{"id":81316,"date":"2026-04-30T20:12:10","date_gmt":"2026-04-30T23:12:10","guid":{"rendered":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=81316"},"modified":"2026-05-05T20:51:36","modified_gmt":"2026-05-05T23:51:36","slug":"favelas-assentamentos-informais-basta-chama-las-de-cidades-homegrown","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=81316","title":{"rendered":"Favelas? Assentamentos Informais? Basta Cham\u00e1-las de &#8216;Homegrown&#8217;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_81321\" aria-describedby=\"caption-attachment-81321\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg.webp\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-81321 size-full\" title=\"No bairro de Dharavi, em Mumbai, na \u00cdndia, novos arranha-c\u00e9us residenciais se erguem sobre constru\u00e7\u00f5es mais antigas. Fot\u00f3grafo: Dhiraj Singh\/Bloomberg\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg.webp\" alt=\"No bairro de Dharavi, em Mumbai, na \u00cdndia, novos arranha-c\u00e9us residenciais se erguem sobre constru\u00e7\u00f5es mais antigas. 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Fot\u00f3grafo: Dhiraj Singh\/Bloomberg<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4tSTnli\" rel=\"noopener\"><em><strong>Click Here for English<\/strong><\/em><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" width=\"20\" height=\"20\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Leia a mat\u00e9ria original por Feargus O\u2019Sullivan, em ingl\u00eas, na Bloomberg\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/4tSTnli\">aqui<\/a>. <\/em><em>O RioOnWatch traduz mat\u00e9rias do ingl\u00eas para que brasileiros possam ter acesso e acompanhar temas ou an\u00e1lises cobertos fora do pa\u00eds, que nem sempre s\u00e3o cobertos no Brasil.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em representa\u00e7\u00f5es de cidades em desenvolvimento, uma imagem marcante se repete: uma paisagem urbana onde arranha-c\u00e9us reluzentes se justap\u00f5em a moradias improvisadas em territ\u00f3rios precarizados. A foto pode ter sido tirada em S\u00e3o Paulo, Mumbai ou Jacarta, mas os contrastes que ilustra s\u00e3o os mesmos em todo o mundo: entre a cidade moderna, rica e organizada e as favelas sujas e ca\u00f3ticas, no que parece ser outra \u00e9poca, que amea\u00e7am sufoc\u00e1-la.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora seja inquestion\u00e1vel que tais lugares existam, os contrastes que ilustram podem ser <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2x39npy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">enganosos e at\u00e9 nocivos<\/a>, argumentam os autores de um novo livro. Em <em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4s13Sl3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users<\/a><\/em> (A Cidade &#8216;Homegrown&#8217;: Reivindicando a Metr\u00f3pole para seus Usu\u00e1rios), <a href=\"https:\/\/bit.ly\/47sCcNL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Matias Echanove<\/a> e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/40YMD88\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rahul Srivastava<\/a> refletem sobre 18 anos de atua\u00e7\u00e3o como cofundadores do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4up5iYk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escrit\u00f3rio de design urbz<\/a>, com sede em Mumbai, que tem se dedicado a abordagens participativas e lideradas por cidad\u00e3os para o aprimoramento urbano em Mumbai e em outras cidades globais.<\/span><\/p>\n<blockquote><p>Homegrown = termo afetivo em ingl\u00eas para <em>algo<\/em> <em>cuidadosamente cultivado a partir da pr\u00f3pria terra ou territ\u00f3rio, surgido organicamente<\/em>.<\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_81325\" aria-describedby=\"caption-attachment-81325\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Reclaimning-Fonte-verso-books.