{"id":81723,"date":"2026-04-18T11:29:14","date_gmt":"2026-04-18T14:29:14","guid":{"rendered":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=81723"},"modified":"2026-04-20T14:59:11","modified_gmt":"2026-04-20T17:59:11","slug":"cruzada-sao-sebastiao-70-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=81723","title":{"rendered":"Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o: 70 Anos!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_81730\" aria-describedby=\"caption-attachment-81730\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-81730 size-full\" title=\"Favelas \u00e0s margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\" alt=\"Favelas \u00e0s margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" width=\"2560\" height=\"1889\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-620x458.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-2032x1500.jpg 2032w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-768x567.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-1536x1134.jpg 1536w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-2048x1512.jpg 2048w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Favelas-as-margens-da-Lagoa-Rodrigo-de-Freitas.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-80x60.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-81730\" class=\"wp-caption-text\">Favelas \u00e0s margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre as margens da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/498WyeC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lagoa Rodrigo de Freitas<\/a> e o bairro do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2JSioYZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leblon<\/a> existiu, durante grande parte do s\u00e9culo XX, uma das <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3NR9ksd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maiores favelas da Zona Sul<\/a> do Rio de Janeiro: a <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2H6I5XU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Praia do Pinto<\/a>. Ali, viveram cerca de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4tB6syJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9.000 moradores<\/a> at\u00e9 1969, quando um <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4sZjOVq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inc\u00eandio destruiu<\/a> grande parte dos barracos e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4cdhm6H\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">marcou o fim da comunidade<\/a>. Em sua maioria, eram trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, dos servi\u00e7os dom\u00e9sticos e das f\u00e1bricas da regi\u00e3o\u2014homens e mulheres que, apesar de viverem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, participavam ativamente da constru\u00e7\u00e3o e do funcionamento cotidiano da cidade.<\/p>\n<p>Junto com a Praia do Pinto, v\u00e1rias favelas se espalham \u00e0s margens do espelho d&#8217;\u00e1gua da Lagoa: <a href=\"https:\/\/bit.ly\/47PAiHr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedra do Bahiano<\/a> (onde hoje est\u00e1 o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4vdZ9Pb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Shopping Leblon<\/a>), <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4mhV34c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Catacumba<\/a>, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QsBTwE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ilha das Dragas<\/a>, Piraqu\u00ea, <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4vhhuuz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Macedo Sobrinho<\/a> e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3NOB2Ww\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Largo da Mem\u00f3ria<\/a>.<\/p>\n<p>A Praia do Pinto, em especial, expressava de forma evidente a profunda desigualdade social que caracterizava o Rio de Janeiro naquele per\u00edodo. Barracos de madeira, erguidos sem saneamento b\u00e1sico ou infraestrutura urbana, coexistiam ao lado de clubes, edif\u00edcios residenciais e \u00e1reas valorizadas que se multiplicavam com a expans\u00e3o imobili\u00e1ria do Leblon. No entanto, a precariedade da favela era socialmente constru\u00edda, j\u00e1 que o Servi\u00e7o Social da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4bWJMmB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Le\u00e3o XIII<\/a> exercia um forte controle sobre as constru\u00e7\u00f5es, proibindo expans\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es em alvenaria. Segundo o historiador Rafael Soares Gon\u00e7alves, tratava-se de uma esp\u00e9cie de toler\u00e2ncia prec\u00e1ria, ou seja, tolerava-se a favela, mas n\u00e3o a reconhecia como parte da cidade. Ela deveria manter seus aspectos prec\u00e1rio e provis\u00f3rio e estaria fadada a desaparecer. A favela n\u00e3o poderia se consolidar.