{"id":38547,"date":"2019-01-28T11:24:44","date_gmt":"2019-01-28T14:24:44","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=38547"},"modified":"2024-06-20T16:16:56","modified_gmt":"2024-06-20T19:16:56","slug":"7-brasileiras-negras-fantasticas-e-sua-politica-do-dia-a-dia-perfis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=38547","title":{"rendered":"7 Poderosas Mulheres Negras e Sua Pol\u00edtica do Dia a Dia [PERFIS]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2AWg0wo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" \/><\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p><em>As entrevistas realizadas por <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1E6cRrH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thamyra Th\u00e2mara de Ara\u00fajo<\/a> e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2MsUWSA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcela Lisboa<\/a> foram originalmente publicadas pela Ag\u00eancia Naya no Medium\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2AG4Hs2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (opens in a new tab)\">aqui<\/a>. Para ouvir as entrevistas na \u00edntegra, clique\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2A5pw20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Pra fazer o que eu fa\u00e7o tem que ter disposi\u00e7\u00e3o.&#8221; A frase pode parecer arrogante aos ouvidos despreparados, mas quando a gente fala sobre mulheres negras, ela se torna autoexplicativa. Sabe aquela mulher comumente chamada de &#8220;tia da cozinha&#8221;? Ou quem sabe aquela que caminha o dia inteiro vendendo seus quitutes? Talvez aquela m\u00e3e de santo a quem voc\u00ea recorre quando o desespero bate? Ou aquela mulher que voc\u00ea insiste em n\u00e3o chamar de mulher?<\/p>\n<p>Nossa homenagem \u00e9 relembrar que para ser e fazer o que elas fazem para manter toda a humanidade de p\u00e9 \u00e9 preciso ter disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou voc\u00ea pensa que \u00e9 f\u00e1cil carregar o mundo nas costas? Aqui n\u00e3o tem Indiana Jones. S\u00e3o elas, mulheres negras, que fazem pol\u00edtica sem fazer e geram vida em meio a morte. Como disse <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2MvYDcx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Concei\u00e7\u00e3o Evaristo<\/a>, &#8220;haveria de sempre umedecer seus sonhos para que eles florescessem e se cumprissem vivos e reais. Era preciso reinventar a vida&#8221;.<\/p>\n<p>Agradecemos Adriana Evangelista, Ta\u00edsa Machado, Lucia Cabral, M\u00f4nica Francisco, Thais Ferreira, Joana Pinheiro e M\u00e3e Aparecida pelo compartilhar de hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>N\u00f3s nos levantamos.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong class=\"markup--strong markup--h3-strong\">M<\/strong><strong class=\"markup--strong markup--h3-strong\">\u00e3e Aparecida de Xang\u00f4: A mulher da casa de portas\u00a0abertas<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aparecida-de-Xango\u0302.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-38556 size-medium\" title=\"Fotos: Andressa N\u00fabia.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aparecida-de-Xango\u0302-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aparecida-de-Xango\u0302-620x413.jpeg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aparecida-de-Xango\u0302-396x264.jpeg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aparecida-de-Xango\u0302-768x512.jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aparecida-de-Xango\u0302-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aparecida-de-Xango\u0302.jpeg 2000w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"ecf1\" class=\"graf graf--p graf-after--figure\">Quando M\u00e3e Aparecida come\u00e7a a falar, a vontade \u00e9 de ficar horas escutando a sabedoria de quem sabe para que veio ao mundo. Filha de Xang\u00f4 e Oshun, da na\u00e7\u00e3o Efon cuida da Casa Ile De Xango Ayra. Ela \u00e9 mulher, filha, m\u00e3e, amiga e parceira que se comunica com o afeto e sempre a partir do compartilhar. Uma mulher que diz ter a casa sempre de portas abertas e que deseja ser lembrada como algu\u00e9m que amava o santo.<\/p>\n<h4 id=\"c968\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>E<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">u compartilho quando estou sentado em casa e algu\u00e9m bate a porta e eu pergunto se precisa de ajuda.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"eaed\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">A mais velha de cinco irm\u00e3os, M\u00e3e Aparecida cresceu no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2RbyUVp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro de Santo Ant\u00f4nio<\/a> e afirma ter orgulho de ser negra, candomblecista e moradora de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1xgiXjq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nova Igua\u00e7u<\/a>, onde criou seus filhos.<\/p>\n<p id=\"4070\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Ela conta que sua m\u00e3e era uma mulher forte na casa de umbanda mas se tornou evang\u00e9lica alguns anos antes de morrer.