Parque Ary Barroso, na Penha, Sofre Há Décadas com Abandono do Estado e Corre Risco de Desaparecer

A história do Parque Ary Barroso é repleta de lutas mas também de resiliência. Fotos por: Arthur Lucena
A história do Parque Ary Barroso é repleta de lutas mas também de resiliência. Fotos por: Arthur Lucena

Esta reportagem faz parte de uma série gerada por uma parceria com o Digital Brazil Project do Centro Behner Stiefel de Estudos Brasileiros da Universidade Estadual de San Diego na Califórnia, para produzir matérias sobre direitos humanos e justiça socioambiental nas favelas.

O Parque Ary Barroso é um importante ponto de lazer verde e o único voltado a atender a Zona da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. No entanto, devido à falta de atenção do Estado, o parque corre o risco de desaparecer completamente, o que também agravaria o cenário de intenso calor que afeta a região.

Inaugurado em 13 de dezembro de 1964, no bairro Penha Circular, na Zona Norte, o Parque Ary Barroso foi construído no antigo terreno da Chácara das Palmeiras, que, na época, era propriedade de Francisco Lobo Júnior, um influente empreendedor português.

A Penha, ocupada por residências de classe média alta, foi escolhida para receber o que foi considerada a “réplica” da Quinta da Boa Vista, que era até então a área de referência nesse sentido, sendo a mais utilizada na cidade.

Vale destacar que a região onde está inserido o bairro da Penha se encontra na chamada Zona da Leopoldina, que, no passado, foi um importante polo industrial e residencial, justamente por ser atravessada pela antiga Estrada de Ferro da Leopoldina, atual Ramal Gramacho do sistema de trens do Rio. Após sua abertura ao público, o Parque Ary Barroso se tornou o primeiro e maior parque do subúrbio da Leopoldina, tendo sido tombado em 8 de outubro de 1965 como patrimônio histórico do Estado do Rio de Janeiro.

Os Anos Dourados do Parque Ary Barroso

Registro do Parque Ary Barroso durante anos 70. Na esquina do espaço ficavam as quadras, o espaço ao lado esquerdo da foto, o parque infantil. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução
Registro do Parque Ary Barroso durante anos 1970. Na esquina do espaço ficavam as quadras; o espaço ao lado esquerdo da foto, o parque infantil. Foto: Agência Globo

O parque foi planejado com um lago central, duas cascatas, uma área infantil, três quadras esportivas e outras construções referentes à residência de Lobo Júnior. Todas as construções foram dispostas no terreno inclinado de 50.000 m². Para se ter uma ideia do tamanho, dados da Prefeitura equiparam a área a sete campos oficiais de futebol.

O Parque Ary Barroso foi pensado para se assemelhar a um bosque, um espaço verde caracterizado pela disposição de árvores oferecendo sombra. Sua reserva verde inicial detinha mais de trezentas espécies de plantas, como quaresmeiras roxas e rosas, ipês roxos, amarelos e brancos, mulungus, espatódeas, flamboyants vermelhos e cássias amarelas e roxas.

Suas cascatas artificiais eram movimentadas por bombas que forneciam uma lâmina de água de dez centímetros de altura por uma extensão de três metros. A água era bombeada para a nascente a partir de uma casa de bombas, localizada na parte mais alta do parque, de onde descia em forma de cachoeira sobre os dois lagos, sendo recolhida novamente para ser bombeada.

Na área de esportes, havia três quadras, usadas para futebol e basquete quanto para outros esportes e atividades físicas, como capoeira e taí chi chuan, com arquibancadas e um vestiário, que chegaram a ser a sede de um antigo time esportivo, o Portinho Futebol Clube. O parque infantil era também muito frequentado, tanto por vizinhos quanto por outras pessoas da cidade.

Já o nome escolhido homenageou o cantor e compositor brasileiro Ary Barroso, que havia falecido em fevereiro do mesmo ano de inauguração do parque. O artista foi escolhido por ser um grande frequentador da Festa da Penha, tradicional homenagem religiosa à padroeira do bairro e até tem entre suas composições uma música que menciona a região.

Entretanto, o auge do parque durou pouco tempo, sendo afetado por uma série de fatores, como políticas habitacionais higienistas e desigualdades sociais.

