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Comunidade São José Operário na Praça Seca Mostra Como Pequenas Ações Ambientais Fazem a Diferença

Moradores e ativistas da comunidade São José Operário–com aproximadamente 6.500 moradores na área da Praça Seca na Zona Oeste–celebraram o Dia Mundial do Meio Ambiente em 3 de junho. O evento ofereceu um espaço para os moradores refletirem acerca das problemáticas ambientais em sua comunidade.

Materiais recicláveis recolhidos por crianças da comunidade

A ação do Dia do Meio Ambiente, realizada numa igreja local em São José Operário, foi organizada pelo mobilizador comunitário Bruno Lima. Bruno é membro da Comissão de Justiça, Paz e Integridade da Criação (CJPIC) no Rio de Janeiro. Ele falou como as ações ambientais se encaixam nos propósitos da CJPIC. “Pode-se falar numa ecologia humana, que engloba o respeito aos direitos e à dignidade de toda a pessoa, especialmente dos mais pobres. Estes são sempre as maiores vítimas das injustiças sociais, dos desastres ambientais, do descaso do poder público, da exclusão social”.

O dia foi iniciado com um bloco de temática ecológica, com cerca de cem participantes, seguido por atividades para todas as idades. A mais popular foi a competição para crianças, na qual dois times competiam em um grupo de tarefas ecológicas, que iam desde recolher a maior quantidade de lixo reciclável da comunidade a escrever músicas com temas ambientais. Alguns dos materiais recicláveis recolhidos pelas crianças foram usados posteriormente para criação de fantasias e um mascote para cada time: uma cobra e um jacaré.

Brinquedos feitos com material reciclável

Wellington Domingues foi responsável por supervisionar as tarefas infantis. “A gente tem que preservar o nosso ambiente, gerar essa consciência mais nas crianças”, ele disse, descrevendo o quanto foi encorajador o fato das crianças terem recolhido materiais recicláveis “para eles poderem ver que isso tudo pode ser reutilizado”.

As crianças também ouviram dos moradores mais velhos como as questões do lixo eram tratadas na época em que estes eram crianças. Vários moradores reclamaram que o lixo continua sendo uma questão premente na comunidade, devido a falta de coleta pública de lixo ali. Bruno explicou que era “para melhorar a qualidade de vida e bem estar de nossos vizinhos ter um local apropriado para os moradores deixarem o seu lixo”.

Jovens e idosos discutem sustentabilidade na comunidade

Edson Pereira Marciano, um morador mais velho que é parte de um grupo de ativismo na área ambiental chamado “Grupo Pau Brasil”, explicou a importância de se criar consciência a respeito das questões ambientais, especialmente entre os jovens. Ele disse: ‘‘Porque preservando o nosso local nós estamos preservando a vida”.

Edson é parte de um novo projeto de coleta e reciclagem de óleo de cozinha na comunidade. Os moradores são convidados a guardar seu óleo usado e levá-lo a igreja, onde os rendimentos da revenda são distribuídos entre religiosos e o trabalho ambiental da comunidade.

Dona Maria do Carmo ao lado de seu jardim

Um dos organizadores do evento foi Damião Duarte, que também trabalha como ambientalista no Ministério da Saúde. Ele descreveu o dia de ação ecológica como sendo “um pontapé inicial” para o crescimento de uma consciência ambiental. Mesmo ele lamentando que a participação da comunidade não foi tão alta quanto se esperava, devido a casos recentes de violência na área, ele acredita que eventos como estes irão estimular discussões a respeito de ações para reverdecer as favelas na cidade do Rio de Janeiro em geral, as quais ele descreve como asfaltadas demais.

Bruno concorda, declarando a necessidade de “despertar a necessidade de lutar por políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento sustentável, contribuindo para a educação ambiental do povo.”

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