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Peça de Kelson Succi ‘Cuidado Com Neguin’ Foi Sucesso na Casa Rio

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Do dia 2 a 24 de agosto, a peça “Cuidado Com Neguin” esteve em cartaz na Casa Rio, em Botafogo. O projeto demorou cerca de um ano para sair do papel, sendo possível graças a 70 colaboradores e uma campanha de financiamento coletivo. A peça busca ser acessível a todos os públicos e, portanto, conta com uma bilheteria aberta, na qual o espectador contribui com o quanto pode.

A peça criada e interpretada por Kelson Succi, cria do Complexo do Alemão, conta a história de um “neguin” que passa por todas as dificuldades impostas pelo racismo da sociedade. Com um tom às vezes engraçado, às vezes irônico e às vezes triste, Kelson emociona a plateia com tamanha facilidade, apontando com clareza situações racistas do dia a dia. O próprio termo “neguin” como nome do protagonista expõe a generalização frequente e negativa dos negros.

A interação com a plateia também é importante. Sendo um monólogo em um espaço pequeno, Kelson consegue criar uma intimidade com todos os presentes, olhando no olho de cada um e fazendo perguntas, batendo na mão e até pedindo ajuda. Em uma cena, o ator cumprimenta um homem branco da plateia e diz: “E aí, branquin? Tudo nosso? Ou tudo seu?”

O interessante da peça é que ela mostra várias perspectivas da vida de um “neguin”, nenhuma livre de racismo. Por exemplo, há o “neguin” ostentação, que ganhou dinheiro com o funk e hoje é criticado pelo seu estilo. Tem o neguin sofisticado com echarpe e óculos escuro, que se apaixonou por um homem rico na Farme de Amoedo e esqueceu do seu passado. Também há o “neguin” que toma um chope com os amigos no Leblon, resolve ir no BB Lanches comprar um pão de queijo e assusta uma moça branca, que segura sua bolsa mais forte e apressa os passos. Afinal, tem que ter cuidado com o “neguin”!

Além de denunciar comportamentos racistas, Kelson busca mostrar o privilégio dos brancos na sociedade. Em uma das primeiras cenas, o protagonista tenta abrir uma porta trancada e, ao pedir ajuda a um homem branco da plateia, a porta se abre facilmente. Essa metáfora é posteriormente mais explorada durante a peça ao criticar “branquins” que passam anos em universidades para entender a escravidão e pensam que entendem mais do que os próprios “neguins”.

O objetivo da peça é abrir um diálogo que denuncie o racismo e mobilize a sociedade para causar mudanças. Kelson consegue com pouco espaço, figurino e cenário passar uma mensagem de extrema importância, carregada de indignação. Finda esta primeira temporada Kelson anuncia: “E vai ter mais NEGUIN no palco em breve! Cola no bonde!”