{"id":60117,"date":"2022-01-17T11:36:12","date_gmt":"2022-01-17T14:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60117"},"modified":"2022-03-10T12:54:37","modified_gmt":"2022-03-10T15:54:37","slug":"novos-futuros-outros-passados-coeducacao-racial-e-intergeracional-entre-os-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60117","title":{"rendered":"Novos Futuros, Outros Passados: Coeduca\u00e7\u00e3o Racial e Intergeracional Entre os de Casa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3hlLjFN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Click Here for English<\/a><a href=\"XXXXXXXXX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" width=\"20\" height=\"20\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria faz parte da nossa\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/ROWWinsAnthem\" rel=\"noopener\">premiada<\/a>\u00a0s\u00e9rie,<i>\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/SerieAntirracista\" rel=\"noopener\">Enraizando o Antirracismo nas Favelas<\/a>,<\/i>\u00a0e tamb\u00e9m<i data-stringify-type=\"italic\">\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/ROWeNECLES\" rel=\"noopener noreferrer\">uma parceria<\/a>\u00a0com o\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/33EFNGY\" rel=\"noopener noreferrer\">N\u00facleo de Estudos Cr\u00edticos em Linguagem, Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade (NECLES)<\/a>, da UFF, para que seja utilizada como um recurso pedag\u00f3gico em escolas p\u00fablicas de Niter\u00f3i.<\/i><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse texto relata um processo de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3faSGyK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">coeduca\u00e7\u00e3o intergeracional<\/a> e interracial, cujo ponto de partida foi um conjunto de perguntas formuladas por minha m\u00e3e, Andr\u00e9a Luisa. Ela \u00e9 uma mulher branca, heterossexual e cisg\u00eanero, de 54 anos. Suas quest\u00f5es foram direcionadas a mim, um homem negro, homossexual e cisg\u00eanero, de 31 anos. Algumas dessas indaga\u00e7\u00f5es poderiam ter um impacto educativo mais amplo se partilhadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVoc\u00ea fala da luta das pessoas negras, mas onde eu, que sempre fui discriminada por ser favelada, entro? Eu, que tinha de carregar sua certid\u00e3o de nascimento na bolsa porque as pessoas desacreditavam que eu fosse sua m\u00e3e [biol\u00f3gica]?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trechos como esses come\u00e7aram a despertar minha aten\u00e7\u00e3o do outro lado do telefone. Eu que, al\u00e9m de filho, me tornei professor e cientista social gra\u00e7as aos nossos esfor\u00e7os, estreme\u00e7o com cada indaga\u00e7\u00e3o recebida e com a possibilidade de mais perguntas complexas. Aceitei o desafio de tentar pesquisar e estudar o que n\u00e3o fazia ideia de como responder. Queria construir trocas mais democr\u00e1ticas e antirracistas com os meus. No entanto, n\u00e3o busco grandes explica\u00e7\u00f5es gerais para as perguntas da minha e de outras tantas <a href=\"https:\/\/bit.ly\/33jIUr6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">configura\u00e7\u00f5es familiares existentes<\/a> em nosso pa\u00eds, compostas pela <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3qbkLMm\"><span style=\"font-weight: 400;\">di\u00e1spora<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3qbkLMm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> e mesti\u00e7agem for\u00e7adas<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-5-e1641840370329.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60137\" title=\"Nathanael e a m\u00e3e, Andr\u00e9a Luisa. Foto: Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-5-e1641840370329.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-5-e1641840370329.jpg 758w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-5-e1641840370329-620x620.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-5-e1641840370329-629x629.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considerado o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3f5svtc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">primeiro espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o<\/a>, a fam\u00edlia \u00e9, em geral, constitu\u00edda por grupos de pessoas geracionalmente distintos que trocam e compartilham experi\u00eancias e conhecimentos. Comumente envolvidos em situa\u00e7\u00f5es de conflito, negocia\u00e7\u00e3o, co<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">opera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o de valores, exig\u00eancias emocionais e expectativas de reciprocidades, cotidianamente temos a chance de aprender enquanto igualmente ensinamos. S\u00e3o esses processos de aprendizado pelo ensino e de ensino ao aprender que conhecemos como coeduca\u00e7\u00e3o. Nossos primeiros passos no mundo s\u00e3o desenhados com base nos integrantes de cada modelo de parentesco e em nossa configura\u00e7\u00e3o familiar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As experi\u00eancias e acessos ao universo da linguagem ocorrem, inicialmente, no interior dessas rela\u00e7\u00f5es familiares. Educam-se uns aos outros em um cen\u00e1rio de perman\u00eancias e mudan\u00e7as de concep\u00e7\u00f5es, valores e pr\u00e1ticas assumidas por cada membro. A import\u00e2ncia do car\u00e1ter intergeracional da fam\u00edlia costuma ser percebida quando nos atentamos \u00e0 presen\u00e7a de vis\u00f5es de mundo dos mais velhos nos discursos das gera\u00e7\u00f5es mais novas, e vice-versa, com trajet\u00f3rias divergindo e convergindo. A fam\u00edlia \u00e9, por excel\u00eancia, um lugar de trocas onde todos aprendem com todos, em comunidade.