Visite Até 23 de Julho! Exposição ‘Memória Climática das Favelas’ Retorna, Completa, ao Museu de Favela, no PPG: ‘Aprendemos a Sobreviver para Poder Contar Como Sobreviver’

Em exibição no Museu de Favela,  Rua Alberto de Campos, 12 - 4° andar - Ipanema, Rio de Janeiro até o dia 23 de julho

A exposição Memória Climática das Favelas chega ao Museu de Favela no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Foto: Bárbara Dias
A exposição Memória Climática das Favelas retorna completa ao Museu de Favela no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Foto: Bárbara Dias

Em meio a 24ª Semana Nacional dos Museus, a exposição Memória Climática das Favelas retorna para o Museu de Favela (MUF), desta vez de forma completa. Organizada por onze museus e projetos de memória integrantes da Rede Favela Sustentável*, após passar três meses em Santa Cruz, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, a instalação com 60 painéis de linha do tempo, 13 banners e outros objetos, foi aberta ao público no coração da Zona Sul no dia 19 de maio. Permanecerá aberta para visitação até 23 de julho, de terça a sábado, entre 10h e 17h na sede do MUF, Rua Alberto de Campos, 12 · 4º andar, Ipanema.

Márcia Souza, co-fundadora do Museu de Favela, no Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, fala sobre a importância de receber a exposição mais uma vez no MUF e de como foi o processo de construção das rodas de memória climática que compõe a expo, rodas realizadas por dez favelas da cidade do Rio de Janeiro. Como Márcia lembrou, o processo de história oral das rodas gerou o conteúdo da exposição: 

“Eu venho nessa construção da Rede Favela Sustentável e da construção das rodas de conversa da memória climática e dessa integração com todos os outros territórios da cidade do Rio de Janeiro. Trazer essa exposição aqui novamente, agora, desta vez, completa, para mim, é muito importante, porque é uma exposição que foi construída coletivamente. Ela vem muito das entranhas do nosso íntimo, que é de onde a gente falou sobre tudo o que a gente passou no passado, o que a gente aprendeu com tudo o que se passou. E, hoje, está aí exposta essa questão do clima, que a gente não domina, a gente não tem como impedir, mas a gente tem como se prevenir. Essas questões [das mudanças climáticas] estão chegando e como a gente vai receber? E tudo isso pautado nas experiências de várias gerações: os jovens ouvindo os mais antigos [e os mais antigos, os mais jovens]… É maravilhoso fazer parte disso!”

Durante a abertura da exposição no MUF, um grupo de mulheres estava reunido no encontro 'Diálogos sobre a rede de proteção à mulher, caminhos de apoio e lideranças que protegem', mediado pelo CAOVIDMPRJ. Foto: Bárbara Dias
Durante a abertura da exposição no MUF, um grupo de mulheres estava reunido no encontro ‘Diálogos sobre a rede de proteção à mulher, caminhos de apoio e lideranças que protegem’, mediado pelo CAOVIDMPRJ. Foto: Bárbara Dias

Durante a abertura da exposição no MUF, foram realizados “diálogos sobre a rede de proteção à mulher, caminhos de apoio e lideranças que protegem”, pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAOVD) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Drª Eyleen Marenco, promotora de Justiça e subcoordenadora do CAOVD/MPRJ, e as assistentes sociais Rosangela Pereira e Jaqueline de Souza reuniram um grupo de mulheres moradoras e lideranças comunitárias, e promoveram uma roda de conversa destas que atuam no enfrentamento à violência de gênero. Elizabete Pereira, Segunda diretora na atual gestão do MUF, fala da importância do evento, junto à abertura da exposição: 

“Foi uma troca muito interessante, inclusive por ser no mesmo momento que a abertura, de estarmos recebendo novamente a exposição Memória Climática das Favelas. Eu pude participar da montagem e é muito incrível que você vai vendo o que foi adicionado nas memórias de favelas e que somos diferentes, porém muito iguais. E têm muitas soluções, então, estou ansiosa pra terminar de explorar a exposição e fico muito feliz com essa parceria, com esse trabalho em parceria com o MUF.”