De Oásis ao Abandono: Linha do Tempo do Racismo Ambiental no Parque Ary Barroso

Ainda nos anos 1960, a cidade do Rio atravessou grandes mudanças demográficas e urbanísticas, como, por exemplo, as remoções forçadas de moradores de favelas da Zona Sul para regiões das zonas Norte e Oeste. Nesta página traumática da história da cidade, estima-se que houve o deslocamento forçado de mais de 140.000 pessoas. Tal contingente populacional, hoje, equivaleria à população inteira do Complexo da Maré.

Linha do tempo de transformação do Parque Ary Barroso. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução
Imagens de 1964, 1972 e 1986 do Parque Ary Barroso publicadas no O Globo.

A região da Penha, assim como toda Zona da Leopoldina, que antes pertencia à elite, passou a servir de abrigo para pessoas de baixa renda removidas de outras localidades, através de projetos habitacionais, tornando-se um local de intensa e desordenada expansão urbana. Paralelamente, o Rio de Janeiro deixou de ser a capital federal nessa mesma época, o que influenciou em um declínio econômico da cidade e de seu parque industrial. A Zona da Leopoldina, por consequência, também sentiu os impactos disso. As terras passaram a ser loteadas e vendidas a pessoas de classe média, mas não incluíam áreas verdes e de lazer, apenas residências.

Isso contribuiu para uma ocupação urbana ainda maior numa área que já possuía pouca arborização e tornou a Zona da Leopoldina uma ilha de calor. O descaso passou a fazer parte da rotina do Parque Ary Barroso, com um longo e sofrido processo de sucateamento e degradação.

Em 1979, por exemplo, o parque já tinha instalações obsoletas em função do abandono, com uma água já não tão limpa e pouca segurança. Apenas cinco anos antes, em 1974, o cenário era outro: o parque foi um importante ponto de segurança hídrica para a região, durante uma forte escassez de água na cidade do Rio de Janeiro. Foi o lago do Parque Ary Barroso que permitiu a higienização básica de moradores da Penha, como tomar banho e lavar roupas.

Apesar disso, a falta de cuidado passou a ser rotina e a descaracterização e precariedade tornaram-se os principais temas aos quais o parque foi associado. Em julho de 2024, o parque ficou sem gestor responsável e desde então, dia após dia, os moradores se preocupam com a possibilidade do único parque da região desaparecer por completo.

Parque Ary Barroso nos Dias de Hoje

Segundo mapeamento realizado pela Sociedade de Amigos do Parque Ary Barroso (SAMPAB), no ano de 2019, o parque, que já teve cerca de 3.000 árvores, agora se encontra com apenas 500 unidades, sem receber cuidado, manutenção ou reposição do que já foi perdido. E há outros problemas. Os lagos, por exemplo, se encontram secos há anos, permanecendo cheios de água e vida apenas na memória.

Os lagos do Parque Ary Barroso que tinham peixes e até vitórias-régia desapareceram. Foto: RioOnWatch
Os lagos do Parque Ary Barroso que tinham peixes, girinos e vitórias-régia desapareceram. Foto: RioOnWatch

A antiga casa de bombas se encontra violada e abandonada, com muito lixo dentro.

Casa de bombas tem sinais de invasão e até de ser um ponto de dependentes químicos. Foto: RioOnWatch
Casa de bombas tem sinais de ser um ponto utilizado por dependentes químicos. Foto: RioOnWatch

Há excessiva vegetação morta e alta por toda parte, inclusive, obstruindo passagens.

Passagem de pedestres no parque está sumindo, sendo tomada pela vegetação, em função da falta de manutenção. Foto: RioOnWatch
Passagem de pedestres no parque está sumindo, sendo tomada pela vegetação, em função da falta de manutenção. Foto: RioOnWatch

Também existem árvores com necessidade de podas para manter sua saúde.

Vegetação tomou conta do local e de diversas passagens, demandando podas urgentes. Foto: RioOnWatch
Vegetação tomou conta do local e de diversas passagens, demandando podas. Foto: RioOnWatch

O parque virou uma cena de uso de drogas e, portanto, há a circulação frequente de dependentes químicos no local, aumentando a sensação de insegurança.

Tendas improvisadas ocupam a parte de cima do terreno aumentando a insegurança dentro do parque. Foto: RioOnWatch
Tendas improvisadas ocupam a parte de cima do terreno aumentando a insegurança dentro do parque. Foto: RioOnWatch

Também há acúmulo de lixo e mau cheiro em alguns pontos.

