{"id":61219,"date":"2022-05-11T10:01:21","date_gmt":"2022-05-11T13:01:21","guid":{"rendered":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=61219"},"modified":"2024-05-24T12:29:33","modified_gmt":"2024-05-24T15:29:33","slug":"depois-de-cinco-anos-situacao-de-refugiados-congoleses-em-duque-de-caxias-pouco-mudou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=61219","title":{"rendered":"Depois de Cinco Anos, Situa\u00e7\u00e3o de Refugiados Congoleses em Duque de Caxias Pouco Mudou"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pz12oU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Click Here for English<\/a><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3pz12oU\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" width=\"20\" height=\"20\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2017, a prefeitura de <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2KMwrB3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Duque de Caxias<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> criou a Divis\u00e3o de Assuntos Especiais (DAE) no departamento da <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3wUwMK3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social e Direitos Humanos de Caxias<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, fundado especialmente para atender cerca de <\/span><a href=\"https:\/\/glo.bo\/2yrVSj1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">60 fam\u00edlias de refugiados africanos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que, segundo a entidade cat\u00f3lica <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2iiXcRn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">C\u00e1ritas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, se encontravam pelas ruas do bairro de <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/2XpU7E1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gramacho<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> desde o in\u00edcio de 2014. Em 2017, o <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2xNUyFj\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">RioOnWatch <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">conversou com duas mulheres em busca de ref\u00fagio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> moradoras de Gramacho, Dorcas Marta Lituanga, vinda de <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3mpWhf2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Angola<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, e Christine Kamba, do <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/2wklG4f\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Congo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, sobre como tinha sido o processo de imigra\u00e7\u00e3o e ref\u00fagio, al\u00e9m de como estava sendo a adapta\u00e7\u00e3o delas em solo brasileiro. Cinco anos depois, conseguimos conversar novamente com Christine, hoje com 32 anos, que relata o que houve desde ent\u00e3o. Conhecemos tamb\u00e9m o congol\u00eas Makela Mbla Salazar, fisioterapeuta de 31 anos, morador de Caxias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Christine disse que nos \u00faltimos quatro anos havia conseguido do governo brasileiro apenas um protocolo de imigrante. O processo de renova\u00e7\u00e3o desse documento, chamado Documento Provis\u00f3rio de Registro Nacional Migrat\u00f3rio (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tOkJvS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DPRNM<\/a>), \u00e9 expedido pela Pol\u00edcia Federal (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/39KEvir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PF<\/a>) e dura enquanto tramitar o pedido junto ao Comit\u00ea Nacional para Refugiados (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/36I6H66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CONARE<\/a>). Segundo o site do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/36X1yH3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a>, a autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia \u00e9 concedida ao imigrante que pretenda trabalhar ou residir, estabelecendo-se tempor\u00e1ria ou definitivamente no Brasil, desde que se satisfa\u00e7am as exig\u00eancias de car\u00e1ter especial, previstas na Lei de Migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a regulariza\u00e7\u00e3o da sua