{"id":39065,"date":"2019-02-25T08:41:27","date_gmt":"2019-02-25T11:41:27","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=39065"},"modified":"2024-06-20T16:16:56","modified_gmt":"2024-06-20T19:16:56","slug":"se-sabem-que-pode-cair-por-que-constroem-ali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=39065","title":{"rendered":"Se Sabem Que Pode Cair, Por Que Constroem Ali? [REFER\u00caNCIA]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2H2ku9k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Click Here for English<\/a><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2H2ku9k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria, escrita pelo ge\u00f3grafo <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2T9lA8W\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael Chaves<\/a>,* traz \u00e0 luz a din\u00e2mica da atua\u00e7\u00e3o do Estado em conformidade com a elite financeira na ocupa\u00e7\u00e3o do ch\u00e3o da cidade, e o lugar das favelas neste contexto.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O questionamento que intitula esse texto \u00e9 frequentemente proferido em situa\u00e7\u00f5es como as <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2UMcDQ0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do dia 6 de fevereiro<\/a> de 2019, em que <a href=\"https:\/\/glo.bo\/2SWpxyy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sete pessoas perderam a vida<\/a> na cidade do Rio de Janeiro devido a desabamentos de resid\u00eancias e deslizamento de encostas catalisados pela forte chuva. Tal forma de pensar pode ser produto de uma infeliz falta de sensibilidade com a vida alheia, que busca, tacanhamente, culpar as v\u00edtimas pelas trag\u00e9dias sofridas. Mas tamb\u00e9m pode ser fruto de uma honesta falta de conhecimento sobre os processos de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/JHwxqj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">distribui\u00e7\u00e3o dos riscos ambientais<\/a>. Este texto foi escrito para as pessoas que se enquadram no segundo grupo, mas j\u00e1 adianto que a resposta \u00e9: por falta de uma op\u00e7\u00e3o melhor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como o <\/span><a href=\"https:\/\/glo.bo\/2SSWbB3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>Jornal Extra<\/em><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> nos informa, as mortes ocorreram em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2GZNNID\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barra de Guaratiba<\/a>, no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2vXKj2m\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vidigal<\/a> e na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/16w2zz1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rocinha<\/a>. Partimos da obviedade de que a chuva forte n\u00e3o ocorreu apenas nessas localidades, tampouco os estragos materiais decorrentes da chuva ocorreram apenas nesses bairros, pois podemos verificar no <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2E4nLB6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Portal da Prefeitura do Rio de Janeiro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que, entre as 19:00h do dia 6\/02\/19 e as 10:00h do dia 7\/02\/19, houve 206 chamados para vistoria da Defesa Civ\u00edl, especialmente na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/19BBUhf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barra da Tijuca<\/a> (18 chamados), Barra de Guaratiba (12), <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2GvSHwY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Conrado<\/a> (11), Itanhang\u00e1 (11), Vidigal (9) e Rocinha (8); e entre as<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">principais ocorr\u00eancias est\u00e3o desabamentos de estrutura, amea\u00e7as de desabamento, rachaduras e infiltra\u00e7\u00e3o em im\u00f3veis, e deslizamento de encosta.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chamados-para-a-defesa-civilok.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-39069\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chamados-para-a-defesa-civilok.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chamados-para-a-defesa-civilok.jpg 851w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chamados-para-a-defesa-civilok-375x264.jpg 375w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chamados-para-a-defesa-civilok-620x436.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chamados-para-a-defesa-civilok-768x541.