{"id":60712,"date":"2022-02-25T06:08:23","date_gmt":"2022-02-25T09:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712"},"modified":"2022-03-23T08:59:07","modified_gmt":"2022-03-23T11:59:07","slug":"uma-ferida-colonial-amefricana-dna-da-pistas-sobre-ancestralidade-negra-e-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712","title":{"rendered":"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3M5gIu5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Click Here for English<\/a><a href=\"XXXXXXXXX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" width=\"20\" height=\"20\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria faz parte\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/SerieAntirracista\" rel=\"noopener\">do projeto antirracista do RioOnWatch<\/a>.<i data-stringify-type=\"italic\">\u00a0<\/i>Conhe\u00e7a o nosso projeto que trouxe conte\u00fados midi\u00e1ticos semanais ao longo de 2021:\u00a0<i><a href=\"http:\/\/bit.ly\/EnraizandoIntro\" rel=\"noopener\">Enraizando o Antirracismo nas Favelas<\/a>.<\/i><\/em><\/p>\n<p><em>A partir do teste de ancestralidade, equipe negra do RioOnWatch descobre ra\u00edzes e perten\u00e7as, mas tamb\u00e9m confirma apagamento hist\u00f3rico.<\/em><\/p>\n<p>Para a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3lYgMy8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maioria da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira<\/a> saber suas origens \u00e9 um conhecimento que s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado pela hist\u00f3ria oral atrav\u00e9s de relatos de familiares que chegam a duas ou tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es passadas. Na <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3o2XsAE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">di\u00e1spora<\/a> do <a href=\"https:\/\/amzn.to\/35rl79G\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Atl\u00e2ntico Negro<\/a>, nomes e trajet\u00f3rias de antepassados morrem quando o mais velho da fam\u00edlia morre. Nossos mais velhos s\u00e3o os guardi\u00f5es de nossa hist\u00f3ria. Quando eles morrem, morre tamb\u00e9m a mem\u00f3ria dessas ra\u00edzes, das gera\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Charge-Latuff.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-60709 alignright\" title=\"Charge por Latuff\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Charge-Latuff.jpg\" alt=\"Charge por Latuff\" width=\"500\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Charge-Latuff.jpg 1000w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Charge-Latuff-620x345.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Charge-Latuff-768x427.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>O desconhecimento sobre ra\u00edzes negras e ind\u00edgenas n\u00e3o \u00e9 mero acidente. \u00c9 fruto de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pKxrKh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00e9culos de apagamento hist\u00f3rico<\/a> do colonialismo portugu\u00eas, que arrancou de milh\u00f5es de pessoas suas hist\u00f3rias, com efeitos at\u00e9 os dias de hoje. Esse apagamento foi perpetuado atrav\u00e9s dos s\u00e9culos pelo <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3JUDW48\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">racismo estrutural<\/a> com golpe de ouro trazido pela <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3se6PlV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">destrui\u00e7\u00e3o dos arquivos da escravid\u00e3o<\/a>\u2014os registros da popula\u00e7\u00e3o africana sequestrada, escravizada e desembarcada no Brasil\u2014por ordem de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3sfET0X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ruy Barbosa<\/a>, ent\u00e3o Ministro da Fazenda do Brasil Rep\u00fablica, em 1890.<\/p>\n<p>No Brasil, diferente de outros pa\u00edses colonizadores de origem anglo-sax\u00f4nica, germ\u00e2nica e holandesa, a estrat\u00e9gia colonial foi prosperar socialmente um tipo de racismo por assimila\u00e7\u00e3o e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3vjFn8f\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nega\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de conflitos raciais<\/a> provenientes da miscigena\u00e7\u00e3o. A partir disso, construiu-se o mito da democracia racial amplamente difundido pela interpreta\u00e7\u00e3o social, e n\u00e3o biol\u00f3gica, de que as rela\u00e7\u00f5es raciais brasileiras se acomodaram corrigindo a dist\u00e2ncia social entre a casa grande e a senzala.<\/p>\n<figure id=\"attachment_60710\" aria-describedby=\"caption-attachment-60710\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Foto-1_Laurentino-Gomes.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-60710\" title=\"Cortes transversais da maquete do navio negreiro Vigilante, do Brasil, no Museu Naval do Forte da Barra, em Salvador. Envolvido no tr\u00e1fico ilegal de escravos, esse navio foi capturado pela Marinha Brit\u00e2nica na costa da \u00c1frica em 1822\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Foto-1_Laurentino-Gomes-465x620.jpg\" alt=\"Cortes transversais da maquete do navio negreiro Vigilante, do Brasil, no Museu Naval do Forte da Barra, em Salvador. Envolvido no tr\u00e1fico ilegal de escravos, esse navio foi capturado pela Marinha Brit\u00e2nica na costa da \u00c1frica em 1822\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Foto-1_Laurentino-Gomes-465x620.jpg 465w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Foto-1_Laurentino-Gomes-472x629.jpg 472w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Foto-1_Laurentino-Gomes-768x1024.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Foto-1_Laurentino-Gomes.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-60710\" class=\"wp-caption-text\">Cortes transversais da maquete do navio negreiro Vigilante, do Brasil, no Museu Naval do Forte da Barra, em Salvador. Envolvido no tr\u00e1fico ilegal de escravos, esse navio foi capturado pela Marinha Brit\u00e2nica na costa da \u00c1frica em 1822<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse complexo conjunto de contradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas \u00e9 uma das raz\u00f5es que explica o fen\u00f4meno do teste de DNA no Brasil. Mediante a um pa\u00eds sem mem\u00f3ria oficial da escravid\u00e3o negra e ind\u00edgena, a possibilidade de coletar uma pequena quantidade de saliva, enviar a um laborat\u00f3rio pelo correio e, pouco tempo depois, receber um e-mail com um mapa detalhado com os pa\u00edses de origem de seus ancestrais, mexe com a curiosidade e cutuca essa ferida colonial da nossa amefricanidade. Afinal, quem eu vejo ao me olhar no espelho?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3LX05Rj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amefricanidade<\/a> \u00e9 um termo cunhado por <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2CftZAX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00e9lia Gonzalez<\/a>, uma das intelectuais negras mais importantes do pa\u00eds, para se contrapor aos termos impostos pela linguagem racista colonial. Para ela, amefricanidade torna toda uma descend\u00eancia, antes invisibilizada, vis\u00edvel: n\u00e3o s\u00f3 a dos africanos trazidos pelo <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3xDpCbi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tr\u00e1fico negreiro<\/a>, mas tamb\u00e9m a dos <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cxUmji\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">povos origin\u00e1rios<\/a> que viviam na Am\u00e9rica muito antes de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3BNp7h2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Colombo<\/a>.