Movimentos e Cidadãos de Todo o Rio se Unem em Defesa das Árvores Cariocas, Formando Frente de Luta Pela Arborização Urbana

Frente de Luta pela Arborização Urbana discute pontos estratégicos de combate às podas assassinas no Rio. Foto: Amanda Baroni
Frente de Luta pela Arborização Urbana discute pontos estratégicos de combate às podas assassinas no Rio. Foto: Amanda Baroni

Em novembro, RioOnWatch reportou sobre o esvaziamento do premiado Programa Mutirão de Reflorestamento, política pública histórica nas favelas. Agora, diversos movimentos se juntam para demandar o fim das “podas assassinas”, que têm tomado diversos bairros do Rio de Janeiro, junto com o fim do desmonte dos órgãos e políticas de proteção ambiental e de áreas verdes icônicas da cidade.

Em tarde recente, vizinhos, técnicos e defensores do meio ambiente se reuniram no auditório Télcio Paciiti da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), na Urca, Zona Sul do Rio, para discutir estratégias de combate ao recente aumento das podas predatórias de árvores pela cidade.

Ao todo, estiveram presentes cerca de 60 pessoas de grupos e coletivos ambientais como o Ocupação Ecológica, Respira Rio, Clube de Engenharia, Amagraja, Alma, Associação de Moradores de Botafogo, Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro (FAM Rio), Reflorestamento Urbano, Mão na Jaca, Movimento Baía Viva, Central de Movimentos Populares, Associação de Moradores e Amigos da Gávea (Amagavea), Sindicato dos Engenheiros (Senge RJ), Grupo Ação Ecológica (GAE), AMAGUINLE e Movimento Vida.

Marcelo Lemos, membro do Movimento Baía Viva, em encontro da Frente pela Luta da Arborização Urbana na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Foto: Amanda Baroni
Marcelo Lemos, membro do Movimento Baía Viva, em encontro da Frente pela Luta da Arborização Urbana na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Foto: Amanda Baroni

Podas Assassinas

A poda é um processo comumente utilizado para manutenção e preservação ecológica, consistindo em realizar cortes em formato e momentos estratégicos, de forma a preservar a árvore e a segurança do seu entorno. Já as podas predatórias ocorrem de forma indiscriminada, removendo de forma desproporcional galhos e folhas de sua copa, deixando apenas o tronco.

A morte de uma árvore devido à poda mal realizada ocorre quando o corte compromete a sua capacidade de se regenerar. Isso deixa o microclima mais quente. 

Na Ilha do Governador, na Zona Norte, por exemplo, no bairro do Jardim Guanabara, uma moradora mostra a destruição na Rua Babaçu, esquina com a Rua Dom Antônio de Macedo. No registro, é possível perceber que a poda foi além do necessário, deixando árvores praticamente sem copa.

Em outros bairros insulanos, processo semelhante tem ocorrido. Um morador da Freguesia documentou o corte de árvore centenária na Praia da Guanabara, na orla da Ilha, dando um testemunho sobre outras podas predatórias, que têm mudado a paisagem e o microclima da região.

“Entre as dezenas de árvores mortas só neste início de ano [2026], estão três gigantescas e saudáveis árvores centenárias de nossa orla (uma na Praia da Bica e duas na Praia da Guanabara). Outros exemplos recentes de desmatamentos perpetrados pela prefeitura do Rio na Ilha foram o enorme desmatamento na APARU do Jequiá, o desmatamento ilegal no Jardim Guanabara (ambos em 2012), as cerca de 15 palmeiras imperiais mortas e a destruição de TODAS as árvores da Praia da Bandeira em 2009 (isso sem falar de centenas de outros casos ocorridos na Ilha e em outras regiões do Rio de Janeiro. Em poucos anos, estão acabando com um patrimônio de gerações!!! Nós moradores da Ilha não podemos deixar isso continuar!!!” — Depoimento retirado das redes sociais

Mais Lucro, Menos Verde

Nos últimos dez anos, houve um disparo do número de árvores que foram completamente removidas com autorização do município. Neste período, só na Zona Sul, por exemplo, foram 3.400 árvores derrubadas.