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Observemos os dados da Defesa Civil em conjunto com o <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2BPhDfT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00cdndice de Desenvolvimento Social<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (IDS) da prefeitura do Rio de Janeiro. Esse \u00edndice serve para comparar a &#8220;qualidade de vida&#8221; nos diferentes bairros, sendo que o m\u00e1ximo poss\u00edvel \u00e9 1,0 (situa\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica de perfei\u00e7\u00e3o), e o m\u00ednimo poss\u00edvel \u00e9 0,0 (situa\u00e7\u00e3o de total falta de estrutura social). Para facilitar a compreens\u00e3o do \u00edndice, devemos observar que a m\u00e9dia do munic\u00edpio do Rio de Janeiro \u00e9 0,609, e que o bairro da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2Xsamf8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lagoa<\/a> (0,819) apresenta o mais elevado \u00edndice. Assim, temos em ordem decrescente S\u00e3o Conrado (0,779), Barra da Tijuca (0,770), Vidigal (0,565), Rocinha (0,533), Itanhang\u00e1 (0,527) e Barra de Guaratiba (0,502). N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, mesmo para quem n\u00e3o conhece o Rio de Janeiro, entender que os maiores estragos se deram nas \u00e1reas residenciais de menor renda econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 novidade, coincid\u00eancia, ou <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2E8xFBz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">tampouco apenas no Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que os mais pobres s\u00e3o, muito frequentemente, os mais afetados nos casos de eventos naturais extremos, seja na cidade ou no campo. Para entendermos as raz\u00f5es que levam a esse padr\u00e3o, o ponto de partida \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o das sociedades, a forma como esta organiza\u00e7\u00e3o condiciona a distribui\u00e7\u00e3o das pessoas sobre a superf\u00edcie das cidades (que \u00e9 o exemplo de que estamos tratando), e como esta distribui\u00e7\u00e3o, por sua vez, condiciona a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/span><\/p>\n<h3>Quem Controla Quem Controla?<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vivemos em uma sociedade dividida em classes e estas (compostas por conjuntos de indiv\u00edduos de carne e osso como voc\u00ea e eu) est\u00e3o permanentemente em conflito, disputando os recursos para facilitar a sua exist\u00eancia no mundo e sua reprodu\u00e7\u00e3o enquanto classe (a garantia dos mesmos recursos para nossos descendentes). Uma \u00f3tima interpreta\u00e7\u00e3o das classes sociais brasileiras \u00e9 apresentada por <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2GF0Xvq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jess\u00e9 Souza<\/a>, no livro <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2BJLcz5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Elite do Atraso<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Em tal obra, o autor identifica as classes do privil\u00e9gio como sendo a elite financeira (monopolizadora do capital econ\u00f4mico) e a classe m\u00e9dia (monopolizadora do capital cultural [conhecimento \u00fatil para reprodu\u00e7\u00e3o do capital econ\u00f4mico]). Os demais membros da sociedade estariam agrupados nas classes populares, que s\u00e3o os trabalhadores precarizados (vendedores da sua for\u00e7a de trabalho t\u00e9cnica no mercado formal e informal [professores, banc\u00e1rios, motoristas&#8230;]) e pelo autor denominados, &#8220;ral\u00e9 de novos escravos&#8221; (vendedores da sua for\u00e7a muscular no mercado formal e informal [porteiros, carregadores, flanelinhas&#8230;]).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas as classes sociais brasileiras t\u00eam uma caracter\u00edstica em comum: elas compartilham um territ\u00f3rio que \u00e9, ao menos institucionalmente, gerido pelo Estado brasileiro. Portanto, quem controla o Estado exerce grande influ\u00eancia na regulamenta\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e uso dos recursos materiais (como as riquezas minerais do subsolo e a terra urbana) e imateriais (como acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal e seguridade social). Tendo isso claro, e com uma r\u00e1pida olhada para longe dos nossos umbigos, podemos escapar da delirante ingenuidade de que vivemos sob o controle de um Estado neutro e justo, comprometido com o bem-estar de todas as pessoas no territ\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na pr\u00e1tica, as