{"id":9317,"date":"2014-06-27T11:26:43","date_gmt":"2014-06-27T14:26:43","guid":{"rendered":"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=9317"},"modified":"2015-12-23T22:26:29","modified_gmt":"2015-12-24T01:26:29","slug":"traduzindo-favela-parte-1-a-problematica-da-traducao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=9317","title":{"rendered":"Traduzindo &#8216;Favela&#8217; Parte 1: A Problem\u00e1tica da Tradu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/VKD3mS\" \ntarget=\"_blank\">Click Here for English<img decoding=\"async\" width=\"20\" height=\"20\" class=\"alignright wp-image-15790\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/EN-standard-e1439583104716.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Veja <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1pTyJuz\" target=\"_blank\">Parte 2 aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Nas principais cidades do mundo, existe um fen\u00f4meno urbano comum: os assentamentos informais. Segundo a ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1e5csIE\" target=\"_blank\">UN Habitat<\/a>, usando o termo ingl\u00eas &#8220;slum&#8221;, estas s\u00e3o \u00e1reas degradadas de uma determinada cidade que se caracterizam por moradias prec\u00e1rias, com falta de estrutura, saneamento b\u00e1sico e sem regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Esta descri\u00e7\u00e3o, a de &#8220;slum&#8221;, est\u00e1 de acordo com alguns destes lugares, por\u00e9m nem todos correspondem a isso, e certamente n\u00e3o toca em qualidades de tais assentamentos. Sobretudo n\u00e3o podem ser generalizados nem entre assentamentos numa mesma cidade e muito menos entre diferentes pa\u00edses. J\u00e1 que as causas da forma\u00e7\u00e3o destes espa\u00e7os s\u00e3o v\u00e1rias e cada uma responde a uma situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e pol\u00edtica particular. A relev\u00e2ncia destas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode ser minimizada e muito menos ignorada, sobretudo quando sabemos que est\u00e1 previsto que em 2050,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/HQ0pMo\" target=\"_blank\">3<\/a> de <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1fjA9de\" target=\"_blank\">9<\/a>\u00a0bilh\u00f5es de habitantes morar\u00e3o em assentamentos informais. De fato, \u00e9 nos assentos informais urbanos que o crescimento populacional mundial ocorrer\u00e1 na pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/800px-Cerros_de_caracas_2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-9456\" title=\"Ranchos em Caracas, Venezuela\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/800px-Cerros_de_caracas_2-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a>Estes assentamentos s\u00e3o conhecidos nas diferentes localidades onde se situam no mundo com diferentes nomes que j\u00e1 nascem seja de simples descri\u00e7\u00f5es, de acontecimentos hist\u00f3ricos, ou cria\u00e7\u00f5es da l\u00edngua mesma. Favela,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1jNd3yO\" target=\"_blank\">barrio bajo<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/19BJPLv\" target=\"_blank\">barrio de chabola<\/a>,\u00a0tug\u00fario, champer\u00edo, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kzc8zy\" target=\"_blank\">villa mis\u00e9ria<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/IPjNgP\" target=\"_blank\">bidonville<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1cooMgf\" target=\"_blank\">trench town<\/a>, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/IPjTF1\" target=\"_blank\">baraccopoli<\/a>, cintur\u00f3n de mis\u00e9ria s\u00e3o alguns dos nomes que encontramos, olhando s\u00f3 as Americas, para descrever o que em linguagem t\u00e9cnica chamam-se de assentamentos informais ou espont\u00e2neos. Sendo que o ingl\u00eas \u00e9 a l\u00edngua da globaliza\u00e7\u00e3o e que serve a maior parte do tempo como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses de l\u00ednguas distintas, encontramos com frequ\u00eancia artigos ou textos de difus\u00e3o global sobre assentamentos espont\u00e2neos onde os nomes s\u00e3o traduzidos quase automaticamente por <strong><em>slum<\/em><\/strong> ou <strong><em>shantytown<\/em><\/strong>. Se procurarmos a defini\u00e7\u00e3o do termo shanty numa refer\u00eancia de grande difus\u00e3o como \u00e9 Wikipedia, encontramos:<\/p>\n<blockquote>\n<p dir=\"ltr\"><em>Shanty is probably from Canadian French chantier, a winter station established for the organization of lumberjacks.