condi\u00e7\u00e3o enquanto refugiado, cuja avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 anual, d\u00favidas, tais como <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a inclus\u00e3o de toda a fam\u00edlia em programas governamentais de habita\u00e7\u00e3o, por exemplo, podem ser consultadas nas Defensorias P\u00fablicas locais, onde<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> diversos direitos podem ser consolidados. Dentre eles, receber toda a documenta\u00e7\u00e3o assegurada pela legisla\u00e7\u00e3o como o Registro Nacional de Estrangeiros (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/37bEi8y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">RNE<\/a>), Cadastro de Pessoa F\u00edsica (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3NNv2rT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPF<\/a>), carteira de trabalho e passaporte para estrangeiro (no caso de viagens previamente autorizadas pelo CONAR), al\u00e9m de requerer a perman\u00eancia ap\u00f3s ter vivido quatro anos no pa\u00eds na condi\u00e7\u00e3o de refugiado e moradia fixa. Entretanto, Christine afirmou que nunca foi chamada por nenhum departamento especializado da PF para que fosse avaliada e, assim, passasse para a condi\u00e7\u00e3o de refugiada.<\/span><\/p>\n<h3><b>Amea\u00e7as de Poss\u00edveis Milicianos<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com os dois filhos nascidos no Brasil e, portanto, brasileiros, de 6 e 3 anos, Christine relatou que seu marido, o tamb\u00e9m congol\u00eas Mbuta Kuwa, de 42 anos, teve muitas dificuldades para obter o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">DPRNM<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Christine contou que Mbuta, ao conseguir emprego em um posto de gasolina, teve de fugir de uma tentativa de agress\u00e3o quando um cliente quis usar o banheiro e o mesmo encontrava-se interditado. Era 5 de maio de 2019 quando a pol\u00edcia foi chamada para impedir que o pior acontecesse. Segundo o que disse o marido, o cliente teria ficado mais violento ao saber que Kuwa era refugiado. Christine pensou que, pela atitude agressiva do cliente, ele pudesse ser miliciano. O congol\u00eas chegou a fazer um boletim de ocorr\u00eancia em uma delegacia pr\u00f3xima, mas foi \u201caconselhado\u201d a retirar a acusa\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu e ele ficamos com muito medo, pois o posto de gasolina tinha os nossos telefones e o endere\u00e7o de onde mor\u00e1vamos. A tentativa de agress\u00e3o foi registrada pelo circuito interno do posto, mas a ger\u00eancia se recusou a entregar as imagens para a pol\u00edcia. Os donos do posto ainda obrigaram meu esposo a se demitir\u201d, disse Christine Kamba.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E n\u00e3o parou por a\u00ed.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDuas semanas depois, o propriet\u00e1rio do apartamento onde est\u00e1vamos em Gramacho, disse que pessoas estranhas estavam procurando Kuwa, inclusive mostrando fotos dele. Pareciam milicianos\u201d, reafirmou Christine.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Christine-Kamba-hoje-com-32-anos-deixou-o-Brasil-com-seu-marido-tambem-congoles-e-seus-dois-filhos-brasileiros-para-se-refugiar-no-Canada-onde-se-sentem-realmente-acolhidos..jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-61227\" title=\"Christine Kamba, hoje com 32 anos, deixou o Brasil com seu marido tamb\u00e9m congol\u00eas e seus dois filhos brasileiros para se refugiar no Canad\u00e1, lugar onde se sentem realmente acolhidos.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Christine-Kamba-hoje-com-32-anos-deixou-o-Brasil-com-seu-marido-tambem-congoles-e-seus-dois-filhos-brasileiros-para-se-refugiar-no-Canada-onde-se-sentem-realmente-acolhidos..jpeg\" alt=\"Christine Kamba, hoje com 32 anos, deixou o Brasil com seu marido tamb\u00e9m congol\u00eas e seus dois filhos brasileiros para se refugiar no Canad\u00e1, lugar onde se sentem realmente acolhidos.\" width=\"670\" height=\"848\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Christine-Kamba-hoje-com-32-anos-deixou-o-Brasil-com-seu-marido-tambem-congoles-e-seus-dois-filhos-brasileiros-para-se-refugiar-no-Canada-onde-se-sentem-realmente-acolhidos..jpeg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Christine-Kamba-hoje-com-32-anos-deixou-o-Brasil-com-seu-marido-tambem-congoles-e-seus-dois-filhos-brasileiros-para-se-refugiar-no-Canada-onde-se-sentem-realmente-acolhidos.