<\/p>\n<h4 id=\"2c07\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>M<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">inha m\u00e3e sempre foi uma pessoa muito inteligente e cabe\u00e7a e n\u00f3s chegamos um consenso que n\u00e3o ir\u00edamos brigar por causa de religi\u00e3o.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"3857\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Quando Aparecida era pequena frequentava o centro junto com a m\u00e3e. Depois a m\u00e3e se converteu ao evangelho e levou ela junto. Quando cresceu, decidiu que queria se envolver com o candombl\u00e9. Sua m\u00e3e, que nutria o desejo de cantarem juntas na igreja acabou cedendo. No fundo, s\u00f3 desejava que a filha fosse feliz. Bem, ela conseguiu.<\/p>\n<h4 id=\"8bb2\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>N<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">\u00f3s \u00e9ramos muito francas e n\u00e3o t\u00ednhamos mentira uma com a outra. E em algumas coisas eu exigia dela mais respeito. Ela amava Deus, eu tamb\u00e9m amava Deus ent\u00e3o am\u00e1vamos n\u00f3s duas o Deus.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"f3e6\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Enquanto M\u00e3e Aparecida nos dava o prazer de ouvir sua hist\u00f3ria, tamb\u00e9m nos contou do que acredita no futuro as mulheres v\u00e3o ocupar lugares muito importantes dentro deste Brasil. E lembrou que hoje quando nasce uma menina ela n\u00e3o escuta s\u00f3 que tem que cozinhar, ela tamb\u00e9m escuta que tem que estudar. Para ela, enquanto povo preto, precisamos saber verdadeira da nossa hist\u00f3ria para acabar com a escravid\u00e3o.\u201c A gente tem que gritar muitas vezes, a maioria das vezes para sermos ouvidas. Porque se a gente n\u00e3o peitar\u00a0\u2026 a verdade \u00e9 essa\u2026 politicamente falando eles n\u00e3o querem nos ouvir\u2019\u2019, pontua.<\/p>\n<h4 id=\"7126\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>N<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">\u00f3s que somos as parideiras devemos orientar nossos homens a serem mais carinhosos, espertos, que homem bobo ningu\u00e9m quer, e com uma mente mais saud\u00e1vel.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"0a0b\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Quando n\u00e3o est\u00e1 dividida entre seus filhos de santo e a caridade, M\u00e3e Aparecida gosta de passear com seu parceiro de vida. \u201cGosto muito de planta, temperos, folhagens, flores, mas tamb\u00e9m gosto de me exibir eu sou meia escandalosa. Eu sou uma mulher de Santo mas todas as mulheres tem vaidade\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong class=\"markup--strong markup--h3-strong\">Monica dos Santos Francisco*: A nega do\u00a0Borel<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Monica-Francisco.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-38555 size-medium\" title=\"Fotos: Andressa N\u00fabia.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Monica-Francisco-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Monica-Francisco-620x413.jpeg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Monica-Francisco-396x264.jpeg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Monica-Francisco-768x512.jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Monica-Francisco-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Monica-Francisco.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"ea82\" class=\"graf graf--p graf-after--figure\">Embalada pelo ritmo do funk durante a adolesc\u00eancia, ela ia aos bailes para dan\u00e7ar e nem pensava nos poss\u00edveis namoros porque odiava a sensa\u00e7\u00e3o de estar presa. Criada por sua av\u00f3, come\u00e7ou a trabalhar aos 14 anos numa f\u00e1brica de tecidos mas n\u00e3o parou de estudar. Das lembran\u00e7as mais gostosas da inf\u00e2ncia, os banhos no Rio Maracan\u00e3, a Folia de Reis e as del\u00edcias da culin\u00e1ria nordestina. Esta, em especial, ela nutre carinhosamente at\u00e9 hoje. Toda sexta-feira santa abre as portas de casa para o cl\u00e1ssico vatap\u00e1 com moqueca de peixe l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/ZKW86Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro do Borel<\/a>.<\/p>\n<h4 id=\"391f\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>\u00c9\u00a0<\/span>desse lugar que eu me constituo como pessoa e come\u00e7o a entender o mundo.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"8abc\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Aos 16 anos engravidou do companheiro. Queria ser m\u00e3e. Saiu da f\u00e1brica e seguiu por todos os trabalhos precarizados destinados a uma mulher negra: empregada dom\u00e9stica, lanchonete, f\u00e1brica de prata, empacotadora de supermercado e at\u00e9 aqueles cl\u00e1ssicos \u201ccompro ouro\u201d na Pra\u00e7a Saens Pe\u00f1a. Qualquer trabalho digno valia para ajudar a fam\u00edlia e dar conta de Diego, seu filho querido.