<\/p>\n<p>Frequentemente retratada pelos jornais da \u00e9poca como <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3wrGTma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espa\u00e7o de \u201cdoen\u00e7a\u201d, \u201cdesordem\u201d ou \u201cperigo\u201d<\/a>, a Praia do Pintos era um lugar de intensa vida coletiva e de fortes redes de sociabilidade: filas na bica d\u2019\u00e1gua, lavadeiras trabalhando \u00e0s margens da Lagoa, pequenos com\u00e9rcios, biroscas, terreiros, clubes sociais, festas, escola e blocos de carnaval faziam parte da paisagem social da favela. Ali, se constru\u00edam la\u00e7os de solidariedade, estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e formas pr\u00f3prias de organiza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana. Longe de ser apenas um espa\u00e7o de car\u00eancia, a comunidade era um <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2Xgzmbx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">territ\u00f3rio de pertencimento<\/a> e identidade para milhares de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Foi nesse contexto que, nos anos 1950, surgiram intensos debates sobre a quest\u00e3o da moradia popular e o futuro das favelas cariocas. Entre as iniciativas que buscavam responder a esse problema urbano estava a cria\u00e7\u00e3o da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Idealizada em 1955 por <a href=\"https:\/\/bit.ly\/48xVpxY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dom H\u00e9lder C\u00e2mara<\/a>, ent\u00e3o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, a Cruzada era uma institui\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2NvAaXH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igreja Cat\u00f3lica<\/a>, que pretendia enfrentar o chamado \u201cproblema das favelas\u201d por meio de um projeto que combinava urbaniza\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social e forma\u00e7\u00e3o moral.<\/p>\n<p>O programa da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o baseava-se no trip\u00e9 \u201curbanizar, humanizar e cristianizar\u201d. A proposta era promover melhorias urbanas nas favelas e, ao mesmo tempo, incentivar formas de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e valores inspirados na doutrina social da Igreja. O projeto tinha tamb\u00e9m um objetivo ambicioso: urbanizar as favelas do Rio de Janeiro at\u00e9 o quarto centen\u00e1rio da cidade, celebrado em 1965. Para viabilizar suas a\u00e7\u00f5es, a institui\u00e7\u00e3o contou com recursos provenientes de subven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, doa\u00e7\u00f5es privadas e concess\u00f5es de terrenos feitas pelo Estado.<\/p>\n<p>Entre as diversas iniciativas promovidas pela Cruzada, a mais conhecida foi a constru\u00e7\u00e3o do Bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o, no Leblon. O conjunto habitacional, hoje popularmente conhecido como simplesmente Cruzada, come\u00e7ou a ser erguido em 1955 e foi conclu\u00eddo em 1962. O projeto previa a constru\u00e7\u00e3o de dez edif\u00edcios de sete andares, totalizando cerca de 900 apartamentos destinados ao reassentamento de fam\u00edlias provenientes das favelas do entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, especialmente da Praia do Pinto.<\/p>\n<p>O projeto possu\u00eda uma caracter\u00edstica que o diferenciava de muitas pol\u00edticas urbanas implementadas posteriormente na cidade. Em vez de remover os moradores <a href=\"https:\/\/bit.ly\/MCemAntaresNoROW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para \u00e1reas distantes<\/a> da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ilwr9T\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Sul<\/a>, a Cruzada defendia a perman\u00eancia dessas fam\u00edlias na mesma regi\u00e3o onde j\u00e1 viviam e trabalhavam. Segundo Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, aproximar classes sociais distintas seria uma forma de enfrentar as desigualdades urbanas e reduzir os conflitos sociais que marcavam a cidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81731\" aria-describedby=\"caption-attachment-81731\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Documento-sobre-o-bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-81731 size-full\" title=\"Documento sobre o bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Documento-sobre-o-bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\" alt=\"Documento sobre o bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" width=\"2560\" height=\"1680\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Documento-sobre-o-bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Documento-sobre-o-bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-620x407.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Documento-sobre-o-bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-768x504.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Documento-sobre-o-bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-1536x1008.jpg 1536w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Documento-sobre-o-bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-2048x1344.