<\/span><\/p>\n<h3><b>Mem\u00f3rias que Puxam Mem\u00f3rias e Nos Coeducam<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1957, minha av\u00f3 materna, Maria de Lourdes da Silva, migrou do Estado da Para\u00edba para o Rio de Janeiro em busca de trabalho. Seu documento de identidade aponta o dia 24 de agosto de 1932 como a data de seu nascimento, em Jo\u00e3o Pessoa, mas seu relato afirma ter sido este o ano do seu registro em cart\u00f3rio, realizado por seu pai quando ela j\u00e1 estava com dois anos de idade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nascida em uma fam\u00edlia crist\u00e3, ela frequentava a missa na <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2NvAaXH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igreja Cat\u00f3lica<\/a> com seus pais, Ant\u00f4nio Silvano e Francisca Miguel da Silva, ambos brancos. Mas vov\u00f3 tamb\u00e9m fala de seu pertencimento ao <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3CQDU9N\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Catimb\u00f3<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, ritual m\u00e1gico-medicinal de origem ind\u00edgena centrado no culto \u00e0s ervas, como a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3GfPjlJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jurema<\/a> (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">mimosa hostilis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">), arbusto nativo do agreste e da caatinga cujas cascas s\u00e3o usadas em banhos, infus\u00f5es, defuma\u00e7\u00f5es e ingest\u00e3o em cerim\u00f4nias de cura e orienta\u00e7\u00e3o com entes desencarnados. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Minha bisav\u00f3 Francisca, que tamb\u00e9m era <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3xkLurP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">rezadeira e benzedeira<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, pariu oito filhos, mas somente seis dos irm\u00e3os da minha av\u00f3, Maria de Lourdes, \u201cvingaram\u201d. Quando adulta, minha av\u00f3 migrou para o Rio de Janeiro a convite de uma das irm\u00e3s mais velhas que havia mudado antes com o marido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 meu av\u00f4 materno, Luiz Delfino da Silva, saiu da Para\u00edba para trabalhar como mestre de obras no Rio de Janeiro. A aus\u00eancia de imagens minhas ao lado dele acompanha um percurso comum para fam\u00edlias sem recursos para pagar por retratos. Quando a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica chegou, os rolos de filmes foram se acumulando \u00e0 espera de serem revelados, mas acabaram se estragando. A dist\u00e2ncia f\u00edsica veio depois, com a minha mudan\u00e7a junto com meus pais, irm\u00e3o mais velho e nosso cachorro para o Esp\u00edrito Santo, tornando-se imposs\u00edvel contrastar a mem\u00f3ria com as imagens impressas em papel fotogr\u00e1fico.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-10.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-60145\" title=\"Maria de Lourdes e Luiz Delfino da Silva, av\u00f3s maternos de Nathanael. Foto: Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-10-620x385.jpg\" alt=\"\" width=\"1030\" height=\"639\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-10-620x385.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-10-1013x629.jpg 1013w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-10-768x477.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-10.jpg 1089w\" sizes=\"(max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tenho poucos registros orais sobre a trajet\u00f3ria de vida do meu av\u00f4. Sei, ainda que de modo muito fragmentado, de sua perten\u00e7a ao <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/366wpNu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Candombl\u00e9<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, sobre seu cargo religioso como pai de santo e de sua presen\u00e7a em terreiros e casas de santo por grande parte da vida. Os relatos familiares d\u00e3o conta, ainda, da frequ\u00eancia da minha av\u00f3 e meu tio em terreiro na <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ilwr9T\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a> levados por ele, bem como da vontade dele em iniciar minha m\u00e3e nesse universo m\u00e1gico-religioso de matriz afro-brasileira. Por\u00e9m, em uma tarde a caminho da missa na Igreja Cat\u00f3lica em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3nvtTYH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Copacabana<\/a>, ap\u00f3s sair de um dos apartamentos onde era empregada dom\u00e9stica no <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/2JSioYZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Leblon<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, minha av\u00f3 Maria de Lourdes foi abordada por uma evangelizadora da <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2rmyrTE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assembleia de Deus<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O processo de reconvers\u00e3o ao cristianismo de vertente protestante da minha av\u00f3 instaurou uma verdadeira batalha espiritual familiar. Quando minha m\u00e3e nasceu em 1967, em termos de embates religiosos, \u201co circo j\u00e1 estava armado\u201d: minha av\u00f3 congregava sua f\u00e9 na Assembleia de Deus e meu av\u00f4 no Candombl\u00e9. Criada no cruzamento entre o mundo material e o mundo espiritual, marcados por processos de convers\u00e3o e passagens complexas, minha m\u00e3e \u00e9 a principal guardi\u00e3 das tramas de nossa fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mam\u00e3e conta que morou com os meus av\u00f3s, primeiro, na <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2erwhBx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Baixa do Sapateiro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, parte do <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2K1s59x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Complexo da Mar\u00e9<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, em <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2XDP9NW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">casa de palafitas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, at\u00e9 conseguirem comprar o pequeno terreno onde a fam\u00edlia ergueu sua moradia, na Travessa da Vi\u00e7osa, no <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3y8xWPm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro do Sereno<\/a>, ambas favelas da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ETpYR1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a> da cidade. Minha av\u00f3 morou nessa casa do Sereno at\u00e9 precisar de cuidados e se mudar para a casa dos meus pais, em 2019. J\u00e1 meu av\u00f4, depois que se separou da minha av\u00f3, se mudou e residiu por anos na <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/304Pzo1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">favela do Pereir\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, na Zona Sul, com sua segunda esposa.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Sereno-e1641842244485.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-60149 size-full\" title=\"Um dos acessos ao Morro do Sereno, na Penha. Foto: Baile do Sereno\/Facebook\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Sereno-e1641842244485.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Sereno-e1641842244485.jpg 960w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Sereno-e1641842244485-620x346.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Sereno-e1641842244485-768x428.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para mim, quando crian\u00e7a, a Rua Pereira da Silva parecia n\u00e3o ter fim. A sensa\u00e7\u00e3o era de uma viagem. Tudo fascinava: as constru\u00e7\u00f5es antigas, as ruas de paralelep\u00edpedo, as muitas \u00e1rvores. Quanto mais para dentro da rua, mais similar era a paisagem daquela no trajeto para a casa da minha av\u00f3. A entrada da favela, a est\u00e9tica e a precariedade do morro do Pereir\u00e3o pareciam as mesmas do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Morro do Sereno<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, no <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3f3adY2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Complexo da Penha<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. As escadas, aqueles becos e vielas eram uma aventura para a inf\u00e2ncia, quando tudo parecia se constituir pela for\u00e7a da imagina\u00e7\u00e3o. Deitava na cama do meu av\u00f4, um olho no desenho animado na TV, outro na janela de onde se podia admirar o Cristo Redentor. Essa era a vista do morro da Zona Sul. No morro da Zona Norte avistava-se a <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2h7QdKI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Bas\u00edlica de Nossa Senhora da Penha<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, no cume de um penhasco, al\u00e9m dos avi\u00f5es cortando o c\u00e9u pr\u00f3ximo ao <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2zmQuxN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aeroporto do Gale\u00e3o<\/a>, na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2fMaODR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ilha do Governador<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre em tr\u00e2nsito, cresci fazendo o percurso de \u00f4nibus da linha 497, extinta em 2016. Indo da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Penha Circular<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> ao <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3f2hhmE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cosme Velho<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, esse \u00f4nibus ligava as duas favelas da minha inf\u00e2ncia. A viagem at\u00e9 <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/2Zn2e1N\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Laranjeiras<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> era seguida de todo um percurso a p\u00e9, pelo asfalto da Rua Pereira da Silva, e depois pelas escadarias, becos e vielas at\u00e9 a casa do meu av\u00f4, que aparecia entre as nuvens.