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-81325\" title=\"Capa do livro 'The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users' (A Cidade 'Autoconstru\u00edda': Reivindicando a Metr\u00f3pole para seus Usu\u00e1rios). Fonte: Verso Books\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Reclaimning-Fonte-verso-books-401x620.webp\" alt=\"Capa do livro 'The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users' (A Cidade 'Autoconstru\u00edda': Reivindicando a Metr\u00f3pole para seus Usu\u00e1rios). Fonte: Verso Books\" width=\"300\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Reclaimning-Fonte-verso-books-401x620.webp 401w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Reclaimning-Fonte-verso-books-971x1500.webp 971w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Reclaimning-Fonte-verso-books-768x1187.webp 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Reclaimning-Fonte-verso-books-994x1536.webp 994w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Reclaimning-Fonte-verso-books.webp 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-81325\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro <em>The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users<\/em>\u00a0(A Cidade &#8216;Homegrown&#8217;: Reivindicando a Metr\u00f3pole para seus Usu\u00e1rios). Fonte: Verso Books<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em vez de serem inerentemente ca\u00f3ticos e indesej\u00e1veis, o livro sustenta que bairros informais\u2014um termo que os pr\u00f3prios autores rejeitam\u2014possuem um complexo equil\u00edbrio. Longe da aus\u00eancia de planejamento, s\u00e3o, na verdade, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4u9Q9K5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">microplanejados<\/a>\u2014com edif\u00edcios e tecido urbano sujeitos a ajustes e revis\u00f5es constantes, \u00e0 medida que as <a href=\"https:\/\/bit.ly\/48keqmM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">necessidades e circunst\u00e2ncias dos moradores<\/a> mudam. Embora frequentemente care\u00e7am de infraestrutura ou seguran\u00e7a de posse, sua acessibilidade econ\u00f4mica e adaptabilidade d\u00e3o a seus moradores um <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3aY4PCT\">ponto de apoio na cidade<\/a>\u2014o que, de outra forma, n\u00e3o teriam. Al\u00e9m disso, esses territ\u00f3rios fornecem servi\u00e7os sem os quais os arranha-c\u00e9us que se imp\u00f5em sobre eles teriam dificuldade para funcionar. Em vez de serem removidos, esses bairros poderiam fornecer <a href=\"https:\/\/bit.ly\/1KGbf9K\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">modelos globais para um urbanismo<\/a> mais humano e sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4lokosN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bloomberg CityLab<\/a> conversou com Echanove e Srivastava para discutir o livro, o trabalho da urbz e o porqu\u00ea de a Mumbai contempor\u00e2nea se assemelhar muito mais \u00e0 Paris do s\u00e9culo XVI ou ao Jap\u00e3o do p\u00f3s-guerra do que imaginamos. A conversa foi editada para maior concis\u00e3o e clareza.<\/span><\/p>\n<p><strong>O termo \u201cslum\u201d vem sendo <a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=15401\">cada vez mais rejeitado<\/a> como forma de descrever os bairros urbanos de baixa renda e sem planejamento formal, como aqueles com que a urbz costuma trabalhar, por ser pejorativo e altamente subjetivo. Voc\u00eas tamb\u00e9m rejeitam o mais ameno \u201cbairro informal\u201d, preferindo cham\u00e1-los de \u201chomegrown\u201d [termo em ingl\u00eas para algo cuidadosamente cultivado a partir da pr\u00f3pria terra ou territ\u00f3rio, surgido organicamente]. Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Rahul Srivastava:<\/strong> \u201c<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1vO09ZG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Slum<\/a>\u201d incorpora um julgamento por parte de quem usa o termo. Trata-se, na verdade, de perceber um lugar como desordenado, ca\u00f3tico ou problem\u00e1tico e, em seguida, insinuar um desejo de apag\u00e1-lo e substitu\u00ed-lo por algo diferente. Usar a palavra \u201c<a href=\"https:\/\/bit.ly\/4bhswqv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">informal<\/a>\u201d remove uma camada do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/1O380uG\">preconceito<\/a> embutido no termo, mas ainda carrega a problem\u00e1tica suposi\u00e7\u00e3o de que essas \u00e1reas s\u00e3o desorganizadas e precisam ser removidas para dar lugar a algo \u201cformal\u201d, ao mesmo tempo que deixa incontestado o conceito de formalidade.