De acordo com dados da Prefeitura, só em em 2021, a cidade cortou 5.216 árvores. Quando se considera o ano de 2025, este número mais do que dobra, chegando a 13.130 de árvores eliminadas da paisagem carioca.

A prefeitura divulga dados da destruição em massa de árvores ao longo dos anos e, ainda sim, continua a conceder licenciamentos a obras predatórias. Fonte: Prefeitura/Reprodução
A Prefeitura divulga dados da destruição em massa de árvores ao longo dos anos e, ainda sim, continua a conceder licenciamentos a obras predatórias. Fonte: Prefeitura/Reprodução

Enquanto isso, importantes iniciativas e projetos voltados justamente ao reflorestamento da cidade sofreram uma série de desmantelamentos e esvaziamentos, como o Programa Mutirão de Reflorestamento e a Fundação Parques e Jardins.

Projeto elaborado pelo Consórcio Rio+Verde propõe revitalizar do Jardim de Allah, mas inclui comprometimento de vegetação da Mata Atlântica. Foto: Consórcio Rio+Verde/Reprodução
Projeto elaborado pelo Consórcio Rio+Verde propõe “revitalizar” Jardim de Alah comprometendo vegetação da Mata Atlântica. Foto: Consórcio Rio+Verde/Reprodução

Paralelamente a essa acelerada devastação, a cidade vivenciou uma explosão de empreendimentos, entre eles, condomínios, shoppings e outros estabelecimentos comerciais que vêm ocupando, gradativamente, áreas verdes, algumas delas já tombadas e preservadas.

No ano passado, uma obra que visava revitalizar e integrar comércios no Jardim de Alah, desenvolvida pelo Consórcio Rio+Verde, recebeu autorização para a remoção de 130 árvores adultas, com cerca de 80 anos. Em postagem nas redes sociais, moradores denunciaram a depredação do meio ambiente prevista pela obra, já que a área de mais 95.000 m² abriga Mata Atlântica à beira mar.

Segundo os desenvolvedores do projeto, seriam replantadas cerca de 300 árvores a fim de amenizar os impactos das obras. No entanto, o real controle sobre como e onde a compensação ambiental viria ser feita não vem sendo feito.

Ainda na Zona Sul, um outro caso ocorrido foi o do antigo Colégio Bennett, na Rua Marquês de Abrantes, 61, bairro do Flamengo. Obras já haviam sido iniciadas no local nas vésperas do réveillon de 2025 para 2026, mas, após moradores denunciarem a retirada relâmpago de 71 árvores no terreno, a Justiça interviu e mandou que as ações da incorporadora imobiliária fossem interrompidas. 

O local onde estavam as árvores se encontrava tombado desde 2014 e abrigava um importante ecossistema verde, preservado desde o período do Império. Ele foi completamente dizimado para a construção de dois prédios com 350 apartamentos.

Até a publicação desta reportagem, as obras no Colégio Bennett ainda se encontravam paralisadas por falta de “elementos técnicos que demonstrem o impacto das obras na área com laudos, licenças e estudos”, como afirmou a decisão da Justiça.

No bairro ao lado, Botafogo, a construção de um empreendimento na Rua Arnaldo Quintela também levou uma árvore centenária ao chão.

Em outras regiões, como na Taquara e Grande Tijuca, a história se repete. O antigo Clube da Light, situado na Rua Barão do Bom Retiro, no Grajaú, conhecido por abrigar a Associação Atlética Light e ser um espaço tradicionalmente de lazer na região, teve seu tombamento provisório revogado pelo Prefeito Eduardo Paes em outubro de 2025. A obra recebeu autorização para a retirada da vegetação em dezembro do mesmo ano.