<\/p>\n<p>Para L\u00e9lia Gonz\u00e1lez ainda, nos reconhecer como amefricanos desconstr\u00f3i o mito da cordialidade e da democracia racial. Evidencia a den\u00fancia do sistema escravista da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3vb81Z5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">miscigena\u00e7\u00e3o<\/a> e do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pdMkUp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">branqueamento<\/a>, constitu\u00edda a partir da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3qbkLMm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia racial e sexual contra as mulheres negras<\/a>.<\/p>\n<p>Portanto, visando esse caminho de volta, entre a popula\u00e7\u00e3o afrodiasp\u00f3rica, tem se popularizado cada vez mais o teste de ancestralidade de DNA. Um fator para essa populariza\u00e7\u00e3o \u00e9 a recente queda dos pre\u00e7os. Agora, empresas como a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pfa0b0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Genera<\/a> e a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3v9exzI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MeuDNA<\/a> oferecem o kit do teste a um pre\u00e7o relativamente acess\u00edvel. O valor varia de R$199 a R$399 e o pagamento pode ainda ser parcelado no cart\u00e3o de cr\u00e9dito em 12 vezes sem juros.<\/p>\n<p><iframe title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O9Vcssc1RIk\" width=\"1030\" height=\"563\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/p>\n<h3>Um Banco de Dados sem Precedentes na Hist\u00f3ria Humana<\/h3>\n<p>De acordo com a <a class=\"au jn\" href=\"https:\/\/bit.ly\/3t79r4a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener ugc nofollow\"><em>MIT Tech Review<\/em><\/a>, at\u00e9 o in\u00edcio de 2019, mais de 26 milh\u00f5es de pessoas haviam se submetido a esse tipo de teste comercial. At\u00e9 hoje a estimativa \u00e9 de que\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3IkAhw7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mais de 100 milh\u00f5es<\/a> de pessoas no mundo tenham tido seu DNA coletado e analisado. Trata-se de um banco de dados sem precedentes na hist\u00f3ria da humanidade, nas m\u00e3os de empresas privadas, <a href=\"https:\/\/bbc.in\/3sesn1F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que lucram<\/a> com essas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Testes-de-ancestralidade-Meu-DNA-e-Genera-com-o-Atlantico-Negro-ao-fundo..jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60735\" title=\"Testes de ancestralidade Meu DNA e Genera, com o Atl\u00e2ntico Negro ao fundo.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Testes-de-ancestralidade-Meu-DNA-e-Genera-com-o-Atlantico-Negro-ao-fundo..jpg\" alt=\"Testes de ancestralidade Meu DNA e Genera, com o Atl\u00e2ntico Negro ao fundo.\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Testes-de-ancestralidade-Meu-DNA-e-Genera-com-o-Atlantico-Negro-ao-fundo..jpg 810w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Testes-de-ancestralidade-Meu-DNA-e-Genera-com-o-Atlantico-Negro-ao-fundo.-620x620.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Testes-de-ancestralidade-Meu-DNA-e-Genera-com-o-Atlantico-Negro-ao-fundo.-629x629.jpg 629w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Testes-de-ancestralidade-Meu-DNA-e-Genera-com-o-Atlantico-Negro-ao-fundo.-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A Genera n\u00e3o abre publicamente os dados sobre vendas, mas, em entrevista ao <em>RioOnWatch<\/em>, afirmou que em 2021, o laborat\u00f3rio passou a marca de 200.000 testes. O laborat\u00f3rio MeuDNA tamb\u00e9m confirmou o aumento das buscas \u201cpor testes de ancestralidade e autoconhecimento sobre as origens&#8221; nos \u00faltimos anos no Brasil, mas n\u00e3o forneceu nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre a m\u00e9dia desse crescimento das vendas de kit.<\/p>\n<p>Ambas as empresas garantiram ao <em>RioOnWatch<\/em> que seguem as diretrizes da Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pdbWAY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LGPD<\/a>) e que guardam material gen\u00e9tico em &#8220;nuvens seguras&#8221;. Tamb\u00e9m afirmaram que o cliente pode solicitar a qualquer momento, a elimina\u00e7\u00e3o do seu material gen\u00e9tico do banco de dados, respeitando o direito a privacidade de dados.<\/p>\n<p>De acordo com os laborat\u00f3rios, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2RR28KT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Paulo<\/a> e Rio de Janeiro s\u00e3o os estados que mais procuram os testes. Na Genera, a maioria dos clientes s\u00e3o do sexo masculino, embora a porcentagem de mulheres seja maior entre os 36 e 40 anos. J\u00e1 no laborat\u00f3rio MeuDNA, as mulheres representam 54% das pessoas que adquiriram o teste e os homens, 46%.<\/p>\n<p>Entre mar\u00e7o a junho de 2021, tr\u00eas integrantes da equipe do <i>RioOnWatch<\/i>\u00a0realizaram testes de ancestralidade. A partir de agora, eles relatam em primeira pessoa o impacto e a experi\u00eancia da descoberta das origens.<\/p>\n<h3>&#8220;Saber a Nossa Origem Devia Ser um Direito de Todos&#8221;<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ancestralidade.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60702\" title=\"Arte idealizada por Gisele Moura e produzida por Kaindie Arvoredo, em 2021.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ancestralidade-480x620.png\" alt=\"Arte idealizada por Gisele Moura e produzida por Kaindie Arvoredo, em 2021.\" width=\"500\" height=\"646\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ancestralidade-480x620.png 480w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ancestralidade-487x629.png 487w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ancestralidade-768x992.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ancestralidade.png 1549w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a opini\u00e3o de Gisele Moura, 28 anos, que articulou o <a href=\"http:\/\/justicaenergetica.rioonwatch.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00e9rie sobre justi\u00e7a energ\u00e9tica<\/a> do <em>RioOnWatch<\/em>.\u00a0Ela nasceu em Cajamar, cidade com apenas 62 anos de exist\u00eancia na regi\u00e3o perif\u00e9rica da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. A hist\u00f3ria do surgimento da cidade se inicia com o \u201cdesenvolvimento\u201d ligado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e \u00e0 ind\u00fastria de cimento Portland, n\u00e3o existindo relatos cient\u00edficos da presen\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es tradicionais negras, ind\u00edgenas ou quilombolas no territ\u00f3rio. Segundo ela, o h\u00e1bito cultural local \u00e9 vangloriar o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/37IRMZA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desbravamento dos bandeirantes<\/a>, colonizadores portugueses que, a partir do s\u00e9culo XVI, viajavam pelo interior do Brasil para traficar produtos, capturar ind\u00edgenas e escraviz\u00e1-los.