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_81394\" aria-describedby=\"caption-attachment-81394\" style=\"width: 1334px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-81394 size-full\" title=\"Rahul e Matias. Foto: Quentin Chevrier\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier.jpg\" alt=\"Rahul e Matias. Foto: Quentin Chevrier\" width=\"1334\" height=\"1370\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier.jpg 1334w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier-604x620.jpg 604w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier-768x789.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1334px) 100vw, 1334px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-81394\" class=\"wp-caption-text\">Rahul e Matias. Foto: Quentin Chevrier<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Matias Echanove:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> As qualidades incorporadas ao conceito de \u201chomegrown\u201d n\u00e3o se limitam a assentamentos pobres. Vemos o \u201chomegrown\u201d em qualquer lugar onde o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3KmFJEZ\">crescimento \u00e9 gradual e com ra\u00edzes locais<\/a>. Na verdade, isso reflete a propens\u00e3o humana de criar nossos pr\u00f3prios habitats. Por exemplo, os <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tSzDUm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">centros hist\u00f3ricos das cidades europeias<\/a> s\u00e3o, em grande medida, <em>homegrown<\/em>. Hoje, o processo de cria\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o do nosso pr\u00f3prio habitat \u00e9 ativamente reprimido na Europa e nos EUA, onde os departamentos de planejamento urbano e o mercado imobili\u00e1rio nos transformaram em consumidores passivos de casas e ambientes urbanos.<\/span><\/p>\n<p><strong>Por que chamar esses lugares de \u201chomegrown\u201d quando na verdade s\u00e3o erguidos por profissionais?<\/strong><\/p>\n<p><b>ME: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Isso \u00e9 algo que pessoas de fora n\u00e3o costumam saber\u2014que constru\u00e7\u00f5es em contextos como este em Mumbai e em outros lugares s\u00e3o, de fato, projetadas e constru\u00eddas por profissionais, mesmo que estes o fa\u00e7am sem elaborar suas plantas no papel. A grande diferen\u00e7a do desenvolvimento urbano de cima para baixo, no entanto, \u00e9 que esses construtores est\u00e3o totalmente inseridos em suas comunidades e conhecem bem as condi\u00e7\u00f5es locais, do que seus clientes precisam e suas expectativas. Essas regi\u00f5es, portanto, ainda s\u00e3o em grande parte criadas pela pr\u00f3pria comunidade e dentro dela.<\/span><\/p>\n<p><strong>O que voc\u00eas chamam de bairros <em>homegrown<\/em> est\u00e3o frequentemente reservados para futura demoli\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o. Um exemplo \u00e9 o <a href=\"http:\/\/glo.bo\/4usj9ft\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">distrito de Dharavi, em Mumbai<\/a>, onde voc\u00eas trabalham h\u00e1 muitos anos, que em breve poder\u00e1 se tornar a maior \u00e1rea de reurbaniza\u00e7\u00e3o em terreno j\u00e1 ocupado da \u00cdndia, com a demoli\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o de casas. Embora voc\u00eas reconhe\u00e7am que essas \u00e1reas muitas vezes enfrentam s\u00e9rios desafios em termos de infraestrutura e servi\u00e7os, consideram processos como esse destrutivos. Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><b>RS:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Projetos de desenvolvimento grandiosos e centralizados contrariam o instinto de muitas comunidades onde, historicamente, as pessoas tomaram as r\u00e9deas da constru\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias casas, independentemente dos sistemas habitacionais maiores nos quais estavam inseridos serem controlados pelo Estado, por uma empresa ou por um rei. