{"id":60951,"date":"2022-03-31T11:34:06","date_gmt":"2022-03-31T14:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951"},"modified":"2026-04-14T10:00:30","modified_gmt":"2026-04-14T13:00:30","slug":"favelao-voz-politica-e-jornalismo-comunitario-a-frente-de-seu-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951","title":{"rendered":"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3V1hkp1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Click Here for English<\/a><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3V1hkp1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" width=\"20\" height=\"20\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/h4>\n<h4><em>Favel\u00e3o\u2014A Voz dos Favelados<\/em>, jornal da d\u00e9cada de 1980 guarda a mem\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das favelas do Rio de Janeiro e da resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios contra as remo\u00e7\u00f5es.<\/h4>\n<blockquote><p>&#8220;Quem mora nas favelas ou bairros populares do Grande Rio, muito cuidado pra n\u00e3o serem mais uma vez enganados. Fiquem de olhos bem abertos, pois v\u00e3o aparecer certos deputados, vereadores e candidatos a governador querendo se aproveitar da nossa situa\u00e7\u00e3o de pobreza pra ganhar votos \u00e0s nossas custas. Pra melhor reconhecer esses falsos pol\u00edticos, vamos denunciar aqui o que eles prometem e quase sempre n\u00e3o cumprem, quais os seus deveres, o que \u00e9 pol\u00edtica e qual a import\u00e2ncia do voto.&#8221; \u2014 Editorial &#8216;Os Pol\u00edticos Nas Favelas&#8217;, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tR927I\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/a>, novembro de 1981 do jornal\u00a0<em>Favel\u00e3o<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O texto que voc\u00ea acabou de ler \u00e9 um fragmento de um jornal comunit\u00e1rio. Faz parte da nota jornal\u00edstica: &#8220;<em>Os pol\u00edticos nas favelas<\/em>&#8220;. Quest\u00f5es atuais como a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3CGbel5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crise de representatividade pol\u00edtica<\/a>, o uso eleitoreiro e a manipula\u00e7\u00e3o do voto da popula\u00e7\u00e3o das favelas j\u00e1 se faziam presentes no texto publicado em novembro de 1981, na primeira edi\u00e7\u00e3o do jornal <i>Favel\u00e3o\u2014A Voz dos Favelados<\/i>.<\/p>\n<p>O impresso narra a mem\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das favelas e mostra como, h\u00e1 pelo menos 40 anos, os moradores lidam com o eleitoralismo. O <em>Favel\u00e3o<\/em> foi uma das experi\u00eancias do movimento de comunica\u00e7\u00e3o popular no Rio de Janeiro na d\u00e9cada de 1980 que chamou aten\u00e7\u00e3o do historiador e jornalista Marco Morel.<\/p>\n<p>Em 1986, ele publicou o livro <a href=\"https:\/\/bit.ly\/37FYSy1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O Jornalismo Popular nas Favelas Cariocas<\/em><\/a>, onde faz uma an\u00e1lise do jornalismo &#8220;constru\u00eddo por m\u00e3os an\u00f4nimas&#8221;. &#8220;\u00c0 primeira vista (ou numa vis\u00e3o j\u00e1 condicionada) um jornalzinho feito por favelados pode parecer uma miniatura mal feita de um grande jornal&#8230; Mas \u00e9 bom que se diga: por tr\u00e1s destas folhinhas pode estar, viva e palpitante, a hist\u00f3ria de um povo&#8221;, ressaltou Marco.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-julho-de-1984.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61038\" title=\"Capa de julho de 1984, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 18\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-julho-de-1984-476x620.png\" alt=\"Capa de julho de 1984, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 18\" width=\"500\" height=\"651\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-julho-de-1984-476x620.png 476w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-julho-de-1984-483x629.png 483w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-julho-de-1984-768x1001.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-julho-de-1984.png 845w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><i><\/i><\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3mj7pep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Favel\u00e3o<\/i><\/a> foi uma <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tX9dwT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">experi\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o popular<\/a> plural e complexa. Com doze p\u00e1ginas e tiragem de 3.000 exemplares, era um jornal &#8220;feito por favelados para favelados&#8221;. Desafiava-se a ser um ve\u00edculo que representasse a \u201cvoz\u201d das diversas favelas do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Fundado pela <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3lKk8rb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pastoral de Favelas<\/a> e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, o jornal surgiu da necessidade concreta de lutar contra a remo\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2xCoB59\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro do Vidigal<\/a>, em 1978. A <a href=\"https:\/\/bit.ly\/31FBWco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resist\u00eancia dos territ\u00f3rios e das lideran\u00e7as comunit\u00e1rias<\/a> contra as tentativas de remo\u00e7\u00e3o das favelas do Rio de Janeiro foi uma bandeira de luta dessa experi\u00eancia popular e comunit\u00e1ria de comunica\u00e7\u00e3o, bem como o combate ao racismo e \u00e0 viol\u00eancia policial contra &#8220;favelados&#8221;.<\/p>\n<p>Foi criado pela Pastoral em novembro de 1981. Contudo, apesar do envolvimento da Igreja Cat\u00f3lica, todos os textos e ilustra\u00e7\u00f5es publicadas eram produzidos exclusivamente por moradores de favelas.