<\/p>\n<p id=\"ed99\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Aos 18 anos se converteu e entrou na Igreja Universal. \u201cEu acredito na cura divina, eu acredito na cura pela f\u00e9, eu fui curada\u201d, comenta. Logo se tornou ativa e come\u00e7ou a assumir responsabilidades coletivas. Aos poucos foi se destacando e quando deu por si j\u00e1 era uma das jovens lideran\u00e7as. As leituras n\u00e3o eram problema, j\u00e1 que sua vida fora cercada por livros. Voltou a estudar a noite porque entendia que para melhor de condi\u00e7\u00f5es, era preciso educa\u00e7\u00e3o. Questionadora por natureza, n\u00e3o conseguiu lidar com as contradi\u00e7\u00f5es internas daquela denomina\u00e7\u00e3o por muito tempo e acabou saindo.<\/p>\n<h4 id=\"3926\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>N<\/span>\u00e3o concordava teologicamente.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"d43a\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">M\u00f4nica sempre fez pol\u00edtica, mesmo quando n\u00e3o sabia. \u201cEu sempre sentia que eu era uma pessoa muito da rua, uma pessoa de t\u00e1 auxiliando o outro de alguma maneira\u201d, reflete. Durante as chuvas de 1988 que derrubaram diversas favelas do Rio, ela se percebeu ajudando as fam\u00edlias do morro do Borel. Entre muitas mortes e de uma trag\u00e9dia colocada em seu territ\u00f3rio, ela viu a necessidade de agir.<\/p>\n<h4 id=\"1b76\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>N<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">\u00e3o tinha essa elabora\u00e7\u00e3o de entender que aquilo era uma atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas ali eu vi que eu era uma pessoa do coletivo.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"fc38\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Lugares formam pessoas, mas pessoas transformam lugares. Com ela n\u00e3o seria diferente. Sua hist\u00f3ria se confunde com o perfil daquelas que permanecem de joelhos para que seus filhos fiquem de p\u00e9. Depois de ler \u201cAs lutas do povo do Borel\u201d ela despertou o desejo de dar continuidade \u00e0quelas lutas. De l\u00e1 ajudou na forma\u00e7\u00e3o da RCB\u200a\u2014\u200aR\u00e1dio Comunit\u00e1ria do Borel e, de l\u00e1, seguiu para a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2AF05SW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agenda Social Rio<\/a>, ao lado de\u00a0<a href=\"https:\/\/glo.bo\/2viSuXL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Betinho<\/a>.<\/p>\n<p id=\"b423\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Desde ent\u00e3o ela n\u00e3o para. Voltou a desenvolver propostas de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2v5qhFK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">economia solid\u00e1ria<\/a> a partir da\u00ed. Entre falas, cuidados e viv\u00eancia, ela abriu seu ponto de ora\u00e7\u00e3o com outras mulheres. H\u00e1 dois anos atua como pastora, mesmo j\u00e1 sendo considerada por seus fi\u00e9is. Como mulher negra ela afirma \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2lSNAeO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eu vejo as mulheres negras no centro de uma reapropria\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d. N\u00f3s tamb\u00e9m, M\u00f4nica. N\u00f3s tamb\u00e9m.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">L\u00facia Cabral: A mulher que dedica a vida a servi\u00e7o da comunidade<\/strong><\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Lu\u0301cia-Cabral.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-38554 size-medium\" title=\"Fotos: Andressa N\u00fabia.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Lu\u0301cia-Cabral-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Lu\u0301cia-Cabral-620x413.jpeg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Lu\u0301cia-Cabral-396x264.jpeg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Lu\u0301cia-Cabral-768x512.jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Lu\u0301cia-Cabral-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Lu\u0301cia-Cabral.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"f4d9\" class=\"graf graf--p graf-after--figure\">Lucia Cabral no RG, mas para os filhos do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/U0MiGm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Alem\u00e3o<\/a> \u00e9 Tia Lucia mesmo. Ela que desde pequena queria mudar realidades, aos 51 anos se v\u00ea dirigindo o Educap\u200a\u2014\u200a<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2Aek5dA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Espa\u00e7o Democr\u00e1tico De Uni\u00e3o, Conviv\u00eancia, Aprendizagem e Preven\u00e7\u00e3o<\/a> no Complexo do Alem\u00e3o e buscando novas parcerias para ampliar o alcance do seu trabalho.<\/p>\n<h4 id=\"822f\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>S<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">e a gente trabalha em rede dentro da favela, a gente \u00e9 mais potente que l\u00e1 fora.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"0b11\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">L\u00facia carrega em sua trajet\u00f3ria mem\u00f3rias de a\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es \u00e0 servi\u00e7o da comunidade. E durante a conversa aproveita para repetir a frase que ouvia de seu pai: \u201ca gente cresce para lutar contra a desigualdade\u201d. Tantas mem\u00f3rias, diz ela, \u201cn\u00e3o me trazem revolta de viol\u00eancia, mas uma revolta de resist\u00eancia\u201d para lutar contra as desigualdades. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para aceitar e crescer aceitando toda essa carga que jogam para dentro da favela. At\u00e9 porque a pobreza gera grana para quem est\u00e1 l\u00e1 em cima no patamar mais alto\u201d, afirma.<\/p>\n<p id=\"be44\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Tia L\u00facia nutre um amor profundo pelo Complexo do Alem\u00e3o por ele ter sido o lugar que acolheu sua fam\u00edlia e ela quando crian\u00e7a. O lugar que seus irm\u00e3os nasceram, que ela constituiu fam\u00edlia e onde tem todas as mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia. \u201cEu cresci no funk. Olha, eu casei com o meu marido e conheci ele no baile funk\u201d, lembra. Ela \u00e9 capaz de mencionar datas, ruas, nomes e pessoas que passaram pelo Alem\u00e3o. Seus olhos brilham a lembrar do Baile da Paranhos, Folia de Reis, as quermesses, o Bloco do Pereira e toda vida cultural que a cercou na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Talvez esta seja sua for\u00e7a motriz. Ver o Alem\u00e3o grande de novo, mesmo quando o mundo insiste em afirmar o contr\u00e1rio. \u201cO governo parece que trabalha para <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2v2enLx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">destruir na cultura da favela<\/a>\u201d, questiona.<\/p>\n<h4 id=\"bd61\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><span class=\"graf-dropCap\"><strong><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>O<\/strong>\u00a0<\/span><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">nome favela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2brHHyf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de coisa ruim<\/a>. Ela \u00e9 a natureza, o meio ambiente. Ela \u00e9 a clorofila que nos d\u00e1 vida. E por que enxergam ela como sin\u00f4nimo de coisa ruim?\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"5a4c\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Uma coisa \u00e9 certa. Se o governo trabalha para destruir, Lucia emana vida por todos os lados. J\u00e1 dirigiu creche, quadra de escola, deu aula para crian\u00e7as e adultos, gerenciou bar, cinema e at\u00e9 movimentou campanha de preven\u00e7\u00e3o no baile. Desde 2008 est\u00e1 a frente do EDUCAP e a cada dia busca se renovar e atentar para o futuro que a favela aponta.<\/p>\n<h4 id=\"0a57\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>P<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">orque essa tecnologia, que \u00e9 a tecnologia humana junto com a tecnologia da m\u00e1quina faz girar hist\u00f3rias, girar o crescimento e o empreendedorismo.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"862e\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Se fora de cada ela \u00e9 quem cuida e acolhe aqueles que precisam, em casa ela \u00e9 cuidada pelo Marcos, seu marido. \u201cEle faz massagem nos meus p\u00e9s quando eu chego muito cansada e cozinha para mim\u201d, conta. Sua fam\u00edlia permanece sendo sua principal base de sustenta\u00e7\u00e3o e amor. Al\u00e9m do bom humor e do jeito leve de levar a vida, ainda que num contexto de morte, \u00e9 o que a ajuda a n\u00e3o cair em depress\u00e3o.<\/p>\n<p id=\"2574\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">A conversa se encerra com L\u00facia nos convocando a construir para al\u00e9m do que a gera\u00e7\u00e3o dela foi capaz de construir. \u201cA estrada vai indo e crescendo. Quem fica vai construir\u201d. E completa, \u201ceu acho acho que a gente tem que enxergar o futuro com todo mundo junto. Com a fam\u00edlia da favela bem sucedida, feliz e alegre e com essa pot\u00eancia valorizada mundialmente\u201d. Por essas e outras que, pra ela, chamar de tia n\u00e3o \u00e9 problema. Todo mundo aqui acaba sendo um pouco da fam\u00edlia.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong class=\"markup--strong markup--h3-strong\">Adriana Evangelista: A mulher que vai l\u00e1, pega e faz acontecer<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Adriana-Evangelista.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-38553 size-medium\" title=\"Fotos: Andressa N\u00fabia.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Adriana-Evangelista-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Adriana-Evangelista-620x413.jpeg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Adriana-Evangelista-396x264.jpeg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Adriana-Evangelista-768x512.jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Adriana-Evangelista-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Adriana-Evangelista.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"9a5e\" class=\"graf graf--p graf-after--figure\">Quando voc\u00ea olha para Adriana \u00e9 poss\u00edvel ver uma mulher que desde sempre, pela dureza da vida, teve que ser independente, mas que soube transformar cada necessidade em oportunidade. Adriana teve a m\u00e3e diagnosticada com c\u00e2ncer quando tinha 10 anos de idade e desde nova teve que assumir responsabilidades. Na aus\u00eancia da m\u00e3e que trabalhava, ela corria para a cozinha fazer o que gostava de comer.