{"id":49937,"date":"2020-09-26T13:58:32","date_gmt":"2020-09-26T16:58:32","guid":{"rendered":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=49937"},"modified":"2024-06-20T12:33:07","modified_gmt":"2024-06-20T15:33:07","slug":"para-alem-da-reforma-imaginando-o-fim-da-policia-e-das-prisoes-no-brasil-e-estados-unidos-referencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=49937","title":{"rendered":"Para Al\u00e9m da Reforma: Imaginando o Fim da Pol\u00edcia e das Pris\u00f5es no Brasil e Estados Unidos [REFER\u00caNCIA]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3iz4XfR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Click Here for English<\/a><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3iz4XfR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Protestos em massa nos Estados Unidos lan\u00e7aram luz sobre o debate de como p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia policial em todo o mundo, ainda que os casos em outros lugares sejam caracterizados por diferentes realidades hist\u00f3ricas. Essas diferen\u00e7as devem ser consideradas ao tra\u00e7ar os pr\u00f3ximos passos a seguir, dizem ativistas brasileiros.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 200 anos, sociedades por todas as Am\u00e9ricas foram moldadas com base na ideia de que a pol\u00edcia e as pris\u00f5es s\u00e3o equivalentes a seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o. Ainda que <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3iT62zc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">movimentos pela aboli\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia<\/a> e pris\u00f5es <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2VzbvSB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00e3o sejam novos<\/a>, as demandas para abandonar essas formas de puni\u00e7\u00e3o assumiram uma escala sem precedentes nos \u00faltimos meses. Movimentos como &#8220;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3gbEKCY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">8 Can&#8217;t Wait<\/a>&#8221; nos Estados Unidos, conhecido por seu foco em apresentar propostas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma policial, agora deram um passo adiante. Abolicionistas est\u00e3o incentivando esses movimentos e o p\u00fablico em geral a imaginar um mundo sem pol\u00edcia ou pris\u00f5es: em que o sistema de seguridade social e responsabilidade substituam a puni\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia. Mas como seria esse mundo?<\/p>\n<p>Nos EUA, a organiza\u00e7\u00e3o abolicionista de base <a href=\"https:\/\/bit.ly\/31vmKPL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Critical Resistance<\/a> define o abolicionismo como uma vis\u00e3o pol\u00edtica que visa \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o do encarceramento, policiamento e vigil\u00e2ncia, ao mesmo tempo criando alternativas duradouras \u00e0 puni\u00e7\u00e3o e ao aprisionamento. Como aponta a acad\u00eamica e abolicionista <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3eXBomT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ruth Wilson Gilmore<\/a>, &#8220;o abolicionismo \u00e9 sobre presen\u00e7a, n\u00e3o aus\u00eancia. \u00c9 sobre construir institui\u00e7\u00f5es que afirmam a vida&#8221;. A acad\u00eamica e co-fundadora da Critical Resistance <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2YkA0En\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Angela Davis<\/a> disse em uma <a href=\"https:\/\/bit.ly\/38fBtj4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista<\/a> em junho que &#8220;o abolicionismo no fundo \u00e9 sobre repensar o futuro que queremos&#8230; \u00e9 sobre revolu\u00e7\u00e3o&#8221;. Para o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2CPVlxG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MPD150<\/a>, uma iniciativa de base participativa com sede em Minneapolis, a aboli\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia significa um processo gradual de realoca\u00e7\u00e3o de fundos, recursos e responsabilidade para fora da pol\u00edcia e em dire\u00e7\u00e3o a modelos comunit\u00e1rios de apoio, seguran\u00e7a e preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, alguns ativistas por anos exigem o fim da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2x488q5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pol\u00edcia Militar<\/a>. Muitos deles se identificam como antipunitivistas<i>\u2014<\/i>em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica das consequ\u00eancias punitivas<i>\u2014<\/i>e, cada vez mais, muitos se identificam como abolicionistas. &#8220;Quando vamos defender um mundo sem pris\u00f5es, a gente vai falar dessas alternativas para resolu\u00e7\u00e3o de conflitos&#8221;, disse <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3elxl2t\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Juliana Borges<\/a>, a autora de &#8220;O Que \u00e9 Encarceramento em Massa?&#8221;, em uma entrevista em 2018.