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, <em>Favel\u00e3o<\/em> contava com assessoria profissional da jornalista Gilda Vieira\u2014j\u00e1 falecida, respons\u00e1vel pelo jornal juridicamente. Segundo o ilustrador Dami\u00e3o Silva, integrante da equipe do jornal, o papel da jornalista era realmente de apoio t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&#8220;Ela n\u00e3o escrevia as mat\u00e9rias, mas ajudava a organizar a diagrama\u00e7\u00e3o. As mat\u00e9rias eram das pr\u00f3prias pessoas das comunidades, dos representantes que participavam do vicariato&#8221;, relatou Dami\u00e3o em depoimento \u00e0 pesquisa <em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/34zgXKj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Experi\u00eancias em Comunica\u00e7\u00e3o Popular no Rio de Janeiro Ontem e Hoje: Uma Hist\u00f3ria de Resist\u00eancia nas Favelas Cariocas<\/a><\/em>, realizada pelo N\u00facleo Piratininga de Comunica\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3i2GcdN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NPC<\/a>).<\/p>\n<p>O estudo se inspirou no mapeamento feito por Marco Morel das experi\u00eancias de jornalismo nas favelas da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2WL6FUi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a> do Rio na d\u00e9cada de 1980. Organizada por Claudia Santiago, a obra traz o registro de 40 experi\u00eancias em comunica\u00e7\u00e3o popular nas favelas da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2ETpYR1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Norte<\/a>, Sul<b>, <\/b><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2x3k8bw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oeste<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2XXECxy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baixada Fluminense<\/a> e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2HlYEfp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Niter\u00f3i<\/a>, tornando-se refer\u00eancia no debate sobre a comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>De acordo com pesquisa do NPC, o auge das experi\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o popular no Brasil aconteceu no contexto da chamada &#8220;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3NjFKGl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abertura lenta, gradual e segura<\/a>&#8221; da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3D7rGv3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ditadura Militar<\/a>, na segunda metade da d\u00e9cada de 1970 e in\u00edcio dos anos 1980, sendo o jornal <i>Favel\u00e3o<\/i> um dos diversos exemplos da organiza\u00e7\u00e3o popular nas favelas. &#8220;Nesse per\u00edodo, surgiram v\u00e1rios movimentos sociais, principalmente articulados pela ala progressista da Igreja Cat\u00f3lica [ligada aos ideias da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o] que resistiram ao autoritarismo e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do governo militar&#8221;, explica a jornalista e historiadora Cl\u00e1udia Santiago.<\/p>\n<p>O <em>Favel\u00e3o<\/em>\u00a0destacava-se por apresentar caracter\u00edsticas gr\u00e1ficas diferentes do restante da imprensa da favela na \u00e9poca, que, em geral, era impressa no mime\u00f3grafo. Financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Ford, em conv\u00eanio com a Arquidiocese do Rio, <em>Favel\u00e3o<\/em> era um jornal impresso em gr\u00e1fica e contava com diagrama\u00e7\u00e3o profissional. A verba chegava at\u00e9 o jornal repassada pela Igreja atrav\u00e9s da Pastoral de Favelas.<\/p>\n<h3>A Voz dos Favelados pelo Direito \u00e0 Favela<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Luta-contra-remocao-no-Morro-da-Baiana-Complexo-do-Alemao-edicao-no-1.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61057\" title=\"Luta contra remo\u00e7\u00e3o no Morro da Baiana, Complexo do Alem\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 1.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Luta-contra-remocao-no-Morro-da-Baiana-Complexo-do-Alemao-edicao-no-1.png\" alt=\"Luta contra remo\u00e7\u00e3o no Morro da Baiana, Complexo do Alem\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 1.\" width=\"500\" height=\"464\" \/><\/a>O protagonismo da constru\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do jornal era todo dos moradores de favelas. Trazia uma linguagem &#8220;extremamente de vanguarda&#8221;, analisa Marco Morel. A frente do seu tempo, a equipe em plena ditadura militar, debatia assuntos da pol\u00edtica nacional, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2ED4jQ1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">movimento negro<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1ruUDso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cultura afro<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2MFCyrm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">g\u00eanero<\/a>, al\u00e9m da resist\u00eancia das favelas contra as <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3AdyYeq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">remo\u00e7\u00f5es<\/a> e a luta por acesso a direitos como <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2N6FL2n\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e1gua<\/a>, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4jP2eOJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">saneamento b\u00e1sico<\/a>, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/33Qij3a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">educa\u00e7\u00e3o<\/a> e <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1MUX0u9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">transporte p\u00fablico<\/a>.<\/p>\n<p>Em tempos de forte repress\u00e3o pol\u00edtica, fazia-se disputa de narrativa sobre as favelas do Rio de Janeiro atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. A partir, por exemplo, do forte car\u00e1ter de identidade do jornal, usava-se o termo &#8220;favelado&#8221; para seu slogan: &#8220;a<em> voz dos favelados&#8221;<\/em>. O sentido e a carga moral da palavra estavam sendo disputados pelo jornal.