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A minha busca pela ancestralidade come\u00e7ou quando passei a sentir falta da hist\u00f3ria sobre minha pr\u00f3pria origem sendo uma mulher preta e perif\u00e9rica, uma necessidade de respostas que chegou atrav\u00e9s da espiritualidade, mas tamb\u00e9m porque como estudante do curso de ci\u00eancia ambiental na <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3h2kC6O\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UFF<\/a>, escolhi produzir uma <a href=\"https:\/\/bit.ly\/36oZhEm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escreviv\u00eancia<\/a> no <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3h9Ku2G\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho de conclus\u00e3o de curso<\/a>. A ideia era compreender a perten\u00e7a e a rela\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es ambientais a partir de uma cosmologia ancestral preta: onde n\u00f3s somos a pr\u00f3pria natureza e sua for\u00e7a de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso ser preta no Brasil, pois essa condi\u00e7\u00e3o de nascen\u00e7a j\u00e1 nos coloca em um local de n\u00e3o ser, de n\u00e3o pertencer e de n\u00e3o existir. Em 2017, fui a B\u00fazios, no Rio de Janeiro. Era a minha primeira vez na cidade e conheci um local muito especial chamado Ponta da Lagoinha, com forma\u00e7\u00f5es rochosas e piscinas naturais de \u00e1gua cristalina. Nesse mesmo lugar, uma placa indicava que ali ocorreu o evento tectono-metam\u00f3rfico mais recente do Brasil [o \u00faltimo evento de colis\u00e3o entre a \u00c1frica e a costa brasileira]. Isso significava que ali, onde meus p\u00e9s tocavam descal\u00e7os, ocorreu a separa\u00e7\u00e3o entre a \u00c1frica e a costa brasileira.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ronald-Pantoja_Fonte_-Buzios-Online.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-60701 alignright\" title=\"Foto: Gracie Croce, Fonte: Portal Buzios Online\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ronald-Pantoja_Fonte_-Buzios-Online-620x397.jpg\" alt=\"Foto: Gracie Croce, Fonte: Portal Buzios Online\" width=\"500\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ronald-Pantoja_Fonte_-Buzios-Online-620x397.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Ronald-Pantoja_Fonte_-Buzios-Online.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>O Brasil foi o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3IhYmnx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maior territ\u00f3rio escravista<\/a>. Sozinho, recebeu 40% dos 12,5 milh\u00f5es de africanos embarcados \u00e0 for\u00e7a para o continente americano. Chegaram \u00e0s Am\u00e9ricas 10 milh\u00f5es e 700 mil. Morreram 1 milh\u00e3o e 800 mil pessoas na travessia, o que <a href=\"https:\/\/glo.bo\/3h8fqA6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">causou dist\u00farbios at\u00e9 na rota dos tubar\u00f5es<\/a> devido a quantidade de corpos negros lan\u00e7ados ao mar. Os tubar\u00f5es <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3LS1Qzf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">passaram a seguir<\/a> os navios negreiros, \u00e0 espera da nossa carne.<\/p>\n<p>Se dividirmos essas mortes pelo n\u00famero de dias, foram lan\u00e7ados ao mar, em m\u00e9dia, 14 cad\u00e1veres por dia ao longo de 350 anos. &#8216;O<i> tempero do mar foi l\u00e1grima de preto&#8217;, <\/i>como diz <i>Emicida, <\/i>rapper brasileiro, na can\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3506Gtz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Boa Esperan\u00e7a<\/i><\/a><i>. <\/i>Desde o s\u00e9culo XVI, desembarcaram <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3sWBRxQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quase 5 milh\u00f5es de africanos<\/a> enviados ao Brasil. O tr\u00e1fico negreiro representou o auge do desenraizamento humano pelo colonialismo. Isso sem contar o exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, que tamb\u00e9m segue at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, tive a oportunidade de descobrir minha origem realizando o teste pelo laborat\u00f3rio MeuDNA. Durante as reuni\u00f5es de equipe, falamos sobre a import\u00e2ncia da equipe preta dialogar sobre sua ancestralidade. Lembro-me de comentar que, para mim, soava afrontoso ter de pagar para saber minha origem, para resgatar minha hist\u00f3ria que foi perdida num processo violento de coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o resultado, descobri que 64,8% da minha composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e9 africana, sendo 27,3% do norte da \u00c1frica, 26% do oeste da \u00c1frica (16,3% de Angola e 9,9% de Benim), e 11,3% da regi\u00e3o centro-leste da \u00c1frica (9,8% de Uganda e 1,5% de Cuxitas).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m descobri que outra parte de mim (27,9%) vem da Europa, sendo 20,7% da Escandin\u00e1via, 5,6% da Gr\u00e3-Bretanha e 1,6% da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Meu c\u00f3digo gen\u00e9tico carrega ainda 7,3% de nativos da Am\u00e9rica Central (M\u00e9xico).<\/p>\n<p>O resultado do teste me trouxe a sensa\u00e7\u00e3o de validar os meus p\u00e9s que pulsavam em B\u00fazios. Como ou\u00e7o na composi\u00e7\u00e3o de Thiago El Ni\u00f1o:<i> &#8216;<\/i><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3t1D6vF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>para que eu chegasse at\u00e9 aqui muita gente teve que ser correnteza<\/i><\/a>&#8216;. Das grandes certezas que o teste me trouxe a principal delas foi a do Ax\u00e9\/As\u00e8\u2014palavra em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2Phdo0N\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yorub\u00e1<\/a> que significa &#8216;n\u00f3s realizamos&#8217; [&#8216;aw\u00e1&#8217; (n\u00f3s) e &#8216;s\u00e9&#8217; (isto \u00e9)].<\/p>\n<p>Compreendi que ancestrais meus sobreviveram \u00e0 separa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de suas fam\u00edlias, ao sequestro, ao tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico, ao trabalho desumanizado, \u00e0 fome, \u00e0 tortura&#8230; E, ainda assim, sobrou for\u00e7a e Ax\u00e9 para que eu existisse hoje.<\/p>\n<p>O teste me trouxe a certeza de que saber a nossa origem devia ser um direito de todos no Brasil. No meu mundo ideal cada brasileiro preto e pardo deveria receber um teste de DNA junto com a certid\u00e3o de nascimento.<\/p>\n<p>Sigo pensando sobre deixar meu DNA no banco de dados do laborat\u00f3rio. Apesar do risco que sinto do sistema de poder e do mercado, sinto que meus dados gen\u00e9ticos podem auxiliar mais encontros, despertares e &#8216;certezas&#8217;, como aconteceu comigo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se meus c\u00f3digos gen\u00e9ticos auxiliarem mais pretinhos a voltarem para casa, me disponho a manter meus dados. Uma das pe\u00e7as dentre tantas outras no mapa de n\u00f3s.