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Pereira-da-Silva-e1641842556334.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-60150 size-full\" title=\"Vista do alto da Favela Pereira da Silva, em Laranjeiras\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Pereira-da-Silva-e1641842556334.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Pereira-da-Silva-e1641842556334.jpg 1000w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Pereira-da-Silva-e1641842556334-620x347.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Pereira-da-Silva-e1641842556334-768x430.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ape<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">sar de serem lidos como brancos, minha fam\u00edlia materna tem caracter\u00edsticas que eu atribuo a <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3phw3No\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">caboclos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, embora eles n\u00e3o se lembrem de parentescos que permitam retra\u00e7ar suas heran\u00e7as ind\u00edgenas, expressas n\u00e3o apenas em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3r1HutH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">caracter\u00edsticas fenot\u00edpicas<\/a>, mas tamb\u00e9m em pr\u00e1ticas sociais transmitidas de modo naturalizado a cada nova gera\u00e7\u00e3o. Essa percep\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de brancura de segunda classe est\u00e1 presente na minha av\u00f3. Ela, por exemplo, recusa ser fotografada sob a alega\u00e7\u00e3o de que se considera feia. Quando indagada sobre o porqu\u00ea de se achar feia, a primeira das caracter\u00edsticas apontadas por ela \u00e9 a pele \u201camarelada, encardida e manchada\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu av\u00f4, por sua vez, \u00e9 descrito como tendo a pele \u201cqueimada\u201d ou \u201cmanchada\u201d devido a intensa exposi\u00e7\u00e3o ao sol por conta do trabalho em canteiros de obras. Suas m\u00e3os \u00e1speras e cheias de calos n\u00e3o me contavam verbalmente e em detalhes as hist\u00f3rias que, atualmente, eu desejaria conhecer desse homem de profundos olhos azuis. Momentos onde seu Luiz, a caminho do ponto de \u00f4nibus conosco, tornava a Rua Pereira da Silva m\u00e1gica e enorme, sobretudo quando erguia um dos bra\u00e7os e apontava em diagonal para cima: \u201cAquele pr\u00e9dio ali fui eu quem levantei!\u201d, nos mostrava orgulhoso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Costureira de suas pr\u00f3prias roupas, minha av\u00f3 entrou na escola\u00a0 quando tinha 6 anos, mas n\u00e3o a frequentou por mais do que seis meses. Aprendeu a ler, embora tenha sido convidada a se retirar e obrigada a interromper seu processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o por n\u00e3o possuir cal\u00e7ados fechados para frequentar as aulas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Matriarca dessa parte da minha fam\u00edlia, ela sempre demonstrou orgulho em ser uma \u00f3tima costureira, autodidata, nadadora e cozinheira. Certa tarde a perguntei: \u201cQuem a ensinou a costurar, v\u00f3?\u201d. Ela me respondeu: \u201cEu mesma!\u201d. Em sil\u00eancio, eu a escutava, registrando cada nova informa\u00e7\u00e3o na mem\u00f3ria. Afinal, fui ensinado a ouvir e n\u00e3o a interromper os mais velhos. Quando a visitava, j\u00e1 adulto em sua casinha no Morro do Sereno, sentava em uma de suas duas poltronas de jacarand\u00e1 que na inf\u00e2ncia ela unia para me servir como ber\u00e7o. Ali ouvia minha av\u00f3 recordar dos meus desenhos e de que achava que eu fosse me tornar costureiro. Segundo ela, eu \u201cfazia vestidos de noiva no papel e dava para [ela] guardar&#8221;. Sob a mesa, tipo t\u00e1vola redonda, n\u00e3o foram poucas as vezes em que a inf\u00e2ncia foi imaginada, criada e vivida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu av\u00f4 possu\u00eda uma caligrafia pouco treinada e firme. Sempre pedia para que meu \u00fanico irm\u00e3o, quatro anos mais velho do que eu, nossa m\u00e3e ou pai lessem os r\u00f3tulos e documentos; ou, ainda, explicassem e anotassem dados importantes em seu caderninho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-8-e1641842645343.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60147\" title=\"A m\u00e3e de Nathanael, Andr\u00e9a Luisa, estudou at\u00e9 os 14 anos. Foto: Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-8-e1641842645343.