Descarte de lixo e falta de limpeza são cotidianos no Parque Ary Barroso. Foto: RioOnWatch
Descarte de lixo e falta de limpeza são cotidianos no Parque Ary Barroso. Foto: RioOnWatch
Parque Ary Barroso é o unico parque para atender toda a Zona da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Fonte: Hugo Costa/Reprodução
Parque Ary Barroso é o unico parque para atender toda a Zona da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Fonte: Hugo Costa/Reprodução

O Parque Ary Barroso possui a difícil missão de ser o único parque verde voltado a atender a população suburbana da Leopoldina, formada por dezenas de bairros, que somam cerca de meio milhão de pessoas. Segundo artigo do geógrafo, Hugo Costa:

“A Prefeitura do Rio ao desenvolver o PDS – Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática da Cidade do Rio de Janeiro acabou chegando à conclusão de que a Zona da Leopoldina é a região com menos áreas verdes da cidade. Em determinado momento da eleição para prefeito em 2024, Eduardo Paes se auto-intitulou ‘Prefeito Parque’ devido à atenção que o mesmo declara ter pelo tema. Desde a construção do Parque Madureira, no subúrbio da central, tivemos outros parques erguidos em outros bairros da Zona Norte e da Zona Oeste, mas com exceção do Parque Pavuna, nenhum outro parque foi construído onde o diagnóstico do PDS ou do Mapa do Calor indicava como mais necessário.”

Ausência de portão na parte alta, além de caçambas de lixo atraindo mais sujeira para o “Pulmão da Zona da Leopoldina”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre
Ausência de portão na parte alta, além de caçambas de lixo atraindo mais sujeira para o “Pulmão da Zona da Leopoldina”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre

E, como se não fosse suficiente todo este drama atravessado pelo parque, coletivos e vizinhos lutam agora pela transferência das instalações da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Penha e da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Parque Proletário, implantadas em 2008 e em 2012 no terreno.

Construídas na gestão do governador Sérgio Cabral e prometidas como temporárias, a UPA e UPP foram autorizadas pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (INEPAC), pois eram temporárias.

O espaço onde se situa a UPA é onde anteriormente funcionava o parque infantil. Já a UPP foi colocada onde ficavam as três quadras esportivas. A promessa foi de que a UPA seria transferida para o quarteirão ao lado, ocupando o terreno da antiga lavanderia do Hospital Estadual Getúlio Vargas e a UPP seria realocada para espaço definido pela Prefeitura, o que não ocorreu.

Instalação da UPA Penha se encontra dentro de terreno tombado. Foto: RioOnWatch
Instalação da UPA Penha se encontra dentro de terreno tombado desde 2008. Foto: RioOnWatch

Em função desses impasses, lideranças e movimentos se mobilizaram em prol do parque e a situação passou a ser alvo de processos do Ministério Público, através de uma ação da SAMPAB (Sociedade dos Amigos do Parque Ary Barroso) em 2012, mas que só teve um breve acordo em 2019. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, através de um ofício, finalmente reconheceu a relevância histórica do parque e estabeleceu a transferência da UPA e da UPP para outros locais, além da revitalização.

No entanto, apesar do espaço ter recebido uma breve melhoria posterior, como limpeza executada pela Comlurb, nada foi feito a respeito da transferência, como explica Arthur Lucena, liderança do Movimento Parque Ary Barroso Livre:

“Conversando com o comandante da UPP [na época], ele chegou a citar que [foi] oferecido um espaço,… mas a polícia não aceitou porque o local estava em condições precárias. Então, aguardaram a Prefeitura ceder novo espaço [o que nunca aconteceu]. Em uma das coberturas feitas pela imprensa sobre o parque, a Prefeitura disse que não havia problema nenhum com o parque, que estava tudo acessível, que estava limpo e [que seu abandono] não era verdade. Já o Governo do Estado [justificou] que a Polícia Militar e a UPA eram importantes para o local [para segurança e saúde]. Mas como você vai colocar essas estruturas num parque público? Tem outros espaços para fazer isso. Senão, cada vez que houver uma necessidade pública, você vai [atender a população] ocupa[ndo] um espaço [substituindo seu uso, também necessário, anterior]?”