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p><em>O teste de ancestralidade realizado por Gisele Moura foi cedido pelo laborat\u00f3rio MeuDNa para produ\u00e7\u00e3o dessa reportagem. <\/em><\/p>\n<h3>&#8220;Sou Como uma \u00c1rvore Frondosa que Floresce em um Tronco Cortado&#8221;<b><br \/>\n<\/b><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Eu-Julio-Santos-Filho-meu-avo-Sebastiao-Fonseca-dos-Santos-e-meu-irmao-Paulo-Henrique-Santana-de-Mendonca-Santos-em-2015..jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60741\" title=\"Eu, Julio Santos Filho, meu av\u00f4, Sebasti\u00e3o Fonseca dos Santos, e meu irm\u00e3o, Paulo Henrique Santana de Mendon\u00e7a Santos, em 2015.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Eu-Julio-Santos-Filho-meu-avo-Sebastiao-Fonseca-dos-Santos-e-meu-irmao-Paulo-Henrique-Santana-de-Mendonca-Santos-em-2015..jpg\" alt=\"Eu, Julio Santos Filho, meu av\u00f4, Sebasti\u00e3o Fonseca dos Santos, e meu irm\u00e3o, Paulo Henrique Santana de Mendon\u00e7a Santos, em 2015.\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Eu-Julio-Santos-Filho-meu-avo-Sebastiao-Fonseca-dos-Santos-e-meu-irmao-Paulo-Henrique-Santana-de-Mendonca-Santos-em-2015..jpg 2040w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Eu-Julio-Santos-Filho-meu-avo-Sebastiao-Fonseca-dos-Santos-e-meu-irmao-Paulo-Henrique-Santana-de-Mendonca-Santos-em-2015.-620x349.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Eu-Julio-Santos-Filho-meu-avo-Sebastiao-Fonseca-dos-Santos-e-meu-irmao-Paulo-Henrique-Santana-de-Mendonca-Santos-em-2015.-1118x629.jpg 1118w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Eu-Julio-Santos-Filho-meu-avo-Sebastiao-Fonseca-dos-Santos-e-meu-irmao-Paulo-Henrique-Santana-de-Mendonca-Santos-em-2015.-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>&#8220;Recuperar parte da minha hist\u00f3ria&#8221; foi o que fez Julio Cesar de Mendon\u00e7a Santos Filho, 32 anos, um homem negro perif\u00e9rico, decidir realizar o teste de ancestralidade. Morador do Zumbi, bairro da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/303L5v0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ilha do Governador<\/a>, na <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ETpYR1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a> da cidade do Rio de Janeiro, trabalha como editor em portugu\u00eas e em ingl\u00eas no <em>RioOnWatch<\/em> desde junho de 2020. Em 2021, foi editor do projeto <a href=\"http:\/\/antirracismo.rioonwatch.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Enraizando o Antirracismo nas Favelas<\/em><\/a>. Empolgado com a perspectiva de recuperar algo de sua ancestralidade, o soci\u00f3logo comprou o teste de ancestralidade do laborat\u00f3rio Genera.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Ser um homem negro afroamer\u00edndio e editor do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/SerieAntirracista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto antirracista<\/a> \u00e9 olhar para si atrav\u00e9s do outro. \u00c9 se enxergar em outros territ\u00f3rios e entender que n\u00e3o estamos sozinhos. \u00c9 como escutar meu av\u00f4 materno Sebasti\u00e3o Fonseca dos Santos (1930-2017) nas tardes de domingo, nos contando nossa hist\u00f3ria e ensinando <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3JGIGet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tecnologias ancestrais<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Pessoas-da-familia-cujo-os-nomes-nao-sobreviveram-ate-hoje.-Temos-as-fotos-mas-nao-sabemos-que-sao-so-sabemos-que-sao-familiares-do-meu-bisavo-Pedro-pai-de-meu-avo-materno-Sebastiao..jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60743\" title=\"Pessoas da fam\u00edlia cujo os nomes n\u00e3o sobreviveram at\u00e9 hoje. Temos as fotos mas n\u00e3o sabemos quem s\u00e3o, s\u00f3 sabemos que s\u00e3o familiares do meu bisav\u00f4 Pedro, pai de meu av\u00f4 materno Sebasti\u00e3o Fonseca dos Santos.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Pessoas-da-familia-cujo-os-nomes-nao-sobreviveram-ate-hoje.-Temos-as-fotos-mas-nao-sabemos-que-sao-so-sabemos-que-sao-familiares-do-meu-bisavo-Pedro-pai-de-meu-avo-materno-Sebastiao..jpeg\" alt=\"Pessoas da fam\u00edlia cujo os nomes n\u00e3o sobreviveram at\u00e9 hoje. Temos as fotos mas n\u00e3o sabemos quem s\u00e3o, s\u00f3 sabemos que s\u00e3o familiares do meu bisav\u00f4 Pedro, pai de meu av\u00f4 materno Sebasti\u00e3o Fonseca dos Santos.\" width=\"500\" height=\"631\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Pessoas-da-familia-cujo-os-nomes-nao-sobreviveram-ate-hoje.-Temos-as-fotos-mas-nao-sabemos-que-sao-so-sabemos-que-sao-familiares-do-meu-bisavo-Pedro-pai-de-meu-avo-materno-Sebastiao..jpeg 823w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Pessoas-da-familia-cujo-os-nomes-nao-sobreviveram-ate-hoje.-Temos-as-fotos-mas-nao-sabemos-que-sao-so-sabemos-que-sao-familiares-do-meu-bisavo-Pedro-pai-de-meu-avo-materno-Sebastiao.-492x620.jpeg 492w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Pessoas-da-familia-cujo-os-nomes-nao-sobreviveram-ate-hoje.-Temos-as-fotos-mas-nao-sabemos-que-sao-so-sabemos-que-sao-familiares-do-meu-bisavo-Pedro-pai-de-meu-avo-materno-Sebastiao.-499x629.jpeg 499w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Pessoas-da-familia-cujo-os-nomes-nao-sobreviveram-ate-hoje.-Temos-as-fotos-mas-nao-sabemos-que-sao-so-sabemos-que-sao-familiares-do-meu-bisavo-Pedro-pai-de-meu-avo-materno-Sebastiao.-768x969.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>Minha fam\u00edlia materna \u00e9 negra, de migrantes nordestinos do estado de Sergipe. Nela, a hist\u00f3ria oral e as fotos s\u00e3o as \u00fanicas bases para acessar nosso passado. As informa\u00e7\u00f5es que sobreviveram at\u00e9 aqui est\u00e3o restritas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o dos av\u00f3s de meus av\u00f3s, nascidos ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3t44SI6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei do Ventre Livre (1871)<\/a>, entre 1870 e 1880, filhos de ventres escravizados. N\u00e3o sabemos nada para al\u00e9m dessa gera\u00e7\u00e3o: nem nomes, nem documentos, nem origens, nem mesmo que l\u00ednguas falavam. \u00c9 como se vi\u00e9ssemos do nada. Mesmo quando fotos sobrevivem, todas as outras informa\u00e7\u00f5es se perdem com a morte dos mais velhos.<\/p>\n<p>J\u00e1 na minha fam\u00edlia paterna, lida socialmente como branca, n\u00e3o h\u00e1 interesse pela hist\u00f3ria da fam\u00edlia. <em>&#8216;De onde viemos?<\/em>&#8216;, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o. Por\u00e9m, sabemos que meu bisav\u00f4 era filho de portugueses da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3hfXzHy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ilha Terceira<\/a>, no <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3M0dJTw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores<\/a>, enquanto minha bisav\u00f3 era filha de uma ind\u00edgena manauara com um franc\u00eas. Apesar de n\u00e3o terem sobrevivido muitas fotografias de meus antepassados paternos, h\u00e1 o senso de origem e de pertencimento ancestral porque existem documentos, ainda que poucos, que contam essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Meu av\u00f4 Sebasti\u00e3o e eu sempre quisemos encontrar nossas ra\u00edzes, sempre conversamos sobre o assunto. Sou como uma \u00e1rvore frondosa que floresce em um tronco cortado. Buscar nossa hist\u00f3ria \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 como abrir trilhas em busca de caminhos que foram apagados ainda na vinda da \u00c1frica. O conhecimento dos nossos antepassados escravizados nos foi negado. S\u00f3 sobreviveram os nomes e rostos dos meus tatarav\u00f3s, livres: Margarida de Cortonia, Maria Celina da Concei\u00e7\u00e3o e Manoel Agostinho dos Santos. N\u00e3o sabemos nada sobre suas m\u00e3es, pais e av\u00f3s escravizados.