Antigo ponto cultural do Grajaú devastado após início de obras para receber apartamentos. Foto: Diário do Rio/Reprodução
Antigo ponto cultural do Grajaú devastado após início de obras para receber apartamentos. Foto: Diário do Rio/Reprodução

Em setembro de 2021, moradores da Tijuca se mobilizaram em frente às obras iniciadas pela empresa Opportunity Fundo de Investimento Imobiliário, autorizada a suprimir 340 árvores do local. A incorporadora imobiliária afirmou ter como contrapartida o plantio de 2.805 mudas, no entanto, a obra removeu árvores nativas, desabrigando animais silvestres que viviam há anos no local.

Moradores da Tijuca se mobilizaram em frente a obra a fim de impedir continuidade de obras na região. Foto: Marcos Porto/Agência O Dia/Reprodução
Moradores da Tijuca se mobilizaram em frente a obra a fim de impedir continuidade de obras na região. Foto: Marcos Porto/Agência O Dia/Reprodução

Em regiões valorizadas da Zona Sudoeste, como a Barra da Tijuca, também há ocorrências. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) recomendou a suspensão imediata das licenças ambientais e autorizações que permitiram a remoção de cerca de 900 árvores em área destinada à construção de um condomínio próximo a Lagoa de Jacarepaguá.

O empreendimento, de responsabilidade da CBR 217 Empreendimentos Imobiliários, planejava construir oito blocos residenciais em uma Área de Relevante Interesse Ambiental (ARIA), considerada estratégica para a manutenção do equilíbrio ecológico do bioma Mata Atlântica. As obras também foram interrompidas.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por MPRJ (@mprj.oficial)

Em documento fornecido pela atual Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Econômico (SMDUE), é possível conferir a relação completa da vegetação retirada no Rio de Janeiro desde o ano de 2004. O tamanho da lista é assustador: mais de 60 registros de supressões arbóreas por página, em cada uma das mais de 80 páginas do documento.

Vale destacar que, atualmente, as entidades responsáveis pelos serviços de podas e de remoção de árvores são a COMLURB e a Light, as concessionárias, uma pública, uma privada, de limpeza e energia elétrica da cidade. O que demonstra o descaso e a negligência do Estado: tratam árvores como tema de limpeza urbana, como uma questão problemática para a rede elétrica. Não como um ativo ambiental essencial para nosso bem-viver e, no contexto das mudanças climáticas, nossa sobrevivência.

Tudo isso segue em desacordo com o estabelecido no Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU). Além disso, segundo o Movimento Baía Viva, a situação pode ser crime ambiental pela “Lei da Natureza” (Lei Federal no. 9605/1987). Como explica o arquiteto e urbanista Roberto Rocha:

“Por que isso é assim? Por causa do valor da terra. Quando o valor da terra aumenta pelos parâmetros urbanísticos somente de gabarito, se compra terra para ganhar dinheiro com isso. E as árvores que estão nesses locais vão embora. Não está sobrando mais espaço. O que é que está sobrando? Escolas que estão em obsolescência, falindo, terrenos de clubes antigos. E o Plano Diretor da cidade de 2024, que foi votado justamente para ocupar esse território? O que a gente está vendo é a ponta do sistema que está refletindo na árvore… Vai diminuir a biodiversidade da cidade e aquecer demais. A gente tá num momento muito parecido com aquele em que a gente plantou todas as encostas do Rio de Janeiro com café e perdemos todas as florestas de proteção. [Depois,] tivemos que recompô-las, parar de cortar árvore [reflorestar, plantando a Floresta da Tijuca], o que eu acho muito difícil com o grupo político que tá no poder e com o arranjo que existe dentro da Câmara dos Deputados.”

Pintura 'Desmatamento de uma floresta', por Johann Moritz Rugendas. Fonte: Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil
Pintura ‘Desmatamento de uma floresta’, por Johann Moritz Rugendas. Fonte: Acervo da Fundação Biblioteca Nacional

Até o momento, a cidade já acumula um déficit de mais de 800.000 árvores suprimidas em diversos territórios, chegando à proporção alarmante de 35 árvores cortadas por dia no Rio de Janeiro.