<\/p>\n<p>A ideia de abolir a pol\u00edcia e as pris\u00f5es \u00e9 fundamentalmente sobre reinventar a sociedade. Tomando diferentes formas de acordo com os contextos locais, propostas abolicionistas oferecem uma lente transnacional para a mudan\u00e7a transformativa. Elas questionam os sistemas de justi\u00e7a atuais e prop\u00f5e alternativas para garantir seguran\u00e7a e responsabilidade atrav\u00e9s da pergunta: A presen\u00e7a da pol\u00edcia faz com que as comunidades estejam mais protegidas? As pris\u00f5es tornam as sociedades mais seguras?<\/p>\n<p>Os abolicionistas n\u00e3o s\u00f3 respondem que n\u00e3o, mas tamb\u00e9m argumentam que as pris\u00f5es e a pol\u00edcia s\u00e3o fundamentalmente violentas. No entanto, fechar pris\u00f5es e derrubar as for\u00e7as policiais n\u00e3o s\u00e3o seus objetivos finais. S\u00e3o na verdade um meio. Com o objetivo sendo a seguran\u00e7a comunit\u00e1ria, e reconhecendo que a seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada pelo modelo vigente, eles focam em alternativas. Qual \u00e9 a resposta?<\/p>\n<p>Colocando de forma simples: o policiamento e o encarceramento devem ser substitu\u00eddos por redes de cuidado e apoio. Como escreve Angela Davis no seu livro, <em><a href=\"https:\/\/amzn.to\/35QmIEa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estar\u00e3o as Pris\u00f5es Obsoletas?<\/a>,<\/em> &#8220;tentar\u00edamos imaginar um continuum de alternativas ao encarceramento \u2013 a desmilitariza\u00e7\u00e3o das escolas, a revitaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis, um sistema de sa\u00fade que ofere\u00e7a atendimento f\u00edsico e mental gratuito para todos e um sistema de justi\u00e7a baseado na repara\u00e7\u00e3o e na reconcilia\u00e7\u00e3o em vez de na puni\u00e7\u00e3o e na retalia\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>As propostas e demandas que v\u00eam sendo vocalizadas nos Estados Unidos podem servir de inspira\u00e7\u00e3o para sociedades militarizadas em todo o mundo. O que pode acontecer com organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas que funcionam sem interven\u00e7\u00e3o policial, como os <a href=\"https:\/\/yhoo.it\/2YWxncL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carac\u00f3is Zapatistas Mexicanos<\/a> e as <a href=\"https:\/\/bit.ly\/34mhrnh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">comunidades Quilombolas do Brasil<\/a>. O fotojornalista brasileiro Rafael Daguerre invocou estes dois exemplos em um debate virtual recente chamado &#8220;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/38djLgn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00c9 Poss\u00edvel o Fim da Pol\u00edcia<\/a>?&#8221; O evento foi organizado pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2EvQfpl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Iniciativa Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a Racial<\/a>, um f\u00f3rum para discutir seguran\u00e7a p\u00fablica e ra\u00e7a com base na periferia do norte do Rio, a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/32JVvht\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Baixada Fluminense<\/a>.<\/p>\n<p>Durante a discuss\u00e3o, Priscilla Ferreira, uma ativista brasileira e pesquisadora de p\u00f3s doutorado em estudos sobre negros e latinos na Universidade do Texas, em Austin, contou sua experi\u00eancia trabalhando com jovens infratores em um projeto de educa\u00e7\u00e3o ambiental na Carolina do Norte. O projeto transformou seis antigas unidades prisionais em uma fazenda sustent\u00e1vel. &#8220;Eu fiz um projeto do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3aKsWGe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Teatro do Oprimido<\/a> (uma t\u00e9cnica de teatro participativo pioneira no Rio nos anos 1960) com eles l\u00e1, e posso dizer que a sensa\u00e7\u00e3o que eles tiveram de atua\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o do trauma foi real&#8221;. Priscilla disse que esse exemplo, junto com diversas iniciativas brasileiras, &#8220;\u00e9 uma abertura para n\u00f3s investigarmos e imaginarmos&#8221;.<\/p>\n<p>Abolicionistas acreditam que planos de a\u00e7\u00e3o devem ser adaptados para as particularidades locais e \u00e0s mudan\u00e7as dos cen\u00e1rios sociopol\u00edticos, ao inv\u00e9s de uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica para todos. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para trazer uma proposta abolicionista ao Brasil a partir de um pensamento europeu que n\u00e3o reconhece as diferen\u00e7as que a gente tem&#8221;, disse Monique Cruz, integrante do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/29VNixk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">F\u00f3rum Social de Manguinhos<\/a> e pesquisadora na ONG <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3l7uYVF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Justi\u00e7a Global<\/a>, em uma entrevista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Incarcerated-Women.