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha m\u00e3e, por sua vez, aprendeu o alfabeto e a realizar contas com dona Doca, vizinha de porta no Morro do Sereno. Entrou na escola e estudou at\u00e9 os 14 anos, saindo ap\u00f3s repetir a quinta s\u00e9rie. A decis\u00e3o foi movida pela vergonha, por constrangimentos provocados por um professor e pela rotina de trabalho. Aos 10 anos come\u00e7ou a cuidar das filhas pequenas dos patr\u00f5es de sua m\u00e3e. Com 11 anos, j\u00e1 varria e tirava o p\u00f3 das coisas. Faltava \u00e0s aulas semanalmente e s\u00f3 parou de trabalhar aos 16 anos. As interrup\u00e7\u00f5es na frequ\u00eancia escolar para ir com a minha av\u00f3 para o servi\u00e7o dom\u00e9stico, somadas \u00e0 dificuldade de aprendizado e \u00e0s excessivas imposi\u00e7\u00f5es dos professores contribu\u00edram para que, assim como a minha av\u00f3, minha m\u00e3e n\u00e3o conclu\u00edsse o ensino formal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c0s ter\u00e7as-feiras eu ia na casa da minha \u2018madrinha\u2019, onde eu era autorizada a assistir um pouco de TV\u201d, me conta mam\u00e3e, explicando ser ali que aprendeu a gostar de telenovelas e filmes, al\u00e9m das leituras de jornais, revistas e gibis que encontrava no lixo das patroas da sua m\u00e3e, minha av\u00f3.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Andrea Luisa, minha m\u00e3e, ao contr\u00e1rio de minha av\u00f3, desenvolveu verdadeiro fasc\u00ednio por fotografias. Ao casar com meu pai, Jo\u00e1s, ganhou de presente de anivers\u00e1rio de casamento uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica que nos possibilitou in\u00fameros registros do nosso n\u00facleo familiar.<\/span><\/p>\n<h3><b>Hist\u00f3rias em Livros e Hist\u00f3rias de uma Fam\u00edlia Multiracial<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em meados de 2017, quando visitei meus pais, que ainda moravam no Esp\u00edrito Santo, fiz como sempre fa\u00e7o quando chego em casa: retirei meus livros da bolsa e os espalhei sobre a mesa da sala. Fui surpreendido pela indaga\u00e7\u00e3o de minha m\u00e3e sobre um dos t\u00edtulos: \u201cE esse livro, sobre o que \u00e9?\u201d. Sua aten\u00e7\u00e3o foi fisgada por <\/span><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3rLVlGj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Tr\u00eas Fam\u00edlias: Identidades e Trajet\u00f3rias Transgeracionais nas Classes Populares<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, dos antrop\u00f3logos Luiz Fernando Dias Duarte e Edilaine Campos Gomes. O livro \u00e9 um estudo da din\u00e2mica social de tr\u00eas redes familiares de classe popular no Grande Rio. \u201c\u00c9 um trabalho do pesquisador que estava na minha banca de mestrado\u201d, comentei. \u201cHum, seu professor, \u00e9? Aquele da foto?\u201d, perguntou enquanto folheava o livro e eu consentia balan\u00e7ando a cabe\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dias se passaram quando, em certa manh\u00e3, acordei e vi minha m\u00e3e sentada no sof\u00e1 da sala segurando o livro. \u201cAh, menino, tive uma ins\u00f4nia terr\u00edvel!\u201d, me explicou, ao continuar: \u201cVim pra sala, vi seu livro e comecei a ler: que legal ele, n\u00e9?! Esse livro \u00e9 muito bom! Voc\u00ea j\u00e1 leu?\u201d. Dessa vez a resposta foi negativa: \u201cEncontrei este agora em uma banquinha da Feira do Livro da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3lzvvAA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cinel\u00e2ndia<\/a>, a caminho pra c\u00e1\u201d, expliquei. O interesse da minha m\u00e3e, uma leitora n\u00e3o antrop\u00f3loga, em rela\u00e7\u00e3o a um livro de antropologia aumentou minha curiosidade por suas interpreta\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60153\" title=\"Joas Araujo da Silva, pai de Nathanael, \u00e9 pastor evang\u00e9lico. Foto: Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-1-620x620.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-1-620x620.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-1-629x629.jpg 629w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-1-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-1-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cIh, sua av\u00f3 que ia gostar tamb\u00e9m, porque aqui falam de ruas por onde ela andava, \u00e0s vezes me levava junto\u201d, lembrou. A partir disso, chegaram narrativas sobre n\u00f3s consideradas, at\u00e9 ent\u00e3o, in\u00e9ditas por mim. Embora n\u00e3o fa\u00e7a ju\u00edzos de valor quanto aos h\u00e1bitos de leitura de ningu\u00e9m, a pequena biblioteca no m\u00f3vel da sala da casa dos meus pais \u00e9 estritamente composta de livros evang\u00e9licos pertencentes ao meu pai. Joas Araujo da Silva \u00e9 um homem negro, heterossexual e cisg\u00eanero, nascido em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3cEuW2M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jacarepagu\u00e1<\/a>, no ano de 1964. Aos 16 anos ingressou como pastor evang\u00e9lico e mission\u00e1rio neopentecostal, dedicando at\u00e9 o momento 42 dos seus 58 anos de vida a essa voca\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A recomposi\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria familiar paterna alcan\u00e7a meus bisav\u00f3s Ov\u00eddio Correia da Silva, um caixeiro viajante, e Antonia da Silva, descrita por minha m\u00e3e como \u201cuma mulher alta, magra, negra e com os olhos azuis\u201d. Uma das minhas tias por parte de pai, conta que\u00a0 eles foram apresentados ao evangelho e ensinados a ler e a escrever por mission\u00e1rios da Igreja Batista no <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3IRxBXa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c9den<\/a> (Itinga), em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/32hi3Hn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti<\/a>. O intuito principal era que pudessem ter autonomia em suas rela\u00e7\u00f5es com as escrituras b\u00edblicas. Embora Ov\u00eddio n\u00e3o tenha efetivamente se convertido, minha bisav\u00f3 o fez e levou a fam\u00edlia por eles constitu\u00edda para a religi\u00e3o protestante.