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, a palavra &#8220;favelado&#8221; j\u00e1 come\u00e7ava a deixar de ser usada para designar apenas &#8220;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3JFBvmi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aquele que vive em favela<\/a>&#8220;, conforme consta no dicion\u00e1rio <em>Michaelis<\/em>, passando a ser usada socialmente e associada na m\u00eddia com um valor de sentido <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2x39npy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">discriminat\u00f3rio<\/a>, usado em situa\u00e7\u00f5es pejorativas e negativas, expressando o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2LMhnGF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">racismo estrutural<\/a> e o preconceito social da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica das favelas tamb\u00e9m estava no t\u00edtulo do jornal, que trazia ilustra\u00e7\u00f5es de barracos dentro de cada letra. A escolha do nome do impresso, segundo Dami\u00e3o Silva, em entrevista para o NPC, foi feita consultando em reuni\u00f5es lideran\u00e7as de favelas, entre elas <a href=\"https:\/\/bit.ly\/Diquinho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diquinho<\/a>, do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2wIyn5a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Alem\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p><em>Favel\u00e3o<\/em> come\u00e7ou entre 1981 e 1987, sendo distribu\u00eddo por lideran\u00e7as comunit\u00e1rias a pre\u00e7o simb\u00f3lico ou, muitas vezes, gratuitamente a moradores de favelas, de beco em beco, ainda sob a sombra da ditadura civil-militar.<b>\u00a0<\/b>A ideia era levar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o aos moradores de favelas por meio da pr\u00f3pria favela, sem preconceito social e com uma linguagem popular.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPara voc\u00ea que est\u00e1 me segurando, me lendo e talvez, se perguntando &#8216;que bicho ser\u00e1 esse?&#8217; gostaria de lhe dar algumas dicas. Nasci agora para as comunidades, mas j\u00e1 estou h\u00e1 meses na barriga da minha m\u00e3e. A minha m\u00e3e \u00e9 uma equipe de pessoas composta de muitos favelados, dois jornalistas e um estudante de hist\u00f3ria. Quando nasci, fiquei todo orgulhoso de saber que muita gente me esperava. Ali\u00e1s, soube que eu andava na cabe\u00e7a de muito l\u00edder batalhador, esses caras que est\u00e3o sempre lutando para melhorar a vida das favelas. Outra coisa que a m\u00e3e me contou foi que ela queria um nome muito bonito para mim. A\u00ed ela saiu perguntando a uma por\u00e7\u00e3o de gente que faz reuni\u00e3o nas favelas, que nome eu devia ter. O nome que mais colou foi o que me deram e, antes mesmo de eu nascer, as pessoas j\u00e1 me chamavam de Favel\u00e3o. Confesso que fico todo arrepiado quando ou\u00e7o meu nome falado pelos meus amigos. Um abra\u00e7o para voc\u00eas.\u201d \u2014 Editorial &#8216;O que sou?&#8217;, 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, novembro de 1981<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/favelao-editorial-ilustracao-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-61045 size-mh-magazine-slider\" title=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do editorial do Favel\u00e3o\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/favelao-editorial-ilustracao-1-1030x438.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do editorial do Favel\u00e3o\" width=\"1030\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/favelao-editorial-ilustracao-1-1030x438.png 1030w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/favelao-editorial-ilustracao-1-620x264.png 620w\" sizes=\"(max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A experi\u00eancia comunit\u00e1ria e popular do jornal <em>Favel\u00e3o<\/em> segue at\u00e9 hoje sendo um registro da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de moradores de favela seja pela representa\u00e7\u00e3o, pelo registro hist\u00f3rico do protagonismo da voz de favelados, pelas den\u00fancias ou pela linguagem. <i>Favel\u00e3o <\/i>d\u00e1 aula de\u00a0engajamento social nos <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3I50M7T\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">26 exemplares publicados<\/a>. Traz registros das lutas realizadas por favelados pelo <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3NJG2pv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">direito \u00e0 favela<\/a>. <a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/fvvelao-9-1982.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61052\" title=\"Capa de janeiro de 1983, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 9\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/fvvelao-9-1982-430x620.png\" alt=\"Capa de janeiro de 1983, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 9\" width=\"500\" height=\"722\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/fvvelao-9-1982-430x620.png 430w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/fvvelao-9-1982-436x629.png 436w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/fvvelao-9-1982.png 693w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A den\u00fancia pelo direito \u00e0 favela est\u00e1 presente em editoriais, not\u00edcias de despejo e sobre a cultura da favela no <em>Favel\u00e3o<\/em>. Eram comuns tamb\u00e9m os relatos em primeira pessoa. Parte desses relatos tamb\u00e9m revelam as mudan\u00e7as do pr\u00f3prio territ\u00f3rio da cidade do Rio de Janeiro e como essas transforma\u00e7\u00f5es atravessavam o cotidiano dos moradores:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu vim para essa favela em 20 de julho