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-81731\" class=\"wp-caption-text\">Documento sobre o bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que ocupariam os apartamentos foi realizada pelo Servi\u00e7o Social da Cruzada em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Le\u00e3o XIII. Uma vez instalados no novo conjunto habitacional, os moradores passaram a ser acompanhados por assistentes sociais e por iniciativas comunit\u00e1rias promovidas pela Cruzada. O trabalho social desenvolvido buscava orientar a organiza\u00e7\u00e3o da vida dom\u00e9stica e comunit\u00e1ria, incentivando padr\u00f5es de comportamento considerados adequados pela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o <a href=\"https:\/\/www.puc-rio.br\/ensinopesq\/ccpg\/pibic\/relatorio_resumo2015\/relatorios_pdf\/ccs\/HIS\/HIS-Matheus_Targu%C3%AAta.pdf\">projeto habitacional da Cruzada<\/a> n\u00e3o se limitava apenas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de moradias. Ele tamb\u00e9m refletia uma tentativa de promover uma transforma\u00e7\u00e3o social e moral dos moradores. Inspiradas nos valores cat\u00f3licos e na disciplina do mundo do trabalho, diversas iniciativas pedag\u00f3gicas foram implementadas no conjunto habitacional. Regras de conviv\u00eancia e orienta\u00e7\u00f5es voltadas para homens, mulheres e crian\u00e7as faziam parte desse esfor\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o de novos h\u00e1bitos considerados compat\u00edveis com a vida urbana formal: Dec\u00e1logos das Legion\u00e1rias de S\u00e3o Jorge para mulheres; Cavalheiros de S\u00e3o Sebasti\u00e3o para homens e Pequeninos de S\u00e3o Cosme e Dami\u00e3o para crian\u00e7as.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81733\" aria-describedby=\"caption-attachment-81733\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Interior-dos-apartamentos.-Acervo-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-81733 size-full\" title=\"Interior dos apartamentos da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: Acervo N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Interior-dos-apartamentos.-Acervo-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\" alt=\"Interior dos apartamentos da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: Acervo N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" width=\"2560\" height=\"1678\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Interior-dos-apartamentos.-Acervo-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Interior-dos-apartamentos.-Acervo-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-620x406.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Interior-dos-apartamentos.-Acervo-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-768x503.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Interior-dos-apartamentos.-Acervo-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-1536x1007.jpg 1536w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Interior-dos-apartamentos.-Acervo-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-2048x1342.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-81733\" class=\"wp-caption-text\">Interior dos apartamentos da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: Acervo N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os apartamentos constru\u00eddos no Bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o foram vendidos \u00e0s fam\u00edlias por meio de presta\u00e7\u00f5es mensais que variavam de 8% a 15% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. O pagamento seria realizado ao longo de 15 anos, ao final dos quais, os moradores deveriam receber o t\u00edtulo de propriedade de suas unidades habitacionais. Para muitas fam\u00edlias, a possibilidade de se tornarem propriet\u00e1rias de um apartamento em um dos bairros mais valorizados da cidade representava uma mudan\u00e7a significativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de moradia anteriores.<\/p>\n<p>Entretanto, a promessa de acesso \u00e0 propriedade n\u00e3o se concretizou no prazo previsto. Ap\u00f3s o pagamento das presta\u00e7\u00f5es, os moradores descobriram que n\u00e3o poderiam registrar seus apartamentos em cart\u00f3rio, pois o terreno onde o conjunto havia sido constru\u00eddo nunca foi formalmente transferido pelo governo federal \u00e0 Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Essa situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a jur\u00eddica permaneceu por d\u00e9cadas. A regulariza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser resolvida apenas nos anos 1980, quando o governo do estado do Rio de Janeiro, durante a gest\u00e3o de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2CYIdGt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonel Brizola<\/a>, incluiu o conjunto habitacional no programa de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3oycGTC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cada Fam\u00edlia um Lote<\/a>. A iniciativa permitiu, finalmente, a emiss\u00e3o dos t\u00edtulos de propriedade para os moradores, garantindo o reconhecimento legal de suas moradias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81734\" aria-describedby=\"caption-attachment-81734\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Conjunto-de-predios-do-Bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-81734 size-full\" title=\"Conjunto de pr\u00e9dios do Bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Conjunto-de-predios-do-Bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg\" alt=\"Conjunto de pr\u00e9dios do Bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio\" width=\"2560\" height=\"1743\" srcset=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Conjunto-de-predios-do-Bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Conjunto-de-predios-do-Bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-620x422.jpg 620w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Conjunto-de-predios-do-Bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-768x523.jpg 768w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Conjunto-de-predios-do-Bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-1536x1046.jpg 1536w, https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Conjunto-de-predios-do-Bairro-Sao-Sebastiao.