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Julio-Santos-Filho-e-vo\u0301-materna.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60758\" title=\"Julio Santos Filho e sua av\u00f3 materna Maria L\u00facia Santana Santos. Arquivo pessoal\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Julio-Santos-Filho-e-vo\u0301-materna.png\" alt=\"Julio Santos Filho e sua av\u00f3 materna Maria L\u00facia Santana Santos. Arquivo pessoal\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Julio-Santos-Filho-e-vo\u0301-materna.png 1244w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Julio-Santos-Filho-e-vo\u0301-materna-620x394.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Julio-Santos-Filho-e-vo\u0301-materna-989x629.png 989w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Julio-Santos-Filho-e-vo\u0301-materna-768x488.png 768w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nenhuma experi\u00eancia como editor do <em>RioOnWatch<\/em> foi mais significativa e mexeu tanto comigo quanto a oportunidade de fazer esse exame de ancestralidade e pesquisar sobre isso em fam\u00edlia, para o projeto antirracista, enquanto minha av\u00f3 estava viva. Pude discutir os resultados com minha av\u00f3 Maria L\u00facia Santana Santos (1929-2021) e escutar as mais s\u00e1bias palavras. A mais velha da fam\u00edlia, com 92 anos na \u00e9poca, olhou no fundo dos meus olhos e me disse muito gentilmente: &#8216;Fico feliz de ver voc\u00ea feliz com esse resultado, mas isso n\u00e3o diz quem somos de verdade&#8217;. E completou: &#8216;N\u00f3s viemos de muitos lugares, [o teste de DNA] n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a&#8217;. Parecia que eu estava escutando uma ativista negra contempor\u00e2nea do movimento negro brasileiro organizado, mas era minha av\u00f3 na mesa de casa.<\/p>\n<p>Eu sentia como se estivesse, pela primeira vez, acessando, ainda que de forma bastante limitada, um portal cuja passagem sempre esteve completamente bloqueada. Ao conversar com minha fam\u00edlia sobre o resultado do teste de DNA, as rea\u00e7\u00f5es foram variadas. Foram desde o cl\u00e1ssico: &#8216;Para que voc\u00ea quer saber disso? Isso \u00e9 passado, deixa pra l\u00e1!&#8217;, at\u00e9 &#8216;Que incr\u00edvel, tamb\u00e9m quero fazer! Como fa\u00e7o? Quanto custa?&#8217;. Mas no final todos ficaram curiosos para ouvir o resultado do meu teste de ancestralidade, que tamb\u00e9m fala sobre eles.<\/p>\n<p>Meu teste de ancestralidade Genera concluiu que: 50% do meu c\u00f3digo gen\u00e9tico \u00e9 europeu, com 19% dos B\u00e1lc\u00e3s, 17% da Europa Ocidental e 11% da Ib\u00e9ria; 38% \u00e9 afromer\u00edndio, sendo 35% de \u00c1frica, com preval\u00eancia de ancestralidade de 11% da Costa da Mina (incluindo hoje os pa\u00edses Gana, Benin, Togo e Nig\u00e9ria) e de 8% do oeste e sul da \u00c1frica (Camar\u00f5es, Gab\u00e3o, Rep\u00fablica do Congo, Angola, Guin\u00e9 Equatorial, Nam\u00edbia, \u00c1frica do Sul, Rep\u00fablica Centro Africana, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e o arquip\u00e9lago de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe) e 8% da Seneg\u00e2mbia (Senegal, G\u00e2mbia e Guin\u00e9-Bissau, al\u00e9m de fra\u00e7\u00f5es de Mali, Maurit\u00e2nia e Guin\u00e9) e 3% dos povos origin\u00e1rios da regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia. A isso tamb\u00e9m somam-se 9% do Oriente M\u00e9dio e do Magrebe e 3% da di\u00e1spora judaica.<\/p>\n<p>Quando falei do resultado para uma prima, Viviane Agostinho, ela se surpreendeu dizendo que tamb\u00e9m havia feito um teste de ancestralidade, do laborat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/bit.ly\/35rTxsU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AncestryDNA<\/a>. Havia feito para ela e para sua m\u00e3e, minha tia-av\u00f3 Ignez, de 89 anos, irm\u00e3 do meu av\u00f4 materno Sebasti\u00e3o. Mesmo com bases de dados completamente diferentes, por serem laborat\u00f3rios de pa\u00edses diferentes, as tend\u00eancias de origem do meu teste se confirmaram nos resultados delas: nossa origem africana \u00e9 predominante da Costa da Mina e do Oeste da \u00c1frica, marcadamente da Nig\u00e9ria, que ocupou 50% do resultado de DNA dela e da minha tia-av\u00f3.<\/p>\n<p>Esses exames comprovam que a fam\u00edlia brasileira \u00e9 uma encruzilhada. Especialmente para n\u00f3s, negros, o exame de ancestralidade \u00e9 quase um jogo de b\u00fazios de genes, que busca desvelar os guardi\u00f5es n\u00e3o do nosso or\u00ed, mas da nossa hist\u00f3ria afrodiasp\u00f3rica e amefricana.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<h3><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-60742\" title=\"\u00c1rvore Geneal\u00f3gica de Fotos da Fam\u00edlia Santos Filho. Pode-se ver: Julio Santos Filho, seus pais, Suely e Julio, seus av\u00f3s paternos e maternos, 6 dos 8 bisav\u00f3s e 3 dos 12 tatarav\u00f3s, cujas fotos sobreviveram at\u00e9 hoje.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030.jpg\" alt=\"\u00c1rvore Geneal\u00f3gica de Fotos da Fam\u00edlia Santos Filho. Pode-se ver: Julio Santos Filho, seus pais, Suely e Julio, seus av\u00f3s paternos e maternos, 6 dos 8 bisav\u00f3s e 3 dos 12 tatarav\u00f3s, cujas fotos sobreviveram at\u00e9 hoje.\" width=\"1030\" height=\"773\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030.jpg 1030w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030-620x465.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030-838x629.jpg 838w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030-768x576.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030-678x509.jpg 678w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030-326x245.jpg 326w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arvore-Genealogica-de-Fotos-1030-80x60.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3><b>Parda de Certid\u00e3o, Negra na Vida e por Op\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica<\/b><\/h3>\n<blockquote><p>&#8220;Me chamo Tatiana Lima, 42 anos, sou rep\u00f3rter especial do <em>RioOnWatch<\/em>. Em 2o21, atuei como articuladora do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/SerieAntirracista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto antirracista<\/a> unindo comunicadores populares, ilustradores e equipe de edi\u00e7\u00e3o. Sou cria de favela, mas hoje moro no asfalto perif\u00e9rico do sub\u00farbio do Rio de Janeiro, no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2SgLyo2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Engenho da Rainha<\/a>, Zona Norte. Sou uma mulher negra de pele clara, parda de certid\u00e3o, filha de outra parda de certid\u00e3o e neta de outra parda de certid\u00e3o, mas que al\u00e9m desse &#8216;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ha1LbR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">defeito de cor<\/a>&#8216; devidamente tipificado no documento que registra meu nascimento, n\u00e3o carrego o nome do pai.