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu av\u00f4 paterno, Jorge Correia da Silva, nasceu na d\u00e9cada de 1930, no Rio de Janeiro. Come\u00e7ou a trabalhar ainda na inf\u00e2ncia como sapateiro e na adolesc\u00eancia como cobrador de \u00f4nibus. Ao atingir a idade de se alistar no Ex\u00e9rcito, l\u00e1 ingressou e s\u00f3 saiu ap\u00f3s se aposentar. Minha av\u00f3 paterna, Maria Araujo Correia, nasceu no mesmo ano de 1934. Trabalhou, desde crian\u00e7a, no ro\u00e7ado ou como lavadeira; posteriormente se tornou revendedora de produtos de revistas. Ao se casarem, Maria e Jorge passaram a residir em vilas militares, na Zona Norte e Oeste do Rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma vez ao telefone, vov\u00f3 me contou que conseguiu comprar o terreno onde construiu sua casa<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">que povoa minhas experi\u00eancias familiares<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ap\u00f3s trabalhar com colheita de laranjas na \u00e1rea rural da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2XQQdyV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baixada Fluminense<\/a>. Meus av\u00f3s vivem nesse terreno na <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2yI7EKV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila Oper\u00e1ria<\/a>, em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2XIp04O\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nova Igua\u00e7u<\/a>, at\u00e9 hoje. Meus pais constru\u00edram a casa onde foram morar ap\u00f3s se casarem neste mesmo espa\u00e7o, assim como outros tios e tias fizeram. Contando com meu pai, meus av\u00f3s tiveram quatro filhos e tr\u00eas filhas, todos negros, heterossexuais e cisg\u00eaneros, como eles, e com diferentes n\u00edveis de escolariza\u00e7\u00e3o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Os homens trabalham como mec\u00e2nico, armeiro\/seguran\u00e7a, gerente de supermercado e\u2014meu pai\u2014pastor evang\u00e9lico. J\u00e1 as mulheres, al\u00e9m de donas de casa, trabalham fora, tamb\u00e9m, como zeladora, cabeleireira\/costureira e cuidadora<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSobre a fam\u00edlia do seu pai eu sei at\u00e9 mais do que da minha\u201d, conta\u00a0 minha m\u00e3e, entre um cap\u00edtulo e outro do meu livro de antropologia. Nas semanas seguintes, em alguns momentos, mam\u00e3e suspendia a leitura e me fazia parar o que estivesse fazendo para comentar alguma passagem, frisando que minha av\u00f3 tamb\u00e9m iria adorar aquele livro. \u00c0s vezes, contava que alguns daqueles lugares descritos na obra j\u00e1 n\u00e3o eram ou ainda eram daquele jeito. Um mergulho em suas <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">mem\u00f3rias<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> de carioca, favelada e suburbana. Deu at\u00e9 risadas em alguns momentos. \u201cQuando mesmo que voc\u00ea vai embora?\u201d, perguntou. \u201c\u00c9 que eu preciso saber do final da hist\u00f3ria\u201d, dizia com a aproxima\u00e7\u00e3o da minha partida. Ao abrir a possibilidade de deix\u00e1-lo l\u00e1 com ela, respondeu: \u201cAcho que ent\u00e3o vai dar tempo. \u00c9 que eu estou me segurando para n\u00e3o ir logo ao final do livro e acabar perdendo a trama das fam\u00edlias desse romance!\u201d Ao fim, suas estrat\u00e9gias de leitura se mostraram muito mais interessantes do que as minhas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, propus uma nova leitura, desta vez conjunta com minha m\u00e3e. O livro proposto chama-se <\/span><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3lGZRlW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Um Defeito de Cor<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, da escritora negra brasileira Ana Maria Gon\u00e7alves. Centrado na vida de Kehinde, uma mulher octogen\u00e1ria e cega, ela relata sua vida \u00e0 afilhada para que sua hist\u00f3ria, ao estar escrita, possa, por sua vez, ser lida pelo filho que teve quando jovem e que foi vendido pelo pr\u00f3prio pai para quitar d\u00edvidas de jogo. Em <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3G0nc9U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Daom\u00e9<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, na \u00c1frica, foi sequestrada e escravizada aos 6 anos de idade, traficada para o Brasil do s\u00e9culo XIX. Sua luta e conquista da liberdade s\u00e3o pano de fundo. Igualmente, contribuem para estabelecer outras vozes e possibilidades narrativas para lapsos hist\u00f3ricos produzidos pelo apagamento e silenciamento provocados pelo regime escravista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-7-1-e1641843939200.