-Fonte-Nucleo-de-Memoria-da-PUC-Rio-2048x1395.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-81734\" class=\"wp-caption-text\">Conjunto de pr\u00e9dios do Bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Fonte: N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Atualmente, cerca de 4.000 pessoas vivem na Cruzada. Ao lado de moradores que ainda pertencem \u00e0s primeiras gera\u00e7\u00f5es vindas da Praia do Pinto, novas fam\u00edlias passaram a ocupar o bairro ao longo das d\u00e9cadas. Por outro lado, parte dos apartamentos \u00e9 alugada para estrangeiros atra\u00eddos pela localiza\u00e7\u00e3o privilegiada e por valores relativamente acess\u00edveis para estadias tempor\u00e1rias. Segundo Joel Luiz Nonato, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores do Bairro S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Leblon (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/4bUwNlm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AMORABASE<\/a>), os alugu\u00e9is no conjunto variam atualmente entre R$ 1.200 e R$ 1.800. J\u00e1 a compra de um apartamento pode custar entre R$200.000 e R$400.000, dependendo do tamanho e das caracter\u00edsticas do im\u00f3vel. De qualquer forma, a maioria dos moradores ainda \u00e9 composta por antigos moradores da Praia do Pinto e seus familiares.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 muito comum observar processos de ascens\u00e3o interna no bloco. Isto \u00e9, moradores que se mudaram inicialmente para os apartamentos conjugados, depois compraram apartamentos com um ou dois quartos em outros blocos.<\/p>\n<p>Nesse contexto de transforma\u00e7\u00f5es sociais e perman\u00eancia no territ\u00f3rio, a associa\u00e7\u00e3o de moradores AMORABASE organizou, em novembro de 2025, uma festa para celebrar os 70 anos da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o. A comemora\u00e7\u00e3o durou tr\u00eas dias e reuniu diversas atra\u00e7\u00f5es culturais e comunit\u00e1rias. A abertura do evento foi marcada por uma prociss\u00e3o e pela instala\u00e7\u00e3o de uma est\u00e1tua de madeira de S\u00e3o Sebasti\u00e3o em um orat\u00f3rio constru\u00eddo na entrada do conjunto pela Avenida Borges de Medeiros, em frente ao Jardim de Allah.<\/p>\n<p>Tendo em vista que um dos principais objetivos da AMORABASE era valorizar a trajet\u00f3ria social e residencial de seus moradores e transmiti-la \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais novas, que nem sempre est\u00e3o familiarizadas com essa hist\u00f3ria, diversas atividades de mem\u00f3ria da Cruzada foram realizadas em parceria com o Departamento de Servi\u00e7o Social da <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3eoFKDN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PUC-Rio<\/a>. Inicialmente, os pesquisadores Flavia Leone, Lohana Campos e Rafael Soares Gon\u00e7alves selecionaram fotografias da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o e da Praia do Pinto, pertencentes ao acervo do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/41h7xjb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00facleo de Mem\u00f3ria da PUC-Rio<\/a>. Em seguida, foram organizados plant\u00f5es para coleta de fotografias antigas preservadas pelos pr\u00f3prios residentes, em colabora\u00e7\u00e3o com os produtores visuais e residentes da comunidade, Alex Brito e Giulia Marinho. Esse trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria por meio da fotografia resultou em 12 pain\u00e9is expostos nas entradas dos dez blocos do conjunto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81735\" aria-describedby=\"caption-attachment-81735\" style=\"width: 1536px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Paineis-de-fotografias-para-a-festa-dos-70-anos-da-Cruzada.-Fonte-Acervo-pessoal.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-81735 size-full\" title=\"Pain\u00e9is de fotografias para a festa dos 70 anos da Cruzada. Fonte: Acervo pessoal\" src=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Paineis-de-fotografias-para-a-festa-dos-70-anos-da-Cruzada.-Fonte-Acervo-pessoal.png\" alt=\"Pain\u00e9is de fotografias para a festa dos 70 anos da Cruzada. 