Apesar da Prefeitura, Rio Se Mobiliza pelas Árvores

Para a botânica da UniRio, Laura Jane, a real revitalização da cidade parte não só de se plantarem mudas compensatórias, mas de realizar estudos sérios para plantação de espécies corretas, já que as poucas espécies, tipicamente de fora, que vem sendo plantadas não trazem tantos ativos ambientais como traziam as que estão sendo decimadas:

“A gente precisa manter os nossos bancos genéticos nativos aqui do Rio de Janeiro. Nós estamos trazendo [espécies de fora]… Isso é muito sério em termos de genética… Não temos como fazer nada do que a gente está falando aqui com seriedade se não tivermos valorização dos viveiros. Nós temos problemas de viveiros, de sementes… as sementeiras são sempre as mesmas espécies… [Por que] não temos as informações sobre floração e frutificação do Rio? Como é que a gente vai se planejar [para recuperar nossa vegetação]? Como é que a gente vai manejar? A gente tem que começar a fazer o trabalho de referenciamento das árvores e um planejamento para uma futura substituição [de mudas], de forma que a gente tenha uma continuidade [das árvores]. Eu acho, sinceramente, que isso pode também ser planejado bairro a bairro.”

Laura Jane, botânica da UniRio, defende trabalhos de recuperação ambiental e levantamento de dados. Foto: Amanda Baroni
Laura Jane, botânica da UniRio, defende trabalhos de recuperação ambiental e levantamento de dados. Foto: Amanda Baroni

Pedro Maia, membro do coletivo Reflorestamento Urbano, também pontua sobre a necessidade de haver instrumentos de transparência acessíveis à população:

A gente teve [um caso de poda] ali na Marquês de Abrantes. A Comlurb tava matando uma árvore, o morador chegou para questionar e aí os caras ficaram meio nervosos. ‘Cadê o laudo? Não tem laudo’. O morador fez um escândalo, filmou, foi até meio agressivo, mas enfim. A gente ligou para Comlurb, o pessoal falou: ‘Olha, estranho, porque só foram ver uma árvore que estava no outro lado [da rua]. Não tinha nada a ver com essa’. E descobrimos que não tinham laudo nenhum [para matar essa árvore]. Perguntei ao gerente da Comlurb e ninguém sabia de nada. Isso não foi uma única vez. Eu conversei com o agente [e ele disse]: ‘Pode pedir para ver o laudo, mas não pode tirar foto’. Por que não pode tirar foto do laudo? A gente tem que pedir transparência nisso, entendeu? [Há] a lei de transparência, eles têm que deixar a gente ver um laudo sobre o que está acontecendo.”

Além de tudo isso, em agosto de 2023, entrou em vigor uma Emenda ao Art. 235 da Lei Orgânica do Município, que possibilita a concessão de espaços públicos verdes, jardins, praças, parques, unidades de conservação e afins à iniciativa privada. A emenda tem como autor o Vereador Pedro Duarte, antes, do Partido Novo e, hoje, do Partido Social Democrático (PSD), partido do Prefeito Eduardo Paes e de seu vice, Eduardo Cavaliere, que assumirá a prefeitura na próxima sexta-feira, 20 de março. Esta iniciativa legislativa significa um retrocesso na preservação de espaços verdes da cidade.

Moradores de diversos bairros da Zona Sul participaram de votação popular contra a emenda do Art. 235, da Lei Orgânica, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que possibilita a concessão de espaços públicos verdes, jardins, praças, parques, unidades de conservação e afins à iniciativa privada. Foto: Amanda Baroni
Moradores de diversos bairros da Zona Sul participaram de votação popular contra a emenda do Art. 235, da Lei Orgânica, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que possibilita a concessão de espaços públicos verdes, jardins, praças, parques, unidades de conservação e afins à iniciativa privada. Foto: Amanda Baroni

Marcelo Lemos, membro do coletivo Baía Viva, explica que, apesar da luta pela recuperação da cidade ser trabalhosa, é fundamental e urgente:

“A Prefeitura do Rio de Janeiro está, evidentemente, voltada à sua eleição para governador e favorecendo o capital imobiliário. Nós tivemos uma derrota na discussão do Plano Diretor, onde eles conseguiram elevar o gabarito nas ruas. É isso que levou, por exemplo, no Grajaú, à derrubada daquelas 55 árvores. Até o ano passado o meu neto ia lá jogar bola. E, de repente, [esse lugar] foi embora. A mesma coisa em relação ao Andaraí, que tinha um jardim de 193 anos. Hoje, não tem mais beija-flor, periquito. É um bairro deficitário em relação a [natureza]. É uma luta permanente.