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60157\" title=\"Nathanael e a m\u00e3e fizeram um estudo \" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-7-1-e1641843939200.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-7-1-e1641843939200.jpg 774w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-7-1-e1641843939200-620x620.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-7-1-e1641843939200-629x629.jpg 629w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-7-1-e1641843939200-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Emprestei meu exemplar \u00e0 minha m\u00e3e junto ao desafio de realizar a leitura comentada e compartilhada. O volumoso exemplar de 952 p\u00e1ginas, dividido em dez cap\u00edtulos, n\u00e3o foi recebido com temor por ela. Pelo contr\u00e1rio, o desafio de encarar a leitura enquanto estudo, auxiliado por anota\u00e7\u00f5es em caderno e consulta ao filho professor, foi aceito. Aprofundamos e produzimos novos e inusitados v\u00ednculos nessa co-leitura. Tenho considerado este processo de co-leitura com minha m\u00e3e como um exerc\u00edcio amplo de uma coeduca\u00e7\u00e3o intergeracional e racial, onde a oralidade e a escrita se misturam, acionadas tamb\u00e9m por mem\u00f3rias fotogr\u00e1ficas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cComo \u00e9 isso dos africanos serem isl\u00e2micos como descrito neste livro?\u201d; \u201cOs <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3r7BWOl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mal\u00eas<\/a> eram importantes, n\u00e9?!\u201d; \u201cTem ra\u00e7a e etnia, \u00e9 isso?\u201d Passei a receber esses coment\u00e1rios e perguntas pelo WhatsApp, no cotidiano, e a estremecer de pavor com a possibilidade de n\u00e3o conseguir aprender para ensinar. Tem, tamb\u00e9m, a anima\u00e7\u00e3o e as novas motiva\u00e7\u00f5es para desafios mediados por mais estudos e leituras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As conversas com a minha m\u00e3e, felizmente, n\u00e3o me permitem esquecer que \u00e9 preciso assumir tudo aquilo que desconhecemos, al\u00e9m dos nossos constantes processos de aprendizados. Em outras palavras, que ningu\u00e9m tem conhecimento sobre tudo, tendo ou n\u00e3o t\u00edtulos adquiridos pelo ensino formal, no meu caso, por exemplo, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3qgyFgr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por ser doutorando<\/a> e no de meu irm\u00e3o por ter se tornado advogado. A fam\u00edlia ensina tanto quanto textos acad\u00eamicos ou horas despendidas nas cadeiras das universidades. \u00c9 preciso que aprendamos a formular perguntas sem tanto medo de errar. E, principalmente, evitar o silenciamento de quem teme ser discriminado ao perguntar por desconhecimento ou por falta de estudo formal. Por vezes, a aus\u00eancia de t\u00edtulos e diplomas s\u00e3o compreendidos como sin\u00f4nimo de falta de conhecimento, conhecimento este fundamental para poss\u00edveis e desej\u00e1veis trocas entre gera\u00e7\u00f5es interraciais, como no caso da minha fam\u00edlia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-4-e1641844178910.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-60138 size-mh-magazine-slider\" title=\"Fam\u00edlia de Nathanael, da esquerda para a direita: cunhada, irm\u00e3o, pai e m\u00e3e. Nathanael est\u00e1 de blusa azul. Foto: Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-4-e1641844178910-1030x438.jpg\" alt=\"\" width=\"1030\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-4-e1641844178910-1030x438.jpg 1030w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Coeducacao-Racial-4-e1641844178910-620x264.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aprendi o quanto nossas mem\u00f3rias faveladas podem ser substrato para a constru\u00e7\u00e3o de novas leituras compartilhadas sobre o mundo. E que h\u00e1 espa\u00e7o na fam\u00edlia para o desmantelamento de opress\u00f5es sist\u00eamicas e interseccionais como o racismo e o classicismo, mas tamb\u00e9m a misoginia e o machismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fam\u00edlia, primordialmente, um ambiente de trocas, \u00e9 um local ideal para estimular a\u00e7\u00f5es educativas antirracistas, sobretudo em fam\u00edlias como a minha, compostas por pessoas brancas e negras, da favela e da Baixada, com n\u00edveis de escolaridade em ascens\u00e3o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">infelizmente, ainda lenta e gradual. Aposto pessoalmente e enquanto profissional, na necess\u00e1ria intimidade com a leitura, cujos primeiros pontap\u00e9s em meu caso ocorreram junto a minha m\u00e3e. Seu h\u00e1bito e prazer, adquiridos desde nova, se mant\u00e9m pelo cotidiano estudo da B\u00edblia ou com os livros espalhados por seu filho ca\u00e7ula sobre a mesa da sala de sua casa.<\/span><\/p>\n<p><em>Sobre o autor: <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3thjR35\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nathanael Araujo<\/a> \u00e9 cientista social, doutorando em antropologia social pela <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3y28Z9D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Estadual de Campinas<\/a> (Unicamp). Pesquisador do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3GhwJtz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento<\/a> (Cebrap), leciona na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2KWRoqe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Escola de Artes Visuais do Parque Lage<\/a> e na <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3JX6cnw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo<\/a> (FESPSP).