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Vila União de Curicica Pode Enfrentar Remoção Total

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Depois de ser seleccionada e preparada para receber o programa de urbanização Morar Carioca, comunidade de Curicica foi notificada que será totalmente removida

Vila União de Curicica possui muitos moradores jovens, lá nascidos ao longo dos 26 anos de história da comunidade.

Moradores da Vila União de Curicica, uma comunidade de Jacarepaguá que até 2011 estava sendo direcionada para receber projetos públicos de urbanização como parte do programa Morar Carioca, agora esperam que o diálogo com a Prefeitura possa evitar a sua expulsão.

No final de 2011 os representantes da comunidade de 26 anos foram convidados a participar de uma audiência pública na Câmara Municipal, onde foram informados de que parte da comunidade seria removida devido à sua localização no caminho da futura rodovia TransOlímpica e a linha de BRT. A outra metade da comunidade continuaria a receber as melhorias do programa municipal Morar Carioca, como uma das oito comunidades de Curicica, do agrupamento 26, em conjunto com Asa Branca, Abadiana, Curicica II, Maura Santa, Vila Calmete, Vila Pitimbu, e Virgolândia.

Vânia Neri, Presidente da Associação de Moradores da Vila União de Curirica, é o ponto de contato para os moradores sobre o mais recente anúncio da Prefeitura.

Por mais de seis meses, a Presidente Vânia de Jesus Júlio Neri da Associação de Moradores de Vila União de Curicica, tentou fazer contato com um representante da Prefeitura para descobrir qual parte da comunidade seria removida. Até que, em setembro de 2012, representantes da ONG IBase, contratada pela Prefeitura para realizar atividades de planejamento participativo em comunidades para o Morar Carioca, pediram permissão para entrar na comunidade. A permissão foi concedida. Pesquisadores do IBase foram de porta em porta, perguntando aos moradores sobre seus desejos para a comunidade e suas preferências para locais de futuras obras públicas, inclusive parques.

Após duas semanas o levantamento foi parado. Neste ponto, Vânia foi contatada por um representante da Secretaria Municipal de Habitação (SMH), que marcou um encontro com Vânia e a ex-presidente da Associação, Regina Sônia Gomes Baptista, conhecida como Sônia, na sede da SMH na Vila Pitimbu. Em 13 de novembro, Vânia e Sônia foram informadas que de fato toda a comunidade seria removida. E que era por isso que as atividades do Morar Carioca tinham parado.

Em 2011 a Prefeitura produziu o vídeo promocional da TransOlímpica que mostra a rodovia planejada (verde) contornando ao sul as comunidades de Curicica, e se encontrando do outro lado da Estrada dos Bandeirantes.

Em 17 de novembro Vânia se reuniu com os moradores da comunidade para dizer-lhes que parassem com projetos de construção em suas casas para não perderem o investimento se as casas fossem demolidas. Em 06 de dezembro, houve uma reunião com os moradores e um representante do Subprefeito de Jacarepaguá, na qual Vânia expressou suas esperanças: de que a maior parte ou toda a comunidade permaneça em seu local atual, sendo mantido o plano original da TransOlímpica. No segundo cenário, o melhor seria que os moradores fossem reassentados numa área próxima, onde atualmente não existem moradias, como em um terreno vazio adjacente à comunidade Quinze ou outro adjacente à comunidade Colonia Juliano Moreira. “As pessoas têm raízes aqui”, disse Vânia, referindo-se à importância do emprego e redes familiares na área de Jacarepaguá.

Presidente fundadora da Associação de Moradores da Vila União de Curicica, Sônia Gomes Baptista ao longo da história participou de vários projetos de construção em mutirão. Ela se preocupa em perder o produto deste trabalho e o espírito de comunidade.

O medo de Vânia é que as famílias sejam transferidas para habitação pública no extremo da Zona Oeste da cidade, Área de Planejamento 5 (AP 5), da qual, em 2010, o diretor da SMH se manifestou contra a construção de habitação pública, porque era uma “região dormitório” desprovida de empregos nas proximidades, e afirmou que “incentivar a produção de habitação social na região só iria aprofundar a segregação sócio espacial da cidade e levar à formação de mais gueto de pobreza”. Desde então, dezenas de conjuntos habitacionais surgiram na AP5 (Bangu, Campo Grande e Santa Cruz). Na reunião de 06 de dezembro, o Subprefeito não deu uma resposta quanto aos planos finais sobre as construções da Prefeitura ou sobre a remoção dos moradores da Vila União de Curicica.

Vila União de Curicia abriga cerca de 2.000 moradores, cujas casas se adequam às diretrizes para o usucapião legal da terra descritos no artigo 183 da Constituição Brasileira de 1988. Vânia observa que ao longo de sua história, Vila União de Curicica tem sido uma comunidade pacífica, que tem uma relação aberta e comunicativa com representantes da Prefeitura. Ela espera que essa relação venha a permitir um diálogo claro com a Prefeitura sobre os próximos passos, respeitando o desejo e direito dos moradores da Vila União de Curicica de ficarem na área de Jacarepaguá. Eles estão aguardando a resposta.