<\/p>\n<p>Eu, minha m\u00e3e e minha av\u00f3<em>\u2014<\/em>e provavelmente minha bisav\u00f3<em>\u2014<\/em>assim como minhas tias e primas, somos todas mulheres negras de pele clara. Fazemos parte dos <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pdqZL7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">54% da popula\u00e7\u00e3o brasileira<\/a> formada de negros, segundo o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2VttR6f\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IBGE<\/a>. Por\u00e9m, somente eu sigo ainda viva tendo a chance de entender essa minha identidade racial negra afromericana.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/certidao-de-nascimento-com-destaque.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-60718\" title=\"Certid\u00e3o de nascimento da m\u00e3e de Tatiana Lima, Maria Em\u00edlia da Silva\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/certidao-de-nascimento-com-destaque.jpeg\" alt=\"Certid\u00e3o de nascimento da m\u00e3e de Tatiana Lima, Maria Em\u00edlia da Silva\" width=\"500\" height=\"572\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/certidao-de-nascimento-com-destaque.jpeg 904w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/certidao-de-nascimento-com-destaque-542x620.jpeg 542w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/certidao-de-nascimento-com-destaque-549x629.jpeg 549w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/certidao-de-nascimento-com-destaque-768x879.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Fa\u00e7o parte da terceira gera\u00e7\u00e3o descendente de um ventre que presumo n\u00e3o ter sido livre, uma quase certeza hist\u00f3rica a partir do cruzamento das datas que contam a vers\u00e3o oficial da hist\u00f3ria do pa\u00eds. N\u00e3o possuo nenhum ancestral materno ou paterno vivo que guarde e transmita, ao menos por mem\u00f3ria oral, alguma pista de nossas origens. N\u00e3o h\u00e1 fotos ou documentos. Nada. Somente a certid\u00e3o de nascimento de minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s dela que vi que, no local do nomes de av\u00f3s maternos, s\u00f3 h\u00e1 um nome: Marcelina Antonia dos Santos. Foi a partir desse documento que descobri a trajet\u00f3ria de matriarcado da fam\u00edlia: uma perpetua\u00e7\u00e3o de maternidades solos com pouca ou nenhuma presen\u00e7a da figura paterna. Tamb\u00e9m foi atrav\u00e9s dele que entendi meu defeito de cor como estar nesse lugar de perten\u00e7as duplas, confirmado pelo exame de ancestralidade.<\/p>\n<p>Segundo o resultado, sou parte da Costa da Mina, do Oeste e Leste da \u00c1frica e at\u00e9 dos Bayaka: povo pigmeu semi-n\u00f4made que habita a regi\u00e3o da Rep\u00fablica Centro-Africana e norte da Rep\u00fablica do Congo. Tamb\u00e9m sou Amaz\u00f4nia, Andina, Tupi e at\u00e9 ind\u00edgena norte-americana.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da surpresa de pertencer \u00e0 ancestralidade de um povo pigmeu africano e ind\u00edgena norte-americano, o que me deixou perplexa\u2014e muito emocionada\u2014foi meu mapeamento revelar que carrego no corpo, uma carga gen\u00e9tica de cerca de 40% africana e dos povos origin\u00e1rios, com propor\u00e7\u00f5es extremamente pr\u00f3ximas com diferen\u00e7a de 3% apenas. Tamb\u00e9m descobri que sou quase 10% origin\u00e1ria do Oriente M\u00e9dio e Magrebe, al\u00e9m de diversas regi\u00f5es da Europa.<\/p>\n<p>Apesar da minha surpresa, isso faz completamente sentido com minhas viv\u00eancias. Sou de fam\u00edlia de mulheres empregadas dom\u00e9sticas e de um pai nordestino. Quando crian\u00e7a, at\u00e9 os 10 anos de idade, meu cabelo era extremamente preto e liso. Era comum todos falarem que eu parecia uma &#8216;\u00edndia&#8217;<em>\u2014<\/em>termo pejorativo e colonial usado na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Criei coragem e liguei para meu pai para perguntar sobre meu av\u00f3s paternos. Meu cabelo liso e preto de crian\u00e7a certamente vinha dele, que saiu da cidade de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3BLRso5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Benedito<\/a>, no interior do estado do Cear\u00e1, aos 14 anos. No Rio de Janeiro, trabalhou em tudo que se pode imaginar. Mora hoje no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2K1s59x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo da Mar\u00e9<\/a> e nunca fala de qualquer mem\u00f3ria da fam\u00edlia, principalmente dos pais.<\/p>\n<p>Diante das minhas perguntas enviadas por WhatsApp, ele gravou um \u00e1udio e, em tr\u00eas falas r\u00e1pidas, disse que meu av\u00f4 era cego e era ele, o filho ca\u00e7ula, meu pai, quem andava com uma corda amarrada na cintura para servir de guia do meu av\u00f4. Mas meu av\u00f4 paterno um dia &#8216;acordou com uma dor de barriga e, depois de alguns dias morreu. Ele n\u00e3o tem certid\u00e3o de nascimento, porque quando nasceu os registros eram na igreja e ele perdeu a c\u00f3pia que tinha no Rio de Janeiro. Ele n\u00e3o me respondeu se meu av\u00f4 paterno era cego de nascen\u00e7a ou se foi em decorr\u00eancia de diabetes, tampouco o que causou a dor de barriga.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Cidade-de-Sao-Benedito-Ceara.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-60748 alignright\" title=\"Cidade de S\u00e3o Benedito, Cear\u00e1\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Cidade-de-Sao-Benedito-Ceara.png\" alt=\"Cidade de S\u00e3o Benedito, Cear\u00e1\" width=\"500\" height=\"597\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Cidade-de-Sao-Benedito-Ceara.png 800w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Cidade-de-Sao-Benedito-Ceara-519x620.png 519w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Cidade-de-Sao-Benedito-Ceara-527x629.png 527w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Cidade-de-Sao-Benedito-Ceara-768x917.png 768w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>A cidade de S\u00e3o Benedito era um povoado ind\u00edgena que em 1604 foi invadida pelo explorador portugu\u00eas <a class=\"mw-redirect\" title=\"Pero Coelho de Souza\" href=\"https:\/\/bit.ly\/3Hhhe4D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pero Coelho de Souza<\/a>, que ap\u00f3s subjugar os <a title=\"Tabajaras\" href=\"https:\/\/bit.ly\/351w5TQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tabajaras<\/a>, montou um quartel-general nesse local. O distrito foi elevado \u00e0 categoria de Vila em 1872. Meu pai nasceu l\u00e1 em 1955.<\/p>\n<p>Como filha de uma mulher parda com cabelos cresp\u00edssimos, aos 11 anos, meu cabelo come\u00e7ou a ganhar cachos, como em uma transi\u00e7\u00e3o capilar. Quanto mais cacheava mais eu era identificada como parda e n\u00e3o mais como ind\u00edgena. Passei a me enxergar como parda, era identificada como parda. Fazia sentido, pois era o que constava na minha certid\u00e3o e na da minha m\u00e3e, at\u00e9 que um dia, eu fui identificada como negra em uma atividade promovida por mulheres jornalistas no sindicato dos jornalistas do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Era 10 de dezembro de 2005. Lembro porque \u00e9 o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Durante a roda de conversa, as mulheres me citaram como sendo tamb\u00e9m uma mulher negra. Um pouco sem entender, perguntei o que estava acontecendo. Elas indagaram como eu me autodeclarava. Falei &#8216;parda&#8230;tipo, mesti\u00e7a&#8217;.