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O Campo possibilita a escolha de novos caminhos na Zona Oeste

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A distância entre os bairros de Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e outros adjacentes a Zona Oeste do Rio de Janeiro, em relação ao Centro da Cidade sempre fez com que o desenvolvimento da região fosse mais atrasado, até mesmo no que diz respeito a programas destinados às periferias. O descaso por parte dos governantes que dura longos anos, motivou um grupo de moradores, inicialmente da favela de Antares no bairro de Santa Cruz, ainda nos anos 80 a se organizarem com o objetivo de reivindicar seus direitos como cidadãos. Com o passar dos anos e a inclusão de novas lideranças comunitárias, o grupo se fortaleceu, se instituiu e deu início ao que hoje é um dos pioneiros e únicos movimentos que lutam pela capacitação e autoafirmação do povo das favelas, exclusivamente, da Zona Oeste da cidade.

O Campo (Centro de Apoio aos Movimentos Populares da Zona Oeste) focaliza três áreas de atuação, consideradas desde a fundação da ONG as mais problemáticas na região: Saúde, Educação e Juventude. Com programas destinados a essas áreas o Campo conseguia parcerias que viabilizavam ampliações e percebia cada vez mais a participação da juventude, como conta Bárbara Cristina, a Tina, coordenadora do Programa da Juventude: “ Muitos jovens participavam e buscavam espaços para ter voz, então a instituição percebeu que através dos jovens se conseguia mobilizar.” Em 1990 os jovens ganharam mais espaço dentro da instituição e se definiam como a vertente que impulsionaria o Campo “ O jovem participava, vinha debater temas e foi percebendo que poderia ser mais que só um encontro de jovens.”continua Tina. Foi então criado o Centro da Juventude, programa que visa o protagonismo juvenil, oferecendo-os o conhecimento necessário para alcançar seus objetivos.

A fim de expandir seu quadro de participantes o Campo buscou uma linguagem que fosse atraente aos jovens, começava assim a forte ligação entre a ONG e o hip-hop “ Nas comunidades da zona oeste o hip-hop atingia os jovens, chegava aos que não saíam da comunidade e não tinham acesso a cultura nem a educação “. Com dificuldades de atuar nas favelas em função do tráfico o programa Centro da Junventude se utilizou do hip-hop como arma principal para levar os jovens junto ao projeto. As aulas das oficinas de Rap, Dj, Break Dance e Graffit, assim como todas as atividades da Instituição são realizadas em uma casa de dois andares, na rua Camanducaia, no centro de Campo Grande, área menos disputada por lideranças comunitárias ou até mesmo o próprio tráfico.

Tina também foi uma das jovens beneficiadas pelo programa e explica como se deu seu desenvolvimento na instituição: “ Eu percebi que poderia escolher outros caminhos, me identifiquei com o projeto de hip-hop, de adolescente (usuária do serviço) eu virei coordenadora do projeto e aí escolhi fazer Serviço Social. A instituição me deu meios pra que escolhesse uma profissão, me oportunizou a entrada na faculdade e hoje eu sou a Assistente Social do programa Centro da Juventude.” Tina é um dos grandes exemplos de retorno que o Campo teve ao mudar a vida de tantos jovens ao longo dos anos.

Robson Brito Ribeiro, o Robinho, 28 anos, ex-morador de Santa Margarida, entrou no Campo em 1996 e conta como se aproximou da cultura hip-hop “ Um dia na rua nós fomos andar de skate e vimos uns caras se jogando no chão igual a uns “malucos” e aí dissemos: pô, vamos copiar aquilo lá no CJ (Centro da Juventude)!” e o resultado foi dos melhores lembra Robinho “ Aquela nossa maluquíce atraía muita gente.”. Robinho lembra ainda que a base educacional que aprendeu no projeto foi importantíssima para o seu crescimento profissional “ Agente não tinha muito bem uma estrutura familiar, não sabia o que era com licença, bom-dia, por favor. Aquele curso abriu as portas e as nossas mentes de uma forma incrível!” Robinho é um dos poucos de sua geração no Centro da Juventude que seguiram a carreira na dança, em 1999, sentindo que precisaria de mais do que a instituição poderia lhe oferecer ele fez uma mudança que considera a melhor alternativa que escolheu em sua vida “ Fui pra um Estado onde se vive e se respira a cultura que é Brasília ”.

Na sua volta para o Rio de Janeiro, em 2003, Robinho trouxe informações para o grupo que causaram um novo “boom” no projeto. Sua ausência por conta de novas viagens se tornaram frequentes “ o filho a casa retorna “ brinca o dançarino lembrando o famoso ditado popular que muito bem se encaixa na sua situação. Robinho se tornou dançarino profissional e atualmente alterna seus projetos pessoais com as aulas no Campo, porém em ambos repassando a cultura que adquiriu na sua instituição de origem e que acredita que pode salvar as vidas de muitos jovens das favelas, tendo a si próprio como exemplo.

Assista o vídeo sobre o Campo!