<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1d7XnRs\" target=\"_blank\">[4]<\/a>\u00a0Hutment means an &#8220;encampment of huts&#8221;. When the term is used by the military, it means &#8220;temporary living quarters specially built by the army for soldiers&#8221;.<a href=\"http:\/\/bit.ly\/1fjCIw9\" target=\"_blank\">[5]<\/a>\u00a0The term is also a synonym for shanty town, particularly in developing countries.<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><em>(A palavra \u201cshanty\u201d provem provavelmente do franc\u00eas canadense \u201cchantier\u201d, uma esta\u00e7\u00e3o de inverno estabelecida para organiza\u00e7\u00e3o de madeireiros. O termo militar: \u201chutment\u201d (casa improvisada) pode ser usado como sin\u00f4nimo de \u201cshanty town\u201d, sobre tudo nos pa\u00edses em desenvolvimento).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\">N\u00e3o obstante, mesmo se em alguns casos essa defini\u00e7\u00e3o equivale \u00e0s defini\u00e7\u00f5es de assentamentos informais nesses pa\u00edses e que, por tanto, pare\u00e7a l\u00f3gico traduzir por qualquer um destes dois termos; me parece que nestes casos precisos, estes nomes comuns passam a ser quase nomes pr\u00f3prios. J\u00e1 que eles descrevem um contexto \u00fanico que precisa ser diferenciado.<\/p>\n<p>Esta problem\u00e1tica reassume-se a: se existe um termo que denomina precisamente a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds da l\u00edngua de origem, por que traduzi-lo por outro que s\u00f3 existe em ingl\u00eas? N\u00e3o se trata que a equival\u00eancia de termos n\u00e3o exista na l\u00edngua de chegada, mas \u00e9 que <em>esses termos definem situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o espec\u00edficas que n\u00e3o deveriam ser traduzidos<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/villa-miseria-ba.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-11668\" title=\"Villa Miseria de Buenos Aires, Argentina\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/villa-miseria-ba-300x167.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"167\" \/><\/a>No momento de traduzir um texto, quem o traduz deve saber que abordagem tomar. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1bxaJrh\" target=\"_blank\">Schleiermacher<\/a> (o tradutor das obras de Plat\u00e3o pro alem\u00e3o) dizia que uma tradu\u00e7\u00e3o tem duas possibilidades de ser: ou pode empurrar o leitor ao autor, ou seja, seguir estritamente o original; ou pode empurrar o autor ao leitor, ou seja, o texto original na tradu\u00e7\u00e3o seja o mais compreens\u00edvel poss\u00edvel. Schleiermacher preferia a primeira op\u00e7\u00e3o, que implica que a tradu\u00e7\u00e3o provoque no leitor um sentimento de estranheza, \u201ca impress\u00e3o de se confrontar com algo estrangeiro\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E \u00e9 disso que se trata exatamente, tentar aproximar o leitor a situa\u00e7\u00e3o vivida nesses assentamentos. As situa\u00e7\u00f5es descritas pelos termos: Villa mis\u00e9ria, barrio bruja, poblaci\u00f3n callampa, etc&#8230; \u00a0s\u00e3o todas t\u00e3o peculiares que nem no caso de pa\u00edses vizinhos estas poderiam ser consideradas como situa\u00e7\u00f5es equivalentes. \u00c9 dizer que neste caso estamos falando da tradu\u00e7\u00e3o de termos que descrevem uma realidade s\u00f3cio-pol\u00edtica \u00fanica de cada pa\u00eds. E mesmo tendo caracter\u00edsticas em comum, elementos do tipo: a \u00e9poca de estabelecimento, as regi\u00f5es que est\u00e3o situadas, o desenvolvimento ao longo do tempo, a situa\u00e7\u00e3o atual; s\u00e3o pontos totalmente \u00fanicos a cada assentamento informal. <em>Pois o que une eles todos \u00e9 a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por t\u00e3o diversos resultados.<\/em> Podemos ent\u00e3o afirmar que estes nomes fazem parte de uma pol\u00edtica de identidade, que enfatiza nos direitos das minorias e das comunidades marginais no interior de um Estado, e tentam-se definir, e obter uma identidade leg\u00edtima, o direito de proteger uma identidade que sentem \u00fanica, pr\u00f3pria e original, uma identidade \u00e0 qual pertencem. <em>Respeitar estes termos que formam parte da\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/19BLYad\" target=\"_blank\">consci\u00eancia coletiva<\/a>\u00a0das respectivas sociedades, se estabelece a base para a poss\u00edvel melhora das circunst\u00e2ncias que refletem.