<\/p>\n<p>Elas me explicaram que o termo mesti\u00e7a era uma ferida de uma viol\u00eancia colonial, o resultado de um estupro. Perguntei ent\u00e3o como eu poderia me descrever. Foi quando todas se levantaram e me abra\u00e7aram. Sa\u00ed dali com tr\u00eas livros dados por elas sobre a hist\u00f3ria do movimento negro brasileiro, equidade racial e a composi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira.<\/p>\n<p>Daquele dia at\u00e9 eu me declarar como negra publicamente, em 2015, passaram-se 10 anos. Na <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3sdoied\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPI dos Jovens Assassinados<\/a>, quando o Movimento Negro gritou &#8216;pardo \u00e9 negro, pardo \u00e9 negro&#8217;, porque as autoridades de seguran\u00e7a do Rio tentaram separar das estat\u00edsticas negros e pardos para argumentar que a pol\u00edcia do Rio n\u00e3o era racista, finalmente entendi que um corpo pardo no ch\u00e3o tem sangue negro e ind\u00edgena escorrendo e \u00e9 v\u00edtima da viol\u00eancia colonial do Estado.<\/p>\n<p>Com o resultado do teste de DNA, descobri que n\u00e3o tenho um defeito de cor, mas uma identidade racial. Sou uma mulher negra na vida e por op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Sou um corpo marcado, que carrega a cartografia da hist\u00f3ria de nossa amefricanidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 por esse motivo, inspirada no relato de Gisele, por hora, eu ainda n\u00e3o solicitei a elimina\u00e7\u00e3o dos meu dados da base de dados do laborat\u00f3rio. Como fiz <em>MeuDNa e Genera, <\/em>optei por deixar meus dados dispon\u00edveis somente em um dos laborat\u00f3rios.<em>&#8220;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em>Os testes de ancestralidade realizado por Tatiana Lima foram cedidos pelos laborat\u00f3rios MeuDNa e Genera para produ\u00e7\u00e3o dessa reportagem.<\/em><\/p>\n<h3><em>Sobre os autores:<\/em><\/h3>\n<p><em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3o2YA7Q\" rel=\"noopener\">Tatiana Lima<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e comunicadora popular de cora\u00e7\u00e3o. Feminista negra, integrante do\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3mZf3bS\" rel=\"noopener\">Grupo de Pesquisa Pesquisadores Em Movimento<\/a> do Complexo do Alem\u00e3o, atua como rep\u00f3rter especial no RioOnWatch. Cria de favela, negra de pele clara, mora no asfalto perif\u00e9rico do sub\u00farbio do Rio e \u00e9 doutoranda em comunica\u00e7\u00e3o pela <a href=\"http:\/\/bit.ly\/3h2kC6O\" rel=\"noopener\">UFF<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3If4KvA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gisele Moura<\/a> \u00e9 uma mulher preta, filha do sub\u00farbio paulista que contrariou as estat\u00edsticas e se tornou Cientista Ambiental pela UFF, sendo tamb\u00e9m co-fundadora do N\u00facleo Preto do mesmo curso. Hoje, atua como coordenadora na Rede Favela Sustent\u00e1vel*, e ainda encontra tempo para sensibilizar na trama do croch\u00ea.<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3eI9jlv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Julio Santos Filho<\/a> \u00e9 bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (UFF) e mestre em Sociologia (<a href=\"http:\/\/bit.ly\/191xwKJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IESP-UERJ<\/a>). Homem negro da Ilha do Governador trabalha desde 2020 como editor em portugu\u00eas e ingl\u00eas do RioOnWatch. Em 2021, foi editor do Enraizando o Antirracismo nas Favelas, projeto medalha de prata no The Anthem Awards.<\/em><\/p>\n<p><em>Sobre a artista: <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3hw17Vu\" rel=\"noopener\">Raquel Batista<\/a>\u00a0\u00e9 artista visual e\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2WWA8Jd\" rel=\"noopener\">trabalha como fot\u00f3grafa<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2JzGE5K\" rel=\"noopener\">ilustradora<\/a>. \u00c9 estudante na Escola de Belas Artes da\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2KgADIe\" rel=\"noopener\">UFRJ<\/a>, mulher negra e moradora da\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2x3k8bw\" rel=\"noopener\">Zona Oeste<\/a> do Rio.<\/em><\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria faz parte da\u00a0s\u00e9rie antirracista do RioOnWatch.<\/em>\u00a0<em>Conhe\u00e7a o nosso projeto que trouxe conte\u00fados midi\u00e1ticos semanais ao longo de 2021\u2014<a href=\"https:\/\/bit.ly\/SerieAntirracista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Enraizando o Antirracismo nas Favelas: Desconstruindo Narrativas Sociais sobre Racismo no Rio de Janeiro<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>*<\/em><i data-stringify-type=\"italic\">A Rede Favela Sustent\u00e1vel (RFS) e o RioOnWatch s\u00e3o projetos da\u00a0<\/i><i data-stringify-type=\"italic\">Comunidades Catalisadoras (ComCat)<\/i><i data-stringify-type=\"italic\">.<\/i><\/p>\n<h4><b data-stringify-type=\"bold\">Compartilhe com a gente a sua opini\u00e3o sobre essa mat\u00e9ria\u00a0<\/b><b data-stringify-type=\"bold\"><a class=\"c-link\" href=\"https:\/\/bit.ly\/OpineAntirracismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-stringify-link=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSc6PJwxQ0eapYlfSfsr8fyibg8ODzXKpGhJjXe2-8Bbxrtp1g\/viewform\" data-sk=\"tooltip_parent\">clicando aqui<\/a>.<\/b><\/h4>\n<hr \/>\n<h4><strong>Apoie nossos esfor\u00e7os para fornecer assist\u00eancia estrat\u00e9gica \u00e0s favelas do Rio, incluindo o jornalismo hiperlocal, cr\u00edtico, inovador e incans\u00e1vel do\u00a0<em>RioOnWatch<\/em><\/strong>\u2014<a href=\"http:\/\/bit.ly\/CatalisandoComunidades\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doe aqui<\/a>.<\/h4>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Esta mat\u00e9ria faz parte\u00a0do projeto antirracista do RioOnWatch.\u00a0Conhe\u00e7a o nosso projeto que trouxe conte\u00fados midi\u00e1ticos semanais ao longo de 2021:\u00a0Enraizando o Antirracismo nas Favelas. A partir do teste de ancestralidade, equipe <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\" title=\"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":165,"featured_media":60745,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"template-full.php","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1621,1612],"tags":[329,332,333,1805,514,841,2344,2219,1574,469,1970,936,3114,998,2539,2974,2153,218],"writer":[2971,2881,2800],"translator":[],"source":[],"ilustrador":[3101],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-60712","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaque","8":"category-sociedade-civil","9":"tag-africa","10":"tag-complexo-da-mare","11":"tag-diaspora","12":"tag-engenho-da-rainha","13":"tag-escravidao","14":"tag-historia-oral","15":"tag-ibge","16":"tag-ilha-do-governador","17":"tag-indigenas","18":"tag-memoria","19":"tag-negritude","20":"tag-raca","21":"tag-racismo-estrutural","22":"tag-sao-paulo","23":"tag-sentimento-de-pertencimento","24":"tag-serie-antirracismo","25":"tag-uff","26":"tag-zona-norte","27":"writer-gisele-moura","28":"writer-julio-santos-filho","29":"writer-tatiana-lima","30":"ilustrador-raquel-batista"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena - RioOnWatch<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena - RioOnWatch\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Click Here for English Esta mat\u00e9ria faz parte\u00a0do projeto antirracista do RioOnWatch.