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A maturidade de Thamyres

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Um retrato de Thamyres Gonçalves, por Saulo Araújo, ambos participantes do curso de Jornalismo da ComCat e novos autores do favela.info.

Estudante de colégio normal que no futuro pretende ser jornalista, Thamyres Gonçalves, 16 anos, leva uma vida pouco agitada se comparada com a de outras garotas de sua idade. Porém, as responsabilidades desta jovem moradora de Sepetiba ( zona oeste do Rio de Janeiro ) estão muito além das que as outras garotas e garotos da sua idade já tiveram.

Ir às festas e baladas não são as preferências de Thamyres, que gosta dos programas em família. “Não sou de sair, sou mais família”. A jovem, que além de estudar durante a semana em período integral no Colégio Normal San Diego, em Pedra de Guaratiba, faz um curso de jornalismo e nos finais de semana se divide entre cuidar dos seus cinco irmãos mais novos e passear na praia próxima a sua casa. “Não vou dizer que amo minha rotina, mas faço tudo que faço porque gosto”, explica a garota.

Thamyres Gonçalves tem consciência de que é pesado o fardo de ajudar na criação de cinco crianças, mas acha que Deus poderia lhe reservar um destino pior. “É melhor cuidar de crianças do que lidar com adultos”, afirma ela, cuja tarefa é facilitada pela qualidade da relação entre os irmãos. “Nós nos respeitamos muito.”

Apesar das responsabilidades e dos compromissos, Thamyres Gonçalves não se acha precoce. “Não me considero adulta, só um pouco mais madura que a maioria das garotas da minha idade.” Um dos aspectos que mais a encantam nessa maturidade é a relação com a mãe. “Para o espanto dos outros, eu me dou muito bem com minha ela.”

A limitada vida social não é um motivo de incômodo ou arrependimento para ela, que tem poucos amigos. “Também tive poucos namorados, mas foram longos namoros”, conta ela, que não é adepta do “ficar”.

Acompanhando de perto as obras de revitalização da praia de Sepetiba, Thamyres explica por que gosta de onde vive. “As pessoas que vêm morar aqui procuram um lugar calmo”, diz ela, que costuma freqüentar a Brisa, Pedra de Guaratiba, Santa Cruz e Campo Grande, mas gostaria de conhecer melhor o resto da cidade.

Ela acredita que seja um caminho natural trabalhar no magistério quando concluir o curso normal, mas não se vê dando aula até o fim dos seus dias. “Escolhi o jornalismo depois de vários testes vocacionais que fiz e também porque tenho muito interesse em conhecer outros locais, como as periferias.”