O renomado pediatra e especialista em saúde coletiva, Dr. Daniel Becker, conta com 2,2 milhões seguidores em seu canal no Instagram, 362.000 no YouTube e 192.00 em sua página no Facebook. Ele mantém uma coluna semanal sobre a saúde de crianças e adolescentes, tanto na versão impressa quanto digital do O Globo. Daniel já participou do programa Roda Viva. É formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui mestrado em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz. Além de dedicar anos ao atendimento e tratamento de jovens em seu consultório particular, ele é um Fellow da Ashoka—reconhecimento concedido por seu papel na fundação do CEDAPS (Centro de Promoção da Saúde), organização que, desde 1993, atua em parceria com lideranças comunitárias para promover a saúde em centenas de favelas do Rio de Janeiro.
No dia 18 de outubro, o Dr. Daniel Becker publicou um vídeo em seu perfil no Instagram que resume o momento decisivo que o Brasil enfrenta durante o segundo turno da eleição presidencial, no dia 25 de outubro. Leia, a seguir, a transcrição completa de seu pronunciamento:
Minha gente, eu sou pediatra, eu sou médico de saúde pública e tenho quarenta anos de carreira, e hoje venho aqui fazer o alerta mais importante que eu já fiz desde que eu comecei a trabalhar com redes sociais.
Eu quero falar com você que não foi votar, que anulou porque não aguenta mais essa polarização, ou que votou em alguém que não chegou no segundo turno, especialmente com vocês.
Por favor, preste atenção, porque o que acontece no dia 25 vai entrar na sua casa, na sua vida, na vida dos seus filhos.
Eu trabalho com crianças, adolescentes, famílias, trabalho com a sociedade e acompanho sempre a política porque ela decide o nosso bem-estar e o nosso futuro. E eu te garanto: essa é a eleição mais importante das nossas vidas, e ela não é entre direita e esquerda. Isso é uma ilusão.
De um lado a gente tem o Lula, um político com projeto de país, com qualidades e defeitos, que eu aprecio em parte, que eu critico em parte. Do outro lado, não está a direita, não está a democracia, não está a política. Está um projeto de poder mafioso, que se mistura com o crime o tempo todo e que se alimenta do ódio e da morte.
E a gente tá correndo o risco de perder tudo o que nós temos de mais precioso. Então escuta o que a gente pode perder.
A gente pode perder a nossa paz do dia a dia. Esse grupo já distribuiu armas e fuzis aos milhares. Como era previsto, uma grande parte foi parar nas mãos do crime organizado. E mesmo sabendo disso, Flávio [Bolsonaro] promete fazer de novo: mais fuzil pro crime, mais criança morta em casa, mais briga de trânsito e de casal terminando em tiro.
A gente pode perder a soberania. Isso não é uma palavra vaga. Esse grupo foi aos Estados Unidos pedir que prejudicassem o nosso país. Estão fazendo negociatas por lá. Estão entregando o Brasil em troca de favores para a família. Flávio diz abertamente que quer entregar as nossas maiores riquezas ao Trump. São trilhões que nós temos em terras raras e outras riquezas em biotecnologia.
O ator Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro, apresenta o 6º episódio da série de jornalismo investigativo Revelando, intitulado “Pátria Submissa”, que traz à tona investigações sobre os laços de Flávio Bolsonaro com a administração Trump e o interesse dos EUA em terras raras brasileiras, com reflexos nas eleições de 2026 no Brasil.
E ele já está em dívida porque recebeu dinheiro lá de fora e recebeu muita ajuda da Meta, que favoreceu a campanha deles e prejudicou a do Lula. E soberania, gente, também é dentro de casa. A milícia já controla boa parte da população do Rio. O Flávio premiou assassinos milicianos, empregou parentes, elogiou assassinos de uma juíza e de Marielle [Franco], votou contra a CPI das milícias e recentemente destinou emendas de dinheiro público para a milícia. Ele é totalmente ligado a esses grupos. Há evidências também de que seu grupo político aqui do Rio está envolvido com o tráfico de drogas, inclusive vários foram presos por causa disso. Aliados deles. Pessoa que ele estava indicando para o Senado, para o governo.
Imagina esse poder terrível das milícias, que oprime comunidades inteiras, com amigos no Planalto? Pode chegar na sua cidade, no seu bairro. E ainda dizem por aí que vão privatizar tudo do Banco do Brasil à Petrobras. E com isso, a gente tem grupos privados comandando tudo que é mais importante na nossa vida. A gasolina e a inflação podem disparar e coisas bem piores podem acontecer.