Nós estamos plantando um viveiro de plantas da Mata Atlântica lá na Aldeia Mata Verde Bonita, em Maricá, mas nós achamos que isso é pouco, porque o nosso estado não pode ter um órgão que produz só 9.000 mudas [ao ano]. O que a gente precisa é não só fortalecer a licença ambiental, mas aqueles programas [como o Mutirão de Reflorestamento, entre outros] revitalizados… inclusive, aqueles que têm apoio da comunidade, que trabalham com escolas e com a população para fazer o replantio. Assim você dá emprego e, ao mesmo tempo, produz muda e tira essa coisa de desculpa de ter que trazer muda de fora do estado. A questão da muda é uma questão de estrangulamento estratégico. [Somos] nós que temos que fazer [replantio] com as plantas daqui.”

O encontro construiu a Frente de Luta Pela Arborização Urbana e formulou uma série de medidas estratégicas no combate ao desmatamento e devastação do bioma carioca.

Medidas Demandadas no Combate ao Desmatamento pela Frente de Luta Pela Arborização Urbana:

  1. Transferir imediatamente o manejo arbóreo da Comlurb para a Fundação Parques e Jardins, revogando o decreto que promoveu essa mudança, por contrariar o interesse público e comprometer a qualidade técnica da gestão das árvores urbanas. A medida deve ser acompanhada da reconstrução institucional da Fundação Parques e Jardins, com recomposição de quadro técnico especializado (engenheiros florestais, agrônomos, biólogos, técnicos em arborização), retomada da patrulha ambiental, implantação de manejo preventivo contínuo e adoção de técnicas adequadas de poda, especialmente, em áreas com fiação elétrica.
  2. Reestruturar e fortalecer o licenciamento ambiental municipal, garantindo seu retorno à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, de modo a evitar conflitos de interesse com a política de desenvolvimento urbano. Tornar obrigatória a realização de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) para empreendimentos de grande porte, impedindo a flexibilização normativa que favorece construtoras e amplia o adensamento sem compensação ambiental adequada.
  3. Instituir transparência plena no manejo e na supressão arbórea, com publicação obrigatória, no site oficial da Prefeitura da lista de árvores a serem removidas com antecedência mínima de 20 dias, acompanhada de laudos técnicos assinados por responsável habilitado, registro fotográfico detalhado, justificativa técnica fundamentada e possibilidade de contestação administrativa pela sociedade civil.
  4. Implementar um aplicativo público de monitoramento e fiscalização da arborização urbana, com georreferenciamento das árvores, acompanhamento de sua saúde, canal de denúncias de podas irregulares e banco de dados aberto, permitindo controle social permanente e subsidiando políticas públicas baseadas em evidências.
  5. Fortalecer e aplicar integralmente o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU), garantindo sua execução orçamentária e criando instrumentos de divulgação acessível à população, como cartilhas explicativas, mapas georreferenciados por bairro indicando déficit arbóreo e metas de plantio. Associar a política de arborização ao enfrentamento das ilhas de calor e à melhoria da saúde pública, facilitando o engajamento da juventude e da população em geral.
  6. Recompor o orçamento ambiental municipal, atualmente limitado a cerca de 0,5% da receita, estabelecendo percentual mínimo progressivo, com transparência na execução e controle social sobre a aplicação dos recursos.
  7. Realizar concursos públicos para recomposição do corpo técnico ambiental, incluindo a Fundação Parques e Jardins e demais órgãos ambientais, assegurando continuidade administrativa, capacidade técnica e independência frente a pressões políticas ou econômicas.