-490x620.jpeg 490w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Christine-Kamba-hoje-com-32-anos-deixou-o-Brasil-com-seu-marido-tambem-congoles-e-seus-dois-filhos-brasileiros-para-se-refugiar-no-Canada-onde-se-sentem-realmente-acolhidos.-497x629.jpeg 497w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje morando na prov\u00edncia de Qu\u00e9bec, no Canad\u00e1, Christine afirma que se sente mais segura. Segundo ela, o \u00f3rg\u00e3o que monitora a entrada e a perman\u00eancia de refugiados no pa\u00eds zela pelo bem-estar dos novos habitantes e n\u00e3o se concentra somente em uma vigil\u00e2ncia opressora.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s temos dignidade e respeito aqui [no Canad\u00e1]. Alugo uma casa de tr\u00eas quartos trabalhando como cuidadora de idosos.\u201d \u2014 Christine Kamba<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A congolesa, m\u00e3e de dois brasileiros, disse que pretende, a partir dessa experi\u00eancia no Canad\u00e1, seguir carreira como enfermeira, seu grande sonho.<\/span><\/p>\n<h3><b>&#8220;Racismo do Racismo&#8221; e Xenofobia\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Makela Mbla Salazar, 31 anos, nascido em <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3IRaHhC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Kinshasa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, capital da <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/35MHpTM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, estudou e se formou em fisioterapia. Contudo, apesar da forma\u00e7\u00e3o como fisioterapeuta, trabalha h\u00e1 quatro anos em um hortifruti tamb\u00e9m em Duque de Caxias. O fisioterapeuta congol\u00eas ama futebol e torce para o clube de futebol <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/36yWXvd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">TP Mazembe<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, da prov\u00edncia de <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3JWKzn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lubumbashi<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. O time chegou a disputar o <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3uHWBKN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mundial de Clubes da FIFA<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, chegando \u00e0s finais duas vezes.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Makela-Mbla-Salazar-31-anos-nascido-em-Kinshasa-capital-da-Republica-Democratica-do-Congo-estudou-e-se-formou-em-fisioterapia.-scaled.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-61226\" title=\"Makela Mbla Salazar, 31 anos, nascido em Kinshasa, capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, estudou e se formou em fisioterapia. A persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica perpetrada pelo presidente Joseph Kabila fez Salazar se tornar um refugiado.\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Makela-Mbla-Salazar-31-anos-nascido-em-Kinshasa-capital-da-Republica-Democratica-do-Congo-estudou-e-se-formou-em-fisioterapia.-scaled.jpg\" alt=\"Makela Mbla Salazar, 31 anos, nascido em Kinshasa, capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, estudou e se formou em fisioterapia. 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O candidato de Makela era <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tWIl1r\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mo\u00efse Katumbi<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, rival de Kabila, que n\u00e3o foi eleito por ter sido acusado de tramar um golpe contra o atual governo. Katumbi foi chamado para prestar explica\u00e7\u00f5es \u00e0 Justi\u00e7a congolesa, <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3NyQS2x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">foi preso e expulso da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. In\u00fameros outros opositores pol\u00edticos de Joseph Kabila, como Makela, foram presos e se refugiaram em outros pa\u00edses. Contudo, in\u00fameros que n\u00e3o tiveram meios de sair ou que escolheram permanecer no Congo foram presos como golpistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA minha sorte \u00e9 que conhecia algumas pessoas da pol\u00edcia que me avisaram que, se eu n\u00e3o conseguisse