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-49942 size-medium\" title=\"Mulheres de cor presas. Ilustra\u00e7\u00e3o por Adriana Bellet\/ The Guardian\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Incarcerated-Women-620x371.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Incarcerated-Women-620x371.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Incarcerated-Women-1024x612.png 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Incarcerated-Women-442x264.png 442w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Incarcerated-Women-768x459.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Incarcerated-Women.png 1422w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Por que a Aboli\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p>Os abolicionistas brasileiros acreditam que imaginar uma sociedade sem pol\u00edcia e pris\u00f5es \u00e9 urgente por conta do racismo profundamente enraizado no pa\u00eds, da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2x1yXvl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia de Estado<\/a> e da desigualdade estrutural. Numa <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2Bpco9A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista em 2019<\/a> para o site de not\u00edcias <em>Nexo<\/em>, o ex-Secret\u00e1rio Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2VHaBn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Eduardo Soares<\/a>, discutiu este contexto em detalhes, dizendo que o encarceramento em massa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ineficiente, mas tamb\u00e9m refor\u00e7a os ciclos de pobreza, fortalece redes criminosas, e sistematicamente exclui jovens negros. De acordo com Luiz Eduardo, 28% das pessoas nas pris\u00f5es brasileiras foram detidas por posse de drogas, apesar do fato de que muitos deles n\u00e3o estavam envolvidos com o crime organizado ou viol\u00eancia no momento da pris\u00e3o. Ele listou muitos obst\u00e1culos para mudar o status quo: a falha da esquerda em propor alternativas concretas para a inseguran\u00e7a p\u00fablica, mesmo quando criticam, o fato de que as pris\u00f5es servem para multiplicar o crime organizado, e que o progresso sustent\u00e1vel n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado sem que as drogas sejam descriminalizadas.<\/p>\n<p>Enquanto historicamente mais ativistas brasileiros focaram na desmilitariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e na redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria (desencarceramento) ao inv\u00e9s do abolicionismo, muitos defendem um objetivo a longo prazo de abolicionismo tamb\u00e9m. Existem <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2OkaABp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">m\u00faltiplas correntes de pensamento<\/a> dentro do movimento abolicionista brasileiro. Em uma <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2AVOd2l\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apresenta\u00e7\u00e3o<\/a> feita em novembro do ano passado para a Frente Estadual pelo Desencarceramento de S\u00e3o Paulo, a historiadora e escritora Suzane Jardim disse que, por conta do hist\u00f3rico das pris\u00f5es no Brasil e o perfil dos prisioneiros hoje, para ela, &#8220;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2ZrTwzK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">essencialmente, o abolicionismo prisional \u00e9 uma luta negra<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do Brasil, que superou o n\u00famero de <a href=\"https:\/\/glo.bo\/35HEKZg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">755 mil presidi\u00e1rios<\/a> em dezembro de 2019, \u00e9 a terceira maior do mundo, atr\u00e1s apenas da China e dos EUA. 30.4% destes presos no Brasil est\u00e3o em pris\u00e3o preventiva (antes do julgamento definitivo), de acordo com dados de 2019 do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional.<\/p>\n<p>Em uma audi\u00eancia p\u00fablica com o governo federal em 2013, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e movimentos sociais propuseram um programa de desencarceramento. A resultante<a href=\"https:\/\/bit.ly\/31Ak2sj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> Agenda Nacional pelo Desencarceramento<\/a> cont\u00e9m cinco demandas principais: suspens\u00e3o do investimento em novas unidades prisionais, redu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as e descriminaliza\u00e7\u00e3o de condutas relacionadas \u00e0s drogas, expans\u00e3o do acesso da sociedade civil \u00e0s pris\u00f5es, fim dos pres\u00eddios privados, desmilitariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e o fim da tortura. Em vez de incorporar quaisquer elementos dessa agenda, at\u00e9 hoje, as pol\u00edticas de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2YplD1T\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">seguran\u00e7a p\u00fablica<\/a> estaduais e federais rejeitaram-na quase que por completo. Como reportado pelo Wilson Center, at\u00e9 Agosto de 2019, a taxa de encarceramento continuou a crescer, e a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria est\u00e1 projetada para alcan\u00e7ar 1.5 milh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2025.