de 1937. Passei muita dificuldade. N\u00e3o tinha \u00e1gua, n\u00e3o tinha luz, n\u00e3o tinha caminho. Lutei muito e com dificuldade para criar meus filhos. A \u00e1gua era &#8216;pegada&#8217; na Rua Gustavo Sampaio, era um bondinho que trazia para a gente. N\u00e3o existia o fog\u00e3o a g\u00e1s, era fog\u00e3o a lenha, lenha que se apanhava na Siqueira Campos numa obra que existia. Eu mesma ia buscar. Meus filhos todos estudaram at\u00e9 os 14 anos, pois n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es de estudar. O hor\u00e1rio era \u00e0 noite e foram para a oficina, aprender uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho queixas da favela. Aqui foi onde eu lutei com dificuldade e venci&#8230; Ainda trabalho, tenho patr\u00f5es que s\u00e3o muito bons para mim. Venci porque tive muito apoio e coragem, meus vizinhos s\u00e3o meus parentes, nunca chorei sozinha. A associa\u00e7\u00e3o do morro tamb\u00e9m, me deu muito apoio, todos os presidentes do morro, sempre me ajudaram e com nenhum deles tive problemas. Sou agradecida, do meu cora\u00e7\u00e3o, a todos daqui da favela onde eu vivi, chorei e amei.\u201d<\/p>\n<p>\u2014 &#8216;Minha Vida na Favela&#8217;, texto por Leopoldina Torquato Farias, de 68 anos, moradora do <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2MrGlcN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chap\u00e9u Mangueira<\/a>, na 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 26 de novembro de 1981<\/p><\/blockquote>\n<h3>Da Luta pela Constituinte ao Direito de Respirar<\/h3>\n<p>O <em>Favel\u00e3o<\/em> se fixa em uma \u00e9poca de efervesc\u00eancia pol\u00edtica, com diferentes for\u00e7as hist\u00f3ricas em disputa para ocupar lugares na recente democracia brasileira. Neste contexto, que ainda tinha como pano de fundo uma forte concentra\u00e7\u00e3o de m\u00eddias, o jornal gritava pelo direito \u00e0 moradia atrav\u00e9s da luta pelo direito \u00e0 terra\u2014demonstrando uma compreens\u00e3o ampla sobre territ\u00f3rio e moradia.<\/p>\n<p>Formado por moradores que integravam diferentes partidos (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/31etgtn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PCB<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2BX5wxU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PDT<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2cCqyHM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PT<\/a>, entre outros), o jornal n\u00e3o apenas abordava as elei\u00e7\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3hRFuR7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FAFERJ<\/a>), como tamb\u00e9m os momentos de abertura pol\u00edtica do pa\u00eds. Chegou a ser apreendido na gr\u00e1fica duas vezes, sob a alega\u00e7\u00e3o do governo de que o ve\u00edculo estaria desvirtuado dos objetivos de um jornal de favelas.<\/p>\n<p>O endere\u00e7o oficial do jornal era <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2eBnsTw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parada de Lucas<\/a>, na Zona Norte da cidade, mas as reuni\u00f5es do jornal rodavam de favela em favela. No editorial da edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2, o car\u00e1ter comunit\u00e1rio da elabora\u00e7\u00e3o do jornal \u00e9 apresentado. O &#8220;menino&#8221; que se torna a cara da voz do jornal (em todo editorial publicado) avisa como acontece a constru\u00e7\u00e3o das pautas.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Para ficar mais por dentro, todo m\u00eas eu estou com o meu pessoal fazendo uma reuni\u00e3o numa favela diferente, a\u00ed \u00e9 muito bacana porque os moradores daquele local passam a colaborar tamb\u00e9m com a minha gente, principalmente a turma que faz jornal em favela. Assim, j\u00e1 estamos funcionando numa sala em Parada de Lucas, j\u00e1 houve uma reuni\u00e3o de pauta no morro do Galo e outras v\u00e3o pintar.&#8221; \u2014 fragmento do editorial <em>T\u00f4 nas bocas<\/em>, publicado em dezembro de 1981<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Capa-edicao-no-4.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61152\" title=\"Capa edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 4\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Capa-edicao-no-4.png\" alt=\"Capa edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 4\" width=\"500\" height=\"753\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Capa-edicao-no-4.png 670w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Capa-edicao-no-4-412x620.png 412w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Capa-edicao-no-4-418x629.png 418w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Apesar dos riscos, o <em>Favel\u00e3o<\/em> tamb\u00e9m tocava em assuntos pol\u00eamicos e tabus sociais. Do direito da mulher at\u00e9 a viol\u00eancia policial, em forma de conto, prosa ou diretamente denunciando as viol\u00eancias sobre corpos favelados em relatos pessoais em primeira pessoa, <em>Favel\u00e3o<\/em> era garantia do direito \u00e0 voz, \u00e0 cidadania e \u00e0 a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEstou descendo a favela a fim de ir pro Leblon. O morma\u00e7o est\u00e1 esquentando e a promessa \u00e9 de tempo bom. Que vontade de ir \u00e0 praia, mas eu n\u00e3o sou de transa\u00e7\u00e3o. Tenho fam\u00edlia pra bancar e eu mesmo sou patr\u00e3o. Esqueci os documentos, mas n\u00e3o posso voltar n\u00e3o. Est\u00e1 em cima do hor\u00e1rio e o lucro \u00e9 muito bom. Nisso sobe a pol\u00edcia. M\u00e3o na cabe\u00e7a neg\u00e3o. Tira tudo do bolso e vai jogando no ch\u00e3o. Fale pouco e baixo pra n\u00e3o ganhar um bofet\u00e3o. Aqui quem fala \u00e9 a gente e n\u00e3o queremos sugest\u00e3o. E em primeiro lugar deixe eu ver a sua m\u00e3o. Mas eu moro na favela e estou indo pro Leblon. Pergunte para as pessoas. Obtenha informa\u00e7\u00e3o. Deixe um garoto ir buscar minha documenta\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea j\u00e1 falou demais cale a boca neg\u00e3o. Soldado, leve-o daqui tranque-o no cambur\u00e3o. Vamos apresentar servi\u00e7o, pois \u00e9 nossa obriga\u00e7\u00e3o. Subir a favela e descer sem ningu\u00e9m com a nossa turma n\u00e3o!