<\/em><\/p>\n<p>O fato de traduzir termos pr\u00f3prios que tenham um significado espec\u00edfico e \u00fanico ao territ\u00f3rio no qual s\u00e3o utilizados \u00e9 generalizar uma identidade por meio de termos menos pertinentes ao conceito e pr\u00f3prios a uma cultura estrangeira. Essa generaliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 talvez resultado de um estudo superficial que siga uma l\u00f3gica do tipo: \u201cSe parecem uns com outros, \u00e9 porque deve ser o mesmo\u201d. Essa l\u00f3gica aplaca culturas, normaliza conceitos, e cria uma universalidade nem sempre necess\u00e1ria ou verdadeira. Por exemplo a p\u00e1gina em ingl\u00eas no Wikipedia sobre <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1kzhsTl\" target=\"_blank\">slum<\/a> detalha o seguinte:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cSlums, also called favelas and townships, are a common feature midst major cities of the world. Above are nine examples.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>(Slums, tamb\u00e9m chamadas de favelas e townships, s\u00e3o comuns nas maiores cidades do mundo. Acima nove exemplos.\u201d)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O \u201ctamb\u00e9m chamadas\u201d dessa frase, reduz um leque de possibilidades \u00e0 3 termos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-11685\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/slum.jpg\" alt=\"&quot;Slum&quot; per Google\" width=\"366\" height=\"80\" \/><\/p>\n<p>Ainda pior, se concentrar no termo mais usado: slum. O que acontece se simplesmente jogar &#8220;slum&#8221; no <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1qP3qog\" target=\"_blank\">Google<\/a>? Uma generaliza\u00e7\u00e3o total, que desqualifica todas as qualidades e conquistas, e por consequ\u00eancia impr\u00f3pria quando o termo \u00e9 aplicado \u00e0s favelas brasileiras: &#8220;Uma rua ou distrito urbano esqu\u00e1lido e superlotado habitado por pessoas muito pobres&#8221;.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o, se n\u00e3o for por meio de tradu\u00e7\u00e3o direta, que estrat\u00e9gias propor para tratar esses termos numa l\u00edngua estrangeira?<\/p>\n<p>Venutti (tradutor, historiador e te\u00f3rico da tradu\u00e7\u00e3o) prop\u00f5e a <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1corXVd\" target=\"_blank\">estrangeriza\u00e7\u00e3o<\/a> que ele define como o que seria dar import\u00e2ncia \u00e0s diferen\u00e7as lingu\u00edsticas e culturais do texto de origem e plasm\u00e1-las tal e como est\u00e3o no texto de partida no texto de chegada. Adotar esse m\u00e9todo leva a utilizar uma estrat\u00e9gia de tradu\u00e7\u00e3o que \u00e9 regularmente exclu\u00edda pelos valores culturais que dominam a l\u00edngua de chegada, e assim, de algum jeito, se combate a ideologia \u201cdomesticadora\u201d, essa ideia de querer passar tudo ao ingl\u00eas, e n\u00e3o aceitar a diversidade oferecida por outras l\u00ednguas.<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia proposta \u00e9 a explicita\u00e7\u00e3o, partindo da hip\u00f3tese que nomes pr\u00f3prios e de lugares, assim como nomes de acontecimentos e fen\u00f4menos t\u00edpicos de uma cultura n\u00e3o devem ser traduzidos mas devem ser apresentados sob a forma de tradu\u00e7\u00e3o descritiva. Essa tradu\u00e7\u00e3o descritiva ou explicita\u00e7\u00e3o trata-se de uma per\u00edfrase explicativa que se d\u00e1, segundo o tradutor V\u00e1zquez Arroya quando \u201cse expressa na l\u00edngua de chegada o que esta impl\u00edcito na l\u00edngua de origem\u201d, \u00e9 dizer: um termo pode ter uma carga cultural, esse contexto que \u00e9 conhecido pelos leitores da l\u00edngua de origem que \u00e9 estrangeiro para aqueles da l\u00edngua de chegada, ent\u00e3o o tradutor tentar\u00e1 explicar esse contexto num jeito simples e reassumido no texto traduzido.