<\/p>\n<p>Da mesma forma, as demandas pela desmilitariza\u00e7\u00e3o foram ignoradas pelos pol\u00edticos. O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, usou frequentemente uma ret\u00f3rica militarizada, na qual as favelas do Rio s\u00e3o campos de batalha onde a pol\u00edcia extermina aqueles que infringem a lei. Ele em diversas vezes se referiu aos traficantes de drogas como &#8220;narcoterroristas&#8221;. Em uma via semelhante, o presidente Jair Bolsonaro chamou manifestantes contra seu governo de &#8220;terroristas&#8221; e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2OO2Urw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">amea\u00e7ou enviar tropas federais<\/a> em um fim de semana em que houveram manifesta\u00e7\u00f5es nacionais contra o <a href=\"https:\/\/glo.bo\/30GCvl1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">racismo<\/a> e a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2ASLeXZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia de Estado<\/a>.<\/p>\n<p>Como explicou Luiz Eduardo Soares em seu livro, <em>Desmilitarizar<\/em>, os proponentes da desmilitariza\u00e7\u00e3o tipicamente defendem a reforma da Pol\u00edcia Militar (a Pol\u00edcia militar \u00e9 respons\u00e1vel por manter a ordem p\u00fablica; a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3hky4U4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pol\u00edcia Civil<\/a> investiga os crimes). Luiz Eduardo escreve que essa reivindica\u00e7\u00e3o falha em reconhecer que a totalidade da pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio \u00e9 militarizada, e portanto deve ser reinventada. O sistema de pol\u00edcia do Rio se manteve desde a \u00e9poca colonial, por <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2ZC0kM3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">200 anos, com pouqu\u00edssimas reformas<\/a>, e continua a replicar as t\u00e1ticas usadas durante a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/39nMkZ2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ditadura militar<\/a> (1964-1985). Ele argumenta que a desmilitariza\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 n\u00e3o consegue corrigir a impunidade, viol\u00eancia institucional, homic\u00eddios extrajudiciais e tantas outras viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/VidasNegrasImportam.png\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-49944 size-medium\" title=\"Vidas Negras e Faveladas Importam, faixa em protesto, no Rio em junho Foto: Clarice Lissovsksy\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/VidasNegrasImportam-620x413.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/VidasNegrasImportam-620x413.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/VidasNegrasImportam-1024x683.png 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/VidasNegrasImportam-396x264.png 396w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/VidasNegrasImportam-768x512.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/VidasNegrasImportam.png 1512w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Quando a Reforma n\u00e3o \u00e9 Suficiente<\/h3>\n<p>Os milhares de manifestantes do #BlackLivesMatter que tomaram as ruas dos EUA nos \u00faltimos meses trazem uma percep\u00e7\u00e3o de que os esfor\u00e7os de reforma da pol\u00edcia no pa\u00eds at\u00e9 agora falharam tremendamente. Iniciativas desde <a href=\"https:\/\/n.pr\/3f0rtx3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">proibi\u00e7\u00e3o de estrangulamentos<\/a> a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3gq9SyF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">c\u00e2meras corporais<\/a> se mostraram ineficientes e, em alguns casos, contraprodutivas. Depois que Michael Brown foi morto a tiros em Ferguson, Missouri, pelo policial Darren Wilson em 2014, os reformistas exigiram dos departamentos de pol\u00edcia que <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3dNE31d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">obriguem seus policiais a usarem c\u00e2meras corporais<\/a>, com a inten\u00e7\u00e3o de gerar mais supervis\u00e3o e responsabilidade. No entanto, um <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2ZrlYAz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo de 2019<\/a> conduzido na Universidade George Mason sobre o uso de c\u00e2meras corporais por policiais encontrou poucas evid\u00eancias que a tecnologia reduziu a m\u00e1 conduta policial; em vez disso, os pesquisadores relatam que &#8220;os policiais fazem uso das c\u00e2meras principalmente para ampliar a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os&#8221;. Muitas unidades tamb\u00e9m impedem que cidad\u00e3os tenham acesso \u00e0s filmagens, frustrando o objetivo de transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>Para entender a falha da reforma policial no Brasil \u00e9 preciso olhar para as <a href=\"https:\/\/bit.ly\/32cMKOJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">UPPs<\/a>\u00a0 do Rio. <a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=49698\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Criado em 2008<\/a>, o programa visava mudar um paradigma de incurs\u00f5es policiais militarizadas e violentas nas favelas e segue sendo a maior e mais recente tentativa de policiamento comunit\u00e1rio no Rio de Janeiro. Embora os t\u00edmidos esfor\u00e7os anteriores de reformar a pol\u00edcia na cidade tenham se mostrado decepcionantes, os primeiros anos do programa UPP aparentavam ser promissores: taxas de homic\u00eddio ca\u00edam e as <a href=\"https:\/\/bit.ly\/32e8NpV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">favelas e o asfalto<\/a> tornaram-se mais interligados.