elites financeiras contratam grande parte dos membros da classe m\u00e9dia, que s\u00e3o muito bem qualificados, para ocuparem os pap\u00e9is de gest\u00e3o das suas empresas, assim como para operarem o Estado em prol dos seus interesses de classe (acumula\u00e7\u00e3o de capital econ\u00f4mico). Como o capital econ\u00f4mico \u00e9 gerado a partir do trabalho humano sobre uma base material, o papel da classe m\u00e9dia acaba sendo a otimiza\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia da riqueza produzida pelas classes populares para a elite. Voc\u00ea deve estar se perguntando sobre como a elite consegue entregar o Estado nas m\u00e3os da classe m\u00e9dia, mas por n\u00e3o ser esse o centro do presente artigo, sugiro a leitura do livro de Jess\u00e9 Souza mencionado acima. Contudo, deixo a tabela abaixo como aperitivo:<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_39075\" aria-describedby=\"caption-attachment-39075\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Doacoes-Carvalho-Hosken-3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39075 size-medium\" title=\"Fonte: http:\/\/www.tse.jus.br\/eleicoes\/eleicoes-anteriores\/eleicoes-2014\/prestacao-de-contas-eleicoes-2014\/prestacao-de-contas\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Doacoes-Carvalho-Hosken-3-620x429.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Doacoes-Carvalho-Hosken-3-620x429.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Doacoes-Carvalho-Hosken-3-381x264.jpg 381w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Doacoes-Carvalho-Hosken-3-768x532.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Doacoes-Carvalho-Hosken-3.jpg 895w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-39075\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: http:\/\/www.tse.jus.br\/eleicoes\/eleicoes-anteriores\/eleicoes-2014\/prestacao-de-contas-eleicoes-2014\/prestacao-de-contas<\/figcaption><\/figure>\n<h3>O Ch\u00e3o da Cidade<\/h3>\n<p>Agora que pontuamos a divis\u00e3o da sociedade em classes, vamos tratar da distribui\u00e7\u00e3o da sociedade sobre o ch\u00e3o da cidade. Contudo, devemos iniciar a conversa falando que a cidade \u00e9 o resultado das rela\u00e7\u00f5es da sociedade ao longo do tempo. Dessa forma, ela reflete aquilo que somos. Se uma determinada \u00e1rea privada apresenta uma boa localiza\u00e7\u00e3o relativa aos objetos j\u00e1 constru\u00eddos da cidade (e\/ou das amenidades naturais) e est\u00e1 relativamente livre de vulnerabilidades que gerem riscos ambientais como os de deslizamentos e alagamentos, logo \u00e9 desmatada e se consolida um loteamento.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/niteroi-desastre.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-39083\" title=\"Desastre em Niteroi\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/niteroi-desastre.jpg\" alt=\"Desastre em Niteroi\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/niteroi-desastre.jpg 754w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/niteroi-desastre-397x264.jpg 397w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/niteroi-desastre-620x413.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O processo acima revela uma decis\u00e3o tomada por aqueles que controlam o capital imobili\u00e1rio naquele momento. Tal decis\u00e3o s\u00f3 foi tomada porque a elite imobili\u00e1ria identificou a possibilidade de multiplica\u00e7\u00e3o do capital econ\u00f4mico. A elite n\u00e3o abriria m\u00e3o da possibilidade de divis\u00e3o de custos com o Estado que, al\u00e9m de conceder as licen\u00e7as necess\u00e1rias, aporta recursos p\u00fablicos na disponibiliza\u00e7\u00e3o de infraestrutura urbana para viabilizar o neg\u00f3cio. Assim, uma fatia da riqueza produzida por todas as classes, transferida para o Estado na forma de impostos para que este gerisse a distribui\u00e7\u00e3o de recursos materiais e imateriais, \u00e9 drenada para a elite imobili\u00e1ria. A <a href=\"https:\/\/abr.ai\/2STKGcy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila dos Atletas<\/a>, no Rio de Janeiro, \u00e9 um claro exemplo contempor\u00e2neo, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico na hist\u00f3ria da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>As novas unidades habitacionais constru\u00eddas s\u00e3o vendidas para os indiv\u00edduos da classe m\u00e9dia e para a camada superior dos trabalhadores precarizados. Como estes n\u00e3o possuem o capital econ\u00f4mico para adquirirem o im\u00f3vel, recorrem a empr\u00e9stimos de longo prazo junto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, as