\u201d \u2014 trecho do conto <em>Voc\u00ea \u00e9 suspeito<\/em>, por Marc\u00e3o do Vidigal, publicado em novembro de 1983<\/p><\/blockquote>\n<p>De acordo com C\u00e9lia Fernandes, secret\u00e1ria da Pastoral de Favelas e participante do projeto do jornal como moradora de favela, a linha editorial partia das necessidades do povo da favela. Em depoimento para o livro do NPC, ela comenta: &#8220;Era muito f\u00e1cil com a botina o policial meter o p\u00e9 e entrar [nas casas]. Por isso, era no jornal que a gente colocava o que sentia, vivia e sofria&#8221;.<\/p>\n<p>O jornal traz o registro hist\u00f3rico sobre a viol\u00eancia policial e o <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2PALm3Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra e de favela<\/a> h\u00e1 40 anos. A edi\u00e7\u00e3o publicada em dezembro de 1981, revela a repress\u00e3o ao direito da favela de protestar contra a viol\u00eancia policial, mas tamb\u00e9m mostra como a viol\u00eancia de Estado \u00e9 uma realidade nas favelas mesmo dentro de um estado democr\u00e1tico:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Recentemente, Francisco Gilmar de Souza foi estupidamente assassinado por um policial na favela da Rocinha. Este \u00e9 um caso dram\u00e1tico que vem se juntar a tantos outros: a menina Marcia foi baleada na sa\u00edda da escola na favela da Mangueira; Amauri da Concei\u00e7\u00e3o foi morto por um tiro de escopeta no Vidigal. As comunidades reagem, mas os fatos s\u00e3o arquivados. No caso do Vidigal, o boicote ao corpo do Amauri no Instituto M\u00e9dico Legal, obrigou [a favela a fazer] caravana em \u00f4nibus com faixas e cartazes.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1981-n-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61036\" title=\"Capa de dezembro de 1981, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1981-n-2-444x620.png\" alt=\"Capa de dezembro de 1981, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2\" width=\"500\" height=\"697\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1981-n-2-444x620.png 444w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1981-n-2-451x629.png 451w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1981-n-2.png 699w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>Passadas quatro d\u00e9cadas, muitos outros homens favelados como Gilmar e Amauri foram mortos pela <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3fW6s7q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro<\/a>: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2U2cZFA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcus Vinicius<\/a> no Complexo da Mar\u00e9;\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2X7mfIN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jonathan Lima<\/a>, na Favela de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/2F7nJtG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manguinhos<\/a>; e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/37PmVur\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amarildo de Souza<\/a> na Rocinha s\u00e3o alguns dos seus nomes. Tamb\u00e9m existem outras meninas como Marcia da Mangueira: <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3Lf1xND\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maria Eduarda<\/a>, morta dento da escola na favela de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3csVmo6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acari<\/a>, e <a href=\"http:\/\/glo.bo\/3qBjjTt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c1gatha F\u00e9lix<\/a>, assassinada ao lado de sua m\u00e3e dentro do transporte p\u00fablico no Complexo do Alem\u00e3o.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, h\u00e1 40 anos a pol\u00edcia mata todos os dias moradores de favelas. Inclusive, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3vlm5f0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">beb\u00eas ainda no ventre da m\u00e3e<\/a>, como aconteceu com Kathlen Romeu, no <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3brxQcN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Complexo do Lins<\/a>, gr\u00e1vida de 13 semanas.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o da morte da m\u00e3e e do beb\u00ea, um levantamento feito a partir dos dados do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2TYd2kg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Fogo Cruzado<\/a> mostrou que 681 mulheres foram atingidas por disparos no Grande Rio entre 2017 e junho de 2021. Do total, 15 foram baleadas gr\u00e1vidas, com oito delas morrendo. Dos <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pFHrT8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dez beb\u00eas baleados ainda na barriga das suas m\u00e3es<\/a>\u00a0apenas um sobreviveu.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio anual do Instituto Fogo Cruzado em 2021 revelou que mesmo com <a href=\"https:\/\/bit.ly\/37F2m0l\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ADPF 635<\/a> em vigor, o Grande Rio teve 4.653 tiroteios\/disparos de arma de fogo. Ao todo, 2.098 pessoas foram baleadas (1.084 mortas e 1.014 feridas), sendo <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3D5rwo4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">64% (1.342) dos baleados atingidos durante a\u00e7\u00f5es\/opera\u00e7\u00f5es policiais nas favelas.<\/a><\/p>\n<p>A reportagem <em>Viol\u00eancia Nas Favelas<\/em>, publicada no <em>Favel\u00e3o, <\/em>retrata a realidade ainda atual da viol\u00eancia nos territ\u00f3rios. O texto denuncia a opress\u00e3o do Estado nas favelas em plena ditadura militar. Um trecho do artigo afirma: &#8220;A injusti\u00e7a social matou recentemente Gilmar. Quantos ser\u00e3o precisos [morrer] para que o povo tenha direito \u00e0 Justi\u00e7a?