Márcia Souza (à esquerda) guia as visitantes, que durante o circuito da Exposição Memória Climática nas Favelas, onde puderam acompanhar os painéis da linha do tempo, o poço, a bacia das memórias e um vasto conteúdo sobre as memórias climáticas de dez favelas cariocas. Foto: Bárbara Dias
Márcia Souza (à esquerda) guia as visitantes, que durante o circuito da exposição Memória Climática das Favelas, onde puderam acompanhar os painéis da linha do tempo, a bacia das memórias e um vasto conteúdo sobre as memórias climáticas de dez favelas cariocas. Foto: Bárbara Dias

Após o encontro, as participantes participaram de uma visita guiada por Márcia, pela exposição, no espaço renovado do Museu de Favela. Márcia narrou como foi o processo de construção:

“Essa exposição foi criada através das rodas de conversas, nós tivemos dez rodas. No primeiro momento (em 2023) cinco, depois (em 2024) mais cinco rodas, e a gente discutiu o que é clima, como o clima atingiu a gente ao longo do tempo. Todo mundo falava das tragédias, e de como as pessoas se resolviam diante da tragédia. Têm pessoas de lugares diferentes que sofreram a mesma coisa, mas de maneiras diferentes. E aí a gente acabou percebendo que a gente tinha uma união, sabe? [Tanto dentro da favela quanto entre as favelas que participaram] vivemos vários tipos de situações, aprendemos a sobreviver, para poder contar hoje como que a gente sobreviveu e o que a gente pode fazer. Então, a memória climática pra mim é esse resumo: viver e sentir o que foi passado lá atrás contado pelos mais antigos, e os mais novos criarem novas soluções, e não só esperar pelo governo.”

Larissa Itaboraí, jornalista, voluntária no MUF, relatou ter se impressionado com o conteúdo da exposição:

“Hoje, a gente estava participando de uma roda de conversa muito interessante e agora a gente está sendo apresentado para essa exposição. Confesso que fiquei impressionada com a quantidade de informações que existem nesses painéis. A forma como a Márcia também [guiou], que é uma pessoa integrante daqui, uma das fundadoras do MUF, me tocou muito. A gente fala muito de mudanças climáticas a nível de florestas, água. Mas quando a gente vem do macro para o micro, como as favelas são atingidas, a gente consegue ver um racismo ambiental e um racismo climático.” 

Márcia Souza (à direita) guia jovens estudantes da Escola Municipal Presidente João Goulart na Exposição Memórias Climáticas das Favelas no Museu das Favelas. Foto: Bárbara Dias
Márcia Souza guia jovens estudantes da Escola Municipal Presidente João Goulart na exposição Memória Climática das Favelas no Museu de Favela. Foto: Bárbara Dias

No mesmo dia, a exposição foi visitada por 20 crianças do 3º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Presidente João Goulart, localizada no próprio território. Acompanhados por sua educadora, os pequenos visitantes foram guiados por Márcia Souza e puderam percorrer o circuito da exposição. No final, deixaram recados no mapa interativo que faz parte da exposição. Márcia comentou sobre a importância das crianças visitarem a exposição: 

“Quando a gente traz essas informações para eles olharem, tocarem, ouvirem, verem, é super importante. E eles se engajam nisso, entendem que eles também podem participar na construção de uma solução. Então, a criança, quando ela vê a exposição e entende o que está no entorno dela, ela interpreta do jeito dela, sem nenhuma interferência, é ela e o olhar dela.” 

A exposição “Memória Climática das Favelas” está em exibição no Museu de Favela, Rua Alberto de Campos, 12 – 4° andar – Ipanema, Rio de Janeiro, até o dia 23 de julho. A visitação acontece de terça a sábado, entre 10h e 17h para entrada, na Rua Alberto de Campos, 12 · 4º andar, Ipanema.

Veja Mais Fotos no Álbum:

Exposição 'Memória Climática das Favelas' no Museu de Favela, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, 19 de maio de 2026

Sobre a autora: Bárbara Dias, cria de Bangu, possui licenciatura em Ciências Biológicas, mestrado em Educação Ambiental e atua como professora da rede pública desde 2006. É fotojornalista e trabalha também com fotografia documental. É comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e co-fundadora do Coletivo Fotoguerrilha.


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