quais, atrav\u00e9s dos juros, garantem a transfer\u00eancia de parte da riqueza produzida pelos trabalhadores para seus cofres por muitos anos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual seria o lugar daqueles que n\u00e3o t\u00eam capital econ\u00f4mico, tampouco acesso ao cr\u00e9dito? Na cidade contempor\u00e2nea, seu lugar \u00e9 aquele mal localizado em rela\u00e7\u00e3o aos objetos j\u00e1 constru\u00eddos como o centro da cidade (e\/ou das amenidades naturais) e com maior vulnerabilidade (encostas \u00edngremes, margens de rios, beiras de mangues&#8230;). Al\u00e9m de lhes serem impostas, diariamente, longas e desgastantes horas nos transportes p\u00fablicos at\u00e9 o local de trabalho, e uma longa (e cara) jornada para desfrutar dos equipamentos culturais da cidade, sua exposi\u00e7\u00e3o aos riscos ambientais \u00e9, incomensuravelmente, maior do que o das demais classes.<\/p>\n<p>Existe uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a localiza\u00e7\u00e3o relativa, a exist\u00eancia de vulnerabilidades e o custo da habita\u00e7\u00e3o. Os locais com a melhor localiza\u00e7\u00e3o relativa e menos vulnerabilidades ambientais s\u00e3o os que apresentam o maior custo; j\u00e1 aqueles com a pior localiza\u00e7\u00e3o e elevada vulnerabilidade, obviamente, s\u00e3o os mais baratos. Seu valor de troca pode ser t\u00e3o baixo que nem mesmo incite a sua comercializa\u00e7\u00e3o no mercado formal, fazendo com que tais \u00e1reas permane\u00e7am desocupadas por muitos anos. Muitos trabalhadores e trabalhadoras, sem recursos para adquirir ou alugar um im\u00f3vel distante da sua fonte de renda e\/ou custear o seu deslocamento di\u00e1rio, por falta de op\u00e7\u00e3o melhor, ocuparam, espontaneamente, os s\u00edtios vulner\u00e1veis (as encostas \u00edngremes, as margens de rios e mangues&#8230;).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Guaratiba-Ricardo-Moraes-Reuters-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-39082 size-full\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Guaratiba-Ricardo-Moraes-Reuters-1.jpg\" alt=\"Deslizamento em Barra de Guaratiba.Foto por Ricardo Moraes-Reuters\" width=\"896\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Guaratiba-Ricardo-Moraes-Reuters-1.jpg 896w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Guaratiba-Ricardo-Moraes-Reuters-1-529x264.jpg 529w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Guaratiba-Ricardo-Moraes-Reuters-1-620x309.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Guaratiba-Ricardo-Moraes-Reuters-1-768x383.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 896px) 100vw, 896px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A favela, ent\u00e3o, surge como uma solu\u00e7\u00e3o para o problema habitacional das classes populares. Diante do posicionamento estatal enquanto parceiro da elite em detrimento das classes populares, coube, aos pr\u00f3prios habitantes, levantarem suas casas, ordenarem as vias de circula\u00e7\u00e3o, buscarem suas fontes de \u00e1gua e formas de elimina\u00e7\u00e3o dos rejeitos. Mas, em diversos casos, tiveram, antes, de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2Nnhpkw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">construir o ch\u00e3o<\/a>. Um segmento da popula\u00e7\u00e3o que \u00e9, historicamente, via de regra, exclu\u00eddo (ou precariamente inclu\u00eddo) nos sistemas formais de educa\u00e7\u00e3o conta, quase exclusivamente, com sua engenhosidade para reduzir tecnicamente a vulnerabilidade dos s\u00edtios e, dessa forma, viabilizar as constru\u00e7\u00f5es. A aus\u00eancia de a\u00e7\u00f5es de planejamento urbano e constru\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00f5es populares mostra-se como uma pol\u00edtica p\u00fablica de legar aos vulner\u00e1veis a responsabilidade de constru\u00edrem suas pr\u00f3prias moradias e comunidades, pois a influ\u00eancia da classe popular sobre as decis\u00f5es estatais, considerando as diversas conjunturas, concentra-se, principalmente, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2GFk6gH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na rea\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia<\/a>. Dessa forma, recursos estatais que deveriam ser investidos na democratiza\u00e7\u00e3o da infraestrutura urbana <a href=\"https:\/\/glo.bo\/2GLKshp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00e3o direcionados para a valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio da classe m\u00e9dia e elite<\/a>. Portanto, antes que algu\u00e9m, hipocritamente, traga um <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2tzxeeM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">argumento neomalthusiano<\/a>, sugiro que se lembre que \u00e9 da explora\u00e7\u00e3o do trabalho das classes populares e dos recursos naturais que vem a riqueza das elites.