&#8221;<\/p>\n<p>O questionamento foi escrito por um morador de forma n\u00e3o identificada pelo jornal. O que mais choca \u00e9 que a pergunta feita pelo <em>Favel\u00e3o<\/em> h\u00e1 40 anos tamb\u00e9m foi feita no Twitter <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tzAyGR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pela vereadora Marielle Franco<\/a> um dia antes de ser assassinada.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\">\n<p dir=\"ltr\" lang=\"pt\">Mais um homic\u00eddio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais v\u00e3o precisar morrer para que essa guerra acabe?<\/p>\n<p>\u2014 Marielle Franco (@mariellefranco) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mariellefranco\/status\/973568966403731456?ref_src=twsrc%5Etfw\">March 13, 2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<h3>Guardi\u00e3o da Mem\u00f3ria e Registro dos Fatos Sociais das Favelas<\/h3>\n<p>Os jornais impressos de forma geral s\u00e3o os detentores da mem\u00f3ria oficial. Registram os marcos sociais de uma \u00e9poca. Esse \u00e9 mais um dos motivos da import\u00e2ncia dos jornais impressos de favelas.<\/p>\n<p>O estudo <em>Experi\u00eancias em Comunica\u00e7\u00e3o Popular no Rio de Janeiro Ontem e Hoje: Uma Hist\u00f3ria de Resist\u00eancia nas Favelas Cariocas<\/em> do NPC e seu levantamento de dados despertou uma constante preocupa\u00e7\u00e3o com a mem\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria das favelas. Encontrar antigas edi\u00e7\u00f5es do jornal <em>Favel\u00e3o<\/em> pareceu ser quase t\u00e3o imposs\u00edvel quanto \u00e9 manter nos dias atuais a circula\u00e7\u00e3o de jornais impressos em favelas.<a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-janeiro-1985-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61060\" title=\"Capa edi\u00e7\u00e3o de Janeiro de 1985, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 18\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-janeiro-1985-1-490x620.png\" alt=\"Capa edi\u00e7\u00e3o de Janeiro de 1985, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 18\" width=\"500\" height=\"632\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-janeiro-1985-1-490x620.png 490w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-janeiro-1985-1-498x629.png 498w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-janeiro-1985-1-768x971.png 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/capa-janeiro-1985-1.png 886w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (<a href=\"http:\/\/bit.ly\/YHeRir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ABI<\/a>) e o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro guardam um ou tr\u00eas exemplares, por exemplo, do jornal <em>Favel\u00e3o<\/em> e de outros jornais de favelas. No caso do jornal <em>Favel\u00e3o<\/em>\u00a0nem a Pastoral das Favelas tinha mais os arquivos dispon\u00edveis. Isso porque em 2003, todo o arquivo do jornal foi perdido quando diversas frentes das pastorais da Arquidiocese do Rio foram desarticuladas. S\u00f3 foi poss\u00edvel acessar os exemplares digitalizados do <em>Favel\u00e3o<\/em> pelo Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Pesquisa Vergueiro (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3LaQu84\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPV<\/a>). Quase todas as edi\u00e7\u00f5es do jornal podem ser acessadas por l\u00e1.<\/p>\n<p>Com mais de 70.000 p\u00e1ginas de documentos digitalizados, o acervo \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da luta dos trabalhadores produzidos nas d\u00e9cadas de 1970, 1980 e 1990 e de jornais comunit\u00e1rios, de movimentos sociais de base das favelas do Rio de Janeiro e do movimento negro.<\/p>\n<p>O jornal teve um papel crucial em denunciar o racismo nos anos de 1980 e demonstrar como a ditadura militar tratava as favelas. Uma das reportagens mais impactantes, segundo C\u00e9lia, foi publicada em outubro de 1982. No artigo, o jornal trouxe uma foto feita por Luiz Morier, publicada originalmente no<em> Jornal do Brasil<\/em> em setembro de 1982, com a legenda: &#8220;Os homens eram conduzidos ao cambur\u00e3o como escravos&#8221;.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o do <em>Jornal do Brasil<\/em> causou indigna\u00e7\u00e3o e o <em>Favel\u00e3o<\/em> reagiu atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o do artigo <em>Em 1888, 1982 Querem o Negro na Cozinha<\/em>. O t\u00edtulo fazia refer\u00eancia \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos escravos no Brasil, em 1888, e debatia a suposta democracia racial no Brasil em 1982, passados 94 anos entre a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e a foto publicada no <em>Jornal do Brasil<\/em>. Para C\u00e9lia, fazer aquela edi\u00e7\u00e3o foi de uma coragem incr\u00edvel:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00e3o era simples falar de viol\u00eancia policial, de qualquer viol\u00eancia na favela. Tinha que botar a cara. A gente tinha medo sim, mas sonhava com liberdade.&#8221; \u2014 C\u00e9lia Fernandes<\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>O <em>Favel\u00e3o<\/em> Ainda Est\u00e1 A\u00ed, Mas Diferente<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Dezembro-de-1982-edicao-no-8.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61058\" title=\"Artigo 'Em 1888, 1982 Querem o Negro na Cozinha'\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Dezembro-de-1982-edicao-no-8-620x422.png\" alt=\"Artigo 'Em 1888, 1982 Querem o Negro na Cozinha'\" width=\"500\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Dezembro-de-1982-edicao-no-8-620x422.