<\/p>\n<h4 id=\"cf04\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>E<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">u n\u00e3o gosto de depender, quando eu quero uma coisa eu corro atr\u00e1s.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"aa7a\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Mulher com um sorriso gigante e um vozeir\u00e3o, n\u00e3o passa despercebida por onde passa, sempre rindo e cantando. Se de um lado ela \u00e9 rocha, do outro ela \u00e9 rio. Quando chora, desabafa. Quando fala, estremece. Quando sonha, flutua.<\/p>\n<h4 id=\"9708\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>E<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">u gosto de colocar tudo em pratos limpos.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"997a\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Adriana \u00e9 uma empreendedora, dona do seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, no ramo da alimenta\u00e7\u00e3o. Vende empadas pelas ruas da Zona Norte do Rio de Janeiro parodiando m\u00fasicas de funk. Ela criou uma metodologia pr\u00f3pria de trabalho e encontrou na criatividade e na palavra sua forma de bancar ser l\u00edder de si mesma. Mas n\u00e3o foi sempre assim, no trabalho percebeu que sempre a colocavam no lugar da auxiliar. Seu primeiro emprego foi como auxiliar de costura aos 16 anos, depois trabalhou como auxiliar de servi\u00e7os, depois vendeu cosm\u00e9ticos, at\u00e9 resolver ter seu neg\u00f3cio.<\/p>\n<h4 id=\"20a5\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>E<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">u era sempre auxiliar, auxiliar, eu era muito mandada. E n\u00e3o aceitava a forma como me mandavam. Eu acho que quando voc\u00ea tem voca\u00e7\u00e3o para liderar, para l\u00edder (..)\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"1e04\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Adriana acabou enxergando em si mesma o poder da sua voz. Sua vizinha Eunice sugeriu fazer empadas, outro sugeriu o uso do jaleco, e a hist\u00f3ria da\u00ed para frente ela fez acontecer. Cada vez que cozinhava as empadas ouvia as brincadeiras das crian\u00e7as, as m\u00fasicas que cantavam e resolveu remixar os jarg\u00f5es dos vendedores da rua com os funks cantado nas favelas. E foi assim que ela desenvolveu um repert\u00f3rio e estilo de venda s\u00f3 dela.<\/p>\n<p id=\"5eaa\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Em dez anos vendendo empada, Adriana j\u00e1 teve participa\u00e7\u00e3o especial na novela Salve Jorge, <a href=\"https:\/\/glo.bo\/2RmmJd3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 foi na Ana Maria Braga<\/a> e sua hist\u00f3ria j\u00e1 circulou pelo mundo afora. Mas nada disso fez com que ela deixasse o cuidado com os seus clientes de lado. Ela continua sendo a mulher que quando chega na rua todo mundo vai olhar, que prepara empada com todo carinho, que chega em casa tem roupa pra lavar, marido para cuidar e que n\u00e3o abre m\u00e3o de acordar mais tarde no seus dias de descanso.<\/p>\n<h4 id=\"d525\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>T<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">em como \u00e9 s\u00f3 a gente colocar a cabe\u00e7a pra pensar (\u2026) Eu procuro fazer do lim\u00e3o uma limonada.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"576b\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Para ela, a mulher vai, pega e faz porque n\u00e3o d\u00e1 para ficar esperando os homens terem iniciativa. Ela teve como refer\u00eancia mulheres fortes, provedoras e lembra que mulher sempre teve mil coisas para fazer: cuidar da casa, do filho, do marido e ainda trabalhar fora. \u201cMulher hoje dirige caminh\u00e3o, faz obra, estuda\u201d, ressalta. E \u00e9 acreditando nessa for\u00e7a feminina que Adriana aposta que no futuro as mulheres ter\u00e3o muito mais possibilidades. \u201cA mulher vai ter mais possibilidades e condi\u00e7\u00e3o no futuro sim. Vai estudar sim,vai ser dona do seu neg\u00f3cio sim\u201d, diz.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong class=\"markup--strong markup--h3-strong\">Joana Pinheiro: Mulher que p\u00f5e o p\u00e9 na porta e diz &#8216;cheguei&#8217;<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Joana-Pinheiro.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-38552 size-medium\" title=\"Fotos: Andressa N\u00fabia.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Joana-Pinheiro-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Joana-Pinheiro-620x413.jpeg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Joana-Pinheiro-396x264.jpeg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Joana-Pinheiro-768x512.jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Joana-Pinheiro-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Joana-Pinheiro.