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-11669\" title=\"Guasmo de Ecuador\" src=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/guasmo-ecuador-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Assim, a forma mais pertinente de se referir a estes termos num texto de l\u00edngua estrangeira, seria usar o termo original junto uma explicita\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o deste no contexto de origem, para poder passar pro leitor da l\u00edngua de chegada o significado exato, e n\u00e3o uma aproxima\u00e7\u00e3o pouco acertada na sua l\u00edngua. Desse jeito o leitor sentiria-se mais pr\u00f3ximo \u00e0 realidade que desconhece e ao mesmo tempo entenderia que \u00e9 uma realidade totalmente diferente, por tanto estrangeira. Assim, da mesma maneira que o texto de origem reflete uma situa\u00e7\u00e3o \u00fanica, o texto traduzido estaria respeitando culturas e identidades diferentes. Fazendo que o leitor passe a \u201cformar parte\u201d da cultura de origem e evitando que a cultura de origem passe a fazer parte de um elemento global.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No entanto, n\u00e3o podemos deixar de lado o fato que a maioria destes termos por descrever partes de uma sociedade que \u00e9 marginalizada, pesam neles uma conota\u00e7\u00e3o extremamente negativa e s\u00e3o utilizados muitas vezes pejorativamente. Raz\u00e3o pela qual muitas vezes est\u00e3o estigmatizadas na fala di\u00e1ria, at\u00e9 quase chegar a ser considerada politicamente incorretos. Depois de contatos com moradores de favelas, vemos que muitos optam por usar o termo &#8220;comunidade&#8221;. Por\u00e9m, podemos considerar que o uso constante e assumido destes termos podem levar \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o desta realidade, por parte da sociedade, do governo e de entidades p\u00fablicas e privadas. Assumir, e n\u00e3o ignorar essas situa\u00e7\u00f5es, reconhecendo elas individualmente, qualidades e desafios caso \u00e0 caso, \u00e9 um importante passo para realizar mudan\u00e7as necess\u00e1rias. O fato de n\u00e3o utilizar eufemismos ou \u201cgeneralizarmos\u201d, mas o termo dado \u00e0 cada caso pela mesma sociedade, ajuda a n\u00e3o banaliza\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o destas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Considero que aceitar a conota\u00e7\u00e3o negativa de um termo, provoca com o tempo a necessidade de sair dessa conota\u00e7\u00e3o, de terminar com essa realidade. E com o tempo produzir modifica\u00e7\u00f5es tanto internas quanto externas \u00e0 esses assentamentos. Tomando por exemplo as favelas brasileiras: o termo entendia uma comunidade prec\u00e1ria, mas com o passar dos anos e sobretudo nesta \u00faltima d\u00e9cada, essa realidade tem se visto modificada. Por\u00e9m o termo &#8220;favela&#8221; guarda essa hist\u00f3ria, ainda muitas vezes com uma conota\u00e7\u00e3o negativa, por\u00e9m cada vez mais reconhecida por sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, empreendedora e criativa: as favelas demonstram no dia a dia que n\u00e3o s\u00e3o o que eram e muito menos <em>slums<\/em>.<\/p>\n<p>No que concerne aqueles que levam uma conota\u00e7\u00e3o leve, tipo \u201cassentamento humano\u201d seria bom simplesmente promover a realidade, e perceber a situa\u00e7\u00e3o real, e com que grau de humanidade s\u00e3o tratados. Estes eufemismos, se bem politicamente corretos, podem levar \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o desses assentamentos como algo comum.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A l\u00edngua \u00e9 praticamente um \u00f3rg\u00e3o vivente, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/19hi3aH\" target=\"_blank\">neologismos<\/a> nascem constantemente, e significados podem se modificar segundo a necessidade dos indiv\u00edduos. Todos estes termos podem passar a ter um significado novo, ou simplesmente podem cair no desuso se algum dia os assentamentos informais como tais deixassem de existir e passarem a ser vistos realmente como s\u00e3o&#8211;parte importante da sociedade&#8211;a receber direitos, a desfrutar da cidade, e seus moradores ser considerados verdadeiros cidad\u00e3os desta e n\u00e3o s\u00f3 como um voto potencial no momento das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1pTyJuz\" target=\"_blank\">Traduzindo &#8216;Favela&#8217; Parte 2: Uma Viagem pela Am\u00e9rica Latina<\/a>.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Click Here for English Veja Parte 2 aqui. Nas principais cidades do mundo, existe um fen\u00f4meno urbano comum: os assentamentos informais. 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