\u00a0Conhe\u00e7a o nosso projeto que trouxe conte\u00fados midi\u00e1ticos semanais ao longo de 2021:\u00a0Enraizando o Antirracismo nas Favelas. A partir do teste de ancestralidade, equipe [...]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"RioOnWatch\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2022-02-25T09:08:23+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-03-23T11:59:07+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista-1030x439.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1030\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"439\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Tatiana Lima\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Tatiana Lima\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"20 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\"},\"author\":{\"name\":\"Tatiana Lima\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551\"},\"headline\":\"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena\",\"datePublished\":\"2022-02-25T09:08:23+00:00\",\"dateModified\":\"2022-03-23T11:59:07+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\"},\"wordCount\":4309,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png\",\"keywords\":[\"\u00c1frica\",\"Complexo da Mar\u00e9\",\"Di\u00e1spora Africana\",\"Engenho da Rainha\",\"escravid\u00e3o\",\"hist\u00f3ria oral\",\"IBGE\",\"Ilha do Governador\",\"ind\u00edgenas\",\"Mem\u00f3rias Faveladas\",\"negritude\",\"ra\u00e7a\",\"Racismo estrutural\",\"S\u00e3o Paulo\",\"sentimento de pertencimento\",\"S\u00e9rie: Antirracismo\",\"UFF\",\"Zona Norte\"],\"articleSection\":[\"*Destaque\",\"Sociedade Civil\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\",\"name\":\"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena - RioOnWatch\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png\",\"datePublished\":\"2022-02-25T09:08:23+00:00\",\"dateModified\":\"2022-03-23T11:59:07+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png\",\"width\":4960,\"height\":2112,\"caption\":\"Arte original por Raquel Batista\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/\",\"name\":\"RioOnWatch\",\"description\":\"relatos das favelas cariocas\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization\",\"name\":\"RioOnWatch\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png\",\"width\":779,\"height\":277,\"caption\":\"RioOnWatch\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551\",\"name\":\"Tatiana Lima\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g\",\"caption\":\"Tatiana Lima\"},\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?author=165\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena - RioOnWatch","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena - RioOnWatch","og_description":"Click Here for English Esta mat\u00e9ria faz parte\u00a0do projeto antirracista do RioOnWatch.\u00a0Conhe\u00e7a o nosso projeto que trouxe conte\u00fados midi\u00e1ticos semanais ao longo de 2021:\u00a0Enraizando o Antirracismo nas Favelas. A partir do teste de ancestralidade, equipe [...]","og_url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712","og_site_name":"RioOnWatch","article_published_time":"2022-02-25T09:08:23+00:00","article_modified_time":"2022-03-23T11:59:07+00:00","og_image":[{"width":1030,"height":439,"url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista-1030x439.png","type":"image\/png"}],"author":"Tatiana Lima","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Tatiana Lima","Est. tempo de leitura":"20 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712"},"author":{"name":"Tatiana Lima","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551"},"headline":"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena","datePublished":"2022-02-25T09:08:23+00:00","dateModified":"2022-03-23T11:59:07+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712"},"wordCount":4309,"publisher":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png","keywords":["\u00c1frica","Complexo da Mar\u00e9","Di\u00e1spora Africana","Engenho da Rainha","escravid\u00e3o","hist\u00f3ria oral","IBGE","Ilha do Governador","ind\u00edgenas","Mem\u00f3rias Faveladas","negritude","ra\u00e7a","Racismo estrutural","S\u00e3o Paulo","sentimento de pertencimento","S\u00e9rie: Antirracismo","UFF","Zona Norte"],"articleSection":["*Destaque","Sociedade Civil"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712","name":"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena - RioOnWatch","isPartOf":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png","datePublished":"2022-02-25T09:08:23+00:00","dateModified":"2022-03-23T11:59:07+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#primaryimage","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png","contentUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Arte-original-por-Raquel-Batista.png","width":4960,"height":2112,"caption":"Arte original por Raquel Batista"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60712#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Uma Ferida Colonial Amefricana: DNA D\u00e1 Pistas Sobre Ancestralidade Negra e Ind\u00edgena"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/","name":"RioOnWatch","description":"relatos das favelas cariocas","publisher":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization","name":"RioOnWatch","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png","contentUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png","width":779,"height":277,"caption":"RioOnWatch"},"image":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551","name":"Tatiana Lima","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g","caption":"Tatiana Lima"},"url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?author=165"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60712"}],"collection":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/165"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=60712"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61097,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60712\/revisions\/61097"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/60745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=60712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=60712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=60712"},{"taxonomy":"writer","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fwriter&post=60712"},{"taxonomy":"translator","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftranslator&post=60712"},{"taxonomy":"source","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fsource&post=60712"},{"taxonomy":"ilustrador","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Filustrador&post=60712"},{"taxonomy":"fotografo","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ffotografo&post=60712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}