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"29ee\" class=\"graf graf--p graf-after--figure\">Joana \u00e9 jovem, mulher trans, 150bpm que t\u00e1 sempre no corre enquanto atravessa a cidade entre a Baixada Fluminense, o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/10BvARw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo da Mar\u00e9<\/a>, do Alem\u00e3o e o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qX7nZG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro<\/a> do Rio de Janeiro. Produtora, fot\u00f3grafa, social m\u00eddia, articuladora social e futura jornalista, ela n\u00e3o \u00e9, mas vai sendo e se transformando em tantas outras pelo trabalhos onde passa: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2GbTnsI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Observat\u00f3rio de Favelas<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2B1HGCv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bela Mar\u00e9<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2AFyroZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baphos Perif\u00e9ricos<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2AGXYOF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Querendo Assuntos<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2MtnR9m\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Canal Pl\u00e1<\/a>.<\/p>\n<p id=\"1636\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">H\u00e1 tr\u00eas anos Joana bancou o processo de transi\u00e7\u00e3o de ser quem ela realmente \u00e9. \u201cQuando paro para olhar para tr\u00e1s vejo que sempre fui a Joana. Essa explos\u00e3o j\u00e1 devia ter acontecido h\u00e1 muito tempo e ningu\u00e9m deixou. Agora eu quero que aconte\u00e7a e vai acontecer\u201d, comenta.<\/p>\n<h4 id=\"2e0c\" class=\"graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">\u201cEu quis sair daquele lugar que foi me imposto a vida inteira.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"eb2d\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Ela \u00e9 fruto do seu tempo e faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o quer mais se esconder. Joana colocou o p\u00e9 na porta e foi. O que ela colhe hoje \u00e9 fruto de muitas que chegaram antes e o futuro que outras colher\u00e3o. Ser\u00e1 o que ela ajudar a plantar. \u201cConsigo imaginar o reflexo do que estamos fazendo agora daqui a vinte anos\u201d, ressalta. Mas enquanto o futuro n\u00e3o chega, ela faz no presente.<\/p>\n<h4 id=\"a30c\" class=\"graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">\u201cEst\u00e1 tudo um caos porque as coisas est\u00e3o mudando. Ainda n\u00e3o vemos o espelho da diversidade, mas ta evoluindo.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"f276\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Joana sabe que ser uma mulher trans \u00e9 dif\u00edcil no Brasil, com dados t\u00e3o alarmantes (uma pessoa trans morre a cada 48 horas por aqui. Al\u00e9m dos \u00edndices sobre mercado de trabalho e expectativa de vida), ela se preocupa toda vez que vai sair de casa. Que roupa usar? Maquiagem ou n\u00e3o? Por outro lado, ela teve o privil\u00e9gio de uma fam\u00edlia acolhedora, que fez de todo seu processo de mudan\u00e7a acontecer da forma mais leve poss\u00edvel. \u201cA minha m\u00e3e e a minha fam\u00edlia me desabam. \u00c9 o que eu tenho de mais precioso\u201d, afirma. O direito ao afeto entre pessoas LGBTQ+ tem sido uma conquista di\u00e1ria, nosso desejo \u00e9 contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo, onde mais Joanas possam simplesmente ser.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong class=\"markup--strong markup--h3-strong\">Thais Ferreira*: A mulher afrontosa dona do mundo\u00a0todo<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Thais-Ferreira.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-38551 size-medium\" title=\"Fotos: Andressa N\u00fabia.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Thais-Ferreira-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Thais-Ferreira-620x413.jpeg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Thais-Ferreira-396x264.jpeg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Thais-Ferreira-768x512.jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Thais-Ferreira-1024x683.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"ac1d\" class=\"graf graf--p graf-after--figure\">Thais foi aquela crian\u00e7a que usava uma meia de cada cor, adorava fazer careta e fazer bico, s\u00f3 por conta da zoa\u00e7\u00e3o dos amigos. A menina superdotada que dormia na escola porque terminava as tarefas antes de todo mundo e que desmentiu a professora em sala de aula porque quem tinha descoberto o Brasil n\u00e3o era Cabral. \u201cMinha m\u00e3e ia todo dia na banca de jornal e comprava VHS para n\u00f3s. V\u00eddeos do\u00a0<em class=\"markup--em markup--p-em\">Discovery (Channel)<\/em>, porque eu era uma crian\u00e7a que perguntava muito\u201d, lembra.<\/p>\n<p id=\"7cff\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Nessa \u00e9poca ela era considerada a crian\u00e7a do cabelo e gostos estranhos por ter uma forma de pensar diferente. Mas nada disso a afetava, pelo contr\u00e1rio, desde crian\u00e7a o estranhamento a fascinava. Ser o ponto fora da curva foi onde ela encontrou a sua pot\u00eancia. A menina que usava aparelho externo nos dentes na \u00e9poca da escola virou a dona de um sorriso lindo. Gosta de ch\u00e1s, banhos com ervas, de brincar, escrever m\u00fasica, poemas e que recorre ao escuro e ao sil\u00eancio no quarto na hora de se conectar consigo mesma.