sair do pa\u00eds, eu seria morto\u201d, explica Makela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Gra\u00e7as a subornos, os guardas ajudaram na fuga dos oposicionistas. Foram para o pa\u00eds vizinho, Qu\u00eania, e de l\u00e1 para a \u00c1frica do Sul. O jovem viajou clandestinamente a bordo de \u201cum navio cheio de cont\u00eaineres\u201d, como ele descreve, por 28 dias sem saber para onde estava indo. Acabou desembarcando no porto de Santos, em S\u00e3o Paulo, sem saber uma palavra de portugu\u00eas e sem ter destino. Para sair do barco e n\u00e3o ser confundido com um clandestino, um dos funcion\u00e1rios do navio lhe emprestou um colete salva-vidas. Um outro aconselhou ele a ir para o Rio, pois conhecia um centro de acolhimento para estrangeiros em situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 de Makela. Um terceiro pagou a passagem de \u00f4nibus para a rodovi\u00e1ria Novo Rio, onde dormiu por alguns dias. Por l\u00e1, foi confundido com um mendigo, at\u00e9 que uma pessoa percebeu a dificuldade de se comunicar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele foi levado para a C\u00e1ritas Internacional, cuja sede no Rio fica no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1VpTl1k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maracan\u00e3<\/a>. Depois de quatro horas de espera, o fisioterapeuta foi informado que n\u00e3o havia vagas na unidade de abrigo provis\u00f3rio para onde deveria ser mandado. Ele ficaria em um outro abrigo, na Central do Brasil, cujos ocupantes eram, em sua grande maioria, moradores de rua. Depois de tantas desventuras, atrasos, esperas e burocracia, Makela conseguiu grande parte da documenta\u00e7\u00e3o para regularizar resid\u00eancia fixa no Brasil em 2020. Ainda lhe falta a autoriza\u00e7\u00e3o para exercer a fisioterapia, sua profiss\u00e3o de origem. Como todos seus documentos ficaram no Congo, Makela vai ter que come\u00e7ar sua educa\u00e7\u00e3o de novo, do zero. Ele vai terminar o supletivo e ingressar na faculdade pelo Enem.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como tantos refugiados congoleses e de outras nacionalidades africanas, Makela conviveu com o subemprego, a informalidade e jornadas extenuantes de trabalho. Por\u00e9m, o que mais doeu em todo esse trajeto foi o preconceito racial que sofreu de seus pr\u00f3prios colegas de trabalho negros. Isso aconteceu no hortifruti em que trabalhava. Ele afirma que se surpreendeu com tantos epis\u00f3dios de racismo xenof\u00f3bico infligidos por quem, historicamente, sempre sofreu na pele o racismo, os negros brasileiros.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDurante muito tempo eu almo\u00e7ava sozinho. As pessoas me olhavam com desconfian\u00e7a. Ningu\u00e9m queria sentar perto de mim, s\u00f3 porque eu sou africano. Perguntavam pra mim que animais de estima\u00e7\u00e3o eu deixei na \u00c1frica, se eu tinha um elefante, se eu morava dentro do mato. Parece que h\u00e1 um complexo de inferioridade, que eu, enquanto estrangeiro, estou querendo roubar os empregos de brasileiros. Mas preciso sobreviver tamb\u00e9m. Nunca trabalhei em supermercado, mas queria aprender! Foi como sofrer o racismo do racismo.\u201d \u2014 Makela Mbla Salazar\u00a0 \u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao desembarcar no Brasil, Makela havia ficado mais de um ano incomunic\u00e1vel com a fam\u00edlia. O pai chegou a pensar que o filho estivesse morto, pois em regi\u00f5es de conflito, muitas pessoas desaparecem e nunca mais voltam. Algum tempo depois, a morte atravessaria mais uma vez o caminho da comunidade congolesa e de Makela. Seu conhecido <a href=\"https:\/\/bit.ly\/35PmhMF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mo\u00efse Kabagambe<\/a>, que veio para o Brasil em 2014 com a m\u00e3e e os irm\u00e3os, tamb\u00e9m como refugiado pol\u00edtico, para fugir da guerra e da fome, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">foi assassinado<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> na Praia da <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/2UVrwlZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Barra da Tijuca<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, Zona Oeste<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Trabalhava em um quiosque perto do Posto 8. L\u00e1 ele recebia por di\u00e1ria. Ao cobrar dois dias de trabalho n\u00e3o pagos, foi brutalmente espancado at\u00e9 a morte em um crime de repercuss\u00e3o internacional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cConheci o Mo\u00efse em uma festa que comemorava a independ\u00eancia do Congo, em 30 de junho. Estive com ele pelo menos umas 20 vezes desde que cheguei aqui no Rio. Ele era um rapaz que todo mundo gostava, muito animado. Toda festa que tinha, ele era muito bem visto\u201d, diz Makela.