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o grau de passividade que isso imp\u00f5e: considerando nosso atual estado de crise financeira e ambiental permanente\u2014ligado \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o de recursos\u2014demolir e reconstruir s\u00e3o processos extremamente dispendiosos e prejudiciais, envolvendo gastos desnecess\u00e1rios com materiais e energia.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_81323\" aria-describedby=\"caption-attachment-81323\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-81323 size-full\" title=\"Pedestres num mercado de Mumbai na \u00cdndia. Foto: Dhiraj Singh\/Bloomberg\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India.webp\" alt=\"Pedestres num mercado de Mumbai na \u00cdndia. Foto: Dhiraj Singh\/Bloomberg\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India.webp 1200w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India-620x413.webp 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India-768x512.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-81323\" class=\"wp-caption-text\">Pedestres num mercado de Dharavi em Mumbai na \u00cdndia. Foto: Dhiraj Singh\/<em>Bloomberg<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><b>ME:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> O fato de estarmos alienados do nosso habitat tamb\u00e9m pode tornar o ambiente t\u00f3xico para a nossa sa\u00fade mental, contrariando a nossa necessidade humana b\u00e1sica de nos conectarmos com o outro. N\u00e3o queremos afirmar que as pessoas em lugares como Dharavi sejam mentalmente mais saud\u00e1veis \u200b\u200bdo que em outros lugares, mas na cidade <em>homegrown<\/em> existe um pouco mais de espa\u00e7o para autonomia, o que proporciona um ambiente de vida mais saud\u00e1vel. Nosso trabalho em Dharavi e em outros lugares consiste em reconhecer esse potencial e libert\u00e1-lo.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><strong>Como voc\u00ea observa, a autonomia e a margem de adapta\u00e7\u00e3o nos bairros <em>homegrown<\/em> frequentemente v\u00eam acompanhadas de limita\u00e7\u00f5es significativas em infraestrutura e servi\u00e7os essenciais. \u00c9 realista pensar que essas defici\u00eancias possam ser corrigidas sem comprometer o DNA essencial de um bairro <em>homegrown<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><b>ME:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Com certeza. Usamos <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3juhDqm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">T\u00f3quio<\/a> como modelo\u2014um lugar que se reconstruiu em grande parte de forma <em>homegrown<\/em> ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Quando tentaram melhorar os bairros em T\u00f3quio, adaptaram a infraestrutura ao que j\u00e1 existia, em vez de decidirem que o que estava ali precisava ser eliminado para que a infraestrutura pudesse ser implantada. Isso reflete o que <a href=\"https:\/\/bit.ly\/498PHDa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Patrick Geddes<\/a>, que nos influenciou profundamente, quis dizer ao descrever a adapta\u00e7\u00e3o urbana eficaz como uma &#8220;cirurgia conservadora&#8221;. \u00c0s vezes \u00e9 preciso intervir, abrir as coisas para consert\u00e1-las e melhor\u00e1-las\u2014instalando encanamento, por exemplo, ou melhorando a ventila\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 vital ter cuidado e n\u00e3o destruir o corpo inteiro.<\/span><\/p>\n<p><strong>Seus exemplos de boas e m\u00e1s pr\u00e1ticas abrangem muitos casos relevantes de cidades asi\u00e1ticas. Essas quest\u00f5es t\u00eam paralelos na Europa e na Am\u00e9rica do Norte?