<\/p>\n<h4 id=\"2f37\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>E<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">u j\u00e1 sabia que queria ser estranha e esse meu estranhamento as pessoas traziam como afronta.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"ca26\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Thais tamb\u00e9m nos contou que se sentiu extremamente afrontosa quando seu primeiro filho vivo nasceu. Ela que tinha vindo de uma cesariana mal sucedida, que havia perdido um filho p\u00f4de, enfim, ressignificar o momento de dar a luz. \u201cQuando Athos nasceu foi a felicidade mais plena que vivi, senti uma dor maravilhosa, que era a dor da vida\u201d, relembra.<\/p>\n<h4 id=\"d83c\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>E<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">u nao sei se tava ardendo, se tava molhado, se tava chovendo, mas tava saindo vida de mim.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"8d64\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Mesmo depois de uma experi\u00eancia de morte e do medo de ser uma m\u00e3e super protetora, quando seu filho nasceu ela viu uma vida para al\u00e9m da sua. Ali o medo foi se dissipando. Quem conhece Athos e Jo\u00e3o, filhos de Thais e Douglas, sabe o quanto eles s\u00e3o aut\u00f4nomos. Essa autonomia se deve a uma educa\u00e7\u00e3o que entende que a primeira inf\u00e2ncia \u00e9 uma fase primordial no desenvolvimento do ser humano. N\u00e3o \u00e9 atoa que Thais al\u00e9m de m\u00e3e \u00e9 criadora do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2SP9kXC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00c3E&amp;MAIS<\/a>, que oferece servi\u00e7os e informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade de forma eficiente e digna para mulheres-m\u00e3es de todas as idades, e crian\u00e7as na primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n<h4 id=\"67cd\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><span class=\"graf-dropCap\"><strong><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>\u00c9<\/strong>\u00a0<\/span><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">preciso entender sobre fertilidade e florescimento de gente. E entender que isso s\u00f3 faz polinizando e n\u00e3o d\u00e1 pra ser sozinho. A gente precisa ser um enxame.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"4512\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Thais \u00e9 uma mulher que move estrutura e gera vida sempre a partir do coletivo. Ela acredita no poder de realiza\u00e7\u00e3o concreto das mulheres. Para ela, o futuro da mulheres \u00e9 um futuro em rede capaz de segurar o todo. \u201cEu acho que o futuro das mulheres \u00e9 uma rede, muito nossa, muito especial, muito espec\u00edfica, onde a gente entende que n\u00e3o precisa acender s\u00f3 uma luz l\u00e1 no meio a gente precisa ter v\u00e1rios pontos de luz e acesso em todos os lugares\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong class=\"markup--strong markup--h3-strong\">Ta\u00edsa Machado: O Brasil que deu\u00a0certo<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Taisa-Machado.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-38550 size-medium\" title=\"Fotos: Andressa N\u00fabia.\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Taisa-Machado-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Taisa-Machado-620x413.jpeg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Taisa-Machado-396x264.jpeg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Taisa-Machado-768x512.jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Taisa-Machado-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Taisa-Machado.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"1272\" class=\"graf graf--p graf-after--figure\">Taisa \u00e9 dessas mulheres-ventania, por onde passa leva tempestades de transforma\u00e7\u00e3o. Atriz, professora de dan\u00e7a e fundadora do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2SMMaRV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AfroFunk<\/a>, aos 28 anos ela consegue se compreender como uma mulher de seu tempo, mesmo um tanto distante das expectativas. \u00c9 isso. Taisa n\u00e3o segue padr\u00f5es. Ela os cria. Crescida na baixada fluminense, ela relembra de sua inf\u00e2ncia com carinho. \u201cVoc\u00ea tinha casa da Barbie? Porque eu tinha\u201d, diz isso porque muitas das vezes \u00e9 lida como favelada devido suas influ\u00eancias musicais e seu <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1LiSfzK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jeito de falar<\/a>.<\/p>\n<h4 id=\"f15c\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>T<\/span>em gente que gosta de funk. Eu gosto do baile funk. Entendeu a diferen\u00e7a?\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"a70e\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">S\u00e3o muitas hist\u00f3rias em uma s\u00f3 pessoa, suas maiores influ\u00eancias vem dos homens de sua vida: seu pai, seu tio Luizinho e seu av\u00f4. De seu pai, herdou a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e o gosto pela atua\u00e7\u00e3o. Ele dizia coisas como \u201cvoc\u00ea tem que falar do seu jeito pra eles se lembrarem que voc\u00ea \u00e9 voc\u00ea\u201d, ela conta. O tio foi o primeiro a presente\u00e1-la com livros e falar abertamente sobre homens e sexo. J\u00e1 seu av\u00f4 foi aquele que trouxe as palavras que guarda para sempre.