  8. Implantar política municipal de produção de mudas e viveiros públicos, inclusive viveiros verticais em áreas urbanas densas, funcionando como bancos genéticos e sementeiras, priorizando espécies nativas adaptadas ao bioma local, gerando empregos verdes e reduzindo custos com aquisição externa.
  9. Ampliar e estruturar a educação ambiental nas escolas municipais, superando o atual vácuo formativo, criando espaços práticos como hortas e viveiros escolares, promovendo parcerias com instituições científicas, garantindo que estudantes conheçam as espécies existentes em seu próprio território e compreendam a relação entre arborização, clima e qualidade de vida.
  10. Reconhecer e apoiar iniciativas comunitárias, como o Projeto “Mão na Jaca”, que há mais de uma década atua na proteção das jaqueiras, promovendo doação de frutos para populações vulneráveis, controle consciente de sementes para evitar propagação desordenada e defesa técnica da espécie como elemento relevante para o microclima urbano.
  11. Revisar a política de concessões e privatizações de áreas públicas, especialmente diante da proposta de renovação automática de concessões por até 35 anos, que na prática consolida processos de privatização de parques e áreas verdes. Exigir controle público rigoroso, fiscalização contratual efetiva e ampla participação social nas decisões que envolvam espaços como o Parque da Catacumba, o Parque Garota de Ipanema e o Buraco do Lume.
  12. Atuar de forma articulada junto ao Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA) do Ministério Público, elaborando dossiês técnicos sobre remoções de grande porte, doações de terrenos públicos, descumprimentos contratuais em concessões e irregularidades no manejo arbóreo, com vistas à propositura de ações civis públicas quando necessário.
  13. Integrar arborização e planejamento urbano, enfrentando o modelo de ocupação intensiva que reduz áreas livres e amplia o adensamento construtivo sem compensação verde, contribuindo para a perda de biodiversidade e aumento do calor urbano. Defender revisão de parâmetros construtivos e proteção de áreas estratégicas.
  14. Cobrar responsabilidade das concessionárias de energia quanto à implantação de fiação subterrânea, evitando danos às raízes das árvores e quedas decorrentes de conflitos estruturais entre copa e rede elétrica.
  15. Criar mecanismos permanentes de mobilização popular presencial, acompanhando a ordem do dia da Assembleia Legislativa (ALERJ) e da Câmara Municipal, organizando ocupações pacíficas do plenário em votações sensíveis ao meio ambiente e fortalecendo atos públicos, incluindo grande mobilização na Semana do Meio Ambiente (em torno de 5 de junho).
  16. Promover ampla campanha de coleta de assinaturas para iniciativa popular, com meta entre 500.000 e um milhão de apoios, utilizando camisetas com QR Code e plataformas digitais, de forma a consolidar base social expressiva para as mudanças legislativas propostas.

Como Fazer Parte da Defesa das Árvores Cariocas

Assine e compartilhe a petição “PAREM COM O EXTERMÍNIO DE ÁRVORES NO RIO DE JANEIRO!” do Movimento Baía Viva.

Faça um vídeo abraçando sua árvore, seja na calçada, na rua, no seu bairro, com familiares, vizinhos ou amigos, marcando o perfil @artemovimentovida. Não se esqueça de citar a rua e o bairro onde a árvore está.

Sobre a autora: Amanda Baroni Lopes é formada em jornalismo na Unicarioca e foi aluna do 1° Laboratório de Jornalismo do Maré de Notícias. É autora do Guia Antiassédio no Breaking, um manual que explica ao público do Hip Hop sobre o que é ou não assédio e orienta sobre o que fazer nessas situações. Amanda é cria do Morro do Timbau, no Complexo da Maré.


Apoie nossos esforços para fornecer apoio estratégico às favelas do Rio, incluindo o jornalismo hiperlocal, crítico, inovador e incansável do RioOnWatchdoe aqui.