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Complexo-do-Alemao-by-Antoine-Horenbeek.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-39101\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Complexo-do-Alemao-by-Antoine-Horenbeek.jpg\" alt=\"Complexo do Alem\u00e3o by Antoine Horenbeek\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Complexo-do-Alemao-by-Antoine-Horenbeek.jpg 2048w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Complexo-do-Alemao-by-Antoine-Horenbeek-396x264.jpg 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Complexo-do-Alemao-by-Antoine-Horenbeek-620x413.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Complexo-do-Alemao-by-Antoine-Horenbeek-768x512.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Complexo-do-Alemao-by-Antoine-Horenbeek-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Apesar de contar com parcos recursos, a engenhosidade dos socialmente desprivilegiados foi capaz de modificar s\u00edtios para a habita\u00e7\u00e3o. Portanto, ser\u00e1 que, com todos os recursos t\u00e9cnicos e financeiros dispon\u00edveis, o Estado n\u00e3o seria capaz de reduzir os riscos de cat\u00e1strofes com <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2tzsPZj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">obras de conten\u00e7\u00e3o<\/a> nas \u00e1reas de habita\u00e7\u00e3o popular e reduzir o n\u00famero de mortes? N\u00e3o nos cabe tentar responder a essa pergunta agora, mas observamos surpresos que, ainda hoje, h\u00e1 quem <a href=\"https:\/\/nyti.ms\/2TCsdxn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pense que as cat\u00e1strofes ocorridas em favelas sejam apenas fruto de desastres naturais<\/a>, pol\u00edticas equivocadas ou descaso dos governantes. Ignoram que as pol\u00edticas est\u00e3o perfeitamente condizentes com o papel legado ao Estado pela elite, que \u00e9 o de <a href=\"https:\/\/glo.bo\/2TcQVaK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criar condi\u00e7\u00f5es<\/a> para acelerar a transfer\u00eancia da riqueza para os bolsos das elites. Lembremo-nos das palavras de Jess\u00e9 Souza:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Como ningu\u00e9m escolhe o ber\u00e7o onde nasce, \u00e9 a sociedade que deve se responsabilizar pelas classes que foram esquecidas e abandonadas. Foi isso que fizeram, sem exce\u00e7\u00e3o, todas as sociedades que lograram desenvolver sociedades minimamente igualit\u00e1rias. No nosso caso, as classes populares n\u00e3o foram abandonadas simplesmente. Elas foram humilhadas, enganadas, tiveram a sua forma\u00e7\u00e3o familiar conscientemente prejudicada e foram v\u00edtimas de todo tipo de preconceito, seja na escravid\u00e3o, seja hoje em dia. (SOUZA, 2017: 89)<\/p><\/blockquote>\n<p>Sendo a cidade de hoje o reflexo do que nos tornamos, ela tamb\u00e9m \u00e9 condicionante daquilo que seremos. Se por um lado, a aus\u00eancia de uma mudan\u00e7a estrutural da sociedade vem intensificando o processo de distribui\u00e7\u00e3o desigual dos benef\u00edcios e dos riscos ambientais no espa\u00e7o urbano. Por outro lado, o direcionamento dos recursos p\u00fablicos, retirados do investimento em habita\u00e7\u00e3o popular e prote\u00e7\u00e3o do ambiente habitado pelos mais pobres (conten\u00e7\u00e3o de encostas, regula\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias poluidoras e dep\u00f3sitos de lixo), intensifica a acumula\u00e7\u00e3o de capital pelas elites com e o empobrecimento das classes trabalhadoras. N\u00e3o podemos prever como ser\u00e1 o futuro, mas podemos especular que nenhuma mudan\u00e7a estrutural vir\u00e1 das elites ou do Estado.<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">*Rafael Chaves \u00e9 ge\u00f3grafo, doutorando em Geografia pela UFRJ e professor substituto de Geografia Humana da UFRJ.<\/span><\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Esta mat\u00e9ria, escrita pelo ge\u00f3grafo Rafael Chaves,* traz \u00e0 luz a din\u00e2mica da atua\u00e7\u00e3o do Estado em conformidade com a elite financeira na ocupa\u00e7\u00e3o do ch\u00e3o da cidade, e o lugar <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=39065\" title=\"Se Sabem Que Pode Cair, Por Que Constroem Ali? 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