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Coletivos Comunitários Discutem o Papel do Mídia-Ativismo na Diminuição do Estigma das Favelas

Coletivos Comunitários Discutem o Papel do Mídia-Ativismo na Diminuição do Estigma das Favelas

Quarta-feira, 24 de junho, a ONG Viva Rio sediou uma reunião pública na Glória, Zona Sul do Rio para discutir a importância dos coletivos como uma nova forma de organização comunitária e seu papel dentro e fora das favelas. O debate fez parte do projeto de inclusão digital do Viva Rio, o Viva Favela.

A discussão foi liderada por um painel formado por quarto líderes de coletivos de comunicação comunitária: Romário Regis da Agência PapaGoiaba em São Gonçalo (Grande Rio), Thamyra Thâmara do GatoMÍDIA do Complexo de Alemão (Zona Norte), William da Silva do Antiéticos da Vila Kennedy (Zona Oeste), e Carla Siccos do CDD Acontece, da Cidade de Deus (Zona Oeste) e foi mediada por Francisco Marcelo, diretor do Caminho Melhor Jovem no Complexo da Maré (Zona Norte).

Os membros do painel começaram o debate apresentando seus coletivos, discutindo os temas dos coletivos e sua crescente importância nas favelas. Thamyra do Gato MÍDIA começou as introduções, parabenizando a iniciativa de um painel tão ‘negro e lindo’.

Introduzindo o tema dos coletivos, Marcelo começou a discussão enfatizando a crescente influência das redes sociais na criação do mídia-ativismo e “na possibilidade que os moradores das favelas e da periferia têm de construir seus canais e plataformas de comunicação, e a partir delas fazer que suas demandas sejam verbalizadas e ampliadas. Essa coisa de falar de dentro pra fora, sem que a gente tenha que necessariamente precisar do intermédio da instituição A, B ou C. Assim a gente consegue se auto-organizar, o que é uma coisa muito bacana. E essa descentralização leva a uma questão de autonomia e legitimidade que é muito bacana”.

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Os debatedores, em seguida, descreveram como seus respectivos coletivos se desenvolveram, e que papel eles têm na comunidade. Thamrya disse: “Falar para os nossos com a nossa linguagem, acho que é justamente isso que atrai quem não mora numa favela ou na periferia. Quem está de fora pode estar vendo o que há ali”. GatoMÍDIA foca em orientar os moradores da comunidade em torno das mídias sociais para que seu conteúdo possa ser usado de maneira eficaz como mecanismo de “comunicação, produção e resistência”.

Ela adicionou: “A favela sempre foi potente. Sempre teve milhões de coisas acontecendo. Só que eu acho que a internet e essas plataformas das redes empoderam e dão visibilidade para que outros atores cheguem, e para que os antigos tenham mais força ainda. Eu acho isso de grande potência”.

Carla Siccos explicou que seu coletivo, CDD Acontece, tem uma função similar, ao informar os moradores da Cidade de Deus sobre serviços positivos que estão disponíveis na favela. Ao discutir a origem de sua organização, ela disse: “Isso me fez perceber que as notícias ruins da comunidade todo mundo sabe tudo. Agora as coisas boas que tem dentro da Cidade de Deus ninguém sabe porque faltava essa comunicação”.

William do Antiéticos, um grupo de hip-hop que age como uma plataforma denunciando racismo e promovendo aspectos positivos da favela, explica que seu coletivo dá voz a indivíduos para que eles possam expressar seus desejos e necessidades, e que isso ajuda no desenvolvimento de projetos.

Romário, da Agência PapaGoiaba, um coletivo de comunicação digital que promove visibilidade a produções culturais em São Gonçalo, enfatiza a importância dos coletivos em ajudar indivíduos a encontrar uma trajetória na vida.

Ao serem perguntados por um membro do público o que pode ser feito para reduzir o envolvimento de jovens no tráfico de drogas, os debatedores concordaram que coletivos podem ter um papel importante ao informar aos jovens moradores sobre as oportunidades alternativas de trabalho. Portanto, Romário e Thamyra ambos enfatizaram que a maioria da população jovem de favelas trabalha em lugares como Bobs Burger e McDonald’s e não estão envolvidos com o tráfico de drogas.

O público também fez perguntas aos debatedores sobre a violência nas favelas, o papel da UPP nas comunidades e a redução da maioridade penal e qual impacto que seus coletivos de comunicação podem ter nesses domínios.

Thamyra explicou que coletivos de comunicação podem ajudar a disestigmatizar as favelas, não por evitar a discussão sobre a violência, mas por apresentar as favelas do ponto de vista dos seus moradores. Ela explica que “os coletivos no momento que publicam algo, não é de quem está fora [da comunidade], mas de quem está dentro”.

Todos os debatedores se opuseram à legislação proposta para diminuir a idade penal no Brasil. William da Silva citou que educação seria a melhor forma de esperança e oportunidade para os jovens, e que seria limitada com a implementação da redução da idade penal. Ele compartilhou uma história emocionante sobre dois menores que o assediaram com uma arma no ônibus. Alguns meses depois, ele viu os jovens na televisão ajudando a comunidade com um projeto na Maré, e um deles estava prestes a começar universidade.

“Eu não sei quais foram as suas motivações nesse dia no ônibus, mas eles são jovens né… ainda estão aprendendo. Eu nunca vou perder esperança por eles.”

Com respeito à presença da UPP, a debatedora Carla disse que a polícia deveria interagir mais com os moradores da favela para aumentar o seu conhecimento sobre a comunidade e reduzir a visão estigmatizada e preconceituosa. Deste modo, a tensão também diminuiria.

Seguindo essa discussão, os membros da plateia elogiaram os debatedores por seus projetos comunitários inovadores. O evento acabou com um entendimento mútuo que todos podem ser lideres e ter uma voz trabalhando coletivamente.