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Dezembro-de-1982-edicao-no-8.png 714w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>Apesar do <em>Favel\u00e3o<\/em> seguir em atividade em formato impresso, de acordo com informa\u00e7\u00e3o do <em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3N6TNyT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Almanaque da Comunica\u00e7\u00e3o Sindical e Popular do Rio de Janeiro<\/a><\/em>, o projeto original com participa\u00e7\u00e3o ativa e protagonista dos moradores de favelas chegou ao fim na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 26, em 1986.<\/p>\n<p>O motivo foi o fim do apoio financeiro da Funda\u00e7\u00e3o Ford, al\u00e9m de mudan\u00e7as nas diretrizes da linha editorial do jornal. &#8220;N\u00e3o se sabe ao certo o n\u00famero de tiragens do jornal <em>Favel\u00e3o<\/em>&#8220;, conforme informa\u00e7\u00e3o levantada pelo NPC em 2021.<\/p>\n<p>A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do <em>Favel\u00e3o<\/em> a qual tivemos acesso foi em novembro de 2015. O jornal era publicado em quatro p\u00e1ginas\u2014uma folha de A3 dobrada ao meio\u2014e tinha distribui\u00e7\u00e3o extremamente irregular.<\/p>\n<hr \/>\n<h4><b data-stringify-type=\"bold\">Apoie nossos esfor\u00e7os para fornecer apoio estrat\u00e9gico \u00e0s favelas do Rio, incluindo o jornalismo hiperlocal, cr\u00edtico, inovador e incans\u00e1vel do\u00a0<\/b><b data-stringify-type=\"bold\"><i data-stringify-type=\"italic\">RioOnWatch<\/i><\/b>\u2014<a class=\"c-link\" href=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-stringify-link=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" data-sk=\"tooltip_parent\">doe aqui<\/a>.<\/h4>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Favel\u00e3o\u2014A Voz dos Favelados, jornal da d\u00e9cada de 1980 guarda a mem\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das favelas do Rio de Janeiro e da resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios contra as remo\u00e7\u00f5es. <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\" title=\"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":165,"featured_media":61109,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"template-full.php","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1621,1632,1625,1613,342],"tags":[3253,630,332,217,645,1530,421,2761,1454,3143,424,88,316,480,539,42,1372,128,2548,607,636,285,86,2928,2411,1840,14,16,492,1344,354,920,52,218,184,383],"writer":[2800],"translator":[],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-60951","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaque","8":"category-pesquisa-e-analise","9":"category-por-correspondentes-comunitarios","10":"category-midia-comunitaria","11":"category-solucoes","12":"tag-antirracismo","13":"tag-chapeu-mangueira","14":"tag-complexo-da-mare","15":"tag-complexo-do-alemao","16":"tag-complexo-do-lins","17":"tag-midia-comunitaria","18":"tag-cultura-da-favela","19":"tag-direito-a-agua","20":"tag-direito-a-comunicacao","21":"tag-direito-a-favela","22":"tag-direito-a-moradia","23":"tag-direitos-humanos","24":"tag-educacao","25":"tag-eleitoreiro","26":"tag-faferj","27":"tag-genero","28":"tag-grande-rio","29":"tag-historia","30":"tag-igreja-catolica","31":"tag-mangueira","32":"tag-manguinhos","33":"tag-parada-de-lucas","34":"tag-pastoral-de-favelas","35":"tag-pcb","36":"tag-pdt","37":"tag-pt","38":"tag-remocao","39":"tag-rocinha","40":"tag-saneamento","41":"tag-serie-comunicacao-comunitaria","42":"tag-vidigal","43":"tag-violencia-de-estado","44":"tag-violencia-policial","45":"tag-zona-norte","46":"tag-zona-oeste","47":"tag-zona-sul","48":"writer-tatiana-lima"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo - RioOnWatch<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo - RioOnWatch\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Click Here for English Favel\u00e3o\u2014A Voz dos Favelados, jornal da d\u00e9cada de 1980 guarda a mem\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das favelas do Rio de Janeiro e da resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios contra as remo\u00e7\u00f5es. [...]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"RioOnWatch\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2022-03-31T14:34:06+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-04-14T13:00:30+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"670\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"241\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Tatiana Lima\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Tatiana Lima\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\"},\"author\":{\"name\":\"Tatiana Lima\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551\"},\"headline\":\"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo\",\"datePublished\":\"2022-03-31T14:34:06+00:00\",\"dateModified\":\"2026-04-14T13:00:30+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\"},\"wordCount\":3503,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png\",\"keywords\":[\"Antirracismo\",\"Chap\u00e9u Mangueira\",\"Complexo da Mar\u00e9\",\"Complexo do Alem\u00e3o\",\"Complexo do Lins\",\"Comunica\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria\",\"cultura da favela\",\"direito \u00e0 \u00e1gua\",\"direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o\",\"Direito \u00e0 favela\",\"Direito \u00e0 Moradia\",\"Direitos Humanos\",\"educa\u00e7\u00e3o\",\"eleitoralismo\",\"FAFERJ\",\"g\u00eanero\",\"Grande Rio\",\"hist\u00f3ria\",\"Igreja Cat\u00f3lica\",\"Mangueira\",\"Manguinhos\",\"Parada de Lucas\",\"Pastoral das Favelas\",\"PCB\",\"PDT\",\"PT\",\"Remo\u00e7\u00e3o\",\"Rocinha\",\"saneamento\",\"S\u00e9rie: Perfis de M\u00eddia Comunit\u00e1ria\",\"Vidigal\",\"viol\u00eancia de Estado\",\"viol\u00eancia policial\",\"Zona Norte\",\"Zona Oeste\",\"Zona Sul\"],\"articleSection\":[\"*Destaque\",\"Dados e Pesquisa\",\"Escrito por Comunicadores Populares\",\"M\u00eddia Comunit\u00e1ria\",\"Solu\u00e7\u00f5es\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\",\"name\":\"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo - RioOnWatch\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png\",\"datePublished\":\"2022-03-31T14:34:06+00:00\",\"dateModified\":\"2026-04-14T13:00:30+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png\",\"width\":670,\"height\":241,\"caption\":\"Jornal Favel\u00e3o - A Voz dos Favelados\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/\",\"name\":\"RioOnWatch\",\"description\":\"relatos das favelas cariocas\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization\",\"name\":\"RioOnWatch\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png\",\"width\":779,\"height\":277,\"caption\":\"RioOnWatch\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551\",\"name\":\"Tatiana Lima\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g\",\"caption\":\"Tatiana Lima\"},\"url\":\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?author=165\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo - RioOnWatch","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo - RioOnWatch","og_description":"Click Here for English Favel\u00e3o\u2014A Voz dos Favelados, jornal da d\u00e9cada de 1980 guarda a mem\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das favelas do Rio de Janeiro e da resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios contra as remo\u00e7\u00f5es. [...]","og_url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951","og_site_name":"RioOnWatch","article_published_time":"2022-03-31T14:34:06+00:00","article_modified_time":"2026-04-14T13:00:30+00:00","og_image":[{"width":670,"height":241,"url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png","type":"image\/png"}],"author":"Tatiana Lima","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Tatiana Lima","Est. tempo de leitura":"15 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951"},"author":{"name":"Tatiana Lima","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551"},"headline":"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo","datePublished":"2022-03-31T14:34:06+00:00","dateModified":"2026-04-14T13:00:30+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951"},"wordCount":3503,"publisher":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png","keywords":["Antirracismo","Chap\u00e9u Mangueira","Complexo da Mar\u00e9","Complexo do Alem\u00e3o","Complexo do Lins","Comunica\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria","cultura da favela","direito \u00e0 \u00e1gua","direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o","Direito \u00e0 favela","Direito \u00e0 Moradia","Direitos Humanos","educa\u00e7\u00e3o","eleitoralismo","FAFERJ","g\u00eanero","Grande Rio","hist\u00f3ria","Igreja Cat\u00f3lica","Mangueira","Manguinhos","Parada de Lucas","Pastoral das Favelas","PCB","PDT","PT","Remo\u00e7\u00e3o","Rocinha","saneamento","S\u00e9rie: Perfis de M\u00eddia Comunit\u00e1ria","Vidigal","viol\u00eancia de Estado","viol\u00eancia policial","Zona Norte","Zona Oeste","Zona Sul"],"articleSection":["*Destaque","Dados e Pesquisa","Escrito por Comunicadores Populares","M\u00eddia Comunit\u00e1ria","Solu\u00e7\u00f5es"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951","name":"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo - RioOnWatch","isPartOf":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png","datePublished":"2022-03-31T14:34:06+00:00","dateModified":"2026-04-14T13:00:30+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#primaryimage","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png","contentUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jornal-Favelao-A-Voz-dos-Favelados-e1648140562839.png","width":670,"height":241,"caption":"Jornal Favel\u00e3o - A Voz dos Favelados"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=60951#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Favel\u00e3o: Voz Pol\u00edtica e Jornalismo Comunit\u00e1rio \u00e0 Frente de Seu Tempo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#website","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/","name":"RioOnWatch","description":"relatos das favelas cariocas","publisher":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#organization","name":"RioOnWatch","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png","contentUrl":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/RioOnWatchcabecalhoPT11anos-2.png","width":779,"height":277,"caption":"RioOnWatch"},"image":{"@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/8fde974ee24e219acc413d63393ec551","name":"Tatiana Lima","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5fb587d000e124a9d6aae50aec42d39e?s=96&d=blank&r=g","caption":"Tatiana Lima"},"url":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?author=165"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60951"}],"collection":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/165"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=60951"}],"version-history":[{"count":43,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60951\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78328,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60951\/revisions\/78328"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/61109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=60951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=60951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=60951"},{"taxonomy":"writer","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fwriter&post=60951"},{"taxonomy":"translator","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftranslator&post=60951"},{"taxonomy":"source","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fsource&post=60951"},{"taxonomy":"ilustrador","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Filustrador&post=60951"},{"taxonomy":"fotografo","embeddable":true,"href":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ffotografo&post=60951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}