<\/p>\n<p>Dito isso, n\u00e3o foi muito tempo depois que essa fa\u00edsca de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/34lCyGn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esperan\u00e7a come\u00e7ou a desintegrar<\/a>: casos de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2x3RgQw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia\u00a0policial<\/a> e desaparecimentos for\u00e7adas expuseram as funda\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis sobre as quais todo o sistema de pol\u00edcia se sustenta e a falta de mudan\u00e7as fundamentais. Em julho de 2013, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2klrT9V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Amarildo de Souza<\/a>, um pedreiro da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2XuTtjt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rocinha<\/a>, foi levado para um interrogat\u00f3rio pela UPP e nunca mais foi visto. O caso de Amarildo foi a gota d&#8217;\u00e1gua e gerou uma forte indigna\u00e7\u00e3o coletiva em todo o pa\u00eds, revelando as profundas inconsist\u00eancias entre o suposto papel das UPPs nas favelas e suas a\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mais recentemente, durante a pandemia do coronav\u00edrus, o governo do Rio n\u00e3o s\u00f3 <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2Rku5Mf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">negligenciou<\/a> a provis\u00e3o de servi\u00e7os b\u00e1sicos a moradores de favelas, mas tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2Mcl7hj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">continuou com as opera\u00e7\u00f5es militarizadas da pol\u00edcia<\/a>. Em 5 de junho, depois do in\u00edcio dos protestos generalizados do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2USJFjN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">#VidasNegrasImportam<\/a>, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, ordenou que pol\u00edcia do Rio <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2XhOOmY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">suspendesse suas incurs\u00f5es em favelas<\/a> durante a pandemia. A <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2XhOOmY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">proibi\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es policiais<\/a> era vaga e trazia a ressalva de que ela seria aplicada &#8220;em casos absolutamente excepcionais&#8221;. Apenas duas semanas depois, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2TYd2kg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fogo Cruzado<\/a>, uma plataforma digital que rastreia tiroteios no Rio e Recife, reportou uma opera\u00e7\u00e3o policial no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2Yc1ivK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Morro da Provid\u00eancia<\/a>. Aquela noite, um ve\u00edculo blindado da pol\u00edcia foi visto na favela, e dezenas de membros da comunidade compartilharam grava\u00e7\u00f5es de \u00e1udio e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ihwIdK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">v\u00eddeos do tiroteio no Twitter<\/a>. Dois dias depois, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/31DoQwW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">imagens similares<\/a> da \u00e1rea da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2QdZ7V9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cidade Alta<\/a>, na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ETpYR1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Zona Norte<\/a>, inundaram o Twitter. As ocorr\u00eancias revelam os limites inerentes da reforma policial em um contexto no qual t\u00e1ticas repressivas e letais est\u00e3o profundamente arraigadas.