<\/em><\/p>\n<p><em>Sobre a artista: <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2Umam3o\" rel=\"noopener\"><span class=\"il\">Natalia<\/span>\u00a0de Souza Flores<\/a>\u00a0<span class=\"il\">\u00e9<\/span>\u00a0cria da Zona Norte e integrante das\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3xbZnrY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brabas Crew<\/a>. Formada em Design Gr\u00e1fico pela Unigranrio em 2017, trabalha como designer desde 2015. Lan\u00e7ou a revista em quadrinhos coletiva \u2018T\u00e1 no Gibi\u2019, em 2017 na Bienal do Livro. Sua tem\u00e1tica principal \u00e9 afro usando elementos cyberpunk, wica e ind\u00edgena.<\/em><\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria faz parte da nossa\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/ROWWinsAnthem\" rel=\"noopener\">premiada<\/a>\u00a0s\u00e9rie,<i>\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/SerieAntirracista\" rel=\"noopener\">Enraizando o Antirracismo nas Favelas<\/a>.<\/i>\u00a0e tamb\u00e9m<i data-stringify-type=\"italic\">\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/ROWeNECLES\" rel=\"noopener noreferrer\">uma parceria<\/a>\u00a0com o\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/33EFNGY\" rel=\"noopener noreferrer\">N\u00facleo de Estudos Cr\u00edticos em Linguagem, Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade (NECLES)<\/a>, da UFF, para que seja utilizada como um recurso pedag\u00f3gico em escolas p\u00fablicas de Niter\u00f3i.<\/i><\/em><\/p>\n<h4><b data-stringify-type=\"bold\">Compartilhe com a gente a sua opini\u00e3o sobre essa mat\u00e9ria\u00a0<\/b><b data-stringify-type=\"bold\"><a class=\"c-link\" href=\"https:\/\/bit.ly\/OpineAntirracismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-stringify-link=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSc6PJwxQ0eapYlfSfsr8fyibg8ODzXKpGhJjXe2-8Bbxrtp1g\/viewform\" data-sk=\"tooltip_parent\">clicando aqui<\/a>.<\/b><\/h4>\n<hr \/>\n<div class=\"entry clearfix\">\n<h4><b data-stringify-type=\"bold\">Apoie nossos esfor\u00e7os para fornecer apoio estrat\u00e9gico \u00e0s favelas do Rio, incluindo o jornalismo hiperlocal, cr\u00edtico, inovador e incans\u00e1vel do\u00a0<\/b><b data-stringify-type=\"bold\"><i data-stringify-type=\"italic\">RioOnWatch<\/i><\/b>\u2014<b data-stringify-type=\"bold\"><a class=\"c-link\" href=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-stringify-link=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" data-sk=\"tooltip_parent\">doe aqui<\/a><\/b><b data-stringify-type=\"bold\">.<\/b><\/h4>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Esta mat\u00e9ria faz parte da nossa\u00a0premiada\u00a0s\u00e9rie,\u00a0Enraizando o Antirracismo nas Favelas,\u00a0e tamb\u00e9m\u00a0de\u00a0uma parceria\u00a0com o\u00a0N\u00facleo de Estudos Cr\u00edticos em Linguagem, Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade (NECLES), da UFF, para que seja utilizada como um recurso <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60117\" title=\"Novos Futuros, Outros Passados: Coeduca\u00e7\u00e3o Racial e Intergeracional Entre os de Casa\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":173,"featured_media":60128,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"template-full.php","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1621,1615,1631,1629,1625,342],"tags":[2402,1256,1541,405,332,2717,931,1015,513,333,2866,316,128,841,2548,2219,447,1602,932,1317,469,1468,961,3127,112,2069,2974,2959,1752,218,383],"writer":[3124],"translator":[],"source":[],"ilustrador":[3120],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-60117","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaque","8":"category-cultura-da-favela","9":"category-entendendo-o-rio","10":"category-entrevistas-e-perfis","11":"category-por-correspondentes-comunitarios","12":"category-solucoes","13":"tag-acesso-a-universidade","14":"tag-baixa-do-sapateiro","15":"tag-candomble","16":"tag-cinelandia","17":"tag-complexo-da-mare","18":"tag-complexo-da-penha","19":"tag-copacabana","20":"tag-cosme-velho","21":"tag-cultura-afro-brasileira","22":"tag-diaspora","23":"tag-eden","24":"tag-educacao","25":"tag-historia","26":"tag-historia-oral","27":"tag-igreja-catolica","28":"tag-ilha-do-governador","29":"tag-jacarepagua","30":"tag-laranjeiras","31":"tag-leblon","32":"tag-livro","33":"tag-memoria","34":"tag-morro-do-sereno","35":"tag-nova-iguacu","36":"tag-pereira-da-silva","37":"tag-sao-joao-de-meriti","38":"tag-saude-mental","39":"tag-serie-antirracismo","40":"tag-serie-parceria-com-necles-uff","41":"tag-vila-operaria","42":"tag-zona-norte","43":"tag-zona-sul","44":"writer-nathanael-araujo","45":"ilustrador-natalia-de-souza-flores"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - 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