Obras irregulares referentes às unidades da UPA, com a incorporação de um pequeno espaço verde do parque aos fundos do posto foram interrompidas no início deste ano. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
Obras irregulares referentes às unidades da UPA, com a incorporação de um pequeno espaço verde do parque aos fundos do posto foram interrompidas no início deste ano. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre

Só em 2026, a 4° Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural da Capital pede que os réus (governos estadual e municipal) sejam obrigados a demolir todas as edificações instaladas de forma irregular, como: Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), UPA e UPP.

O MPRJ também requer a elaboração e a execução de um projeto de restauração e revitalização que respeite os elementos paisagísticos, arquitetônicos e urbanísticos originais do local.

Em março desse ano, a Justiça determinou que o Estado e a Prefeitura adotassem medidas emergenciais em relação ao Parque Ary Barroso em um prazo de 60 dias, para garantir que esteja em condições adequadas de uso e salubridade. Entre as providências estão a remoção de árvores ou vegetação com risco iminente de queda e a paralisação de obras não autorizadas que estejam andamento dentro da área tombada.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, o parque, referência histórica e de lazer para os moradores da região, encontra-se atualmente em estado de degradação. Os jardins foram transformados em estacionamentos, os antigos lagos estão secos, as vias internas deterioradas e o terreno está repleto de ocupações ilícitas.

Na decisão, o Juízo da 13ª Vara de Fazenda Pública determinou multa diária de R$1.000, em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$100.000. Apesar da Ação Civil Pública (janeiro) e da Decisão Judicial (março), ainda não é visto o início da tão sonhada revitalização, aumentando a angústia e apreensão de movimentos e vizinhos defensores do parque, que seguem assistindo a progressiva descaracterização, sem saber qual será seu futuro definitivo, como conta a advogada Andréa Neves, membro da Sociedade de Poetas Leopoldinenses:

“Nós que utilizamos o espaço não sabemos até que ponto a decisão realmente [abrange] o que a gente tá reivindicando para os moradores ou até que ponto é só para manter o espaço limpo. Aqui era muito utilizado pelas famílias da redondeza. A gente esticava as nossas toalhas de mesa [aqui]. Infelizmente, [o parque] foi totalmente negligenciado, não apenas nos últimos 20 anos. Tem muito mais tempo que isso. [Há] 20 anos é que [a situação] está em público [visível]. Aqui não é só uma questão de limpeza, precisamos revitalizar os lagos, controle sobre uso do espaço, porque virou um grande estacionamento. Se você quiser ir no banheiro e a Arena Dicró [espaço cultural que fica dentro do terreno] tiver fechada não tem onde utilizar. A gente não tá pedindo nada de especial. Só o necessário. Não é só a limpeza [que o parque precisa], ou colocar [novas] árvores. A gente precisa que o parque seja também [um ponto] de lazer, de utilidade pública.”

A história do Parque Ary Barroso é repleta de lutas mas também de resiliência. Fotos por: Arthur Lucena
UPP ainda está em local onde deveriam haver quadras esportivas para a juventude. Foto: RioOnWatch

Segundo Arthur Lucena, a falta de comunicação e suporte efetivo também é um outro ponto problemático:

“A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) disse que já estava em licitação a reforma para o Parque Ary Barroso e em março iriam começar essas obras. Cadê essas obras? Em ano eleitoral tem aquela coisa: ‘Ah, a gente vai fazer’… O que era para existir aqui é um gestor, que estamos sem desde julho de 2024. Essa pessoa deveria ser esse mediador, deveria ter alguém pra auxiliar aqui.”

Entradas originais do Parque Ary Barroso seguem fechadas há cerca de 20 anos. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução
Entradas originais do Parque Ary Barroso seguem fechadas há cerca de 15 anos. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre

Parque Ary Barroso Livre: Em Defesa da Natureza na Zona da Leopoldina

Em contrapartida, os coletivos Sociedade de Poetas Leopoldinenses e o Movimento Parque Ary Barroso Livre, formados por moradores, vêm realizando uma série de ativações no espaço, buscando o resgate do parque junto à população no espírito “nós por nós“. Através deles, já foram realizados mais de 20 eventos, entre mutirões de limpeza e ações artísticas e culturais.

O professor de artes marciais e cria da Penha, Alan Mello, um dos participantes da mobilização, dá aula há dez anos no parque e compartilha seu desejo de que o local seja para a nova geração o que foi para ele na infância.