<\/p>\n<p>A reforma preserva o sistema atual da forma que ele est\u00e1, o que os abolicionistas afirmam refor\u00e7ar uma cultura de viol\u00eancia, n\u00e3o de seguran\u00e7a. Propostas reformistas comuns incluem programas de treinamento policial extensivo e comit\u00eas de supervis\u00e3o, mas essas esperan\u00e7as de melhora podem ser um tiro no p\u00e9 na medida em que canalizam mais dinheiro e recursos para a pol\u00edcia sem garantias de mudan\u00e7a. O que pode ser visto como alternativa, efetiva, mas ainda assim reformista (j\u00e1 que n\u00e3o extingue por completo o sistema de justi\u00e7a criminal, mas sim o reduz dramaticamente), \u00e9 o Tribunal Juvenil Time Dollar, com sede em Washington DC, que funcionou de 1996-2006 com um <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2E2d1Xp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sucesso excepcional<\/a>, submetendo infratores n\u00e3o violentos e sem antecedentes perante um j\u00fari de seus pares (ex-infratores prim\u00e1rios que passaram pelo programa). Infelizmente, o TDYC foi encerrado devido a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3aiTiip\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pequenas quedas no financiamento<\/a>, apesar de ser mais barato do que aprisionar jovens e manter uma grande quantidade de jovens na pris\u00e3o. Consequentemente, abolicionistas dizem que vislumbrar o fim da pol\u00edcia e das pris\u00f5es pode oferecer o \u00fanico caminho promissor para alcan\u00e7ar uma mudan\u00e7a real<i>\u2014<\/i>que no Brasil, implicaria uma reconstitui\u00e7\u00e3o completa do sistema de justi\u00e7a para que n\u00e3o mais imponha suas t\u00e1ticas militarizadas aos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/What-does-a-Police-Free-World-Look-Like.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-49945 size-medium\" title=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de um auto policiamento comunit\u00e1rio por Tori Hong\/ MPD150\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/What-does-a-Police-Free-World-Look-Like-620x421.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/What-does-a-Police-Free-World-Look-Like-620x421.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/What-does-a-Police-Free-World-Look-Like-1024x695.png 1024w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/What-does-a-Police-Free-World-Look-Like-389x264.png 389w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/What-does-a-Police-Free-World-Look-Like-768x521.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/What-does-a-Police-Free-World-Look-Like.png 1400w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>O Caminho para a Aboli\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Os abolicionistas acreditam que as reivindica\u00e7\u00f5es de reforma policial falham em reconhecer a conex\u00e3o entre a pol\u00edcia e estruturas socioecon\u00f4micas como a supremacia branca, o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3hydmiM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capitalismo<\/a>, e o patriarcado heteronormativo. Para Priscilla Ferreira, &#8220;a supremacia branca \u00e9 uma grande perda afetiva, \u00e9 uma grande perda espiritual. Essa forma de dom\u00ednio \u00e9 desintegrante do ser&#8221;. Priscilla disse que, para ela, o caminho para a aboli\u00e7\u00e3o passa pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2C0sEOm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quilombismo<\/a> Afro-feminista<i>\u2014<\/i>um caminho que \u00e9, em ess\u00eancia, antirracista e anticapitalista. Mas o que ele significa na pr\u00e1tica?<\/p>\n<p>O abolicionismo reivindica a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2BTl9IZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">responsabilidade comunit\u00e1ria<\/a> e a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2BnyPMc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">justi\u00e7a transformativa<\/a> como alternativas ao policiamento e encarceramento. A responsabilidade comunit\u00e1ria trata diretamente da viol\u00eancia, ao mesmo tempo em que nutre uma cultura de responsabilidade m\u00fatua e coletiva. Enquanto isso, a justi\u00e7a transformativa busca prover seguran\u00e7a imediata \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia e oferecer um processo de cura e restaura\u00e7\u00e3o de longo prazo atrav\u00e9s da responsabiliza\u00e7\u00e3o daqueles que causaram os danos. Estas abordagens n\u00e3o s\u00f3 tratam de incidentes de viol\u00eancia pontuais, mas tamb\u00e9m previnem que eles ocorreram novamente. A escritora, educadora e mobilizadora comunit\u00e1ria para justi\u00e7a de pessoas com defici\u00eancia <a href=\"https:\/\/bit.ly\/32f8uv2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mia Mingus<\/a>, dos EUA, explica que a viol\u00eancia n\u00e3o acontece em um v\u00e1cuo, e que a justi\u00e7a transformativa &#8220;reconhece que n\u00f3s precisamos transformar as condi\u00e7\u00f5es que estimulam atos de viol\u00eancia ou tornam eles poss\u00edveis&#8221;. Isso \u00e9, o status quo falha em oferecer solu\u00e7\u00f5es de longo prazo e ignora os efeitos interseccionais do racismo, sexismo e homofobia na viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Muitos mobilizadores brasileiros argumentam que para imaginar futuros alternativos sem pol\u00edcia e pris\u00f5es, a hist\u00f3ria complexa do pa\u00eds da supremacia branca, miscigena\u00e7\u00e3o, e o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2RCRVSY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mito da democracia racial<\/a> precisa ser reconhecido. &#8220;Se a gente n\u00e3o conseguir que as pessoas se comprometam de fato com a constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa de entendimento sobre o fato do racismo ser estruturante e basilar da quest\u00e3o prisional, ent\u00e3o a gente tamb\u00e9m vai ter dificuldade em ter perspectiva para um movimento de aboli\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Monique Cruz. Ela acredita que uma reeduca\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para estimular uma mudan\u00e7a cultural na sociedade brasileira<i>\u2014<\/i>o que vai levar a uma maior aceita\u00e7\u00e3o generalizada das mudan\u00e7as que o abolicionismo reivindica.