Mudou desde 2009? 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