<\/strong><\/p>\n<p><b>ME: <\/b>Sim. Nos antigos bairros industriais de Nova York, como <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4tQcRqa\">Williamsburg<\/a> ou <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4cRqyiN\">Red Hook<\/a>, h\u00e1 algum tempo que as pessoas v\u00eam transformando tudo em seus edif\u00edcios, com exce\u00e7\u00e3o da fachada. \u00c9 o mesmo processo de apropria\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o\u2014embora ali o processo tenha sido menos org\u00e2nico e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2wYNOXe\">mais invasivo<\/a>, com o novo crescendo por cima do que j\u00e1 existia. Da mesma forma, pesquisadores americanos j\u00e1 observaram que a chamada informalidade est\u00e1 por toda parte nos sub\u00farbios americanos, porque as pessoas v\u00e3o moldando seus pr\u00f3prios quintais, muitas vezes \u00e0 margem das regulamenta\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que estas eram restritivas e caras demais para serem cumpridas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_82051\" aria-describedby=\"caption-attachment-82051\" style=\"width: 1321px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Partes-de-cidades-como-Napoles.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-82051 size-full\" title=\"Na mat\u00e9ria sobre o livro publicada no Bloomberg CityLab: imagem mostrando partes de cidades como N\u00e1poles, antigamente vistas como favela. Imagem embutida na mat\u00e9ria original por Marco Bottigelli\/Getty\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Partes-de-cidades-como-Napoles.png\" alt=\"Na mat\u00e9ria sobre o livro publicada no Bloomberg CityLab: imagem mostrando partes de cidades como N\u00e1poles, antigamente vistas como favela. Imagem embutida na mat\u00e9ria original por Marco Bottigelli\/Getty\" width=\"1321\" height=\"943\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Partes-de-cidades-como-Napoles.png 1321w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Partes-de-cidades-como-Napoles-620x443.png 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Partes-de-cidades-como-Napoles-768x548.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1321px) 100vw, 1321px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-82051\" class=\"wp-caption-text\">Na mat\u00e9ria sobre o livro publicada no <em>Bloomberg CityLab<\/em>: imagem mostrando partes de cidades como N\u00e1poles, antigamente vistas como favela. Imagem embutida na <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/features\/2026-02-11\/don-t-say-slum-new-book-makes-case-for-the-homegrown-city\">mat\u00e9ria original<\/a> por Marco Bottigelli\/<em>Getty<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><b>ME:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Na Europa, tamb\u00e9m existe um movimento na Fran\u00e7a que defende o direito dos propriet\u00e1rios de promover a densifica\u00e7\u00e3o, dividindo suas casas ou construindo em quintais. H\u00e1 uma consci\u00eancia, em muitos lugares, de que esses processos podem abrir espa\u00e7o para um enorme potencial, de maneira que nosso argumento n\u00e3o \u00e9 necessariamente antimercado ou antipropriedade.<\/span><\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas s\u00e3o praticantes ativos da renova\u00e7\u00e3o urbana\u2014entre outros projetos, est\u00e3o atualmente envolvidos em um projeto no bairro costeiro de Koliwada, em Mumbai, frequentemente descrito como favela. Como a proposta de voc\u00eas difere do tipo de reurbaniza\u00e7\u00e3o total que criticam no livro?<\/strong><\/p>\n<p><b>ME: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s nunca acreditamos na reurbaniza\u00e7\u00e3o total de lugar nenhum. Koliwada tem uma economia enraizada e uma vida social forte. Qualquer grande reurbaniza\u00e7\u00e3o corre o risco de destruir esses investimentos e a identidade do lugar. N\u00f3s basicamente invertemos o processo de planejamento: em vez de come\u00e7armos com um plano e depois implement\u00e1-lo, aceleramos iniciativas j\u00e1 existentes e revelamos o potencial latente. O plano emerge do processo ou, como gostamos de dizer, &#8220;a forma segue o processo&#8221;. Por exemplo, reconstru\u00edmos uma antiga Casa da Alf\u00e2ndega brit\u00e2nica que estava em ru\u00ednas h\u00e1 mais de 30 anos. Trabalhamos com representantes da comunidade e um grupo de jovens que acharam que ela deveria ser usada como sala de estudos para crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Em vez de come\u00e7armos com um plano e depois implement\u00e1-lo, aceleramos iniciativas j\u00e1 existentes e revelamos o potencial latente.