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem pr\u00e1ticas sociais que v\u00e3o reproduzir as diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a quem \u00e9 cidad\u00e3o e quem n\u00e3o \u00e9 cidad\u00e3o&#8221; disse Monique. Ela criticou o ditado popular &#8220;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2x48dKG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bandido bom \u00e9 bandido morto<\/a>&#8220;, sobre o que ela disse que &#8220;foi totalmente<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2LTW1FO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> constru\u00eddo em no\u00e7\u00f5es raciais<\/a> de quem \u00e9 o criminoso em potencial&#8221; e demonstra como o racismo estrutural e a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza est\u00e3o profundamente arraigados na psique brasileira.<\/p>\n<p>Para abolicionistas em todo o mundo, um dilema surge quando v\u00edtimas da viol\u00eancia de Estado exigem a pris\u00e3o de um policial que mata algu\u00e9m. Eles reconhecem que, enquanto o \u00fanico sistema de justi\u00e7a que as pessoas conhecem \u00e9 o encarceramento, demandar que o sistema criminal corrija um dano pode ajudar no luto dos familiares da v\u00edtima e de seus entes queridos, enquanto publicamente reconhece sua dor. Al\u00e9m disso, tais fam\u00edlias s\u00e3o geralmente de grupos marginalizados com acesso limitado ao sistema de justi\u00e7a, ent\u00e3o a capacidade de minimizar tais consequ\u00eancias sobre o agente policial \u00e9 poderosa.<\/p>\n<p>Por conta dessa complexidade, muitos abolicionistas advogam por passos graduais e uma mudan\u00e7a cultural em dire\u00e7\u00e3o a novas formas de justi\u00e7a. Apesar da mobiliza\u00e7\u00e3o atual nos EUA ter ajudado a trazer o abolicionismo para um espa\u00e7o de maior visibilidade, aqueles que desejam alcan\u00e7\u00e1-lo ainda t\u00eam um longo caminho pela frente.<\/p>\n<p>Para os leitores que est\u00e3o s\u00f3 agora escutando sobre o abolicionismo ou querem se aprofundar nas alternativas ao sistema penal, abaixo temos uma lista n\u00e3o exaustiva de leituras escritas por lideran\u00e7as e ativistas por todo o mundo que discutem como esperan\u00e7as coletivas por um futuro melhor podem se tornar realidades tang\u00edveis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_49946\" aria-describedby=\"caption-attachment-49946\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/8ToAbolition.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-49946 size-medium\" title=\"Passos para um mundo sem pris\u00f5es ou pol\u00edcia, idealizado pelo coletivo 8toAbolition. Foto: 8ToAbolition.com - Um Mundo Sem Pris\u00f5es ou Pol\u00edcia, Onde Todos N\u00f3s Estejamos Seguros: Cortar o financiamento da pol\u00edcia, revogar leis que criminalize a sobreviv\u00eancia, desmilitarizar as comunidades, investir na auto governan\u00e7a comunit\u00e1ria, remover a pol\u00edcia das escolas, oferecer moradia segura para todos, libertar pessoas de pris\u00f5es e cadeias, investir em cuidados, n\u00e3o em policiais\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/8ToAbolition-620x614.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"614\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/8ToAbolition-620x614.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/8ToAbolition-267x264.png 267w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/8ToAbolition-768x760.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/8ToAbolition.png 970w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-49946\" class=\"wp-caption-text\">Um Mundo Sem Pris\u00f5es ou Pol\u00edcia, Onde Todos N\u00f3s Estejamos Seguros: Cortar o financiamento da pol\u00edcia; Revogar leis que criminalize a sobreviv\u00eancia; Desmilitarizar as comunidades; Investir na auto governan\u00e7a comunit\u00e1ria; Remover a pol\u00edcia das escolas; Oferecer moradia segura para todos; Libertar pessoas de pris\u00f5es e cadeias; Investir em cuidados, n\u00e3o em policiais<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Lista de Leitura sobre Abolicionismo<\/h2>\n<ul>\n<li>Angela Davis\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3gckBMV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Are Prisons Obsolete?<\/i><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3idDCAJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Estar\u00e3o as Pris\u00f5es Obsoletas?