A gente pode perder a nossa justiça e a nossa segurança. As instituições, especialmente a Polícia Federal, vão ser aparelhadas. O pai fez isso sem nenhum pudor. Demitiu o próprio Ministro da Justiça para interferir na Polícia Federal, pra proteger esse filho aí que é candidato à presidente.
Imagine as instituições ocupadas por quem quer o fim das investigações no caso Master, do roubo dos aposentados do INSS, do dinheiro do crime no mercado financeiro. Esse grupo e o Flávio, em especial, está envolvido em todos essas investigações até o pescoço, como a mídia nos mostra todos os dias.
No governo dele as investigações param, os bandidos saem. No lugar de inteligência, Receita, Polícia e Ministério Público trabalhando juntos, como aconteceu em São Paulo, o que eles oferecem é o que eles fazem aqui no Rio: matança nas comunidades, que não resolve nada, mata inocentes e inferniza a vida de famílias honestas.
E a gente pode perder tudo que foi construído desde 1988: o SUS, o Saúde da Família, a vacina que protege seu filho, o SAMU que atende você na porta de casa se tiver passando mal, o remédio de graça, o transplante, o tratamento gratuito das doenças.
As políticas que tiraram milhões da fome, que sustentam mãe solo, idosos, pessoas com deficiências, mãe atípica. A merenda escolar pode ser degradada. A escola pública pode ser privatizada, os institutos federais, as universidades. A formação de médicos, engenheiros e profissionais de todo tipo, ser prejudicada, ser precarizada.
A ciência vai perder recursos e ser perseguida de novo e pode perder os melhores cérebros para outros países. A gente pode perder a nossa cultura, que nos dá tanta alegria, que nos maravilha, que nos gera emprego e que encanta o mundo inteiro. A gente pode perder a nossa liberdade religiosa e a laicidade do nosso Estado.
A gente pode perder o nosso lugar no mundo. O Brasil é respeitado por todos os lados e por isso faz negócios com todos os países. Se a gente for vassalo de uma única potência bélica, a gente perde mercado, perde emprego, perde riqueza e pode ser arrastado para uma guerra que não é nossa. Olha o perigo disso.
E o mais grave, gente, a gente pode perder o futuro dos nossos filhos. A Amazônia pode desaparecer em poucos anos. O bolsonarismo odeia a floresta e seus guardiões: os povos indígenas.
Prefere derrubar a floresta pra botar soja e gado, quando ela poderia gerar uma riqueza incalculável em biotecnologia, em remédios e mantendo o nosso clima estável. Se ela vai embora, vai junto com ela a chuva da lavoura, vem o calor extremo, a seca, a enchente, a safra perdida, possivelmente a fome, a migração em massa. Várias cidades podem se tornar inabitáveis. Isso acontece não daqui há 50 anos, isso pode acontecer em pouco tempo, na vida das nossas crianças.
Gente, se vier outra crise sanitária, como a pandemia, climática, geopolítica, a gente já sabe como esse grupo gerencia crises. Com incompetência, contra a ciência, contra a vida. 700.000 famílias sabem disso.
Todo o patrimônio social, político, econômico, cultural, ambiental, foi construído por governos de direita e de esquerda ao longo de décadas. E pode ser destruído em pouco tempo.
Talvez você não goste do Lula. Talvez você ache que o Brasil tá mal. Os dados dizem o contrário, mas eu respeito a sua opinião. Mas pensa comigo: por quê entregar o país a um grupo que aparece envolvido em todo tipo de crime? A um dos sujeitos que tem corrupção documentada há 30 anos? A um sujeito que é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, que já se envolveu em todo tipo de escândalos, que compra mansões com dinheiro vivo que tirou das rachadinhas? Esse grupo, com o Congresso nas mão, pode desmontar 40 anos de construção. Isso não é direita. É extremismo, é ódio, é perigo.
Pensa bem: se Lula vencer, fica quatro anos e não volta mais. Em 2030 podem surgir novos nomes, dos dois lados. Talvez a gente se livre dessa polarização. Mas se o Flávio vencer, com Congresso e STF totalmente dominados, esse grupo vai ter poder ilimitado e pode ficar décadas. Décadas no poder.
Poder ilimitado para um grupo tão perigoso, isso pode dar muito ruim. No mínimo pode dar em censura, perseguição e tortura. Ditadura.
Minha gente, a decisão tá nas nossas mãos. Dia 25 vamos votar pela democracia, pelo Brasil, pelos nossos filhos. Vote 13. Vote Lula.
View this post on Instagram
