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Cada Vez Mais Longe: Sarau Estação 67 Exibe Filme que Relata a Degradação da Baía de Sepetiba

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19 de agosto, foi dia de conscientização ambiental, através de sarau com cinema, poesia e cultura, para os moradores de Sepetiba na comunidade de Nova Sepetiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O bairro de Sepetiba, fundando em 1567, serviu de apoio para a colônia portuguesa. As suas praias eram porto para exportação de pau-brasil para Europa e frequentadas no verão pela Família Real. Nos anos 70, as mesmas praias eram frequentadas por milhares de banhistas e comparadas com a famosa praia de CopacabanaHoje, Sepetiba sofre com o descaso público e com a degradação total de suas praias.

O tema do Sarau Estação 67, promovido bimestralmente pela ONG Movimento Territórios Diversos (MTD), foi “Sepetiba em Cena”, uma abordagem sobre a degradação da Baía de Sepetiba, e teve como principal atração a exibição do filme Cada Vez Mais Longe, dos diretores Eveline Costa e Oswaldo Eduardo Lioi.

O filme retrata o processo de assoreamento da Baía de Sepetiba–que já foi considerada a segunda maior produtora pesqueira do Brasil–através da história dos personagens João, um pescador, e Isaura, sua mulher. A obra é uma denúncia ambiental que relata a poluição que se agravou a partir dos anos de 1960 com a implantação da Zona Industrial de Santa Cruz e a crescente industrialização dos municípios vizinhos. 

Após a exibição do filme Cada Vez Mais Longe, no sarau, houve uma roda de bate papo com a presença dos diretores e de uma das produtoras do filme.

A diretora Evenile Costa afirmou que a exibição do filme na região de Sepetiba foi fundamental. “A gente ficou muito feliz com o convite. Acho este movimento, este sarau, uma coisa absolutamente necessária. Para mim, o filme não fecharia se a gente não trouxesse e exibisse nesta comunidade, nesta região e com esta força toda que o MTD está promovendo. Eu acho que é uma informação fundamental para as pessoas que ainda não sabiam deste dano, que apesar de irreversível, a gente não pode deixar que avance”, disse ela.

Já o diretor Oswaldo Eduardo Lioi falou sobre a experiência de exibir o filme no Sarau: “Eu acho que o Sarau Estação 67 é uma iniciativa incrível. Este nível de participação deve ser multiplicado porque quanto mais você abraça as suas próprias causas, mais você transforma, mais você é dono. Foi muito feliz a gente ter chegado tão perto, ter participado deste grande encontro. O filme foi uma motivação maior de voltar ao lugar onde a gente fez as imagens, e trazê-lo pra cá é um diferencial muito grande. Agora é momento de agregar mesmo, porque Sepetiba é um todo, não pode ser uma parte”. 

Emanuelle Borba, uma das produtoras do filme, moradora de Sepetiba e diretora do Espaço Cultural A Era do Rádio–localizado em Sepetiba, declarou em sua fala que “foi uma linda exibição”, e completou: “Estávamos aguardando a oportunidade há anos. O filme foi feito com muito carinho em 2010, foi uma produção independente que teve a colaboração de muitos produtores. História que nos conta com poesia e delicadeza sobre a devastação de uma praia, uma Baía de Sepetiba que sofreu impactos profundos de poluição e abandono por parte dos governantes de nosso país. O Sarau Estação 67 trouxe a obra para o bairro e proporcionou o emocionante encontro para transformar e reinventar visões periféricas”.

Na roda de bate papo, Igor Rosa, professor e morador do bairro, falou sobre a relação entre o filme e a realidade dos moradores: “O ir cada vez mais longe não é um mecanismo de sobrevivência só dos pescadores; outros moradores precisam fazer esse movimento para conseguir emprego melhor, estudo qualificado e atrações culturais. Acontece que Sepetiba é o bairro mais distante do Centro, e tem precário transporte público, nenhum cinema, nem teatro, nem shopping. Por isso, ações como do MTD são um oásis. E assim o povo sepetibano vai resistindo, produzindo cultura, encontrando formas de se reinventar”.

O Sarau Estação 67 apresenta um conceito de sarau multicultural que, além de poesia, leva para o público cinema, teatro, música, dança e outras expressões culturais. Flávio Brandão, apoiador e ponte entre o MTD e os diretores do filme, classificou o evento como um momento histórico: “É um momento histórico, um momento que simboliza a união da velha Sepetiba com a nova Sepetiba. Eu acho que o filme foi uma coisa maravilhosa que proporcionou este caminho de união e cada uma das pessoas que estavam aqui vai multiplicar para os seus filhos, seus parentes. O caminho é esse mesmo, uma semente muito boa que está sendo plantada e valeu a pena cada trabalho, cada segundo”. 

O Movimento Territórios Diversos – Associação Cultural é uma entidade sem fins lucrativos que concentra suas ações na comunidade de Nova Sepetiba, Rio de Janeiro. A organização promove ações voltadas para o segmento cultural, artístico, educativo e socioambiental. Elizabeth Manja, idealizadora e gestora da ONG afirma que essas ações são propostas com objetivos de movimentar, chamar atenção e promover a valorização do bairro de Sepetiba como um todo.

Márcia Jesus, moradora de Paciência na Zona Oeste, é jornalista formanda pela Universidade Castelo Branco (2014). Foi estagiária na Rádio Nacional durante dois anos. Atualmente, trabalha com comunicação para o terceiro setor como mídias sociais das ONGs Movimento Territórios Diversos e Ser Cidadão. Está se especializando em Design e Marketing Digital.