<\/i><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Mariame Kaba\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/nyti.ms\/3dRsBBn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cYes, We Literally Mean Abolish the Police\u201d<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3geNvfG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cFree Us All\u201d<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3dMSliv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cSummer Heat\u201d<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li><em>NYT.<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/nyti.ms\/2VsLh4j\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cIs Prison Necessary? Ruth Wilson Gilmore Might Change Your Mind\u201d<\/a><\/li>\n<li>Critical Resistance.\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2VziGKx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cThe Abolitionist Toolkit\u201d<\/a><\/li>\n<li>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/2CR1Ccp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Marshall Project<\/a><\/em>, um jornal sem fins lucrativos sobre justi\u00e7a criminal<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/bit.ly\/38hqqGj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TransformHarm.org<\/a><\/li>\n<li>Monique Cruz &amp; Elinton F\u00e1bio Rom\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/31sSgOx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cPol\u00edcia e Racismo\u201d<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3elxl2t\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Entrevista com Juliana Borges<\/a>, autora de <i>O Que \u00c9 Encarceramento em Massa?<\/i><\/li>\n<li>Felipe Barbosa.\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2OkaABp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cPelo fim do sistema criminal: entenda o que defendem os abolicionistas penais\u201d<\/a><\/li>\n<li>Coaliz\u00e3o Negra Por Direitos.\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2BR5REr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cEnquanto Houver Racismo N\u00e3o Haver\u00e1 Democracia\u201d<\/a><\/li>\n<li>Ac\u00e1cio Augusto.\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3gj6ky6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cAbolicionismo Penal como A\u00e7\u00e3o Direta\u201d<\/a><\/li>\n<li>Um <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2ZxDymN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Resumo<\/a> de Orlando Zaccone <em>Acionistas do Nada<\/em><\/li>\n<li><em>The Intercept.\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3fs2wuu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cScholar Robin D.G. Kelley on day\u2019s abolitionist movement can fundamentally change the country [U.S.]\u201d<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h4><strong>Apoie nossos esfor\u00e7os para fornecer assist\u00eancia estrat\u00e9gica \u00e0s favelas do Rio durante a pandemia da Covid-19, incluindo o jornalismo hiperlocal, cr\u00edtico, inovador e incans\u00e1vel do\u00a0<em>RioOnWatch<\/em><\/strong>\u2014<a href=\"http:\/\/bit.ly\/CatalisandoComunidades\">doe aqui<\/a>.<\/h4>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Protestos em massa nos Estados Unidos lan\u00e7aram luz sobre o debate de como p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia policial em todo o mundo, ainda que os casos em outros lugares sejam caracterizados <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=49937\" title=\"Para Al\u00e9m da Reforma: Imaginando o Fim da Pol\u00edcia e das Pris\u00f5es no Brasil e Estados Unidos [REFER\u00caNCIA]\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":165,"featured_media":49941,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1621,1631,1626,344,342],"tags":[386,3253,1006,959,2159,369,759,2748,2896,88,1023,1372,1637,257,358,2378,774,763,567,919,16,672,2065,476,92,52],"writer":[2129,2862],"translator":[2791],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-49937","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaque","8":"category-entendendo-o-rio","9":"category-por-observadores-internacionais","10":"category-politicas","11":"category-solucoes","12":"tag-estigma","13":"tag-antirracismo","14":"tag-asfalto-x-favela","15":"tag-baixada-fluminense","16":"tag-black-lives-matter","17":"tag-cidade-alta","18":"tag-comparacao-internacional","19":"tag-coronavirus","20":"tag-desencarceramento","21":"tag-direitos-humanos","22":"tag-ditadura-militar","23":"tag-grande-rio","24":"tag-referencia","25":"tag-providencia","26":"tag-organizacao-comunitaria","27":"tag-policia-civil","28":"tag-policia-militar","29":"tag-protesto","30":"tag-quilombo","31":"tag-reforma-da-policia","32":"tag-rocinha","33":"tag-seguranca-publica","34":"tag-sistema-penitenciario","35":"tag-solucao-comunitaria","36":"tag-upp","37":"tag-violencia-policial","38":"writer-chloe-villalobos","39":"writer-emily-zislis","40":"translator-felipe-litsek"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - 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