<\/p>\n<h4 id=\"730d\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>E<\/span>u sou muito f\u00e3 dos homens da minha fam\u00edlia. E durante muito tempo eu fiquei sem gra\u00e7a de falar disso justamente por trabalhar num meio em que s\u00f3 se fala de mulher.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"7f65\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Logo cedo aprendeu que a vida n\u00e3o seria feita somente de boas conversas com seus mais velhos, livros e filmes. Aos 14 perdeu o Galo, um amigo v\u00edtima de bala perdida. Na \u00e9poca ela achava que a viol\u00eancia parecia uma alternativa mais fascinante que a pr\u00f3pria vida. Mas depois da morte do seu amigo, come\u00e7ou ali uma rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio com o funk.<\/p>\n<h4 id=\"5718\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\">&#8220;C<\/span><\/strong><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">ada caminho, uma escolha: voc\u00ea quer? Voc\u00ea pode? Voc\u00ea banca?&#8221;<\/strong><\/h4>\n<p id=\"7e26\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">L\u00e1 pelos 15 anos seu velho av\u00f4 a chamou para uma conversa que jamais esqueceria. Naquele momento, seu Machado decidiu apontar para ela as responsabilidades de quem tinha o desejo de viver da rua. Ali n\u00e3o bastava querer, era preciso saber se podia. E em caso de resposta positiva, se ela \u2018bancaria\u2019 todas as possibilidades a seguir.<\/p>\n<p id=\"1acc\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Hoje ela entende que precisou (ou ainda precisa) percorrer um pequeno-longo caminho rumo \u00e0 maturidade. Hoje ela at\u00e9 consegue admitir que tamb\u00e9m \u00e9 uma pensadora e confessa que parou de sentir vergonha por escrever certo e por ser inteligente.<\/p>\n<h4 id=\"8c4a\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf-after--p\"><span class=\"graf-dropCap\"><strong>&#8220;No<\/strong>\u00a0<\/span><strong class=\"markup--strong markup--p-strong\">certo pelo certo e sem aceitar covardia: ou seja, o Brasil que deu certo.&#8221;<\/strong><\/h4>\n<p id=\"ad05\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">A arte veio como um carinho da vida. Acostumada a driblar o destino, percebeu que herdou a boemia art\u00edstica da fam\u00edlia. Seu circo mambembe foi o \u201cT\u00e1 na Rua\u201d, dirigido por Amir Haddad. L\u00e1 se entregou de vez para as possibilidades que a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica permitia e conheceu suas melhores amigas, daquelas que fazem rir da barriga doer. \u201cJ\u00e1 fumou um baseado com a Renatinha?\u201d, relembra.<\/p>\n<p id=\"ccdf\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Entre as muitas gargalhadas e o sorriso aberto havia uma fissura: Adriano Cor, seu melhor amigo, assassinado por homofobia, teve seu corpo encontrado nu boiando em um rio cinco dias depois a agress\u00e3o. \u201cEu posso dizer que era uma pessoa extremamente feliz at\u00e9 esse momento\u201d, ela conta. Trag\u00e9dias anunciadas <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2vkwhqo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no pa\u00eds que mais mata pessoas LGBTQ+ no mundo<\/a>. A ansiedade e a depress\u00e3o anunciaram sua chegada neste momento. No intervalo de um ano perdeu o tio, seu melhor amigo e o pai.<\/p>\n<p id=\"eb1c\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Todos os questionamentos sobre o uso pol\u00edtico da arte, mas seu pouco retorno financeiro vieram neste momento. Era preciso questionar a forma das coisas, mas sobretudo seu pre\u00e7o.<\/p>\n<h4 id=\"dcd7\" class=\"graf graf--p graf--hasDropCapModel graf--hasDropCap graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p\"><strong><span class=\"graf-dropCap\"><span class=\"graf-dropCapQuote\">\u201c<\/span>M<\/span>e percebi fazendo pe\u00e7as incr\u00edveis, mas tendo que pedir o dinheiro da passagem para minha m\u00e3e. Foi a\u00ed que vi que esse tipo de teatro n\u00e3o era para mim.\u201d<\/strong><\/h4>\n<p id=\"941c\" class=\"graf graf--p graf-after--p\">Hoje seu maior sonho \u00e9 ser reconhecida pelo que faz. Neste movimento, enxerga mais uma vez suas primeiras refer\u00eancias apontando o caminho. Lembra, sobretudo, de seu av\u00f4. E encerra \u201ctudo bem, vamos derrubar o capitalismo? Um dia, mas antes eu preciso do meu dinheiro no bolso\u201d.<\/p>\n<p><em>*Desde a data da publica\u00e7\u00e3o original, M\u00f4nica Francisco foi eleita deputada estadual e Thais Ferreira \u00e9 a primeira suplente, ambas pelo Partido Socialismo e Liberdade (<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2LPq1yE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PSOL<\/a>).<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English As entrevistas realizadas por Thamyra Th\u00e2mara de Ara\u00fajo e Marcela Lisboa foram originalmente publicadas pela Ag\u00eancia Naya no Medium\u00a0aqui. 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