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mariza Reis Almeida, da organiza\u00e7\u00e3o Assist\u00eancia Social da Par\u00f3quia Santo Ant\u00f4nio (<\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3uHK5Lb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">ASPAS<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), em Duque de Caxias, institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pela assist\u00eancia \u00e0s pessoas refugiadas na <\/span><a href=\"http:\/\/bit.ly\/32JVvht\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Baixada Fluminense<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, tamb\u00e9m foi entrevistada em 2017. Ela reconhece que encaminhar os refugiados, especialmente os de origem africana, para empregos menos subalternizantes \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil. Embora existam atividades como oficinas de elabora\u00e7\u00e3o de curr\u00edculo e de como participar de entrevistas de emprego, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es referentes a contrata\u00e7\u00f5es e processos seletivos divulgadas por WhatsApp, a educadora afirma que, com a pandemia, houve interrup\u00e7\u00e3o dos atendimentos presenciais, o que s\u00f3 dificultou atender \u00e0 demanda dos refugiados africanos por trabalhos mais qualificados.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><b>\u00a0<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cExistem v\u00e1rias barreiras, come\u00e7ando pelo idioma, um elemento complicador na comunica\u00e7\u00e3o em uma entrevista de emprego, pois envolve, entre outras diretrizes, a explica\u00e7\u00e3o sobre que fun\u00e7\u00e3o desempenhar.\u201d \u2014 Mariza Reis Almeida<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela tamb\u00e9m afirma que as empresas n\u00e3o costumam facilitar na hora do acolhimento. S\u00e3o locais que possuem extrema dificuldade em lidar com a diversidade de novos empregados. N\u00e3o h\u00e1 entendimento sobre a especificidade de determinados tipos de documentos que contemplam estrangeiros em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio. Para complicar ainda mais, h\u00e1 desconhecimento sobre a legisla\u00e7\u00e3o que protege os refugiados e muita desconfian\u00e7a sobre as causas de como os estrangeiros foram parar no pa\u00eds. Esses refugiados t\u00eam direitos negados, s\u00e3o criminalizados e recorrentemente se tornam v\u00edtimas da xenofobia e do racismo brasileiros.<\/span><\/p>\n<p><em>Mat\u00e9ria escrita por Fabio Leon\u00a0e produzida por parceria entre RioOnWatch e o\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2uOOkXZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">F\u00f3rum Grita Baixada<\/a>. Fabio \u00e9 jornalista e ativista dos direitos humanos e assessor de comunica\u00e7\u00e3o no F\u00f3rum Grita Baixada. O F\u00f3rum Grita Baixada \u00e9 uma coaliza\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es e pessoas da sociedade civil articuladas em prol de iniciativas voltadas aos direitos humanos e a seguran\u00e7a p\u00fablica, tendo na Baixada Fluminense seu olhar e seu territ\u00f3rio de a\u00e7\u00e3o. Siga o F\u00f3rum Grita Baixada pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2vwxO06\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h4><b data-stringify-type=\"bold\">Apoie nossos esfor\u00e7os para fornecer apoio estrat\u00e9gico \u00e0s favelas do Rio, incluindo o jornalismo hiperlocal, cr\u00edtico, inovador e incans\u00e1vel do\u00a0<\/b><b data-stringify-type=\"bold\"><i data-stringify-type=\"italic\">RioOnWatch<\/i><\/b>\u2014<a class=\"c-link\" href=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-stringify-link=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" data-sk=\"tooltip_parent\">doe aqui<\/a>.<\/h4>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Em 2017, a prefeitura de Duque de Caxias criou a Divis\u00e3o de Assuntos Especiais (DAE) no 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