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Fonte: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao longo da festa, moradores mais antigos se emocionavam ao relembrar suas trajet\u00f3rias e hist\u00f3rias de vida, enquanto os mais jovens se surpreendiam com as transforma\u00e7\u00f5es do bairro e com as imagens da antiga favela da Praia do Pinto. Al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o, um semin\u00e1rio foi organizado pelo laborat\u00f3rio de pesquisa LEUS, do Departamento de Servi\u00e7o Social da PUC-Rio, reunindo pesquisadores e moradores da Cruzada em um espa\u00e7o de troca sobre a hist\u00f3ria do conjunto, as experi\u00eancias de moradia e os desafios de preservar a mem\u00f3ria e o futuro da comunidade.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s 70 anos de sua constru\u00e7\u00e3o, a Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o permanece como um caso singular na Hist\u00f3ria urbana do Rio de Janeiro. Ao contr\u00e1rio das pol\u00edticas de remo\u00e7\u00e3o que historicamente expulsaram moradores de favelas\u2014majoritariamente negros\u2014para periferias cada vez mais distantes da cidade, a Cruzada representa uma rara fissura nessa l\u00f3gica segregacionista: um conjunto habitacional popular situado no cora\u00e7\u00e3o do Leblon, em uma das \u00e1reas mais valorizadas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A mera presen\u00e7a dessa comunidade testemunha uma hist\u00f3ria de <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4vct4XP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">perman\u00eancia no territ\u00f3rio<\/a> e de reinven\u00e7\u00e3o cotidiana da vida urbana. As iniciativas de mem\u00f3ria e as celebra\u00e7\u00f5es organizadas pelos moradores mostram que a hist\u00f3ria da Cruzada n\u00e3o pertence apenas ao passado das pol\u00edticas habitacionais da cidade, mas segue viva nas trajet\u00f3rias de quem habita o lugar e continua a desafiar o imagin\u00e1rio dominante sobre quem pode ocupar determinados espa\u00e7os da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<h3>Para saber mais, assista o programa &#8220;Remo\u00e7\u00e3o da Favela da Praia do Pinto&#8221; em quatro partes, produzido pela <em>TV Brasil<\/em>:<\/h3>\n<h3><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4srwxzl\">Parte 1<\/a>:<\/h3>\n<p><iframe title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JwWcfPC6isw?si=sF_hx999Wckl98uJ\" width=\"1030\" height=\"563\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4ccRM1H\">Parte 2<\/a>:<\/h3>\n<p><iframe title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rMc1glyBHW8?si=LiybVvgTxP1g0i7s\" width=\"1030\" height=\"563\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4sUfarT\">Parte 3<\/a>:<\/h3>\n<p><iframe title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iuKZMZ49zVE?si=Eyjj5vrdgYXRS7G6\" width=\"1030\" height=\"563\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4vhevlJ\">Parte 4<\/a>:<\/h3>\n<p><iframe title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/du3VM1p5MgE?si=7STyMPWmZhL3L6a2\" width=\"1030\" height=\"563\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<h4><b data-stringify-type=\"bold\">Apoie nossos esfor\u00e7os para fornecer apoio estrat\u00e9gico \u00e0s favelas do Rio, incluindo o jornalismo hiperlocal, cr\u00edtico, inovador e incans\u00e1vel do\u00a0<\/b><b data-stringify-type=\"bold\"><i data-stringify-type=\"italic\">RioOnWatch<\/i><\/b>\u2014<a class=\"c-link\" href=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-stringify-link=\"http:\/\/www.bit.ly\/ApoieROW\" data-sk=\"tooltip_parent\">doe aqui<\/a>.<\/h4>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Entre as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas e o bairro do Leblon existiu, durante grande parte do s\u00e9culo XX, uma das maiores favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro: a Praia do Pinto. <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=81723\" title=\"Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o: 70 Anos!\">[&#8230;]<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":167,"featured_media":81730,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"template-full.php","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1614,1857,1621,1631,1626,344,1638],"tags":[655,553,1803,730,3663,424,3620,3661,128,2548,1765,725,3030,3660,932,1757,469,3662,1764,1545,14,2539,383],"writer":[3657,3659,3658],"translator":[],"source":[],"ilustrador":[],"fotografo":[],"class_list":{"0":"post-81723","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-olhonasremocoes","8":"category-olhonaurbanizacao","9":"category-destaque","10":"category-entendendo-o-rio","11":"category-por-observadores-internacionais","12":"category-politicas","13":"category-video","14":"tag-associacao-de-moradores","15":"tag-cada-familia-um-lote","16":"tag-catacumba","17":"tag-conjunto-habitacional","18":"tag-cruzada-sao-sebastiao","19":"tag-direito-a-moradia","20":"tag-direito-de-permanencia","21":"tag-favela-piraque","22":"tag-historia","23":"tag-igreja-catolica","24":"tag-ilha-das-dragas","25":"tag-incendio","26":"tag-lagoa-rodrigo-de-freitas","27":"tag-largo-da-memoria","28":"tag-leblon","29":"tag-macedo-sobrinho","30":"tag-memoria","31":"tag-pedra-do-bahiano","32":"tag-praia-do-pinto","33":"tag-puc","34":"tag-remocao","35":"tag-sentimento-de-pertencimento","36":"tag-zona-sul","37":"writer-flavia-leone","38":"writer-lohana-campos","39":"writer-rafael-soares-goncalves"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o: 70 Anos! 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