“Minha primeira memória do parque é de quando eu vinha com minha mãe fazer piquenique [início dos anos 2000]. A água do lago já tinha um lodo, mas tinha vitórias-régia. Aqui tinha micos. Já ouvi gente dizer que teve até bicho-preguiça aqui. Aqui é um espaço ao ar livre pra comunidade, pra fazer uma atividade individual ou coletiva e poder aproveitar a natureza. O que a gente tá buscando cada vez mais é trazer atividades com qualidade e também uma mudança no parque para que melhore. A gente vive muito nessa vida corrida e aqui, na Zona Norte, a gente não tem um espaço tão bom quanto o Parque Ary Barroso.”

Organizaram também encontros de aniversário de 61 anos do parque (13 de dezembro de 2025) e férias com crianças (17 de janeiro de 2026), com atividades variadas como: poesia, educação ambiental, dança indígena, aula de Kung Fu, apresentação musical e oficina de pintura com material reciclável para todas as idades. Com isso, o projeto atraiu até agora cerca de 500 pessoas para o Parque Ary Barroso.

Arthur reforça que, mesmo com as dificuldades, ter esperança é um ato de resistência pelo parque e pela Penha:

“As pessoas que contribuíram com o abaixo-assinado de recuperação do parque são, em sua maioria, daqui da região. [Além disso], atualmente a luta pelo meio ambiente tem se popularizado [ajudando nossa mobilização]. Como já se passaram 15 anos, tem muita gente que desacredita [de que a situação vai mudar], porque se não aconteceu nada antes, por que agora, né? Mas temos que continuar cobrando e acreditando.”

Integrantes dos coletivos Sociedade dos Poetas Leopoldinenses e Movimento Parque Ary Barroso Livre unidos pela retomada do Parque Ary Barroso. Foto: RioOnWatch
Integrantes dos coletivos Sociedade de Poetas Leopoldinenses e Movimento Parque Ary Barroso Livre unidos pela retomada do Parque Ary Barroso. Foto: RioOnWatch

Confira a Lista de Reivindicações do Movimento Parque Ary Barroso Livre:

  1. Retorno de uma equipe de gestão do parque.
  2. Comunicação visual eficiente: placas e sinalização em frente ao parque e nas suas entradas principais originais indicando a entrada. Melhora na comunicação com o entorno, com a Reabertura dos portões principais (após reformas urgentes), assim como das entradas laterais e contrução de novo acesso na parte alta, com placas visíveis. Sem a sinalização, muitas pessoas pensam que o parque pertence agora somente à UPA e à UPP. Há uma desconexão local. Muitos moradores, praticamente vizinhos do parque, nem conhecem a sua existência.
  3. Restauração da placa histórica: restabelecer a sinalização que contava a história do parque, além de colocar um QR Code junto para conectar as novas gerações à História do “Pulmão da Zona da  Leopoldina”.
  4. Limpeza completa e regular: retirada de lixo e vegetação excessiva, incluindo a parte de cima do parque, onde existem lixeiras encostadas no muro, que acabam estimulando todo tipo de descarte no local.
  5. Abordagem de dependentes químicos por equipes multidisciplinares de saúde e serviço social para que eles tenham o suporte adequado, abrigo e oportunidades de saírem da condição de rua e, assim, diminua a cena de uso no parque.
  6. Segurança e vigilância do parque com presença 24 horas da Guarda Municipal e da Polícia Militar para evitar invasões noturnas e outros delitos, garantindo a segurança dos frequentadores.
  7. Acessibilidade total: construção de vias que permitam o deslocamento de cadeirantes, pessoas idosas e com limitações de locomoção, entre outras.
  8. Reativação da casa de máquinas, fontes, cascatas e lagos.
  9. Resgate dos espaços originais: transferência da UPA para o terreno da antiga lavanderia do Hospital Estadual Getúlio Vargas e da UPP para espaços cedidos pela Prefeitura e reforma de quadras esportivas e parque infantil.
  10. Reforma da entrada situada na parte de cima do parque: portões e grades se encontram destruídos e arrancados.
  11. Banheiros, vestiários e iluminação noturna.
  12. Incentivo à ocupação positiva do parque: oferta de atividades para moradores, com grades de oficinas esportivas e culturais semanais, shows, eventos, entre outras ações locais.
  13. Funcionamento noturno até às 22h: permitindo maior uso para lazer a noite, tendo em vista que a maioria dos moradores está disponível nesse horário.

Para apoiar o movimento, é possível contribuir com o abaixo-assinado, além de seguir o projeto em seus perfis de redes sociais, como Instagram, Facebook, TikTok e X.


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