&#8221;<\/span><\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_81326\" aria-describedby=\"caption-attachment-81326\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Ruelas-tipicas-das-partes-mais-antigas-de-Dharavi-Foto-Mathias-Echanove.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-81326 size-full\" title=\"Ruas estreitas s\u00e3o t\u00edpicas nos bairros das partes mais antigas de Dharavi. 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Foto: Matias Echanove<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A equipe da urbz tamb\u00e9m est\u00e1 construindo um parque em Dharavi, Koliwada, em um local usado para guardar <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4tQhWPg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">riquix\u00e1s<\/a>. Estamos instalando energia solar para alimentar alguns postes de ilumina\u00e7\u00e3o e trabalhando com a comunidade para criar um novo sistema de drenagem sob medida para as ruas estreitas do bairro.<\/span><\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas observam que moradores de bairros <em>homegrown<\/em> vivem em desvantagem porque suas casas est\u00e3o sob constante amea\u00e7a de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3AdyYeq\">remo\u00e7\u00e3o<\/a> por projetos de reurbaniza\u00e7\u00e3o, tornando imposs\u00edvel qualquer sentimento duradouro de propriedade. Mas, paradoxalmente, essa situa\u00e7\u00e3o pode trazer algumas vantagens. Quais s\u00e3o elas?<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>RS:<\/strong> Quando a \u00fanica forma das pessoas acumularem riqueza \u00e9 possuindo uma moradia, isso se torna problem\u00e1tico porque o desenvolvimento econ\u00f4mico passa a estar ligado \u00e0 <a href=\"https:\/\/bit.ly\/30sVpNb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria<\/a>, o que acaba gerando ambientes urbanos prec\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 incomum que as pessoas tenham acesso a capital privado na forma de propriedade de terra ou moradia em um ambiente extremamente deteriorado. Em uma cidade como Mumbai, por exemplo, as pessoas est\u00e3o apegadas \u00e0 ideia de investir em suas casas como forma de gerar riqueza. No entanto, h\u00e1 pouca preocupa\u00e7\u00e3o com as implica\u00e7\u00f5es da especula\u00e7\u00e3o para a qualidade de vida ou o meio ambiente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>ME:<\/strong> O nosso n\u00e3o \u00e9, automaticamente, um argumento antimercado ou antipropriedade, porque \u00e0s vezes o senso de propriedade \u00e9 o que permite \u00e0s pessoas projetar e adaptar. Estando fora desse sistema, uma casa <em>homegrown<\/em> s\u00f3 vale tanto quanto os usos que pode ter\u2014como moradia, local de trabalho, armazenamento e assim por diante\u2014e, por isso, ela \u00e9 moldada \u00e0s necessidades de seus moradores. Nenhum espa\u00e7o fica vazio enquanto os propriet\u00e1rios esperam os pre\u00e7os dos im\u00f3veis subirem. O valor de uso \u00e9 tudo. O que torna t\u00e3o interessante e inspirador caminhar por ruas <em>homegrown<\/em> \u00e9 como essa autoadapta\u00e7\u00e3o evita a repeti\u00e7\u00e3o e a monotonia do que chamamos de &#8220;urbanismo de planilha&#8221;. O <em>homegrown<\/em> est\u00e1 sempre integrado \u00e0s realidades locais. E esse \u00e9 o seu poder.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h4><b data-stringify-type=\"bold\">Apoie nossos esfor\u00e7os para fornecer apoio estrat\u00e9gico \u00e0s favelas do Rio, incluindo o jornalismo hiperlocal, cr\u00edtico, inovador e incans\u00e1vel do\u00a0<\/b><b data-stringify-type=\"bold\"><i data-stringify-type=\"italic\">RioOnWatch<\/i><\/b>\u2014<a class=\"c-link\" href=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" rel=\"noopener noreferrer\" data-stringify-link=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" data-sk=\"tooltip_parent\">doe aqui<\/a>.<\/h4>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Leia a mat\u00e9ria original por Feargus O\u2019Sullivan, em ingl\u00eas, na Bloomberg\u00a0aqui. 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