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Uma Semana Após a Copa do Mundo: Tiroteios Diários e Moradores Aterrorizados no Alemão

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As vidas de centenas de moradores do Complexo do Alemão vêm sendo afetadas por conflitos armados diários desde o fim da Copa do Mundo, no dia 13 de julho.

Fontes de dentro da favela relatam que um adolescente conhecido como Matheus, de idade desconhecida, foi morto a tiros no último domingo, dia 20 de julho. Ele deixou um filho recém-nascido. O site de notícias R7 relatou que Diogo Werllington Costa, 28, conhecido na comunidade como “Bebezão” e suspeito de participação no tráfico, também levou um tiro e faleceu no hospital.

Moradores relataram que os conflitos entre a polícia e os traficantes tinham acalmado nos últimos meses mas que desde o final da Copa do Mundo a frequência dos tiroteios aumentou. Agora eles ocorrem pelo menos uma vez por dia sem nenhum aviso prévio nos bairros Alvorada, Grota e Morro do Alemão.

O teleférico do Complexo foi fechado na terça-feira, dia 15 de julho, devido a ‘problemas de segurança pública’, e reabriu uma semana depois, na terça-feira, dia 22 de julho. Os moradores dizem que têm medo de sair de casa para trabalhar.

Teléferico do Alemão ficou parado por uma semana devido a

Moradores que preferem não se identificar contaram ao RioOnWatch: “Desde o começo do ano a frequência dos conflitos tem aumentado. Há três meses, eles começaram a acontecer semanalmente, algumas vezes diariamente, mas depois da Copa do Mundo eles acontecem todo dia, toda hora”.

Fotos de paredes marcadas por tiros se espalharam pelas mídias sociais, assim como um vídeo de um PM movendo o corpo do adolescente morto para um carro da polícia.

Moradores relataram que o comportamento da polícia tem sido brutal.

Pichação em parede no Complexo feita por policiais da UPP.

“É absurdo porque eles param e revistam crianças que não têm como ser suspeitas”, disseram. “Eles revistam todo mundo em áreas de alta circulação, envergonhando-os pois os PMs sempre gritam e xingam os moradores e quando o tiroteio está acontecendo há muitos xingamentos e gritos, o que provoca os traficantes”.

Moradores também alegam que a polícia pichou “TCP” (Terceiro Comando Puro), nas paredes, a sigla da principal facção inimiga do Comando Vermelho. Essa seria a provocação principal para ‘intensificar os conflitos’, de acordo com moradores.

“Eu me sentia mais segura antes [da instalação da UPP] porque [os traficantes] avisavam quando a polícia entrava na favela, então a gente sabia que era para se esconder. Agora [tiroteios] acontecem sem aviso”, desabafou um deles.

No último mês de março, moradores e organizações no Complexo do Alemão publicaram um manifesto pela paz. Escrito por coletivos da comunidade, incluindo Ocupa Alemão, Raizes em Movimento, Educap e Jornal Voz da Comunidade. O manifesto é uma adaptação da letra da música popular Rap da Felicidade: “Queremos ser felizes e andar tranquilamente na favela onde nascemos“.

A ocupação do Complexo do Alemão e a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora tem sido controversa desde a operação militar executada sem aviso prévio em novembro de 2010. Moradores reclamam de abusos policiais constantemente.

“Para nós, a polícia é pior que qualquer criminoso”, disse um morador. O complexo do Alemão continua a ser cenário de tiroteios diários e as áreas de Nova Brasília, Capão e Loteamento estão sem eletricidade desde segunda-feira. As últimas informações dos moradores dizem que o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) entrou na favela.